30 de junho de 2015

Pé e chão, chão e pó

Pó de estrelas, de poesia
Iluminura de por ai
Tem nomes, de colunistas, comentaristas, repórteres, atores, que sempre que vejo me interesso em ler e ouvir, Rosely Saião é um desses nomes,, que para mim é um convite a uma boa reflexão e a identificação de opiniões.  Psicóloga e consultora em educação, ela fala geralmente sobre as vivências familiares e escolares, suas relações e o dia-a-dia de parte a parte. Colunista da Folha de São Paulo (jornal impresso que me interesso sempre em folear, pelo conteúdo além de misérias, comercial etc), ela escreve às terças-feiras e hoje trouxe recortes de uma recente publicação dela para resenhar.
“O conflito de gerações subiu um degrau: se antes estava localizado entre os adolescentes e os adultos, hoje ele foi parar na relação dos adultos com os mais velhos.
Há pais que ajudam os filhos a falsificar documentos para frequentar locais proibidos para menores de 18 anos, frequentam as mesmas baladas que os filhos, dão festas em casa e participam delas, regadas à bebidas alcoólicas para os filhos e seus colegas, se vestem do mesmo modo e não negam muitos dos pedidos que recebem, para não parecerem caretas.
Já sabemos que o mundo é dos jovens e que juventude não se trata mais de idade e sim de estilo de vida. É por isso que crianças e velhos são os excluídos. Portanto, nada faz mais sentido do que uma iniciativa que acontece na cidade de Seattle, nos EUA: unir creche e asilo de idosos no mesmo local.”
Ainda ontem comentei com marido da ausência de programas infantos nos canais abertos no horário da manhã, no global e da massa, em horário nenhum, dias de semana ou finais de semana, nada de desenho animado, Daniel Azulai, Tia Arilma, Mara Maravilha, Angélica, Xuxa, nada de filminhos tipo Et, séries tipo Teletubbies. Para adolescente passaram a ser os programas para adultos, afinal a gama de adultos adolescentes é grande e de adolescentes adultos também, tanto que na tal Malhação, mocinhos são maus, malvadões são bons, tudo sem divisão de papéis, lição de moral, sem limites morais, assim, do jeito que o povo gosta.
Os idosos coitados, ou são antenados ou nada de programa de culinária sem ser gourmet ou para pegar a receita na internet, pois é dada na velocidade da luz, nada de netos passarem um dia de índio com eles (com honras a expressão e não depreciação, com bem querer ao modo índio de passar os dias), nada de ouvir os ditados, de os filhos e netos dedicarem tempo e cuidados com os velhinhos, zero de respeito as vezes e menos cinco de encantamento com cabelos brancos, crochetices, colocar o cd de Roberto para vó ouvir, ouvir junto e sair cantando sem querer que nem cantamos as modas de viola ou de serestas dos nossos avós e pais. Nada de os pequenos já com seus tabletes e petulância, curtirem o colo, cafuné, os mimos, cheiro de alfazema e histórias de telégrafos e máquina de datilografar. Quiçá isso venha a mudar! 
Crianças e idosos, sementes e raízes, dois extremos que enfeitam e enriquecem as estações da vida #ficaadica, pra encerrar junho no embalo de São João, com pé e chão, chão e pó. Pó mágico e transformador de pirlimpimplim, pó antigo e cheio ensinamentos de giz em lousas, por um mundo melhor, com mais educação que ensinamentos, pois para ensinar como li certa vez numa tirinha da Mafalda, é preciso saber, mas para educar é preciso ser. Sejamos pois, eduquemos, nos eduquemos, sejamos as mudanças que queremos ver no mundo, sejamos mais gente que faz, independente da idade e levando em consideração as variedades, aprendizagens e valor de cada fase da vida. Partiu julho!

8 comentários:

  1. Que esse pó mágico nunca se perca, pelo menos aqui em casa. Esse convívio entre nós, os avós e os netos, de idades variadas é lindo.Uma bela troca que deve ser incentivada. Adorei te ler! e chegamos ao fim de junho! beijos,chica

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  2. oi Tina

    Não temos programas de qualidade na tv aberta, talvez pq esses não dão muito Ibope.
    Fato é que os valores estão invertidos, hj vc acoberta uma travessura do seu filho, amanhã se crescer sem limites vc poderá visita-lo na cadeia.
    Essa é a realidade, tudo é normal e bonito, os valores estão se perdendo.
    Eu gosto destas colunas, elas tem muito para nós ensinar e fazem a gente realmente refletir.

    bjokas =)

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  3. Sempre pensei que se houvesse publicações dedicadas aos idosos, venderia feito pão quente...

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  4. Belíssima a ilustração, pura poesia que tomara se espalhe e o conviver, cuidar, preocupar e orgulhar dos idosos seja corriqueiro.
    Infelizmente é tão comum essa reflexão que Rosely Sayão trouxe: festas em casa com a permissividade dos pais para o álcool entre os adolescentes e tantos outros sem-limites para parecerem bacanas.
    Podemos envelhecer de maneira saudável, esteticamente bonita, mas não podemos fugir do fato que envelheceremos.
    Beijo!

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  5. Verdade Tina e quando por acaso surge algo do gênero o Ipobe cai porque não há interesse mais nas coisas simples verdadeiras e que dão bons exemplos.
    Só vemos distorções e dessas nem falar podemos porque não é de bom tom e nem politicamente correto.Enfim, estamos caminhando para um mundo permissível e degenerado, onde a violência o desrespeito e a impunidade cresce a olhos vistos.
    Que mais Rosely's publiquem e que mais pessoas se sensibilize como a Tina.
    grande abraço

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  6. Oi! Na minha casa os meninos usam o tablet 15 minutos por semana, quando muito, pois geralmente os tablets ficam esquecidos. Tv eu não tenho, só posso rodar dvd mesmo, por isso a programação é dividida: meninos veem o desenho animado e depois os adultos veem filme ou show. E não tem choro, pois só temos um aparelho de tv.
    O que os meninos gostam mesmo é de brincar de carrinho (ou de qualquer outra coisa) e do colo da vovó...
    Bjs.

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  7. Oi Tina, que maravilhoso lê um texto como esse!
    Muita gente precisa ler!
    Beijos
    Amara

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