31 de maio de 2015

Giros, matemática e reflexões

Que me desculpe a maturidade, mas girar em cadeiras de rodinhas é fundamental, li por ai em um meme com a cara do Chapolin Colorado e amei, tanto que dei like, compartilhei e ainda trouxe para cá para o mês encerrar e junho saudar.
Perguntei a marido se a cadeira dele do escritório é de rodinhas e ele disse que era mas que não tinha espaço para girar a coitada e o coitado, tipo passarinho em gaiola. Muito chato isso eu pensei e ai lembrei do filme que vi ontem pela milionésima vez, que talvez até eu já tenha indicado aqui ou cronicalizado sobre. Onde o fundamental deixa de lado detalhes, como tem que ser. Para mim é fundamental uma cadeira de rodinhas ter espaço para ser girada ou pelo menos andar, se o espaço é apertado e fixo devia ser uma cadeira fixa (momento surto por cadeira do marido poder girar rararara).
O homem do jogo é o nome do filme e eu adoro filmes de histórias, reais ou inventadas, de professores, jogadores e times de basquete, beisebol e futebol americano. Sempre há além das regras dos jogos, lições de vida, maneiras de contagiar. Me contagio com o fazer em grupo, com os detalhes relacionados ao jogo da vida, onde nem sempre ganhamos, nem sempre perdemos, mas temos sempre que estar aprendendo a jogar.
No filme, o técnico do time tinha uma quantia pequena para pagar os salários dos jogadores, um dos menores orçamentos do campeonato, um terço do valor da folha salarial do New York Yankees, mas mesmo assim o time dele com  ajuda de um simpático e inteligente assistente, fez história, mudou as regras de contratação e táticas do esporte e chegou tão longe quanto os Yankees no campeonato e a chave para este desempenho foi começar levantar estatísticas de desempenho dos jogadores no campo.
Toda essa explicação sobre o valor de atletas baratos, que possuíam boas estatísticas nas posições que jogavam e encaixados no time no momento certo do jogo faziam a diferença, recaem na pergunta: Porque são baratos jogadores assim? Um dos exemplos era de um ótimo jogador que não era valorizado porque era engraçado. Sério isso? Sério! E quantas vezes características pessoais, comportamentais e até físicas não excluem um bom profissional do mercado, uma pessoa legal de um grupo. Sentir alegria em girar na cadeira não faz de ninguém idiota, ou faz, e daí?
Posso achar idiota quem não daria tudo num dia estressante por uma boa girada em uma cadeira de rodinhas. Para a análise estatística do filme, a dupla se baseou nos estudos e teorias de Bill James, um ex-combatente do Vietnã formado em literatura inglesa e economia, que estudava o beisebol.  Em 1977, James publicou um livro e nele introduziu, pela primeira vez, as estatísticas e as fórmulas para medir o desempenho dos jogadores de beisebol dentro de campo.
Para arrematar tipo Chapolin, direi eu que o uso das estatísticas não está presente apenas no beisebol, movimentos friamente calculados, estão presentes cada vez mais na maioria dos esportes, nas empresas, na decoração, no conforto, prazer e praticidade num mesmo patamar. E as estatísticas dos no caso de atletas, equipamentos, espaços físicos, permitem que se conheça melhor os pontos fortes e fracos, além de mostrar o melhor caminho para o desenvolvimento. E se vale para atletas vale para a maratona da vida, trabalho, relações, coisas, basta fazer as devidas referências. 
A matemática não é só exata, é linda, mágica, há poesia nela, você não percebe não? Sugiro assista ao clássico Disney:  Pato Donald no pais da Matemática (locadoras, tv, Youtube, procura, procura), essa animação me fez amar a matemática e o filme: O homem do jogo também. Ficam as dicas!

