31 de maio de 2015

Giros, matemática e reflexões

Que me desculpe a maturidade, mas girar em cadeiras de rodinhas é fundamental, li por ai em um meme com a cara do Chapolin Colorado e amei, tanto que dei like, compartilhei e ainda trouxe para cá para o mês encerrar e junho saudar.
Perguntei a marido se a cadeira dele do escritório é de rodinhas e ele disse que era mas que não tinha espaço para girar a coitada e o coitado, tipo passarinho em gaiola. Muito chato isso eu pensei e ai lembrei do filme que vi ontem pela milionésima vez, que talvez até eu já tenha indicado aqui ou cronicalizado sobre. Onde o fundamental deixa de lado detalhes, como tem que ser. Para mim é fundamental uma cadeira de rodinhas ter espaço para ser girada ou pelo menos andar, se o espaço é apertado e fixo devia ser uma cadeira fixa (momento surto por cadeira do marido poder girar rararara).
O homem do jogo é o nome do filme e eu adoro filmes de histórias, reais ou inventadas, de professores, jogadores e times de basquete, beisebol e futebol americano. Sempre há além das regras dos jogos, lições de vida, maneiras de contagiar. Me contagio com o fazer em grupo, com os detalhes relacionados ao jogo da vida, onde nem sempre ganhamos, nem sempre perdemos, mas temos sempre que estar aprendendo a jogar.
No filme, o técnico do time tinha uma quantia pequena para pagar os salários dos jogadores, um dos menores orçamentos do campeonato, um terço do valor da folha salarial do New York Yankees, mas mesmo assim o time dele com  ajuda de um simpático e inteligente assistente, fez história, mudou as regras de contratação e táticas do esporte e chegou tão longe quanto os Yankees no campeonato e a chave para este desempenho foi começar levantar estatísticas de desempenho dos jogadores no campo.
Toda essa explicação sobre o valor de atletas baratos, que possuíam boas estatísticas nas posições que jogavam e encaixados no time no momento certo do jogo faziam a diferença, recaem na pergunta: Porque são baratos jogadores assim? Um dos exemplos era de um ótimo jogador que não era valorizado porque era engraçado. Sério isso? Sério! E quantas vezes características pessoais, comportamentais e até físicas não excluem um bom profissional do mercado, uma pessoa legal de um grupo. Sentir alegria em girar na cadeira não faz de ninguém idiota, ou faz, e daí?
Posso achar idiota quem não daria tudo num dia estressante por uma boa girada em uma cadeira de rodinhas. Para a análise estatística do filme, a dupla se baseou nos estudos e teorias de Bill James, um ex-combatente do Vietnã formado em literatura inglesa e economia, que estudava o beisebol.  Em 1977, James publicou um livro e nele introduziu, pela primeira vez, as estatísticas e as fórmulas para medir o desempenho dos jogadores de beisebol dentro de campo.
Para arrematar tipo Chapolin, direi eu que o uso das estatísticas não está presente apenas no beisebol, movimentos friamente calculados, estão presentes cada vez mais na maioria dos esportes, nas empresas, na decoração, no conforto, prazer e praticidade num mesmo patamar. E as estatísticas dos no caso de atletas, equipamentos, espaços físicos, permitem que se conheça melhor os pontos fortes e fracos, além de mostrar o melhor caminho para o desenvolvimento. E se vale para atletas vale para a maratona da vida, trabalho, relações, coisas, basta fazer as devidas referências. 
A matemática não é só exata, é linda, mágica, há poesia nela, você não percebe não? Sugiro assista ao clássico Disney:  Pato Donald no pais da Matemática (locadoras, tv, Youtube, procura, procura), essa animação me fez amar a matemática e o filme: O homem do jogo também. Ficam as dicas!

30 de maio de 2015

Do festejar

Eu acho que vale festejar desde o brotar de um feijão no algodão com uma criança que espera, até o ninho de um pássaro no nosso telhado, o dia do primeiro beijo do casal, aniversários, bodas e o que quer que seja. Deixar passar em branco é um desperdício e noutra ponta fazer eventos megas (muitas vezes sem dinheiro, sem bom gosto, sem identidade e outras peculiaridades) também é desperdício e tem virado viral, vício, Freud explicaria como carência, trauma, necessidade de aparecer. Quando vejo certas notícias e exageros vem no automático o velho: Quer aparecer, pendura uma melancia na cabeça! Inspiração para essa resenha aqui.
Não me furto de dar minha opinião, a quem interessar possa, sem querer ser a dona da razão, com a compreensão que cada caso é um caso. Certa vez resenhei sobre ser parte da festa ser o esperar, o preparo e assim esses exageros encomendados perdem o valor (clica aqui e aqui pra ler e comentar se desejar).
Se não já falei aqui, falei e falo por ai, por exemplo, que acho feio, forçado, acho um pecado a tal da foto modinha de babys destruindo bolos. Um bebê sujo comendo manga em casa, chupando um picolé na praça, praia, sujo com alegria genuína, no momento do ocorrido, com o prazer, com história para contar, com olhinhos a brilhar vale. Há um bolo encomendado para ser destruído, com tantas crianças que nunca tiveram um bolo de aniversário, um viés de não dar modos, do tipo não pode pegar, tem que usar usar pratinho, garfo, com a mão não. Nada levado em consideração em favor da modinha. Não! Sem meias palavras, não acho legal.
Isso de 20 casas de padrinhos para o noivo e 20 para noiva, não é escolher padrinhos, não é honraria dada e recebida, é um não escolher, é feio no altar, é exagerado, cansativo, chique é menos, para roupa, para quantidade de padrinhos, para maquiagem e muitos etceteraťs. Para que tá feio! Convites com joias, presentes tipo pagamento para padrinhos e convidados, os presentes escolhidos pelos noivos e pagos no cartão a parcela pelos convidados, cadê a identidade das coisas, o pessoal, a elegância, a poesia?
Cada passo na festa, cada foto, tudo pensado, tudo com estratégias, tudo forçado, sem naturalidade, sem personalidade, sem envolvimento. Festas pessoais se tornam cada dia mais corporativas e exibicionistas. Falta respeito aos templos e figuras religiosas, seja dos idosos presentes (pais, avós, tias), dos Padres, Pastores, Guias espirituais, falta de respeito com as imagens e objetos religiosos. Joga-se Santo Antonio para cima, escreve-se em placas que só casou agora porque o Santo era a fim de mim (cruzes). Gritos dentro da igreja, tapinhas na bunda, beijos de filme proibido para menores, trilhas sonoras que não condizem com o local, danças e um sem fim de falta de elegância, de limites. A festa e o soltar a franga não ficam mais para depois, para depois é outros tantos exageros, gastar de dinheiro, falta de detalhes que encantam e que falem sobre casamento, sobre o casal, falta da celebração de fé, de religiosidade pura, concentrada, juras, compromisso selado, seriedade e entrega, olho no olho necessário no pós troca de alianças. Tudo encomendado, nada de dentro. Até para lua de mel, não se vai mais só, uma galera, festa, bebidas, brindes, fotos. Nada de enxoval, de momentos a sós, tudo over e para o mundo ver e quisá se tornar viral.
E nessa, desde o comemorar, não com sorrisos e percepções de mudanças, mas com bolo (mão da mãe ou da vó, ou da tia boleira, bolo de griffe, nada de fazendinha, time de futebol ou rosa com confetes, temáticos modernos e igual ao de geral, com mais enfeites que sabor) e convites a cada mês de uma criança, mensário (suspiro). Até a festinha inocente do pijama, com lençol de cabana, tá virando evento encomendado em casa de festas, com Dj e nem sei mais o que, me furtei de ler (fica a vontade, clica aqui para ver uma reportagem).
A festa dos filhos muitas vezes é dos pais, festas de quinze anos sem nenhuma simbologia de ritos de passagem, sem a identidade do aniversariante que por ter 15 é padronizado, da música a decoração que tiver na moda. Meu filho fez quinze sábado, fosse uma menina e fosse de seu gosto, ia ter o baile de debutante que não tive, quisesse ir a Disney, iria, ou ao Japão. A lista de amigos meus e dos pais é grande, chamamos alguns em nossas comemorações. A festa foi para a galera de 15, para ele sentir que era para ele e dele. Até hoje ouço as batidas do rock em meus ouvidos, curti, adorei, em alguns momentos quase surtei, levei sandália para trocar e nem troquei, como fui arrumar o lugar, fiquei.
Avós e tias pelo meio dos tais agridoces adolescentes, cada um a seu modo, com a boa e velha lição de que família é tradição. Deve ter tido azaração, quem não com essa idade, estava me divertindo não vi, se vi não reparei, acho normal, são normais eles, ainda bem, que sejam sempre que puderem nesse mundo cada vez mais paranoico que vivem, que não entrem na roda louca dos exageros nem pra mais, nem pra menos.
Ver todos a vontade como se tivessem no pátio da escola em aulas vagas sequenciadas foi a visão de comemoração para mim. Saíram de fato da Escola para lá, em duas vans e outros tantos convidados extra escola foram a vulso. Sem regras de eventos cheios de mimimis, onde os convidados mais parecem parte de uma atuação, com papeis e posições estabelecidas, sem hora disso e daquilo, sem bebida alcoólica servida para os menores, mas tinha para os adultos, porque não, cada coisa a seu tempo, ver e não poder educa eu creio. 
Com carne, saladas e cada um a seu gosto, sem ter perguntado antes nem na hora o que você come e não come, gostou coma a vontade, não gostou coma menos, é o que temos para hoje. Nada de dois cardápios ou menu. Picolés de frutas, tapioca, amendoim e milho verde, mil vezes a pergunta: tem de chocolate e a resposta: não! É que os sabores escolhi para mim.
Um bolo, devorado até o último pingo de glacê, nada de exageros, de caixinhas de leve para casa. De lembrança levaram o que ali viveram. Fotos registraram também. Teve cair na piscina de roupa, teve cantoria desafinada em parceria com a afinação da banda e letras de música bizarras, muito riso, sem noias, sem roteiro, só mesmo o com o bom velho festejar que cabe e sobra no ser e estar.
E ele lá batendo cordas no violão que a pouco tá tendo aulas, cantando no microfone, coisa que não fazia a pouco nem no chuveiro e a pergunta de se ele vai querer tocar profissional, como a do que vai querer ser ou até do que quero que ele seja, digo sempre que ele ainda não sabe e eu acho que não cabe a mim querer. Quero que seja feliz, que seja um bom menino e um bom homem. Tocar que seja para relaxar, pra desabrochar, por ouvir mais, tocar como forma de arte ou oração, já que dizem que quem canta reza duas vezes. Se quiser como profissão, bom também.
Festas boas sãos as com danças ensaiadas, decoração primorosa, vestidos lindos, sendo com carinho e sem muita exibição, são também porretas as festas na laje, com gelo no balde e que pegamos tudo com a mão. Festas boas fazem pessoas comuns e sem instrução pelos idos do sertão, sem nem saber fazer lista, nem ler, ou escrever, mas cantam modas, dançam, tocam, festejam a vida, o que ter comida, teto e até o não ter, mas ter por onde buscar, ter sonhos, além de convenções, ostentações, além do que se engana ser festejar.

