31 de agosto de 2015

Sob e sobre nós

Foto que tirei ontem 
Uma de uma série 
Tem na sequência 
Umas com um passarinho construtor
Que com pena no bico 
Para mim cheio de bosa pousou 
Vou trazer outro dia 
Hoje é o verde
Os ninhos 
O azul céu 
As brancas nuvens 
O laranja do muro 
A foto foi para compor o resenhar para essa semana começar sobre o gostar de uma blogueira amiga e pop, de fotografar o céu. Ela tem até um blog com vários de seus cliques e cliques de amigos, vai lá ver (clica aqui). Tem cliques meus do céu lá e cá também, com resenhar viajante nas nuvens, clica aqui para ver.
Links visitados, ou não, outra motivação para eu começar a semana falando do azul sob nós, foi uma matéria que vi numa revista e eis que no rascunhar de trazer para cá, na sexta-feira, os cabelos de algodão tipo nuvem de Seu Kiko, foram parar em um dos posts de um dos blogs da Chica,  num momento intruso em uma foto do céu.
Adorei o olhar dela, o compartilhar e para não perder a emenda, vou contar o que me encantou na Revista Vida Simples, edição de setembro, mês florido, apassarinhado e apinhado ou salpicado de borboletas, que começa amanhã. A matéria, sobre um ensaio fotográfico de um turco, propõe que observemos o céu, como uma pausa terapia, um sacode em geral, com Smartfones sempre à mão e naturalmente olhando muito para baixo. Lembrei com essa observação que minha falava para andarmos olhando para frente, não andarmos olhando para o chão (culpa dela eu meter pés em poças e buracos, descobri). As fotos de Feridum Akgüngör, que é diretor de arte e designer, revelam cenas do cotidiano, que muitas vezes em espaços abertos e arejados ou até mesmo em pequenos espaços tão cheios de tudos e nadas a serem observados, imagens simples, observâncias, olhar inocente de criança, criança que os adultos não metem um eletrônico qualquer na mão antes de aprender a pedir por um.
Para fechar agosto com gosto de algodão doce que para mim tem tudo a ver com nuvens. Amanhã setembro, que seja cheio de aromas, cores, flores, borboletas, ninhos, asas, primavera por dentro, seja qual for a estação.

28 de agosto de 2015

Diferente por favor!

Iluminura de por ai
Pesquisei no Google e indicou que é de um ilustrador Russo
Mas sem precisão prefiro não dar o crédito errado
Registro meu gostar que foi certeiro assim que vi
E me lembrou meu irmão que tá na moda do barbudão
Que apassarinhado e desenhador é
E também me lembrou meu pai
Que quando tira a barba para mim fica estranho
E tem afinidades com barcos,passarinhos e lápis
Bati o olho no enunciado de uma matéria e não resisti, preciso sacudir minha bandeira do para que tá feio. A matéria falava da angústia dos homens por barbas perfeitas, ansiedade por a barba crescer e estarem em tempo na moda. 
Sério isso? Vi. um ator famoso, dia desses num anúncio, com uma barba cheia de falhas, estilo mendigo eu dei minha sentença. Que me perdoem os pobres mendigos, que imagino estão achando que a crise deve estar pegando pra ter tanto barbudo circulando por ai. Geral sem condições de ir no barbeiro. Piada a parte, tem homens que combinam, num conjunto e no estilo com barbas bem feitas, cuidadas e tal. Só acho! E isso de todo mundo igual é de última. Lembro que recentemente eu tava a fim de um óculos pop espelhado e desisti no dia que cheguei em um churrasco e numa mesma mesa cinco ou seis mulheres estavam todas com o mesmo óculos. Demais ou seria de menos? 

