30 de junho de 2015

Pé e chão, chão e pó

Pó de estrelas, de poesia
Iluminura de por ai
Tem nomes, de colunistas, comentaristas, repórteres, atores, que sempre que vejo me interesso em ler e ouvir, Rosely Saião é um desses nomes,, que para mim é um convite a uma boa reflexão e a identificação de opiniões.  Psicóloga e consultora em educação, ela fala geralmente sobre as vivências familiares e escolares, suas relações e o dia-a-dia de parte a parte. Colunista da Folha de São Paulo (jornal impresso que me interesso sempre em folear, pelo conteúdo além de misérias, comercial etc), ela escreve às terças-feiras e hoje trouxe recortes de uma recente publicação dela para resenhar.
“O conflito de gerações subiu um degrau: se antes estava localizado entre os adolescentes e os adultos, hoje ele foi parar na relação dos adultos com os mais velhos.
Há pais que ajudam os filhos a falsificar documentos para frequentar locais proibidos para menores de 18 anos, frequentam as mesmas baladas que os filhos, dão festas em casa e participam delas, regadas à bebidas alcoólicas para os filhos e seus colegas, se vestem do mesmo modo e não negam muitos dos pedidos que recebem, para não parecerem caretas.
Já sabemos que o mundo é dos jovens e que juventude não se trata mais de idade e sim de estilo de vida. É por isso que crianças e velhos são os excluídos. Portanto, nada faz mais sentido do que uma iniciativa que acontece na cidade de Seattle, nos EUA: unir creche e asilo de idosos no mesmo local.”
Ainda ontem comentei com marido da ausência de programas infantos nos canais abertos no horário da manhã, no global e da massa, em horário nenhum, dias de semana ou finais de semana, nada de desenho animado, Daniel Azulai, Tia Arilma, Mara Maravilha, Angélica, Xuxa, nada de filminhos tipo Et, séries tipo Teletubbies. Para adolescente passaram a ser os programas para adultos, afinal a gama de adultos adolescentes é grande e de adolescentes adultos também, tanto que na tal Malhação, mocinhos são maus, malvadões são bons, tudo sem divisão de papéis, lição de moral, sem limites morais, assim, do jeito que o povo gosta.
Os idosos coitados, ou são antenados ou nada de programa de culinária sem ser gourmet ou para pegar a receita na internet, pois é dada na velocidade da luz, nada de netos passarem um dia de índio com eles (com honras a expressão e não depreciação, com bem querer ao modo índio de passar os dias), nada de ouvir os ditados, de os filhos e netos dedicarem tempo e cuidados com os velhinhos, zero de respeito as vezes e menos cinco de encantamento com cabelos brancos, crochetices, colocar o cd de Roberto para vó ouvir, ouvir junto e sair cantando sem querer que nem cantamos as modas de viola ou de serestas dos nossos avós e pais. Nada de os pequenos já com seus tabletes e petulância, curtirem o colo, cafuné, os mimos, cheiro de alfazema e histórias de telégrafos e máquina de datilografar. Quiçá isso venha a mudar! 
Crianças e idosos, sementes e raízes, dois extremos que enfeitam e enriquecem as estações da vida #ficaadica, pra encerrar junho no embalo de São João, com pé e chão, chão e pó. Pó mágico e transformador de pirlimpimplim, pó antigo e cheio ensinamentos de giz em lousas, por um mundo melhor, com mais educação que ensinamentos, pois para ensinar como li certa vez numa tirinha da Mafalda, é preciso saber, mas para educar é preciso ser. Sejamos pois, eduquemos, nos eduquemos, sejamos as mudanças que queremos ver no mundo, sejamos mais gente que faz, independente da idade e levando em consideração as variedades, aprendizagens e valor de cada fase da vida. Partiu julho!

29 de junho de 2015

Dos remendos

Imagem de por ai
Azul
Sombras na água
Contemplação
Pescaria
Intensidade
Delicadeza
Dos retalhos da natureza
E os remendos que fazem em nós
"É admirável perceber
O rasgo que a intensidade dos sentimentos nos causa
E depois, a delicada costura do tempo a restituir o perdido"
Pe. Fábio de Melo

27 de junho de 2015

Qual a tua obra?

A pergunta título do post é feita pelo professor, filósofo (dentre outros atributos), Mário Sérgio Cortella e dá nome a um de seus livros, que é a minha leitura da vez, que foi o primeiro tema da BC aos sábados feita aqui e lá no lado de fora do coração da amiga escritora e blogueira Ana Paula Amaral. A minha leitura veio hoje pra cá, pois foi a proposta, inspirada por nós, em um blog até então desconhecido por mim e por Ana, que trouxe o link (clica aqui para visitar) e resolvi participar, para incentivar as boas leituras (as que eu considero boas, levando em conta que agregam, transformam, trazem informações, memórias afetivas, ludicidade e tudo que seja positivo de alguma forma), participando também por gratidão pela extensão do tema (crendo que gratidão é uma forma de gentileza e oração), como semeadura de novas amizade e interação, enfim, vamos ao livro da vez.
O livro que comprei em parceria com meu marido e estamos lendo em parceria também, é para como se fosse um áudio-livro, como disse também sentir a filha do autor na apresentação, tenho a sensação de ouvir a voz de Cortella, o tom, as pausas, ver os gestos, de tanto que vejo suas palestras em vídeo. Um dia ao vivo! O livro traz como ele denomina: inquietações propositivas (adorei isso), sobre ética, liderança e gestão, que aos meus olhos e de quem tiver visão fontana, vale para negócios e para vida pessoal e coletiva, pois trata do comportamento das pessoas, com relação a si mesmas, com relação a outras pessoas e com relação a vida e obra de cada um para si e de cada um para o todo.
A tal da humildade, tão em baixa num mundo tão de salto alto, holofotes, rompantes, ostentações, é destacada no livro, como sendo necessário ser resgatada. Dizer: não sei, não entendi, não faço a menor ideia do que todo mundo já sabe, não conheço tal cantor, tal lugar, não tenho dinheiro para isso, não tira pedaço como se dizia antigamente. Há tanta coisa mundo a fora, tanta informações, ninguém é obrigado, nem precisa, nem pode saber tudo, ter lido ou ouvido falar de todos os livros, saber tudo que está na moda, conhecer vinhos, alimentos, clássicos e contemporaneidades, bandas, restaurantes e eteceteras.
É preciso curso, especialização, dom em certos casos, para fazer e fazer bem tal coisa, que se diz: eu faço, sei como é, é fácil, moleza, sem nenhuma humildade, noção e consideração a quem faz e tem know how na função, arte, trabalho, esporte, o que seja. Ler mais, assistir, ouvir, conversar (que é bem diferente de discutir) para poder opinar sobre um assunto, entender e exercitar o lado bom de não saber. Sim! Existe esse lado! E ele é deixado de lado, sufocado, abafado. Um lado encantado e rico e é esse é o nome de um dos capítulos do livro, dedicado a importância de não se saber tudo.
Quem é Doutor certeza, sabe tudo, pasta pura, não evolui, não cresce quem não tem dúvida, não questiona, não muda de opinião, não olha o entorno, não é humilde, não reconhece seus erros e limitações é um monte de rabiscos ilegíveis e improdutivos.
Mãos as nossas obras, com a dica de leitura desse livro e de outros do autor, que instigam nosso filosofar, nosso olhar, sentir, sentidos, pensamentos e atitudes, que nos provoca e convida a escrever nossa história de forma clara, produtiva, contagiante, transformadora e a ler as histórias alheias com um olhar crítico, com filtro e adubo para o que é bom.