29 de maio de 2015

Das razões para acreditar

Me vi nesse desenho
Que o nome de quem fez não tenho
Vejo uma letra e ou c
Perto do joelho do pé pendurado
E aqui da minha rede de balançar o querer
De joelhos esfolados como quando criança
De tanto jogar bola e me jogar no chão sem mira
Zero de leveza no andar, no subir e descer
Leveza só por dentro
No acreditar em seres humanos por excelência
Em criaturas encantadas
Leveza colhida em histórias inspiradoras
Inventadas e vividas
No crêr que compartilhar e saudar iniciativas positivas
Também mudam o mundo
Vi uma matéria sobre um garoto de 7 anos, chamado Toby Little, que escreve cartas para o mundo inteiro e pede que lhe escrvam de volta. Ele pergunta ao destinatário sobre curiosidades e costumes locais. Sua mãe, como forma de apoio e contagiada pela empolgação e retornos, criou, o site chamado Writing to the world (Escrevendo para o mundo), no qual divulgam as cartas e as categorizam por continente e país para onde foram enviadas e de onde foram recebidas.
Além disso, através de um outro site, o projeto está arrecadando dinheiro para ajudar a ShelterBox, instituição sem fins lucrativos, que envia caixas com utensílios de sobrevivência para famílias que vivem em situações precárias.
Toby acredita que o site e as cartas podem servir para mostrar à outras crianças o quão incrível é o mundo: “Eu quero que o mundo seja um lugar melhor” ele diz. E com pessoinhas como ele, com gestos e movimentos como esse, já há razões para acreditar que será.
Para uma sexta-feira de bons exemplos, inspiração e ação. Que sejamos felizes, realizadores, estejamos mais juntos, sejamos mais justos com o tesouro que é a vida e as relações, que sejamos melhores a cada dia e para sempre.

28 de maio de 2015

Do brilhar

Iluminura iluminada de por ai
Sem referência do autor onde a vi

Para manter nossas luzes acessas
Observar e se cercar de vagalumes
Alimentar o candeeiro de nossos corações
A luz da nossa alma
Mirar os faróis dos nossos olhos
Para as boas lembranças
Para os caminhos a nossa frente
Além de alumiar o presente
A fim de que nos harmonizemos
Nos iluminemos
E a escuridão dos outros não nos alcance 

A partir desse rabisco 
Lembrei de um contar do tipo reflexão 
Uma fábula que gosto de montão
E vale para quando estamos as voltas
Com algum escorpião

"Entre o gramado do campo
Modesto, em paz se escondia
Pequeno pirilampo
Que, sem o saber, luzia

Feio sapo repelente
Sai do córrego lodoso
Cospe a baba de repente
Sobre o insecto luminoso

Pergunta-lhe o vagalume:
- Porque me vens maltratar?
E o sapo com azedume:
- Porque estás sempre a brilhar!"

João Ribeiro (1860-1934)
Grande Fabulário do Brasil

27 de maio de 2015

Contra a descriatividade

Pintura que não tenho a referência
Dei o nome
Porque Pinguim pode voar sim
E eis que desde o dia de meu aniversário lá no mês de abril, até esse domingo passado, meio de maio, esteve em cartaz aqui em Salvador, uma peça que só anunciaram com gosto quando estava para acabar e eu não tinha como ir lá, a rima é do meu chatear, como pode tanta porcaria se anunciar e um tesouro desses deixar passar? Ainda mais com a escassez de criatividade que tá o mundo, todo mundo fazendo igual, tudo digital, sem poesia e alegria, de quintal, varal, tal e coisa, coisa e tal.
Resolvi trazer para cá, vai que volta, vai que vai por ai. A direção foi a primeira de um ator baiano, Caio Rodrigo o nome dele, o espetáculo: A máquina que dobra o nada, foi inspirada nos neologismos e poemas do por mim amado e apassarinhado Manoel de Barros. A história, segundo pesquisei, revela a busca incessante de um cientista contra a descriatividade e gira em torno da amizade entre ele e um garoto, que juntos planejam criar uma máquina fantástica, capaz de dobrar o nada, com fantasia, emoção, enigmas e poesia.
A proposta de lutar contra a falta de criatividade, bem como muitas histórias infantis, ao meu ver, são para todas as idades. Nas bordas e recheio do espetáculo: Ciências, História, Linguagem, Cultura, Filosofia, Artesania, entre outras aprendizagens. O cenário, área de meu irmão, portanto minha imaginação criativizou acelerada, soube era andante, móvel, modulável, manipulado pelos atores, assim sendo, cheio de possibilidades criativas. Minhas palmas mesmo sem ter visto, só de imaginar.