27 de agosto de 2015

Sonhos e realidades

Esse mês o curta Sonhos, da produtora que meu irmão faz parte (clicar aqui para ver e ler sobre o curta e colocando a palavra sonhos na busca tem mais resenhas), recebeu em terras paulistanas, dois prêmios no Festival ComKids Prix Jeunesse Iberoamericano: Segundo lugar na Categoria 7 a 11 anos e o Prêmio da Diversidade.
Esse tal Prêmio da Diversidade é concedido à produção mais inspiradora, com abordagem inovadora e responsável, que envolve direitos, respeito, inclusão e diferenças para crianças e adolescentes. Sonhar e realizar! Açúcar com canela! Reconhecimento numa categoria do que de fato o trabalho da Plano 3 filmes para mim representa e faz bem.
Do papel principal e açucarado desse curta e de tantos outros, parte da trupe, ex-eterno menino, hoje um rapaz, meu amigo Jonas Laborda, com quem tenho fotos, mas ainda não consegui um autógrafo, estará no comecinho de setembro, como cores e alegria de primavera, estreando nessa peça que o resumo acima fala por si, por mim e para qual convido aos soteropolitanos leitores e passantes a irem. Dias 3 e 4 de setembro às 20h, 5 e 6 de setembro às 17h , no Teatro Gamboa Nova.
A peça, da Companhia Novos Novos, através do circo, discute dentre temas adjacentes, um que permeia diversos problemas contemporâneos e fonte de diversas soluções: a tolerância. "Em meio a equilibristas, palhaços e atiradores de facas, desenrolam-se histórias que questionam a imposição da “verdade” pelo mais forte e levam o público a ponderar sobre os grandes atos de intolerância da humanidade, como guerras, ditaduras e imperialismo, uso do poder para a destruição, racismo, dentre outros."
Trecho descritivo entre aspas que recortei por ai e para aqui trarei descrições minhas, linhas e entrelinhas, imagens, histórias, sonhos e realidade de lá, a admiração vou levar no bolso, o bem querer carrego no coração por ele, por meu irmão e todos dessa trupe que é espetacular, todos tão diferentes e iguais.

26 de agosto de 2015

Do manual

Sabe essa de abaixo letra cursiva, maiúsculas e minúsculas, acento o computador põe e não sendo o texto digitado é perdoado, falta de concordância, palavras escritas erradas ser moda? Já viu ou ouviu falar de pra que escrever em papel? Breve vai ser coisa do passado tem quem diga. Contemporâneo do para que saber pregar botão, do: O que é untar forma? De zero de habilidades manuais e para "ajudar" sapatos de velcro e zíper para facilitar. Fala sério!
Pois é, aqui em casa tem um ser que digita na velocidade da luz, mas só escreve tudo pouco e abreviado, é fera em matemática, história, física, atualidades, inglês fluente e o português carece de acentuação e se perde nas siglas. Por ai sei tem muitos jovens tipo ele, tem também adultos. Os mesmos que não sabem fritar um ovo, tem dificuldades para destacar a fita vermelha que abre como mágica os pacotes de biscoito, latas então um drama e desejam que alguém, não eles que cansa, invente alguma forma de abrir as coisas mais prática e também um comprimido que substitua o protetor solar que é um saco passar espalhar e nem mesmo o de borrifar dá conta da preguiça e mania de reclamação.
A mim, se me pedir para abrir pacote de biscoito, garrafas ou uma embalagem qualquer que não seja tipo missão impossível eu digo, as vezes nem preciso dizer, pois após o pedido e meu olhar já vem o já já sei: "Imagine que você está no deserto e esse pacote ou lata e é a única coisa que você tem para comer".
E não sou ruim, nem chata, educar é isso. Ser esperto, multifuncional, interdisciplinar, antenado, com conectado do tipo que vale nos grandes centros ou cavernas, em NY ou na Chapada é saber fazer conta na máquina e na mão, falar através de textos, áudios, gestos, saber dar laço e nó, inclusive em pingo d´água, é ter habilidade para escrever um bilhete com carvão, pescar, se comunicar muito além de teclar. 