26 de junho de 2015

Tipo...

Tenho sintomas, diagnósticos e sensações que não tendo nome, eu invento, além das invenções amigas e populares das quais me aproprio. Na adolescência eu e meu marido, então namorado, inventamos a Nhanhança, momento porre, #chatiados, dengo. Estar nhanhante era e é isso. Cheguei no ápice da criatividade a fazer uma caixa de remédio, que tinha na bula, para cura: carinho, atenção, paciência, tolerância.
E porque não dar nome as sensações? Tipo o clássico estar feliz que nem pinto no lixo, ou pra variar, que nem pipa no céu, que nem chuva em poça d´água. Saudade tipo tamarindo, tipo soldado grande, estar lilás, beje, sentindo fome tipo monstra, precisando de um sono de princesa. Fica a dica, a liberação para licença poética, criativa, clínica e meu desejo que hoje seja uma sexta-feira tipo exportação. Beijo no ombro então e abraço tipo laço.

25 de junho de 2015

Da riqueza da infância

Severino Antônio é um doutor em Educação pela Unicamp, que há quarenta anos trabalha com ensino de Redação, Leitura, Literatura, Filosofia. Ele enumerou e analisou frases infantis em um debate, mediado por Ana Claudia Arruda Leite, idealizadora de um Projeto chamado: Ciranda de Filmes. E eu, mera mortal, na última publicação, que ficou aqui com bandeirolas dançantes por dois dias, toda enfeitada, do meu ser e ver eterno de menina, retomo hoje a palavra aqui, trazendo um chamado, um aceno, um incentivar e valorizar o rico, simples e popular ser criança.
Luciene Silva, que dentre outras atividades desenvolve pesquisas em cultura infantil e música, também fazia parte desse debate, que me foi enviado um trecho por e-mail por uma amiga, que como eu e como a essência da proposta, acredita que as descobertas, invenções e intervenções que toda criança faz e deve fazer no brincar, no ouvir, no falar, desenhar, escrever, que ficamos tentando ensinar e normatizar, com teorias e regras, são tão mais ricas se sensoriais, instintivas, pessoais, variadas e variáveis.
“A menina corre alegremente no corredor da escola e logo pedem que ela pare dizendo que é proibido. Ela então para e, numa naturalidade espantosa, pergunta: Mas aqui não se chama corredor?”  Severino comenta: “A infância é radicalmente poética porque ela esta próxima dos sentidos.”
“Um menino de três anos com a mãe no quintal: Deus fez isso, fez esse céu,  fez a nuvem, essa árvore comprida e até essa formiguinha?" O todo e os pedaços, o grande e o miúdo, igual valor ou valores inversamente proporcional ao tamanho, importância econômica, esse é o pensamento mágico da infância. Deveríamos nunca perder o fio dessa meada. E assim no meio já perto do fim de semana, desejo e evoco a sabedoria da infância.

23 de junho de 2015

Das fogueiras do coração

Vi de passagem por algum canal, Gilberto Gil respondendo a pergunta de qual era a lembrança mais viva que ele tinha das festas juninas. Antes de contar, para entrar no clima e contextualizar, para os que aqui passam sem ser nordestinos, os que nunca por aqui fizeram pouso ou passaram por essas bandas por essa época e além dela, sem ter vivido, provado, o caipira, o sertanejo dos festejos do mês de junho, que começam com as rezas e festas para Santo Antônio, vem o São João (ver algumas histórias aqui) e fecha no São Pedro, segue um remedar de retalhos.
Já a um tempo, observo que por serem de origem e cunho religiosos os festejos, muitas pessoas vem deixando de vivê-los, o que pode se fazer sem o crer, sem o assim ser. Posso fazer Yoga sem ser indiana, budista ou sei lá o que. Posso usar quimono ser ser oriental, tal e coisa, coisa e tal, mas enfim, cada um com seus sem fins de restrições, individualmente e em suas famílias, nos prédios e também instituições como escolas, repartições, comércios, vem se deixando de pendurar bandeirolas, balões, deixando de tocar as modas de viola, de reverenciar e curtir o animado vai e vem das sanfonas, o trilintar do triângulo, o eco da zabumba por ser coisa ultrapassada, sem modernidades e afins.
Crianças não querem mais se vestir de caipiras, porque é jeca, o look Country até topam ou de algum personagem que use roupa de quadros, cangaceiros nem pensar. E além das crianças cheias de ses, muitos pais não vestem as tais ou as sem mais, porque é um símbolo do coletivo festejo aos santos, de pobreza, de política. Oh Lampião! Nada de casamentos na roça, com meninas de noiva animadas por casar e noivos levados ao altar no jeitinho, poucos chapéus de palha, bigodinhos e costeletas nos meninos e pintas na bochechas das meninas, para não dar alergia uns, para não incentivar a se maquiarem e tatuarem outros (quanta bobagem). Toalhas de chita são peça de decoração de lojas de grife, vi no shopping um lencinho de quadros infantil (tecido vagabundo), todo elegante na vitrine, por quarenta reais, na feira não passam de cinco os tais. Todas enfeitadas de flores de crepon, estandartes, bandeirolas, correntes coloridas, peneiras decoradas, cetos, laranjinhas e milhos estão as feiras daqui. Artesanato, culinária, decoração, moda, tradição que é muito além da fé, é cultural e também sentimental. E também, pra fazer subir e explodir que nem foguete o lamento, tem muita gente, muitas escolas, prédios, casas, grupos mantendo vivas as tradições, na capitá e pelos caminhos das roças, em arraiás, quintais, portões, crianças e marmanjões.
E na costura das diferenças e vivência, um fio de bandeirola nas ruas de Sampa, no Rio, na França, Portugal, um balãozinho feito de dobradura de papel, um punhado de amendoim, uma laranja descascada em espiral, licor de jenipapo ou a voz de Luis Gonzada, Dominguinhos, Elba ou outro cantador qualquer, um trechinho de Asa branca, pra quem nordestino for ou para quem por acaso, opção, destino por aqui passou é equivalente a uma passagem de ônibus ou de avião, é sentir um chinelo de couro no pé, cheiro de canela para salpicar na canjica, borbulhando no fogo, ou de um pedaço da de pau fervendo entro da panela do quentão. É abraço bom dos parentes dos interiores que quem tem como pagar a passagem abraça nessa época e depois talvez, só no Natal.
Só de ver alguma dessas alegorias, de ouvir, ler aqui, de falar desse pouco e de outras coisas mais ou menos, como as que acabei de enumerar, um nordestino grande vira menino, faz uma viagem sem sair do lugar, vai na praça da infância, no coreto, na escola, vê os vizinhos, o campinho de futebol, os rostos, lugares, objetos, as vozes vindas do passados, risos, lamentos, sabores, cheiros: de fogos, de fogueira, de terra molhada pela chuva que sempre cai nessa época.
Como arremate, tipo fita pra dar laço na ponta da trança das meninas, já contei aqui (é só clicar para ler), o que tem a ver o milho com essas comemorações, que tem na terra em que nascemos em que plantamos e colhemos, lá no mês de março, nos braços de São José, referências e reverências santas. Clica aqui, também, quem é de gosto por xerém, beira de forno e fogão, preparado para imagens fortes. 
E através da lembrança de Gil, o que tema ver as laranjas é o que vou contar pra modi essa prosa de onde comecei, encerrar. Ele contou que nessa época, de fartura nas laranjeiras, nas idas e vindas rasteiras e trabalhadeiras, de casa para a rua e vice versa, todo mundo chupava muita laranja e as casas eram guardadas. Todo animado e cheio de garbo, Gil chegava na noite da fogueira festeira para João, com uma braçada de cascas e como era costume jogava elas no lume. E as casas faziam e fazem o cheiro de laranja subir e junto com o perfume, estalos e faíscas, típicas, alumiadas de poesia, de alegria, de festa e também de fé, porque as coisas todas, para ele, para mim e para Guimarães, estão todas amarradinhas em Deus. E dessa vez é mesmo finda a escrivinhança, bom dia de véspera, boa noite e dia de São João prôcês e pra toda a vizinhança!