26 de maio de 2015

Das dependências

Seguem trechos de um texto de um blog vizinho: "Vi uma reportagem neste final de semana que me deixou um pouco intrigado. A reportagem tinha como alvo o vício causado, supostamente, pelo universo virtual. Mas, acreditando que a verdade deve ser, antes de mais nada, retirada da sua posição originária, observada de forma mais meticulosa, e aí sim seguir adiante com uma nova convicção.
Pensem na minha ideia, não como conceito universal, mas como algo singelo que parte de um ponto em busca de outro ponto. Vivemos um esfriamento total. As pessoas a cada dia estão mais voltadas à perfeição, e dentro desta pseudo-perfeição, a dor, o sofrimento, e enfim, os sentimentos estão sendo engolidos por uma bolha falsa.
A internet é a ponte, segundo a minha ideia. Num mundo de carências gigantescas, onde nem mesmo um abraço de amor pode ser dado sem causar preconceito e nem os seres livres podem escolher o caminho a seguirem, a internet afina os meus amigos e com eles avanço sobre essa frieza do momento. Tento romper com poesia essa bolha triste que se forma tão longe de nós, humanos. Não, não acredito no vício.
A reportagem toma o efeito como causa, ou seja, o "vício" seria o efeito do uso da internet, e não como causa desta solidão interna! A internet usada de forma inteligente, é uma extraordinária ferramenta, ferramenta que faz chegar até vocês essa minha ideia, e muitas outras."
Li esse texto, escrito por Ives Vietro e assisti a tal matéria e penso que as pessoas ficam numa de não largar o aparelho celular, por um combo de coisas: não se apegarem as companhias presenciais por preguiça, por preconceitos velados, por ser modinha, porque não mais no PC está o bichinho do face (que cruzou com o do msn), também e muito porque no aparelho são baixados apps de contar seus passos a mandar beber água, tem o tal do não sei, não lembro pesquiso numa teclada (ninguém mais tenta lembrar nome de nada, põe no Google). E se multiplica o achar que ter mais é mais, todos os aplicativos, muitos contatos, muitos cliques, tudo muito.
E como idealizou o tal Jobs, que o celular fosse uma extensão da pessoa (Oh Lord!), estão hoje em dia, em cada aparelho muitas histórias, informações, imagens, bilhetes, correspondências, documentos que antes eram de papel, e ficavam em agendas, na bolsa, e, classificadores, receitas em cadernos, fotos em álbuns, músicas e vídeos em cds, dvds, consultas e transações financeiras nos caixas eletrônicos e agências bancárias, reuniões de trabalho, no escritório, contatos em listas telefônicas e por ai lá vai.
É fantástico, não há como negar! Praticidade, facilidade, múltiplas possibilidades, o lado bom que se só ele fosse, demais é sobra, como reza o dito popular e vale para tudo. Os aparelhos acabam por centralizar muitas demandas se não houver um filtro, um cuidado, um limite. Concentram informações e materiais diversos, com graus de importância pequena a grande, e portanto, apego, referência, tensão muitas vezes, irritação e descarte do uso de outras mídias, outros locais de registros e armazenamento das coisas (na cabeça é uma boa prática #ficaadica), para o prazer e benefícios das diversas possibilidades, para não se perder tudo, caso se perca ou danifique o aparelho e não ter tudo na nuvem sendo ela uma fonte de raios e trovões por um acidente ou pelo que representa como impessoal, comercial e invasiva que é.
Além dessa centralização de necessidades e cada vez mais, a criação de usos, os aparelhinhos móveis tem e provocam em escala maior a carência pela falsa presença das pessoas e o fato e pesar de os indivíduos estarem cada dia mais sem personalidade. Resumindo, na vibe da moda, com tanta liberdade e sem fronteiras as pessoas estão concentrando tudo, compactando e se achando espertas e sem fronteiras. O diagnóstico eu diria, não é vício, é excesso numa ponta e falta na outra.

25 de maio de 2015

Pé de poesia

Ilustração Animalarium blogspot

Para começar a semana com essa lindeza
E poesia colhida por ai
Eu que de pé já falei aquiaqui, aqui
Que adoro árvores
Que me arvoro para trazer coisas legais
Para escrever, tecer,  fazer e acontecer
Por aqui e por cá

“Me agarro  ao pé de uma árvore qualquer
Se é que existe uma árvore qualquer
Pois acho que não
Toda árvore é mais que um pé
É sintonia e sinfonia
É ausência de solidão
Esteja onde estiver

E eu me escondo e me encontro
Atrás de um pé de Jamelão
Pássaros que vêm e que vão
Alguém passou acelerado
Pra assustar e afugentar
Mas eu não

Para a alegria das formigas
Eu ficaria por uma tarde encostada à árvore
É que em mim está essa fração de pássaro
Quando penso em liberdade
Me alegra que se fartem na festa das manhãs de sol
Quando os meus olhos, enchem minha alma de voos”

Poetar de Lourdinha Vilela

24 de maio de 2015

Arte de Gustavo Aimar
Para ilustrar meu divagar
De que na estrada da vida
Deviam haver placas e multas
Tipo:
Reduza a pressa
A medida em que se aproximar do horizonte
Curta o caminho
E que tal:
Multa por ser apressado ou estressado
Uma hora sentado de frente ao lago
Post para um domingo de boas condutas
Por uma boa condução da semana
No comando ou na carona
Com responsabilidades de escritório
E alegrias de lonas, mares, nuvens
Pés no chão e asas por dentro
E se o momento for de lamento
Coragem
Tira os pesos que não servem da bagagem
Contempla as paisagens da alma e de fora
E vumbora
Que a vida não espera

23 de maio de 2015

De um menino que tava aqui

Ilustração de Maddalena Gerli
Estava a andar lá pela casa de minha mãe a um punhado de anos atrás um menino de cabelos cor de milho, olhos azuis, roupas geralmente azuis, porque a mãe ama azul. Ele nem sabia andar direito e já corria, engatinhar não quis. Tagarelar sempre foi com ele, tudo sempre explicadinho nos mínimos detalhes, palavras engraçadas, rebuscadas e inventadas. Para ele o lobo mau era bom e os três porquinhos uns sacanas, para ele o sol ficava melhor nos desenhos na base do papel, tipo se pondo e não em cima como todo mundo geralmente desenha.
E de repente 15 anos faz hoje o pequeno infante, quinze nasceres do sol. Cá está um rapaz, tipo o homem de lata do mágico de Oz, precisadinho de um coração (tomara justo hoje não venha aqui me ler), mas, como a cor dele preferida é verde e verde é a cor da esperança, vai que se adoça com mais uns aninhos na quilometragem o cabra geminiano.
Se não, gosto de coisas agridoces e de azedinhas também, além do que compensa as humanas sua mente matemática, um cérebro como o desejado pelo espantalho e com HD ilimitado para informações diversas, com muitas chances e ilimitadas possibilidades de carreira, de experiências, uma vasta literatura a ser escrita.
E eu, com meu ingresso vip de mãe, muito bem acompanhada pelo pai, devidamente uniformizado de fã, acompanharemos muitos anos das suas histórias, de sua caminhada nos tijolos amarelos como os da turma de Oz, ou como na canção Yelow, do Coodplay, banda que ele adora. Hoje aqui fica meu registro e desejo azul felicidade, verde vida, amarelo ouro, branco paz, fé transparente, multicores e amor atemporal e incondicional.

22 de maio de 2015

Do em nós

Ilustração by Claudia Tremblay

"Em mim eu vejo o outro
E outro e outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas
O outro que há em mim é você
Você e você
Assim como eu estou em você
Eu estou nele
Em nós
E só quando estamos em nós
Estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós"
Paulo Leminski

21 de maio de 2015

Dos repentes

Quando vi esse desenho
Que não sei quem rabiscou
Lembrei de mim e meu grude
Que desde os tempos dos papos pela janela
Proseamos a beça
Das coisas ruins as belas

Eu que teimei a aderir ao zap
Ontem até fiz Ode
E recebi por ele hoje um repente
Que pesquisei a autora inteligente

Mas como não tenho o tar do Face
Não deu para fazer contato 
Que cá estaria sua poesia

Que nem recado mandado na roça
Quem ai pode avisar?
Modi lê com gosto antes de ir lá
E se, se animar de repente
Se põe também a rimar

"Esse tal de "Zap Zap"
É negócio interessante
Eu que antes criticava
Hoje teclo à todo instante
Quase nem durmo ou almoço
E quem criou esse troço
Tem uma mente brilhante.

Quem diria que um dia
Eu pudesse utilizar
Calculadora e relógio
Câmera de fotografar
Tudo no mesmo aparelho
Mapa, calendário, espelho
E telefone celular.

E agora a moda pegou
Pelas "Redes Sociais"
É no "Face" ou pelo "Zap"
Que o povo conversa mais
Talvez não saiba o motivo
Que esse tal de aplicativo
É mais lido que os jornais.

Eu acho muito engraçado
Porque muita gente tem
Um Grupo só pra Família
Um do Trabalho também
E até aquele contato
Que só muda de retrato
Mas não fala com ninguém!

Tem o Grupo da Escola
O Grupo da Academia
Grupo da Universidade
O Grupo da Poesia
Tem o Grupo das Baladas
Das Amigas Mais Chegadas
E o da Diretoria.

Tem quem mande Oração
"Bom dia!", de vez em quando
Que só mande figurinhas
Quem só fique reclamando
No Grupos é que é parada
Dia, noite, madrugada
Sempre tem alguém teclando.

Cada um que analise
Se é bom ou se é ruim
Ou se a Tecnologia
É o começo do fim
Talvez um voto vencido
Porém o Zap tem sido
Até útil para mim.

