31 de março de 2015

Território do brincar

 Esse é Seu Tolentino
Abaixo sua obra de arte de brincar
Fotos de renata Meireles





Descobri num garimpo de coisas boas para trazer para o blog, um trabalho de registros e valorização da infância e do brincar, que não esteve aqui na sexta, dá uma lidinha no post e nos comentários.
“Entre abril de 2012 e dezembro de 2013, os documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, acompanhados de seus filhos, percorreram o Brasil. Eles visitaram comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos de nossas crianças. Renata e David registraram as sutilezas da espontaneidade do brincar, que nos apresenta a criança a partir dela mesma.
Em cada encontro surgiam intensas trocas e diálogos, por meio de gestos, expressões e saberes que foram cuidadosamente registrados em filmes, fotos, textos e áudios. Um intercâmbio onde pesquisadores e crianças se encontraram no fazer e no brincar, sempre aprendendo um com o outro."
O trabalho do Território do Brincar se ampliou com parcerias e produção de um longa metragem, livros e uma exposição itinerante, com o intuito de levar um pouquinho do Território para escolas, festivais, praças, etc. Clica aqui, como que no X de um mapa do tesouro, para ver, compartilhar, relembrar, descobrir outros brincares, pessoas, lugares e se encantar, para sair de março e entrar em abril acendendo o pavio, puxando a corda e o coro do brincar.

30 de março de 2015

Do colorir

"As pessoas se sentem mais leves, mais calmas
A atenção plena na atividade leva a uma prática meditativa”
Adriana Dornellas, psicóloga
Minha Tia Nélia, quando eu e as minhas primas, filhas dela, juntas que nem motim, ou individualmente, por motivos diversos, estávamos aborrecidas do tipo inquietas ou moribundas, mandava a gente desenhar ou colorir. Ela dizia que fazia bem. Mandava tipo sugestão doce e serena e tipo: Vá tomar banho! Só que: Vá desenhar!
Essa ordem as vezes, geralmente prazer e hobby e sem saber terapia, nunca saiu de minha lembrança e prática. Sempre rabisco desenhos, bem quereres e afazer. Colorir, na verdade, nunca foi muito comigo, preferindo sempre lápis cera e lápis de madeira, a hidrocores e tintas. E para trabalhar isso, como dizem os psicólogos (para me divertir na verdade), saiu da minha lista um livro, com a constatação dela se alimentar de fermento e a verba não.
Arte, desenvolvimento de habilidades manuais, hobby ou terapia, no estilo feito a mão, é moda (enfim uma moda que preste), com possibilidades de interação nas redes virtuais, um dividir que soma, através do incentivo, da integração promovida, pois cada um vai postando as páginas coloridas. Tem gente pintando uma página e fazendo o livro viajar entre contatos virtuais, para desvirtualizar um pouco. Tem gente pintando junto com amigas e amigos, para guardar de recordação, contar e ouvir histórias, para interagir.
Li numa matéria que falava sobre “O Jardim Secreto” de Johanna Basford, um depoimento que dizia que o livro de colorir está sendo um motivo para reunir a família. Uma moça e suas três irmãs, por exemplo, compraram juntas um exemplar e deram a elogiosa e poética declaração: “Nós viajamos para a Bahia, que é muito colorida, e tudo que víamos nos lembrava o livro. Pensamos como seria se tivesse um sobre o Brasil, com toda essa flora, esse mar. Imagina um sobre a Amazônia”.
Agora, que  tem tido saída, tem outros livros de colorir por ai agora, um deles é o “Mandalas de bolso”, valendo a informação e curiosidade de bolso, que a psiquiatra Nise da Silveira observou que as mandalas eram recorrentes nas pinturas feitas por esquizofrênicos e segundo li convidou artistas plásticos para pintar em meio aos pacientes. Os trabalhos chegaram a ser vistos e reconhecidos por Jung, que considerava a elaboração de mandalas uma tentativa cíclica de autocentra-se, de autocura, provenientes de um impulso instintivo da natureza. 

29 de março de 2015

Nascida e criada

Foto da Casa de Iemanjá no Rio Vermelho
Tirada em fevereiro
Para saudar Iemanjá
E ela hoje cá está para o dia colorir e abençoar
Para dar ares e poesia de mar
Para Salvador saudar
Odoiá
Vivo
Amo
Declamo
E reclamo
Porque amo
Caribé disse ao ser perguntado se era baiano
Que não mereceu
Merecia sim
E toda sexta como diz a canção
Todo mundo é baiano junto
Toda conta
Toda renda
Todo mundo é soteropolitano aos domingos
Em toda praia
No desejo de acarajé
No subir e descer ladeiras
Reconvexa alegria
Fonte de utopias
Dama de riquezas e belezas
De gentilezas
De axé
Cultura e magia

28 de março de 2015

Do conter e estar contido

Concordo com a máxima de que o pior analfabeto é o que sabe lê, mas não lê. E sempre fui de achar válido ler desde livros a placas de trânsito ou bulas de remédio. Ressalvas ao teor dos escritos  que se não somam de alguma maneira (informação, distração, aprendizado, descontração,...) vide efeitos colaterais.
Esse papo introdutório é para dizer que acho legal, inteligente e interessante o cada dia mais popular hábito de leitura de rótulos, por algum problema de saúde ou cuidados com a saúde, além da validade e do que tem na composição das coisas, sendo que em alguns casos já se sabe o que tem contém e lê-se o rótulo para confirmar,cadastrar ou sei lá o que.
Mas, como diz o dito popular tudo de mais é sobra. Eu por exemplo, sempre comi passarinha, iguaria dos tabuleiros das baianas, de vista, sabendo ser calórico, mas não mudou nada o gostar e querer depois de eu saber que é o baço do boi. 
Não muda nada para mim também saber a composição da água maravilha que uso até hoje para pancadas, com efeito curativo satisfatório, gelo também vale, está contido no hábito, assim como beber água com açúcar para acalmar e de fato não saber se faz algum efeito, sem rótulo e calmante, me acalma tomar, ofereço, sem rótulo ou explicação.
Resenha com puxão de orelha as neuroses, aos aficionados em rótulos de plantão, ao rotular pessoas e lugares e tudo mais, com brinde de água com gás e amanhã tem mais.

27 de março de 2015

Por tarja branca pra geral

Que tal doses homeopáticas ou encorpadas de tarja branca?  Descobri sem querer um Documentário com esse nome: tarja Branca (clica aqui para assistir) que defende uma revolução pela brincadeira para crianças e adultos. "A liberdade é perigosa" e muitas vezes sobreposta a ela estão as metas, a austeridade, extremamente valorizadas no mercado de trabalho, nas escolas, nos relacionamentos, na adolescência e até na infância, em detrimento do lúdico, do ócio criativo, do fazer a gente mesmo, do sem conexão.
A ludicidade é um ferramenta importante, digo isso como professora, como mãe, tia, como quem teve infância e anda de mãos dadas com a criança que foi. Fiquei encantada com um projeto, que já vi os vídeos mil vezes e coloquei nos favoritos (veja e saiba mais aqui) e que iria a São Paulo só para participar se passagem custassem balinhas tipo troco antigo de mercearia.
Do encantamento a realidade que fico abismada, a falta de crianças e do brincar nas ruas que passo, nas quadras dos prédios, das escolas, assim como com a falta do bom e velho tempo livre da infância e juventude, que tem agenda cheia de domingo a domingo. “Ninguém nasceu para fazer vestibular, a gente nasceu para ser gente. As escolas deveriam ter muito mais tempo de recreio, mas quando defendemos o resgate do brincar as pessoas acham que é voltar no tempo”, palavras da educadora Lydia Hortélio, uma das entrevistadas do filme.
Eu sempre digo que brincar mais se faz urgente, para crianças, adolescentes e adultos. O mesmo vale para mais leituras lúdicas e para o olhar poético para as coisas da vida, o fazer algo novo, algo bobo e que na verdade, uma coisa puxa a outra. Piaget, considerado um dos mais importantes pensadores do século 20 dedicou-se dentre outros temas, ao estudo de como o desenvolvimento cognitivo se dá ao longo da vida. Ele criou, a partir de pesquisas e por meio da observação diária dos próprios filhos, a famosa Teoria Cognitiva, segundo ela a construção da personalidade se dá pela interação e pela completa utilização dos cinco sentidos da criança, e da infância se faz a vida adulta e se refaz se forem identificadas e trabalhadas as lacunas.
Os brinquedos de hoje estimulam variados sentidos? Visão e audição, quando em vez raciocínio sãos os sentidos utilizados ao jogar videogame e isso, digo sem ser especialista e essa brincadeirinha comoda e limitante vai resultar em uma geração com características físicas e psicológicas diferentes e pobres. Pouco ou nada lúdicas, ágeis, proativas e criativas.
Quem já participou de um processo seletivo em que uma das etapas era uma dinâmica de grupo envolvendo um jogo ou uma brincadeira? Pois bem, só nesse exemplo e baseada nessa falta de habilidades, de convívio porque não dizer, de trocas, frustrações, conquistas, de jogo de cintura reais, de muitos jovens, logo adultos, se quiserem de fato contratar as empresas vão ter que abolir esses testes. E eu não sou eu que estou jogando areia para fora da caixinha do parquinho não. A reflexão nesse tema levou à criação do Instituto Nacional da Brincadeira, nos estados Unidos em 1996 (fato que ratifica, como outros, que as coisas demoram a chegar aqui, não tem internet, nem passagens baratas que resolvam esse atraso social, oh Lord!).
O fundador da instituição, Stuart Brown, com seus mais  de 20 anos de prática clínica e pesquisas na área, afirma estar tudo muito claro (#gosteidessecara). Os empreendedores de sucesso, as inovações, os cientistas indicados ao prêmio Nobel, as crianças mais bem adaptadas a qualquer ambiente e as famílias mais felizes têm algo em comum: o entusiasmo pelo ato de brincar ao longo da vida. Brincar é tão fundamental quanto dormir e sonhar. 
Diante de todos esses pontos de observação e estudos que investigam como a brincadeira contribuiu para o desenvolvimento do cérebro humano ao longo do tempo, há um consenso absoluto: brincar é mais do que uma distração e divertimento, é uma parte central do crescimento e desenvolvimento neurológico, importante para formação de cérebros mais complexos, sensíveis, socialmente hábeis e cognitivamente flexíveis.
Sexta-feira dia de vestir branco na Bahia, de brincar, de bater papo, de relembrar e reviver a infância e a adolescência, dia de não tem aula amanhã (para poucas crianças), dia de fazer planos para o sábado e domingo ou eixar ao sabor do dia, do tempo, do humor. Dia do Circo hoje!
Fica então as reflexões e minha dica de ver o trailer do filme e o filme e meu desejo de muita tarja branca em nosso dias, que vire prática o brincar, que sejamos a mudança que queremos ver no mundo.

