22 de julho de 2015

Do público e privado

Biografia é por definição um gênero literário em que o autor narra a história da vida de uma pessoa ou de várias pessoas. E eis que a treze anos se estende em nosso país, na boca do povo, entre interessados pops, anônimos e na alta corte o ser necessário, mais que isso, o ser legal ou não a autorização do biografado e dos personagens adjacentes da história para publicação de tais obras.
Em resumo, foi dada agora em junho, por unanimidade de votos, a liberdade por parte de escritores e editoras para publicar a vida de quem quer que seja, citando e incluindo quem quer que seja. Cabe ao citado e descrito, caso algo lhe desagrade, ou seja inverossímil (para usar termos formais e rebuscados) usar de outros direitos como calúnia, difamação, dentre outros. Um caso dentre muitos de direitos que se chocam, o da privacidade e o da liberdade de expressão.
Então, sobre a tal privacidade no caso das pessoas públicas se pontuou e discutiu muito serem públicas e daí haver a abertura para serem expostas já que expostas e públicas são. Em assim sendo fiquei pensando em que é personagem secundário das tais histórias e não é pessoa pública e também que qualquer um que tenha um perfil em qualquer rede social, de blogs a outros tantos é uma pessoa que se faz ou foi feita por outrem, pública. Não é
Dai, alguém pode resolver contar a partir de seu ponto de vista e interpretações. histórias sobre a vida de qualquer pessoa. Fazer resenhas, correlações, julgamentos e cabe a quem não gostar, reclamar. Me parece tão invasivo isso! Sem falar do direito de quem é biografado a ter os benefícios financeiros da obra em questão, ou não? 
Como colocar um limite na liberdade de expressão, de uso da imagem e das histórias pessoais ou públicas alheias, sem isso ser considerado censura? Tão nociva quanto a censura não será a liberdade sem regras?
Dentro do assunto biografias e biografados, caberia então com a total liberdade de autoria e publicações, encenações e representações em geral, haver a observação em destaque “sob a ótica de...”, “por...” e em caso de participação e autorização das pessoas envolvidas, essa informação.
Assisti por exemplo, ao filme que biografa o pop Jobs e li comentários e críticas diversas da caricatura que foi feita sobre quem de fato ele foi e o que de fato ele fez. Em livros, há o retrato relatado de tal celebridade e ao ser lido e comentado por várias pessoas, aquilo repetido, como reza o dito popular passa a virar verdade ainda que não seja,. Questionamentos que resolvi repartir, para despresurizar e para ouvir opiniões. O martelo foi batido, tudo livre, mas as leis e o direito, percebi dentro do pouco que estudei em uma época para Concursos públicos e em muitos casos que acompanho, pelo menos aqui no Brasil, é uma balança sem muito equilíbrio, uma senhora que espia por entre a venda, ouve atrás de portas e fala as vezes independente da voz do povo, de reis ou de Deus.

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com você! Hoje em dia existe um abuso do termo liberdade de expressão, que é um dos motivos para eu ter mudado o nome do meu blog para apenas "Expressão." Hoje, esta frase me dá calafrios. A vida das pessoas deveria ser mais respeitada, e as biografias não autorizadas não deveriam acontecer enquanto a pessoa biografada estivesse viva.

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  2. O povo adora ter liberdade de expressão mas nem todos sabem usar né?
    Eu não gostaria de estar vinculada alguma historia ou cronica sem a minha autorização. Até pq o que vivo só eu sei o resto é interpretação.
    bjokas =)

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