31 de julho de 2015

Dos encontros que são sol e mar





Eu já disse por aqui e digo por todo canto, escrito e falado que para mim vale ouro encontrar um limpador de para-brisas, educado, sorridente, simpático e criativo nas sinaleiras da vida (ver um aqui), ou uma senhora que colhe o algodão, faz fio e faz artesanatos, como encontrei na Chapada Diamantina quando lá fui. Vale mais que se eu encontrasse um ídolo qualquer da música ou do cinema, por exemplo. Ontem encontrei com amigos de blog, tipo abraços reais, olhos nos olhos, cheiros, sabores, histórias sem limites de cliques, sem formatações.
E não sei dizer o que mais amei, se todos no portão a minha espera, se as bandeirolas artesanais feitas pelos guris que amam fazer artesanato só que não, se a recepção e delícias do café da manhã, dos donos da Pousada, que para aumentar a poesia da coisa se chama: Jasmin dos Poetas. E assim foi, e mesmo estando chuviscando a maior parte do dia, ter sido puro sol cada passo, histórias ao som e aroma do mar e do amar que vou bordar e contar aqui aos poucos. Hoje algumas fotos e o fato cada dia mais comprovado por mim de que amizade não tem idade, não ter cor, não tem credo, não tem distância, que bem querer é um tipo um pé de qualquer coisa que dá as vezes sem querer e que para fazer crescer e valer é só regar com afeto.

30 de julho de 2015

Fitas, fatos, fé

Fita de Santana 
Avó de Jesus, mãe de Maria 
Que amarrei no dia dos avós 
No bracinho de minha vó Maria 
Junto da do Bonfim 
Que amarrei ano passado 
Cheia de amarrados no braço
Que nem o neto circense
Que nem eu as vezes 
Antes do momento fé e fashion
A neta mais velha havia feito curativo nela
Ela disse:
A das medicações estava aqui agora 
Foi! E eu sou a do que?  Perguntei 
Ela respondeu na lata 
A da bagunça 
Parece que não mas está lúcida 
Fatos da foto contatos, segue reflexão 
Religião, li por ai outro dia
É uma garrafa com um rótulo
Espiritualidade
É a coisa dentro dela
Muitos brigam pela garrafa
Discutem sobre a forma
Os acessórios
Poucos bebem e servem seu conteúdo
Para refletir
Para ser alma e coração, independente da Religião
Para ser mão que ajuda, palavras que curam
Silêncios que falam
E menos barulho, objetos e objeções
Fica a dica!

29 de julho de 2015

Eu Fiona

Sabem aqueles copos de processadores pequenos, que vem diversos, com diversas tampas, tipo copo de liquidificador tamanho miniatura, pois bem, eu tenho feitos suco de polpa neles que são do tamanho de duas porções (um copo para mim outra para o maridão). Copo pequeno para lavar, mais rápido, gasta menos água e sabão e porque sempre tive apreço por ter um copo de liquidificador para sopas e coisas salgadas e outro para coisas doces. Acho que o copo pega o cheiro e gosto, frescura ou não, tenho essa sensação.
Pois bem, meu lado ogra está se manifestando no sorvete de creme, batido com Nescafé, um pouco de leite de caixa e um pouco de leite condensado, tudo batidinho no mini copinho e geladinho bebido diretamente dele, sem passar para um copo ou caneca. Para beber direto do copo grande do liquidificador é um pulo.
Ninguém via ou sabia, mas depois de eu me entregar e para emendar, isso de ninguém tá vendo me lembra uma história que ouvi muito na minha infância e que repito quando cabe (tipo para pais preocupados demais com os mimimis dos filhos ou crianças que fazem show de dengo). O garoto diz para o amigo na escola: Ontem cai e me machuquei todo!  O outro diz: Poxa! Foi mesmo? E você chorou muito? O menino responde: Não! Não tinha ninguém em casa.

28 de julho de 2015

Palavras emprestadas

"A idade Média perderá seu título de era das trevas e nós receberemos essa maldição. Lembrarão de nós como mimados, ressentidos e covardes.
Ouvirão falar vagamente de nossas redes sociais e de nossa crença em seu potencial revolucionário, como hoje ouvimos falar, com desdém, da crença antiga no poder de se ler o futuro nas entranhas dos animais. Aliás, a própria ideia de revolução será vista como uma forma de animismo. Levarão mais a sério os gregos, romanos e hebreus, porque verão neles povos que buscavam o conhecimento, e não suas próprias imagens no rosto do universo." Palavras de Luiz Felipe Pondé, que trouxe para cá para serem ponderadas, com a licença do trocadilho e a necessidade da reflexão e de mudanças urgentes.

27 de julho de 2015

Leitura e liberdade

Começar a semana lendo as notícias locais e do mundo, vendo na TV e na Internet, tão comum e infelizmente, muitas noticias ruins também é comum, valendo sempre se cercar e regar os olhos e o coração com as boas, ler, ouvir, falar de coisas boas, positivas, transformadoras. 
Eis que vi por ai uma notícia que resolvi compartilhar, pelo meu gostar. Tema denso e detalhe fluido, dessas ideias que parecem simples, mas são inusitadas e mudam o mundo. A notícia é sobre um projeto que reduz a pena de detentos leitores. A proposta é de serem reduzidos quatro dias da pena para cada livro lido, podendo se chegar ao máximo de 48 dias de redução por ano.
Poeticamente super a ver com a ideia de asas dos livros abertos, da liberdade de imaginar e sonhar que as leituras informativas ou lúdicas proporcionam e promovem. Do ponto de vista didático, educacional, psicológico e social é uma ferramenta educacional, transformadora, uma veículo que pode ser utilizado após a pena.
Vi por ai também outro dia, um outro projeto modelo, em algum país além fronteiras verdes e amarelas, que visava a humanização das pessoas presas, uma tentaticva de cura, de descoberta do amor e do cuidado, através do contato e convívio delas com cachorros de rua. Os vira latas não consultei e nem era mencionado na matéria, creio que apoiam a iniciativa, afinal, troca de carinho e atenção, assim como o conhecimento e a magia da leitura são ferramentas de transformações e libertação. #etenhodito

26 de julho de 2015

Além do ter

Foto que tirei dia desses 
Da Igreja de Nossa Senhora de Santana
Em reforma a um bom tempo
Nela foi a missa de minha formatura
Perto dela passei boa parte da minha infância
Foto e post pela poesia do dia de hoje
Cheiros, gostos, sabedoria, riqueza de ser e ter avô e avó
Por deixar para sofrer pelo que é realmente trágico
Deixar de se chatear e de reclamar por pequenos incômodos
Bora ser feliz além do ter, querer, entender 
Senão fica impraticável atravessar os dias
 Que as dificuldades e dores ao longo da vida
Não nos amargure
Que o amor nos cure
Que as saudades sejam doces
Como a de muitos de nós pelos nossos avôs, avós
Quem ainda os tem, cuida, ama, faz ser além
Que nada, nem ninguém nos roube o encanto
Que reconheçamos e valorizemos o essencial
 Eu, gosto de olhar o céu
De onde estiver
Lá imaginar estar os que já se foram
De sentir que nos acompanham
A presença da ausência
Gosto de sentir o dia virando noite
E a noite dia outra vez
De ascender a primeira luz da casa quando a noite cai
E lembrar do meu avô que dizia: Boa noite Cinderela
Sem fazer a menor ideia do que ele queria dizer com isso
Gosto pensar que muita gente não tem luz elétrica
De agradecer ter o que comer
De lembrar ainda que não possa de novo saborear
Tudo de gostoso que minha avó fazia
Gosto de ter olhos de ver
E coração de gostar dessas coisas
Pedidos e desejos de bênçãos
Maré boa, proteção, paz e bem
A Nossa senhora de Santana
Amém!