26 de março de 2015

Do Caderflex ao Smartphone

Vi em um jornal local aqui da Bahia, uma matéria na terça passada que o assunto era a dispersão em sala de aula e os muitos grupos de WhatsApp, jogos e vicio de crianças desde os 8 anos de idade com os smartphones, que muitos pais disponibilizam sem limitações. Uma garota de dez anos disse, que fazia parte de 12 grupos (imagina isso), ela disse nem gostar mas ter que participar e ler as coisas se não ela fica por fora de tudo, além do que o pessoal fica bravo.
Sobre o tal zap, soube outro dia e fiquei indignada, que crianças de um telhado vizinho, foram informadas do falecimento de um ente querido pelo zap, antes da mãe ou coordenadora falarem com jeitinho #semcomentários.
No mesmo dia da reportagem, em sintonia, recebi por e-mail de uma amiga blogueira, mãe de uma trupe, avó de outra, do tipo moderna e a moda antiga, que estraga e educada, a indicação de leitura de uma crônica que me identifique com algumas partes e nem tanto com outras. Daí, não trouxe trechos pra cá, resolvi garimpar lá e desenvolver a meu modo.
Lápis de tabuada era terminantemente proibido e uns com bandeirinhas, se bandeiras e países fossem o assunto de geografia, também. Vale pontuar, que nenhum pai ia lá reivindicar a liberdade do aluno. Os exercícios preparados no mimeógrafo as vezes vinham ilegíveis e ao meu olfato, sempre cheirando a escola, eu adorava. Para tirar dúvidas dessas falhas de impressão ou qualquer outra, o colega ao lado, o mais esperto e a professora.
Muitas conversas paralelas, eu era frequentemente trocada de lugar por conta disso e o assunto não era só a tarefa, falávamos de tudo com os que ali estavam, as vezes em grupinhos em que éramos adicionados, outros formávamos e também circulávamos por alguns com poucas identificações.
Tudo olho no olho ou escrito em bilhetes, nos questionários escritos repetidas vezes por alguém da sala com perguntas de comportamentos e gostos (tipo os testes da Revista Capricho). Recadinhos  (e colas ou pesca como se chama aqui) na borracha. Nada que fizesse barulho ou envolvesse mais (para que mais?) do que aqueles seres ali presentes. E as histórias ali vividas eram assunto com a turma da rua na hora de descer, com os colegas das outras classes no pátio, na ida pra casa e algumas coisas era tipo o que acontece em Vegas ( fica em Vegas). 
Sou do tempo do quadro negro que era verde e do giz branco (enfileirados em caixas de papelão os novinhos e usados até o cotoco), passado um tempo apareceram professoras e seus gizes coloridos e também uns antialérgicos. No Cursinho pré-vestibular conheci a lousa branca que se escreve com Piloto (marcador). Ai nas escolas de filho e num breve período que lecionei na alfabetização, fui apresentada a lousa digital, tão sem poesia, tão cheia de necessidades de enquadramento, eletricidade, acessórios, pré preparação, tão se sentindo mais espertas e com equipamentos melhores as crianças diante delas e dos professores.
Quadro negro era coisa de professor e a criança tinha um certo respeito e encantamento. Algumas pediam como presente para brincar de ser pró. Acho que um quadro de giz hoje seria capaz de manter as crianças vidradas nas explicações, pelo tão diferente e simples que é.
Só tive cadernos de espiral no segundo grau (com rima sem querer). Usei nas primeiras séries uns que se chamava: de brochura, colados por dentro (tinha uns mais populares grampeados e outros costurados). O chique e resistente se chamava Caderflex e cada matéria era em um, com a capa de uma cor.
Os de espiral eu lembro que desencadernava com tempo e paciência que sobravam e forrava a capa. Capas muitos iguais as de todo mundo eu achava ou não tinha muita escolha nas capas dos cadernos do camelô. Forrava também para reforçar, capa dura foi luxo no segundo grau, que o namorado hoje marido me deu alguns e na faculdade. Nos capas moles, eu colava um papel duro sobre a capa ou passava pra lá e pra cá fita durex sobre os furinhos e depois furava com algum objeto. Forrava e enchia de adesivos, recortes, cobertos de papel contact os recortes ou toda a capa.
E se fazia bolhas, furava com uma agulha as malditas e passava o dedo até o ar sair. Espiralava o bonito de novo e tirava onda. Dentro, meus cadernos eram disputados para tirar cópia, pela organização, por não faltar nada, pelos desenhos das aulas de biologia (zero de humildade essa minha declaração).
Apontador, o melhor era um de metal. Os de depósito super novidade, retangulares ou em formas de morango, capacete e tal, tiraram a ida a lixeira para esticar as pernas, procurar conversa, desfilar. E nada de assoprar o apontador se uma ponta ou as lasquinhas de madeira do lápis ficassem pressas, se soprasse cegava, eu não tinha como pesquisar essa informação no Google, obedecia (as vezes não).
Usei muito borracha cheirosa também e da branca comum no fundo dos lápis, a branca pequena, a verde retangular grande e a para lápis e caneta que a parte para caneta rasgava mais o papel que apagava.
Caneta Bic, quatro cores, Paper Mate e calculadora era ostentação e modernidade de ponta. Eu tive todas e as quatro cores tive umas paraguaias ou orientais de sei lá quantas cores que meia dúzia funcionava). Tive Play (que tinha borracha na tampa), Bic comum, Kilométrica (a caneta simpática por um preço milimétrico).
Lápis sempre foi uma paixão, para rabiscos e coleção. Eu adorava uns lápis que tinham pontas presas a pecinhas plásticas que tirávamos e colocávamos umas atrás das outras (essa descrição para os jovens antenados e sabichões é como quando nos explicam coisas que nem de longe conseguimos visualizar). Tive umas que me mandavam os parentes da Espanha, com botões, enfeites na ponta.
Tive diversos estojos: de madeira, de lona, de lata, tive aqueles importados que abriam pra todo lado e que quando emperravam lá se ia o diário no quadro que hoje tá no site ou é fotografado.
Daqui a pouco as crianças não vão mais escrever e vai acabar isso de assinar o nome, de letra cursiva. Vai ser tudo digital, sem impressão pessoal, sem coordenação motora, sem respeito e gratidão aos professores.
Nada de ir a escola, sem caixa de areia, sem areia prateada, sem massa de modelar, sem questões abertas, tudo de marcar ou de clicar. E da escola ficará a memória do celular, tablet ou note (que estarão jogados num canto qualquer, desatualizados, descarregados, pifados). Como Toquinho pediu para não fazermos com nossos cadernos e eu levo a sério. Desde o be-a-bá, rabiscos, recados, cartas, até hoje, um sol me sorri num papel.
Papel ofício, metro, tinta guache, lápis cera, papel crepon para fazer fantasias, babados em volta de cartolinas. Papel camurça, papel seda para embalar chocolate na páscoa e dar aos colegas com bilhetinho escrito a mão. Urgente! Ideal! De ontem, para sempre.
Nada de celular na sala de aula, de estudar com celular do lado, de ficar ansioso e viciado em jogos e grupos virtuais. Aqui nem som, nem tv é permitido na hora de fazer dever e não adianta ser maior que eu e falar grosso. Isso é do seu tempo ouço muito e respondo e sigo com a ladainha que ouvi de minha avó e mãe, quando você tiver sua casa, seu filho...