25 de agosto de 2015

Da dura mistura

É uma tal bandeira e orgulho hoje em dia de valer a mistura, tudo misturado, mas na teoria que na prática só observo. Numa dessas observâncias minhas a de que eu sempre estudei em colégio particular e sempre tive amigos e meus amigos tinham amigos que estudavam em colégio público, que moravam no mesmo prédio, em prédios vizinhos, amigos de amigos, familiares, tipo de andar um com outro que hoje seria tipo todos em um mesmo grupo do zap. fardas misturadas pra lá e para cá sabe?
Vejo hoje as pessoas muito em nichos, nunca (eu disse nunca e olha que meu olho é tipo visão de coruja) vi ninguém entrar ou sair aqui do prédio com farda de colégio estadual ou municipal, entre os meninos na porta da escola de meu filho, vejo poucos e raramente. Não estão misturados em shoppings, não se misturam. E como essa não mistura, tantas outras, as panelinhas cada vez mais se fazem, tipo óleo em água se achando fluidos sem serem.
Na real a mistura pregada é linda e a vivida é dura, não é homogênea, seja nos modos de vestir, nos grupos por profissões afins, gostos musicais, nas distinções de credos, classes. Me vejo as vezes pressionada a gostar de algo para pertencer ao papo, para ser da galera, parte do grupo, vejo as pessoas sendo pressionadas, vejo as pessoas sem personalidade, sem autenticidade. Dizer não gosto, não concordo, conviver com quem diz não, diferentes misturados e não coados, se faz urgente na prática em meio a tanta teoria, tanta confusão conceitual. Para ser livre e fluido o conviver e o viver, por mistura não ser todos todas as partes e sim cada um uma parte ou algumas partes, que se completam ou não, que podem e devem coexistir e interagir juntas, tendo opiniões, gostos, hábitos diferentes e não, não tendo opinião.