30 de maio de 2015

Do festejar

Eu acho que vale festejar desde o brotar de um feijão no algodão com uma criança que espera, até o ninho de um pássaro no nosso telhado, o dia do primeiro beijo do casal, aniversários, bodas e o que quer que seja. Deixar passar em branco é um desperdício e noutra ponta fazer eventos megas (muitas vezes sem dinheiro, sem bom gosto, sem identidade e outras peculiaridades) também é desperdício e tem virado viral, vício, Freud explicaria como carência, trauma, necessidade de aparecer. Quando vejo certas notícias e exageros vem no automático o velho: Quer aparecer, pendura uma melancia na cabeça! Inspiração para essa resenha aqui.
Não me furto de dar minha opinião, a quem interessar possa, sem querer ser a dona da razão, com a compreensão que cada caso é um caso. Certa vez resenhei sobre ser parte da festa ser o esperar, o preparo e assim esses exageros encomendados perdem o valor (clica aqui e aqui pra ler e comentar se desejar).
Se não já falei aqui, falei e falo por ai, por exemplo, que acho feio, forçado, acho um pecado a tal da foto modinha de babys destruindo bolos. Um bebê sujo comendo manga em casa, chupando um picolé na praça, praia, sujo com alegria genuína, no momento do ocorrido, com o prazer, com história para contar, com olhinhos a brilhar vale. Há um bolo encomendado para ser destruído, com tantas crianças que nunca tiveram um bolo de aniversário, um viés de não dar modos, do tipo não pode pegar, tem que usar usar pratinho, garfo, com a mão não. Nada levado em consideração em favor da modinha. Não! Sem meias palavras, não acho legal.
Isso de 20 casas de padrinhos para o noivo e 20 para noiva, não é escolher padrinhos, não é honraria dada e recebida, é um não escolher, é feio no altar, é exagerado, cansativo, chique é menos, para roupa, para quantidade de padrinhos, para maquiagem e muitos etceteraťs. Para que tá feio! Convites com joias, presentes tipo pagamento para padrinhos e convidados, os presentes escolhidos pelos noivos e pagos no cartão a parcela pelos convidados, cadê a identidade das coisas, o pessoal, a elegância, a poesia?
Cada passo na festa, cada foto, tudo pensado, tudo com estratégias, tudo forçado, sem naturalidade, sem personalidade, sem envolvimento. Festas pessoais se tornam cada dia mais corporativas e exibicionistas. Falta respeito aos templos e figuras religiosas, seja dos idosos presentes (pais, avós, tias), dos Padres, Pastores, Guias espirituais, falta de respeito com as imagens e objetos religiosos. Joga-se Santo Antonio para cima, escreve-se em placas que só casou agora porque o Santo era a fim de mim (cruzes). Gritos dentro da igreja, tapinhas na bunda, beijos de filme proibido para menores, trilhas sonoras que não condizem com o local, danças e um sem fim de falta de elegância, de limites. A festa e o soltar a franga não ficam mais para depois, para depois é outros tantos exageros, gastar de dinheiro, falta de detalhes que encantam e que falem sobre casamento, sobre o casal, falta da celebração de fé, de religiosidade pura, concentrada, juras, compromisso selado, seriedade e entrega, olho no olho necessário no pós troca de alianças. Tudo encomendado, nada de dentro. Até para lua de mel, não se vai mais só, uma galera, festa, bebidas, brindes, fotos. Nada de enxoval, de momentos a sós, tudo over e para o mundo ver e quisá se tornar viral.
E nessa, desde o comemorar, não com sorrisos e percepções de mudanças, mas com bolo (mão da mãe ou da vó, ou da tia boleira, bolo de griffe, nada de fazendinha, time de futebol ou rosa com confetes, temáticos modernos e igual ao de geral, com mais enfeites que sabor) e convites a cada mês de uma criança, mensário (suspiro). Até a festinha inocente do pijama, com lençol de cabana, tá virando evento encomendado em casa de festas, com Dj e nem sei mais o que, me furtei de ler (fica a vontade, clica aqui para ver uma reportagem).
A festa dos filhos muitas vezes é dos pais, festas de quinze anos sem nenhuma simbologia de ritos de passagem, sem a identidade do aniversariante que por ter 15 é padronizado, da música a decoração que tiver na moda. Meu filho fez quinze sábado, fosse uma menina e fosse de seu gosto, ia ter o baile de debutante que não tive, quisesse ir a Disney, iria, ou ao Japão. A lista de amigos meus e dos pais é grande, chamamos alguns em nossas comemorações. A festa foi para a galera de 15, para ele sentir que era para ele e dele. Até hoje ouço as batidas do rock em meus ouvidos, curti, adorei, em alguns momentos quase surtei, levei sandália para trocar e nem troquei, como fui arrumar o lugar, fiquei.
Avós e tias pelo meio dos tais agridoces adolescentes, cada um a seu modo, com a boa e velha lição de que família é tradição. Deve ter tido azaração, quem não com essa idade, estava me divertindo não vi, se vi não reparei, acho normal, são normais eles, ainda bem, que sejam sempre que puderem nesse mundo cada vez mais paranoico que vivem, que não entrem na roda louca dos exageros nem pra mais, nem pra menos.
Ver todos a vontade como se tivessem no pátio da escola em aulas vagas sequenciadas foi a visão de comemoração para mim. Saíram de fato da Escola para lá, em duas vans e outros tantos convidados extra escola foram a vulso. Sem regras de eventos cheios de mimimis, onde os convidados mais parecem parte de uma atuação, com papeis e posições estabelecidas, sem hora disso e daquilo, sem bebida alcoólica servida para os menores, mas tinha para os adultos, porque não, cada coisa a seu tempo, ver e não poder educa eu creio. 
Com carne, saladas e cada um a seu gosto, sem ter perguntado antes nem na hora o que você come e não come, gostou coma a vontade, não gostou coma menos, é o que temos para hoje. Nada de dois cardápios ou menu. Picolés de frutas, tapioca, amendoim e milho verde, mil vezes a pergunta: tem de chocolate e a resposta: não! É que os sabores escolhi para mim.
Um bolo, devorado até o último pingo de glacê, nada de exageros, de caixinhas de leve para casa. De lembrança levaram o que ali viveram. Fotos registraram também. Teve cair na piscina de roupa, teve cantoria desafinada em parceria com a afinação da banda e letras de música bizarras, muito riso, sem noias, sem roteiro, só mesmo o com o bom velho festejar que cabe e sobra no ser e estar.
E ele lá batendo cordas no violão que a pouco tá tendo aulas, cantando no microfone, coisa que não fazia a pouco nem no chuveiro e a pergunta de se ele vai querer tocar profissional, como a do que vai querer ser ou até do que quero que ele seja, digo sempre que ele ainda não sabe e eu acho que não cabe a mim querer. Quero que seja feliz, que seja um bom menino e um bom homem. Tocar que seja para relaxar, pra desabrochar, por ouvir mais, tocar como forma de arte ou oração, já que dizem que quem canta reza duas vezes. Se quiser como profissão, bom também.
Festas boas sãos as com danças ensaiadas, decoração primorosa, vestidos lindos, sendo com carinho e sem muita exibição, são também porretas as festas na laje, com gelo no balde e que pegamos tudo com a mão. Festas boas fazem pessoas comuns e sem instrução pelos idos do sertão, sem nem saber fazer lista, nem ler, ou escrever, mas cantam modas, dançam, tocam, festejam a vida, o que ter comida, teto e até o não ter, mas ter por onde buscar, ter sonhos, além de convenções, ostentações, além do que se engana ser festejar.

29 de maio de 2015

Das razões para acreditar

Me vi nesse desenho
Que o nome de quem fez não tenho
Vejo uma letra e ou c
Perto do joelho do pé pendurado
E aqui da minha rede de balançar o querer
De joelhos esfolados como quando criança
De tanto jogar bola e me jogar no chão sem mira
Zero de leveza no andar, no subir e descer
Leveza só por dentro
No acreditar em seres humanos por excelência
Em criaturas encantadas
Leveza colhida em histórias inspiradoras
Inventadas e vividas
No crêr que compartilhar e saudar iniciativas positivas
Também mudam o mundo
Vi uma matéria sobre um garoto de 7 anos, chamado Toby Little, que escreve cartas para o mundo inteiro e pede que lhe escrvam de volta. Ele pergunta ao destinatário sobre curiosidades e costumes locais. Sua mãe, como forma de apoio e contagiada pela empolgação e retornos, criou, o site chamado Writing to the world (Escrevendo para o mundo), no qual divulgam as cartas e as categorizam por continente e país para onde foram enviadas e de onde foram recebidas.
Além disso, através de um outro site, o projeto está arrecadando dinheiro para ajudar a ShelterBox, instituição sem fins lucrativos, que envia caixas com utensílios de sobrevivência para famílias que vivem em situações precárias.
Toby acredita que o site e as cartas podem servir para mostrar à outras crianças o quão incrível é o mundo: “Eu quero que o mundo seja um lugar melhor” ele diz. E com pessoinhas como ele, com gestos e movimentos como esse, já há razões para acreditar que será.
Para uma sexta-feira de bons exemplos, inspiração e ação. Que sejamos felizes, realizadores, estejamos mais juntos, sejamos mais justos com o tesouro que é a vida e as relações, que sejamos melhores a cada dia e para sempre.