25 de março de 2015

#pfv #porcrescereaparecer

Eu se não falar morro como diz meu marido. Tão entalada que resolvi postar a noite. O assunto é Instagram, legendas, likes e comentários, que virão para cá em outros posts já programados (amanhã o zap vai puxar a prosa), pois as redes sociais e os comportamentos antissociais é assunto recorrente em todo canto.
Aqui em casa tenho um adolescente, na casa da cunhada outro, nas margens deles tantos outros, na casa de amigos e blogueiras vizinhas tem alguns de quem sei e vejo posts e comportamentos do tipo adolescentes, já fui adolescente e apesar da memória ruim para algumas coisas, lembro bem, que se não há com o que se aborrecer, se inventa, é uma rebeldia latente, com espaço de sobra em uns e diminuto em outros para leveza, afagos, humor, delicadezas e afins.
E eis que estou quase cortando os adolescentes por idade cronológica e os por idade mental e/ou comportamental de meus perfis. Tem uma de não é blog o Insta, nem Face, não é para comentar é só para curtir. No estilo bater roupa e boca de lavadeiras: Tá escrito onde para que é? Onde estão as regras de uso? Se não fosse para comentar não tinha a opção, é uma OPÇÃO, dar like ou não, comentar ou não, recomendar ou não #seliga #copiou #helooou #capitãoóbvio #nãosabebrincarnãodesceproplay.
Não quer comentar, okay, mas receber comentários e apagar é tipo assim falta de educação, é ser ouriço, ser esquisito no sentido feio da palavra. E isso de querer ser pop, famosinho, querer se fazer de o popular, a sexy é da vontade de alguns, tudo bem, mas tem limites também, tem o tom do ridículo e tem quem tenha quem alerte e ignora.
Ditar normas ao uso que eu faço do meu Instagram ou blog ou Face é algo fora da casinha #desculpatá e #nãodápraser. Eu não digo aos ditos adolescentes o quando é ridículo pedir likes, sdv (seguir de volta) nem peço like ou comentários nas fotos que marco eles, não ligo se não comentam, sabendo são gestos de carinho, faço o que sinto e minha parte, cabe a cada um a sua. Já é adolescente para ser livre querer isso e aquilo, é para ser maduro, sociável. 
Não posto, nem comento nada do tipo brega ou vergonhoso, porque tenho noção. E é por essas e outras que desejo, que nem o Vampiro Brasileiro, uma vingança maligna de que tenham esses cheios de ses, uma namorada, amiga, tia sem noção, tipo noção menos cinco. Surgida sei lá de onde, que a avó faça perfil, o pai e ainda que apaguem os comentários, repostem mil vezes e marquem todos os colegas, que publiquem fotos da infância nus ou vestidinhos de fantasias e roupinhas micosas para parar de serem #chatos #ouriços #semnoçãoachandoqueosoutrossão.
E aos adolescentes que tem educação, moderação, filtro, doçura, que respondem, agradecem, não apagam, não tem frescuras e regrinhas e normas #xatas, meu abraço, com pulinhos, selfie, poema e letra de música copiada e colada, carinhas, corações e emoções, porque se comentei ou se só curti o importante é que emoções senti, dividi, colhi e como meu insta é meu, faço o que quero e como quero, inclusive #desprezo pra vê se crescem. E tenho dito!

Tipo assim

Ilustração by Swanbones
Eu não sei se penso demais, observo demais, tenho senso crítico demais ou talvez seja poesia demais o que tenho e não tem cura, sei é que o coletivo está bem raso e não raciocina mais, não sente, não é coletivo.
Diziam nossos avós com a tal sabedoria popular (que anda meio emburrecida e renegada), que quando a cabeça não pensa o corpo padece. Nos dias atuais em que muitas cabeças não pensam e não tem filtro, as amizades, amores, corações, ações, andam padecendo e se empobrecendo.
Todo mundo com formações de grupinhos distintos que não se misturam, ou isolados nos seus quadrados, com práticas, linguagem e tratamentos rígidos que não cabem em contextos distintos.
É viral e congênita também a falta ou distorção de prioridades, penso que seja por não se saber para onde ir, por não valorizar as pessoas, as relações, por as vezes nem saber o que gosta, o que deseja, por mudar os quereres e gostares com facilidade. Se é longe, se a maioria não acha legal ou muda de ideia, se expõem fraquezas, não obrigada.
E assim é comum o uso de máscaras e aposta que tudo vai dar certo em alguma esquina, como que por milagre, pelo qual vale pontuar não se reza, além do não fazer por onde. Ouvidos, olhos, dedos cheios de informações, demandas, cliques, assuntos, possibilidades, amar, curtir. A vida na porta cobrando atitudes e geral empurrando com a barriga, ao sabor do tempo, das circunstâncias, conectados e desconectados com a realidade e demandas que fazem a roda girar. Responsabilidade é chato demais acham os adolescentes, nem imaginam as crianças, tem se encostando a esse muro os adultos, sem lembrar que a falta dela não aquece os pés nos dias frios, não faz ter comida em casa no inverno de cigarras e formigas.
E nessa, tá uma parcela significativa do mundo achando que está fazendo o necessário, se achando guerreiros, tri atletas, poderosos e na real vive-se em cordas bambas, fazendo malabarismo, sem a poesia do circo, deleta-se culpas ou noites mal dormidas, se ocupando e fugindo de se auto avaliar de refazer, de parar, de não maquiar ou fugir dos sofrimentos, porque, como uma das frases do pop e contemporâneo livro filme: A culpa é das estrelas, a dor precisa ser sentida. Chorar faz bem, como diziam os antigos. Muita alegria, sucesso, beleza, nada de coração na boca, frio na barriga, de sentimentalismo barato ou caro, de dar a cara a tapa, de se envolver. Para que tá feio!

24 de março de 2015

Bonecas da Anacardia Atelier
Frida Kahlo é um rosto muito usado em camisetas, quadros, tem quem acha o máximo e não sabe quem é. A mexicana color era a frente do seu tempo, intensa, passou por muitos sofrimentos, viveu e pintou com paixão e realismo. Denominada de Surrealista, foi taxativa: "Nunca fui! Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade".
Fez muitos auto-retratos onde revelava suas angústias, vivências, seu amor pelo marido (também pintor e famoso), Diego Rivera. Foi contemporânea de ninguém menos que Pablo Picasso e tantas outros detalhes e histórias que a fizeram ser um ícone feminino e artístico.
Aqui em casa tem um paliteiro, tipo pedaço de melancia, que veio do Museo Frida Kahlo no México, trazido para mim pelo meu irmão, que aniversaria hoje e como só vem aqui petiscar quando em vez, dividi o post para ele, com ela. Honra é pouco, nem há o que reclamar.
De característico no seu pop auto-retrato, destaque para suas sobrancelhas largas e unidas, cabelo negros presos, adornos florais na cabeça, acessórios e vestimentas coloridas, misturando estampas e texturas. Estou inclusive produzindo uma arteirice com o rosto de Frida e quando tiver pronto, fotografo e trago para cá. Para o post escolhi essas bonecas que adorei e garimpei pelo jardim do Pinterest, que representam eu e minhas irmãs, fãs do irmão, que pertubam além de colorir a vida dele e vice, versa e versos. Eu sou a emília, elegi Kátia como a Frida e Susana é a outra, que não sei quem a personagem.
Artesanias, alegrias, família, viagens, arte, cultura, pão e circo para nós e nossos círculos. Inté e axé!

23 de março de 2015

Dos lugares que me encantam

Vários são os lugares que me encantam, dos que fui, ando, nunca pisei, porque sou de encantamentos bobos. Tipo vejo arco-íris a nada menos que 39 anos vai fazer agora em abril (Oh Lord!) e sempre que vejo um me encanto.
Mas o lugar de hoje, que já veio para cá em uma das minhas idas a Sampa e na minha ida recente a Chapada, é a feira. Fui em fevereiro em umas das mais populares daqui de Salvador que passou por longa reforma e que tá todo mundo elogiando e adorando, mas eu não gostei. Vou explicar!
É que nem circo, acho o máximo o Circo de Soleil mas não é ciiirco para mim, é um teatro, um espetáculo tipo show. Circo com sensações e vivências circenses para mim são os do tipo mambembe, de família de malabares e palhaços, de lona que viajou muito, cheia de remendos e histórias. Então, fazendo esse paralelo, a tal feira virou shopping, tudo muito arrumado e padronizado, sem os cestos de vime, gritos de: É época de serigueeela freguesa! Com fila para pagar o estacionamento na saída, por um valor que dava antes para algo mais, restaurantes frozôs e não barracas com mesas plásticas. Uma feira sem identidade local, característica desses espaços para mim e penso que para turistas também.
Até quem andava por lá parecia ter sido escolhido, gente simples, com sacolas de feira daquelas listras de náilon, de lona ou de tecido, feitas de remendos das calças jeans dos meninos que crescem e a calça vira bermuda porque fica pescando ou das saias das meninas que crescem e as saias ainda cabem, mas diminuem não automaticamente, mas por gosto. Nada de moços com cara de pescadores que foram levar o peixe para banca de pescados, floristas de chinelo e camiseta suja de terra.
Enfim e continuando, vou ter que quando quiser além das coisas de feira (que agora vale pontuar parecem ter mais e estarem mais organizadas) ir na outra grande feira daqui para ver o movimento e os traços populares típicos de feira rua. Sem seções, padrões e normas como um mercado ou loja. Gosto de feira com papo, de poder mexer aqui e ali, de valores e quantidades negociáveis, com unidades e recipientes de medida que variam de lata de óleo a pá, bacia, saco, quilo, dúzia, penca, pacote.
Gosto da boa e velha prova sem lavar, que se não mata engorda, tem quem diga até tempera. Do chamar de mexerica o que outro chama de pocã, o outro de tangerina e todo mundo se entende ou não. Em feira que se preze, dentro de meus padrões, tem caqui machucado com preço convidativo e a teoria de que estômago não é prateleira, tem o caldo de cana que já vem com chorinho ou que você dá o último gole e o moço despeja o resto de dentro de uma jarra plástica que parece ter sido herdado da bisavó no seu copo com um sorriso que diz lembre disso e volte. Tem os cheiros e a sensação de que ali é lugar de comida de verdade, sem códigos de barras, de memórias afetivas de lanches, pratos, pessoas, com planos de fazer uma nova receita ou aquela velha que nunca mais fizemos e lá vamos nós atrás dos ingredientes sem marca, sem data de validade, uns que só tem naquela barraquinha.
Para mim cesta de vime e feira são coisas inseparáveis e para alguns hoje em dia ir a feira é uma realidade tão distante quanto ir a Marte, em tempos de supermercados gigantes e 24 horas, compras entregues em casa, soa tão antigo, arcaico.
Gosto porque gente abastada não ganha, perde se fizer pose em feiras de rua, carro não tem prioridade quando é dia de feira e se nos mercados tem padrões, portões e prateleiras, na feira popular tem jornal no chão, fruta direto do caixote, isopor remendado de fita crepe, improviso, criatividade. Tem um certo desconforto é fato, uma faltinha de higiene aqui e outra ali que assusta as pessoas a vácuo e ar condicionadas e é ai, além da poesia e do popular que a feira tem um que de educar, de humanizar, de senso de coletividade, cooperação e um detalhe muito importante que adoro, respeito e valor da individualidade. Se você é frequentador te chamam pelo seu nome e você chama o pessoal pelo nome, se não é alguém vai te perguntar seu nome, e sendo freguês te perguntam da gripe da semana passada, reparam se você pinta ou corta o cabelo, sabem até o que você gosta, reservam sem você nem ter pedido, sem ter seu zap para te perguntar se você quer ou vai lá. Em feira popular a gente não é o consumidor, não é genérico, não entra e sai sem ganhar um (geralmente vários) bom dia, volte sempre, vá com Deus. Simples, saudável e agregador.

