4 de julho de 2015

Saudade em tempos de zap

O comportamento das pessoas por conta da tecnologia está mudando. Valores, pensamentos, sentimentos, a relação das pessoas com sua intimidade, com a intimidade do alheio, os limites e até falta de saudade. Verdade! Um sintoma comprovado, li por ai e trouce para cá.
Com tanta exibição e envio de fotos, áudios e vídeos é sucumbida a saudade, o virtual basta pra geral, resolve e até faz dispensar o presencial, rimando pra não chocar.
E nessa de tanto que já se fica cheio de ver a cara da pessoa, de ouvir sua voz, perde-se a ansiedade boa, o frio na barriga, borboletas no estômago, saciedade precedida da saudade, que dá felicidade, de ver a pessoa amada ou ouvir a voz da(o) amiga(o) querida(o). Como muitos sabem, outros não, saudade é palavra que só existe na língua portuguesa e o sentimento as avessas está se globalizando. Pena!
Sinto saudades de minha infância, adolescência, de lugares, pessoas, sabores, algumas saudades pessoais, outras coletivas, uma já esquecidas, algumas alegres, queridas, leves, outras ainda doidas e sendo uma dessas recente e sei para sempre latente, escolhi ela para compartilhar hoje aqui na Blogagem coletiva que tem a saudade como tema.
Já deixando no mural pra sair do caderno, livro, memória, da saudade quem sabe, o tema da BC, para o primeiro sábado de agosto, será: Uma receita, a gosto (vale de comida, de vida, de remédio, de qualquer coisa).
Então, eis que um dia antes de partir em novembro passado, meu Dindo amado, nascido no mês de agosto e a quem os gostos de sonho, pão de açúcar, pão de milho e ovos da Páscoa me remetem, me mandou uma piada por zap, trocamos duas palavrinhas do quanto o mundo está sem freios e foram as últimas. No meu zap, no portão chamando para entregar ou buscar pão, em uma ou outra ligação, na rua em que ele morava, na Padaria, na minha alegria está faltando ele e a saudade dele ainda dói em mim.

17 comentários:

  1. Que lindo,Tina! Tuas saudades bem justificadas .Em tempos de tantas tecnologias, por vezes são esquecidas as pequenas coisas. E esse teu Dindo que te deixou é uma grande saudade e guardas no coração a piada que ele te mandou.Ficarão pra sempre ,não só a piada, mas tudo que ele em ti preencheu! beijos, tudo de bom! chica


    Deixo a minha saudade aqui:

    http://cronicasdachica.blogspot.com.br/2010/11/revivendo-emocoes.html

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  2. Emociona a saudade e todas as recordações do seu Dindo. Ele certamente açucarou seu viver.
    É verdade o que disse no começo, que a saudade vai se acabando nesses tempos virtuais. Lembrei de reportagem recente que mostrava justamente isso. Pessoas longe uma das outras, ou mesmo próximas fisicamente, como namorados, mas que se teclavam e mandavam fotos o dia inteiro de onde estavam , o que estavam fazendo e assim esse sentimento não chega a ser sentido e vivenciado. É... outros tempos.
    Beijo!

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  3. Uma saudade doída ams que tem tanta beleza, tanto perfume, tanto açucar e gostos de amor que parece permanecer vivo. Já postei minha participação por sinal saudades de vó e vô. e o blg tá cheiinho de encanto. bjs

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  4. Essa dor causada pelas ausências... me é tão familiar! Realmente a virtualidade, uma coisa tão restrita a poucos uns poucos anos atrás, invadiu de vez a vida das pessoas e tem mudado hábitos e criados novos costumes, me pergunto onde ela vai nos levar e se será um lugar onde eu quero está... Não sei, mas sei que o desfecho desse texto foi enternecedor!

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  5. Oi, Tina!
    Flor, cancelei teu comentário sem querer lá no Agora que sou mãe. Amei <3 então vim pedir que comentasse novamente, pode ser? Bessos bessos bessos

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  6. Olá, Tina!
    Nos dias de hoje, fala-se com os polegares, pois assim, não se perde tempo em ouvir e conversa-se com um grupo ao mesmo tempo.
    Eu sinto saudade da voz, do cheiro, da música...
    Abraços e bom fim de semana!

    Link Direto

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  7. Oi, Tina.
    Que reflexão interessante! E é bem verdade que o virtual nos aproxima das pessoas e , ao mesmo tempo , nos afasta delas.
    Quando nos acomodamos, desistindo de encontros presenciais com preguiça de sair de casa, precisamos nos policiar para não permitir que fiquemos mecanizados .
    beijo, menina

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  8. Tina, o desfecho do teu texto foi emocionante. Teu Dindo enviou um zap que ficará guardado para sempre. Assim como tantas outras coisas, certamente.
    Eu vejo o virtual de um modo mais positivo, com ele podemos nos aproximar de familiares que estão longes, através das webcams podemos ouvir a voz da pessoa, interagir... Tenho uma vizinha que os netos moram em São Paulo e se fosse em outros tempos, ela não poderia acompanhar nada, só uma vez por ano. Acho que estes tempos sem tecnologia também levavam consigo uma grande tristeza e uma saudade do que não se pode ter vivido por falta de recursos de comunicação.
    Não deixarei o link da minha participação, assim como não deixei na Ana, porque acho que não entendi bem o contexto da BC, não pensei que tivesse que ser algo pessoal e escrevi um conto de Natal fora de época com a temática Saudade. Mas valeu a pena, instigou minha inspiração mais profunda e intensa. Bem, isso é meio típico de minhas inspirações. rs.
    Beijos e um ótimo fim de semana para ti!