22 de junho de 2015

Das referências

Ilustração de Rebecca Cobb
Pelas curiosidades
Espiadas, espichadas
Contações para interações
Para modi começar a semana
Simbora que lá vem história
Nas dicas para um dia na famosa França, que meu irmão me passou, para eu passar para um casal de amigos, ele citou uma cidade de nome que dá origem a uma canção de infância que muito cantarolei e como tantas outras que nem eu, nem ninguém que eu saiba, se perguntava o que significava. 
Fiquei curiosa, com o dito por ele nas entrelinhas, sem muitas considerações minhas na ocasião, mas ai o formigão da curiosidade me fez ir atrás do açucareiro do saber e eis-me aqui dividindo com vocês.
A música de roda original, em bom francês é: Je suis pauvre, pauvre, pauvre, Du Marais, Marais, Marais. Je suis riche , riche, riche, de Mairie d’Ivry. Tradução: Eu sou pobre, pobre, pobre, de Marais, Marais, Marais. Eu sou rico, rico, rico, da Prefeitura D’Ivry. Le Marais, bairro indicado por meu irmão para turistar,  é um dos mais antigos de Paris. Já Ivry, é uma região onde se situam algumas comunidades do subúrbio de Paris e Mairie d’Ivry, é a estação de metrô localizada próxima à prefeitura de Ivry-sur-Seine, local pop. 
Curiosidade compartilhada, vou aqui fazer a roda do meu dia girar, sentar em uma horinha livre no carrocel do divagar, escrever, blogar e programar o post de amanhã, com alumiares juninos, referências, reverências, carinho e cheiro de milho assando na fogueira. Inté!

20 de junho de 2015

Do comer, rezar e amar

O tema proposto para BC de hoje, de uma série que começou no sábado passado, em parceria com minha com Ana, é comida. Ai, resolvi não falar de nenhum prato típico baiano, nem das minhas raízes espanholas, nem de comida italiana, oriental ou árabe que adoro. Também não vou falar de minha irrestrita tolerância e bem querência por leite, pão, calorias e carboidratos, nem da intolerância alheia. Não vou fazer um chamado para boa alimentação que para mim vale a seleção tanto quanto como o que ouvimos, assistimos, acreditamos e assim tudo que nos faz bem ou mal, que como sal, nem muito, nem pouco, é o ideal. 
E sobre o que vou falar dentro do tema comida? Sobre: dividir e multiplicar. Tudo a ver com o época junina e o meu ser nordestina. É que nos interiores aqui é tradição nas noites de São João as pessoas irem de porta em porta perguntando: São João passou por aqui? E assim em cada casa, todos entramam e comem alguma coisa, levam  alguma coisa pra casa, passam deixando também, em prato descartável ou na vasilha mais bonita que tem em casa, coberta com pano bordado e rendado, coisas fresquinhas: canjica, bolos, amendoim, pamonha, lelê, milho cozido ou assado na fogueira, quentão, licor, tudo caprichado no sabor e no amor.
A história do dividir e multiplicar que acabei de ilustrar com o contar do hábito da gente simples aqui dos sertões e redondezas, servi de prato do dia, para fazer refletir de sobremesa sobre um contar do compadre Mário Sérgio Cortella, em uma de suas muitas palestras e entrevistas que já assisti, algumas repetidas vezes, como comida que a gente gosta. Ele fala do hábito, cada dia mais raro, de as famílias ou grupos de amigos marcarem de se encontrar na casa de um e de outro, em datas festivas ou em dias de domingo e o combinado ser cada um levar um prato, uma colaboração, um prato principal ou acompanhamento, lanche, sobremesa. E assim cada um levando uma coisa o gasto não fica para uma pessoa só, os sabores e temperos são variados, a fartura é certa e o mais interessante de tudo é que cada um só leva um pouquinho e cada um levava pra casa sempre muito mais que levou. Multiplicação então, e para próxima Blogagem Coletiva o tema é: Saudade, vai ser no dia 04 de julho (e para cada primeiro sábado de cada mês vai ter tema novo, enquanto houver adesão a proposta).
Quero ver geral dividindo as suas saudades e nessa magia da partilha dos alimentos e dos sentimentos, do confraternizar, encerro com a sugestão de reza antes das refeições, em qualquer credo, agradecendo e pedindo que não nos falte o pão de cada dia, tipo papo sem formalidades com o divino, ou com formalidades e rituais, em silêncio ou em voz alta. Creio e sempre digo que gratidão é uma forma de oração e assim sendo, vale agradecer por termos o que comer, com quem dividir, quem divida conosco. Tenhamos também e prazer nos preparos, na escola de onde ir almoçar quando for da vontade ou necessidade almoçar fora, prazer ao ao comer, cada um com seu gosto, minimizando as noias, sem desperdícios, com etiqueta ou no modo comer de mão, tudo temperado de emoções, sensações, provar, comer sempre o mesmo prato, alimentar a memória afetiva dos alimentos, saber o prato predileto, a sobremesa preferida de quem amamos, tudo junto e misturado, salpicado de fartura e ternura. Tim! Tim!