22 de março de 2015

Momento túnel do tempo

Dia de tv para mim era domingo lá nos idos da infância e adolescência. Assistia os programas de Silvio Santos , os Trapalhões, o Fantástico (com filtro e com medo, lembro que tinha pavor das notícias horrorosas, ainda tenho e evito no nível não me alienar).
Era dia da Zebrinha dos resultados da loteria esportiva. que eu poderia jurar que dava o resultado dos jogos de futebol. Lembrei dela dia desses ao ouvir a expressão coluna do meio, em um contexto completamente casual.
E do baú de memórias não consultadas ou catalogadas com intenção e saber, está a voz, o tom, a imagem da zebra e na minha cabeça que achava que ela falava de futebol (eu e o futebol), a coluna do meio imaginei seria quando o jogo dava empate. Marido me explicou (disso não lembrava nem de longe), que a referência que tenho do quadro com o futebol é porque a loteria era vinculada ao placar dos jogos, como é um dos tipos de jogos de hoje.
Já que viajei no túnel do tempo e adoro fazer isso, sem medo de atestar minha velhice, sou do tempo de tomar Calcigenol para os ossos ficarem fortes, de pular elástico, jogar baleado, virar o lado das havaianas para serem coloridas pois paleta ade cores estava na sola e era limitada, tempo de fazer mecha no cabelo com papel crepon diluído em água, de colocar anticoncepcional no shampoo para o cabelo crescer (quem será que inventou isso?).
Aterrizando em 2015, a escassez e o mau uso da água, notícias no Fantástico e em todos os telejornais, sentida desde sempre pelo sertão e agora pelas grandes capitais, é tragédia anunciada a muito. Em 1992 a data de hoje, 22 de março, foi definida pela ONU como o Dia mundial da água, uma dia para refletir e valorizar esse bem natural e importante em qualquer tempo, civilização.
Águas das nossas memórias afetivas: banhos de balde, de mangueira, de lagoa; da nossa sobrevivência para plantio e cultivo, consumo, higiene. Vital para homens, animais, plantas. Então, água benta, fé, lembranças, racionalidade, esperança, atitudes, comportamentos e escolhas conscientes, porque quem somos e o que fazemos reflete nos outros e no mundo #fato.

21 de março de 2015

Da eficiência na deficiência

Ilustração de Marina Terauds
O depoimento que segue é de Dona Eleide e Seu João, pais de Aline. Ela nasceu com Síndrome de Down e está aqui hoje pelo dia internacional da síndrome e para indicação de leitura do livro escrito por Seu João: A eficiência, na deficiência, que é um regador de olhar o mundo, os outros, nossas deficiências e as dos outros, o quanto podemos ser eficientes. Para fazer refletir o quanto o mundo está carente de simplicidade e o quanto o simples tem valor.
“Todos sabemos dos mais diversos acontecimentos existentes ao redor do mundo. A globalização deixou o mundo pequeno. As boas e as más informações chegam ao nosso conhecimento bem mais rápidas do que nosso pensamento.
As pessoas ditas “normais” correm atrás de riquezas materiais, de prestígio, de figurarem nas estatísticas dos bem sucedidos, dos milionários, dos mandatários, dos artistas e por aí afora. Mal sabem estes que existe um outro mundo dentro desta galáxia que poucos sabem avaliar. Nós sabemos e explicamos porquê. Há quase trinta anos convivemos e vivemos na companhia de uma jovem que nasceu com a síndrome de down. Logo nos primeiros dias da vida, concluímos que não deveríamos esperar que ela entendesse o mundo em que vivemos. As características da síndrome nos fizeram entender isso. E mais, aprendemos que deveríamos ser nós a conhecer o mundo deles. Aprendemos muito. Estamos a aprender e sabemos que ainda nos falta conhecer muitas coisas. Mas fiquemos com o que já conhecemos. Trata-se de um outro mundo; sem guerras, sem maldades, sem ambições desmedidas, sem orgulho, sem vaidades e mais, sem pensamentos voltados para o mal. Entre tantos exemplos, citamos alguns: A nossa filha Aline, bailarina clássica, tem nos levado aos mais diferentes e sofisticados ambientes. Temos ido também a locais humildes, para que todos conheçam o potencial das pessoas consideradas “diferentes”. A Aline apresenta- se para mil pessoas, ou para uma só, com o mesmo entusiasmo; para ela, a primeira ou a última dama de uma sociedade merecem a mesma admiração. Em algumas ocasiões falamos, assim, com ela: - Filha, você vai se apresentar num local importante e muitas pessoas assistirão você. E mais, vai ganhar um bom dinheiro. O que você deseja comprar? Eis a resposta: - Quero comer um salgadinho depois do espetáculo.”

20 de março de 2015

Além do voyeur

Paris um dia eu e você, por hoje, a palavra francesa que faz parte do título do post tem significado e prática viral. Eu particularmente, acho lindo falar francês, até palavrão em francês parece fino, comestível, poético.
Voltando ao voyeur, que é em síntese: gosta de olhar, essa é em grande parte a graça coletiva dos realites shows e de seguir perfis ou assistir a mil programas de culinária e não cozinhar e pior não comer quase de nada.
Tô com esse incômodo fixo, tipo assunto da semana né? Pois é, que nem falar com criança, adolescente, idosos teimosos, uma vez só não sacode a roseira, por isso, ei-me aqui praticando o tentar mudar o mundo, porque creio que muitas vezes, por uma palavra dita, escrita, lida, tudo se transforma.
Curtir e acompanhar e seguir perfis de bandas ou moda e não ir a um show, não sair para exibir os looks que gosta de ver é meio fora da casinha no meu entender, muita gente nem para comprar sai mais, não tem o experimentar, o sentir a textura, o caimento. Vê na internet, clica e pronto, ou vê mil coisas e não compra nenhuma, sai com a blusa e short que tá todo mundo usando e tem meia dúzia iguais. Geral no papel de expectador, de passageiro, carona.
Gosto da identidade, do tato, mão na massa, fazer, provar, curtir com aromas, sabores, calorias, com abraços, beijos, cheiros. E tenho dito e fica a dica e meu brinde a sexta-feira e a vida real. Tim! Tim!

