26 de maio de 2015

Das dependências

Seguem trechos de um texto de um blog vizinho: "Vi uma reportagem neste final de semana que me deixou um pouco intrigado. A reportagem tinha como alvo o vício causado, supostamente, pelo universo virtual. Mas, acreditando que a verdade deve ser, antes de mais nada, retirada da sua posição originária, observada de forma mais meticulosa, e aí sim seguir adiante com uma nova convicção.
Pensem na minha ideia, não como conceito universal, mas como algo singelo que parte de um ponto em busca de outro ponto. Vivemos um esfriamento total. As pessoas a cada dia estão mais voltadas à perfeição, e dentro desta pseudo-perfeição, a dor, o sofrimento, e enfim, os sentimentos estão sendo engolidos por uma bolha falsa.
A internet é a ponte, segundo a minha ideia. Num mundo de carências gigantescas, onde nem mesmo um abraço de amor pode ser dado sem causar preconceito e nem os seres livres podem escolher o caminho a seguirem, a internet afina os meus amigos e com eles avanço sobre essa frieza do momento. Tento romper com poesia essa bolha triste que se forma tão longe de nós, humanos. Não, não acredito no vício.
A reportagem toma o efeito como causa, ou seja, o "vício" seria o efeito do uso da internet, e não como causa desta solidão interna! A internet usada de forma inteligente, é uma extraordinária ferramenta, ferramenta que faz chegar até vocês essa minha ideia, e muitas outras."
Li esse texto, escrito por Ives Vietro e assisti a tal matéria e penso que as pessoas ficam numa de não largar o aparelho celular, por um combo de coisas: não se apegarem as companhias presenciais por preguiça, por preconceitos velados, por ser modinha, porque não mais no PC está o bichinho do face (que cruzou com o do msn), também e muito porque no aparelho são baixados apps de contar seus passos a mandar beber água, tem o tal do não sei, não lembro pesquiso numa teclada (ninguém mais tenta lembrar nome de nada, põe no Google). E se multiplica o achar que ter mais é mais, todos os aplicativos, muitos contatos, muitos cliques, tudo muito.
E como idealizou o tal Jobs, que o celular fosse uma extensão da pessoa (Oh Lord!), estão hoje em dia, em cada aparelho muitas histórias, informações, imagens, bilhetes, correspondências, documentos que antes eram de papel, e ficavam em agendas, na bolsa, e, classificadores, receitas em cadernos, fotos em álbuns, músicas e vídeos em cds, dvds, consultas e transações financeiras nos caixas eletrônicos e agências bancárias, reuniões de trabalho, no escritório, contatos em listas telefônicas e por ai lá vai.
É fantástico, não há como negar! Praticidade, facilidade, múltiplas possibilidades, o lado bom que se só ele fosse, demais é sobra, como reza o dito popular e vale para tudo. Os aparelhos acabam por centralizar muitas demandas se não houver um filtro, um cuidado, um limite. Concentram informações e materiais diversos, com graus de importância pequena a grande, e portanto, apego, referência, tensão muitas vezes, irritação e descarte do uso de outras mídias, outros locais de registros e armazenamento das coisas (na cabeça é uma boa prática #ficaadica), para o prazer e benefícios das diversas possibilidades, para não se perder tudo, caso se perca ou danifique o aparelho e não ter tudo na nuvem sendo ela uma fonte de raios e trovões por um acidente ou pelo que representa como impessoal, comercial e invasiva que é.
Além dessa centralização de necessidades e cada vez mais, a criação de usos, os aparelhinhos móveis tem e provocam em escala maior a carência pela falsa presença das pessoas e o fato e pesar de os indivíduos estarem cada dia mais sem personalidade. Resumindo, na vibe da moda, com tanta liberdade e sem fronteiras as pessoas estão concentrando tudo, compactando e se achando espertas e sem fronteiras. O diagnóstico eu diria, não é vício, é excesso numa ponta e falta na outra.