25 de julho de 2015

Dos escritos




Hoje é o dia do escritor. Mas para ser escritor precisa de faculdade? De diploma? De ter livros publicados? Fazer resenhas vale? Escrever poemas em guardanapos vale? Escrever em blog vale? É um bom escritor quem escreve uma linha que fala mil palavras? E quem escreve divinamente mil palavras que lemos tão rápido e leve como se fossem duas? Escrever quem sabe escrever pode, deve, mas para ser considerado um escritor, precisa do que? Será que só de leitores? Para ser poeta então, que total falta de definição!
Todas essas minhas (talvez coletivas) indagações, com uma exclamação de arremate, são em homenagem a essa, não sei se chamo de profissão, na verdade eu chamaria e remuneraria como que a um jogador de futebol, nas proporções do talento, como é a prática, mas na prática dizer ser escritor vai do ser desocupado ao ser pop, de hobby a ofício extra. Tantos escritores foram e são advogados e escritores, funcionários, empresários, doutores e escritores. Como ouvi numa palestra de Mário Sérgio Cortella com relação a ser Filósofo, as pessoas perguntam a você, na sua ausência ou mentalmente, você escreve mais faz o que? Ganha a vida como? A pergunta embora pareça preconceituosa, e é, retrata a realidade desse profissional, a má remuneração desse dom e dos frutos que dá, das demandas que atende em todas as áreas, para todas as profissões.
Muito para as editoras, muito de comercializável e modinha nas prateleiras, muitas barreiras e âncoras fazem ser escritor ser ofício ou laser mais por prazer que por outra coisa qualquer, nas determinadas proporções, vale essa afirmação para os reconhecidamente grandes escritores, nenhum virá aqui ratificar o que digo, mas quem sabe um pouco que seja sobre o mercado editorial e a remuneração dos escritos para os escritores, sabe do que estou falando. Lamentável, para dizer o mínimo. Lamento feito, contextualização real e concreta da data e do personagem, vou falar da beleza e poesia do dia.
De algumas poucas palavras cheias de tudo, iluminuras, vazios cheios de nada, esticadores de horizontes são os escritos Manoel de Barros e Alexandre Reis, dois escritores por quem tenho especial admiração, já declamada, resenhada e referenciada aqui diversas vezes. O Alexandre para quem conhece e quem não, buscar por seu nome é bem grão. Para achar os brotos, árvores, flores e frutos de sua poesia: Escrevendo e semeando é o caminho. E um caminho em comum entre os dois queridos e entrelaçados poetas tem tem o alcance fácil, rápido e compreensão elástica, o pouco que é muito. Falo de pequenas considerações, frases, descrições. 
Muito presente é hoje em dia nas redes sociais, em produtos diversos, nas prateleiras das livrarias esse formato de escrita e leitura. Para quem teve, conhece ou já ouviu falar e para quem não, procurar (adoro cutucar o bichinho alheio da curiosidade), me remete um pouco, com um pouco só de palavras a mais a um livrinho chamado: Minutos de sabedoria. Para ser aberto uma vez ou mais no dia, em momentos de necessidade de palavras, de conselhos, de poesia, filosofia, sabedorias. Ganhei de uma professora na época da escola um para chamar de meu e cá está com dedicatória, contra capa amarelada e algumas roídas de traças. A pró era na época responsável pelo Serviço de Orientação Educacional, salinha para quem aprontava e muito lá eu estava ou por ter aprontado ou por me meter nos aprontes alheios, sempre com algo a dizer.
Eu, como dito, desde muito, sempre de muitas palavras e após muitas postagens por aqui, vou criar uma nova guia aqui no Blog. Uma janela a mais e talvez um perfil no Instagram para publicação de poucas palavras, frases, haicais, poesias, notas, legendas aqui publicadas. Colocando esse feijão de porvir no algodão, logo brota e quisá que nem o pé de João, alcance o céu, tenha som de harpa, poder de transformações, magia. Pelo variar e ir além.
Parabéns a todos os escritores amigos, aos que partiram e que as obras são eternas, pelos que seguem escrevendo e semeando, pelos que tem o dom, pelo que é bom ou não, escrito ser documento, ser história, memórias, registros. Por escritos terem imagens em si, cheiros, sons, sentimentos e sentidos diversos, pela magia que há nisso.

24 de julho de 2015

Das lousas verdes as digitais

Eu adorei o comentário inicial do documentário, Quando sinto que já sei (clica no nome para ver). Não entender nada de menino é a especialidade de muitas diretoras, coordenadoras e professoras Brasil afora. Eu já vi de perto vários casos de discurso errado a práticas ainda mais erradas. Como mãe, como professora e ouvinte indignada de casos diversos de descasos, de má gestão, de falta de dom para a profissão que se assume por falta de opção, por falta de exigências, que se segue no automático porque achou que era uma coisa e na prática é outra, além da intervenção negativa das famílias com arbitrariedades, exigências. falta de limites por conta da relação comercial equivocada que delimita e distorce a relação alunos, família e escola.
O documentário reúne depoimentos de educadores e profissionais de diversas áreas, alunos e pais, sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escolar, para um aproveitamento melhor do conhecimento, hoje mais acessível, com maior velocidade.
Para fazer melhor uso dos recursos e do maior volume de informações e questionamentos a disposição, inclusive os levados pelos alunos para escola. E nesse movimento é necessária e urgente a necessidade uma mudança nos currículos.
Atrelado a tudo isso, tem o emocional que é parte da educação e tem que estar ligada s tudo que deve ser adaptado, extinto e resgato. A presença do lúdico, o prazer em aprender, o respeito, admiração e valorização da figura dos professores. A volta de uma flor no copo nas mesas das prós, uma maçã, festa surpresa de aniversário, com fotos na lousa eletrônica, combinados e compartilhamentos nos grupos no zap, contatos virtuais e presenciais, tudo junto e misturado.
E como hoje é sexta-feira e virou parte do calendário incluir os sábados na vida escolar, que acho particularmente ruim, fica a queixa, porque crianças e adolescentes precisam de tempo livre, para fazer mil coisas, para não fazer nada, para quando estiverem passando dos limites, como li por ai esses dias, a gente mandar eles para rua, lembrando do tempo (meu tempo) que quando passávamos dos limites éramos mandados para o quarto.

23 de julho de 2015

Momento reler é bom

Reler é um bom hábito, eu acho e digo sempre por aqui e por ai. Tem livros que valem a releitura pelo gostar, para fazer anotações, para ver detalhes que passaram despercebidos, por que a cada leitura somos novos. E nessa de comprar para ter e um dia reler livros que já lemos de alheios, ainda vou comprar para chamar de meu, por exemplo: O catador de conchas, O livreiro de Cabul e outros mais. 
Sou do tempo da Coleção infanto-juvenil Vaga-lume, com temas variados. aventuras, fantasia, mistérios e histórias diversas que conquistavam e nomes de alguns dos títulos que hoje causariam polêmicas. Os livros eram geralmente, na minha época. pedidos pela Escola, um melhor que o outro e a vontade de ter além dos pedidos nas listas era uma constante.
E eis que li por ai, que em homenagem aos seus 50 anosde existência , a Editora Ática vai relançar 10 livros dessa coleção pop, com capas novas, que brilham no escuro. A listinha dos dez escolhidos é: Os Bascos de Papel, A Aldeia Sagrada, Tonico, O Feijão e o Sonho, Spharion, A Ilha Perdida, O Escaravelho do Diabo, A Turma da Rua Quinze, Deu a Louca no Tempo, Açúcar Amargo. Curttiu? Já leu algum desses?  Deu vontade de reler? 