19 de março de 2015

Milho, tradição e fé

Milho das Gerais em dos quintais de Sampa
Porque a roça mora em nós
aqui mais sobre a foto
Já tinha post programado para hoje, mas recebi uma ligação com indicação de um assunto que é o assunto hoje nos interiores aqui da Bahia (e de outros estados), que eu desconhecia. Casei no dia de São José não foi só pela tradição do bom marido eu descobri. Já falei aqui que adoro  galinhas (a elegância, penugem, a ligeirice, o botar ovos, o tagarelar). E não sei se já falei que amo milho. Pode ser assado na brasa, na grelha, cozido, com ou sem manteiga por cima, gosto de suco de milho verde, canjica, bolo. Além da poesia do sabugo, o descascar, os desenhos de milhos com gravatas, corpinho de bolinhas de crepon amarelo, feitas com esmero e graciosamente coladas uma ao lado da outra. Os Senhores Milhos eram o par das Senhoras Laranjas com tranças e chapéu com renda, em tamanho cartolina que enfeitavam as Barracas do Arraiá do Colégio e estavam no primário nas tarefinhas impressas que iam para casa como capa das atividades da segunda unidade escolar, além da tradional venda de rifas para o Concurso da Rainha do Milho. Talvez também eu goste do Visconde de Sabugosa por conta dessa sintonia, além de pela sabedoria.
O assunto da ligação, que divagando deixei para trás, é que para o pessoal da roça hoje é tradição secular, das grandes e importantes, o plantio de milho como início das festas juninas, um ritual de fé, cheiro de terra molhada, da receita do campo e da vida: plantar para colher.
A tradição e devoção ao santo aqui no nordeste começa no raiar do dia, com queimas de fogos e orações para o protetor dos agricultores. Seu dia, antecede a chegada do outono e por isso foi amuito tempo escolhido para o plantio de milho e de feijão. Dia de festa religiosa e popular, com missas, ladainhas, procissões, festejos, danças, comida e bebidas após.
O cultivo é marcado por pedidos de chuva e avós, pais e mães nesse dia levam os filhos pequenos para lavoura ou no fundo de casa para ensinar a plantar grãos de milho. Boa  referência, contação e vivência educacional, para o campo e para cidade, para se fazer no dia de hoje nas salas de aula, para passar na tv, plantar grãos de milho, ter contato tátil com a terra ou semear o tradicional feijão no algodão, tão deixado para trás em tempos de lousas digitais.
E dando uma curta passada, entre uma cavada de terra e outra, três grãos de milho que semeiam e nascem em forma de alimento, de sustento, tradição, de aprendizados diversos. A poesia e alegria, mágica para as crianças de acompanhar os pés de milho brotarem, tão logo, não com o imediatismo e senso de urgência moderno, em média após três dias do plantio.
Viva São José! Viva quem vive na roça! Viva as roças e tradições que vivem em nós! Viva as plantações de milho, as belezas e milagres da natureza! Viva o Nordeste, o sertão, gente boa, trabalhadora, que tem fé, que tem José a guiar, Nossa Senhora a acalentar e os Santos juninos a nos acompanhar no meado do ano, para seguirmos com alegria, festejando e agradecendo todo dia o dom da vida.

Do amar

Vi marido e eu nessa pintura
Nos idos da adolescência
Tão para trás e tão presente entre a gente
A pintura não tem assinatura e não achei a fonte segura
Flores nos caminhos
A dor de espinhos
Luz na escuridão
Brisa boa no calor
Socorro no sufoco
Mão estendidas
Dadas
Abraço acolhedor
Ombro amigo
Colo
Afago
Amor
Na data de hoje, a Igreja Católica comemora o dia de São José, esposo de Maria, que acompanhou  o nascimento do menino Jesus e o criou na infância. Na narrativa de Mateus e de Lucas, José é descrito como um homem trabalhador, responsável e justo. Dizem que era um ótimo carpinteiro, dizem também que qualquer marido a gente pede a Toinho e marido bom a gente pede a São José, não pedi, mas já que ganhei um, casei nesse dia.
Por casais e famílias felizes, que como carpinteiros, construam e reformem seus lares e vidas como a casinha do mais esperto dos três porquinhos. Que sejam celebradas as datas românticas e o cotidiano. Por mais fé, sabedoria, relações saudáveis, correlações nossas com as histórias e vivências de infância, bíblicas, fantasia e realidade. Por vida, doçura e esperança nossa.

18 de março de 2015


"Las cosas de cada día cuentan secretos 
A quienes las saben mirar y escuchar"
Gianni Rodari
Coelhinho de orelhinha em pé
Que não sei quem fez ou fotografou
E que nomeei com um texto:
Da páscoa
Do escutar o coração
Da poesia das coisas simples, histórias, achados e perdidos
Por trás do nome poético
A lembrança de infância 
É que eu tinha um coelhinho branco de pelúcia quando era pequena
Tenho até uma foto com ele
Acho que foi minha madrinha que me deu
Vou procurar o retrato e trazer para cá até o dia da Páscoa
No clima da data 
E na sintonia com o assunto que me fez escolher esse imagem
Doces recordações
Como ganhar ovo todo ano sem falta de meu dindo
E a carinha fofa de meu avó fazendo focinho de coelho
Uma data, uma imagem, uma palavra
Tem sempre tantas e diversas histórias
Gosto disso
E cá estava eu buscando iluminuras para as publicações no blog, quando descubro um poeta italiano, escorpiano, famoso em todo o mundo, até então desconhecido por mim e que de cara virei fã, Gianni Rodari, jornalista, escritor e poeta, especializado em livros de literatura infantil.
Segundo ele: "Uma palavra pode gerar uma história porque consegue pôr em ação flashes de nossa experiência, de nosso vocabulário, fragmentos de nosso inconsciente, pondo em movimento as nossas idéias e ideologias”.  “A brincadeira é essencial, momento em que a criança estabelece relações com os outros e com a realidade social, que traz consigo um sem número de regras que deverão ser seguidas pelo adulto de amanhã”. Esses dois trechos são do livro Gianni Rodari - Uma Pedagogia da Recriação do Mundo, que trouxe para dividir e cutucar o querer ler sobre ele, seus poemas, escritos, suas opiniões, com o desejo de recriação do mundo, com pedagogia e poesia.

17 de março de 2015

Da sabedoria na inocência

Já fiz aqui uma série de postagens de Dicas de leituras, de interpretações e bem querer de alguns livros e histórias como: O pequeno príncipe e Alice, buscando por esse nomes na barra lateral vai aparecer uma lista de publicações.
Desde pequena, gosto do príncipe pequenino do grande clássico e como sempre digo, acho que é uma leitura que deve ser refeita na adolescência, na fase adulta e na velhice, sendo que em cada fase ele e tantos outros livros se recheiam com nossas vivências e mudança de olhar. Alice eu passei a gostar depois de grande.
Eu acho que ao lermos e fecharmos um livro, deixamos coisas nele e ai ao abrirmos está lá as mesmas palavras e ilustrações e o novo visto nas mesmas palavras e ilustrações, o que deixamos, as vezes mudanças, as vezes linearidade, as vezes nenhuma nova percepção e assim após lermos de novo, deixaremos algo novo ou mais de uma coisa nova e assim o livro vai ficando cada vez mais cheio, como que com anotações.
Em nova leitura por exemplo (que é mais de uma vez por fases) o nome Pequeno Príncipe me remete diretamente a uma amiguinho de blog, que o blog leva esse nome e que o amiguinho é um príncipe pequeno e gigante em alegria de viver, em simpatia, beleza, doçura. E esse mesmo amiguinho entrou e se estabeleceu no livrinho Pedro e Tina.
O clássico do principezinho é uma obra que mostra a inversão de valores que o mundo provoca e que a vida adulta tem como armadilhas e ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas. Todos tem preocupações diárias, demandas, buscas e muitos se perdem nesse turbilhão, deixando para trás a criança que foram e que pode ser uma ponte para a solução dos problemas, para um respiro, um suspiro, para sabedoria e prazer da inocência.
Dando as mãos a criança que fomos, as crianças com as quais convivemos e ao reler ou conhecer na fase adulta histórias infantis, damos as mãos a nossa meninice, sentimos o perfume de uma estrela como diria Manoel de Barros, ouvimos a voz de uma raposa, sentimos saudade de uma flor.
O livro é poético e escrito de forma simples e metafórica. O reizinho ou rainhazinha mandona, que muitos de nós nos tornamos ou somos invariavelmente em determinadas situações, é como o rei da história que pensava que todos eram seus súditos e não tinha nenhum amigo perto, como o prático contador, que não tinha tempo para sonhos ou como o geógrafo, que se achava o intelectual e nem mesmo a geografia do seu país conhecia.
A raposa vaidosa por sua vez, com seu jeito raposo, ensina o sentido de amizade e faz o príncipe perceber que o que mais gostava em seu planeta era ver o pôr-do-sol e cuidar de sua rosa e diante dessa simples percepção, que às vezes é invisível aos nossos olhos (que se acham tão atentos), está a valorização do bem-querer e com isso a vivência e a realização mais eficiente e prazerosa do que se tem, se é, do que nos faz felizes.
Já a relação ímpar que o pequeno príncipe tinha com sua rosa, como a que temos com algumas pessoas, lugares, ele se deu conta quando descobriu que as flores são efêmeras, Nós, adolescentes, adultos e muitas crianças sabemos que as pessoas são efêmeras, que nós somos efêmeros, que as coisas são efêmeras, falta o que para darmos mais valor a tudo?

