30 de abril de 2015

Ilustrações, escritos e prosas

"Diego não conhecia o mar
O pai, Santiago Kovakloff
Levou-o para que descobrisse o mar
Viajaram para o Sul
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas
Esperando
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia
Depois de muito caminhar
O mar estava na frente de seus olhos
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor
Que o menino ficou mudo de beleza
E quando finalmente conseguiu falar
Tremendo, gaguejando, pediu ao pai: 
- Pai, me ensina a olhar!"
Eduardo Galeano foi quem escreveu esse texto poema 
Em: "O Livro dos abraços"
Título a que me remete de primeira seu nome
Muito lembrado pelo seu lado politizado ele é
Para mim, o lado poeta é seu lado A
Esse ano, por acaso (ou não) eis que passou pelas minhas mãos outro livro seu vindo da Argentina, das mãos de meu irmão, para as de nosso pai, chamado: Palavras andantes e quando vi as páginas ilustradas com xilogravuras lindas, pensei que era nordestino demais para ele, quem dera o cabra galego não tivesse gostado. Gostou! Como não gostar? Vou ter que um para mim providenciar!
Eu, matriculada no dia 15 de abril, para fazer uma Oficina com o ilustrador pernambucano, pop e parceiro de Galeno, J. Borges, ouvi a tv dizer no dia 13 que o poeta foi abraçar e marear o céu. Ai, pensei: Vou fazer a minha primeira xilogravura para ele! Com o auxílio do mestre, bem querer e reverência aos pequenos grandes momentos que ele recomendava valorizássemos (e assim foi, mais ou menos).
Ilustrei quase nada, mas tirei muitas fotos (dia desses trago mais pra cá), cheguei a rabiscar um passarinho numa tábua a mim dada pelo mestre, sentada que nem fosse num ninho, do lado do homem, de canetas, estilete, lápis, óculos e muitas histórias no bolso da camisa, no pulso um relógio que nem o de meu saudoso avô (no bolso de meu avô sempre havia um lenço e um trocado). E essa foi a reverência que fiz aos grandes encontros, danei a prosear, ouvir causos, rir, contemplar a riqueza da simplicidade, a destreza de mãos bordadeiras de madeira, falar que nem a nega do leite e também espiei com encantamento os desenhos, histórias e cavucamentos das madeiras alheias.
Um de seus filhos que por lá estava, não um que se chama Ariano, em homenagem ao outro mestre, que o amigo me contou, esse se chama Pablo, simpatia e talento bem vi é coisa de família ou dá que nem mato nas bandas de Pernambuco.
A Pablo Borges, perguntei coisinhas sobre a arte de xilografar, ouvi instruções e peguei informações para tentar minhas produções em casa, longe do deslumbramento de estar ao lado de seu pai. Ele está todo dia e ainda assim parece saber o quanto é ímpar sua companhia.
Li por ai que em suas garimpagens de histórias, o amigo Eduardo dizia ter ouvido de tudo e o que de melhor ouviu, transformou em livros, onde no geral lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. A memória viva para ele e para mim nasce a cada dia, delicada, doce ou amarga, talhada na madeira, numa tela, papel, teclado, em nós, variada e invariavelmente como a própria vida.
José Francisco Borges, artista popular, mestre artesão é um mestre de simplicidade e simpatia com seus setenta e nove anos. Nasceu e vive no município de Bezerros, em Pernambuco e sua produção artística é reconhecida regional, nacional e internacionalmente e a partir desse reconhecimento e da divulgação do seu trabalho e de outros artistas, a xilogravura tem ampliado cada dia mais seu potencial comercial e artístico além das revistas de cordel. Arte tradicionalmente associada aos folhetos, popular, que a partir do desenho escavado na madeira e das impressões feitas com tinta prensada entre os cortes e o papel, revela temas da vida e da cultura nordestina, belezas, dores, gracejos, retratos de costumes, personagens, tradições, vivências e o imaginário individual e coletivo.
Arte feita com as mãos e que através das mãos de ninguém menos que J. Borges, tive a oportunidade de aprender um tantinho e de me encantar um tantão. Uma colher de pau ele usa para marcar o desenho no papel, antes de "destacar" da madeira e além de legal, para mim deu mais um bem querer a ir comer acarajé (vou lembrar do ilustrador cordelista artesão quando a baiana remexer na colher de pau gigante a massa do bolinho dos Deuses). É que o mestre antes de fazer cordéis e xilogravuras, fazia colheres de pau, da madeira do jenipapeiro e cada uma tinha um número, de acordo ao tamanho e imprimi na minha mente seus gestos com a mão toda xilografada pelo tempo, de com fazia a cava da colheres.
“Não pode olhar a lua sem calcular a distância
Não pode olhar uma árvore sem calcular a lenha
Não pode olhar um quadro sem calcular o prego
Não pode olhar um cardápio sem olhar as calorias
Não pode olhar um homem sem olhar a vantagem
Não pode olhar uma mulher sem calcular o risco”
Esse é segundo Galeano, um homem de êxito, ou como acham, julgam, se enganam os mortais. Meu êxito nem foi fazer a tal arte, porque não fiz e ainda que tivesse feito, foi está ali ao lado do homem mito, não pelas suas grandezas contábeis e reconhecíveis, mas pela vastidão das suas ricas miudezas. Seu Borges, escreve, edita, ilustra, xilografa, publica, vende, é artista, editora, gráfica. E quem quiser um exemplar em casa de uma de suas produções não precisa ter grana, nem precisa ir numa galeria. Basta desembolsar uns trocados num cordel ou por poucos reais leva um objeto com uma de suas obras para casa, as mesmas que ocupam paredes de importantes museus e que custam fábulas em galerias.
Vale visitar (eu cá já me bulindo para ir em Pernambuco) sua oficina, a 100 quilômetros do Recife. Garanto a quem for, que é certo além de madeiras talhadas e uma ruma de cordel, que terá de brinde uma prosa das boas, entre o mar e o sertão, entre rimas e ilustrações, entre a genialidade e a simplicidade. E assim encerro esse mês de abril, com o registro e compartilhamento dessa minha vivência. Até 2016 abril meu! Obrigada Deus!