28 de maio de 2015

Do brilhar

Iluminura iluminada de por ai
Sem referência do autor onde a vi

Para manter nossas luzes acessas
Observar e se cercar de vagalumes
Alimentar o candeeiro de nossos corações
A luz da nossa alma
Mirar os faróis dos nossos olhos
Para as boas lembranças
Para os caminhos a nossa frente
Além de alumiar o presente
A fim de que nos harmonizemos
Nos iluminemos
E a escuridão dos outros não nos alcance 

A partir desse rabisco 
Lembrei de um contar do tipo reflexão 
Uma fábula que gosto de montão
E vale para quando estamos as voltas
Com algum escorpião

"Entre o gramado do campo
Modesto, em paz se escondia
Pequeno pirilampo
Que, sem o saber, luzia

Feio sapo repelente
Sai do córrego lodoso
Cospe a baba de repente
Sobre o insecto luminoso

Pergunta-lhe o vagalume:
- Porque me vens maltratar?
E o sapo com azedume:
- Porque estás sempre a brilhar!"

João Ribeiro (1860-1934)
Grande Fabulário do Brasil

27 de maio de 2015

Contra a descriatividade

Pintura que não tenho a referência
Dei o nome
Porque Pinguim pode voar sim
E eis que desde o dia de meu aniversário lá no mês de abril, até esse domingo passado, meio de maio, esteve em cartaz aqui em Salvador, uma peça que só anunciaram com gosto quando estava para acabar e eu não tinha como ir lá, a rima é do meu chatear, como pode tanta porcaria se anunciar e um tesouro desses deixar passar? Ainda mais com a escassez de criatividade que tá o mundo, todo mundo fazendo igual, tudo digital, sem poesia e alegria, de quintal, varal, tal e coisa, coisa e tal.
Resolvi trazer para cá, vai que volta, vai que vai por ai. A direção foi a primeira de um ator baiano, Caio Rodrigo o nome dele, o espetáculo: A máquina que dobra o nada, foi inspirada nos neologismos e poemas do por mim amado e apassarinhado Manoel de Barros. A história, segundo pesquisei, revela a busca incessante de um cientista contra a descriatividade e gira em torno da amizade entre ele e um garoto, que juntos planejam criar uma máquina fantástica, capaz de dobrar o nada, com fantasia, emoção, enigmas e poesia.
A proposta de lutar contra a falta de criatividade, bem como muitas histórias infantis, ao meu ver, são para todas as idades. Nas bordas e recheio do espetáculo: Ciências, História, Linguagem, Cultura, Filosofia, Artesania, entre outras aprendizagens. O cenário, área de meu irmão, portanto minha imaginação criativizou acelerada, soube era andante, móvel, modulável, manipulado pelos atores, assim sendo, cheio de possibilidades criativas. Minhas palmas mesmo sem ter visto, só de imaginar.

25 de maio de 2015

Pé de poesia

Ilustração Animalarium blogspot

Para começar a semana com essa lindeza
E poesia colhida por ai
Eu que de pé já falei aquiaqui, aqui
Que adoro árvores
Que me arvoro para trazer coisas legais
Para escrever, tecer,  fazer e acontecer
Por aqui e por cá

“Me agarro  ao pé de uma árvore qualquer
Se é que existe uma árvore qualquer
Pois acho que não
Toda árvore é mais que um pé
É sintonia e sinfonia
É ausência de solidão
Esteja onde estiver

E eu me escondo e me encontro
Atrás de um pé de Jamelão
Pássaros que vêm e que vão
Alguém passou acelerado
Pra assustar e afugentar
Mas eu não

Para a alegria das formigas
Eu ficaria por uma tarde encostada à árvore
É que em mim está essa fração de pássaro
Quando penso em liberdade
Me alegra que se fartem na festa das manhãs de sol
Quando os meus olhos, enchem minha alma de voos”

Poetar de Lourdinha Vilela

23 de maio de 2015

De um menino que tava aqui

Ilustração de Maddalena Gerli
Estava a andar lá pela casa de minha mãe a um punhado de anos atrás um menino de cabelos cor de milho, olhos azuis, roupas geralmente azuis, porque a mãe ama azul. Ele nem sabia andar direito e já corria, engatinhar não quis. Tagarelar sempre foi com ele, tudo sempre explicadinho nos mínimos detalhes, palavras engraçadas, rebuscadas e inventadas. Para ele o lobo mau era bom e os três porquinhos uns sacanas, para ele o sol ficava melhor nos desenhos na base do papel, tipo se pondo e não em cima como todo mundo geralmente desenha.
E de repente 15 anos faz hoje o pequeno infante, quinze nasceres do sol. Cá está um rapaz, tipo o homem de lata do mágico de Oz, precisadinho de um coração (tomara justo hoje não venha aqui me ler), mas, como a cor dele preferida é verde e verde é a cor da esperança, vai que se adoça com mais uns aninhos na quilometragem o cabra geminiano.
Se não, gosto de coisas agridoces e de azedinhas também, além do que compensa as humanas sua mente matemática, um cérebro como o desejado pelo espantalho e com HD ilimitado para informações diversas, com muitas chances e ilimitadas possibilidades de carreira, de experiências, uma vasta literatura a ser escrita.
E eu, com meu ingresso vip de mãe, muito bem acompanhada pelo pai, devidamente uniformizado de fã, acompanharemos muitos anos das suas histórias, de sua caminhada nos tijolos amarelos como os da turma de Oz, ou como na canção Yelow, do Coodplay, banda que ele adora. Hoje aqui fica meu registro e desejo azul felicidade, verde vida, amarelo ouro, branco paz, fé transparente, multicores e amor atemporal e incondicional.

