3 de maio de 2015

Sentir como

 
Boca de forno! 
Forno!
Faz tudo que eu mandar ?
Faaaço!
Então fecha os olhos
E me diz como é sentir a chuva de olhos fechados
Lembrei  dessa brincadeira, ainda mais antiga do que a foto ai em cima, dia desses e trouxe ela hoje para cá, para resenhar sobre o sentir a chuva, sentir como o outro. Dividir um é algo tão pessoal e é tão mágico eu acho. Quando alguém passa a sentir como você ou lembra do que você sentiu, sente.
Dias de trovoadas, por exemplo, para mim, desde que me entendo por gente, sempre foram acompanhados de temor, já até falei por aqui e falo sempre por ai desse meu medo, tenho poucos medos, mas quando os estampidos vindos do céu se manifestam, sei que é um efeito natural, mas algo como sendo uma reclamação do céu fala mais alto para mim, Nada de eletroeletrônicos, de ficar próxima a espelhos e em área aberta nem pensar. Toda essa narrativa é para falar do carinho e as vezes abusinhos (que nas bordas tem carinho) de um monte de gente que lembra de mim, toda vez alguém me liga e peno para atender, por causa das ondas, sei lá, vai que. Tem quem manda mensagem ou no dia seguinte fala: Lembrei de você por causa dos trovões, fique calma, aumente o som da tv para não ouvir. Minha mãe as vezes pergunta: Paulo tá em casa ? (Como se ele fosse Percy Jackson! Brincadeira, sei que é pela segurança que ele me dá, acho lindo e ele acha graça).
Minha avó que sempre foi de poucos mimimis, como eu, também tinha medo de trovões, com o velho hábito de cobrar espelhos, rezar para Santa Bárbara e ouvir meu avô dizer que só lembramos dela quando trona (troveja em espanhol). Ela hoje não entende mais quase nada que acontece a sua volta, não lembra das coisas, não fala nada com nada na maioria das vezes e quando os trovões danam a fazer barulho, por mais de uma vez ela já disse a minha mãe: - Conchita! E Cristina pobrezinha, com esses trovões?
Na foto que ilustra o post, Dona Maruja, eu (a direita dela) e minha duas irmãs ao meu lado, estamos no terraço de onde era a primeira Padaria Piedade, comércio e casa de meus tios e onde hoje é o Shopping Piedade, um dos grandes shoppings aqui de Salvador. Foto histórica do local, familiar e com minha irmã Kátia a me olhar com cara sei lá de que.
Há outras coisinhas mais do céu, como nuvens miúdas, juntinhas, tipo leite coalhado como chamo, que tem gente que assim também passou a ver de eu dizer. Ai fiquei imaginando dia desses, como o sol para quem é cego tem apenas o calor, se for forte, como sentido, já a chuva tem o barulho caindo do céu e o som diferente que faz em cada coisa, numa garrafa, numa poça, na janela, num telhado, sons que dão imagens as coisas a quem não enxerga, ou a quem está num lugar fechado, sem ver a chuva. Ver pelo sentir. Fantástico! Ainda tem o poder do cheiro também, da água de chuva tão somente, da terra molhada, de mato molhado de chuva. Sentir a chuva além de vê-la! Achei isso tão poético, não é? E vale para tantas outras coisas, basta ter sensibilidade, alimentar o sentir. Fica a dica!

5 comentários:

  1. Dica muito boa! Não precisamos ver, podemos imaginar e de olhos fechados, lindo! Não vi a imagem aqui, mas deu pra imaginar! bjs, chica e lindo domingo!

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  2. Lindo texto amiga de infância! Bjo

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  3. Ah...amei o texto e me levou à mts lembranças da minha infância tbm.
    Com as chuvas terríveis do interior...acho q por isso tenho tanto medo de trovão rsrsrs
    Minha avó fazia as msms coisas...cobria espelhos, ñ atendia telefone, nada de tv...
    Ameiiiii
    Loi

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  4. Também já ajudei uma açucarada vovó cobrir o espelho da penteadeira com lençol branquinho, quadrado no sol e seco na corda.
    Em algum lugarzinho recôndito de dona Maruja está Cristina com medo de trovão. Triste e também lindo!
    beijo

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