24 de agosto de 2015

Das serventias

Eis que eu soube que o Colégio onde meu filho estuda, ia levar esse mês uma turma para visitar um asilo, ele não se interessou, mas aos 45 do segundo tempo, depois de eu insistir, topou pela folia. Para mim ele ir já valia ouro, eu ter podido ir, foi coroa de flores de laranjeira. O lugar visitado se chama: Abrigo São Gabriel.
Lá chegando, conheci de cara uma senhorinha que era pura simpatia, disposta a papear, alegre, gentil, cheia de histórias, toda arrumada, que me encheu de elogios e eu que fui lá para elevar a estima deles, me senti uma pluma. Tinha muitas fãs de Roberto Carlos como eu, não pude então perder a chance de me enturmar e contar que faço aniversário no mesmo dia dele, meu filho sem restrições a estilos e canções tocou músicas do Rei no violão, até dançou o que é tipo um milagre.
Tinha um ex jogador de futebol, do time daqui que detesto, não menti para ele, porque menti é feio e aposto ele gostou de uma do contra se manifestar e todos os outros ficarem do lado dele, posarem para fotos, cantarem o hino. Alguns nem ai para nós e talvez para o mundo  todo a sua volta mas mesmo assim toque, cumprimentos. Um deles disse que não me via, só umas sombras, peguei na sua mão e disse que valia sentir para mim, perguntei se para ele valia, ele sorridente disse que sim. Lembrei ao escrever isso de uma senhora que já mencionei aqui, uma mãe preta que tive, Eurides, que cheirava tudo antes de comer (faço isso as vezes porque será hein), para quem liguei dia desses e ela falando que não enxerga mais, eu leve e gaiata, como ela sempre foi, perguntei: E cheiros você ainda sente? Sinto! ela respondeu, ai eu disse que bom, assim você pode me cheirar, cheira seus netos, filhas, cheira tudo antes de comer. Ela deu uma gargalhada e se surpreendeu e alegrou de eu ter essa lembrança dela ainda presente, além do hábito, que sempre feito, sempre ela é e será lembrada, Ver com o coração é certeza ter boa visão!
Voltando aos idosos do asilo, muitos amaram e toparam de cara colorir os desenhos que levei para eles estarem na modinha e dando cor aos desenhos, pensei, ia colorir ainda mais aquele dia. Sendo que depois da visita fica alegria e também a falta, deixei os lápis e uma porção de desenhos lá e tive ao sair a ideia de voltar, eu e quem topar, através de cartas. Vou depois trazer esse pedaço da história e proposta para cá. Todos os idosos, senhorinhas e senhorzinhos, velhinhos que não acho feio chamar, feio é abandonar, maltratar, não olhar nos olhos, querer que todos sejam do mesmo jeito, dizer que não tem tempo ir dar a mão, fazer uma visita nem que seja uma vez no ano, fazer uma projeto nas escolas, grupos de amigos, no trabalho, que proponha visitação individual e coletiva, para levar atenção, arte, alegria. Achar que só doar coisas, que já é alguma coisa, basta, é muito raso. Alimentos, roupas, material de limpeza são sim muito importantes e necessários, mas como pontuou o responsável por esse projeto o idealista, romântico e realista Irmão Gabriel, eles precisam por exemplo de pilhas para os radinhos e ninguém doa pilhas, tem que ache que nem servem mais para nada as pilhas e que usar rádio é demodê. Um senhor vai quando em vez concertar os rádios que sempre quebram, bem podia mais gente fazer esse serviço solidário e o de corte de cabelo, fazer as unhas das garotas, massagem e podologia.
Vi lá muitos vinis,ai pensei e aqui fica a dica para eles, que era uma boa ideia nessa onda retrô alguma alma caridosa e criativa propor com merchan e organização um bazar dos bolachões, por um preço bom para todo mundo, liberação de espaço por lá (tem muitos),para converter em verba para aquisição de telhas para a casa que está cheia de goteiras. A casa, fica na Boa viagem e é uma paisagem que tem no funo que eu parei lá por uns minutos só a imaginar como uma reforma, que desse para ficarem ali sentados em cadeiras ou redes seria terapia das bos. O mar bate as ondas em seus muros do fundo, muito perto e sem um mirante, estrutura e convites a com o olhar, desenhar, bordar, poetizar, desaguarem nas ondas, no azul, na areia e aroma daquela imensidão, lá ele fica tão longe.
Uma empresa de material de construção podia ler esse meu resenhar e doar telhas. Aos olhos e coração de Luciano Huck, algum dono de loja de móveis, de material hospitalar, de linhas, agulhas de bordar e tecidos, loja que vende jogos de tabuleiro, lápis de cor, ou sei lá, podia chegar e fazer servir o que teem de sobra, de verba para caridade, do mais que humano que há em nós. No discurso do gestor e idealizador, que por acaso não deve ser tem nome de anjo, uma queixa e questionamento que também me incomoda. Monges rezam e ficam internados em mosteiros, protegidos e bentos, com todo meu respeito e o dele que o foi, a todos e a beleza da fé e poderes da oração, mas não há ação em suas condutas e vidas, não estendem os braços, as mãos, para limpar e lavar mais que seus pertences e o local onde vivem, com tantos locais que precisam de suas presenças que seja, três vezes por semana, saírem da clausura, usarem a meditação e paz em beneficio do próximo. O mesmo vale para militares do exército como os novatos que vejo subirem e descerem por volta da minha rua cantando e marchando palavras de ordem, combate e cidadania. Como disse ninguém menos que Madre Tereza: "As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam" e o mesmo vale para lábios que só desejam, que repetem palavras de boa conduta. Intenção, emoção, sem atitude não faz o bolo crescer, a fila andar, o bem se multiplicar. Dividindo se soma, contradizendo a matemática dos números e em total precisão com a matemática do coração.
Ajudar crianças, se encantar com elas e seus sorrisos, alegria, cores, vida e esperança que carregam em si, até mesmo as doentinhas, é lindo, digno, positivo e prática com muito mais adeptos. 
Os idosos carregam amarguras, tem limitações, muitos não entendem que as tem e não adianta ser taxativo. Não tem peles macias e cabelos cacheados ou escorridos, tem rugas, cabelos ralos na maioria das vezes, não cheiram muitas vezes a lavanda e não é por falta de higiene, para falar com eles é preciso ter um diálogo diferenciado, sensibilidade, modernidades as vezes para nós já ultrapassadas até,não são uma realidade para eles, o serem referência de fim, serem desconfiados, não querem ou não poderem mais brincar, se locomover muitas vezes, enxergar. Repetem uma coisa mil vezes e fazer de conta que é a primeira é uma gesto de amor.
Pessoas de idade avançada, tem invariavelmente,pequenos ou grandes problemas de saúde,  pouca energia, mobilidade, dificuldade de se expressar, dificuldades cognitivas. A adaptação em casa,  ao processo de envelhecimento nem sempre é tranquila, em um situação de abandono como é a maioria das vezes em asilos assistenciais, há preocupação com o pesar dependência e deterioração física e mental, a restrição de sair, de contatos com outras pessoas,  o sucessão de perdas (amigos, cônjuge, irmãos, familiares, uma balançada na fé de muitos que podia sustentar, mas escolhe-se renegar. Há uma mudança do senso de humor, de controle das inovações, notícias, mudanças de ambiente, os casos de personalidade difícil tomam uma dimensão pesada, ego, arrogância, excessos e outras tantas mazelas cobram seu preço. O sentimento comum de que o tempo é Rei versus o deles de que o tempo é curto e os recados visíveis e nas entrelinhas que um idoso dá é consciente e inconscientemente um muro que feito ponte ajuda e adorna os dois lados. Dito tudo isso, resolvi arrematar com Drummond, porque coisas, lugares e pessoas velhas para mim tem serventia e muita valia, são poesia e como disse o poeta: "Se você procurar bem, vai encontrar não a explicação (sempre duvidosa) da vida, mas a beleza (inexplicável) dela."