29 de abril de 2015

Ao grande Abu

Quando vi ontem a notícia da morte do ator, diretor e apresentador Antônio Abujamraescrevi para meu marido pelo zap, que está em viagem sem muito acompanhar as notícias: Se foi Ravengar! Como estava programado o contar de um papo também pelo zap com uma amiga, resolvi com ele o dia começar e duas vezes hoje postar.
Assistimos, marido e eu, e adoramos a novela "Que rei sou eu?", de personagens marcantes, crítica política, história, humor, figurinos e cenários de pura arte e até revemos dia desses uma reprise, com especial atenção as cenas com Ravengar e com o Rei paspalhão, num canal pago. Além do bruxo de atuação ímpar, muito ímpar são (foram e então sempre serão) suas entrevistas e intervenções no programa "Provocações", que ele comandava na TV Cultura.
O que é a vida? Ele perguntava para encerrar semanalmente suas entrevistas e se a resposta do entrevistado não o convencesse, ele repetia tipo eco, até sentir-se satisfeito: "O que é a vida?" 
"Como é que você gostaria de morrer?", "Quais são seus males?", "Que pergunta você gostaria que eu tivesse feito e eu não fiz?" eram perguntas clássicas dele para investigar a personalidade de seus convidados. E tomando emprestado sua comparação, como uma Medeia, ele entrevistou personalidades diversas como Paulo Autran, Mario Prata, Maria Adelaide Amaral, Clodovil e Laura Cardoso. 
E além de todo esse currículo, da sua imagem marcante e voz imponente, o terreno, na verdade o tablado onde ele mais brilhou e fez semeadura, brotos, raízes é um espaço tão menos valorizado que deveria, tão rico e tão marginalizado em nossos país: o teatro. Digo isso porque adoro ir ao teatro, tanto pelos espetáculos sejam encenados ou musicais, quanto pela poesia do lugar, pela magia, simbologias. Fiz teatro, eu diria que mambembe, na infância e adolescência, nas montagens da minha Tia Nélia, nas da Escola e caseiras, fui Branca de Neve, figurante, Flor do livro O planeta lilás e muito mais. 
Declamo e reclamo porque amo, porque as peças são sempre muito rasas e repetitivas por aqui, eis um dos meus bem quereres por Sampa, são também de pouca temporada e concorridas as  mais aclamadas. Hamlet, por exemplo, a anos passados com atuação do meu conterrâneo Wagner Moura, foi em dias contados nos dedos e além disso, poucos amigos eu tenho, conhecidos serviriam, que queriam ir comigo.
E ainda tenho mais queixa, é que pensando em colocar meu filho para fazer teatro e desatar nós, abrir cortinas para vida e remexer na coxia de suas travas, me deparei com o fato de só haverem espaços com pouca ou nenhuma gestão, caindo aos pedaços ou acessíveis a quem for da área, a determinadas faixas etárias e muitos outros detalhes, perfis rotulados, qualidade questionável do ponto de vista comportamental, pergunto: Sabendo ser recomendado teatro para tantos bens, não haveria de ter, nem que fosse com interesse comercial, mais espaços para tal? Acho que merecia com tantos talentos, tanta cultura popular e abertura global, tanta criatividade, serem nossos teatros palcos de grandes públicos, mais bem cuidados, mais numerosos, com filas como na Broadway.
Fundou e conduziu companhias, peças, atores, propostas, lutas e na sua partida, para mim um detalhe cresceu diante de sua grandeza e codinome miúdo, além do profissional, intelectual, da pessoa que foi pelos depoimentos que deram seus amigos e colegas de trabalho. O alumiar tipo ouro, tendo não por acaso o mago nascido em Ourinhos, foi a declaração de seu filho, de que o pai andava triste a dois anos por conta da partida de sua companheira de décadas. Tão raro companheiros de décadas, tão mais comum após menos de ano já estarem em pares refeitos as pessoas, após a morte ou separação dos companheiros. Tão romântico se entristecer e padecer pela perda de um bem querer, tão humano, tão do coração é e por isso, ou ironia, afinal o teatro é esse misto de comédia e tragédia, drama e luzes, que foi o coração que o levou e nele ele permanecerá entre os seus, próximos e fãs. Foi estrela e estrela será a brilhar do infinito.

Só 8 que amei infinito

Ilustração garimpada na web
Que não havia autoria
Nomeei de: Das infinidades
Uma amiga minha, me contou ontem, que quando estava dando aula para crianças do Centro que frequenta, sobre os 10 mandamentos e no final, uma criança chamou ela e disse: Tia, dos dez eu só sigo oito. O de falar o nome de Deus em vão não sigo, porque quando eu jogo videogame eu falo: Ai meu Deus! Me ajuda Deus! Obrigada Deus! E também não sigo o que fala para não adorar outros Deuses, porque eu adoro Zeus e os outros dos filmes.
Como não amar? Como não dizer que é divina uma criaturinha dessas? Para que falar em regras, dogmas, imposições. Que nem a canção, eu quero assim criança sempre perto de mim e a minha, de dentro, sempre presente, contestadora, esperta e pura, quero morrer me chocando com coisas que a maioria acha normal ou já se acostumou, colocando bordas e novos recheios nas coisas, me surpreendendo, sorrindo quando vejo um arco-íris como se nunca tivesse visto um, achando normal acreditar em Deus, Iemanjá, Espírito do Natal, Fadas, ensinamentos de Buda, tudo junto. 
Para sempre quero continuar me encantando com histórias inventadas e reais, prestando atenção no que os outros falam, no dito e nas entrelinhas, porque como diz um dos muitos ensinamentos bíblicos: "Quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro, que de Paulo". 
Adoro colecionar e internalizar para compartilhar, refletir, praticar o que há em frases ditas por grandes mestres, bem como pérolas ditas por crianças, idosos, pessoas comuns. E penso que a gente nunca erra quando faz do bem e da paz nosso cartaz. Infinidades de possibilidades, fé, bem querer, partilha e alegrias a quem aqui hoje vier e a todos que forem de paz e bem. Amém!

28 de abril de 2015

Dos unguentos

Hoje eu trouxe um texto publicado no Blog Lado de fora do coração, escrito por Ana Paula Amaral. Porque adoro a palavrinha já em desuso, dos tempos de usar trema e porque não aguento certos temas e excessos, falei até aqui um pouco sobre radicalismo semana passada, que é um tipo de excesso. Como diz o ditado: "Tudo demais é sobra."
"Você sabe o que significa o termo "desregulação do temperamento com disforia? Não? Até o final do texto você vai saber. Ando com saudade de um tempo, em que eu menina de braços dados, enlaçados com minha mãe pelas ruas, encontrávamos algum conhecido e logo depois do "Bom dia! como vai?",  vinha a lamentação: "Ih! Tô como uma dor nos quarto! Dei um jeito nas ancas! Uma dor na batata da perna, uma dor no pé da barriga, nem tô podendo virar o pescoço". Achava chato aquelas pessoas que viviam a se queixar.
Mas, bastava um emplastro Sabiá na anca direita, um pano amarrado com breu moído com gema de ovo ou uma cânfora no pescoço e já dava para ir levando a vida como Deus quer. E o tempo amarelou folhas, trouxe chuvas de verão, cruzeiro, cruzado, real. E os quartos, as ancas, os jeitos, foram deixando de existir para entrar em cena as doenças dos comportamentos humanos.
Os comportamentos humanos estão sendo transformados em patológicos em seus mínimos detalhes. "Os psicodiagnósticos alcançaram um nível tão elevado, que hoje em dia as pessoas saudáveis estão quase extintas" (Dann Toledo). Parece que estamos vivendo um tempo onde procuramos cada vez mais justificativas para o que antes poderia apenas ser adjetivos de um ser humano fechado, introspectivo, tímido, alegre ou expansivo. Esquecemos os adjetivos das análises morfológicas e os transformamos em sujeitos com transtornos. Ah! Desregulação do temperamento com disforia é birra." Controle das birras então, dos excessos e vamos que vamos!

27 de abril de 2015

De missi

Missi é como chamo grampo de cabelo, que deve ter outros tantos nomes por ai. Venho algumas vezes, com vários deles no cabelo do salão, quando resolvo querer cachos nas minhas escorridas madeixas (fossem cacheadas teria querer de alisar #mulheres).
Subo uma considerável ladeira a pé no estilo Dona Florinda, para diferenciar, venho de óculos escuros (muitos risos), passo na padaria e se marido vai me buscar eu faço carão de a bonita e para os olhares alheios, total descaso, como diz quem não tem papas na língua #eu, ninguém paga minhas contas.
Da última vez a moça colocou grampos dourados longos e lindos e lembrei que usei muitos dos curtinhos e pretos comuns em penteados para ir pra escola. Sem camuflar, a mostra, as vezes um cruzado sobre outro para não deslizar e desfazer o coque ou voltinhas laterais. Esse estilo cruzado, feito por minha avó em dias de poucos amigos, rendiam achar que os missis estavam lá após tirar. Usei também muitos laços de fitas, dessas que vendem em armarinhos e que se enfeita presentes, dos presentes inclusive e também, pedaços de elástico cortados de uma peça inteira sempre presente na máquina de costura ou caixas de aviamentos de minha avó e mãe, usava feito aro, amarradinho na ponta, sem enfeites e como se diz por aqui, tirando onda.

