11 de junho de 2015

Para o recalque passar longe

Eu ia falar hoje sobre os tais livros de colorir que de mocinhos passaram a vilões, por terem esgotado no período do dia das mães talvez (péssimo feeling das livrarias para a modinha e agora sobrando tipo comida demais na mesa que faz o apetite se intimidar), coisa da mídia, coisa de intelectuais ranzinzas ou das redes sociais onde opiniões se juntam sem muita identidade e fazem couro. Ai resolvi conjugar esse tema a outro que tem também os dedinhos podres midiático e das redes, nesse aspecto antisociais, que é o Dia dos namorados.
Compreendendo desde que minhas perguntas passaram a ter mais de uma resposta que a televisão, os governos e religiões são formadores de opinião e fazem bom e mau uso desse poder. O capitalismo e interesses diversos de ordem  pessoal e setorial são os carros chefes da formação de opinião e na leva das modernidades está o culto a individualização, a sofrência consentida, exibida até, a máscara do não tô nem ai, feliz que não tenho com quem gastar dinheiro no dia dos namorados, festa andam cheias porque ser solteiro e solto é a melhor coisa do mundo e outras tantas ostentações de desapego, "independência" e uma falta de romantismo nada discreta, Barroca eu diria. 
Ai, da-lhe festas para solteiros no dia dos namorados, comercias de pedidos ao Santo casamenteiro por beijação e pegação, casório não. Filmes de relacionamentos comedinha nas telonas, além de outros pouco em sintonia com a data. Pontuando a moça charmosa do noticiário na matéria sobre a data dizer com toda informalidade "Graças a Deus não tenho a quem dar presente" #ressentidatalvez, uma reportagem sobre as desvantagens financeiras de uma vida a dois, que pelas vidas a sós que acompanho de perto não tenho nenhum sentido e outra revelando um dos piores anos do mercado nas venadas nessa data (tanta propaganda negativa, porque será as baixas vendas?). 
Enfim, certa de que lojas cheias e presentes caros não representam o amor, valendo uma caneta Piloto dos tempos de Escola, um chocolate Sonho de valsa, um bilhete num guardanapo, gostosuras compradas na padaria ou até mesmo num boteco, porque amar, estar enamorados, inclua-se casados (pois quem é casado por gosto e por amor, não namorou para casar, casou para namorar como reza romântico dito popular) é coisa boa por demais, não tão boa que picada de cobra é melhor como diz o comercial da gelada, tipo ferida que as vezes dói, se sente, mas se suporta, suco divido em dois canudos que um selfie causa inveja, é bem querer, um não contentar-se de contente, cuidar, ganhar e perder, estar-se preso por vontade, sentir e constatar que só se chega mais rápido e junto se chega mais completo, seguro, feliz, porque não importa a velocidade, a partida e a chega e sim o caminho.
E os livros de colorir? Bem, eles entram na categoria alvo das pessoas que reclamam de tudo, botam defeito em tudo, peso, criam teorias. Que não são leitura, não são, que são livros, acho que sim, livro de artesanato é livro, livro de recortes é livro, livro de ilustrações de carros ou fotos é livro, não é literatura, mas é livro e leva leitores para dentro das livrarias para dizer o mínimo e quem entrou na modinha, mãe, vó, tia, namoradas, adolescentes, não são pessoas com transtornos ou desocupadas, não cabe a piada de Síndrome de Romero Brito, carência de infância e tantas outros venenos que as línguas das comadres (homens cada dia mais fifis fica a direta) destilam. Melhor colorir que encher a cara, melhor colorir que tomar remédios, melhor comprar lápis de cor que cigarro. Bom mesmo e serve para os dois assuntos e qualquer outro, é cada um viver a sua vida, deixar de ser competitivo, juiz, recalcado. E tenho tido!