16 de março de 2015

É o que temos para hoje

Dia desses recebi a indicação por zap de uma amiga, "Papo de homem", estranhei um pouco, mas lá fui eu ler e me identificar de cara. Aos que me leem e conhecem, o assunto não era futebol, nem concertar coisas ou ser brava, era alimentação, uma real e divertida (seria mais cômico se não fosse tão real) crítica a nova geração dos mimmis para comer, mulher eu acho tem um certo charme e tal (com limites e nem sempre, eu por exemplo sou de comer podrão, em barraca de feira e finesas em restaurantes gourmets, vale agradecer que o corpo ajuda na não dieta #xôolhogordo (muitos risos). Mas homem com mimimi não dá,  sou desse tempo e do tempo de tantas outras coisas chamadas de demodês que clamo voltem a tona.
Seja nos almoços de família, entre amigos ou de trabalho, tem o que não gosta de suco de laranja, o que nunca comeu beterraba, o que não come nenhum tipo de frutas, os carne ou carboidratos ou proteínas nem pensar, os tipo água com limão e gelo, com uma rodela de laranja, os não bebo comendo e uma infinidade de peculiaridades.
É sério que há crianças e adolescentes que nunca comeram coisas mega comuns, porque os pais não comem, porque intolerâncias além de patológicas estão na moda. Isto tudo, a meu ver deveria ser diagnosticado e tratado como doença.
Na casa de um tio meu onde eu passava férias, tudo que ia para mesa todo mundo tinha que comer, nem que fosse uma colherzinha de cada coisa e só era permitido levantar quando todo mundo terminasse. Deixar comida no prato, nem pensar, isso condicionava a só servia o tanto que iria comer. Deixar no prato em dias de mau humor ou rompantes, o tal prato ia para o forno esperar a próxima refeição. Radicalismos a parte, na minha casa o suco era de limão e pronto, não tinha a pergunta que suco você quer e você e você. Ao meu filho quando pequeno e até hoje, de minha parte, com mimos de mãe para o que ele gosta, nos dias de não gosta ou chatices, a minha frase é a mesma: Hoje você come sem gostar.
Não é necessária a ditadura do comer tudo ou abandono das preferências, mas esse refino exagerado, frescura para dar o nome mais apropriado, o não provar, o não valorizar por muitas vezes o custo e o trabalho em fazer os alimentos. Esse extremo de não tem tal marca, não vou comer, não vou beber , só com tal coisa em tal lugar, está estragando o paladar e a personalidade de muita gente. Vale o não gosto mas como, nunca comi e provo, não gosto mas sei que faz bem, a pessoa fez com todo carinho, é falta de educação recusar, o só tem isso é isso e pronto. Não gosta? coma menos como diz a sabedoria popular.
Sou do tempo de tomar chá para curar de um tudo e quando dizia que não gostava, minha mãe mandava tampar o nariz e mandar para dentro. Tempo de ir de galera para fila do mercado comprar leite importado sabe-se Paes Mendonça de onde e não ter essa de não gostar do sabor ou esmiuçar o rótulo. 

15 de março de 2015

Carol! Carolina!

Foto de Doutora Carolina Maria de Jesus 
Nos idos de 1958 na favela do Canindé
Às margens do rio Tietê
Fonte da foto: Folha Uol
Seguem palavras dela, em "Meu estranho diário"
"O livro me fascina
Eu fui criada no mundo sem orientação materna
Mas os livros guiaram os meus pensamentos
Evitando os abismos que encontramos na vida
Bendita as horas que passei lendo
Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler
Porque o livro é a bussola que ha de orientar o homem no porvir"
Carolina, que conheci em um anúncio na Revista Caras ontem, enquanto esperava no salão, fato que reforça que sempre há cultura e beleza a nos espreitar, uma escritora que tive a honra de conhecer no dia de seu nascimento, que foi em 14 de março de 1914, a cem anos atrás e no mesmo dia em que nasceu Castro Alves, no dia da poesia.
Nasceu em Sacramento, lá nas Minas Gerais, trabalhou ainda menina como lavradora, estudou apenas dois anos no Colégio Allan Kardec, primeiro Colégio Espírita do Brasil e aos 16 anos migrou para São Paulo, trabalhou como doméstica, como catadora de papel e sucata e em 1958, o jornalista Audálio Dantas, numa reportagem sobre a inauguração de um playground no Canindé, favela onde ela morava, se interessou pelos seus 35 cadernos de anotações em forma de diário. 
E o admirado Audálio, teve a audácia de publicar um artigo sobre os cadernos de Carolina e em 1959, trabalhando na revista O Cruzeiro, divulgou trechos dos escritos na revista, já apostando numa publicação que reuniria esses relatos, que veio a se chamar: Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, lançado em 1960, com notável sucesso editorial e seu nome, sua história e referência literária, como muitos tem o descaso da mídia, dos livros, a falta de reconhecimento e celebração.
A obra, segundo pesquisei foi um best seller na época, traduzida para vários idiomas. Uma mulher favelada, negra, de pouca instrução, a cem anos atrás, foi a primeira escritora a revelar os costumes, mazelas e identidade da favela e com todas as dificuldades que teve e discriminações que sofreu, conseguiu através de seus diários, romance e poesia dar um testemunho poético, social, político e cultural, exemplar de cidadania e de falta de fronteiras da escrita e da sabedoria. Apareceu na  tv, deu entrevistas, ganhou prêmios, deixou a favela, recebeu até as chaves da cidade, mas seus próximos livros não tiveram a mesma repercussão do primeiro e logo foi esquecida. Já não era favelada, mas morreu na favela, no barraco de um de seus filhos, fez história. Palmas minhas para ela e minha pequena janela para lhe saudar e fazer conhecer e reconhecer.

14 de março de 2015

Por poesia todo dia

Uma menina na janela
A água que ferve na panela
O passarinho que pousa na varanda
A chuva que o céu nos manda
O garoto que joga futebol
O peixe que escapa do anzol
Todo dia e a toda hora
Ao nosso lado e pelo mundo afora
Onde estamos
E aonde nem sequer imaginamos
Há poesia até no ar
Basta olhar, sentir, reparar
Hoje é dia nacional da poesia, data escolhida por conta do poeta que escolhi para fazer a minha monografia, na mão dele aqui em Salvador, numa praça que leva seu nome, como diz um poema canção, o sol se levanta e a lua se deita.
Não é uma data importada, é nacional, brasileira, não é um feriado, nada enorme, porque a poesia não é coisa de grandezas, é coisa de miudezas, de raiz, de referências afetivas, culturais. 
Salve Castro Alves, Manoel de Barros, Leminski, Alexandre Reis! Salve os poetas ilustres e novos poetas, os que assim não se intitulam ou sabem e são por essência, gente simples, gente que é pura poesia.
Salve a poesia das coisas, a poesia que há nos dias, na natureza, nos sentimentos, nos outros e em nós, basta reparar e vale externar em palavras, desenhos, fotos, gestos, silenciar para ouvir, sentir, processar, despertar a sensibilidade, a rima, o choro, o riso.

13 de março de 2015

Mumúrios, palavrices, sotaques, misturas

Preconceito Linguístico é o nome de um dos livros escritos por Marcos Bagno, que trata de uma forma de discriminação muito presente no Brasil e além fronteiras. Eu, que dou valor aos sotaques pela representatividade social, regional, cultural, pela sonoridade e poesia que representam fiquei de cara dia desses com uma matéria na tv que apresentou a prática (com concordância) da escolha de palavras, desaparecimento de pronúncias diferenciadas e variações linguísticas por situação de status, de imagem. Tipo não falar tu para não ser visto como interiorano, não falar r ou s puxados, não falar determinada palavra para não parecer (sendo) nordestino, se policiar e assim todos falarem sem marcas. Além do surreal da coisa do ponto de vista linguístico em si, penso que é uma perda total de identidade.
Ai na emenda da minha desaprovação a tal matéria, recebi a indicação de leitura de uma resenha desse livro de Marcos Bagno que citei e linkei (e em pesquisa rápida, por outros me interessei, como pelo que ilustra o post) e resolvi remendar, para a linguagem ser do tipo popular, no final de hoje da novela global: Império, que valeu por ter um nordestino no papel principal e outros tantos com apontamento no preconceito, mas pecou pelo excesso de caricatura, com deboche, folclore e tal.
Não precisa o personagem dizer que tem orgulho de ser nordestino, não precisa ser apresentado assim e é preciso sair desse imaginário de que nordestino fala inglês misturado a suas falas quando quer parecer chique ou esperto (eu não conheço nenhum além de outro personagem global de uma outra novela) ou que baiano fala "Meu rei". Falamos um dia, num passado distante, tipo gíria que já mudou mil vezes. Falamos desde sempre oxi, oxenti, vixi e outras tantas palavras e expressões que bem poderiam ser usadas sem circo, sem pontuar. 
A gente tem que aprender a respeitar e se não se encantar deixar passar o jeito de falar das pessoas. Vale e cabe aqui o elogio ao comentarista esportivo global pernambucano, com seu sotaque sem podas ou destaques que segue na comissão de frente, sem mais. Simples assim! Vale ter mais sotaques de todo canto, vai ter Guga, e que ele fale como sempre falou, que hajam outros representantes de outros falares nos telejornais nacionais, novelas, vale muito a variação linguística, é um tesouro, deve ser um orgulho, pois a língua é uma das maiores riquezas de um povo. 
Eu, formada em Letras, tinha como matérias prediletas, Literatura e Linguística, então sou suspeita para falar desse assunto, além do que, sou praticante do falar e escrever com traços da minha raiz (com atenção e cuidados para o entendimento comum) e quem se meter a besta de fazer alguma piadinha ácida ou preconceituosa, rodo a baiana. Falar que acha engraçado sem sarcasmo, comentar, tudo bem, dai eu também comento sobre o modo de falar da pessoa, porque acho mesmo legal ou para em alguns casos dar uma situada que a fala da pessoa também é diferente, para fazer valer e valorizar a mistura.
Esse preconceito primitivo também é presente em relação aos hábitos de cada lugar, a cultura, forma-se e propaga-se esteriótipos que nada agregam e não representam determinado povo, lugar. Eu por exemplo não admito que chamem baiano de preguiçoso, como disse uma vez uma amiga minha, acho até que já contei por aqui, em defesa dos baianos em uma reunião em São Paulo, onde a preguiça foi pontuada como traço comportamental local, que baiano na real é retado, porque acordar de manhã e olhar para os prédios, barulho, movimento de Sampa e ir trabalhar tem toda uma sinergia, mas acordar e ver, ouvir o mar, ver o céu azulzinho e ir trabalhar é que é ser trabalhador. Só mais uma brincadeira para descontrair, com todo meu bem querer a Sampa, é que adoro a clássica tiradinha de Jorge Amado, para o comentário que Preguiça mata. Inveja também! Amado com seu amor a Bahia, sotaques, palavrices, teve e tem admiração e sucesso mundial que só ratifica o valor da língua, da cultura popular, que devemos dar e que quem é de fora dá e respeita se a gente se fizer respeitar.
Olhai a beleza da diversidade linguística! Clica nessa frase exclamativa para ler uma entrevista com o linguista Carlos Alberto Farraco e vamos olhar, ver, valorizar, manter viva a diversidade da nossa língua. Inté e axé!