19 de junho de 2015

Dos cheiros

De um blog vizinho veio uma pergunta sobre cheiros e eis que resolvi trazer a baila dada a mão a Bailune, autora da resenha poética, clica aqui para ler.
Quando no jardim perfumado da vizinha estive a ler a tal resenha, tive dúvida se havia publicado ou estava aqui na gaveta com sabonete (no pacote para não manchar as roupas), colocado e trocado quando em vez, para perfumar as peças e também para no dia que o sabonete da dispensa acabar  ter um para nos salvar.
Após pesquisar, vi que publiquei sim alguns aromas em palavras e histórias, clica aqui para ler. E como eu comentei sentada na varanda da recente amiga, que cheira a um mix de papel de mimeógrafo, borracha perfumada dos tempos de escola e palavras no varal sob sol e lua, eu e cheiros somos chegados. Do farejar, que parece engraçado e tosco , de haver barata na área (se eu disser acredita e espera que a bicha vai aparecer e quando a barata voa, como li dia desses por ai, não tem corajoso que não balance, pior ainda é quando a feiosa some) a eu só de falar certas coisas já sentir o cheiro, e não, não sou loucoa, ou talvez seja. "Misture a sabedoria a um pouco de loucura. É doce enlouquecer no momento certo", dica de um filósofo de mesmo nome que o Dino dos Gibis.
Ah! Gibis! Cheirinho de Banca de revistas, de histórias curtas e de logas viagens e sem saber reflexões, de diversão, de recortes das capengas para fazer corrente de festa junina. Sinto cheiros que reconheço de imediato, outros fico encafifada até reconhecer, sinto cheiros que a maioria tá sentindo e por vezes sinto uns que só eu sinto, como brisas que sopram do passado e por vezes creio, do futuro.
Um dos cheiros de meu avó é loção pós barba da Bozano. De meu pai, jornal. E na viagem de sentir só de lembrar, sinto o cheiro da colônia que meu marido usava quando namorávamos, cheiros que associo a lugares como terra e grama molhada a casa de minha Tia Nélia. Fogos de São João, cheiro dos Arraiás de meu colégio, pão assando cheiro da Padaria de meus tios e Dindo. Cheiros diversos de casas, de praças, de dias, de sentimentos.
Essa prosa toda aromatizada foi para fazer pontes, abrir espaço para histórias pessoais e coletivas, para convidar geral a postar amanhã sobre comida como proposta de Blogagem coletiva da vizinha de cozinha e quintal, Ana Paula Amaral e minha, por uma sexta-feira com aromas de descanso ou passeio, água benta, alfazema, incenso. Cheiro dos Deuses de acarajé no tacho borbulhante e exalando, por todos os nossos sentidos apostos, inclusive o sexto. Por mais sentidos e sentires, além de ter, por mais ser, estar e permanecer.

18 de junho de 2015

Estabelecido sqn

"Foi estabelecido cientificamente que a mamangava não pode voar. Sua cabeça é grande demais e suas asas pequenas demais para sustentar o corpo. Segundo as leis da aerodinâmica, ela simplesmente não poderia voar. Mas ninguém disse isso à mamangava. E assim ela voa."
E eu adoro essa reflexão, frase, poesia, filosofia, que talvez já tenha publicado aqui e por ai, mas não canso de repartir. A mamangava para quem não sabe (embora isso ao modo Manoel de Barros de explicações que não mudam nada e tantas outras que empobrecem os sentidos e sentires) é a abelha que faz a polinização do Maracujá.
Pensa então se não é da vibe essa abelhinha, toda trabalhada no equilibro, na beleza das flores, no calmante do fruto, no voar além do que possa a tal da física discordar, os outros acharem que ela é gordinha ou cabeçuda. É sim e daí, se nós que temos pés podemos voar, porque não ela?
Por que não voar, porque dar ouvidos a quem nos puxa para baixo, cada um só dá o que tem, deixa que pensem, que digam, que falem. Eu, em um comparativo bem moderno e visual para quem é das tecnologias, tenho feito com os papos chatos, pessoas sem noção, as over demais e as de menos, passado que nem imagens no touch screen do celular, passo e foi, vai para nuvem, não para as de enfeitar o seu, nem mesmo as de arquivamento virtual, vai para as que ao sol, sob a luz dos sentimentos bons, no varal das boas energias, evaporam.

17 de junho de 2015

Para qualquer hora e lugar

Para apoiar e promover o hábito da leitura Jakub Pavlovsky, um eslovaco de 21 anos, criou um ensaio fotográfico, fonte da imagem que ilustra essa postagem, no qual ele aparece lendo em locais bastante inusitados. Vale o click e a busca de ver outros registros, tem vários bem legais. Intitulado, traduzido, de: O livro está chamando, o projeto chama a atenção para fazer refletir e sugerir o que é um fato: Livros são ótimas companhias em qualquer lugar ou momento.
Em uma entrevista que li por ai, Jakub disse: "Eu percebi que as pessoas não estavam mais lendo tanto quanto elas liam. Hoje, eles preferem as tecnologias modernas a um livro interessante. Quero espalhar uma ideia tradicional em um sistema moderno".
Apoio, aplaudo e achei o máximo a chamada para a reflexão, o incentivo, a criatividade, o fazer sua parte, um movimento interessante em meio a tantos bizarros.
Que tenham palco os bons projetos, pessoas com boas propostas e competências, que livros sejam vistos nas mãos de pessoas em pontos de ônibus, nos transportes (para os que não ficam tontos e não temem o agoro de avós e mães que fica vesgo fazer isso), nos ambientes de trabalho (para horas de descanso, valendo pontuar o tanto de gente que em serviço hoje em dia fica abduzido nos celulares, heloooouuuu), nas cabeceiras das camas, malas de viagens etc e tal.