22 de maio de 2015

Do em nós

Ilustração by Claudia Tremblay

"Em mim eu vejo o outro
E outro e outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas
O outro que há em mim é você
Você e você
Assim como eu estou em você
Eu estou nele
Em nós
E só quando estamos em nós
Estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós"
Paulo Leminski

21 de maio de 2015

Dos repentes

Quando vi esse desenho
Que não sei quem rabiscou
Lembrei de mim e meu grude
Que desde os tempos dos papos pela janela
Proseamos a beça
Das coisas ruins as belas

Eu que teimei a aderir ao zap
Ontem até fiz Ode
E recebi por ele hoje um repente
Que pesquisei a autora inteligente

Mas como não tenho o tar do Face
Não deu para fazer contato 
Que cá estaria sua poesia

Que nem recado mandado na roça
Quem ai pode avisar?
Modi lê com gosto antes de ir lá
E se, se animar de repente
Se põe também a rimar

"Esse tal de "Zap Zap"
É negócio interessante
Eu que antes criticava
Hoje teclo à todo instante
Quase nem durmo ou almoço
E quem criou esse troço
Tem uma mente brilhante.

Quem diria que um dia
Eu pudesse utilizar
Calculadora e relógio
Câmera de fotografar
Tudo no mesmo aparelho
Mapa, calendário, espelho
E telefone celular.

E agora a moda pegou
Pelas "Redes Sociais"
É no "Face" ou pelo "Zap"
Que o povo conversa mais
Talvez não saiba o motivo
Que esse tal de aplicativo
É mais lido que os jornais.

Eu acho muito engraçado
Porque muita gente tem
Um Grupo só pra Família
Um do Trabalho também
E até aquele contato
Que só muda de retrato
Mas não fala com ninguém!

Tem o Grupo da Escola
O Grupo da Academia
Grupo da Universidade
O Grupo da Poesia
Tem o Grupo das Baladas
Das Amigas Mais Chegadas
E o da Diretoria.

Tem quem mande Oração
"Bom dia!", de vez em quando
Que só mande figurinhas
Quem só fique reclamando
No Grupos é que é parada
Dia, noite, madrugada
Sempre tem alguém teclando.

Cada um que analise
Se é bom ou se é ruim
Ou se a Tecnologia
É o começo do fim
Talvez um voto vencido
Porém o Zap tem sido
Até útil para mim.

Eu acho que a Internet
É uma coisa muito boa
Tem coisas muito importantes
Porém muita coisa à toa
Usar de forma acertada
Ou, por ela, ser usada
Vai depender da pessoa.

Comunicação é bom
Vantagens que hoje se tem
Feliz é quem tem amigos
Fora das Redes também
A vida só tem sentido
Quando o que é permitido
É aquilo que convém.

Pra quem meu verso rimado
Acabou de receber
Compartilhe esta mensagem
Que finaliza a dizer:
"Viva a vida intensamente
Porque é pessoalmente
Que se faz acontecer!"

Das memórias, arcos e flechas

Aos novos leitores, sugiro clicarem para ler sobre post no tema: aqui e aqui, vale para os leitores de sempre ou quando em vez. Para sincronicidade da coisa, referências, leitura e de escritos passados (que eu faço muito gosto e aceito comentários), para saber da arqueira que há em mim. Enfim! 
Na busca de um filminho novo para ver a dois, marido clica na descrição de um chamado: O doador de memórias. Alguma referência ao nosso ver com o pop Divergente, não divergimos e escolhemos assistir. Eu adorei e recomendo. Várias reflexões, observações, paralelos, várias  flechas me flecharam e outras eu lancei e eis que ao pesquisar sobre para resenhar, baseado num livro, a editora do mesmo é a Arqueiro.
Mais de 11 milhões de livros vendidos no mundo essa história, para médios e grandes eu categorizaria. O doador de memórias, de Lois Lowry, é uma história onde se conseguiu construir um mundo “ideal”, onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. E todas as pessoas para terem essa ausência de coisas ruins, tem ausência também de amor, desejo, alegria sem ser condicionada e padronizada.
Os habitantes dessa pequena comunidade, são completamente satisfeitos com a vida ordenada e pacata que levam e conhecem apenas o presente, as memórias do passado do mundo que vivemos, são apagadas da mente. Há porém um único indivíduo encarregado de ser o guardião das memórias, sua função é ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos de idade é definida pelos dirigentes a profissão que cada indivíduo irá seguir, sendo as opções administrativas e colaborativas e filhos e pais algo definido não gerado, sem o conceito tradicional de família, apenas as células, sendo casas onde vivem os grupos familiares, não lares (hoje em dia já há esse formato, lamentável observação).
E eis que um garoto, de nome Jonas, recebe a honra de se tornar o próximo guardião e no seu difícil treinamento tomamos conhecimento de detalhes do conceito de viver sem memórias, é possível fazer paralelos, reflexões, acompanhar a coragem do garoto, e do seu orientador e observar detalhes do universo extraordinário que vivemos e muitas vezes não valorizamos.
Deixo a dica do filme e do livro e a partir deles ou de suas experiências, vivencias, referências, as respostas aqui ou internamente ou em escritos e expressões artísticas ao gosto do freguês, para papos em mesas de bar ou no lar: Até que ponto evitar a dor pode nos tornar mais felizes? As diversas emoções, sonhos, desejos, incluindo as angústias e afins não é que dá sentido à vida?
O ruim aumenta o valor do bom é uma das reflexões, que um mundo ideal e Jonas, numa envolvente, filosófica, poética e pop história inteligente, envolvente e cheia de suspense nos convida. Post publicado, tipo flecha no alvo, vou aqui, sentir coisas diversas, viver e agradecer.

