4 de novembro de 2015

Sem urgência nem unguentos

"Escrevemos com a urgência e a inevitabilidade com que uma nuvem derrama a sua chuva." Agualusa disse sobre ele e Mia, me representa e a Ana Paula, Calu e outras poucas sem fama, blogueiras, amigas, escritoras vizinhas.
Não preciso de um motivo, as vezes muitos para escrever, não preciso de álcool, café ou outra coisa qualquer, para me manter acesa, alegre, nem para me inspirar e desatinar a escrita. Rima, entendo, não é pertencente a tarefa escolar, cordel ou rap, rimar e coçar é só começar.
Tão carente de evolução quem acha que poesia é coisa de burguesia, falta do que fazer, viagem. Poucos likes no geral, dá poetar, lições de moral, esperto é quem vai a festa paga sem pagar e escritores polêmicos e de escritos sobre encomenda rimam com renda. Fatos fatídicos!
Vou parar de resenhar e dar a voz a Mia Couto, que tá na minha lista de livros e além do bem querer pelo escrever e por seu sobrenome, ganhou bônus comigopelo conteúdo de onde tirei a frase que iniciei o post, uma matéria de José Angualusa, publicada no jornal O globo. Segue escrito de Mia dos de minha concordância, de grande relevância, para arrematar com poesia, crítica, reflexão e elegância.
"Me entristece o quanto fomos deixando de escutar. Deixamos de escutar as vozes que são diferentes, os silêncios que são diversos. E deixámos de escutar não porque nos rodeasse o silêncio. Ficámos surdos pelo excesso de palavras, ficámos autistas pelo excesso de informação. A natureza converteu-se em retórica, num emblema, num anúncio de televisão. Falamos dela, não a vivemos. A natureza, ela própria, tem que voltar a nascer. E quando voltar a nascer teremos que aceitar que a nossa natureza humana é não ter natureza nenhuma. Ou que, se calhar, fomos feitos para ter todas as naturezas."

3 comentários:

  1. Que lindo desfecho esse!Perfeito!Adorei! E não dá pra querer likes, coisas assim...Vale o que tudo isso representa pra nós! bjs, chica

    ResponderExcluir
  2. Muito me apraz fazer parte desta aliança escrevinhadora que vc registra, Tina, de tantas páginas distintas, repletas de sentires, completas de poemas ao ritmo dos falares escritos que nos pontuam as linhas atravessando os tecidos em bordados detalhados, por uma iniciados, por outras estendidos, por além esticados, por mais alguém arrematados; esses que ficam nos caminhos bloguísticos adornando nossos dizeres, levando confetes de nós, painéis multicoloridos a piscarem no infinito.

    Lindamente refletido aqui veio Mia a confirmar nossa crítica reflexiva.Nada de likes vazios.
    Queremos preenchimentos de valor.

    Bjos,
    Calu

    ResponderExcluir
  3. Eu não tinha feito a associação do sobrenome Couto!
    Ainda não li livro de Mia, trechos apenas, mas me trouxe alegria saber que ele, Agualusa, você, tantos outros anônimos e sem fama, escrevem como é inevitável que uma nuvem derrame a chuva nela contida.
    Escrever porque simplesmente transborda.
    Saio daqui com a certeza que mais esse escritor na minha lista enquanto teu livro é gestado!
    Beijo.

    ResponderExcluir