16 de junho de 2015

Dos mergulhos

Largou as Botas e Mergulhou no Céu” é o nome de um documentário, que descobri por indicação do blog que segue linkado no nome do doc, com mais explicações e os vídeos correspondentes de uma trupe cinematográfica que fez uma série de entrevistas em busca de registros, de compreensão e reflexões sobre a identidade brasileira.
A websérie que compõe esse trabalho, de nome: “Tão Longe, Tão Perto”, mostra em 10 episódios a construção do ser brasileiro para profissionais como cineastas, poetas, fotógrafos etc. Muito interessante, rico e múltiplo. Vale o mergulho!
Vale, ao meu ver, muito, mais que um presente, a partilha de algo legal, seja informativo, seja lúdico, sejam palavras, imagens, sons que agreguem algo, com possibilidades de transformações positivas na vida do outro, de muitos outros e esse efeito, como o movimento circular que faz na água uma pedrinha lançada, de alguma forma ou de várias, acaba por fazer movimentar também quem lança a pedra em mergulhos interiores e circulares.

15 de junho de 2015

Andando
Correndo
Nadando
De pés descalços, calçados
Para passos, corridas, danças, a nado
Para a semana começar
Com ilustração que ganhei e de quem é não sei
Segue o contar
E fica a dica
"Toda manhã, na África
Uma gazela desperta
Ela sabe que deve superar o leão mais veloz 
Ou será morta
Toda manhã na África
Um leão desperta
Ele sabe que deve correr mais rápido que a gazela mais lenta
Ou morrerá de fome
Não importa se você é um leão ou uma gazela
Quando o sol nascer é melhor que esteja correndo”

14 de junho de 2015

Na lousa do tempo

A saudade em suas mais variadas formas e significados é sentimento comum em mim, as vezes com suspiros de contentamento, as vezes com pesar, porque de pesares também são os pilares que nos mantém em pé e que nos fazem seguir. Acredito e ouvi esses dias em algum lugar, ou li, que tanto nossas limitações quanto nossos talentos é quem somos, sem um ou outro se sobrepor, ter menor ou maior importância, o bom convívio e desafio diário de aproveitamento de nossas virtudes e defeitos é coisa da maturidade, do equilíbrio interior que muitos se furtam de buscar, vivendo uma perfeição inventada, uma felicidade forçada, um abafar de defeitos, tristezinhas e limites.
Enfim, retomando aos recordares e saudades, o sentimento da presença na ausência está no calendário (em datas especiais), em objetos, cheiros, histórias, fotografias e essa relação que a saudade tem com as fotos foi objeto de uma exposição que eu trouxe hoje para cá. Pra aplaudir, para resenhar, para registrar que quero venha para Salvador.
Com curadoria de Diógenes Moura, a mostra: A Arte da Lembrança - A Saudade na Fotografia Brasileira, ficou em Exposição no Espaço Cultural Itaú em Sampa, no início do ano e foi considerada uma viagem por meio de registros que englobam temas diversos e universais, objetos de uso pessoal à mercê do tempo, da poeira, móveis, locais públicos e privados e suas marcas na tinta gasta, nas demolições, cenários que remetem a um passado de glória, a ausência de um ente querido, entre outras imagens congeladas no tempo.
Ai, eis que rascunhando essa resenha, li uma matéria que diz que quadros negros do século passado foram encontrados durante uma manutenção em Oklahoma. Cronogramas, tabuadas em forma de roleta (novidade para mim), lições de literatura e música são alguns dos conteúdos das aulas do início do século passado perfeitamente visíveis e vivas nas lousas rabiscadas por professores e alunos. E diante de meu encantamento, um de muitos comentários para tal notícia era que idotice, que utilidade tem isso. Pobres insensíveis! Vou dar a palavra a uma atemporal sumidade. “Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.” Carlos Drummond de Andrade

13 de junho de 2015

Leitura da vez

A minha leitura da vez como propõe seja compartilhada a Blogagem coletiva proposta aqui e no Blog da minha amiga, escritora, blogueira e amante de feiras, Ana Paula Amaral, sábado passado, é o livro, de capa convidativa: Dia de Feira, da Companhia das Letras, escrito por Julio Bernardo, filho de feirante, chef de cozinha e blogueiro gastronômico pop, crítico e polêmico.
Das histórias paralelas e adjacentes a minha leitura, estão o fato de Bernardo ser o nome do filho da Ana e Júlia ser o nome da filha, adoro essas pequenas bobagens, essa para mim sobrepôs o fato de não ser a essência do livro histórias poéticas, nostalgias e filosofias de Refazenda.
Outra história, é o livro ter sido da Ana, por hora meu. Quando colocou no correio ela me contou que teve vontade de colocar uma carta, ou somente um bilhete com impressões da leitura, histórias dela e nossas ou só um oi, mas não deu, na hora era mandar sem nada ou nada. E ela me disse, em vias de eu estar começando a leitura para ser o livro da vez dividido aqui, fresquinho, uma frase que pensou escrever para mandar junto: “Preferia não saber”.
Eu, cismada que sou, após a leitura do resumo do que trata os tais escritos, decidi pular parágrafos ou capítulos que não me fossem agradáveis. Sim faço isso! Assim como não vejo determinadas cenas de um filme, ou deixo pela metade se não gostar. Também vejo e leio a pulso, varia.
O autor classifica as feiras, como Patrimônio cultural, gastronômico e social e assim penso que são. Ele relata histórias e apresenta cenários que vão das verduras e peixaria aos causos, gracejos, mazelas, feirantes, passantes, clientela, personagens que compõem esse espaço múltiplo que é de comércio, de vida, de relações, com pessoas comuns, honestas e nem tanto, boas e más.
Não consegui tirar uma foto e nem achei uma ilustração para fazer valer meu bem-querer sobre o tema da minha leitura da vez, sobre o qual resenhei aqui recentemente. Sugiro a busca de outros títulos, quem sabe eu não escreva um livro sobre feiras um dia e esse postagem coletiva seja referência, o nome pode ser Sábado-feira, os posts ao sol e chuva por ai, porque todo dia é dia de feira, todo cesto de vime, toda verdura fresquinha, caldo de cana com pastel para quem é brasileiro, quinquilharias em feiras de por aqui e por ai, além das tristezas, todas as alegria, sacolas de náilon e toda poesia. Tema da BC para sábado que vem: comida.