Eu acho que a Internet
É uma coisa muito boa
Tem coisas muito importantes
Porém muita coisa à toa
Usar de forma acertada
Ou, por ela, ser usada
Vai depender da pessoa.

Comunicação é bom
Vantagens que hoje se tem
Feliz é quem tem amigos
Fora das Redes também
A vida só tem sentido
Quando o que é permitido
É aquilo que convém.

Pra quem meu verso rimado
Acabou de receber
Compartilhe esta mensagem
Que finaliza a dizer:
"Viva a vida intensamente
Porque é pessoalmente
Que se faz acontecer!"

Das memórias, arcos e flechas

Aos novos leitores, sugiro clicarem para ler sobre post no tema: aqui e aqui, vale para os leitores de sempre ou quando em vez. Para sincronicidade da coisa, referências, leitura e de escritos passados (que eu faço muito gosto e aceito comentários), para saber da arqueira que há em mim. Enfim! 
Na busca de um filminho novo para ver a dois, marido clica na descrição de um chamado: O doador de memórias. Alguma referência ao nosso ver com o pop Divergente, não divergimos e escolhemos assistir. Eu adorei e recomendo. Várias reflexões, observações, paralelos, várias  flechas me flecharam e outras eu lancei e eis que ao pesquisar sobre para resenhar, baseado num livro, a editora do mesmo é a Arqueiro.
Mais de 11 milhões de livros vendidos no mundo essa história, para médios e grandes eu categorizaria. O doador de memórias, de Lois Lowry, é uma história onde se conseguiu construir um mundo “ideal”, onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. E todas as pessoas para terem essa ausência de coisas ruins, tem ausência também de amor, desejo, alegria sem ser condicionada e padronizada.
Os habitantes dessa pequena comunidade, são completamente satisfeitos com a vida ordenada e pacata que levam e conhecem apenas o presente, as memórias do passado do mundo que vivemos, são apagadas da mente. Há porém um único indivíduo encarregado de ser o guardião das memórias, sua função é ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos de idade é definida pelos dirigentes a profissão que cada indivíduo irá seguir, sendo as opções administrativas e colaborativas e filhos e pais algo definido não gerado, sem o conceito tradicional de família, apenas as células, sendo casas onde vivem os grupos familiares, não lares (hoje em dia já há esse formato, lamentável observação).
E eis que um garoto, de nome Jonas, recebe a honra de se tornar o próximo guardião e no seu difícil treinamento tomamos conhecimento de detalhes do conceito de viver sem memórias, é possível fazer paralelos, reflexões, acompanhar a coragem do garoto, e do seu orientador e observar detalhes do universo extraordinário que vivemos e muitas vezes não valorizamos.
Deixo a dica do filme e do livro e a partir deles ou de suas experiências, vivencias, referências, as respostas aqui ou internamente ou em escritos e expressões artísticas ao gosto do freguês, para papos em mesas de bar ou no lar: Até que ponto evitar a dor pode nos tornar mais felizes? As diversas emoções, sonhos, desejos, incluindo as angústias e afins não é que dá sentido à vida?
O ruim aumenta o valor do bom é uma das reflexões, que um mundo ideal e Jonas, numa envolvente, filosófica, poética e pop história inteligente, envolvente e cheia de suspense nos convida. Post publicado, tipo flecha no alvo, vou aqui, sentir coisas diversas, viver e agradecer.

20 de maio de 2015

Ode ao WhatsApp

É esse mesmo o título e o assunto e é esse um novo post no mesmo dia. O motivo é que no de mais cedo eu tava brava. Então, eis um post descontração, para sair da nuvem cinza. Para quem me lê e conhece, tá encafifado com o título, defendo o saia dessa de ficar no celular, pc e eletrônicos, mas também é fato que faço muito uso das tecnologias e modernices e sobre o aplicativo modinha, com apelido, adoro o fato de as pessoas estarem escrevendo mais que falando no celular, graças ao Zap.
E nessa, contas de telefone mais baratas, gente pensando o que fala porque escreve e daí lê e repensa, prática de grafia e vocabulário, tem ainda  o lado fofo dos emotions (que virão para cá em um post só para eles), a criatividade dos memes e vídeos, além de menos problemas de saúde auditivos que passarão a ser visuais já que o olho fica alumiado e vidrado nas telas, mas ai a culpa não é do aplicativo, é do tal do excesso.
Vi uma matéria na tv que as operadoras perderam muita receita com os aplicativos, seja o zap para papos e agora até ligações, seja para o poder dos Smartphone com internet onde se busca endereços, informações e tudo antes era necessário efetuar ligações. E ligações a curta ou longa distância contam com outro queridinho que é o Skype. Penso que venda de produtos seja a saída financeira para as mega empresas que já lucram mega as custas do blá blá coletivo. Quem sabe não mudem o ramo de atuação, inventem um novo produto, na contramão da conexão e comunicação, tipo aparelho para não ser localizado, aparelhos para interação com o meio ambiente ou sei lá o que, a necessidade faz os homens e as empresas saírem da casinha, que seja para quintais, praças e faça as pessoas se movimentarem, olharem olhos nos olhos, se abraçarem mais.

Sem noção demais para mim

Momento desabafar e resenhar. O caso é que eu não tô gostando do formato do jornal global, muita informalidade para meus gosto, gosto do novo, da descontração pontual, acho que tem que haver um produto para o público que gosta desse formato e tal, mas também há que se fazer valer o gosto de quem não gosta. Atender as duas demandas para falar em linguagem comercial.
Falando no comportamental, tem efeitos diferentes cada formato, influenciando maneira de falar, linguagens e posturas que vão para vida, tanto quanto da vida vai para tela, um veículo de comunicação é formador de opiniões, incentivador, espelho, então há que se manter um mínimo de formalidade, de hierarquia, de protocolo,  se não o caos vira a palavra de ordem e ai, para voltar a ordem, depois do desprogresso, não é fácil não #ficaadica.
Sou da ideia de que quando quero ver um jornal quero ver notícias, credibilidade, transparência, imparcialidade, opiniões criticas, embasamento, seleção interessante. Penso que kkk em pleno ar, falta de postura, de uma linguagem produzida e polida,  de respeito é fundamental. Se a notícia anterior for de catástrofe, a seguinte não pode ser de baile funk, por respeito, coerência, cadência de informações e sentimentos. Vale para missas isso também, é, missas em igrejas, seja o nome qual for noutras religiões. Tá numa agora de citar os mortos e falar de dor e perdas e na sequencia parabéns para os aniversariantes, canto de alegria. Não dá!
Vale o tom apropriado para o dito seja onde for, no privado e no público, vale a roupa apropriada para ocasião, o brinco, a gravata, a tatoo não chamar mais atenção que a notícia dada no caso de telejornais, vale o chamar pelo nome e não por apelidinhos, ou assim sendo não ser anunciada e conversada no ar a nova ou escolhida maneira de se chamar a moça do tempo, como papo de bar em sua sala ou quarto, sem você ter escolhido estar no meio dessa resenha, que veio da rede, onde há que ser considerado, muitos não circulam. Esse é meu sentimento e meu gosto e acredito haja quem pensa e sente como eu, assim sendo precisamos ter nosso produto, precisamos falar e sermos ouvidos. Ou não?
Corrigindo, podemos escolher não estar no meio dessa resenha, após ou no ato da percepção desse novo tom, muitos de nós podemos e ficamos ali ouvindo aquele locutor que só fala besteira narrar os jogos de futebol, esportes em geral. Por aqui os comentaristas até declaram o time para que torcem, chegando ao ponto de quando o jogo é com o rival ou do rival, se acharem a vontade para fazer comentários. Um absurdo para com o  telespectador que tá torcendo para seu time, num momento de tensão ou distração, ter que ficar ouvindo opinião, e chacota.
Do mesmo modo, quando escolho assistir uma novela o faço porque quero ficção, descontração e não pesos extras. Não gosto do exagero de fazer desse canal uma ponte para vida rea. Tem ainda a atual repetição, ainda com o sabido de que há muitos outros canais.
Se a pessoa quer ver mistura e informalidade é só assistir ao Esquenta, por exemplo que eu adoro e respeito quem não gosta. Um programa de política e denúncias de problemas sociais como o CQC é um formato interessante, para variar, no estilo informal para quem gosta, vale ter mais como ele, mas há que ser tido como um produto diferente.
No Telejornal, assim definido, cabe um quadro com crônica, com sátira até, mas o todo, com comentários preconceituosos e pessoais do âncora nas matérias, que se desculpa na internet e nessa do a vontade vai pisar na bola de novo, é demais para mim. Pronto falei!