23 de agosto de 2015

Das memórias fotográficas

Lembro de manusear e imaginar montar álbuns de fotos como uns que tem na casa de minha mãe, de um tempo em que se colava as fotos num papel grosso que eram as páginas dos álbuns, com cantoneiras ou cola por baixo mesmo, um papel de seda separava e protegia as imagens. Tinha uns com uma folha autocolante que destaca-se, põe o retratos e põe a folha transparente e adesiva por sob a foto e ela veda a imagem colando nas bordas do papel listrado e adesivo. Tenho desses com minhas fotos e fotos de meu filho. Os das folhas de papel para colar as fotos, com e sem papel seda hoje tem nome estrangeiro e pinta de novidade, de artesanato, mas é um clássico.
Imprimo e monto álbuns com as tais fotos digitais, para ter em mãos além dos aparelhos, para não se perderem com a modernidade em aparelhos e mídias que pifam e ficam desatualizados, para olhar e tatear o objeto foto. Dar de presente, fazer ser presente momentos passados, sem compartilhar com ninguém, sem legendas, com anotações no verso as vezes e com versos e prosas que fazem reviver, sorrir ou chorar de volta para cena que ali foi registrada.
Um encontro para ver fotos impressas tentei marcar entre amigos, não deu muito certo, meu irmão teve a mesma ideia em separado ou talvez na sintonia do que não se captura com máquinas de fotos, não se explica, se sente, é e se perpetua sem precisar de álbuns, posts, palcos. Fotografias, filmes, espelhos em e entre nós, ele e eu, ele e as memórias dele, eu e as minhas, cada um e as suas e seus likes, seguidores, contatos, papel seda a proteger, separar e tempo a juntar tudo, cabendo a nós dar sentidos e valor. Por um domingo de fotos de domingo, fotos em casa, em família, parques, praças, sorveterias, praia, neve, rede. Das de guardar nma memória, para publicar, fazer  álbum, fazer valer e celebrar o viver.

22 de agosto de 2015

Pq sim

Ai no dia que é a Festa do Folclore nas Escolas, fez-se festa em mim receber essa foto de uma amiga minha mirim  Lore, figurinha repetida aqui, minha sobrinha emprestada Pretinha de neve. 
Eu branca que nem acaçá (ver o que é aqui quem não sabe), meio hispana, ia toda fantasiada de baiana, me achando e ela, ontem foi assim, em total sintonia com a fantasia, tem fatia italiana. Detalhe para destacar que somos, as duas, igualmente meio baianas
baianas. A foto veio para cá para meu ode ao dia festivo de hoje porque na palavra Folclore, tem Lore e também para aproveitar e ilustrar a data com nossas metades e inteiros, espelhos da mistura, da essência e excelência do não preconceito de cor e credo. Da riqueza da cultura como cura, guia, ponte através de suas celebrações, tradições. lendas, lições de valores, traços de identidade regional que nos formam. Raízes e matizes. Saci branco. Sereia negra. Porque não? É baiana quem se acha. Quem ama rendas e colares de contas, respeita e vê poesia em todos credos, cores, todo bem, quem tem axé, samba no pé, folclore na veia. Quem tem o candomblé como cultura, além da fé.

21 de agosto de 2015

Por comer pé de moleque 
Porque é o dia da festa da Semana do Folclore nas escolas
Se não é
Deveria
Comer acarajé só de desculpa para comer além de sempre
Comprar doce típico do sertão no meio do calçadão
Alfelis é aqui na Bahia o nome desse grudinho tipo rapadura mole
Que nunca perguntei do que era feito
Nem amargurei por questões de higiene
A doçura. poesia 
E figura do senhorzinho que vendia na porta da minha Escola 
Era e é de fazer bem por dentro e fora
#dasdocesmemórias
#pqhjésextafeira
Para além de Iemanjá, Iara saudar
Porque uso acessórios de baiana
Tenho até hoje um colar
Que na infância usava para no dia da festa me fantasiar
E se achar uma oportunidade
Brinco de roda
Rodo bambolê
Só na infância?
Porque?
#criançaforever
#doamarfolclorices