26 de abril de 2015

Altruísmo & Solidariedade

Ilustração que desconheço o(a) artista
Nomeei de super ou nem tanto
A palavra "altruísmo" foi usada em 1831, pelo filósofo francês Augusto Comte, para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros.
O altruísmo é primo da solidariedade, da generosidade e primo da empatia. São lineares quanto ao conceito, mas há diferenças. O  altruísmo é uma ação em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou prejuízo para si próprio, perde-se tempo, dinheiro, princípios, ou qualquer outra coisa em prol do outro e muito por conta desse detalhe, embora tenha importância social, é uma ação mais pessoal.
A solar solidariedade, é um conceito baseado no sentimento coletivo de unidade, que não requer envolvimento pessoal e não requer necessariamente atitude, é um traço de personalidade, um conjunto de práticas, de comportamentos, sentimentos.
Todos esses termos com usos diferentes e pouco praticados, independente das diferenças semânticas #mudamomundo. Atitude é com certeza uma ferramenta transformadora, assim como não agir, se comedir são boas ferramentas. Fazer de coração, fazer por meta também tem seu valor, porque não. Orar, vibrar, contestar, tudo tem seu valor é poder, eu acho.
Ser altruísta, solidário, generoso, com ou sem cartaz, em gestos voluntários, individuais ou coletivos.  Fazer o bem sem olhar a quem ou olhando no olho, escolhendo a dedo, por afinidade, necessidade nossa ou do outro, porque sim. Enfim! Domingo de agito ou descanso, atitudes ou contemplação, que seja bom.

24 de abril de 2015

Tá com tempo?

A pergunta é porque o texto é longo e também para explicar aos radicais, com a oratória de um mestre, quem é cada um nesse lugarzinho chamado mundo em que vivemos. Eu trouxe a pergunta, o texto que finaliza a postagem e a prosa que recheia para cá hoje, porque sou avessa a radicalismos, seja qualquer que seja, nada sem flexibilidade, nada, talvez alguma coisa qualquer, para não ser radical, tem valor se for levada ao extremo.
Tá em muitos blogs que sigo burburinhos e propostas de deixar livros por ai, que para muitos é abandonar, com o pesar embutido de não deixar num lugar que possa chover sujar, que a depender de onde for deixado o livro possa ser largado lá e ir parar no lixo pela temática (há preconceitos literários, religiosos e tantos outros quanto a leitura #fato). Há o temor que o livro possar virar material reciclável e não ser lido e outras argumentações que compensam o dividir leituras, fazendo doações a bibliotecas ou centros comunitários, repassando os livros a amigos que se mostram interessados e por ai lá vai. Qualquer dessas práticas são válidas, são incentivo a leitura, são desapego, partilha.
Não vou participar de nenhum Book Crossing esse ano, talvez participasse se o nome fosse nacionalizado (risos), se der na telha participo ano que vem, já até deixei uns livros num carrinho no aeroporto certa vez, fiz até etiqueta com a proposta de livros livres, explicando qual era a intenção, criei um e-mail para a pessoa ou as pessoas trocarem ideia sobre o livro, sobre o momento do achar e libertar, mas nenhum contato foi feito. Era uma possibilidade com a qual eu já contava e a mais esperada. Que tenha ilustrado, mudado a vida de alguém, para mim já valeu, vale até se é peso de segurar porta, vai que a porta batendo dessa pessoa incomodava a leitura do vizinho.
E quem vai me julgar por esse ano e talvez nenhum outro mais fazer isso? Quem é que pode me julgar? Isso de que lugar de livro não é na estante é uma opinião e prática muito pessoal, adoro ter livros em minhas prateleiras, ter minha biblioteca particular, releio livros, faço isso desde sempre (radical e limitado é afirmar que ninguém relê livros, li isso e reli e até agora sinto pesar por quem assim pensar, por quem pensa qualquer: não existe, ninguém, nunca). Reli e releio e relerei por vários motivos meus livros e livros que não tenho mas já li. Por várias motivações, necessidades, assim como revejo fitas cassetes de gravações de vídeo, dvs, ouço cds antigos, revejo fotos e bilhetes, releio minhas agendas, reportagens etc.
Gosto também da memória afetiva de alguns títulos, gosto de ter na minha estante algo a ofertar além de bombons nas compotas ou objetos para apreciação. Tenho muitos com dedicatórias, tenho coleções, como quem coleciona selos ou sei lá o que. Quem não acha legal, okay! Mas isso não dá o direito de julgar ser certo ou errado. Como também doar um livro que gosta muito e sentir que isso é que é doar e desapegar é um erro. Doar o livro mais querido ou um dos é uma proposta pessoal agregada a doação, doar o que não gosta vale, comprar para doar vale, "tudo vale a pena se a alma não é pequena", disse o poeta.
Tem ainda livros que não são eternos (expressão que peguei emprestada de uma amiga), de tiragens pequenas, de produção independente, editoras extintas, capas que são reeditadas e o que tínhamos não conseguiremos mais. Há livros que nunca mais serão reeditados, esgotaram-se e ponto final, um exemplo é o livro da de Carolina de Jesus, vendido por 200 reais nos sebos, como relíquia que é.
Um livro é fonte de conhecimento, objeto afetivo, é um convite, um incentivo. Ter livros em casa, tipo biblioteca, foi o que levou por exemplo a favelada e escritora Carolina, com a permissão de seu patrão a ler seus livros, e Menina que roubava livros a ler os da Biblioteca da doce e amarga primeira dama. Não é egoísta sendo assim ou sendo para uso pessoal e familiar ter livros, não dar os que tem e muitas vezes por zelo e falta de zelo alheio, nem mesmo emprestar. É o que acho!
Gosto de ler, acho que muitos deveriam ler, disse muitos, não todos, há quem é feliz sem leitura, sem luz elétrica, sem muito conhecimento e é cheio de sabedoria, histórias, entrelinhas. Conheço quem não lê, nunca leu e é gente da melhor qualidade. Nenhum livro em quase um século de vida e lê a vida sem radicalismo, sem instrução, com os olhos e a flexibilidade do coração, em qualquer idioma.
Para quem tem preguiça de ler, segue com recortes e para os que irão ler ou já conhecem a narrativa, vale a apresentação oral de Mario Sérgio Cortella (aqui).
"Tem gente que acha que Deus fez tudo isso só pra nós existirmos aqui. Esse é um Deus inteligente, entende da relação Custo x Benefício. Ele faz bilhões de estrelas e galáxias só pra nós existirmos aqui. Tem gente que pensa ainda pior: Pensa que Deus fez isso tudo só para essa pessoa existir aqui.
O tanto de dinheiro que ela carrega, o sotaque que ela usa, a religião que ela pratica, o cargo que ela tem dentro do banco ou da universidade, a cor da pele que ela tem....É engraçado que tem gente que acha que só tem vida aqui, mas isso aqui é tão pequeno, né? A ciência calcula que no nosso planetinha tenha por volta de 30 bilhões de espécies...uma delas é a nossa, o Homo Sapiens.
A nossa espécie é uma espécie entre 3.000.000.000 de espécies já classificadas, que vive em um planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre outras 100.000.000.000 de estrelas, compondo uma única galáxia entre outras 200.000.000.000 de galáxias em um dos universos possíveis e que vai desaparecer. Essa espécie (em 2007, ano da elaboração dessa palestra), tem 6.400.000.000 indivíduos. Um deles é você!
Quem és tu? Tu és um indivíduo entre outros 6.400.000.000 de indivíduos compondo apenas uma espécie entre outras 3.000.000.000 de espécies já classificadas, que vive em um Planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre outras 100.000.000.000 de estrelas, compondo uma única galáxia, entre outras 200.000.000.000 de galáxias, em um dos universos possíveis e que vai desaparecer...Já imaginou? Somos 6 bilhões!
Quem é você? Quem sou eu? Quem sou eu pra achar que o único modo de fazer as coisas é como eu faço? Quem sou eu pra achar que a única cor de pele adequada é a que eu tenho? Quem sou eu para achar que o único lugar bom pra nascer é onde eu nasci? Quem sou eu pra achar que o único sotaque correto é o que eu uso? Quem sou eu pra achar que a única religião certa é a que eu pratico? Quem sou eu? Quem és tu? Tu és o Vice-treco do sub-troço.
Por isso que, na minha vida, todas as vezes que alguém chega pra mim e pergunta assim: “Sabe com quem você está falando?”, eu respondo: “Você tem um tempo?"
Fica a reflexão para a sexta-feira e o final de semana. Sejamos muitos e muito ou só um pouquinho, mas sem ser fiscal, juiz, sem se achar o último biscoito do pacote, donos da razão, existem muitas formas de doar, de amar. de ensinar, de ser, de pensar #ficaadica.