12 de março de 2015

Iluminura de Rafael Antón
“Penso a história em imagens, como um filme mudo”, disse o ilustrador Rafael Antón, nascido na Galícia e radicado em São Paulo. Ele é o ilustrador do livro Amanhecer Esmeralda, que recomendei aqui por esses dias e que resolveu publicar o seu próprio primeiro livro infantil, no final do ano passado.
Em A incrível história do homem que não sonhava, pela SESI Editora, um homem chamado Mani sai um dia de casa à procura de um sonho. Não era um sonho especial, desses que a gente inventa, ele queria qualquer sonho, pois nunca tinha sonhado, nem dormindo , nem acordado.
“Então, chegou de surpresa um presente inesperado, seu primeiro sonho veio na noite embrulhada”. E ele sonha que o tempo passa um bocado, ele fica amigo de pássaros e no meio de uma das histórias de seu sonho e amizade com os passarinhos, uma tristeza profunda toma conta de Mani, que acorda com seu próprio suspiro. 
Sabe aquela sensação de se foi sonho ou realidade? Será que ele realmente sonhou? Porque ele suspirou? O porquê dele ter suspirado tá no texto do livro, as outras pistas estão nas ilustrações de Antón, um céu roseado e ruas que parecem fazer os carros afundarem ou flutuarem, desenhos que preenchem as páginas e deixam brancos os profundos. Personagens, tons, texturas, palavras, tudo junto e misturado, tudo encantado. Fica a dica, para crianças e para a criança que mora em nós. Eu compro para mim livros infantis e recomendo sempre a beleza das singelas, detalhadas e coloridas ilustrações e o que há nas poucas páginas, entrelinhas, na moral da história, no conteúdo além do número pequeno de páginas, com palavras simples, linguagem universal, valores para todas as idades.

11 de março de 2015

Rimas bentas e vice verso

 
Igreja do Bonfim
Céu da Bahia
Aos meus olhos poesia
Para fazer pareja com o que vim poetizar e resenhar
É que acho que tem umas rezas que são rimadas
Versos que são quase rezas
E eu adoro essa mistura
Adoro fazer esse mix
Porque falar com Deus
Ou com Espíritos
Entidades
Anjos
Não carece de ciência
De cartilha
Pode variar
O que tem que ter é essência
Simples e universal
E tenho dito
E rezado
E tem funcionado
Fica dica
E uma reza minha que já publiquei aqui
E está na minha coleção do Pensador Uol
Cabeça leve coração cheio
Bendita seja a leveza
E o sorriso nosso de cada dia
Um pouco dos outros, das coisas
Muito da gente, sem nós
Pois nós somos espelhos
Guias, parceiros
E herdeiros de nós mesmos

10 de março de 2015

Desejinhos nada básicos

Boneca de Evangelione
Eu tenho as vezes desejos de produtos que não existem no mercado, alguém me entende? Vou explicar, ai se alguém se identificar diz o que deseja pra eu me sentir normal, para acrescentar coisas a minha lista caso goste da ideia (que desejo volte um dia a ter acento). 
No topo da minha lista está: Lata de pêssegos em calda só com a calda, que seria portanto bem baratinha e eu compraria várias e beberia aquela calda que para mim, apresar de adorar os pêssegos é a parte mais gostosa. Podia ter também um potinho só da calda das cerejas em conserva, podia ser do tipo caixinha com canudo e vir com uma água com gás junto. Alguém por favor me apresenta se já existir algum tipo de pasta de café, tipo Nutella.
Lembrei enquanto escrevia que quando vou escolher as polpas de frutas, meu marido só gosta das básicas e eu escolho sempre diversas e fico numa de querer que tivesse de jaca, pinha, caqui.
Ficarei por aqui que está me dando fome isso de ficar dando corda a desejos e produtos inventados e lembrando dos já existentes como bolinhos de chuva que não tem em canto nenhum dessa cidade, nem nenhuma criatura que eu saiba que faça para eu experimentar.

9 de março de 2015

Das importâncias

Normal achar o máximo ter conhecido um cantor, atriz, uma celebridade, eu acho legal também, mas acho o mesmo tanto de legal ou ainda mais, ter conhecido, por exemplo, uma senhora em Mucugê que colhe o algodão e faz linha e faz bordados e tecidos em tear com a linha do algodão que ela colheu.
Tirei foto dia desses com o dono de um boteco aqui perto onde sempre compro feijão para trazer para casa aos domingos, quando tiro folga da cozinha, ou vamos comer lá delicias botequeiras, sempre sério e de poucos agrados, ele é meu amigo e temos que ter fotos com os amigos não é?
Acho o máximo também conhecer um carinha da sinaleira que limpa o vidro do nosso carro, saber que ele tem dois filhos um perfil no Face. Já falei dele e trouxe até foto aqui para o blog, clica aqui para ver, ele fez até a maior pose para tirar o retrato. Uma figura que anda com uma máquina de cartões quebrada, para dizer que aceita e que um dia pediu informação a meu marido para tirar a segunda via da carteira de identidade e por acaso, já a dias ele sem aparecer, estávamos com uma camiseta no carro que compramos para dar a ele e ele mostrou o documento novo e naquele dia era o dia do seu aniversário.
Não ouço ninguém por ai contar essas histórias e se gabar por elas. Ninguém diz por ai que é fã dos garis que mantém as ruas limpas o quanto podem, do jornaleiro, dos bombeiros, gente que faz o nosso dia a dia acontecer, que tem histórias de vida bonitas, interessantes. 

8 de março de 2015

Momento Cinderela

Gosto de teorias, mesmo que não concorde, quando concordo então, me sinto traduzida, entendida. Também gosto de não teorizar, não ter explicação. Arianamente complicado e simples assim!
Dia desses a atriz Ingrid Guimarães teorizou sobre a paixão feminina por sapatos. Uma teoria muito compreensível, coisa de infância, baseada na literatura clássica, o que me deu nada menos que um argumento literal para uma característica fútil: amar sapatos.
Dando uma pausa na teoria de Ingrid pela paixão por sapatos, sou mulherzinha para muitas coisas, acho válido comportamentos, posturas, frescurices, artesanias e particularidades do sexo frágil, forte e multifuncional e ao mesmo tempo me permito ser menino para outras tantas coisas desde pequena.
Puxando um fio dessa matiz, que em pleno século vinte um, no Brasil e em outros tantos países que a Religião não é uma questão, um colégio ou órgão público permitir mulheres de saia e homem de bermuda não, é ridículo e é incompreensível e surreal o argumento comum, se não expresso velado de que o tamanho do vestido da mulher, do short, o decote, o modelo é permissão para assédio ou para a falta de respeito. Não trato alguém bem porque está de paletó, assim como um mendigo não tem que ser ignorado pela sua condição de rua.
Andar de calça e camisa comprida no Rio ou Salvador, social e informalmente, por exemplo, é além de calorento, uma falta de comunicação com o cenário, estar coberta da cabeça ao pés não faz de nenhuma mulher santa, traje elegante não faz de nenhum ogro príncipe.
Gostar de coisa curtas, estar a fim naquele dia, ter ou não corpinho violão, ter gostos por figurinos de 18 com 28 ou 38, não dá direito de ninguém rotular, assediar, tocar, de dizer: Tá procurando! É hora, na verdade já é tarde, de procurar quebrar esses preconceitos e tantos outros que andam de mãos soltas do libera geral.
Sem essa bandeira de desprezar o dia da mulher, ou das paradas gays ou fazer bico para o Dia dos namorados porque é comercial, porque amor é coisa de todo dia ou porque não ter namorado ser a sua volta ou no mundo, mais comum que ter e daí querer fazer emplacar festas para os solteiros no dia. #concorrênciaboba
Para que complicar! É Dia da mulher dia 8 de março e pronto, pra quem ama, feliz dia, quer usar isso de desculpa e sair dando rosas as mulheres de sua vida, mandar mensagens pelo zap, fazer homenagens, legal. Quer se sentir a diva que quer ser copiada? Ok! Não quer nem saber? Vai correr na pela, trabalha, malha, passa o dia falando de borboletas, do céu, não liga a tv e não fica gongando #faltadoquefazer. Estatísticas dizem que 10% dos conflitos são causados por diferenças de opiniões, 90% por falta de respeito a opinião contrária.
Então! Como é comum as mulheres, falei de mil assuntos que partiram de um e vou voltar para os sapatos tá! (Nem sempre volto ao assunto de origem, eu e a torcida do Flamengo ou para ser dentro do tema, eu e as apaixonadas por sapatos).
A culpa de mulheres terem uma relação afetiva com os pisantes é da Cinderela gente! Ela toda preocupada com a roupa, toda uma história em torno do vestido, passarinhos, pedraria, tecido e mais tecido e o que faz a bonita conquistar o príncipe? O sapato!