22 de julho de 2015

Do público e privado

Biografia é por definição um gênero literário em que o autor narra a história da vida de uma pessoa ou de várias pessoas. E eis que a treze anos se estende em nosso país, na boca do povo, entre interessados pops, anônimos e na alta corte o ser necessário, mais que isso, o ser legal ou não a autorização do biografado e dos personagens adjacentes da história para publicação de tais obras.
Em resumo, foi dada agora em junho, por unanimidade de votos, a liberdade por parte de escritores e editoras para publicar a vida de quem quer que seja, citando e incluindo quem quer que seja. Cabe ao citado e descrito, caso algo lhe desagrade, ou seja inverossímil (para usar termos formais e rebuscados) usar de outros direitos como calúnia, difamação, dentre outros. Um caso dentre muitos de direitos que se chocam, o da privacidade e o da liberdade de expressão.
Então, sobre a tal privacidade no caso das pessoas públicas se pontuou e discutiu muito serem públicas e daí haver a abertura para serem expostas já que expostas e públicas são. Em assim sendo fiquei pensando em que é personagem secundário das tais histórias e não é pessoa pública e também que qualquer um que tenha um perfil em qualquer rede social, de blogs a outros tantos é uma pessoa que se faz ou foi feita por outrem, pública. Não é
Dai, alguém pode resolver contar a partir de seu ponto de vista e interpretações. histórias sobre a vida de qualquer pessoa. Fazer resenhas, correlações, julgamentos e cabe a quem não gostar, reclamar. Me parece tão invasivo isso! Sem falar do direito de quem é biografado a ter os benefícios financeiros da obra em questão, ou não? 
Como colocar um limite na liberdade de expressão, de uso da imagem e das histórias pessoais ou públicas alheias, sem isso ser considerado censura? Tão nociva quanto a censura não será a liberdade sem regras?
Dentro do assunto biografias e biografados, caberia então com a total liberdade de autoria e publicações, encenações e representações em geral, haver a observação em destaque “sob a ótica de...”, “por...” e em caso de participação e autorização das pessoas envolvidas, essa informação.
Assisti por exemplo, ao filme que biografa o pop Jobs e li comentários e críticas diversas da caricatura que foi feita sobre quem de fato ele foi e o que de fato ele fez. Em livros, há o retrato relatado de tal celebridade e ao ser lido e comentado por várias pessoas, aquilo repetido, como reza o dito popular passa a virar verdade ainda que não seja,. Questionamentos que resolvi repartir, para despresurizar e para ouvir opiniões. O martelo foi batido, tudo livre, mas as leis e o direito, percebi dentro do pouco que estudei em uma época para Concursos públicos e em muitos casos que acompanho, pelo menos aqui no Brasil, é uma balança sem muito equilíbrio, uma senhora que espia por entre a venda, ouve atrás de portas e fala as vezes independente da voz do povo, de reis ou de Deus.

21 de julho de 2015

Das amizades

“Na convivência próxima com adolescentes, tenho ouvido com frequência a expressão ‘melhor amiga’. Interessante observar quanto são voláteis as relações: a melhor de semana passada já não é mais a de hoje, e assim, vão se trocando conforme as circunstâncias, o local, as motivações e os programas. E tal inconstância não é um fenômeno atual. Na minha infância e juventude variava de melhor amiga conforme o momento, o ano na escola, o esporte da hora, a gincana, o namorado em questão. Porém, há aquelas que foram marcantes, que até conseguiram atravessar o tempo e os reveses, mas, por fim, ficaram pelo caminho.
Rumos opostos e diferentes opções de vida nos separaram para sempre ou temporariamente: casamentos, filhos, viagens, carreiras, mudança pra longe, doenças, morte.”
Quem escreveu isso foi a jornalista, cronista e autora dos livros 'Depois da Chuva, o recomeço' e 'Do lado esquerdo do peito', Giovana Damasceno, que depois desse trecho fala por alto de duas amigas e arremata: “Como a internet e as redes sociais não nos permitem perder ninguém - ou quase - ao escrever esta crônica pensei em procurar por elas. Encontrei duas: com uma bati um longo papo; a outra, apenas aceitou minha solicitação de amizade e ficou nisso.”
Trouxe para cá esse texto pelo dia de ontem, dia do amigo e com ele e o dia-a-dia a observação de o conceito e prática da amizade estar mudando muito, de como esse relacionamento tão cheio de possibilidades. tem se tornado vazio, frágil, mecânico. Desde a infância na falta de interação real, do ir pra rua, descer para brincar, passando pela adolescência que com suas esquisitices precisa de intensidade,do contato físico e sentimental das amizades pra ser uma fase de pontes e não de muros. Até adultos e idosos, com experiências vividas, as tem deixado adormecidas por preguiça, modismo, medos, preconceitos.
Quero aproveitar, para observar e perguntar se é de agora ou de sempre e se é só meu o sentimento de que alguns amigos tornaram-se estranhos com o passar o tempo, uns tornam-se ausentes de repente, outros nas redes sociais falam de coisas que não sabemos e como amigos nos parece estranho não sabermos, postam fotos, fazem comentários, tem um tipo de máscaras usada só ali no virtual.
Eu, com essas e outras variações de comportamentos, tenho feito releituras de muita gente, reclassificado e venho utilizando uma reflexão do livro: Através do espelho, de Jostein Gaarder, que diz: “Nós enxergamos tudo num espelho, obscuramente. Às vezes conseguimos espiar através do espelho e ter uma visão de como são as coisas do outro lado. Se conseguíssemos polir mais esse espelho, veríamos muito mais coisas. Porém não enxergaríamos mais a nós mesmos".
E nessa, tenho cuidado de meu jardim, deixando cada um a vontade e preferindo deixar pessoas do passado no passado, preservado a memória afetiva, entendendo que tem gente com época e papéis específicos e limitados, certa de que quantidade não é qualidade e de que amizade é coisa séria, amor também e nas beiradas do amar a amizade é importante e indispensável.
Amigos e amores para mim são pessoas das horas alegres e tristes. Nas tristezas poucos são presentes, reza a sabedoria popular, mas aprendi outro dia, que quem não é amigo, também não é das alegrias, porque alegria incomoda, gera competição, ciúmes, inveja em que é só de seguir, curtir e compartilhar. Fica a dica!

20 de julho de 2015

Oh Oz!