23 de abril de 2015

Ilustração by Tumbir Ennaland
“Aprendi o silêncio com os faladores
A tolerância com os intolerantes
A bondade com os maldosos
E, por estranho que pareça
Sou grato a esses professores”
Khalil Gibran

22 de abril de 2015

Olho que "tudo" vê

Iluminura que desconheço a autoria
“A falsa ciência não aumenta o nosso saber
Agrava a nossa ignorância”
Marquês de Maricá já dizia nos idos de mil oitocentos e bolinha
Tem muita gente que usa de forma inadequada, é sabido, e de forma ingênua (alguns de fato, outros se achando espertos), as ferramentas tecnológicas por trás das da vitrine, as falsetadas, mascaradas, que a ciência da computação, da engenharia, da telecomunicação dentre outras, com os olhos da política, do capitalismo e outros olhinhos mais, que cada dia mais se esmeram em refinar o olhar, aumentar o campo de visão, modernizar, interligar, fazer parcerias, planos, dando assas e algemas a sapiência humana.
“Nesse mundo digitalizado e conectado, o Estado nos vigia e o Capital nos vende, ou seja, vende nossa vida transformada em dados. Vigiam-nos pelo nosso bem, para proteger-nos do mal. E nos vendem com nossa própria concordância, quando aceitamos cookies e confiamos nos bancos que nos permitem viver de crédito (e, portanto, julgam-se no direito de saber a quem fornecem cartão). Os dois processos, a vigilância eletrônica maciça e a venda de dados pessoais como modelo de negócio, ampliaram-se exponencialmente na última década, pelo efeito da paranoia da segurança, a busca de formas para tornar a internet rentável e o desenvolvimento tecnológico da comunicação digital e do tratamento de dados.
Como evitar ser vigiado ou vendido? Os criptoanarquistas confiam na tecnologia. Vã esperança, para as pessoas normais. Os advogados, na justiça. Batalha árdua e lenta. Os políticos ficam encantados por saber tudo, com exceção dos seus dados. E o indivíduo? Talvez mudar por si mesmo: não utilize cartões de crédito, comunique-se em cibercafés, ligue de telefones públicos, vá ao cinema e a shows ao invés de baixar filmes ou música. E se isso for muito pesado, venda seus dados ao invés de doá-los como propõem pequenas empresas que agora proliferam no Vale do Silício.”
Tema sério, pouco discutido, muito atual, de fórum público que invade o íntimo. Trouxe a partir da indicação da matéria completa (clica aqui para ler), que me foi indicada por e-mail por uma amiga. Quando recebi e li, lembrei do quanto me dizem para colocar cookies no meu blog, fosse possível colocar os de comer cheirando ou para serem servidos eu bem colocaria. Propaganda faço por gosto, fiz uma tipo encomendada e assim a denominei e julguei ser boa a indicação. Remuneração é algo que eu gostaria de ter, escrever uma coluna, ter o meu espaço patrocinado por empresas afins ao que escrevo, penso, idealizo, mas de sempre e por enquanto é um espaço de interação, reflexão, de exercício da escrita, de terapia pessoal e coletiva, sem fins lucrativos que por fim é por vezes (as que sei e as que não) levado e copiado e sabe-se lá mais o que. Chega a assustar as vezes, desanimar e se perguntar, aonde o mundo vai parar, será que virar aldeia de índios de novo, tipo voltar para o jardim de infância não seria uma boa saída?

21 de abril de 2015

Em um dia

 Mais fotos aqui
Dia desses recebi a incumbência (palavrinha com ar de boçal) de contar da proeza de muitos feitos em um só dia em Sampa, saindo daqui de Salvador de madrugada, chegando lá de manhã cedinho e voltando a noite. Tipo incentivo viagem por um dia, fazendo roteirinho e andando ligeirinho, curtindo todo o percurso claro, dá pra ser e fazer muita coisa.
Tem coisas que é de curtir sendo cada um do jeito que é, eu curti e me realizei de ter por exemplo andado de metrô e de ônibus elétrico pela primeira vez, de ter ido conhecer uma amiga de Blog de Góias na Paulista, com direito a amiga da amiga e lanchinho na Starbucks, depois batendo saltinhos fomos passear no Parque Trianon (que fica de frente ao Masp e fui em Sampa pela terceira vez e não entrei lá).
Muitas fotos, balançadas em balanço de madeira e em gangorra na área para crianças que me receberam e a pré-adolescente Júlia muito bem. Salto Anabela devidamente sacudido a areia, Goianas rumo a Goiás, fui com as Paulistas para um passeio turístico na Liberdade e me senti fazendo uma ponte aérea no Japão. com direito a comprinha em mercadinho, yakisoba em barraquinha de rua, sorte de realejo, sorvetinho oriental tipo self-service de frutas.
Da Liberdade para a Bienal do livro, comemos pé de moleque diretamente da Bahia na gigantesca fila que ir para o final dela foi uma maratona. Teve ônibus da Bienal para ir do Centro para lá e de volta e também peguei ônibus tipo de rodoviária para ir para o aeroporto. E tudo recheado e margeado de muita tagarelice, vai e vêm, pernas que nem reclamaram só quando pararam.
E eis que nesse esquema tô pensando em fazer um novo roteiro de um dia em Sampa e outras 24h para conhecer um menino príncipe, uma tia fada e uma avó tipo de sítio do pica pau amarelo, ir em mares cariocas, empinar pipa pela primeira vez. Tá ainda no talvez, conto depois pra vocês. Fica o incentivo para ir e vir ali, aqui ou acolá, sem hospedagem gastar, promoções de passagens pesquisar, um dia todinho aproveitar.

20 de abril de 2015

Imagem de por ai
"Cada átomo
Feliz ou miserável
Gira apaixonado
Em torno do sol"
Sufi é uma palavrinha tão suflê, tão leve, tão lindinha e eu trouxe ela para cá hoje acompanhada deuma poesia, que a autoria é de um nome bem difícil que eu não saberia escrever se não pescando soletrado, e falar, nem imaginei arriscar: Jalal ad-Din Muhammad Rumi. Anotei em um papelzinho: Jalaluddin Rumi, quando fui encomendar um livro na Livraria Cultura, de um livro de frases e reflexões do Papa Francisco.
Pesquisa feita e muitas poesias descobertas. Para os íntimos Rumi ou Mevlana, poeta, jurista e teólogo sufi persa dos idos do Império Bizantino. Aperitivinho de segunda-feira, para giramos em torno das luzes do mundo, da iluminação interior, faça sol ou faça chuva.

19 de abril de 2015

Pq td dia é dia

Todo dia é um novo dia #fato e todo dia temos a oportunidade de fazer diferente, de seguir fazendo igual, de fazer valer cada amanhecer e final de tarde, cada noite, lua, estrela. De agradecer andar, quem pode andar, agradecer falar, ouvir, ter o que comer, ter água limpa, luz, livros, parentes, amigos. E quem alguma coisa não tem, não faz ou muitas, vale agradecer estar vivo. Diz a canção, que todo dia é dia de índio, então eu tenho mais um motivo para achar que todo dia é meu dia. 
Hoje, dia do índio, dia que nasci, tenho mais a agradecer que a pedir, parece clichê, e é #porquenãoserclichê. E a proposta desse post (além de ganhar parabéns (pequena, eu andava com a cabeça para cima, pisando em poças e buracos para que falassem comigo, não mudei nada em trinta e muitos anos, isso não é ótimo...risos). Então, para comemorar meu niver de longe, quem me segue por aqui, ou de perto, dos diversos cantos e recantos, peço uma prece, qualquer que seja, de qualquer credo, com boas energias tem sempre eu creio, enorme valia. 
Para completar, peço fazer algo diferente, encher um balão de soprar, abraçar quem tá do lado do nada, abraçar uma árvore, seu cachorro, cantar em voz alta alguma canção, fazer bolhas de sabão, deitar no chão, comer pão com mortadela, ir espiar a rua e a cidade da janela, qualquer coisa que nunca mais fez ou uma que nunca, sei lá, tipo comer algo que nunca comeu, desenhar, escrever, vai lá, faz, experimenta pela primeira vez, se sente comigo, como sugere o poeta, nascida a cada momento para a eterna novidade do mundo.