7 de março de 2015

Bonecas, cenários
Poesia
Arte de uma artesã oriental
Sensacional
Evangelione seu nome
Clica aqui para conhecer mais do trabalho dela
Que virá mais e mais para cá
Com a devida referência e reverência
Além do desejo de ter uma boneca dessa para chamar de minha
A ilustração que cruzou meu caminho e veio parar aqui
É uma de muitas histórias cruzadas
Nome de um filme 
Que assisti duas vezes recentemente
#ficaadica
Um filme com personagens de perfis marcantes
Atuações brilhantes
Retrato da falta de respeito que é antiga e atual
De luta contra preconceitos de cor, de classe
Histórias  comuns
Que retratam a figura feminina e familiar das babás
O poder transformador da escrita
Da leitura
De mais de humano em nós
Então tá tudo dito e eu acredito
Que filmes bons, boas leituras, babás
Que compartilhar o que é bom
Transformam, adornam
Mudaram o mundo no passado
Mudam no presente e para o futuro
Aperitivo de final de semana a reflexão
E a dica de assitir ao filme: Histórias cruzadas
Pelo dia das mulheres amanhã que vai ter post também
Bom sábado
Flores, delicadeza
Força, garra
Sabedoria, beleza
Ser, fazer, acreditar além
Axé!
Amém!

6 de março de 2015

Para mirar

 
 Foto da escada de gradil antigo
Beleza do vermelho e azul
Do piso de tábuas
Arte e cultura além das exposições e oficinas
na Caixa Cultural Salvador

 Fotos de telas da Exposição A magia de Miró

Rabiscos de Miró

Um dos mais renomados artistas da história da arte moderna, o espanhol Joan Miró (1893-1983), elegeu a liberdade como modo de viver e de pintar, desconsiderando fronteiras entre pintura e poesia. Utilizou inúmeras possibilidades de formas, cores, materiais, compondo com estilo próprio, traços característicos, inovações, detalhes, desenhos e telas que exprimiam e desencadeiam interpretações, fantasia, tendências, ou simplesmente incompreensão e contemplação. A possibilidade de conhecer de perto esse universo é a proposta da exposição: A Magia de Miró, que passou aqui por Salvador e conferi lá na Caixa Cultural, uma mostra que reúne desenhos e gravuras do pintor, uma lindeza, para mirar e se encantar.

5 de março de 2015

A história de Manhã

"Amanhecer Esmeralda" é um livro infantil que conta a história de Manhã, uma menina negra e pobre que vive na periferia de uma grande cidade e está sempre desanimada porque sua vida não é fácil. Um conto de fadas moderno que no lugar do sapatinho de cristal, o vestido que muda sua vida para sempre.
O autor através dessa história acredita e aposta no valor da autoestima. Manhã andava sempre encolhida, mal arrumada e um dia ganha de presente de seu professor um vestido esmeralda de presente, ai ela faz tranças no cabelo e descobre sua beleza negra. Uma fonte de identificação para tantas crianças negras, para o resgate da memória de tantas mulheres negras, um ver-se nos personagens, um orgulhar-se de ser uma princesa africana, uma fada crespa, uma heroína de turbante na cabeça. Um convite para crianças e mulheres de outras raças, desejarem ter aquele cabelo, aquela cor de pele.
Parece pouca coisa, mas a partir da estética e da autoconfiança, muito se muda na própria vida e nas vidas alheias. A atitude do professor e da menina, a felicidade, a beleza, o contagiar colegas, pais, vizinhos. Pequenos gestos, intervenções feitas individualmente e em grupo que mudam a realidade de um indivíduo, de uma família, de grupos, do mundo. #fato
O preto e o branco, o marrom e o vermelho, o cinza e o lilás, todos fazem parte do colorido, cada cor com sua beleza, cores que se juntam e formam novas cores,  nas coisas, nos cabelos, na pele. Como disse uma amiga em um comentário de um post que fiz incentivando e listando livros com essa temática, teclas negras e brancas compõe o piano e juntas fazem as melodias. Gente é e tem que ser transparente, na cor e no ser, saber-se, sentir-se em todas as cores.
Vale contar que Manhã existe de verdade, Ferréz, o autor, decidiu escrever o livro depois que soube, por um amigo de uma menina bem pequena que era sua fã e adorava seus textos. Isso muda o mundo!
O autor, segundo pesquisei e que descobri pois esse livro está na lista de leituras da escola de uma de minhas sobrinhas emprestadas do marido, reproduz em palavras o drama das pessoas que vivem na periferia com uma linguagem que se aproxima muito da oralidade. Uma literatura chamada de marginal, que tem uma visão de mundo particular e popular #gosto disso. Não vejo nas margens exclusão, vale a queixa para os usos indevidos de nomes e expressões com significados não muito apropriados, como o caso de programa de índio que resenhei certa vez aqui. Margem para mim é borda, é adorno, poesia (ver aqui).
As ilustrações de Rafa Antón compõem e valorizam ainda mais a história, desenhos cheios de poesia, um ilustrador também autor, que merece um clique aqui, para quem quiser ver mais e saber mais de suas arteirices, eu listei alguns títulos nesse clique para minha leitura e para  regar meus olhos e ilustrar a minha coleção de livros.

4 de março de 2015

De cabeça

Eu sei de cabeça, como se dizia, ou de cor e salteado, como já não se sabe nem mesmo o telefone de casa, os números de telefones fixos e celulares de uma porção de gente, sei os números de meus documentos e os de marido, sei datas de aniversário e preciso confessar com pesar e poesia que nunca sabia ao certo a data de aniversário de meu Dindo, ficava entre o o dia 11 e 13 de agosto e esse ano por desgosto vai ser vista lá do céu, minha imprecisão, com a precisa, carinhosa e eterna lembrança e bem-querer. Confundo também os dias dos aniversários de meu avô e minha avó, um 9, outro 16 de março. De cabeça, por treino, de coração, sem precisar de agenda, avisos sonoros no celular, Face para avisar, coisas das antigas que precisam voltar. E tenho dito!

3 de março de 2015

Ter nomes que gosto são muitos passos para ter minha simpatia, assim como quando não gosto de um, dá trabalho para gostar do dono ou da dona. 
Na sexta passada, fez a passagem um senhorzinho fofo, Seu Antônio, que vivia lá nas Gerais ao lado de sua inseparável e fofa companheira, Dona Sebastiana. Queridos por mim os nomes dos dois, com adornos de meu amar idosos, recheio de serem parentes de pessoas queridas, casal e seu cada qual de quem li histórias, do lado de fora do coração, que me fizeram querer bem ainda mais, ele, Dona Bastiana, a nora, os netos.
Como sempre faço aqui homenagens a escritores e artistas e a pessoas queridas de meu convívio que se vão, achei digno, necessário, valioso do tipo simples e verdadeiro, do tipo que era Seu Tonho e que o mundo precisa que hajam muitos iguais, fazer essa homenagem, tirar meu chapéu e trago para cá de novo um dos dele (clica aqui).
Deixei passar uns dias, pelos sentimentos de sua família que sempre me leem, para deixar ele se acomodar na lida do jardim celestial, processar trocar a terra amada e tão arada pelo ceú azul e infinito, como quem ama é, para dizer tchau sem nunca ter dito oi a ele, com leveza, poesia e piscadinha para o céu.

2 de março de 2015

Muito além da semântica

Racionamento, contenção hídrica, necessidade de rodízio, um problema que vai muito além da semântica como disse no Jornal global da manhã, o jornalista Chico Pinheiro, de quem a propósito gosto muito, assim como do mau humor e críticas inteligentes e ácidas de Diogo Mainardi do Manhattan Connection (adoro esse programa).
Enfim, voltando a água, a falta dela para ser mais precisa, fico de cara com a displicência das pessoas, brasileiro é muito desligado, inconsequente, é impressionante, baiano posso dizer é num grau avançado, gente alegre, guerreira, mas muito provinciana onde tudo desde a moda aos modos demora a chegar e na mesma prática tudo de evoluído demora a  pegar no Brasil. 
A economia do pais na bacarrota, juiz andando por ai com carro apreendido em causa judicial pop, crise de abastecimento de água e a notícia da possibilidade do Whats App ser vetado causa indignação e providencias de mobilidade. Sério isso! Quase loucura!
Pessoas em São Paulo estão tomando banho no trabalho, academia, faculdade, porque não tem água em casa, pessoas de várias classes, idades na grande metrópole passam dias sem água e as grandes empresas sem nenhuma política efetiva de cortes de gastos, o governo com mimimis para como falar que vai racionalizar e o caos se instalando. 
Ai geral por aqui e creio em outros estados dizem: Que drama! ou É em São Paulo isso! Aqui não vai ter isso não, economizo água (e louça para ser lavada a água jorrando e mangueiras abertas enquanto vai ali e volta já que é dali a horas). Aqui tem cordões de lâmpadas, tipo de quermesse acessas o dia inteiro desde o carnaval na ruas. Pode isso? Não pode! Energia é um bem precioso e tem gente sertão a fora que não sabe nem o que é isso. E alguém quer saber disso? Não!
Você se vê tomando banho de caneca não por reviver memórias de infância, mas todo dia, por necessidade, se vê levando shampoo, sabonete e toalha para o trabalho para chegar em casa "limpinho"? Não? Então é melhor acordar ou providenciar ir morar sei lá, na França.