11 comentários:



  1. Lindo texto do Ives!

    Gosto de uma internet, gosto de estar nos blogues, gosto de circular. Mas pra isso, temos que saber onde circular e nos meter. Com cuidados é bem legal e cuidado pra não ficar nessa dependência ao ponto que vemos pessoas juntas em festas, jantares, cada uma com seu aparelhinho. Isso mostra uma grande falta de outra coisa, bem maior... Pena! Temos que estar conectados com a vida! bjs, chica

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  2. Olá Tina. Fico muito feliz com o compartilhamento, afinal, o que vale é a busca pela resposta, né! Há uma carência generalizada, e aquele, ou aquilo que se apresenta como "Salvador" do coração, acaba fazendo a lavagem cerebral completa. Precisa-se de arte, da filosofia também , para que voltemos com o Ser natural, com suas virtudes mais bonitas, independentes da massa! abraços Agradecido

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  3. Tina, que excelente reflexão o Ives e você nos trazem. Inspirou-me inclusive a escrever a respeito também. Sabe que começou a me incomodar tantos escritos sobre esse vício como se a internet fosse um fosso terrível. E aí incomodava-me comentar oh sim é verdade, estando exatamente nela, a web. O conceito de ponte é ótimo. Vá e volte, conheça ou fique paralisado nela, a escolha é sua.
    Beijo!

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  4. Ives mandou bem.
    As relações estão se perdendo e sabe o que eu percebo, tem gente que quer ser popular a qualquer custo, forçando a barra tentando ser o que nunca foi.
    Ainda bem que máscaras caem, e a verdade sempre aparece.
    Pq em terra de redes sociais, feliz são aqueles que são verdadeiros.

    bjokas =)

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  5. Vi... Li... Gostei... Fiquei... Te seguindo
    Passa lá no meu também!...
    AbraçO

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  6. Tina querida, olá. Pois é, crônica para reflexão.De verdade!

    Confesso aqui que os meios eletrônicos, a web em si, é uma ferramenta genial, rápida e dinâmica, e isso é o bacaninha dela.
    Mas... aí vem alguns adendos que se perdem neles mesmos e nos "vícios" agregados.

    Gosto da web, contudo, confesso aqui, que as redes sociais é que me abalam muito. Se forem usadas com criticidade, as trocas podem ser de magnitude. Se forem usadas como escada, muleta e manto de invisibilidade, tornam-se, inclusive, perigosas.

    Beijos mais.

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  7. Oi Tina, adorei o post!
    Desculpe a ausência amiga...
    Vim lhe desejar uma excelente semana, beijos e fique com Deus!!

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  8. Li e gostei, boa reflexão. uma ferramenta precisa e facilitadora que deve ser usada com sabedoria também bjs e tem muito azul céu no meu blog

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  9. Tina querida, sou um tanto antiga. Quando essa tal de internet começou a se fazer presente em casa, muitos anos atrás, eu dizia para meu marido que era modinha, logo passava.
    Nunca me imaginei envolvida até a orelha nessa tal de internet.
    Nunca imaginei que fosse virar essa febre, essa dominação, às vezes até vício.
    Hoje as crianças me assustam, porque percebo que estão totalmente ligadas, coneçtadas, são muito, mas demais mesmo, diferentes das crianças que eu tive, ou pior, que eu fui.
    Portanto, precisa mesmo muito cuidado, mas não podemos mais abrir mão disso.
    Um equilíbrio é o certo, mas está difícil. Não consigo imaginar como será daqui a vinte anos. Queria muito que voltasse o tempo sem internet, pelo menos por uns dois meses ao ano, para que as çrianca e os jovens pudessem se comunicar, sorrir, conversar. Penso que logo isso será esquecido. Uma grande pena.
    Fui pessimista? Ou realista? Beijo querida.

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  10. Oi Tina, bom dia.
    Gosto muito de poder contar com a Internet. Confesso que já queimei algumas panelas, (kkk). Acredito que o perigo maior é quando se fala em crianças na Internet, em todos os sentidos, quando não são acompanhadas pelos adultos. Em contrapartida, tem pais que até preferem saber que os filhos se encontram em casa “ protegidos “, da violência das ruas . A minha rua era alegre cheia de risos e brincadeiras e hoje não mais, o que é uma pena. Nada se compara as brincadeiras, correrias, risos, invenções, a roupa suja no final de cada tarde, a procura pela bola, que sempre sumia ao anoitecer e que geralmente se encontrava em baixo de uma cama, o banho que parecia lavar nossa alegria na hora das refeições. Quanto aos adultos, temos que nos policiar para não ficarmos desatenciosos com o que temos de mais precioso que é convívio pessoal entre familiares e amigos. Ter bom senso e saber dosar. Realmente é o excesso que pode prejudicar e muito.
    Grande abraço. Um excelente texto e nos trouxe a oportunidade de refletir.

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  11. Olá, Tina. Te seguindo! Eu adoro a web, mas exatamente como o mundo daqui de fora, ela tem 'ups' e 'downs.' O homem é uma criatura incrível, pois cria coisas maravilhosas e depois as usa indevidamente. Também escrevi sobre isso no meu outro blog, o EXPRESSÃO, na semana passada.
    Um grande abraço!

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