16 de maio de 2015

Salve B

Ilustração de Anne Cresci

E lá seu foi o Rei do Blues para o infinito azul. Um de meus bem quereres negros americanizados é o Blues e o Jazz, acho envolvente, lindo, me acalma, me anima, algumas canções beiram o transcendental e para rimar e poetizar trouxe o filme: O terminal. No filme Victor (Tom Hanks) vai aos Estados Unidos para resolver um assunto familiar e por causa da guerra na Cracóvia não pode retornar a seu país, para piorar, seu passaporte apresenta problemas no aeroporto e ele não pode sair de lá, ficando preso no local, tendo que morar no terminal.
Além de vários aspectos de toda história e atuação brilhante do ator, que sou fã, adoro o mosaico que ele faz na oportunidade de “emprego” que arranja. Vigiado vinte e quatro horas, os encarregados pela segurança do aeroporto apostavam em sua vontade de sair de lá para então o prenderem e por vários momentos ele foi tentado, chegando até à porta de saída e recuando o que deixava os observadores desorientados e frustrados. Queriam prendê-lo mas não havia um motivo justo. A parte que mais gosto, vou contar agora. O que mais intriga o pessoal da segurança é uma lata de chocolates, que ninguém sabe o que há dentro e da qual ele não desgrudava e demostrava apreço. Foi passada no raio X e nada, se suscitou uma porção de dúvidas, se mandou várias pessoas bisbilhotarem o que havia nela.
Victor queria ir em Nova York, pois seu pai faleceu a espera de algo de lá. É que na Cracóvia houve um festival de jazz e o pai dele, fascinado pelo jazz, foi ao concerto e lá pediu autógrafos dos músicos, e ficou faltando apenas o de um deles, que ele esperou durante toda vida, que fosse mandado pelo correio. A lata era onde seu pai guardava os autógrafos e o filho queria ir buscar o que faltava.
Emocionante a cena dele em New Orleans, berço do jazz e do blues, cidade referência para diversos músicos ao redor do mundo, uma das muitas cidades americanas que tenho vontade de ir, que o Katrina devastou, mas que o som que é a sua identidade, não desmorona, não é varrido, não é soterrado. Uma lenda em vida foi BB King, um AZ da guitarra, da simpatia, de fazer o que ama e através do que fazia, contagiar e ensinar mais que acordes. Após sua morte segue a lenda, segue vivo, pulsante, nos sons das guitarras de outros astros, de anônimos, na voz marcante, na beleza do Blues, que ele manteve desvinculada de drogas, violência e boemia, e fazia questão de assim ser visto o fino e rico gênero e seu trabalho, a arte pela arte, talento, personalidade. Ele dizia que só se está morto quando se morre, que seria um garoto até morrer e foi e nem morto morrerá. Salve o Rei!

9 comentários:

  1. Linda homenagem,Tina.Gostei da parte da lata ...Legal! bjs, lindo fds!chica

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    1. Tão simples e lindo eu acho guardar coisas em caixas e latas
      Tão linda a história né
      Se vc não viu o filme, vale Chica

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  2. Li há bocadinho no jornal sobre a morte dele. E vi esse filme, tenho em DVD e foi muito visto cá em casa. Acho que o país chama-se Kracosia mas não tenho a certeza. Uma magnífica interpretação de Tom Hanks e daquele ator de que não sei o nome, o gerente do terminal.
    Ótimas lembranças que você nos trouxe.
    Beijinho

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    1. Que bom
      Fico feliz quando que nem o Blues faço circular sentimentos azuis

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  3. Uma linda e emocionante homenagem. Hoje no blog te convido a conhecer um pouco de nossa cidade, bjs

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    1. Fui e adorei
      Deu vontade de conhecer pessoalmente e de tirar foto com Alice

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  4. Bela homenagem! Tina, vi o filme e agora me deu vontade de ver novamente depois de ler o seu texto! Acho que a Thais tem o DVD.
    A ilustração é de Anne Cresci.
    Ganhei um PC e voltei a blogar.
    Linda semana,bjs
    Amara

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    1. Obrigada pela fonte da imagem amada Amara
      E muito feliz por vc pelo novo PC

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  5. Emocionante a tua homenagem a B com as belas cores do filme!
    Não sou muito do jazz, mas amo o blues! Já fui a shows, escuto no rádio do celular!
    Li no jornal que, as guitarras de King, todas, foram batizadas de Lucille.

    "Com exceção de sexo de verdade, com uma mulher de verdade, nada me traz tanta paz de espírito quanto Lucille" - King em sua autobiografia.

    E também especial, Anne Cresci, com essa poética ilustração: um pouco triste, pela partida do Rei do blues, mas sempre com alegria no coração por tudo o que ele deixou.
    Beijo!

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