12 de junho de 2015

Momento love

Pelo dia dos namorados
Pelo todo dia
Por concordar que para durar
É preciso amar pelos porquês
E muito pelos apesar de
Para meu namorado
Das antigas
De continuações e novidades
Luz na escuridão
Brisa boa no calor
Socorro no sufoco
Espantalho de medos
Mãos estendidas
Abraço acolhedor
Ombro amigo
Colo
Afago
Declaracoes de amor
Por todos os mimos
Surpresas
Diferenças
Por tantos anos
Por tanto amor

11 de junho de 2015

Dos para sempres

Além da minha Tia Nélia que amo e já contei histórias nossas por aqui, tenho uma tia emprestada que também adoro, chamada Tia Beta e uma outra que é desse clã das prediletas que tem bordado em seu perfil o dom do bordado, aplicação de miçangas e lantejoulas em roupas de baile, que costurou muitas roupas para mim, que fez meu vestido de noiva.
Fui Daminha de honra do casamento de um de seus filhos, lembro do espelho enorme de sua casa, lembro de mais de uma de suas casas, dos retalhos de pano que ela tinha aos montes e que eu amava e levava para fazer roupas para minhas bonecas. Ela me media e costurava para mim, como se boneca eu fosse, elogiava meu figurino, meus olhos, minha petulância (risos). De grande, fazendo meu vestido de noiva, que se pena para não engordar uma grama sequer, ela não maneirou em encher meu ego com gás hélio. Ela e eu, arianas convictas, sintonia de sinceridade, espontaneidade, resenhas de coxia da vida do alheio, risos tipo gargalhadas, fashionices, querer bem de sempre e para sempre.
Para ela post noturno, para ela meu registro de bem-querer, de admiração e carinho, por ela que em meu coração fez ninho, estou amuada feito passarinho com frio com sua passagem para o outro plano, ainda que saiba que ela gostava de mim saltitante. Bordado está no pano de meu amar e lembrar, nossas resenhas, o carinho de volta e o acreditar que quem amamos é eterno em nós.

Para o recalque passar longe

Eu ia falar hoje sobre os tais livros de colorir que de mocinhos passaram a vilões, por terem esgotado no período do dia das mães talvez (péssimo feeling das livrarias para a modinha e agora sobrando tipo comida demais na mesa que faz o apetite se intimidar), coisa da mídia, coisa de intelectuais ranzinzas ou das redes sociais onde opiniões se juntam sem muita identidade e fazem couro. Ai resolvi conjugar esse tema a outro que tem também os dedinhos podres midiático e das redes, nesse aspecto antisociais, que é o Dia dos namorados.
Compreendendo desde que minhas perguntas passaram a ter mais de uma resposta que a televisão, os governos e religiões são formadores de opinião e fazem bom e mau uso desse poder. O capitalismo e interesses diversos de ordem  pessoal e setorial são os carros chefes da formação de opinião e na leva das modernidades está o culto a individualização, a sofrência consentida, exibida até, a máscara do não tô nem ai, feliz que não tenho com quem gastar dinheiro no dia dos namorados, festa andam cheias porque ser solteiro e solto é a melhor coisa do mundo e outras tantas ostentações de desapego, "independência" e uma falta de romantismo nada discreta, Barroca eu diria. 
Ai, da-lhe festas para solteiros no dia dos namorados, comercias de pedidos ao Santo casamenteiro por beijação e pegação, casório não. Filmes de relacionamentos comedinha nas telonas, além de outros pouco em sintonia com a data. Pontuando a moça charmosa do noticiário na matéria sobre a data dizer com toda informalidade "Graças a Deus não tenho a quem dar presente" #ressentidatalvez, uma reportagem sobre as desvantagens financeiras de uma vida a dois, que pelas vidas a sós que acompanho de perto não tenho nenhum sentido e outra revelando um dos piores anos do mercado nas venadas nessa data (tanta propaganda negativa, porque será as baixas vendas?). 
Enfim, certa de que lojas cheias e presentes caros não representam o amor, valendo uma caneta Piloto dos tempos de Escola, um chocolate Sonho de valsa, um bilhete num guardanapo, gostosuras compradas na padaria ou até mesmo num boteco, porque amar, estar enamorados, inclua-se casados (pois quem é casado por gosto e por amor, não namorou para casar, casou para namorar como reza romântico dito popular) é coisa boa por demais, não tão boa que picada de cobra é melhor como diz o comercial da gelada, tipo ferida que as vezes dói, se sente, mas se suporta, suco divido em dois canudos que um selfie causa inveja, é bem querer, um não contentar-se de contente, cuidar, ganhar e perder, estar-se preso por vontade, sentir e constatar que só se chega mais rápido e junto se chega mais completo, seguro, feliz, porque não importa a velocidade, a partida e a chega e sim o caminho.
E os livros de colorir? Bem, eles entram na categoria alvo das pessoas que reclamam de tudo, botam defeito em tudo, peso, criam teorias. Que não são leitura, não são, que são livros, acho que sim, livro de artesanato é livro, livro de recortes é livro, livro de ilustrações de carros ou fotos é livro, não é literatura, mas é livro e leva leitores para dentro das livrarias para dizer o mínimo e quem entrou na modinha, mãe, vó, tia, namoradas, adolescentes, não são pessoas com transtornos ou desocupadas, não cabe a piada de Síndrome de Romero Brito, carência de infância e tantas outros venenos que as línguas das comadres (homens cada dia mais fifis fica a direta) destilam. Melhor colorir que encher a cara, melhor colorir que tomar remédios, melhor comprar lápis de cor que cigarro. Bom mesmo e serve para os dois assuntos e qualquer outro, é cada um viver a sua vida, deixar de ser competitivo, juiz, recalcado. E tenho tido!

10 de junho de 2015

Horas, passos e compassos

 
"O tempo voa rapaz
Pegue seu sonho rapaz
A melhor hora e o momento
É você quem faz"
E na levada
Do conselho da canção
E da ilustração
Vamos atrás
Do tênis desejado
Do livro
Da paz
De fazer aquela viagem
Façamos planos
Recitemos poesias
Palavras de Reis
De Deus
Dos Deuses do Olimpo
Da música
Da literatura
Santos
Sábios
Palavras e exemplos de pessoas simples
Façamos por onde
Façamos valer
Façamos sair de dentro
Caminhemos em direção dos nossos sonhos
Dando uma corridinha vez ou outra
Voando
Para fazer valer
Cada minuto, hora, segundo