19 de maio de 2015

Das lousas

A pró que há em mim, além do diploma 
#doamarlousas
Essa é a legenda que resolvi  dar para essa foto, onde eu, fotografada e filmada por marido estava na espera de um restaurante e ai na demora de uma mesa para almoçar, essa seria a área para crianças brincarem, onde meu filho já rabiscou na lousa e brincou no parque e eis que sentamos por ali por falta de espaço e eu (lógico para quem me conhece) não resisti em rabiscar, ficando o momento ainda mais legal quando uma amiga que está grávida e mora no Canadá, mandou pelo zap on line, uma foto dela escrevendo em jogos americanos tipo lousa e no centro da mesa estava uma caneca que eu dei quando ela bateu asas para mundo afora, lá presente na sua vida e na foto a me espiar, cheia de lápis de colorir dentro.
Fiz um acróstico (aquela composição de uma palavrinha na vertical e outras criadas de suas letras, na horizontal) do nome da minha amiga: Isadora, do apelido do marido e pai: Ti, também amigo e querido (amigos de meu irmão que fiz de meus) e da pequena Eva que vem ai e mandei como resposta para ela, no tom, na magia e na alegria da sintonia de lousas, rabiscos, carinho que não tem distância, que não se explica, se sente, faz acontecer coincidências, faz o coração ser pó de giz soprado e areado de leveza. Por uma semana e vidas nossas, de histórias, memórias, rabiscos, amizade, amor, carinho, paz e bem. Amém!

18 de maio de 2015

Das listas

A lista de S. Guillermo 

Eu tenho um lado louco por lista,  que compartilho virtualmente com uma amiga paulista blogueira de igual bem-querer. Como o blog dela está em pausa, não vou linkar, mas por e-mail vou convidar ela para vir aqui espiar e se reconhecer. Listo coisas para fazer, filmes (tem algumas em minhas agendas da adolescência de filmes das antigas), livros lidos, livros que quero ler, lugares para ir quando viajar, coisas para provar, lista de convidados, lista de coisas para resolver, para comprar, listas negras (rarara). Adoro fazer listas!
Faço compras de mês, daí, listas em folhas de papel fofas ou não, em toalhas de papel, guardanapos, atrás de notas fiscais, em post its mais recentemente no celular, rola de um tudo, com quantidade do lado, e anotações do tipo marca, para caso não seja eu a ir buscar as tais coisas (acontece quando marido vai comigo). faço sempre também, a disponível para ir no mercado quando vou na casa de meus pais, porque ela sempre esquece algo, porque invento modas, porque adoro ir a supermercados, feiras e afins. E eis que por lá, além da lista de pedidos, Balu (a cadelinha mais barulhenta do universo) late, toca o telefone, tocam na campainha, meu pai fala de um assunto, minha mãe e minha vó de outros e tenho que anotar o que vou buscar se não da porta da copa para o portão esqueço (esse é meu lado Dory).
Ai, lá vou fazer minha leitura em um blog vizinho e amado na semana passada e lá estão listas de mercado. No mesmo dia, por sintonia ou sei lá o que, num juntar de coisas mandáveis pelo correio em envelopes, comprei para essa minha amiga de blog um kit de blocos espilicutis para ela fazer anotações e listas de feira, mercado e afins. Se isso não te parece fantástico, lista o que te parece que vou adorar ler.
Clica aqui para ver o post dela e lá clica num link de onde veio o post dela. Essas listas ai em cima acionei que fossem feitas por meu pai, minha mãe, Roberto (que trabalha com meus pais e é meu brother, exceto quando o assunto é futebol) e Nete (uma querida que me ajudou a tomar conta de meu filho pequeno e agora ajuda minha mãe a tomar conta de minha avó).
Meu pai sempre pediu coisas de lojas de ferramentas e materiais de construção e sempre listei para ir comprar com anotações do tipo: polegadas, metragens e afins, sempre me interessando de abelhudar o que não sabia e não tinha porque eu saber. Minha mãe, eu adoro a letra dela, devia ter sido pró pra fazer valer a grafia, em suas listas ela escreve com vocabulário hispano abrasileirado as vezes e até pouco anotava endereços de e-mail escrevendo o arroba. Nete, resolveu fazer uma lista com muitos itens e Roberto, que eu não conhecia a letra e adorei, deve ter sido novidade para ele fazer uma lista, já que receber de todos é o que mais ocorre, seja lá na casa de meus pais, seja de sua companheira e mãe. As listas dele virão para cá em outros posts.
Nesse, a de meu pai, sua letra por aqui, minha lembrança e de minha mãe das listas de minha avó, que escrevia com letras cursivas e de imprensa misturadas, em idioma próprio: espanhol, português, vocábulos inventados, escrita como se fala (como ela falava). Em rresumo, entre a lista e a ida ao mercado, era indispensável um momento de tradução. 
Lembrei também de como minha sogra chama certas coisas, uma é isgute, não há quem faça ela chamar de iogurte. Outro nome, para mim estranho é massa de tomate, o mesmo para sabão massa, que para mim são extrato ou polpa de tomate e sabão em pedra. Dela também é meu conhecer e achar o máximo um tal de Rol de roupa. Lista das roupas que a lavadeira levava em uma trouxa prosaica feita com o lençol estendido no chão da sala. Lá se iam as roupas listadas e com ela ficava a lista para conferência na volta.
Tem uma tal de farinha do reino, que nunca sei se é a de mesa (ou de guerra) como chamo a de mandioca ou se é a de fazer bolo e pão, que chamo de farinha de trigo. Listas tem regionalidade e logo sotaque #fato, tem particularidades, siglas, poesia porque não. Tem quem escreve e fala que come biscoitos, tem quem vai de bolachas, tem os da tangerina e os da pocã ou mexerica, tem quem compra carne de sertão e quem compra jabá. 
E quem nunca viu uma lista perdida numa cesta ou carrinho nos tempos que as pessoas faziam listas e não pegou e leu por curiosidade, ou não pegou para limpar a mão suja de peixe ou sal das carnes salgadas. Quem não deixou a lista sabe Deus por onde e nela tinha anotado algum número ou nome. Poderia ficar listando aqui histórias e memórias de listas, mas tenho que ir aqui, que uma lista de coisas a fazer me esperam.

17 de maio de 2015

Do amar blogar

Ilustração by Andreev Gappo
Escolhida pela lindeza e para referências e reverências
A saia poa é pela amiga Chica
A camisa floral é por você Camomila Rosa
Esse verdinho e terra para plantar é para Sheila, uma amiga passarinha
As meias, por serem meias e por terem listras cor laranja, pela Ana Paula
A descombinação das peças que não me representa me lembrou Nanda Pezzi
O cabelinho curto e lindo, Gê
Essa fivelinha me lembrou Ju
Numa imagem vários detalhes que lembram pessoas queridas
Outras tantas 
Vejo sempre no que vejo
No que escrevo, leio, como, bebo e que são por mim amadas
E que faço sempre saberem ser
Mando ilustrações por e-mail
Escrevo de e para
Comento nos posts com envolvimento
Leio e respondo com atenção
Porque amizade é de se cuidar, alimentar e fazer sempre brotar