19 de maio de 2015

Das lousas

A pró que há em mim, além do diploma 
#doamarlousas
Essa é a legenda que resolvi  dar para essa foto, onde eu, fotografada e filmada por marido estava na espera de um restaurante e ai na demora de uma mesa para almoçar, essa seria a área para crianças brincarem, onde meu filho já rabiscou na lousa e brincou no parque e eis que sentamos por ali por falta de espaço e eu (lógico para quem me conhece) não resisti em rabiscar, ficando o momento ainda mais legal quando uma amiga que está grávida e mora no Canadá, mandou pelo zap on line, uma foto dela escrevendo em jogos americanos tipo lousa e no centro da mesa estava uma caneca que eu dei quando ela bateu asas para mundo afora, lá presente na sua vida e na foto a me espiar, cheia de lápis de colorir dentro.
Fiz um acróstico (aquela composição de uma palavrinha na vertical e outras criadas de suas letras, na horizontal) do nome da minha amiga: Isadora, do apelido do marido e pai: Ti, também amigo e querido (amigos de meu irmão que fiz de meus) e da pequena Eva que vem ai e mandei como resposta para ela, no tom, na magia e na alegria da sintonia de lousas, rabiscos, carinho que não tem distância, que não se explica, se sente, faz acontecer coincidências, faz o coração ser pó de giz soprado e areado de leveza. Por uma semana e vidas nossas, de histórias, memórias, rabiscos, amizade, amor, carinho, paz e bem. Amém!

18 de maio de 2015

Das listas

A lista de S. Guillermo 

Eu tenho um lado louco por lista,  que compartilho virtualmente com uma amiga paulista blogueira de igual bem-querer. Como o blog dela está em pausa, não vou linkar, mas por e-mail vou convidar ela para vir aqui espiar e se reconhecer. Listo coisas para fazer, filmes (tem algumas em minhas agendas da adolescência de filmes das antigas), livros lidos, livros que quero ler, lugares para ir quando viajar, coisas para provar, lista de convidados, lista de coisas para resolver, para comprar, listas negras (rarara). Adoro fazer listas!
Faço compras de mês, daí, listas em folhas de papel fofas ou não, em toalhas de papel, guardanapos, atrás de notas fiscais, em post its mais recentemente no celular, rola de um tudo, com quantidade do lado, e anotações do tipo marca, para caso não seja eu a ir buscar as tais coisas (acontece quando marido vai comigo). faço sempre também, a disponível para ir no mercado quando vou na casa de meus pais, porque ela sempre esquece algo, porque invento modas, porque adoro ir a supermercados, feiras e afins. E eis que por lá, além da lista de pedidos, Balu (a cadelinha mais barulhenta do universo) late, toca o telefone, tocam na campainha, meu pai fala de um assunto, minha mãe e minha vó de outros e tenho que anotar o que vou buscar se não da porta da copa para o portão esqueço (esse é meu lado Dory).
Ai, lá vou fazer minha leitura em um blog vizinho e amado na semana passada e lá estão listas de mercado. No mesmo dia, por sintonia ou sei lá o que, num juntar de coisas mandáveis pelo correio em envelopes, comprei para essa minha amiga de blog um kit de blocos espilicutis para ela fazer anotações e listas de feira, mercado e afins. Se isso não te parece fantástico, lista o que te parece que vou adorar ler.
Clica aqui para ver o post dela e lá clica num link de onde veio o post dela. Essas listas ai em cima acionei que fossem feitas por meu pai, minha mãe, Roberto (que trabalha com meus pais e é meu brother, exceto quando o assunto é futebol) e Nete (uma querida que me ajudou a tomar conta de meu filho pequeno e agora ajuda minha mãe a tomar conta de minha avó).
Meu pai sempre pediu coisas de lojas de ferramentas e materiais de construção e sempre listei para ir comprar com anotações do tipo: polegadas, metragens e afins, sempre me interessando de abelhudar o que não sabia e não tinha porque eu saber. Minha mãe, eu adoro a letra dela, devia ter sido pró pra fazer valer a grafia, em suas listas ela escreve com vocabulário hispano abrasileirado as vezes e até pouco anotava endereços de e-mail escrevendo o arroba. Nete, resolveu fazer uma lista com muitos itens e Roberto, que eu não conhecia a letra e adorei, deve ter sido novidade para ele fazer uma lista, já que receber de todos é o que mais ocorre, seja lá na casa de meus pais, seja de sua companheira e mãe. As listas dele virão para cá em outros posts.
Nesse, a de meu pai, sua letra por aqui, minha lembrança e de minha mãe das listas de minha avó, que escrevia com letras cursivas e de imprensa misturadas, em idioma próprio: espanhol, português, vocábulos inventados, escrita como se fala (como ela falava). Em rresumo, entre a lista e a ida ao mercado, era indispensável um momento de tradução. 
Lembrei também de como minha sogra chama certas coisas, uma é isgute, não há quem faça ela chamar de iogurte. Outro nome, para mim estranho é massa de tomate, o mesmo para sabão massa, que para mim são extrato ou polpa de tomate e sabão em pedra. Dela também é meu conhecer e achar o máximo um tal de Rol de roupa. Lista das roupas que a lavadeira levava em uma trouxa prosaica feita com o lençol estendido no chão da sala. Lá se iam as roupas listadas e com ela ficava a lista para conferência na volta.
Tem uma tal de farinha do reino, que nunca sei se é a de mesa (ou de guerra) como chamo a de mandioca ou se é a de fazer bolo e pão, que chamo de farinha de trigo. Listas tem regionalidade e logo sotaque #fato, tem particularidades, siglas, poesia porque não. Tem quem escreve e fala que come biscoitos, tem quem vai de bolachas, tem os da tangerina e os da pocã ou mexerica, tem quem compra carne de sertão e quem compra jabá. 
E quem nunca viu uma lista perdida numa cesta ou carrinho nos tempos que as pessoas faziam listas e não pegou e leu por curiosidade, ou não pegou para limpar a mão suja de peixe ou sal das carnes salgadas. Quem não deixou a lista sabe Deus por onde e nela tinha anotado algum número ou nome. Poderia ficar listando aqui histórias e memórias de listas, mas tenho que ir aqui, que uma lista de coisas a fazer me esperam.