Ilustração de Lorena Alvarez Gómez
"Espantalho: 
Eu não tenho um cérebro
Só tenho palha 
Dorothy:  
Como você pode falar
Se você não tem um cérebro? 
Espantalho:
Eu não sei
Mas algumas pessoas sem cérebro
Falam de monte, não é?"
É caro Espantalho!
Além dos contos de fadas
Por uma segunda-feira e todos os dia
De pensar antes de falar
De tomar conta do que vai dizer
E de não dar ouvidos
A fogos de palha, ruídos e desafetos 

17 de julho de 2015

Soprando no vento

Iluminura de Valeria Docampo
Perguntação de Bob Dylan

Quantas estradas um homem deve percorrer
Pra poder ser chamado de homem?
Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar
Pra poder dormir na areia?
Quantas vezes as balas de canhão devem voar
Antes de serem banidas pra sempre?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

E por quantos anos uma montanha pode existir
Antes de ser lavada pelos oceanos?
Por quantos anos algumas pessoas devem existir
Antes de poderem ser livres?
E quantas vezes um homem pode virar a cabeça
Fingir que ele não vê
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

Quantas vezes um homem deve olhar pra cima
Antes de conseguir ver o céu?
Quantos ouvidos um homem deve ter
Pra poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?
Quantas mortes serão necessárias até ele saber
Que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

Tradução da canção
Blowin' In The Wind
Que estou a cantarolar
Soprando no vento a assobiar 
Mesmo depois de a novela que tinha ela como música da abertura acabar
Eu e as novelas globais das seis
Suas aberturas e trilhas sonoras
Personagens, reflexões, histórias
Cultura nas bordas ou recheio

Sete vidas não temos que nem gato
Mas as respostas
Das mais valiosas, por vezes
Muitas vezes, não estão nos livros
Teses, teoremas
Estão numa caixa de presentes
Num carrocel
No céu 
Numa caixinha de música
De valor sentimental mais que financeiro
Numa ida ao parque de diversão com os irmãos
Depois de crescidos
Sem nunca ter ido um dia por falta de dinheiro
De parques, de tempo
Está num abraço
Num olhar, nem gesto
No vento

Vento bom para hoje em nossos lares e mares
E para o final de semana
Que por aqui vai ficar com essa postagem
De boa
Brisando

16 de julho de 2015

Do ter hora para tudo

Eu, após perceber o tema hora, em mais de uma postagem do mês passado por aqui, que passeio o olho, porque sobrou tempo, resolvi trazer hoje para cá, tipo bater na mesma tecla vê se funciona, o que cronicalizei numa das resenhas, a prática sem disfarce, uma falta generalizada de sei lá quantas coisas, que é a pessoa, que por exemplo está fazendo a sua unha no salão ou recepcionistas de lugares diversos, junto com o atendimento e durante pararem duas a dez vezes para ver e responder as mensagens, likes, e afins no celular.
Comigo é recorrente e tenho a impressão que só a mim incomoda, não vejo ninguém fazer cara feia, se manifestar, comentar em rodas e paralelos de papos amenos. Será assim agora em todo lugar? É tipo viral e normal?
Eu como sugere um dos textos de Marina Colassanti, que li a muito tempo atrás e tenho desde então mantra, quero nunca me acostumar com certas coisas. Acontece muito de eu estar pedindo informação e a pessoa além do descolar da realidade nas visualizações e tecladas que não sei se não são categorizadas como atender o celular, que pois vezes também ocorre.
Sei é que ainda tem o papo real sobre o virtual ou assuntos diversos que não incluem os telefones, tipo no supermercado em meio ao passar das compras, num grau de parar o que estão fazendo, quando não é o fiscal ou gerente que interrompe o serviço que deveria zelar para que seja feito com agilidade e profissionalismo, para falar da festa do dia anterior, mostrar meme no zap, vídeo. Em exames médicos já fiquei esperando a pessoa terminar de responder ou ver algo, sem cerimônia ou consternação com meu caso que não era nada, mas poderia ser, sem a higienização do aparelho, que ninguém considera é colocado em todo canto, pego com mão suja o tempo todo e ai lava-se a mão, poe a mão nele e é isso. 
Não dá para mim! Momento queixas para amanhã entrar na sexta em outra vibe. è que não sou de ferro e nem o mundo é azul ou cor de rosa, tenho vontade de dar um faniquito as vezes, fazer cof cof, ficar olhando com expressões que bem faço e dispensam palavras, mas tenho me controlado, afinal o mundo anda de um jeito que você pode estar coberta de razão mas tá errada, é agredida, ofendida, ameaçada, passa de louca e tudo pode passar a ser ainda mais demorado, podem cuspir no seu almoço caso você faça qualquer tipo de reclamação como diz meu marido e assim caminha a humanidade. Oh Lord!

15 de julho de 2015

Filtro, peneira, funil

Fiquei aqui pensando qual dos três objetos que dão nome a essa publicação ou qual das suas funções é a mais apropriada e mais necessária para o que acho inapropriado e vejo muito e mais a cada dia. A necessidade de filtro, peneira ou funil está no individual e coletivo, advinda do sentimento de que o bom senso está fora de moda e que isso se assola numa velocidade e profundidade nocivas. Opiar sem filtro, ter opinião para tudo, se revoltar ou amuar, reagir ou se frustar. Na borda e raiz vejo o mau hábito e prática de se falar qualquer assunto na frente de crianças de qualquer idade.
Fala-se desde coisas que são impróprias ao nível de entendimento, maturidade, processamento de uma criança (pequena muitas vezes, que passou a ser grande, tipo uma criaturinha de 3 aninhos que os pais e "educadores" colocam no patamar de crescidas e de direitos iguais ou sei lá mais o que) ou do limitado e confuso processamento dos adolescente. Sem mencionar as coisas impróprias para serem faladas tipo na hora do almoço ou na noite de Natal, como se tudo fosse normal, banal. 
Para exemplificar com o risco de polemizar, esse é outro problema cheio de bagaços que necessita ser peneirado (não se poder falar nada que não seja senso comum ou que possa gerar algum tipo de insatisfação, que possa parecer pessoal, não sendo). Enfim, me pergunto se cabe falar sobre cirurgias plásticas, piercing, tatuagens, nem crimes e aberrações na frente de uma um(a) garoto(a) de quatro anos, nem de sete ou dez ou sobre homens e mulheres e seus problemas conjugais. Sobre casos de família, que são cheios de pessoalidades entre os adolescentes em formação do caráter, que é permeado (em tese deveria ser) de referências familiares, que uma vez descaracterizadas e exauridas põe o de fora para dentro. Não destilar preconceitos e até mesmo gostos que tendênciam.
Cabeças, personalidades, sentimentos e sentidos em formação tem que se ter filtro para se formar limpos ou com impurezas próprias e distintas, com uma noção mínima e esforço para apurada das responsabilidades de poluir, subestimar, contagiar, influenciar, confundir. Enfim!
Para encerrar, como homenagem feminina a figura masculina, que nas amizades tem, menos fofocas e mimimis, que na vida profissional e pessoal são mais práticos e racionais, culturalmente, por questões hormonais ou algos mais, não sei, não questiono tudo sabe, aceito certas coisas como são, admiro o sexo oposto e suas oposições e complementos, além do sexual, como um equipamento diferente, com mais peneira, filtro e funil que as mulheres, sem essa de igualar tudo, de igualdade de gêneros, no prisma do ser incoerente isso de viva as diferenças e todo mundo igual. Dia dos homens hoje, faz comercial igual, dá cartaz igual a se dá no dias mulheres ou não. Eu deixo aqui meu carinho e admiração a meu avô, pai, padrinho, irmão, marido, filho e homens da família, amigos e personalidades tipo master para mim e para o mundo.

