21 de julho de 2015

Das amizades

“Na convivência próxima com adolescentes, tenho ouvido com frequência a expressão ‘melhor amiga’. Interessante observar quanto são voláteis as relações: a melhor de semana passada já não é mais a de hoje, e assim, vão se trocando conforme as circunstâncias, o local, as motivações e os programas. E tal inconstância não é um fenômeno atual. Na minha infância e juventude variava de melhor amiga conforme o momento, o ano na escola, o esporte da hora, a gincana, o namorado em questão. Porém, há aquelas que foram marcantes, que até conseguiram atravessar o tempo e os reveses, mas, por fim, ficaram pelo caminho.
Rumos opostos e diferentes opções de vida nos separaram para sempre ou temporariamente: casamentos, filhos, viagens, carreiras, mudança pra longe, doenças, morte.”
Quem escreveu isso foi a jornalista, cronista e autora dos livros 'Depois da Chuva, o recomeço' e 'Do lado esquerdo do peito', Giovana Damasceno, que depois desse trecho fala por alto de duas amigas e arremata: “Como a internet e as redes sociais não nos permitem perder ninguém - ou quase - ao escrever esta crônica pensei em procurar por elas. Encontrei duas: com uma bati um longo papo; a outra, apenas aceitou minha solicitação de amizade e ficou nisso.”
Trouxe para cá esse texto pelo dia de ontem, dia do amigo e com ele e o dia-a-dia a observação de o conceito e prática da amizade estar mudando muito, de como esse relacionamento tão cheio de possibilidades. tem se tornado vazio, frágil, mecânico. Desde a infância na falta de interação real, do ir pra rua, descer para brincar, passando pela adolescência que com suas esquisitices precisa de intensidade,do contato físico e sentimental das amizades pra ser uma fase de pontes e não de muros. Até adultos e idosos, com experiências vividas, as tem deixado adormecidas por preguiça, modismo, medos, preconceitos.
Quero aproveitar, para observar e perguntar se é de agora ou de sempre e se é só meu o sentimento de que alguns amigos tornaram-se estranhos com o passar o tempo, uns tornam-se ausentes de repente, outros nas redes sociais falam de coisas que não sabemos e como amigos nos parece estranho não sabermos, postam fotos, fazem comentários, tem um tipo de máscaras usada só ali no virtual.
Eu, com essas e outras variações de comportamentos, tenho feito releituras de muita gente, reclassificado e venho utilizando uma reflexão do livro: Através do espelho, de Jostein Gaarder, que diz: “Nós enxergamos tudo num espelho, obscuramente. Às vezes conseguimos espiar através do espelho e ter uma visão de como são as coisas do outro lado. Se conseguíssemos polir mais esse espelho, veríamos muito mais coisas. Porém não enxergaríamos mais a nós mesmos".
E nessa, tenho cuidado de meu jardim, deixando cada um a vontade e preferindo deixar pessoas do passado no passado, preservado a memória afetiva, entendendo que tem gente com época e papéis específicos e limitados, certa de que quantidade não é qualidade e de que amizade é coisa séria, amor também e nas beiradas do amar a amizade é importante e indispensável.
Amigos e amores para mim são pessoas das horas alegres e tristes. Nas tristezas poucos são presentes, reza a sabedoria popular, mas aprendi outro dia, que quem não é amigo, também não é das alegrias, porque alegria incomoda, gera competição, ciúmes, inveja em que é só de seguir, curtir e compartilhar. Fica a dica!

7 comentários:

  1. Bom dia Tina!!!
    Depois de ler seu texto, me lembre de mais um detalhe que mudou nas amizades de agora e não gosto muito. As vezes nossa amiga ou quem a gente quer ter como amiga mora a 1 ou 2 quadras da sua casa e ainda assim é longe para te visitar e ter uma conversa no sofá ou na mesa. Pois é mais cômodo mandar mensagem! Gente...como era bom sair por aí de bicicleta ou a pé e correr até a casa da amiga. Nos meus 20 e poucos anos eu rodava a cidade para ver as amigas e elas faziam o mesmo. Mas realmente, muita coisa mudou. Como já disse várias vezes aqui, eu adoro a modernidade, mas se amiga chegar em casa, olhando para celular e não for mensagem de trabalho...eu tomo da mão na hora, hehehehe, sou má!
    Amiga passarinha das palavras, que um dia irei conhecer, estou trabalhando em mais bonecas, calma...este final de semana minha família veio me visitar e eu dei uma parada com as artes, mas estou voltando!
    Beijos!
    CamomilaRosa