18 de abril de 2015

Falas belas

Das referências de frases e textos bonitos que eu sempre gostei de ler, copiar, decorar, estão as filosofias, poemas, histórias de Miguel Falabella ao final do Programa global vespertino Vídeo Show e meu bem querer por Cissa Guimarães e por seu programa na GNT e livro "Viver com fé", meio que vem da minha época juvenil de telespectadora assídua do programa, além de por ser ela ariana.
Referências e memórias afetivas, afinidade com pessoas falantes e além de alegres e alto astral, diretas, tipo agridoces, que é como vejo eles e seus posicionamentos além dos personagens.
Vim aqui para fazer meus votos de que siga por muito tempo o Miguel na sua volta ao final do programa, a Cissa também, que aniversaria hoje, com suas entrevistas mais humanizadas que ensaiadas.
Que durante a semana na hora do almoço, para quem almoça tarde, na rua onde tem tv, para quem tá em casa, para quem fuça o que passa, as mensagens de reflexões que voltaram ao final do programa. Com um salve ao bicho inquieto das reflexões, filosofias, poemas, histórias, pessoais e coletivas. Pequenos pensamentos, palavras que sacodem a alma da gente sem grandiosidades, palavras e autores de tempos diversos, de diferentes religiões, estilos, assuntos. 
Filosofia, disse Falabella, no dia em que fez sua primeira nova aparição no programa, devia ser vendida no mercado, estar em tudo que é prateleiras. E eu que sou do tipo Mundo fantástico de Bob já imaginei frases nos sacos de arroz e feijão ou enquanto o letreiro não pisca o número do caixa, quadradinhos com palavras de ordem: Paz! Leia mais! Você já sorriu hoje?
Se não sorriu sorria, se não viu ele de volta no programa e via, vale a pena ver de novo. Vou ficar por aqui hoje. "Beijo muito carinhoso, fiquem com Deus e até amanhã!"

17 de abril de 2015

Do estender




Quintanices é o nome que dei a essa série de fotos
Coisas de quintal no modo Guimarães de palavrear
Que acabei por conjugar
Quintais e Quintana são mais que rima
Toda uma composição
Como quem tirou as fotos foi meu irmão
E ambos amamos o apassarinhado poeta
Não podia passar sem poesia essa descrição das fotos
E porque três tão "iguais"?
Para observâncias de uma coisa e outra em cada uma por cada um
“Mas o que quer dizer este poema?
Perguntou-me alarmada a boa senhora
E o que quer dizer uma nuvem?
Respondi  triunfante
Uma nuvem, disse ela
Umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo”
Mario Quintana

Estender foi a melhor palavra que achei para trazer de novo varais para cá. A história começou na sexta-feira passada, quarada em uma crônica compartilhada e comentada por uma amiga em seu blog, que acabei por fazer uma crônica aqui e da referência e carência de varais, pedi a minha mãe, para pedir a minha irmã, para fotografar o da casa dela e acabou que quem fotografou foi meu irmão, com todo seu olhar poético e ai estendeu-se a história até aqui, literalmente.
Estender roupas ou histórias é coisa boa demais, dessas fotos, por exemplo, dá para resenhar sobre esse prato de planta que já foi fundo de balde, virado para baixo, que faz as vezes de guarda-chuva para a comida dos passarinhos, nesse comedouro confeccionado por meu pai (o modelo muda com o tempo, se atualiza, tipo troca e reforma de móveis). Quando a chuva aperta ele ainda põe uma sombrinha para os pássaros se abrigarem e para não molhar as migalhas de pão. também põe um pratinho para água, como se não tivessem poças suficientes, na verdade penso seja na ideia dele uma água filtrada para os problemáticos, ou tipo luxo de hotel.
Outra historinha é painho dar nomes a visitantes recorrentes. Na infância de meu filho uma rolinha foi batizada de Lindinha, agora tem por lá um tal ou uma tal de Piti, piando, saltitando e voando e eu que não sou de pouca coisa, quis saber o porque do nome (imagino minha mãe perguntando a ele e ele dizendo: Conchita, essa menina quer o que com isso? rararara).
A fonte do nome é ímpar. Ele me pediu um tal livro pop (avesso a coisas pops que ele é, estranhei e logo providenciei). O capital é o nome do tal livro, que comprei no pré lançamento e custou por mais de um motivo a chegar e eis que chegou por lá, nesse tempo de espera, o tal passarinho que ele chamou de Pity (mandou me avisar que é com y, com todo vocabulário espanhol abaianado que lhe é pertinente). Deu o nome por causa do nome do autor do livro que é Thomas Piketty. Me diz o que tem a ver? Resolvi recorrer a Quintana para achar além de engraçado por demais, lindo. "A poesia não se entrega a quem a define".
Com toda essa contação e diante dessa figura que é meu pai (do tipo quem conhece que compre), parece um senhor fofo e adorável Seu Guilhermo. É e não é (feliz nessas horas que ele não é uma pessoa conectada e vai ler isso). A pessoa miúda é tipo uma cebola que é preciso trato para descascar, paladar sem frescuras para gostar, o grande e barbudo fotógrafo e cineasta também, sobre eu ser assim não acho necessário mencionar.
E tem ainda de detalhes com histórias, as cordas, que são hoje de cordão, mas já foram de nylon e trocadas tantas vezes, os pregadores que as vezes tomam chuva e ficam cor de madeira escura, o concertar quando desprendem desse treco do meio que nunca consigo, o tirar folhas das calhas, que meu marido tanto tirou, o cooorre que tá chovendo, minhas subidas na goiabeira que hoje só tem o tronco e a figueira tomou conta. Um viveiro de periquitos que um dia fez parte desse cenário e uma roseira, uma pimenteira, um gato, uma eu com quinze anos.
Enfim, para tirar essa colcha de retalhos do varal e fechar a porta do quintal, uma cítrica, no sentido saudável, aromática e alaranjada sintonia, sendo laranja a cor preferida de meu irmão e da minha amiga escritora. Descobri, que o varal da casa dela, não o de hoje, o da infância, que iniciou esse estendimento sacudido e depois passado e engomado, ficava junto a um pé de limão e a casa desse varal das fotos, tem como endereço: Rua do limoeiro.

16 de abril de 2015

Eu, sempre rente

No cantinho do sofá, com tanto espaço
No mesmo sofá apertado com outro vazio ao lado
Ler o mesmo cardápio, tendo dois
A ilustração não sei de quem é
Mas essa descrição é bem minha cara
Lembro de nomes de livros da minha infância e aborrecência e não lembro das histórias de alguns, tipo um bem infanto chamado: Rente que nem pão quente, talvez pela graça e rima do nome, ou talvez por eu andar rente que nem pão quente as paredes quando caminho, as paredes ou armários ou o que seja, não ando pelo meio, meus passos usam as margens. Descoberta sorridente a minha, foi ao pesquisar, ser um livro de poesia para brincar.
Meu marido acha graça e sempre está a observar esse meu caminhar, que  topa com quinas as vezes e que quando pequena (é de sempre o hábito), eu andava rente aos portões das casas nas idas para o colégio ou passeio na praça com meu avô e avó ou meus pais, que conversava com os cães já cadastrados e amigos de algumas e os nem tão amigos e sempre tinham que me lembrar: Nessa casa tem cachorro! Se afaste desse portão que você não sabe se tem cão! E lá ia eu numa de fazer das grades arpas quando cães não haviam, passando a mão por capôs de carros e muros espelhados de água da chuva e enxugando depois no short, calça ou saia, sem nem disfarçar.