Era uma vez, um senhor que ficava numa praça falando para as pessoas serem mais gentis, cumprimentarem umas as outras, sorrirem, contemplarem as árvores e pássaros, trocarem ideais e ninguém dava ouvidos a ele.
Um dia um rapaz que sempre passava ali, sentou junto dele e perguntou:
- O senhor não percebe que ninguém te ouve, não convence ninguém, não cansa não?
Ele respondeu:
- Não! Se eu parar, terão me convencido.
Adoro essa história e é assim faço com o blog, que por vezes, por falta de leitores que comentem, do tempo que exige, de desânimos da tpm, pessoais, astrológicos, da tão mais a mão, pop e superficial rede famosinha de relacionamentos (que não vejo porque ser uma ou outra, ou outras) cheia de possibilidades (esse para mim é um defeito).
Conheço uma senhora, moça pra sua idade do rg, que tem Face, Blogs (tipo mais de cinco), ajuda nos blogs dos netos, tem Instagram, What´s app, trocamos e-mails frequentemente, ela cuida da casa, dos familiares, visita sempre a mãe, amigas, viaja, cuida da cadela, passeia, faz artes, tudo junto e misturado. Sou fã! E eis que ela, que é fonte desse post (ver aqui), como outras blogueiras saíram do virtual para o real, na medida do tempo, pouco a pouco e a um bom tempo já, nos falando, conhecendo, semeando e colhendo as identificações, referências, histórias, carinho além das telas, correspondências a moda antiga, mimos virtuais e concretos, encontros, atenção.
Dar atenção, ter atenção, preocupação, pessoas que reparam se você cortou o cabelo, que sabem que você gosta de azul, que se você some perguntam o que houve, se fica doente mandam receitinhas e desejos de melhoras, que sabem os autores, cantores, sabores que você gosta. Pessoas que moram em outros estados, países e que sabem mais de você que muitos amigos e familiares, que bem podiam ler nossos posts e ter contatos frequentes diários com a gente, mas não tem interesses, ou dizem não ter tempo (leem mil coisas, mas é isso). Quem quer arranja tempo, quem não quer arranja desculpas diz a sabedoria popular.
E de cá para muitos lás, de lás para cá, fiz amizades, estou em muitos lares e cá em meu lar estão nas conversas, objetos na estante, no meu guarda-roupas, muitas pessoas com quem aprendo, ensino, troco, somo, multiplico e também diminuo, porque há que se perder para ganhar, os errados redimensionam o valor dos certos, o que é superficial faz o que é essência exalar mais aromas, ter mais sabor.
E nessa de escrever e ler, de publicar imagens, tirar fotos, ver fotos e imagens por ai, por uma palavra dita, lida, algo visto, minha vida e muitas vidas vão se transformando e isso é fantástico. É o virtual a serviço do real, não são só likes e uma infinidade de nomes numéricos em nossos contatos, são pessoas que sabemos onde moram, o que gostam, que pergunto pelos netos, torço para que o time de futebol ganhe quando o meu já saiu do campeonato, que planejo visitar a cidade pelos pontos turísticos e por um abraço, uma café, uma foto e muitas histórias para contar, para guardar na memória.
Sigo com o blog além da opinião de quem acha nerd, coisa de desocupado, fora de moda, meio de ganhar dinheiro jogado fora sem monetização, diariozinho bobo. Eu nunca liguei para o que os outros falam, desde que nem falava, não vai ser agora, batendo as portas dos quarentinha.
Vida longa aos blogs, as amizades além da distância, porque estar perto é estar dentro, sempre digo e tenho constatado. Inté amanhã então leitores amigos, amigos leitores, galera da Blogagem coletiva proposta por Ana Paula Amaral (amiga de blog, bater pernas em SP, zap, e-mail, filhos, correio e quintal), da qual faz parte essa postagem, porque todo dia é dia de blogar.

16 de maio de 2015

Salve B

Ilustração de Anne Cresci

E lá seu foi o Rei do Blues para o infinito azul. Um de meus bem quereres negros americanizados é o Blues e o Jazz, acho envolvente, lindo, me acalma, me anima, algumas canções beiram o transcendental e para rimar e poetizar trouxe o filme: O terminal. No filme Victor (Tom Hanks) vai aos Estados Unidos para resolver um assunto familiar e por causa da guerra na Cracóvia não pode retornar a seu país, para piorar, seu passaporte apresenta problemas no aeroporto e ele não pode sair de lá, ficando preso no local, tendo que morar no terminal.
Além de vários aspectos de toda história e atuação brilhante do ator, que sou fã, adoro o mosaico que ele faz na oportunidade de “emprego” que arranja. Vigiado vinte e quatro horas, os encarregados pela segurança do aeroporto apostavam em sua vontade de sair de lá para então o prenderem e por vários momentos ele foi tentado, chegando até à porta de saída e recuando o que deixava os observadores desorientados e frustrados. Queriam prendê-lo mas não havia um motivo justo. A parte que mais gosto, vou contar agora. O que mais intriga o pessoal da segurança é uma lata de chocolates, que ninguém sabe o que há dentro e da qual ele não desgrudava e demostrava apreço. Foi passada no raio X e nada, se suscitou uma porção de dúvidas, se mandou várias pessoas bisbilhotarem o que havia nela.
Victor queria ir em Nova York, pois seu pai faleceu a espera de algo de lá. É que na Cracóvia houve um festival de jazz e o pai dele, fascinado pelo jazz, foi ao concerto e lá pediu autógrafos dos músicos, e ficou faltando apenas o de um deles, que ele esperou durante toda vida, que fosse mandado pelo correio. A lata era onde seu pai guardava os autógrafos e o filho queria ir buscar o que faltava.
Emocionante a cena dele em New Orleans, berço do jazz e do blues, cidade referência para diversos músicos ao redor do mundo, uma das muitas cidades americanas que tenho vontade de ir, que o Katrina devastou, mas que o som que é a sua identidade, não desmorona, não é varrido, não é soterrado. Uma lenda em vida foi BB King, um AZ da guitarra, da simpatia, de fazer o que ama e através do que fazia, contagiar e ensinar mais que acordes. Após sua morte segue a lenda, segue vivo, pulsante, nos sons das guitarras de outros astros, de anônimos, na voz marcante, na beleza do Blues, que ele manteve desvinculada de drogas, violência e boemia, e fazia questão de assim ser visto o fino e rico gênero e seu trabalho, a arte pela arte, talento, personalidade. Ele dizia que só se está morto quando se morre, que seria um garoto até morrer e foi e nem morto morrerá. Salve o Rei!

15 de maio de 2015

Da arte não ter idade

 


Fotos da internet sem referência da autoria
Essas mãozinhas e unhas cheias de tinta
Diante de mim, ia ser pra lá de vinte fotos

Eu que comecei a semana falando da arte não ter fronteiras de escolaridade, idade, classe, vou nessa sexta-feira que é dia de todos os santos aqui na Bahia, apresentar com alegria e pedido a Oxalá, que os idosos saiam do marasmo, do abandono, do não tenho mais idade e vivam, não esperem a morte, para falar bem clara e diretamente, não se acomodem, se limitem e maltratem no papel de coadjuvantes, expectadores. Aos que tem limitações reais, cuidados, alternativas, criatividade e fé.
O que eu trouxe hoje pra cá, que me encantou e me fez vibrar e aplaudir, é um projeto muito legal, chamado: Lata 65, que apresenta e integra pessoas idosas a arte urbana, mais precisamente ao grafitismo.
A proposta é de uma grafiteira e educadora finlandesa chamada V. Jalava, que  criou um projeto chamado K65, coletivo composto só por idosos acima de 65 anos. Ela já é conhecida por suas intervenções urbanas artísticas e trabalhos em prol de comunidades e do meio ambiente e eis que passou a ensinar a esse nicho seleto e sábio de pessoas, técnicas de pintura em spray e vários conceitos que o grafite agreg,  além das cores e formas .
Para ver o K65 e o Lata 65 em ação, fotos, mais história e talz, fuça no Google, no Youtube, Facebook e se inspira a participar, recomendar, incentivar azamigas, os manos, mães e pais, tios e tias, vós e vôs a grafitarem, darem tapas no visual da pracinha do bairro ou da cidade toda com jardinagem é outra opção, porque o céu, para os que crêem, pode ser o destino, mas não deve ser o limite. Formou? Amou? Eu amei!

14 de maio de 2015

Por mais que colorir

É fato que as empresas de lápis de cor, hidrocores e afins vão ter um ano financeiro azul com a modinha dos livros de colorir e que é uma chance de lançarem novos produtos, voltados para um novo público além das crianças arteiras e escolas. Que sejam comerciais do tipo para coisas legais e que promovam práticas além dos digitais. 
E que nesse se permitir e envolver com o colorir, caiba material de papelaria, tal e coisa, coisa e tal, e que cada um na sua, saia do lugar comum, fazendo mais que pintar. Se envolver e envolver as crianças nas tradições e datas festivas é tudo de bom e sempre é uma aventura e uma oportunidade de passar a nossa cultura adiante, vivenciar sem ir a grandes feiras, eventos, de viver um delicioso momento de recordações, registros, de histórias, gostosuras (para quem é das culinarices) e um canal para produções que treinam as habilidades manuais, despertam dons, treinam a observação de detalhes, fazem sair do automático, dos eletrônicos, relaxam, transformam o olhar, os sentidos, o ser e estar. Mágico assim!
Senta ai e faz uma arte junina para colocar na porta que nem no Natal, para relaxar e dar para uma amiga, um vizinho, para enfeitar o ambiente de trabalho, o prédio, a rua, a praça. Para fazer arte com uma sobrinha, neto, amiga, por um momento ou vários de interação e diversão.
Bandeirolas feitas de recorte do jornal do mercado se a grana estiver curta já tá valendo, correntinha de recortes de jornal, desenho de milho com colagem das folhas do próprio milho ou de papel verde ou estampado, com o sabugo feito de papel crepon enroladinho em bolinhas, uma Senhora laranja com feita de hidrocor, olhos de botões e tranças de lã. Solta a criatividade! Lembra das atividades dos tempos de escola e faz arte. Pinta mais que colorir papel, pinta o sete. Faz palavras cruzadas, escreve cartas, desenha e manda para sua amiga que tá na vibe do colorê. Ficam as dicas!