17 de maio de 2015

Do amar blogar

Ilustração by Andreev Gappo
Escolhida pela lindeza e para referências e reverências
A saia poa é pela amiga Chica
A camisa floral é por você Camomila Rosa
Esse verdinho e terra para plantar é para Sheila, uma amiga passarinha
As meias, por serem meias e por terem listras cor laranja, pela Ana Paula
A descombinação das peças que não me representa me lembrou Nanda Pezzi
O cabelinho curto e lindo, Gê
Essa fivelinha me lembrou Ju
Numa imagem vários detalhes que lembram pessoas queridas
Outras tantas 
Vejo sempre no que vejo
No que escrevo, leio, como, bebo e que são por mim amadas
E que faço sempre saberem ser
Mando ilustrações por e-mail
Escrevo de e para
Comento nos posts com envolvimento
Leio e respondo com atenção
Porque amizade é de se cuidar, alimentar e fazer sempre brotar

Era uma vez, um senhor que ficava numa praça falando para as pessoas serem mais gentis, cumprimentarem umas as outras, sorrirem, contemplarem as árvores e pássaros, trocarem ideais e ninguém dava ouvidos a ele.
Um dia um rapaz que sempre passava ali, sentou junto dele e perguntou:
- O senhor não percebe que ninguém te ouve, não convence ninguém, não cansa não?
Ele respondeu:
- Não! Se eu parar, terão me convencido.
Adoro essa história e é assim faço com o blog, que por vezes, por falta de leitores que comentem, do tempo que exige, de desânimos da tpm, pessoais, astrológicos, da tão mais a mão, pop e superficial rede famosinha de relacionamentos (que não vejo porque ser uma ou outra, ou outras) cheia de possibilidades (esse para mim é um defeito).
Conheço uma senhora, moça pra sua idade do rg, que tem Face, Blogs (tipo mais de cinco), ajuda nos blogs dos netos, tem Instagram, What´s app, trocamos e-mails frequentemente, ela cuida da casa, dos familiares, visita sempre a mãe, amigas, viaja, cuida da cadela, passeia, faz artes, tudo junto e misturado. Sou fã! E eis que ela, que é fonte desse post (ver aqui), como outras blogueiras saíram do virtual para o real, na medida do tempo, pouco a pouco e a um bom tempo já, nos falando, conhecendo, semeando e colhendo as identificações, referências, histórias, carinho além das telas, correspondências a moda antiga, mimos virtuais e concretos, encontros, atenção.
Dar atenção, ter atenção, preocupação, pessoas que reparam se você cortou o cabelo, que sabem que você gosta de azul, que se você some perguntam o que houve, se fica doente mandam receitinhas e desejos de melhoras, que sabem os autores, cantores, sabores que você gosta. Pessoas que moram em outros estados, países e que sabem mais de você que muitos amigos e familiares, que bem podiam ler nossos posts e ter contatos frequentes diários com a gente, mas não tem interesses, ou dizem não ter tempo (leem mil coisas, mas é isso). Quem quer arranja tempo, quem não quer arranja desculpas diz a sabedoria popular.
E de cá para muitos lás, de lás para cá, fiz amizades, estou em muitos lares e cá em meu lar estão nas conversas, objetos na estante, no meu guarda-roupas, muitas pessoas com quem aprendo, ensino, troco, somo, multiplico e também diminuo, porque há que se perder para ganhar, os errados redimensionam o valor dos certos, o que é superficial faz o que é essência exalar mais aromas, ter mais sabor.
E nessa de escrever e ler, de publicar imagens, tirar fotos, ver fotos e imagens por ai, por uma palavra dita, lida, algo visto, minha vida e muitas vidas vão se transformando e isso é fantástico. É o virtual a serviço do real, não são só likes e uma infinidade de nomes numéricos em nossos contatos, são pessoas que sabemos onde moram, o que gostam, que pergunto pelos netos, torço para que o time de futebol ganhe quando o meu já saiu do campeonato, que planejo visitar a cidade pelos pontos turísticos e por um abraço, uma café, uma foto e muitas histórias para contar, para guardar na memória.
Sigo com o blog além da opinião de quem acha nerd, coisa de desocupado, fora de moda, meio de ganhar dinheiro jogado fora sem monetização, diariozinho bobo. Eu nunca liguei para o que os outros falam, desde que nem falava, não vai ser agora, batendo as portas dos quarentinha.
Vida longa aos blogs, as amizades além da distância, porque estar perto é estar dentro, sempre digo e tenho constatado. Inté amanhã então leitores amigos, amigos leitores, galera da Blogagem coletiva proposta por Ana Paula Amaral (amiga de blog, bater pernas em SP, zap, e-mail, filhos, correio e quintal), da qual faz parte essa postagem, porque todo dia é dia de blogar.

15 de maio de 2015

Da arte não ter idade

 


Fotos da internet sem referência da autoria
Essas mãozinhas e unhas cheias de tinta
Diante de mim, ia ser pra lá de vinte fotos

Eu que comecei a semana falando da arte não ter fronteiras de escolaridade, idade, classe, vou nessa sexta-feira que é dia de todos os santos aqui na Bahia, apresentar com alegria e pedido a Oxalá, que os idosos saiam do marasmo, do abandono, do não tenho mais idade e vivam, não esperem a morte, para falar bem clara e diretamente, não se acomodem, se limitem e maltratem no papel de coadjuvantes, expectadores. Aos que tem limitações reais, cuidados, alternativas, criatividade e fé.
O que eu trouxe hoje pra cá, que me encantou e me fez vibrar e aplaudir, é um projeto muito legal, chamado: Lata 65, que apresenta e integra pessoas idosas a arte urbana, mais precisamente ao grafitismo.
A proposta é de uma grafiteira e educadora finlandesa chamada V. Jalava, que  criou um projeto chamado K65, coletivo composto só por idosos acima de 65 anos. Ela já é conhecida por suas intervenções urbanas artísticas e trabalhos em prol de comunidades e do meio ambiente e eis que passou a ensinar a esse nicho seleto e sábio de pessoas, técnicas de pintura em spray e vários conceitos que o grafite agreg,  além das cores e formas .
Para ver o K65 e o Lata 65 em ação, fotos, mais história e talz, fuça no Google, no Youtube, Facebook e se inspira a participar, recomendar, incentivar azamigas, os manos, mães e pais, tios e tias, vós e vôs a grafitarem, darem tapas no visual da pracinha do bairro ou da cidade toda com jardinagem é outra opção, porque o céu, para os que crêem, pode ser o destino, mas não deve ser o limite. Formou? Amou? Eu amei!