14 de julho de 2015

Do tal ócio criativo

Tem quem não entende e até se incomoda com os momentos de ócio alheio e não se furta a dar o nome de tédio, não considerando a partir desse julgamento as serventias do ócio. 
Defendido e necessário em particular por escritores, pintores, desenhistas, músicos, momentos e até períodos ociosos são um terreno fértil. Eu, embora ninguém tenha me perguntado, penso que a prática arada do ócio é adubo para qualquer profissão ou pessoa. Desde para uma criança, que a cada dia mais se enchem de atividades e interação virtual intensa até idosod que reclamam de não fazer nada, ao invés de aproveitarem para ouvir o silêncio, as possibilidades, considerando as limitações, para criar e preencher o tal nada.
Dia desses dei a meu sobrinho pequeno um boneco que estava todo vestido e ele resolveu tirar a roupa, parei ao lado dele e fiquei observando ele com zero habilidade para a atividade, esperando ele terminar ou desistir e ai a outra tia, de súbito interrompeu meu ócio e a ação tipo ócio dele. Tira para o menino! Ela disse e eu respondi: Eu não, ele parado ai com isso é bom para ele e para mim (pois movimento continuo é sinônimo dele).
E assim fiz com meu filho quando pequeno e faço com crianças sob meus cuidados ou na minha companhia. Pinto e bordo e também conduzo a calmarias e contemplo quando param olhando para o nada ou com algo bobo e lá deixo, sem mil perguntas, sem interferir no momento ócio.
Acho e lamento que de tanto se ocuparem, as pessoas param de processar as coisas, de observar detalhes, dar respiros, fazer links, viver inutilidades que treinam a coordenação motora, a paciência, s gentileza, a educação, sem que se perceba, que treinam o olhar, o olfato, a audição, que permitem criar, renovar, mudar, manter.
Ócio não é coisa de desocupado como mentes julgadoras e aceleradas disparam. Fazendo paralelos que comuniquem com diferentes estilos de vida e gostos, é legal andar de jet, mas tem prazeres diferentes em andar de barco a vela, sair para pescar, é tudo no mar, mas cada um com seu proveito. Nas músicas, há palavras e as vezes só o som, as vezes pausa total para entrar um novo arranjo, nessas pausas se constroem em nossa mente sensações. É legal andar de bicicleta correndo, mas é legal também pedalar devagar, batendo papo, olhando a paisagem. É bom malhar, mas aquele cair na cama após o banho é um momento produtivo também. Das pausas se fazem muitas reticências #ficaadica.

13 de julho de 2015

De par em pares

Peguei emprestado de um perfil novo e já amigo, um pensamento que lá tem a autoria como desconhecida e que muito me representa: "Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que pensam como eu que elas não estão sozinhas".
Gosto de ser traduzida, de achar pares e penso que todo mundo gosta, tanto do tipo: Ah você ama ou ou odeia isso igual a mim! E em contrapartida ao que é comum, um outro barato é a riqueza da diversidade, o ser tão bom o igual, quanto o avesso, valendo concordar e passar a discordar depois se quiser, assim como seguir pensando igual e a cada dia dar mais valor aos nossos pensamentos, gostos, enfeitar e defender eles, independente das críticas alheias.
E assim é com o que dizemos e somos para os outros, muros ou pontes e assim acredito é que deve ser. As pessoas deviam ter essa noção do variado ser irado (linguagem e imagem que desconheço a autoria, em homenagem a Mi, blogueira da frase emprestada) e assim se é mais autênticos, assim somos divisores e múltiplos, somos pares e ímpares. E tenho dito!

11 de julho de 2015

Uma palavra

Resolvemos lançar em parceria, a Emilly de um blog vizinho que estava em busca de parceria e eu, um desafio de publicação coletiva de uma palavra cada um, com porquês, histórias e ou imagens.
Após ser definida a proposta de interação que faríamos, ao me ver diante da tela em branco, eis que me deu azul. Eu tenho isso sempre, invento coisas que eu não consigo lhe dar depois, que psra mim são difíceis, no rompante ou na empolgação para fazer algo que funcione no coletivo que na margem, após a água se acalmar vejo, não funciona para mim. Tipo isso de escolher uma palavra ou uma comida que fosse, uma cor. Um ou uma para mim é sempre pouco e com essa sentença alumiou minha escolha.
A minha palavra não de vida ou talvez sim, como a uma palavra escolhida no livro e filme: Comer, rezar, amar; como a palavra para participar dessa interação, é: Amizade.
Das amizades através do blog tenho especiais e valiosos retornos, valendo pontuar sem intenção de diminuir ninguém, ao passo que valorizo o valor da palavra que como todas traz em si sentidos e sentimentos, que não são todas as pessoas com quem troco figurinhas e cá estão e ou por ai estou que considero amigas e as que considero o sao, ainda que falte o presencial que seria o ideal, são amizades que extrapolam o virtual.
Das amizades de vida, as de infância, escola, faculdade e trabalhos, sem meias palavras, as minhas, muitas delas ficaram pelo caminho. Tenho contatos com colegas, pessoas queridas, mas ninguém que me ligue sempre, que esteja nos meus álbuns de fotos constantemente, que me conte seus problemas e suas conquistas e planos e eu as minhas e meus. Os amigos de marido e adjacentes de sempre, sempre estão por perto, sendo nossa relação de longa data, se adicionam e também subtraiem, amigos dos amigos, além de nossas famílias, todos muito a miúdo. Explicar porque, me perguntar porque, inúmeras respostas, nenhuma talvez. Minha intensidade, e sinceridade que incomodam e me incomoda usar máscaras é um traço de personalidade que contam contra, assim como meu romantismo, minhas limitações tipo não gostar de me embebedar (ponto de "amizades" "forte"), não gostar e não ir a qualquer lugar, não dirigir. E assim tenho amizades, dessas de alegrias e tristezas, que conto nos dedos de uma mão. 
E já que escolhi essa palavra, vou puxar papo pra desabafar e resenhar, sobre eu ter observado como as pessoas sabem pouco umas das outras. Não perguntam, não prestam atenção, não se interessam por detalhes, curiosidades, opiniões, histórias e memórias afetivas do outro. Por vezes e a cada dia mais arbitrariamente e automaticamente, somos incluídos em tal lado de tal questão sem nunca termos dado nenhuma opinião sobre o assunto. Por displicência, conveniência, por falta talvez de nos momentos apropriados e diversos para conversar e se conhecer melhor, se falar o de sempre, a vida dos outros, geralmente, ou sobre novelas, polêmicas, política, futebol, compras, ou não se falar, ficar cada um no seu mundo virtual ou só falar por códigos e gestos porque o som tá alto demais, porque se passa tempo demais sem se ver e ai quando se dá o encontro há um acúmulo de assuntos.
Essa tal da invenção que mencionei de passagem é comum, a pessoa não sabe nem nunca te perguntou, mas acha que você gosta de tal leitura, que você é de tal tribo, alguém inventa e a informação vira oficial que você não curte, não vai, não usa, não come tal coisa.
Fato é que a velha (ultrapassada) troca de ideias ao se fazer novas amizades, a falta (desinteresse ou falta de percepção) das velhas amizades de saber o que  você gosta, vivências suas além das que cada um viveu com você, além do amigo em comum, além do casal que você é parte é limitante e pouco fértil para o florescer e dar frutos de uma amizade.
Muitas vezes baseando-se em rótulos, tipo o cara é surfista, é estabelecido que ele gosta de ouvir determinado tipo de música por exemplo, que é naturalista, alternativo. Julgamos, desconhecendo a individualidade das pessoas, as afinidades que temos com elas, as diferenças que somam. Eu, as vezes tenho vontade de fazer um questionário tipo recebi e passei alguns na adolescência na escola, perguntando cor, comida, atriz predileta, filme  e livro preferido da pessoa. Na real, presto atenção nas pistas, gosto de atiçar a tagarela alheia, de puxar esse tipo de conversa, gosto também de contar minhas história, meus gostos, mas há poucos que queiram ouvir, ainda que aqui, através do blog eu dê relatórios. Muitos próximos a mim leem coisa ou outra, a convite e pouco voluntariamente. Eu leria tivessem blogs com histórias de amigos. Mas sou um ponto fora da curva, tracinha de ler, catadora de histórias. Tenho isso em mim, talvez por isso busque nos outros: contares, encantares, dores, detalhes, saber e gravar que a pessoa gosta de manga, de dançar, da cor laranja, que o pai foi barbeiro, que o cachorro era cadela, que a cadela foi fazer uma cirurgia, que nasceu uma neta, que a pessoa nasceu em tal lugar e ai se eu vir algo, ouvir, vou lembrando das histórias.
Me faz feliz e adiciono na minha lista de amigos, no coração, coisas como me mandar um poema de um autor que gosto, uma oração, o saber que gosto de pão, café, milho, galinha, passarinhos, arco íris tantas outras coisas mais. Amizade com delicadezas, com conhecer, reconhecer, com gentilezas pra mim é o que vale, que agrega, que fica, o olho no olho, olhos que brilham em nossa companhia e nossos olhos brilham de volta, nosso ser quem somos, nosso melhor e o pior levado para terapia, para um abraço, um banho de mar, um sorvete, um gesto qualquer de carinho, tipo personalizado, não por atacado.

