14 de junho de 2015

Na lousa do tempo

A saudade em suas mais variadas formas e significados é sentimento comum em mim, as vezes com suspiros de contentamento, as vezes com pesar, porque de pesares também são os pilares que nos mantém em pé e que nos fazem seguir. Acredito e ouvi esses dias em algum lugar, ou li, que tanto nossas limitações quanto nossos talentos é quem somos, sem um ou outro se sobrepor, ter menor ou maior importância, o bom convívio e desafio diário de aproveitamento de nossas virtudes e defeitos é coisa da maturidade, do equilíbrio interior que muitos se furtam de buscar, vivendo uma perfeição inventada, uma felicidade forçada, um abafar de defeitos, tristezinhas e limites.
Enfim, retomando aos recordares e saudades, o sentimento da presença na ausência está no calendário (em datas especiais), em objetos, cheiros, histórias, fotografias e essa relação que a saudade tem com as fotos foi objeto de uma exposição que eu trouxe hoje para cá. Pra aplaudir, para resenhar, para registrar que quero venha para Salvador.
Com curadoria de Diógenes Moura, a mostra: A Arte da Lembrança - A Saudade na Fotografia Brasileira, ficou em Exposição no Espaço Cultural Itaú em Sampa, no início do ano e foi considerada uma viagem por meio de registros que englobam temas diversos e universais, objetos de uso pessoal à mercê do tempo, da poeira, móveis, locais públicos e privados e suas marcas na tinta gasta, nas demolições, cenários que remetem a um passado de glória, a ausência de um ente querido, entre outras imagens congeladas no tempo.
Ai, eis que rascunhando essa resenha, li uma matéria que diz que quadros negros do século passado foram encontrados durante uma manutenção em Oklahoma. Cronogramas, tabuadas em forma de roleta (novidade para mim), lições de literatura e música são alguns dos conteúdos das aulas do início do século passado perfeitamente visíveis e vivas nas lousas rabiscadas por professores e alunos. E diante de meu encantamento, um de muitos comentários para tal notícia era que idotice, que utilidade tem isso. Pobres insensíveis! Vou dar a palavra a uma atemporal sumidade. “Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.” Carlos Drummond de Andrade

5 comentários:

  1. Nossas vidas são repletas de lembranças e saudades e agora te lendo,m fiquei com saudades daqueles quadros que eram pretos, salientando bem a escrita branca do giz e tudo mais que numa sala de aula acontecia... Lindo te ler e o pensamento final, maravilhoso! bjs, chica e lindo domingo!!

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  2. Ah! o eterno Drummond , eu nem me atentava para escrever ainda e na minha adolesc~encia já era um de meus escritores preferidos. Lindo texto e reflexão trouxestes para nos alegrar a alama. Tem blogagem no blog , vem ver

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  3. Encantada com seu texto! Lembrei de momentos da infância guardado na memória. Que doce recordação! Como não tocar " Pobres insensíveis" mesmo!
    Beijos
    Amara

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  4. Sempre que leio um texto falando de saudade, eu vou lá para o século passado. Cantando mentalmente a seguinte música:

    Meu primeiro amor
    Tão cedo acabou, só dor deixou
    Nesse peito meu
    Meu primeiro amor
    Foi como uma flor que desabrochou
    Logo morreu
    Nessa solidão sem ter alegria
    O que me alivia são meus tristes ais
    São prantos de dor que dos olhos caem
    É por que bem sei quem eu tanto amei
    Não verei jamais

    Saudade palavra triste quando se perde um grande amor
    Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor
    Igual uma borboleta vagando triste por sob a flor
    Teu nome sempre em meus lábios irei chamando por onde for
    Você nem sequer se lembra de ouvir a voz desse sofredor
    Que implora por teu carinho, só um pouquinho de seu amor.


    beijogrande

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  5. Tina eu li a manchete sobre as lousas, mas não cliquei para ler a matéria. Que bom encontrar aqui um carinho para com essas lembranças.
    É mesmo de se lamentar quem faça um comentário desses sobre a inutilidade; mostra-se um insensível!
    Agora que encontrei um caixa enorme, que virou fotografia, cheia de giz colorido, ficou ainda mais especial a lousa que aqui leio e recordo!
    beijo

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