13 de maio de 2015

Papo de fogueiras

Hoje, rapidinho, tipo riscar de palito na caixa de fósforos, trouxe, um tantinho editada, uma história alumiada de Eduardo Galeano. Ele conta que um homem, de uma aldeia no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus e quando voltou, disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. Na visão dele, somos um mar de fogueirinhas. O mundo é isso, revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
"Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos bobos, não alumiam nem queimam, mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.”
Adoro contemplar fogueiras e velas acessas, sou pela astrologia, elemento fogo e adoro quem incendeia a vida, quem é alumiado por dentro.

8 de maio de 2015

Bora brincar

Um programador, segundo li numa abertura de janelas virtual, preocupado com a realidade social digital da criançada, resolveu aliar a sua preocupação, a gostar de brinquedos antigos e habilidade em construir rolimãs e colocar carrinhos nas ruas e dinheiro no bolso. Os clientes, na sua maioria, não são crianças, adorei essa parte, são jovens que chegaram a brincar na infância e adultos saudosistas e dispostos a testar, se é igual andar de bicicleta, que não se desaprende, além de dar uma esnobada nos do ócio e atletas de games de plantão, com demonstrações e manobras de habilidade e diversão. 
Ele vende, segundo pesquisei, em média, 150 rolimãs por mês e cada um custa em média cem reais. Né ruim não né! Fazer um também não tem muita ciência não ou pedir a um marceneiro, a um tio cheio das habilidades, avô, amigo, fazer junto.
Segundo o brincante empreendedor, as pessoas, acabam preferindo que os filhos se distraiam em computadores ou celulares e dentro de casa, por questão de segurança, por não passarem pelo segundo parto dos filhos, por comodismo. E não tem essa de falta de falta de tempo, de não ter habilidades, de não se vender mais isso (nem procurar é bem comum), não é preciso saber fazer origami, nem perder uma hora para construir uma pipa (os mais desajeitados), não se gasta nada para brincar de pique-esconde por exemplo ou pega-pega. Com adolescentes vale baleado, garrafão, fura pé, palitinho com paga de lixa (quem perder leva lixa ou sardinha, que é o outro bater com as pontas de dois dedos sobre as costas das mãos). Não dá desculpa não e também não aceita sempre não, vai brincar vai! Faz uma criança ou adolescente brincar!
Eu vou, que tô na flor da idade cof cof, brinco sempre que posso, as vezes quando não posso também, porque a vida é curta para esperar o brigadeiro esfriar, precisar de bomba para encher bolas de soprar ou um dia de sol para caminhar ou jogar futebol. A vida é agora, brincar não tem idade e se chover deixa molhar. Bora?

5 de maio de 2015

Dos ditados populares

Imagem de por ai
Não sei se salvei, se ganhei
Sem referência e com reverências ao(a) artista
Com o rei na barriga é como muita gente anda, fala, se comporta por ai e o dito popular que trouxe hoje para explicar, com mais alguns é do meu gosto, de saber e fazer saber o porque de tantas expressões que a gente fala e não sabe de onde vieram ou sabe mais vale lembrar ou aprender as vezes uma nova versão, um puxadinho da que já sabia, um nem sabia da expressão para quanto mais da explicação.  A do tal rei na barriga é do tempo da monarquia, que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, mimos por assim dizer.
E quem tá rindo a toa,  com ares de paixão, viu passarinho verde. O passarinho em questão é uma espécie de periquito, de cor verde, que segundo uma lenda, alguns românticos rapazes do século passado adestravam para que levassem no bico uma carta de amor para a namorada. Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigilância de um paizão ranzinza.
Lembrei com essa do dizer da vó de meu marido, que riso demais é sinal de choro, vale para crianças com brincadeiras engraçadas mais pesadas, ou birras que do riso vão para o choro num estalo. Bordas contadas, vou para as tais favas contadas, que de acordo com o pesquisador Câmara Cascudo, votavam-se com as favas (volantes para votar) brancas e pretas, significando sim ou não, sendo assim, que quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito. A expressão é usada para coisas certas, negócios seguros ou resolvidos, findos. 
Com a corda toda, na pilha, agitada, # tãoeu, é muito fácil de imaginar a origem, exceto para as novas gerações. É que antigamente os brinquedos que se moviam eram acionados por cordas, o processo consiste  pelo torcer uma pecinha geralmente em forma de borboletinha, que aciona um mecanismo em forma de mola ou um elástico, que ao ser distendido, faz o brinquedo se mexer. Horrível minha explicação né? Enfim, quando se "corda" totalmente num brinquedo, ele move-se com tudo.
“Homines sunt ejusdem farinae”, tradução: homens da mesma farinha, é uma expressão de origem latina, utilizada para generalizar um comportamento reprovável, uma vez que é prática a farinha ser posta em sacos diferentes da farinha ruim.
Casa de mãe Joana vai ficar a minha se eu não parar de digitar e ir da vida cuidar, risos. Esse pop dito popular tem origem na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença, liberou os bordéis em Avignon, onde se refugiou e mandou escrever nos estatutos: “Que tenha uma porta por onde todos entrarão”. Fui então, quem gostou levanta a mão.

4 de maio de 2015

Não sei quem fez essa obra prima
Aproveito para compartilhar, com o registro de meu amar
"Acho que infelizmente não posso me explicar
Porque já não sou eu"
Alice para a Lagarta 
E assim por onde flor e formos, sempre houve, há e haverão pedidos de explicações que as vezes não queremos dar, nem temos, nem precisa. A pessoa abraça uma árvore para uma foto por exemplo e as pessoas olham como se a pessoa fosse um et. Estranho não é abraçar uma árvore, estranho é derrubar uma, diz a sabedoria popular.
“É preciso andar muito para se alcançar o que está perto”, bem disse meu amado Saramago e também disse que, “o que dá verdadeiro sentido ao encontro é a busca”.
Os mesmos ou não, um pouco de cada coisa, coisa nenhuma ou mil coisas, com e sem explicações pedidas e dadas, numa tela ou espelho de reflexões, tipo mais Platão e menos Prozac, vamos que vamos que hoje é segunda-feira, mês novinho começando, vamos buscar, procurar, escrever e desenhar com gosto, porque a vida muitas vezes não pede e nem dá explicações. Nos sintamos como sugere Fernando Pessoa, nascidos todos os dias para as eternas novidades do mundo.