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  2. Bom dia Tina,
    Você trouxe um tema que as vezes me incomoda também. Eu trago muitas lembranças de grandes amigas do passado que já não vejo a muitos anos. Outro dia consegui encontrar no Face uma delas, e fui com tudo, com o coração cheio de histórias para relembrar, emocionada mesmo. Talvez por causa do mês das Juninas, me recordei de um tempo muito bom quando, pegávamos uma sacola e íamos de porta em porta pedir prendas para a nossa festa no Colégio, e éramos imbatíveis, todo ano ganhávamos o primeiro lugar em arrecadação. Era super divertido. Além dessa foram muitas recordações que guardei porque ficamos morando no mesmo lugar até a adolescência. Então, dando continuidade, eu a encontrei no face, mas quando ia adicioná-la, me veio um medo, e pensei : E se ela talvez nem se recordasse do meu nome? E se me aceitasse apenas para somar ponto entre seus" amigos", e se não guardasse tantas lembranças alimentadas de carinho e saudade como eu guardei, eu ficaria tão decepcionada... Bom optei por não fazer o contato,
    De vez em quando volto lá e vejo o seu rosto, com as diferenças do tempo marcado. No meu olhar porém ainda a imagem da grande amiga.
    Os tempos mudaram tanto, que é difícil apontar nos dias de hoje um verdadeiro amigo. No fundo, vejo a solidão onde amigos são apenas mais um na telinha. Muito bom texto. bjs.

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  3. Muito interessante teu texto. Amiga de região ela muda o sentido, minha irmã nos corregia pois dizia que amiga era amante, tínhamos que dizer colega, mas não adiantou até hoje falo amiga. Mas às vezes penso que devo ser antissocial pois não tenho amigas de estar sempre junto. Essas amizades tive na infância mas depois elas se acabaram. Mas hoje posso dizer que tenho amigas e elas são virtuais e sabem de minha vida coisa que os que vivem próximo a mim nem desconfiam. Os tempos mudam e também os relacionamentos. Tenho muitas amizades aqui aonde moro, parece que sou uma escutante da região, todos contam seus problemas, suas angustias, me procuram para aconselhamentos, logo eu que nem sei o que fazer de minha vida, mas descobri a mágica, parece que ficar calada é o melhor conselho, percebi com isso que ninguém mais ouve ninguém, todos falam ao mesmo tempo e ninguém se escuta. Obrigada pelo precioso texto e tenha um belo dia.
    Bjos

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  4. Nossa ontem refleti sobre amizade, tinha uma amiga que era como uma irmã.
    E as adversidades da vida fizeram com que ela se afastasse, eu sinto muita falta mas respeito.
    As vezes por amar a gente precisa deixar as pessoas irem, não é fácil mas temos que respeitar...
    Amigos mesmo a vida traz poucos, colegas vão ter muitos.
    Fato é que o verdadeiro pode passar o tempo que for, qdo voltar parece que foi ontem.
    Redes sociais estão recheadas de falsidades e sentimentos frios.
    Adorava escrever para minhas amigas, cartas, cartões de natal ... hj em dia o correio só passa para entregar encomendas e contas...
    Internet é bom mas tb isolou muita gente, ao mesmo tempo que temos tudo fácil e rápido, tudo é estranho tb...

    bjokas =)

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  5. Amigos são verdadeiros quando mesmo distante estão perto, e cuidam de nós num afago, numa oração. É preciso cuidar de nosos jardim memso deixar as amizades florirem. Lá no blog tem poesia do amigo e novidades

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  6. Que legal,Tina e quantos ou quantas melhores amigas já vimos!! E, só as que realmente eram, ficaram! Um bjs praiano,=tudo de bom,chica

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  7. Tina hoje em dia a definição e conceito de AMIGO chega a ser entre adolescentes muito ridícula porque Amizade é uma relação permanente de ajuda, carinho, amor! Amigos na vida podem ser muitos ou poucos o q importa é a fidelidade!!!!!!!!!

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