20 de agosto de 2015

Para decidir

Dando uma folga no tema Folclore, esse é um post que remenda eu ser fã do Chapeleiro maluco do clássico, o incorporado por Johnny Deep e de um igualzinho a esse da foto que tenho, feito por uma amiga amada, chamada Amara, que quer um novo nome para seu blog de artesanias e ai, nessa de ter que decidir, ela e eu pensamos no que Alice disse ao amigo Chapeleiro: “Quem decide o que é apropriado? Se o apropriado fosse usar um bacalhau na cabeça você usaria?”
Tudo a ver comigo, que adoro essa história e suas filosofias, cenografia e todos os personagens e suas personalidades, figurinos e adereços (ver aqui, aquiaqui), ser proposta aqui a escolha de um novo nome para o blog, além do que sou declarada e conhecida amante de nomes.
Nos bastidores dei algumas sugestões, é que eu e ela nunca tomamos café ou chá juntas, mas nos sentirmos comadres, vizinhas de porta sabe? E porque mudar de nome? Ora! Para aumentar a muitesa!
E foi, vale contar, em um vai e vem de e-mails e coisas pelo correio já comum entre eu Amara e seu neto Pedrinho, que um dia, em que a poesia tinha escapado de mim, chegou aqui o tal do meu Chapeleiro para me dar alegria e me encher de poesia.
Vale contar também. que nesse blog que vai mudar de nome, o Chapeleiro e outros bonecos e bonecas recheados e adornados de memórias, arte, decoração, histórias, poesia, são parte do que essa minha (nossa) amiga artesã faz, costurado, reforçado e bordado com seu ser vô, mãe, fotógrafa amadora, escrevedora, seu ter amar e mar no nome.
Pois então, cá está aberta a votação para escolha do novo nome. Quem por aqui passar, ou sempre está a acompanhar e quiser opinar, de cara ou depois de pensar, por sintonia ou magia, escolhe um nome dentre os que seguem, estamos esperando até quinta-feira que vem paracom o nome mais votado ser oblog rebatizado. Os nomes são: Poesia em retalhos  - Artesanias e Poesias - Do amar costurar.
Compartilhem entre as amigas, contatos, para votação ser movimentada e as visitas e encanteiria com as artes dela ser semeada por ai.
Por aqui, por hora, a espera das escolhas, deixando a porta aberta, escolhi algumas palavras do meu aparentado de loucuras para encerrar. "Se não temos a chave, não podemos abrir aquilo que não temos com que abrir. Então, do que adiantaria encontrar aquilo que precisa ser aberto e que não temos, sem primeiro encontrar a chave que o abra?"
Abre ai a cachola, mexe os dedinhos, toma um chá para inspirar, pode se soltar no comentar, pode ir lá e vir cá, pode tipo com cafezinho de mentirinha em xícara de brincar de casinha virar de vez e já votar. 

19 de agosto de 2015

Das fatasias e realidades

Bicho de Sete de Cabeças e Outros Seres Fantásticos é o nome de um livro de Eucanaã Ferraz e André da Loba, pela Companhia das Letrinhas. O livro tem personagens brasileiros ao lado de estrangeiros, uma mistura bem interessante, agregadora, fantástica e inteligente. As ilustrações, por sua vez são um show de criatividade e foram criadas pelo artista plástico português André da Loba e não é no estilo desenhos ou pinturas, são esculturas fotografadas, que foram feitas especialmente para o livro.
Achei ele no meu garimpo folclórico, mais um livro pra minha lista que já está na categoria de Fábulas eu vir a ter todos os listados. E nessa descoberta descobri o poeta Eucanaã. Tantos livros legais e diferentes eu pensei tem por ai que a gente nem conhece, não são pops, estão por ai na prateleiras físicas e virtuais e compramos o que tá avista por preguiça de remexer e ir atrás de algo novo, diferente,interessante. Vale para os livros que compramos para nós, para os que compramos para dar de presente.
A origem dessa expressão está na mitologia grega. A lenda diz que um monstro chamado Hidra, tinha sete cabeças que ao serem cortadas, renasciam. Dessa forma, matar esse animal era uma tarefa muito difícil, e daí a associação. Dica de leitura data, história de expressão contada, embora de fácil interpretação associada, aroma de quitutes de baiana, cores dos colares, pulseiras e que renda positivamente, com benção de água de cheiro, o dia de hoje para todos nós.