3 de maio de 2015

Sentir como

 
Boca de forno! 
Forno!
Faz tudo que eu mandar ?
Faaaço!
Então fecha os olhos
E me diz como é sentir a chuva de olhos fechados
Lembrei  dessa brincadeira, ainda mais antiga do que a foto ai em cima, dia desses e trouxe ela hoje para cá, para resenhar sobre o sentir a chuva, sentir como o outro. Dividir um é algo tão pessoal e é tão mágico eu acho. Quando alguém passa a sentir como você ou lembra do que você sentiu, sente.
Dias de trovoadas, por exemplo, para mim, desde que me entendo por gente, sempre foram acompanhados de temor, já até falei por aqui e falo sempre por ai desse meu medo, tenho poucos medos, mas quando os estampidos vindos do céu se manifestam, sei que é um efeito natural, mas algo como sendo uma reclamação do céu fala mais alto para mim, Nada de eletroeletrônicos, de ficar próxima a espelhos e em área aberta nem pensar. Toda essa narrativa é para falar do carinho e as vezes abusinhos (que nas bordas tem carinho) de um monte de gente que lembra de mim, toda vez alguém me liga e peno para atender, por causa das ondas, sei lá, vai que. Tem quem manda mensagem ou no dia seguinte fala: Lembrei de você por causa dos trovões, fique calma, aumente o som da tv para não ouvir. Minha mãe as vezes pergunta: Paulo tá em casa ? (Como se ele fosse Percy Jackson! Brincadeira, sei que é pela segurança que ele me dá, acho lindo e ele acha graça).
Minha avó que sempre foi de poucos mimimis, como eu, também tinha medo de trovões, com o velho hábito de cobrar espelhos, rezar para Santa Bárbara e ouvir meu avô dizer que só lembramos dela quando trona (troveja em espanhol). Ela hoje não entende mais quase nada que acontece a sua volta, não lembra das coisas, não fala nada com nada na maioria das vezes e quando os trovões danam a fazer barulho, por mais de uma vez ela já disse a minha mãe: - Conchita! E Cristina pobrezinha, com esses trovões?
Na foto que ilustra o post, Dona Maruja, eu (a direita dela) e minha duas irmãs ao meu lado, estamos no terraço de onde era a primeira Padaria Piedade, comércio e casa de meus tios e onde hoje é o Shopping Piedade, um dos grandes shoppings aqui de Salvador. Foto histórica do local, familiar e com minha irmã Kátia a me olhar com cara sei lá de que.
Há outras coisinhas mais do céu, como nuvens miúdas, juntinhas, tipo leite coalhado como chamo, que tem gente que assim também passou a ver de eu dizer. Ai fiquei imaginando dia desses, como o sol para quem é cego tem apenas o calor, se for forte, como sentido, já a chuva tem o barulho caindo do céu e o som diferente que faz em cada coisa, numa garrafa, numa poça, na janela, num telhado, sons que dão imagens as coisas a quem não enxerga, ou a quem está num lugar fechado, sem ver a chuva. Ver pelo sentir. Fantástico! Ainda tem o poder do cheiro também, da água de chuva tão somente, da terra molhada, de mato molhado de chuva. Sentir a chuva além de vê-la! Achei isso tão poético, não é? E vale para tantas outras coisas, basta ter sensibilidade, alimentar o sentir. Fica a dica!

1 de maio de 2015

Olá maio!

Ilustração do blog Artistamuvek
Falei por aqui dia desses, sobre preconceitos linguísticos e regionais e chamo sempre a atenção para tantos outros preconceitos, bem como, o combate aos excessos e isso vale para o politicamente correto que acho tá meio descaracterizado, exagerado, com frescuras além da conta.
Em sendo o tom de piada, o ambiente, com nível, há graça e tradição em temas diversos que não são agressão moral, preconceito ou fim do mundo por exemplo. Quem nunca contou ou riu de uma piada de português (até portugueses já riram e riem), piada sobre baianos, bêbados, loiras. Histórias rimadas e engraçadas cantadas em repentes. Tão sem podas e sem ofensas as piadas contadas por exemplo por Mussum e todos os trapalhões, por Costinha, Chico Anysio.
Numa reprise de grandes entrevistas de Jô Soares, vi uma antiga com Chico em que ele fala da polêmica de quando a muito tempo ele fez piadas, com algumas opiniões pessoais e críticas sociais nas entrelinhas. como não ter nada a ver com o: Salve as baleias. Para eles, elas eram desnecessárias bem como os mico leões, com os quais não convivia, nãos os via, comia e fez uma comparação, disse que morreu Tom, Vinícius e que nem de perto as perdas teriam tanta repercussão e pesar como a extinção dos micos. Foi criticada, mas hoje seria top no Twitter, passível de agressões e ameaças nas redes sociais. Podia até ser desconsiderado um gênio. Nessa mesma entrevista ele faz várias piadas sobre baianos que achei não consegui prestar atenção para narrar certinho aqui só que não rararara.
Chico Anysio nasceu na cidade de Maranguape, no dia 12 de abril de 1931, ariano, destemido, versátil, estudou para ser advogado, mas a vocação de comediante e a necessidade de trabalhar mudaram o rumo de sua vida. Que a necessidade de mudança, o rir para não chorar, a crítica a política, a comportamentos, personalidades, personagens que representam o povo não sejam deixados de lados, quisá vetados e tudo fique engessado, chato e limitado, como diz uma sábia frase popular e pouco levada a prática: Cabeça é como um paraquedas, só funciona aberta.
Puxa a corda meu povo e que venha maio! Dia do trabalho, feriado, sexta-feira, bora rir, pular, saltar ou relaxar, vale tudo, vamos que vamos.