13 de maio de 2015

Papo de fogueiras

Hoje, rapidinho, tipo riscar de palito na caixa de fósforos, trouxe, um tantinho editada, uma história alumiada de Eduardo Galeano. Ele conta que um homem, de uma aldeia no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus e quando voltou, disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. Na visão dele, somos um mar de fogueirinhas. O mundo é isso, revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
"Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos bobos, não alumiam nem queimam, mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.”
Adoro contemplar fogueiras e velas acessas, sou pela astrologia, elemento fogo e adoro quem incendeia a vida, quem é alumiado por dentro.

12 de maio de 2015

Além das galerias e alegorias

Como sequência da prosa de ontem por aqui e por coincidência num blog vizinho, a foto e o fato é que ando com a ideia fixa de fazer por onde, a arte não ser coisa de galerias, de especialistas, para que as pessoas descubram e desenvolvam a sensibilidade, o olhar, o toque artístico ou simplesmente se sintam a vontade de dar uma opinião, de interpretarem ou não um quadro, uma escultura, um desenho, um poema, uma colagem.
Valendo olhares e opinares de crianças, adolescentes, adultos, idosos, de qualquer classe social, credo, escolaridade.
A propósito, a quem interessar possa, tipo auto merchan, estou fazendo Oficinas poéticas, que incluem produções escritas e artesanais, bate-papo, escutatória, alargamento e regação do olhar.
A poesia, está no dia a dia, além dos livros, declamações orais, rimas, assim como as artes plásticas, a música, a dança estão além das escolas, além do conhecimento técnico e até prático.
Usamos, por exemplo, sapatos que são obras de arte, óculos, camisetas, canetas, canecas, carros, eletrodomésticos, objetos, móveis e equipamentos diversos que tem traços artísticos e desde gostar ou não a adquirir ou simplesmente conviver com cada coisa, lidamos com o designer, com o plástico. Há arte também e muita, nas identidades visuais de marcas, produtos, nas capas de livros, cd´s, sobre as quais formamos opiniões e dessa forma subliminar, além da consciente, relacionamos o concreto com o abstrato, através de sensações e percepções pessoais e coletivas.
A observação traz a tona a poesia das coisas, faz filosofar, faz notar o parecido de um objeto com algo da natureza e vice versa, o parecer com outro objeto de nossa memória afetiva, faz notarmos a rima em meio de um discurso, a sonoridade das palavras, das ondas do mar, faz ponte do que é dito ou lido com uma música, um lugar, um alguém. Faz percebermos e valorizarmos além da utilidade, os variados significados, sentidos e simbologias de cada coisa. 
A arte alimenta nosso olhar, nossa sensibilidade e ai, a partir de nossas vivências, gostos, sentimentos, espiritualidade, conhecimentos, cultura, com a consciência voltada para mais que consumir ou rotular, somos livres, sentimos, vemos e vivemos com mais sabedoria, formas, cores, texturas, rimas, sinestesia.

11 de maio de 2015

Todo mundo pode, mas...

Sobre ser possível ensinar alguém a ser um artista, em uma entrevista, o diretor Harmony Korine,  respondeu que atualmente  muitos que no passado por status cursavam medicina ou direito, estão entrando hoje  em faculdades de cinema. Korine veio das ruas, nunca estudou qual o melhor movimento que uma câmera deve fazer para filmar uma cena, por isso ele defende seu estilo. "Quer ser um diretor de cinema? Então viaje, trabalhe como garçom, conheça gente de verdade".
Trouxe esse depoimento porque acho que se banaliza muito hoje em dia determinadas profissões e trabalhos relacionados a arte. Sou admiradora e incentivadora do movimento Ratatouille, de todo mundo pode, seja cozinhar, escrever, fotografar, filmar, com o detalhe, de que dom, experiência, sensibilidade e profissionalização são detalhes que mudam muito o produto final e essa percepção e reconhecimento são importantes.
Tirar fotos e publicar no Instagram é um treino, uma descoberta pessoal ou pública de talento, por exemplo, mas há detalhes de enquadramento, cores, coisas mínimas que fazem um retrato ter melhor qualidade. Fazer um curta, um clip, uma vídeo de seja lá o que for, como profissional é um trabalho que envolve detalhes, cenário, estudo e conhecimento da temática, figurino, luz, sombras, cores e uma infinidade de coisas que não estão listadas e não são perceptíveis ao olhar comum, mas lá estão e fazem muita diferença.
Isso vale para costurar, desenhar, pintar, escrever e vim com esse prosear dizer que vale fazer, pelo prazer, descobertas, buscas e vale também valorizar os profissionais, o feito com primor, o talento, o refino. E tenho dito!

10 de maio de 2015

Do ser e vir a ser

Ilustração de por ai
Com admiração e identificação
O que você vai ser quando seu filho crescer? Essa é a pergunta do comercial de Dia das Mães, do Leite Ninho desse ano, que adorei. Super válida de se fazer, além da resposta de mãe para sempre dos filhos, que de fato se é, quantos sejam, presentes ou ausentes e em todos os níveis, a pergunta e a busca de respostas, são válidas e muito ricas em significado no que diz respeito ao quanto a vida de uma mulher muda com a gestação, nascimento, criação, responsabilidades e laços afetivos com um filho por toda vida. Uma invasão, por assim dizer, um ser dentro da gente, que faz uma bagunça fisiológica, estética, que demanda vários cuidados, depois vem o tal serzinho do lado de fora, que além dos manuais e alguéns mais para ajudar e de todo encanto, dão um trabalhão, crescem sem parar ou esperar e dão outros tantos trabalhos, exigem dedicação, cuidados, renúncias, doações.
Tem ainda o novo parto na adolescência e da vida adulta e esses novos partos são importantes para que se dê uma evasão de divisas, de planos, de vidas novas, a do filho e da mãe, do pai, do casal. Sem pesar é o ideal, sem dramas, sem amarras, com asas e gratidão pela criação ser tão generosa, várias vidas em uma só para quem tem vida longa e para quem alonga a vida curta ou longa a cada nova fase, olhares, ser , estar, permanecer e renascer, no fazer e acontecer.
Feliz dia a minha mãe, a mãe de minha mãe que por cá ainda está, a minha irmã mãe, minha sogra, cunhadas, que não leem minhas postagens, mas fica a homenagem, as referências dos acertos e erros, meu desejo de feliz dia e feliz dia-a-dia a elas e a todas as mães da minha família, mães amigas, mães seguidoras, mães de criação, de bichinhos de estimação, de coração, de consideração, seguidoras, passantes.
Uma lista de quereres, fazeres, sonhos e carinho que somados e divididos sempre se multipliquem na vida de cada uma, como mães, esposas ou não, mulheres, profissionais, arteiras, zero artes, sonhadoras, viajantes, o que seja e como ou onde. Porque criamos os filhos para vida e eles partem para suas carreiras solos, para suas vidas e se distanciam naturalmente de nós, deixando a terra da mãe que fomos e sempre seremos arada, para novos plantios, novas experiências, sementes, flores, borboletas, frutos e só colhemos se plantarmos, se nos expusermos ao sol, deixarmos a chuva molhar.
As mães dos pequenos rebentos que necessitam de atenção, cuidados, presença, assim como necessitam os médios, que precisam de brincar com  mais que tecnologias, precisam de limites, de modos, de blindagem, de raízes e asas, que sejam mães de fato, por dever além do direito. As mães de criação, emprestadas, de apoio, de animais, que se sintam plenas, sejam plenas em suas maternidades. As mães de adolescentes e adultos do tipo que não crescem porque não querem ou porque não deixam e dos crescidos assumidos, há vida depois da maternidade (risos), mães se dividem em dois, dez, vinte, quantos filhos forem e devem ter a medida da presença e da ausência, do ter e do abrir mão no tempo certo, ser partes e permanecer inteiras, se repartindo e recompondo para o eterno milagre e presente que é a vida. Que assim seja!