10 de julho de 2015

Sobre quem manda

Ilustração Dorothy Yellow Brick Road by Skottie Young
"Quando eu uso uma palavra, disse Humpty Dumpty
Ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique
Nem mais, nem menos
A questão, ponderou Alice
É saber se o Senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes
A questão, replicou Humpty Dumpty 
É saber quem é que manda"
De Alice através do Espelho
Pelo que cada um disser ser o que disse
Simples assim
Sem necessitar provas
Por sermos responsáveis pelo que dizemos
E não pelo que os outros entendem
Muito óbvio trazer ilustração de Alice
Então trouxe de Dorothy
Ambas andantes pelos caminhos de suas questões
De questões coletivas
Nos País das maravilhas
Ou das não maravilhas
De Oz e o de cada um de nós
Infinito e particular
Através do espelho que é o mundo de quem somos
Não importa os rótulos que nos coloquem
Por uma sexta de liberdade
Personalidade e o mágico poder do ser
E de cada um saber a dor e doçura de ser o que se é

9 de julho de 2015

Simples assim

"Séculos antes da invenção das máquinas fotográficas, os japoneses já eram mestres na arte de fotografar. Fotografavam sem máquinas. Para isso usavam palavras. Suas maravilhosas miniaturas fotográficas feitas com palavras tem o nome de haicais. Quem lê um haicai vê. São tão pequenos mas pesam tanto.
Leminski, valendo-se de uma sugestão de Jorge Luis Borges, descreve um haicai como um objeto poético mínimo de peso intolerável. Não tente entender. Você entende um por do sol? Um pássaro em voo? Um sorriso da pessoa amada? Não são para ser entendidos. São para ser vistos.
O prazer do que se vê está no ato de ver e não no ato de pensar sobre o visto. Os pensamentos prejudicam a visão. Não foi à toa que Alberto Caieiro afirmou que "pensar é estar doente dos olhos". Quem lê um haicai fica curado dos olhos por nos obrigarem a não pensar. Veja esse haicai: " Na velha casa que abandonei as cerejeiras florescem". Acabou. É só isso. Agora, sem ser levado pelo desejo de compreender, entregue-se à visão. Veja a casa velha. A casa que abandonei. Passei por ela. Triste solidão. Os muros estão caídos. O jardim de outrora se transformou num matagal. As paredes estão descascadas. Mas, a despeito desse abandono, as cerejeiras florescem." Trecho de um dos textos do livro: Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. Sem mais e cheio de reticências.

8 de julho de 2015

Do meu amar gatos

Foto de Paula Gomes 
Gato de Buenos Aires
Uma caixa de papelão basta 
Basta uma pilha de panos de chão
Em um mercadinho 
Ou de panos de prato
Para necessidades de fino trato
Seja para o sono, preguiça
Ou para as filosofias de um gato 
Nunca submisso 
Não faz reverência 
Nada pede a quem não o quer 
Aceita quem o quer se assim quiser 
Criaturas de lisuras 
Pose de luxo até no lixo 
Bruxos 
Bobos ainda que não
Para uns apenas gatos 
Para outros paixão

Sobre ler, tipo ler mesmo

Dizem as estatísticas, conduzidas por muitos interesses que está se lendo mais no Brasil. Seria de se comemorar não fosse os tipos de leitura (ok, cada um tem seu gosto, mas tem certo tipo de leitura que não devia contar, assim como outras não contam e deveriam, assunto muito polêmico, melhor voltar para estatística). Pois bem, anda-se lendo mais e menos. Isso ai! Parece complicado, mas é bem simples, sugiro um teste rumo a resposta, mande um texto grande por zap e você receberá uma cara com tapa olho e outros memes escritos só li metade.
Além dos livros lindos cheios de ilustrações e frases apenas em rodapés, tá na estatística os modinha de colorir que as vezes não tem naaaaada escrito, livros tipo faça suas listas, escreva você mesmo e ainda as leituras midiáticas, que só é possível serem lidas na internet, com som e interações diversas. Novos leitores, novos livros, que fazendo uma média aritmética das páginas escritas dos livros antigos, por pessoas que liam, vezes, dividido e sei lá como se faz contas desse tipo, acho que estatisticamente, esse se estar lendo mais é meio fake. Nunca se leu tanto e nunca se escreveu tanto e tão errado e resumido é uma estatística também e bem mais real.
A pergunta é: O que se lê e escreve? Um pouco de tudo, tudo que todo mundo lê, tudo muito superficial, mais ou menos as três opções. Hum? Segundo o estudo Retratos da Leitura no Brasil, caiu o número de pessoas que gostam de ler jornais, revistas, livros e até textos na internet em seu tempo livre. A leitura específica de livros então puxa o número ainda mais para baixo. A quantidade de pessoas que leram pelo menos uma obra inteira ou parte dela nos últimos três anos no Brasil é uma das menores do mundo.
Uma das questões problemas desse nó cego é que é preciso não só ler, mas entender o que se lê e a tal da leitura fragmentada tornou os leitores mais superficiais. TL-DR é uma sigla em inglês para, traduzindo: Longo demais - Não li. Reação típica dos tempos atuais e o uso tanto critica o autor por seu falho poder de síntese, quanto redimi o leitor preguiçoso, o faz parte de uma maioria e ainda justifica qualquer má interpretação ou conclusão que ele tire a partir de uma leitura diagonal do que foi extenso demais. Enfim, isso tudo é demais ou seria de menos, para mim.