18 de agosto de 2015

Senta que lá vem história

"Jogue uma peneira sobre um pé-de-vento
Sempre há um saci escondidinho lá dentro
Aí, bem devagarinho
Pro danado não escapar
Tente tirar seu gorrinho
A sorte do Saci vira azar
Sem o capuz vermelho
O Saci pára de aprontar
Falei ontem aqui do meu bem-querer pela Semana do Folclore e prometi trazer postagens sobre o tema. Esse trechinho de uma poesia, que é uma receita para pegar Sacis, tem uma apresentação e caracterização muito boa do danado, sem muitas ressalvas e cortes politicamente corretos. Eu já trouxe o poema todinho para cá mais de uma vez, compartilho sempre por ai, mas ainda assim não resisti de trazer hoje um trecho, sem saber exatamente de quem é a autoria, valendo ainda assim  ao meu ver, a divulgação do escrito, com minha admiração a quem escreveu.
E eis que enquanto eu garimpava mais materiais, lembrei das Revistas em quadrinhos de Maurício de Souza, muitas do Chico Bento, por ser ele do interior, fonte que preserva várias lendas e tradições folclóricas. Lembro de uma edição do Cascão, com a capa cheia de personagens de Fábulas, uma do Chico com a Vó dele, Dona Dita, sentada numa cadeira de balanço, contando causos e uma galera sentada em volta dela no chão. Edições comuns, Almanaques e umas grandes, com capas diferentes. bonitas, temáticas sobre. Eu li na escola, nas bibliotecas, na casa de minha Tia Nélia, em casa, na casa dos outros. Comprei  muitas para meu filho, meio que para mim também e ontem me ocorreu de me aproveitar da fase adolescente, que renega a infância e objetos afetivos e peguei para minhas prateleiras alguns Gibis.
Eu acho, só acho, que toda criança, de todas as gerações deveriam ter tido, devem ter e devem seguir tendo pelo menos um livro sobre lendas do Folclore brasileiro, além de revistas. Fica as dica! Seja para presentear, para ter um na estante e ou para passar a sugestão a diante.
A definição do 22 de agosto como Dia do Folclore Nacional, por curiosidade e para conhecimento, foi oficializada pelo Congresso Nacional Brasileiro em 1965 e assim a cultura popular desde lá, ganhou mais um dia para ser celebrada, reverenciada, sendo uma das muitas vias e oportunidade pontual de passar a cultura folclórica nacional de geração para geração. Em muitas Escolas aqui do Nordeste, principalmente as menores  e centros culturais são realizadas atividades diversas, apresentações, exposições de trabalhos manuais, escritos, leituras, danças, cantos, brincadeiras, com o objetivo de valorizar e preservar a riqueza cultural de nosso folclore e muitas cores, beleza e lições envolvidas seja nos recadinhos dos contos, seja nas diversas formas de arte e linguagem trabalhadas, interação, integração, no sentimento de pertencer as tradições, de manter vivas as memórias dos antepassados, o ser brasileiro, criativo, multirracial, cultural, além fronteiras, muito além de credos e do digital, tal e coisa, coisa e tal.

17 de agosto de 2015

Por mais Folclore

Eu amava, na época de Escola, a Semana do Folclore. As tarefinhas com sereias, o Saci, a Mula sem cabeça, baianas, o Curupira, o Boitatá e todas aquelas histórias, coloridos, trabalhos, apresentações. Sábado dia 22 é o dia do Folclore e vou tentar até lá trazer posts dentro do tema. A palavra Folcore, para quem gosta de importação, me admirei pesquisando, tem origem no inglês, formada pela junção de folk (povo) e lore (sabedoria ou conhecimento). Folklore, então, significa sabedoria popular e é uma palavrinha que tem pareja com a nossa na grafia e pronúncia, com igual significado.
Hoje trouxe a origem do nome Folclore e essa ilustração que amei e não lembro se ganhei, se achei e guardei, sei que não tenho a informação da autoria. Estava aqui nos meus guardados e resolvi usar em referência a encantada Iara, ao quão rico é para as crianças ter todo esse imaginário apresentado, de forma lúdica, conduzida, criativa.
Postagem que saiu tarde, fora do horário de costume, mas cheia de costumes, bem querer, fazer circular e desejar mais cultura popular nas Escolas, faculdades, nos grandes centros, valorização e culto a data, menos mimis religiosos e de aversões e versões psicochatas dos personagens e lendas populares de nosso país, tão rico de histórias, lendas, símbolos e simbologias que nos representam através de um rico e variado conjunto de costumes, provérbios, manifestações artísticas em geral, por meio da tradição oral, festejos, crenças, tradições. 