9 de junho de 2015



Lambe-lambe para mim era o profissional que operava aquelas máquinas de tirar fotos com um pano preto onde o moço fotógrafo (aposto sem formação de pompas, apenas treino ou herança) se escondia e lá íamos nas praças para tirar foto 3x4. Digo que era porque não há mais esse profissional  por aqui e porque para mim passou a ter mais um significado, que aprendi e trouxe da  fonte para cá.
Melissa Westphal é uma garota arteira, simpática, 23 anos, nascida sob o signo de gêmeos em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Ela é estudante do Curso de Design Gráfico na Universidade Federal de Pelotàs, formada em Técnica de Comunicação Visual e com o bichinho artístico a tira colo, também chegou a cursar um ano de Artes Visuais.
Após as devidas apresentações, a parte lambe-lambe é que ela cola sua arte pelas ruas, de uma forma cult e cuti-cuti, através do Manifesto Cuticuti, simples, engajado, encantador e revelador de seu talento como ilustradora.
Melissa conta que quando entrou na Faculdade de Artes Visuais foi apresentada a um mundo novo, tipo papel em branco, com pincéis e tinha ao lado, dizendo fique a vontade. Ela não tinha muita ideia do que era street art, arte contemporânea, graffiti, e tudo isso ilustrou e coloriu ela, que além fronteiras saiu colando mensagens por vários lugares diferentes, de passagem e inusitados.
Tem arte da Melissa, que eu saiba, em São Lourenço do Sul, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México e ela fica super feliz quando as pessoas tiram foto nas ruas dos cartazes, quando compartilham as imagens nas redes sociais #ficaadica.
Para saber mais e acompanhar esse trabalho pelas redes, clica aquiaqui, quem tem Instagram procura ela lá e procura pelas ruas suas iluminuras, deixa marcas positivas, espalha que nem ela mensagens de incentivo, beleza e sensibilidade por onde passar.

8 de junho de 2015

Essa ilustração eu peguei em um blog vizinho
Não tinha de quem era a autoria
Decidi que diria de onde veio
Detalhe foi não anotar

“Poeira é só a vontade que o chão tem de voar”
Rita Apoena

"O mundo contemporâneo
Inventou o impossível:
A multiplicidade de diferenças
Que não fazem nenhuma diferença"
Luis Felipe Pondé

"O menino me ensina
Como um velho sábio
O quanto sou menina"
Alice Ruiz

 “Eu sou o que posso
Na medida que me permitem
Quando posso eu ultrapasso as fronteiras
Quando não posso, do meu limite faço arte
Sou semelhante ao rio
Se me barram, eu aprofundo”
Pe Fábio de Melo

Para fazer a diferença 
E fazer diferente
Trouxe frases diversas
De autorias diversas
Para serem copiadas na agenda 
Num pedaço de papel
Para alguma ou todas
Virarem post por ai
Irem para o perfil das redes sociais
Para refletir
Fazer em nós e em nossos gestos
Atitudes
Sentimentos
Fluir o melhor de nós
O melhor que podemos ser, oferecer
E fazer acontecer
Porque as escolhas que fazemos
É muito do que somos
E refletem nos outros e no mundo 
#fato

6 de junho de 2015

Chamada para BC

Como disse minha vizinha de blog e amiga Ana Paula Amaral, sábado é um dia paradinho para os blogs, eu concordo, por isso, as vezes posto, as vezes não. Ai pensando em colorir e agitar um pouquinho esse dia por aqui, por lá pelo Blog da Ana e pelos vizinhos, redondezas e longezas, para o próximo sábado, dia 13 de junho e um sábado por mês, até onde render,  ela me propôs lá no blog dela e me convidou a fazer e propor aqui uma BC - Blogagem coletiva.
Cada um(a) faz sua postagem e ao mesmo tempo é em grupo, todas as publicações penduradas num varal, sob o mesmo sol da blogosfera, para bailarem ao vento pensares, imagens, sentires, para colorir e enfeitar de matizes e modelos o cenário dos sábados virtuais, promover interação, socialização, troca de figurinhas.
A primeira lista, que cada um vai colocar um item é a "A leitura da vez". Tudo livre e leve, feito o vento a balançar as roupas ou artes em papel penduradas nos varais pelos quintais. Vale nesse tema, para o próximo sábado, que a minha postagem vai tá programada, porque vou tá toda trabalhada no dia e Novena de Tonho, contar o motivo da leitura, foto do livro, nome e descrição, resenha, mais de um livro, links, vale tudo que você quiser. Vale usar ou não a criatividade, vale com ou sem imagem. E se no seu post você quiser listar os blogs amigos participantes, linkando ou só citando suas participações, vale chamar as amigas para participar, vale sugerir novos temas.
Então é isso, prepare a sua postagem, deixe em rascunho, programe, faz no dia, se avia. Será uma listagem ensolarada, pega seu pregador, pendura a sua participação no varal e se chover, deixa molhar.

5 de junho de 2015

Dos gestos

Dia desses, comentei aqui em um post abandonado coitado (zero comentários e a satisfação pessoal de que meus delírios verbais me tarapeutam), que sou fã das palavras belas de Miguel Falabella e são deles as palavras que seguem: “É do ser humano embrenhar-se pelos labirintos à cata dos gestos que nos formaram e que são as fundações das nossas pequenas civilizações particulares”.
O jeito de dormir, de mexer no cabelo, de ficar de pé na pia lavando a louça, de cortar os legumes, de segurar no volante, o modo como um tio nosso abraçava, como nosso avô sorria, como nossa vó mexia nos botões da roupa, como escolhia e tratava o peixe. Olhares, movimentos, a chamada arqueologia dos gestos, para ilustrar, sem imagens e cheia delas, com a palavra de novo, Miguel:
“E é lá, na penumbra do labirinto, que vamos nos deparar novamente com as cozinhas, terraços e pátios de outrora e encantar-nos com os pequenos gestos que, de tão frágeis e efêmeros, aprenderam a multiplicar-se para sobreviver. A mão que me estendia a mamadeira, ao alvorecer, repetia o gesto infinitas vezes, cidade afora, levando na espuma branca do leite todo o amor que fosse possível aprender. É igualmente no labirinto que podemos descobrir para onde foram os valores que esses pequenos gestos nos transmitiram um dia e que constantemente a vida nos tenta fazer esquecer. Acreditem! Estão lá, presos para sempre em seus cenários.”