7 de julho de 2015

Por serenos e unguentos

Falei aqui por esses dias, em um post, da creche asilo ou asilo creche, nos Estados Unidos, que une idosos e crianças em um só espaço de convivência, cuidados e lazer. Ana, a quem devo a descoberta de tal proposta, postou um vídeo com algumas interações entre as distantes e tão complementares gerações lá no blog dela (clica aqui para ver). 
Comentei lá no blog amigo e querido sobre minha lembrança da vivência de um evento realizado todos os anos no colégio onde estudei. Era o dia dos idosos, alimentos e material de higiene eram arrecadados, montavam-se cestas para serem dadas aos velhinhos pobrinhos que lá iam receber essa ajuda e também tomar café e, uma mesa enorme, onde além de coisinhas gostosas que lhes eram servidas, interação e carinho nas bordas e recheio. 
Eu sempre participava, animada, adorava, ia para ajudar eles a descerem as escadas, para ajudar a servir o café, dar atenção e carinho, receber atenção e carinho, ouvir histórias, me emocionar com a felicidade e gratidão por sabonetes, pasta de dentes, arroz, feijão, um abraço.
Gostava e gosto dos cabelos brancos, roupinhas, jeitinho de andar, de olhar, das mãos enrugadas, óculos, bengalas, de vós e vôs do tipo das antigas, crocheteiros, concertadeiros, fofos(as) e também dos(as) ranzinzas e moderninhos(as) e sempre tive respeito, admiração, sempre achei que são fonte de experiências, lições, modos de fazer, receitas, dicas, que quando não são do tipo atemporais, são parte de um tempo do qual foram parte e a nós, através deles, é dada a oportunidade de saber, perpetuar ou transformar o vivido.
Meu marido nos dias juninos, me contou que sua avó pedia para ver os dentes dele para ver se estavam perfeitinhos, antes de liberar ele para plantar milho no quintal, não tivessem em ordem os dentes não podia, para o milho não nascer defeituoso. Tantas crendices, algumas sem explicação e com razão, outras com explicações, outras sem explicação e sem razão. Não fossem científicas as fontes e argumentações, eram lições de moral ou sabedoria popular levada a sério, de se repetir em consultórios até, ainda que não fosse de se provar, como sintomas que são incômodo pelos dentes nascendo, fita vermelha e sopro na cabeça para soluços, chás diversos, pés aquecidos e tantos saberes esquecidos, deixados de lado o legado, subestimados, substituídas as ligações e pedidos de receitas culinárias, médicas, técnicas para tirar manchas e para fazer de um tudo para avós, avôs, mães, pais, tios(as), cuidadores que eram como da família, com confiança, tradição e eficácia. Tudo migrado para pesquisa na net, por profissionais especializados, produtos com códigos de barras e grife, intervenções tipo banho frio e essas coisas "bobas" não tem mais vez, só condutas só com lógica ainda que o nome para tudo seja virose, sem nomes populares, sem poesia, sem fé, sem sabedoria milenar.
Para arrematar, com o tal sereno que gripa, que nos fazia não poder sair ou nos fazia entrar e ter que levar casaco, desejo que o mundo serene de tantos saberes diversos e dispersos e retome a busca e confiança da antiga infância, em pai e mãe, avós, professores, bons modos, respeito, dança de índio pra chover, ciranda do sol na janela, dente de leite jogado no telhado ou colocado debaixo do travesseiro para dar sorte e ganhar um agrado da fada dos dentes, não entrar de boné em casa, não tomar molhar a cabeça depois de comer manga ou jaca, não tomar banho enquanto a comida faz digestão, não falar palavrão na mesa, agradecer o alimento e tudo mais. Que curas, fé e crenças não precisem de templos, regras, explicações, que haja menos medicalizações e mais mediações e emoções.

6 de julho de 2015

Dos pequenos milagres

As pessoas são o que elas amam, acreditava e cronicalizou Rubem Alves. Também creio e trouxe de entrada para a semana que segue, para cada um se servir e que sirva como reflexão, como mudança de olhar, de sentires e ações.
"Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava uma escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos a cerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: E quem é Rubem Alves?
Um menininho respondeu: O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos. A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são aquilo que elas amam. 
Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso. Gosto também de banho de cachoeira (no verão), da sensação do vento na cara, do barulho das folhas dos eucaliptos, do cheiro das magnólias.
De música clássica, de canto gregoriano, do som metálico da viola, de poesia, de olhar as estrelas, de cachorro, das pinturas de Vermeer (o pintor do filme "Moça com Brinco de Pérola"), de Monet, de Dali, de Carl Larsson, do repicar de sinos, das catedrais góticas, de jardins.
Da comida mineira, de conversar à volta da lareira.
Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus olhos para ver as frutas e legumes nas bancas das feiras. Cada fruta é um assombro, um milagre."

5 de julho de 2015

Diagnóstico

Ilustração via Behance
"Quase fui médico
Cedo acreditei ter inclinação
Aconteceu, em menino
Frente aos compêndios escolares.
Fascinava-me no corpo humano
O vocabulário em flor
O suco gástrico, o bolo alimentar
O trânsito intestinal, as papilas gustativas
Ante o meu prematuro pasmo
A professora vaticinou: vai ser médico
Em casa, porém, meu pai diagnosticou diverso
Não era a anatomia que me atraía
Eu apenas amava as palavras
Meu pai adivinhava
E eu, de poesia, adoecia"
Do livro Tradutor de chuvas
De Mia Couto
Eu li esse diagnóstico e me vi nele, tive similares sintomas ao trabalhar na Faculdade de Medicina, meu primeiro emprego com carteira assinada, digitalizar toda história da Faculdade Bahiana de Medicina era minha tarefa e de meus colegas, após tudo passado para os computadores, nomes, notas, apostilas, relatórios de anamnese. O que havia nos tais relatos de nome tão peculiar e demais materiais didáticos, eu desconsiderava, me apegava nas palavras por mim desconhecidas. As sonoras, as arcaicas, termos formais das solicitações, memorandos, ofícios.
Eu me mantinha afastada dos laboratórios e salas de aulas práticas quanto podia, mas adorava prender no mural verde com tachinhas as notas das provas, avisos. Circulava alegre pelos corredores, sempre disposta a dar informações, ajudar alunos e professores e quando a muito já havia deixado de trabalhar lá, por algumas vezes pela rua alguém me olhava e dizia: Você estudou na Bahiana? Você fez medicina? Não! Trabalhei lá! Fiz Letras seria a resposta completa, de fato fiz na mesma época e lá fazia extensão nas letras da secretaria e do CPD, que era como se chamava o setor de informática: Centro de processamento de dados.
Fato é, que sou apaixonada por palavras, seja de Medicina, Engenharia, Direito, Educação Física, artes e todas as áreas. As pessoais, nacionais, regionais, estrangeiras, inventadas, algumas que amo porque vi num filme, li num livro ou em uma placa, as que em contextos diversos fazem parte de minha história, as que me põem pra cima, para frente e até algumas que me põem pra baixo, pois olhar pra baixo e viver nossas dores e as do mundo é importante eu acho. Como diz uma das reflexões do filme e livro pop: A culpa é das estrelas, a dor precisa ser sentida. Da mesma fonte é a palavrinha: Okay. Que diz muito, é palavra chave, palavra de amor, de cumplicidade. Vale assistir o filme para entender.
Sobre o meu gostar de palavras, eu já expliquei, resenhei, referenciei, ilustrei aqui  em crônicas, versos, prosas, que escrevo e digo nas entrelinhas, é para mim exercício, prazer, terapia, quem sabe um dia profissão, formei em Letras Vernáculas, então, em palavras, me orgulho dizer, tenho formação, embora não seja curso de pompa, não sou Doutora, mas Mia Couto, com a licença da comparação, me entende e representa.
Toda essa prosa, além do dito é para uma proposta de interação, minha e da Emilly, após trocas de figurinhas via blogs e e-mails (clica aqui para conhecer o blog dela). O desafio é a partir do dia 10, até o dia 20, cada amiga(o), vizinho, passante, publicar em seu Blog, um post com o tema: Uma palavra. Vale dizer porque escolheu a tal palavra, contar uma história, fazer um verso, contar o reverso da escolha, referências, publicar somente a palavra e uma imagem que a represente. A minha palavra vem pra cá dia 11. Mexe ai no seu vocabulário e tira uma palavra pra compartilhar.
Posta e traz o link ou leva pro Blog da Emilly e vai lá ver a palavra e as contações dela, uma nova vizinha blogueira que como eu, embora de idades bem diferentes, crentes somos, como a Márcia Duarte, autora da frase, que: "As vezes, por uma palavra lida, ou dita, tudo se transforma". Vumbora transformar o dia, o olhar, o sentir, quem sabe a vida de alguém? Com uma palavra. Okay?