8 de maio de 2015

Bora brincar

Um programador, segundo li numa abertura de janelas virtual, preocupado com a realidade social digital da criançada, resolveu aliar a sua preocupação, a gostar de brinquedos antigos e habilidade em construir rolimãs e colocar carrinhos nas ruas e dinheiro no bolso. Os clientes, na sua maioria, não são crianças, adorei essa parte, são jovens que chegaram a brincar na infância e adultos saudosistas e dispostos a testar, se é igual andar de bicicleta, que não se desaprende, além de dar uma esnobada nos do ócio e atletas de games de plantão, com demonstrações e manobras de habilidade e diversão. 
Ele vende, segundo pesquisei, em média, 150 rolimãs por mês e cada um custa em média cem reais. Né ruim não né! Fazer um também não tem muita ciência não ou pedir a um marceneiro, a um tio cheio das habilidades, avô, amigo, fazer junto.
Segundo o brincante empreendedor, as pessoas, acabam preferindo que os filhos se distraiam em computadores ou celulares e dentro de casa, por questão de segurança, por não passarem pelo segundo parto dos filhos, por comodismo. E não tem essa de falta de falta de tempo, de não ter habilidades, de não se vender mais isso (nem procurar é bem comum), não é preciso saber fazer origami, nem perder uma hora para construir uma pipa (os mais desajeitados), não se gasta nada para brincar de pique-esconde por exemplo ou pega-pega. Com adolescentes vale baleado, garrafão, fura pé, palitinho com paga de lixa (quem perder leva lixa ou sardinha, que é o outro bater com as pontas de dois dedos sobre as costas das mãos). Não dá desculpa não e também não aceita sempre não, vai brincar vai! Faz uma criança ou adolescente brincar!
Eu vou, que tô na flor da idade cof cof, brinco sempre que posso, as vezes quando não posso também, porque a vida é curta para esperar o brigadeiro esfriar, precisar de bomba para encher bolas de soprar ou um dia de sol para caminhar ou jogar futebol. A vida é agora, brincar não tem idade e se chover deixa molhar. Bora?

7 de maio de 2015

Do não entender

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo." Clarice disse e eu repito e sempre digo que quero morrer não entendendo certas coisas. Tem ainda as que não me interessam, não tô com saco, com tempo ou sei lá. Não tenho pudores e nem nunca tive para dizer que não sei, não entendi. 
O não saber é vital, humano e até sagrado eu acho. Não preciso de saberes e provas para ter fé por exemplo, de estatísticas ou maiorias para torcer, não preciso saber tudo, não tenho como, não tenho como ler todos os livro,  ouvir todas as músicas, ir a todos os lugares.
Não se cobrar, não somatizar é uma ótima opção. Olhar de cima (não do salto e as vezes sim, confuso tipo Caetano rarara), quando em vez olhar para baixo, olhar de frente, olhar pro lado (sempre), não olhar. Não ser exigente, relevar, pensar: O que isso representa na minha vida, um copo que quebra, um filme que não deu para ver, alguém que resolve ser mal agradecido, que fique com a conta quem não estiver em dia com suas gratidões e gentilezas, nossa vida tem que seguir sem se estremecer.
Se o conjunto de copos era de seis, passa a ser de cinco e as vezes é fato que se passam cinco meses ou anos após um quebrar e nem usamos quatro deles, para quanto mais os seis se tivesse completo o conjunto. O filme podia não ser bom, pode ser a salvação num dia de tédio qualquer em casa, e assim nosso barco segue em mares tranquilos e as grandes tempestades, não nos pegam tão vulneráveis, quando inevitavelmente chegam.
Dentro dessa perspectiva, acho que a idiotice e a inocência, são qualidades as vezes. Carregar as imperfeições com charme, com senso de humor e ver assim os outros e o mundo também. Gente inteligente demais, exigente demais, sempre séria, é um saco e sofre mais. Rir por nada ou de tudo, falar besteiras, falar mal dos outros as vezes, porque não, é terapêutico e se não é deveria ser considerado. Assim como xingar, não dá para levar uma topada ou ser molhada por água suja quando um carro passa numa poça e dizer: Deus querido, o que foi isso ? ou Nossa Senhora lhe abençoe! Até dá, mas não alivia, não extravasa como um bom e carregado de emoção, palavrão.  
Como disse Leminski para fechar em tom laranja e de bigode grosso, na vida ninguém paga meia, então vale deixar a seriedade para as horas em que ela é inevitável, trabalhos que exijam, perdas irreparáveis, tragédias, separações, dores e afins. No dia-a-dia, ser idiota, não entender, rir dos próprios defeitos, dos defeitos dos outros, não estender grandezas e ser especialista em miudezas, não ligar para quem fica catando defeitos em você, não catar defeitos além dos muitos alheios, ignorar o que o boçal do seu colega ou chefe diz, são uma boa, parece pouco mas é vasto, parece raso, mas é profundo e muda o mundo.

6 de maio de 2015

Nós, alvos ou cinzas

“Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos –, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. 
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão”. 
Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que,  para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. 
Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. 
O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fi zera uma pérola. Ele a tomou e deu-a de presente para a sua esposa.  
Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música , Nietzsche observou que gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza." 
Não é fácil para ninguém viver, ninguém é cem por cento feliz, ninguém tem tudo que quer, tem quem nem sabe o que quer. Natural de Boa Esperança, Rubem Alves, através desse conto breve, faz a esperança e o ser feliz até com areia nos olhos brotar em nós, com toda sua pedagogia, teologia, poesia e tantos outros atributos acadêmicos e profissionais, embora ele tenha dito que a melhor definição que teve de si mesmo foi feita por um garoto: “Um homem que gosta de ipês amarelos.” E foi esse homem, que dizia e assino embaixo e daí me defino e crio os perfis que tenho dos outros: “As pessoas são aquilo que amam”. As coisas então não são como são, são como nós somos. Que assim sejam, que entre boa marés e agitação, entre grãos de areia e espumas puras e leve, sejam felizes. Okay?

5 de maio de 2015

Dos ditados populares

Imagem de por ai
Não sei se salvei, se ganhei
Sem referência e com reverências ao(a) artista
Com o rei na barriga é como muita gente anda, fala, se comporta por ai e o dito popular que trouxe hoje para explicar, com mais alguns é do meu gosto, de saber e fazer saber o porque de tantas expressões que a gente fala e não sabe de onde vieram ou sabe mais vale lembrar ou aprender as vezes uma nova versão, um puxadinho da que já sabia, um nem sabia da expressão para quanto mais da explicação.  A do tal rei na barriga é do tempo da monarquia, que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, mimos por assim dizer.
E quem tá rindo a toa,  com ares de paixão, viu passarinho verde. O passarinho em questão é uma espécie de periquito, de cor verde, que segundo uma lenda, alguns românticos rapazes do século passado adestravam para que levassem no bico uma carta de amor para a namorada. Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigilância de um paizão ranzinza.
Lembrei com essa do dizer da vó de meu marido, que riso demais é sinal de choro, vale para crianças com brincadeiras engraçadas mais pesadas, ou birras que do riso vão para o choro num estalo. Bordas contadas, vou para as tais favas contadas, que de acordo com o pesquisador Câmara Cascudo, votavam-se com as favas (volantes para votar) brancas e pretas, significando sim ou não, sendo assim, que quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito. A expressão é usada para coisas certas, negócios seguros ou resolvidos, findos. 
Com a corda toda, na pilha, agitada, # tãoeu, é muito fácil de imaginar a origem, exceto para as novas gerações. É que antigamente os brinquedos que se moviam eram acionados por cordas, o processo consiste  pelo torcer uma pecinha geralmente em forma de borboletinha, que aciona um mecanismo em forma de mola ou um elástico, que ao ser distendido, faz o brinquedo se mexer. Horrível minha explicação né? Enfim, quando se "corda" totalmente num brinquedo, ele move-se com tudo.
“Homines sunt ejusdem farinae”, tradução: homens da mesma farinha, é uma expressão de origem latina, utilizada para generalizar um comportamento reprovável, uma vez que é prática a farinha ser posta em sacos diferentes da farinha ruim.
Casa de mãe Joana vai ficar a minha se eu não parar de digitar e ir da vida cuidar, risos. Esse pop dito popular tem origem na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença, liberou os bordéis em Avignon, onde se refugiou e mandou escrever nos estatutos: “Que tenha uma porta por onde todos entrarão”. Fui então, quem gostou levanta a mão.