    Rivotril com Coca-Cola

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    Respostas
    1. Correçãozinha básica: longe (não existe longes, hahahaha!)

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    2. Vale sim sua participação
      Não precisava ser pessoal
      Saudade de todo tipo vale

      Vale sim, valeu sua pontuação, o virtual para encurtar distâncias geográficas
      O que não vale é criar distâncias com todas as possibilidades de presença

      Beijos mil Mi

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  9. Oi TIna, você sabe que eu gosto muito desse mundinho virtual não.
    Explicando-me:
    Com o tal de zap, face e etc e tal, cheguei a receber parabéns pelo meu aniversário (de pessoas que me são próximas por demais) neles...que triste!
    :(
    Gosto muito do toque, num abraço amigo (pois familiares também são amigos, né não?), dos olhos nos olhos, de ouvir e também de poder falar...decepcionante ao meu ver.

    Essa saudade do seu dindo, esse carinho que se fez presente no zap, somente dando continuidade ao real...é lindo!

    Beijos de uma boa noite e um domingo de paz.

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  10. Olá, querida Tina
    Vim deixar a minha saudade depois passarei pra comentar: a sua:

    http://espiritual-amizade.blogspot.com.br/2015/07/saudade-virtual.html

    Bjm fraterno

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  11. Oi, Tina!
    A saudade está ligada a afetividade, mas também criamos vínculos virtuais e nos aproximamos mais de pessoas que estão distantes quilometros de nós. Antes a comunicação era precária, tinhamos que viajar ou pagar caro pelos serviços de comunicação para estar junto das pessoas queridas. Uma carta, dependendo da distância demorava mais de quinze dias para chegar... Ainda podemos viver o virtual e o não virtual de forma complementar, mas penso na Geração Z - não são todos - que cresceram dentro de seus quartos, comunicando por gadgets e, a maioria não gosta de visitas presenciais ou mesmo reuniões de família. Isso tudo sei que você sabe.
    O mundo pode ser mais rico afetivamente e os avanços tecnológicos podem contribuir para isso. A saudade compartilhada, através de uma foto enviada por mensagem lembrando aquele momento passado; uma mensagem de carinho enviada no meio de um dia estressante de trabalho é animador... Acho que o problema não está na tecnologia, está nas pessoas.
    Alguns momentos ficam registrados em nossa memória para sempre, mas temo que com o passar do tempo eles comecem a ruir ou tomar uma versão somente nossa. Você constata isso quando encontra com uma pessoa que estava no mesmo lugar e na mesma hora. Ela terá uma outra versão dos fatos pelo ponto de vista dela e invariavelmente bem diferente da nossa. Um casal por exemplo... tenho a impressão que eles combinam uma versão para ser contada a uma terceira pessoa. Até uma terceira pessoa invisível que os acompanha... Perceba a expressão do rosto da pessoa que está escutando e que estava presente ao fato. É a construção de uma lembrança e não de uma saudade. A saudade é só nossa!
    Beijus,

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  12. Eu tenho percebido
    E sentido
    Refletido

    A saudade é só nossa, o vivido é bem particular e não que não seja ou que antes do compartilhar on line, curtir e ter opinião formada e formatada sobre tudo não fosse, mas há algumas diferenças nas vivências e nas trocas principalmente que quem tem uma sensibilidade mais apurada percebe, sente

    Sinto por quem me lê e curti minhas postagens aqui e no Instagram não saber de coisas muito ditas, não comentar pessoalmente sobre elas, não conversar sobre seu universo virtual no real como se fossem pessoas e mundos distintos

    Sinto por eu contando ao vivo de algo visto, vivido, por quando falo de mim ou algo sobre ou para o outros, não ter olhos nos olhos
    Um amigo disse e foi ouvido e é usada sua teoria, que isso é um traço de personalidade, necessitar de contato visual para se comunicar, assim como de contato físico, tipo sentar junto, pegar na mão, no ombro
    Tudo isso próprio de mim e de meia dúzia de pessoas, tipo fora de padrão, uma necessidade unilateral
    Sou minoria dobrada, problemática por querer, necessitar, prezar o olho no olho e também toque
    Imagina ver um detalhe da decoração, dar importância ao nome do prato ou do esmalte de unhas, ter escutado o que disse o garçom e coisas miúdas, sem importância coletiva, econômica, corporativa
    Romântico demais
    Sem público
    E nessa vibe, encantamento demais, entusiasmo demais, alegria demais e quando não, tristeza demais, porque não é tudo fora do padrão, bipolaridade. hiperativiade, carência, ansiedade, depressão
    O passar batido, equilíbrio só que não, um se encaixar em padrões,falar bonito, na caixa e não sair dela sem máscaras, escudos e um batalhão de regras é o padrão
    Assim caminha a humanidade minha cara
    Eu sigo na contra-mão pagando multas e curtindo a paisagem que poucos vêem, sentindo saudades e outras cositas mais

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  13. Olá, querida Tina
    Sabe, tenho vivido todas as minhas saudades e são muitas... pra não dar mais saudade... rs...
    Creio que a entrega ao virtual ou irreal é questão de carência afetiva para muitos e não por afeição sincera...
    Gosto de conhecer pra não ficar no sonho ou na ilusão sem fundamento...
    Sua saudade das pessoas são a minha também mas a vida as leva em doses homeopáticas...
    Bjm fraternal

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  14. Desta vez não participei, o tema é doloroso para mim, não consegui.
    Mas vim visitar e deixar um beijinho :)

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