4 de julho de 2015

Saudade em tempos de zap

O comportamento das pessoas por conta da tecnologia está mudando. Valores, pensamentos, sentimentos, a relação das pessoas com sua intimidade, com a intimidade do alheio, os limites e até falta de saudade. Verdade! Um sintoma comprovado, li por ai e trouce para cá.
Com tanta exibição e envio de fotos, áudios e vídeos é sucumbida a saudade, o virtual basta pra geral, resolve e até faz dispensar o presencial, rimando pra não chocar.
E nessa de tanto que já se fica cheio de ver a cara da pessoa, de ouvir sua voz, perde-se a ansiedade boa, o frio na barriga, borboletas no estômago, saciedade precedida da saudade, que dá felicidade, de ver a pessoa amada ou ouvir a voz da(o) amiga(o) querida(o). Como muitos sabem, outros não, saudade é palavra que só existe na língua portuguesa e o sentimento as avessas está se globalizando. Pena!
Sinto saudades de minha infância, adolescência, de lugares, pessoas, sabores, algumas saudades pessoais, outras coletivas, uma já esquecidas, algumas alegres, queridas, leves, outras ainda doidas e sendo uma dessas recente e sei para sempre latente, escolhi ela para compartilhar hoje aqui na Blogagem coletiva que tem a saudade como tema.
Já deixando no mural pra sair do caderno, livro, memória, da saudade quem sabe, o tema da BC, para o primeiro sábado de agosto, será: Uma receita, a gosto (vale de comida, de vida, de remédio, de qualquer coisa).
Então, eis que um dia antes de partir em novembro passado, meu Dindo amado, nascido no mês de agosto e a quem os gostos de sonho, pão de açúcar, pão de milho e ovos da Páscoa me remetem, me mandou uma piada por zap, trocamos duas palavrinhas do quanto o mundo está sem freios e foram as últimas. No meu zap, no portão chamando para entregar ou buscar pão, em uma ou outra ligação, na rua em que ele morava, na Padaria, na minha alegria está faltando ele e a saudade dele ainda dói em mim.

3 de julho de 2015

Quem?

Pés com asas de meu irmão
Na corda bamba
Com as asas da emoção
“O trapézio ainda está lá
Olhe os palhaços
Com seus sorrisos disfarçados
Nada mudou tanto assim
Nós é que mudamos muito
Os mágicos, as bailarinas
Todos, poucos ou muitos, estão lá
E quem disse
Que é proibido comer pipoca?
E no meio da rua dá cambalhotas?
Quem foi mesmo
Que criou todas as regras chatas?
Quem te proibiu de ser você?
De ficar a vontade
Onde lhe der vontade?
Inventaram o preto e branco
Mas criaram também um mutirão de cores
E de algumas nem sei o nome
Usamos apenas preto e branco se quisermos
Quem disse
Que não se pode usar sapato vermelho
Calça azul e blusa amarela
Ao mesmo tempo?
Quem?
Quem disse
Que o cabelo tem sempre que estar certinho?
E a roupa engomadinha?
O melhor
Quem disse que não podemos sonhar
Ousar
Girar até cair
Dançar os passos desconhecidos
Aos olhos dos coreógrafos
Quem disse?”
Pensamentos e perguntas de Cristina Lira
Faço uso do nosso nome em comum
E da abertura que as sextas tem
E pergunto também
Quem?

2 de julho de 2015

Salve ao 2 de julho

Arte de Giada Ricci
Que trouxe hoje para saudar a Independência da Bahia
Para incrementar, seguem links de posts passados e engomados
Cheios de histórias
Clicar aqui, aqui e aqui
Clica mesmo
Leia, releia, compartilhe, comente
Um estado que recebe tanta gente
Vale saber sempre algo mais, algo além dos carnavais
Das ladeiras do Pelô
Temperos além dos tabuleiros das baianas
Frescuras além dos banhos de mar
Para novos lugares visitar a cada vinda
Ou numa única vez que seja
Para ver a histórias por trás das belezas
Axé a todos que por aqui passarem
Aqui pelo blog
Aqui pela Bahia
De Todos os Santos
Encantos e Axé
De São Salvador
De lendas, costumes, fé
Dos quitutes, sotaques, atabaques
Mistura de raças, de crenças
Em cada esquina uma igreja, uma história
Um cantor, um escritor
Um povo dito preguiçoso
Que nada!
Trabalhadores
Pés balançando na rede e no chão
Que se permitem contemplação
Gente valente além de festeira
De gira de santos e capoeira
Cores, criatividade, amizade fácil
Da fé no Senhor do Bonfim
Em Nossa Senhora da Guia
Conceição da praia
Iemanjá
De mar e sol
Céu azul
Devoção
Emoções
Tradições

1 de julho de 2015

Ilustração de Manon Gauthier
Pelo tempo de espera das roupas no varal no inverno
Pelas joaninhas
Dentes de leão
Urso de pelúcia
Pregadores antigos e de cor laranja
Estampa de bolinhas
Referências pessoais e amigas
Histórias de quem fez a ilustração
Minhas, alheias, infinitas
Meu bem vindo Julho, a você que um dia, soube por ai, se chamou Quinctilis, por ser o quinto mês do antigo calendário romano, até que, em 44 a.C. o senado romano mudou o nome para Julius, em homenagem a Júlio César. Ave história!
Para o mês começar e para um convite propor, o de meditar, fazer yoga, que fazem bem, alongam o corpo e a mente também. Apesar de muitas tradições antigas, religiosas na sua maioria, utilizarem técnicas de meditação, não necessariamente precisa existir um vinculo religioso na prática, passos simples, pausa, posições que permitem uma boa respiração e oxigenação, detalhes aromáticos, musicais ou coloridos que podem ser interessantes e tem efeitos reais. Uma sugestão num mundo cheio delas, na sua maioria para movimentos, físicos ou mentais, então, já que todo mundo recomenda mil coisas, eis-me aqui recomendando meditação. Porque não?
Além da terapia pessoal e rede social de amizades, há que se ter cuidados ao se conquistar seguidores, admiradores, amigos através de publicações, embora hoje em dia os valores e limites tenham se tornado frágeis e questionáveis, abaixo dos níveis mínimos de qualidade e responsabilidade.
Ciente de que as mensagens, recomendações, opiniões que compartilho influenciam pessoas, vale pontuar que não escrevo aqui para vender nada, convencer ninguém de nada, catequizar ninguém, nem estou dando aval para ser analisada, nem julgada tornando públicas minhas fraquezas, meus gostos, virtudes e acredito que cada um sente, entende, processa, interpreta o que dizemos, o que escrevemos, quem somos, a partir de suas travas, aberturas, limitações e ilimitações. Sou responsável pelo que escrevo e digo, não pelo que cada um entende. Dito isso, bom mês, boas leituras, boas práticas, senso de responsabilidade, liberdade, amizade, doçura e esperança.