7 comentários:

  1. Gosto quando colocas teus pensamentos assim. Sobre o dia dos namorados, como em qq outra dessas datas, vale o carinho e sem imposições da mídia.Aliás, só quem não tem opinião própria se deixa levar!
    E os livrinhos? No começo achei que seriam legais, Mas pra mim,não! Poderia fazer bem e deve fazer pra quem gosta! Sei de uma amiga que está no hospital já há 15 dias e a única coisa que faz é colorir. vale então! Quem gosta, pinte! bjs, lindo dia! chica

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    1. Pois é!
      Não vale para todo mundo o pintar relaxar. Simples assim! A mim me estressa por um lado, pelas miudezas e minha mania de perfeição, sou de pegar o giz de cera de lado e passar na página toda rararara e pq gosto mesmo é de desenhar, colorir aqui é com o marido. detalhe, gosto de meus desenhos e muitos alheios só com o risco do grafite, sem cores, vejo com colorido.
      E apesar de não curtir, reconheço o quão está sendo legal, fonte de descobertas, de relaxamento, de compra de outros livros e material artístico pelas beiradas.

      Para os namorados vale a mesma prática, amo, adoro, passo a dois, valendo um acarajé ou um jantar cheio de pomba e quem não tem namorado, não quer ter, okay!

      Cada um na sua e a vida continua ;)

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    2. Hahahaha, achei que era só eu que não super relaxa com os livrinhos. Comprei, pintei alguns, continuo outros, mas por um lado me estressa também, pela bendita mania de perfeição hahahahaha. Por Deus. Agora, os seres humanos andam criticando tudo hein. Sai pra lá, bora ser feliz. Beijo, beijo Tina.

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  2. Penso "será que somos mimados demais" como coloca Luís Felipe Pondé em suas filosofias? Não conseguimos ficar fora de uma festa e por isso criamos outra? Não suportamos ver a felicidade dos namorados e damos de ombro dizendo que é melhor não ter para economizar dinheiro?
    Beijo.

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  3. oi Tina

    Os valores estão bem distorcidos, lembrei desta música que adoroooo:

    Dizem que ficou brega se casar
    Arriscado se envolver
    Que falta tempo para a mesa sentar
    Muitos colegas, poucos amigos
    Diálogos cheios de monossílabos
    Queremos tanto ganhar dinheiro
    Mas esquecemos que ele não pode comprar
    Os momentos que perdemos

    Por que os bons costumes estão sumindo?
    E os valores se diluindo?
    Pois sem se ao ficando em segundo
    E os amores não se concluindo
    Estão tirando o amor do mundo
    E o que ficará pros meus filhos?
    Estão mudando tudo
    Esfriou o amor no mundo

    Talvez do avesso seja o meu lado certo
    Pois não me vejo neste mundo cego
    Ainda acredito no amor
    E minha fé não é filosofia
    Não me leve a mal
    Mas não curto carnaval
    Peço benção pros meus pais
    Eu acredito na família
    Eu tenho um coração moderno à moda antiga

    Eu sei, eu sei
    Que tudo isso aqui vai passar
    E sei também, que tudo isso aqui ficará
    E o que a gente vai deixar
    Além das lembranças, dos beijos fiéis
    Abraços e laços, nossas crianças
    No fim o que valerá não será o preço
    Mas sim o valor
    Talvez do avesso seja o meu lado certo
    Pois não me vejo neste mundo cego
    Ainda acredito no amor
    E minha fé não é filosofia

    Não me leve a mal
    Mas não curto carnaval
    Peço benção pros meus pais
    Eu acredito na família
    Eu tenho um coração moderno à moda antiga
    Eu tenho um coração moderno à moda antiga

    Marcela Tais.

    bjokas =)

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  4. Oi, Tina. Para mim, seria um nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Esses livrinhos são um curingão para presentearmos aquelas pessoas que tem tudo, mas não dispensam presentes (minha sogra é uma dessas). E acho que datas comemorativas, se assim nos fizermos acontecer, podem sair do comercial, do efeito forminha de papel e "das regras" impostas pela mídia (já diz Bourdieu) e virar um dia, por exemplo, diferente dos outros e sem qualquer, qualquer apelo midiático.

    beijos mais.
    ps: Ana Paula, posso assinar embaixo do seu comentário? bjks.

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