5 de outubro de 2015

Dos exemplos que valem ouro

Escutei uma história das muitas contadas e comentadas por Mario Sergio Cortella, que resolvi trazer para cá, para compartilhar. “Em uma corrida de cross-country, o queniano Abel Mutai, medalha de ouro nos três mil metros com obstáculos em Londres, estava a pouca distância da linha de chegada e, confuso com a sinalização, parou para posar para fotos pensando que já havia cumprido a prova. Logo atrás vinha outro corredor, o espanhol Iván Fernández Anaya. E o que fez ele? Começou a gritar para que o queniano ficasse atento, mas este não entendia que não havia ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, então, o empurrou em direção à vitória. Bom, afora o ato incrível de fair play, há uma coisa maravilhosa que aconteceu depois. Com a imprensa inteira ali presente, um jornalista, aproximando o microfone do corredor espanhol, perguntou: “Por que o senhor fez isso?”. O espanhol replicou: “Isso o quê?”. Ele não havia entendido a pergunta (e o meu sonho – o nosso caro Cortella - é que um dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida), pois não pensou que houvesse outra coisa a ser feita que não aquilo que ele fez. O jornalista insistiu: “Mas por que o senhor fez isso? Por que o senhor deixou o queniano ganhar?”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista continuou: “Mas o senhor podia ter ganho! Estava na regra, ele não notou...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória, qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele perdesse?”.
Para arrematar o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant: “Tudo que não puder contar como fez, não faça”, as razões para não contar, são as razões para não fazer, fecha Cortella e fica a dica.

7 comentários:

  1. Bem verdade Tina Flor...adoro Mario Sergio e fica a dica a pensar!
    Beijos, nutellas, sol, brisa e coragem na semana!
    CamomilaRosa

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  2. Se todo mundo fosse assim né?

    bjokas =)

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  3. Que lindo! De deixar a gente com mais esperança na humanidade, né?
    Beijo e boa semana, Tina.

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  4. Maravilhoso, Tina!
    Essas e muitas outras atitudes me fazem ver que o ser humano não nasceu corrompido e sim, se deixa levar (aqui seria o desprezível "jeitinho brasileiro").
    Marido na Inglaterra, passeando por algumas ruas, via cestos de ovos, cestos de frutas em cima de muretas ou pendurados no portão. Os moradores de lá explicaram pra ele que muitas vezes, a produção para a casa excedia o que os donos precisassem, então eles colocavam um cestinho no portão e quem quisesse, pegava o produto e deixava o dinheiro. No final de dia, eles recolhiam o cesto com o dinheiro (se fosse aqui, nem o cesto encontrariam). Em um outro ato, meu marido ficou boquiaberto ao saber que colocavam o cheque para o leiteiro na caixinha de correio, assim qdo ele deixasse o leite, pegaria o cheque. E meu marido, como o repórter do seu post, perguntou: "mas ninguém pega o chegue?" e o inglês, assim como o espanhol do seu texto "Ohhh! Por que haveriam de pegar?".
    Ou seja, em muitos locais, a honra, o respeito e a educação fazem parte da criação, da cultura.

    Adorei, obrigada!
    Abraços e lindo dia.

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  5. Que beleza,Tina! Faz mesmo pensar e gosto muito de tudo que vejpo de Cortella! Valeu! bjs, linda semana!chica

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  6. Que lindo amiga+passarinha+flor!
    Boa Semana pra vc!!! <3

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  7. Ah como precisamos de exemplos assim! Não teria graça, não seria merecimento uma vitória daquele jeito.
    Honestidade... tão em falta.
    Beijo!

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