15 de abril de 2015

Not nice

Essa prática de troco likes e me siga que sigo de volta é além da minha natureza. Os adeptos que me perdoem e me xingariam se soubessem (agora vão saber) que só na semana passada, recusei que 5 pessoas me seguissem no Instagram. Quatro completos estranhos e uma pessoa conhecida que tipo não quero que fique olhando minhas fotos, legendas, vida, o tal do filtro, intimidade (difícil muita gente entender o valor disso).
Uma curtida espontânea é legal. Um seguidor novo, que resolveu te seguir porque achou sua conta interessante, tem afinidades, é legal. Mas likes para promover ou se autopromover é um saco! Você já parou para refletir o porquê de as pessoas andarem tão desesperadas por notoriedade? Me pergunto isso. Será carência? Falta de amizades reais? Isso é bastante preocupante. A pessoa posta uma foto no Insta e na sequência te manda um recadinho no Whats: Ae, acabei de colocar uma foto. Curti lá pfv (por favor, porque td é sigla, resumo e emotions e se vire para traduzir). Sério isso? 
Socialização virtual para jovens que tem muitos amigos reais e para os que tem poucos ciclos de convívio real, pela profissão e para comercialização de produtos e serviços, tudo bem (com podas), mas pedir para ser seguido e seguir tipo por coleção, cota, troféu se não é carência, falta de recheio, do que fazer, é falta de disposição, talento ou criatividade em postar coisas interessantes para ter likes voluntários, ou se não tiver, isso não interferir na auto estima.
Não curto, só comento em várias publicações e sei quem não gosta e muitos não gostam, dispensam (tipo às vezes apagam o comentário, sabe Luisa - recado para minha sobrinha que tem uma tia fã e amiga, que tem blog e ela não lê, não segue, nem comenta, segue e sempre curtia tudo no Instagram, mas agora tá sem tempo, sem saco, na vibe das modinhas. Okay!). Ela e muitos preferem ao invés de comentários pessoais, doces, engraçados ou agregadores um like. Só o like! #sintomuito.
Às vezes também, não comento só curto e muitas vezes nem um nem outro. Sem regras, sigo sem ser seguida e vice versa. Deixo recados em fotos do Padre Fábio por exemplo, que sigo pelo Instagram, sem cobrar e nem sugerir que ele me responda, marque ou siga de volta e vejo tanta gente fazendo isso #ohlord. Pedidos e perguntas de n assuntos e imagino esperem respostas e se aborreçam por não ter. Três mil curtidas, quinhentos comentários em uma foto e a consciência de que ele não ia fazer mais nada se lesse, respondesse e visitasse cada contato, fica onde?
Sdv é sigla de segue de volta, é da fase adolescentesca eu entendo, assim sendo, para fase passar e para quando passar, vale pontuar. Não cabe na minha opinião, alegria desmedida de alguém, de sei lá, 40 anos por ganhar 20 likes numa foto. As pessoas parecem o blogueiro na novela global recém terminada, ávido por likes. Cruuuzes! 
#Follow? #InstaFollow? #TrocoLikes? Para quem não tá ligado, antenado e talz são aplicativos que usam uma prática parecida com a de joguinhos de celulares, que é preciso  passar de fase e para tanto, paga-se com merchan, metas ou dinheiro por vidas, no caso por seguidores. Os valores variam de R$ 2 a R$ 80. Além disso, mesmo que se faça a compra, ainda é preciso cumprir tarefas, como curtir uma quantidade exata de fotos #bizarro. 
Uma novidade (velha para muitos) é que existe um app que promete excluir todos esses comentários chatos, que acabam virando spams (lixo eletrônico). O nome do aplicativo é "Chega de SDV", mas parece que ele ainda não tem muitos likes e baixadas, são mais de 206 milhões de resultados para a tag "follow", mais de 1 milhão para "SDV" e mais 800 mil para "troco likes". Aff! 
O intuito do Instagram, penso eu, seja compartilhar fotos e acompanhar assuntos e pessoas que te acrescentem algo. Fotos de paisagens, de um fotógrafo que viaja pelo mundo, de um parente distante, do seu marido porque não e seus almoços e selfies, temquem siga o Padre Fábio, o Zac Efron (só para descontrair). Se você ama animais, pode seguir uma conta de algum gatinho ou cãozinho fofo. Agora, fico pensando em seguir perfis apenas para realizar as missões, cotas, para encher o ego. Uma miscelânia de assuntos, uma falta total de identidade e é isso.
Eu acho também e dizem alguns especialistas que pode deprimir, pois a pessoa começa a travar competições com outros usuários, se decepciona por não conseguir ganhar likes e seguidores, ou se acha a última bolacha do pacote por ser uma "celebridade". E dentre as muitas bizarrices, existe um site, para atender esse nicho, que disponibiliza imagens incríveis para a pessoa postar no seu Insta e deixar os outros morrendo de inveja da sua vida maravilhosa? O único problema é que nada é real. Me pergunto se é real as vezes o que penso que seja. Surtando, vou aqui tomar um chá para relaxar.

14 de abril de 2015

O valor da inutilidade

Ilustração The Lighthouse by Majalin
Para alumiar de candeeiro, luz do sol ou da lua
Luz de farol, luz do saber, sentir, ser ou não ser
Sobre as palavras de Pe Fábio de Melo
“É interessante você saber fazer as coisas
Mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso 
Porque, muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente
Mas não, ele está interessado naquilo que a gente faz por ele
A velhice é esse tempo em que passa a utilidade 
E aí fica só o seu significado como pessoa
Eu acho que é um momento que a gente purifica, né?
De saber quem nos ama de verdade
Porque só nos ama, só vai ficar até o fim
Aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado
Por isso
Eu sempre peço a Deus
Para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem
Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade de ser inútil
Porque a vida é assim
Se você quiser saber se o outro te ama de verdade 
É só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade
É assim que descobrimos o significado do amor"

13 de abril de 2015

Cinderela sim

Com rima no tema e no olho da polêmica cá estou para defender a personagem, como dizem os atores sobre seus papéis, uma vez que, dia desses, descobri em Cinderela o ícone do fetiche feminino por sapatos e logo minha identificação com ela ganhou um upgrade, além da cor blue do vestido. Tanto trabalho para o tal vestido e é por causa de quem? quem? quem? que a bonita laça o príncipe ? Do sapato. Sobre o tá na boca do povo, pessoas, mulheres em sua maioria estão indignadas com o filme que está nas telonas e que já acionei meu príncipe par ir ver. Iria aos 70 se com setenta estivesse, para quanto mais com quase 39. 
A queixa é sobre a imagem obediente, submissa a madrasta, ingênua, sonhadora e romântica da princesa. E lá se vai meu despejo (se não falo morro). Primeiro é um conto de fadas embora tudo tenha moda, política, sociologia, psicologia, sociologia e blá blá blá. Para as crianças é uma princesa, como monstros são monstros e carros que viram robôs e tem sentimentos são ficção. Para adultos bem resolvidos também. Nada a ver viés femininista ou machista, julgamento e alinhamento universal do politicamente correto ou incorreto. Quem gosta de Vampiros e casal de 3, com mocinha periguete okay, quem gosta de sadomasoquismo okay, quem gosta de princesas sonhadoras e ingênuas okay. Simples assim!
Falando em okay, lembrei de minha cunhada que disse com tom crítico sobre "A culpa é das estrelas": Muito romântico! Eu pensei: A ideia é essa! Que bom! E outros pensamentos mais. Lembrei também de uma amiga com quem fui a algumas lojas experimentar o vestido de noiva e ela vestia um mais lindo que o outro e se olhava no espelho com cara de comer jiló sem gostar e em uma das vezes disse: Pareço uma noiva! Pois não era para parecer? Vai numa griffe e escolhe um longo xadrex ou manda fazer um vestidinho estilo Paula Fernandes, trabalha o look e arrasa.
Gosto das tradições e de uma pitadinha de modernidade e criatividade, essa sou eu tá. E além de mim e do que gosto, penso no conjunto em certas escolhas, tipo única neta de vó bem católica e idosa que resolve sair da igreja suspendendo o vestido e dançando funk #achocomplicado #desnecessário.
Voltando ao filme, que o primeiro da Disney foi ao ar na década de cinquenta, há toda uma referência, o lado tradicional e clássico da coisa, há romantismo sim e o mundo precisa dele. De príncipes, de meninas prendadas e obedientes, de pais como o de Nemo, de adolescentes magos que demoraram várias edições do filme para namorarem. Além do que, mulheres modernas, malhadas, antenadas e donas do nariz podem ser maioria (ou não), mas tem as que não são, não querem ser. Pode ser? A evolução não é ter respeito por geral? Bora respeitar o diferente além da embalagem do eu acho, eu sou, o mundo é. 
Acho para fechar e ir para meus afazeres do lar, cara de pau e falta do que fazer ficar fazendo juízos de valores comportamentais, feminismo alterado com a Cinderela, culto sem naturalidade, tipo chocar das relações de sexo oposto, enquanto negros ainda são discriminados e muito, enquanto pobres são desrespeitados como seres humanos, enquanto diferenças religiosas matam, oprimem e não são contos, ficção. Fica a reflexão! 

