23 de novembro de 2015

Das caçarolas

Cronicalizei aqui dia desses sobre as minhas primeiras panelas, que tinham a Nicette Bruno e o Paulo Goulard de casal propaganda e na emenda eu ia prosear por cá sobre ser maioria chefs homens e ganhadores de concursos gourmet homens e meu estranhar dos tais não saberem e não se envergonharem de não saber fazer o trivial, tipo arroz branco e feijão e pior quem é do avental todo sujo de ovo não ser as estrelas das cozinhas e competições de panelas.
Enfim, eis que recebo uma resenha, um contar, com recantos paulistas e encantos baianos meus, do prosaico e poético de panelas velhas que fazem comida boa. Autoria de Ana Paula Amaral. "Conversávamos eu e marido no sábado da minha precisão em comprar panelas. As que tenho cumprem sua boa função de nos preparar o alimento, mas estão exaustas, desgastadas. 
Reclamei a ele dos programas Master Chefes, que nunca assisto, mas bem sei do espírito. Por causa desses programas, as panelas se elevaram na condição gourmet, ou talvez top, como se fossem modelo de passarela paga a preço de diamante. Mostrei a ele nos sites que consultei o nome pomposo que aparece: Zwilling. Uma panela, mais de quinhentos reais. Ele me perguntou se havia ouro ali. Não, respondi, há a França e seus chefes. Lembramos saudosos da loja de rua no centro de Guarulhos, onde o dono ficava ali na porta, com os braços atrás, nas costas, uma mão a segurar a outra. Utilidades domésticas, copos avulsos, colher e garfo soltos, escorredor de macarrão de plástico verde, prato Duralex e panelas, muitas, diversas. Soltas, que a gente tirava a tampa para espiar-lhe o interior. Será que alguém ali imaginava se o arroz do dia a dia caberia, ficaria bem branquinho ou tingido de açafrão?
Alguma dona vi bater com o ossinho do dedo no fundo da caçarola. Levou. Devia o som corresponder a algo que ela procurava.Tinha também os jogos em grandes caixas. Comprei lá em momentos distintos duas panelas e uma frigideira. Foi enterrar o dono e na semana seguinte os herdeiros venderam a loja que se tornou uma grande loja de cosméticos com o maior corredor de esmaltes da cidade. 
Era ele, o “Seu Mesquita” que mantinha viva a loja Mesquita, que tinha uma ou outra finura para presentear e comprar. Mas tinha de um tudo sortido, que tanto agradava sem ter nomes impronunciáveis como Zwilling. Afirmo, sem mesmo ter presenciado, que lá esteve Nicete e Paulo, a estampar com sorriso verdadeiro a tampa de caixa de panelas, a mostrar que o companheirismo e amor de quem divide o feijão, o macarrão, a farofa, a dificuldade passageira, são essenciais para se viver.
Nunca vi a caixa da panela da tal panela com ares franceses. Imagino porém, um chef carrancudo a dizer que tem pimenta de mais na quiabada. Nicette, foi-me a segunda Dona Benta que eu assistia com gosto com as crianças ainda pequenas. A pequena Nicette engrandecendo o sítio do pica-pau amarelo. Que tenham mais amor dentro das panelas do que glamour em suas etiquetas."

8 comentários:

  1. Oi Tina

    Eu não acompanho esses programas de TV, pois não acho legal apressar na hora da criação de um prato que ainda por cima será avaliado.
    Hoje em dia panelas boas mesmo são caras, ainda me lembro quando criança da venda de panelas da feira, e olha que o povo comprava rs...


    bjokas =)

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  2. Olá Tina Flor!
    Posso te dizer que a última frase é o resumo perfeito de tudo...
    Não acompanho os programas, e também não compro tais panelas, mas já às vi por aí...lindas e coloridas num preço reluzente.
    Mas, aqui ao lado de minha cidade, na cidade de Pedreira, compro maravilhosas panelas de barro e amo fazer de tudo nelas...são perfeitas e cheirosas com ótimo preço.
    Repito...sua última frase é perfeita para a matéria!
    Beijos Tina...linda semana em sua casa!
    CamomilaRosa

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    1. A última frase (e a crônica, conforme mencionei) é da Ana.
      E é mesmo perfeita.
      E também amo o aroma, o sabor, a beleza e poesia de comida feita e servida em panelas de barro.
      Bjos amiga fada rendeira cozinheira flor!

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  3. Tina,as minhas estão exaustas , década de 80, quando instalei a tão sonhada máquina de lavar louças. Tinham que ser inox e as belezuras estão comigo até hoje e se bobear andam queimando a comida, embora tenham um fundo grosso! Minha filha quer trocar pelas francesas, coloridas, modernas, mas não me impoto com isso! Relato gostoso esse seu sobre a prosa das panelas. Beijos!

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  4. Oi Tina,
    Não entendo muito de panelas,
    mas há aquelas que são boas,
    (cujo preço pode até ser meio salgado),
    porém certamente custam menos que essas
    da marca Zwilling!rs
    Beijos :)

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  5. Olha eu não entendo muito de panelas não, até tento por causa de Alice, mas aqui quem cozinha mesmo é o marido heheeh. Gosto de ver os programas culinários. Já viste o Tempero de família no GNT com Rodrigo Hilbert? bem casual, sem frescuras, super fácil parece que quem ver pode mesmo se tonar ótimo culinarista . Bjs e Tem novidades no Poesia

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    1. Vejo as vezes esse
      Gosto também da simplicidade
      Gosto do de Bela
      Vou já no Poesia

      Li por sintonia esses dias e me acabei de rir
      Que marido que cozinha vale mais que marido bonito
      Beleza acaba, fome não
      Que horror rsrsrsrs

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  6. Panelas boas tem os preços alto maias vale a pena
    Novo Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=06avCiMDYGA
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

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