4 de junho de 2015

Ilustrações e emoções

Um post sobre ilustrações, sem Ilustração, bem eu. E não é das de sempre por aqui, que resolvi resenhar hoje aqui. É que li por ai, que há até tese de doutorado sobre os emoticons ou emojis, as tais carinhas que expressam sentimentos e desenhos diversos, tais como: chapéu de festa com confete, palmas, mãozinha em gesto de okay e afins enviados como mensagens ou compondo uma mensagem nas redes socias e aplicativos de celular.
Nem excessivo, nem desconhecimento ou aversão, como sal, nem muito nem pouco, essa linguagem deveria simplesmente somar-se à escrita. "Cada forma de comunicação tem sua validade e complexidade, dependendo dos grupos sociais, do contexto e das necessidades", define Eugênio Trivinho, coordenador da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP.
Há um consórcio que organiza o universo emoji, (novidade para mim), o Unicode, que é responsável por padronizar os sistemas digitais para uso conjunto dos desenhos. Eles recebem muitas sugestões de novos ícones, que se aprovados, são utilizados por diferentes e diversas empresas de tecnologia, sendo que cada uma faz seu próprio desenho dentro da proposta e com características em comum pré estabelecidas.
Para 2016, estuda-se e desde já aplaudo e peço coro, serem adicionados bonequinhos com diferentes tons de pele. Diz ai para mim, se você já tinha reparado que não existem emotions negros?
Para arremar o combo de curiosidades e novidades, o Face se aliou a uma Universidade para criar um pacote novo by Pixar Estúdio, com carinhas baseadas em expressões descritas por Charles Darwin no livro "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais". O novo e o velho. #gostei
Falando em ilustrações, novo e velho, hoje é dia de festa, de tapetes de folhas, flores e cascalho na cidade de meu velho, lá em Ponteareas, na Espanha (clica aqui para espiar). Desenhos que falam sobre a cultura local, sobre fé, sobre a história dele e portanto parte da minha, que um dia verei de perto, me ajoelharei numa calçada do vilarejo, quisá por onde ele andou quando era criança e entre as emoções e emotions que usarei ou não para compartilhar as fotos que certamente vou tirar, por hora fica o registro homenagem, a composição de histórias e informações, para um feriado de papos variados, via digital e presencial, que tem seu que de especial. Porque um abraço de verdade, o cheiro, textura e beleza das Alfombras (como se chama os tapetes mosaicos) fazem carinhas se estamparem nas faces e por dentro um infinito de emoções personalizadas se ilustram em cada um.

3 de junho de 2015

Perguntices e afins

Ilustração de Nadezda Fava
Urso de cara brava ou encafifada?
Borboletas na cabeça a dançar e pousar
Para a mente transformar ou enfeitar?
Para seguir no ritmo da legenda
A se perguntar
Será
Que a criança que você foi
Ia gostar do adulto que você se tornou?
Você alguma vez já parou para pensar nisso
Para se perguntar
Vale questionar também
Sobre o que você não teve, não viveu
E que dá, porque não
Depois de grande para realizar
Uns dizem que são as perguntas que mudam o mundo
Outros que são as respostas
Eu acho
Que o sinal das mudanças são as reticências
Assim como a exclamação é a  mãe das emoções
Voltando as interrogações
Será, que vamos voltar a ir a shows 
Em que mais pessoas assistam que filmem
Sei não!
Me perguntaram outro dia
Tia, porque essa banda é tão legal
E só tem oitocentos e tantos seguidores
Vou citar uma outra pergunta feita a mim
Essa bem recorrente
Para qual a minha resposta é a mesma
Porque seu Blog é tão lindo
Seus textos tão legais
E só tem 4, 10, 20 comentários
Ou então
Qual o volume de visitas?
Resposta: Média de 300 por dia
Reação: Só!
Penso e não digo que todos esses "só"
Para mim é muito
Respondo que quantidade não é qualidade
Na verdade não sou pareada com os números
Tenho esse atraso
Como Manoel de Barros
E o Pequeno Príncipe
Ponto final
Para minhas perguntices
Por hoje
E ponto de continuação
Para os comentários e afins 

2 de junho de 2015

Bailume de bem quereres

Ilustração de Gabriella Barouch

"O nada nada diz
Nada ouve
Nada afeta
Nada quer
Nada oferta
Nada sente
Nada causa
Nada sabe
Nada aprende
Nada ensina
Nada acha
Nada salva
Nada fere

Se cismo
Sobre o nada
Já não é nada
É algo
Se me afeta
É algo
Se me fere
É algo
Se me espeta
É algo
Se me ofende
É algo
Se provoca
Minha fala
Meu discurso
Minha crítica
Minha fúria
Meu sorriso
De desprezo
Reação
Ódio ou asco
Já é algo
E o algo
É sempre mais
Muito mais
Que apenas nada"

Ana Bailune

Hoje trouxe a baila, um mix de bem quereres
Já falei aqui das minhas cismas
E canduras por nomes próprios
Baseada em experiências
Históricos
Implicância ou amor
Com e sem explicação
Enfim, chama-se Ana
Escreve poemas lindos
O sobrenome me lembra baile, bailar, balão
E também lume, lumiar
É Baiulune
Aos meus olhos, a primeira vista, Bailume
Assim fixei
Para arrematar e vir para cá
A primeira de muitas vezes prevejo
Falou a poetiza, nova amiga blogueira
De algo que para mim é e não é
Cheio de tudos
O nada
Complicado e simples assim
Sem mais e cheio de reticencias

1 de junho de 2015

Além do sabor

Iluminura de Gustavo Aimar
Para Toinho saudar
E também rimar
Porque junho é mês de romance
De ralar a fivela
De meninas nas janelas
De canjica na panela
E comida além de reza pega príncipes de jeito
É ou não é?
Resolvi começar o mês festivo e a semana pensando juntos, sobre o valor e o prazer de cozinhar, de alguém de casa fazer aquele quitute que adoramos, aquele pirão no capricho, mingau sem empelotar e de aroma que chama tipo de desenho animado. Alimentos com carinho, receitas caseiras, louça e talheres que tem história para contar, os velhos queimados nas beiras das panelas, os de sempre da casa de mãe e vó, os novinhos para receber as visitas Vale pensar e dar aquela suspirada também para a poesia e outros sentimentos e sentidos de comer acarajé na baiana, tomar água de coco na praia,em casa né igual não. Comer uma macarronada numa bodega italiana, comidinhas típicas juninas, em barraca de quermesse, festinhas para os santos que tem por aqui em todo canto, na casa daquela senhora quituteira que é aparentada no talento e simpatia com Tia Anastácia do sítio do Pica Pau Amarelo.
Almoço na mesa, lanche na cama, que sempre suja o lençol, pousar o pão em cima do sofá rapidinho pra mudar o canal, lamber a colher de pau e a panela da canjica, coisas miúdas, cotidianas, que fazem a vida mais saborosa, sabores que além do sabor tem memórias, tem nós, os outros, as tradições familiares, as locais, comidas tem trilha sonora, canções que temperam, valendo sempre agradecer ter o que comer.
Fica aqui minha saudação aos alimentos nossos de cada dia, da infância, do caderno de receitas,  da lista de desejos e aos Santos do mês, as festas populares, ao meu amado nordeste, a tudo que é feito com milho, tapioca, carimã, aipim, a quem é das sensibilidades, do ver além e é também cabra da peste. Coragem e doçura pessoá, que rapadura é doce, mas não é mole não. Caminha, reza e ama.