10 de abril de 2015

 
Varal de sexta-feira, com branco, renda e alfazema na água de enxaguar
Foto de uma corda de lindezas de por ai
Uma vizinha de blog, que quem dera fosse de janela, porta, telhado, varal, essa semana falou e levou para o blog dela um texto que também falava, de sentir falta de varais. Não que não tenha um na casa dela e na da jornalista que escreveu o texto, ou na minha, a saudade é de varal extenso, numa área grande, quintal, laje, que os lençóis são estendidos abertos e caso ameacem encostar no chão, uma vassoura faz pezinho.
No apertamento dos apartamentos tem o não poder colocar nada na janela, na varanda, nem para aproveitar o sol depois de dias de chuva, nem num horário tal a tal. Nada! Do tipo pague para lavar na lavandeira, seja moderna mulher, ou lave roupa todo dia miúdo a miúdo, estenda seus lençóis dobrados e deixe uma calça jeans cinco dias no varal até secar. Edredon nem pensar, por causa de lavar e guardar, não há armário suficiente nem para árvore de Natal.
Varal e liberdade para ser casa e ter vizinhança com vida me dá inveja das favelas e não me manda bater na boca não, tenho chegado a conclusão de que lugar bom de morar, de vizinhança educada e amiga, festa de final de ano, torcida de futebol fiel, de bandeiras na rua e pintura no asfalto, troca de pratinhos no São João, é bairro pobre, não fosse a violência (que nos enganamos pois está nos bairros nobres também), lugar de gente mais feliz.
E nessa vontade doméstica que agiliza a secagem das roupas e diminui a pilha na lavanderia, tem um querer poético (meu e das meninas: Ana e Giovana) de ver as roupas lado a lado na corda de nylon ou arame, esticadinhas e compondo um visual artístico de cores e estampas, com o céu azul, tem também o corre corre quando a chuva chega sem avisar. Tem o cheiro do sabão quando o vento bate e o balé das peças presas com os pregadores. Passar por entre as peças só de cabelo lavado e banho tomado para não sujar as bonitas.
Desejo de poder lavar na mão, num tanque com espaço para ficar com uma perna dobrada sobre a outra e espaço atrás para baldes, bacias, pregadores, para sacudir as peças e as delicadas lavadas com sabonete,  sem torcer porque estraga o aplique ou tecido, serem estendidas sem pregador, pelo meio e o pinga-pinga cair no chão de cimento, sem problema de estragar o piso e fazer poça no chão. Desejos e memórias boas eu tenho de varais, lajes e quintais.

9 de abril de 2015

Fartura por favor

Em hotéis, quando em vez num restaurante que serve café da manhã tipo rural aqui em Salvador (há mais de um, mas gosto de um em especial) e em casa ou por ai, aprecio um farto desjejum, que inclua frutas cortadinhas, suco de frutas, ovo frito, tapioca, omelete, batata doce cozida quentinha com manteiga por cima, cuscuz com leite ou com carne do sol, pães doces e salgados, bolos, mais uma tapioca com coco e leite condensado e café para arrematar. Tudo isso tá, não do tipo escolher, na sequência, tudinho, para só almoçar lá pro meio da tarde.
Também topo um prato de feijão de manhã cedo, ou sarapatel e de sobremesa um café pretinho para fazer a digestão e um docinho para tirar o bafinho de café ou uma água com gás para fazer a phina.
Isso de trocar por modismo o pão por tapioca não me preenche, amo tapioca, mas aceito ela e o pão, sou tolerante a glúten e lactose graças a Deus e não faço por menos essa vantagem, que tem gente maquiando.
Os intolerantes de fato, tudo a ver se privarem e cuidarem, não por decisão, sintomas coletivos ou diagnóstico comerciais de profissionais não tão profissionais assim, porque há médicos e médicos. Minha intolerância é o efeito manada dos diagnósticos, de transtornos alimentares e comportamentais.
Na linguagem rural, acho que não sustenta essa alimentação cheia de frescuras, não engrossa o sangue, não dá sustança, não faz o rosto ficar corado e o sorriso ser farto. Por isso que hoje em dia as moças não ficam rosadas ao natural, precisam de make e os homens não tem força nem para subir dois vãos de escada e os muitos que se gabam de ser triatletas tomam, para manterem a pose e o ritmo, relaxantes musculares, estimulantes e vitaminas sintéticas. Vai tomar gemada cambada! Sopa, mingau, pão com ovo e café com leite de vaca. De dia e de noite, sem essa que dá pesadelo. Faz mal não! E muita gente noiada nem engordar engorda.
Tantos velhinhos, coroas, moçada e garotada Brasilzão a fora que pega com gosto no garfo, chupa dois cajus, laranjas ou mangas depois de um prato de macarrão com galinha, feijão, além do suco e do pedaço de goiabada ou rapadura e a tarde ainda toma vitamina de banana, acompanhada de pão com queijo e é tudo gente fina (do tipo seca), ou gordinha e bonitinha (gordura que se acumula de cerveja e não se vira moda ser intolerante a cevada). Gente elegante e saudável, que dá trabalho para pegar uma gripe, custa a cansar, não tem isso de remedinho pra dor, porque não sente dor fácil, não reclama que tá pesado, que é longe. Post por gente que come de tudo, come bem, com prazer e agradecendo por ter comida na mesa. Sou dessas! E assim sendo se somos o que comemos, sou bem variada, recheada, satisfeita, com muitas cores, sabores, energia e satisfação. E tenho dito!

8 de abril de 2015

A Child's Garden of Verses
Esse é o nome dessa iluminura onde a colhi, no Pinterest
Amei a primeira vista
Tem gente que nos dá olhos
Aprendi com a menina que roubava livros
Que vi o filme e ainda vou comprar o livro
E se seus olhos pudessem falar, o que diriam dessa ilustração?
O que diz sua mente ou o coração 
Diz para mim, em poucas ou muitas palavras
Um só que eja
Mostra a mias alguém e me diz o que quem e o que disse
Só para interagir e também para desmistificar a arte
Tirar do cult, estender, ir além do "entender"
Além da visão do autor talvez, de críticos e entendidos provavelmente
Penso que toda arte é múltipla
E é legal que assim seja ao meu ver
Obrigada!
Consegui ver! 
Disse Max a menina que lhe descreveu o dia lá fora
Eu digo obrigada aos filmes que vi
Livros, textos, crônicas, poemas, ilustrações
Quadros, esculturas, balanços em praças
Histórias e músicas que ouvi
As oficinas e cursos que fiz
Dizer que tal quadro representa tal coisa
Muitas vezes é uma leitura particular
Que tal escrito tem tal intenção
Que a letra de tal música quer dizer tal coisa
Que na decoração não pode tais elementos juntos
Que isso é pouco e aquilo é muito
Que o verde que acho que é verde água
A paleta diz que é verde desmaiado
Acho deprê o verde ser desmaiado, mas gostei dele
E lhe dou o nome de verde água, pode ser?
Acho que sim!
Acho também que vale o técnico
Valem algumas informações pelo estudo e com sentidos diversos
Mas perdem na essência
Não há encantamento de lagoa, de quintal
Liberdade de pardal
Tal e coisa
Coisa e tal

7 de abril de 2015

Do estender histórias


Falei dessa foto dia desses aqui e prometi trazer para cá
Meu irmão que tirou numa ida ao cemitério
Dei a ela o nome de: Das cenas além do cenário
Os extras, bordas, parênteses, do tipo as histórias com e dos parentes, personalidades, locais anônimos, passado além do presente, penso são fonte de conhecimento, curiosidades, adornos de pessoas e lugares. Tem tanta gente famosa, por exemplo, que tem um irmão, pai ou mãe com histórias tão legais que não sabemos e não temos curiosidade de procurar saber, eu tenho umas tiradas de querer saber essas coisas, tipo depois de ver tal filme, ler um livro. Ou quando gosto de um ator, cantor, dou uma fuçada nas histórias além das contadas.
Isso vale para as pessoas e lugares que conhecemos. Outro dia, por exemplo, num papo qualquer soube do pai de um amigo que ele costurava quando menino, que vendia as carambolas que catava no quintal e com o dinheiro comprava tecido na feira para fazer suas roupas, além de saber dele guardar os pincéis do amigo compadre pintor que partiu, com apreço, mostrar e falar deles com o coração. Esse tio, fala besteiras e há  sabedoria em algumas delas, fuma e isso me incomoda muito e digo sempre a ele e saber desse pedacinho de seu passado colocou um enfeite a mais nele para mim, sem falar de mais um assunto, um viés para explicações e comparações.
Conhecer o outro, os lugares e suas histórias, faz pontes, cria referências. Fico pensando o quanto , muitos filhos, por exemplo, não sabem dos pais, dos avós e vice-versa, por não haver curiosidade de perguntar, por não sair dos papos comuns. E assim acontece com amigos, marido e mulher. Falando em casal, vi um livro que botei na lista e tão logo tirei. É um livro, tipo de anotações, para o par fazer e assim saber quanto se conhecem e assim se conhecerem mais (ótima proposta). Ai, foliando na livraria, dei um sorrisinho de canto de boca, que dizia eu e Paulo preenchemos fácil, sei tudo e ele também do que pergunta e mais ainda e já fizemos tanto mais do que sugere ali. Temos registrada em fotos, cartas, bilhetes e agenda nossas histórias, papeamos sobre tudo de mim e dele, lugares, pessoas, do porque, quando, onde.
Incentivada a um tempo atrás por uma psicóloga fiz perguntinhas a  meu pai sobre o passado dele,  e isso para mim virou hábito, as vezes a pergunta não é direta, as vezes a resposta também  não e as vezes vem com brinde. Soube outro dia de uma tesoura que sempre esteve lá por casa, usei, perdemos e achamos, levei para escola provavelmente, cortamos de papel a tecido e latas com ela, que foi da mãe dele, mãe ausente na vida dele, na minha por completo (viveu e morreu na Espanha), que sei histórias recortadas e esse citar da tesoura ser dela e ele ter guardado e usar e ter falado, com um bem querer velado, foi um recorte que guardarei.
Quem já fez seções de análise, se não percebeu, é fato, que quem cerca quem vai, também vai ao divã e essa talvez seja a maior magia da coisa. Como disse Fernanda Torres numa entrevista que falava da vida e do quanto ela tem um rumo e um prumo aos 50 anos, a vida é um transatlântico não se move como uma chave, cada movimento faz toda a coisa virar um pouco depois do movimento dado.
Para novos olhares, sombras e luz sob os outros, sobre lugares, objetos, valendo, treinando, praticando o observar, o escutar além de ouvir, perguntar sem invadir, papear, garimpar, semear, adubar, fazer nascerem flores, brotarem frutos nos outros e em nós.

3 de abril de 2015

Dos absurdos

Bonecas e cenografia by Evangelione
Quando penso que já vi de tudo, como diz um amigo, me aparece cada coisa. Psicólogos, estudiosos e educadores fizeram um estudo e defendem que brincar de boneca e de casinha atrapalha o futuro profissional das meninas. Oi?
Independente do tom da matéria (que foi de última), achei pra lá de absurdo tal estudo, pessoas argumentando, absurdo ser assunto de pauta em jornal de grande público e prestígio. Dava lugar fácil e mais proveitoso a observação de um ator americano, no mesmo dia, de que o Brasil precisa de trocadores para bebês nos banheiros masculinos.
Foi um tal de dizer que meninas tem que brincar mais de carro para criar desejo de consumo e status por veículos ao invés de por sapatos, de que mesinha de passar ferro é brinquedo com conotações depreciativas. Não aguentei nem ver até o final, tava me dando uma coisa. Resolvi vir escrever para despressurizar e semear a pergunta de onde se pensa que vai dar, com essas ideias loucas.
Lembrei depois da raiva passar, de minha irmã que desenhava as bonecas com a cabeça bem pequena no topo do papel e o vestido ocupava o papel inteiro em altura e largura. Na base pezinhos miúdos. Os educadores e pisis que fazem essas análises catastróficas diriam sei lá o que sobre o futuro dela. 
Outro link que fiz, foi com as histórias de escola de meu filho, não sei se já contei essa que segue aqui, de qualquer modo lá vai. Ele como filho de passarinha, que passarinho é, sempre teve a língua afiada (desde que nem falava direito). No jardim, época de desenhos e rabiscos, fez alguns desenhos com o sol na parte de baixo do papel e tudo livre em cima. a pró psicopedagoga (fazia questão de lembrar ela a cada colocação) disse que aquilo não era muito comum, era estranho.
Porque  o sol embaixo e não em cima? Ouvi a pergunta e de súbito chamei ele e perguntei, sem nem imaginar a resposta, que fosse qual fosse, do porque sim até uma explicação embasada (de uma criança de 5 anos), seria a que eu ratificaria, afinal cada um se expressa como quer nas artes, isso é parte da arte, eu entendo assim. 
- Paulinho, a professora quer saber porque você desenha o sol embaixo do papel. Ele: - Porque desenho ele se pondo.
Algo mais? Não né! Não argumentei na época e nem tampouco vou tecer comentários sobre meninas ou meninos brincarem de casinha ou de carrinho, melindres e excessos. Vou para emendar é dar a palavra a ninguém menos que Eduardo Galeano (recorte do livro: Mulheres).
“O que aconteceria se uma mulher despertasse uma manhã transformada em homem? E se a família não fosse o campo de treinamento onde o menino aprende a mandar e a menina a obedecer? E se o marido participasse da limpeza e da cozinha? E se a inocência se fizesse dignidade? E se a razão e a emoção andassem de braços dados? E se os pregadores e os jornais dissessem a verdade?”

1 de abril de 2015

Para abrir abril

No primeiro dia de meu mês, trouxe essa ilustração
Me vi nesse desenho de Krys Kirkpatrick
De laço azul na cabeça
Flores azuis no vestido
Cercada de passarinhos
Caladinha e sem sorrir como quando em vez
Pensativa
Para falar de amor, do de dentro para fora
"A boca fala
Do que o coração está cheio"
Matheus 12:34
Palavras bíblicas e sábias
Que valem para o que falamos
E para o que ouvimos
Cada um só dá o que tem é uma grande verdade
As vezes tentamos ensinar
Mas a terra não é fértil, não a semente que brote
Esperamos
Por muitas vezes merecemos
E não brota, não floresce, não dá frutos nossa semeadura
E como reza o dito popular
Um campeão também se mostra nas derrotas
Nas faltas
Do que não temos, do que perdemos
Que tudo que nos falta sirva para valorizar o que temos
Minha felicidade, esperança, vida
“Minha fé em Deus
Não passa pela necessidade de milagres
E acontecimentos grandiosos
A beleza das coisas criadas me basta”
Palavras de Padre Fábio entre as aspas que faço minhas
Que nossa fé, nossos valores
De família, de amizade, de coleguismo
De cidadania
Não passem pela necessidade de reconhecimento
Que mantenhamos os rituais das datas festivas
Perpetuemos as tradições
Que a Semana santa seja mais que um feriado
Mais que chocolates
Que seja um momento de reflexão
Para todas as religiões
De união
De menos traição e cobiça
De mais gratidão
De dividir o pão
De celebrar a vida