14 de agosto de 2015

Gudes, gatos, garotos

Como é chique, soa a fama e é moda trilogias, pensei nesse título para o segundo livro da Série que o primeiro trouxe o nome para cá anteontem. Esse é pelo meu lado menino, por ser Marte o planeta regente de meu signo, por que se os homens são de Marte o que fazer em Vênus (muitos risos), enfim. O tudo a ver além da rima, também é o trio: gudes, garotos e gatos terem ao meu ver. Só não tenho trio rimado, nem sem rima para o terceiro livro. Aceito sugestões!
Quem me diz um ter a ver de gudes? Perguntinha para uma sexta criativa e reflexiva e um final de semana de muita história. Trocadilho interno que eu ia deixar camuflado, mas resolvi dividir para multiplicar a torcida e registrar meu orgulho. No final de semana meu filho e duas colegas estão participando da final das Olimpíadas Brasileiras de História, foram os mais bem pontuados da Bahia e e são dentre poucos participantes, em relação ao número de inscritos, que passaram por algumas fases até chegarem a grande final. Já são vencedores. Aqui na torcida. Ave César!

13 de agosto de 2015

Por vida longa a Cultura

Hoje a minha publicação é para pedir assinaturas em uma petição em prol da Emissora de rádio e TV, Cultura, que cá está o canal no painel de favoritos da minha TV por assinatura, com todos os canais abertos de uma mensalidade salgada disponíveis.
Assisto, recomendo, meu filho assistiu muito Cocoricó, Castelo Rá-tim-bum. A garotinha Kika e suas perguntas e respostas de assuntos diversos, um cara cientista parceiro de outro vestido de rato que faziam experiências científicas. O Pequeno urso, desenho poético e cheio de lições para os pequenos e os grandes telespectadores que se perdem da criança que foram e dos valores de amizade, família, amor a natureza, tradições.
Eu assisti muito na minha infância por serem poucos os canais e por gostar do que passava e hoje ainda assisto. Dentre as minhas preferências estão os Curtas e docs da Plano3 que tem espaço lá e outros tantos docs sobre cultura popular, escritores e recantos do Brasil a fora, o Roda-viva, o Viola Minha Viola (música e cultura sertaneja tipo sertaneja mesmo) e o maravilhoso Café Filosófico. E eis que ontem em um dos perfis do Instaram que sigo vi um chamado para assinatura da tal petição.
De lá do site que tá colhendo as assinaturas, trouxe trechos do texto de chamada e explicações, segue abaixo. Clica aqui para ir lá e assinar
"Somos de várias gerações que na infância, na adolescência e na idade adulta tivemos a oportunidade de ter acesso a uma programação – de rádios e de televisão pública – orientada pela promoção da cultura nacional e local. Conteúdos que ao longo de décadas foram produzidos por equipes formadas por profissionais (jornalistas, radialistas, artistas, técnicos) que buscavam a excelência. 
O resultado deste trabalho foi reconhecido nacionalmente e internacionalmente, com muitos prêmios e com uma audiência cativa que consolidaram historicamente as rádios e a TV Cultura de São Paulo como uma alternativa aos meios de comunicação comerciais.
As rádios AM e FM ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião Nacional, constituiu núcleos de referência na produção de programas infantis, como o Rá-tim-bum, e na de musicais, como o Fábrica do Som, Ensaio e o Viola, Minha Viola, dando espaço também à difusão de curtas-metragens, com o Zoom.
Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e terceirização da programação, com a degradação de seu caráter público e da sua qualidade. Vários programas de referência da emissora foram extintos, como Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cocoricó e Bem Brasil. Outros tantos sofreram risco de extinção, como o Manos e Minas e, mais recentemente, há a ameaça de acabar com o Viola Minha Viola, líder de audiência da emissora, e o Provocações. Além disso, o premiado Quintal da Cultura perderá a participação dos artistas e será reestruturado para ser apenas um espaço de veiculação de desenhos animados. 
Esse processo vem acompanhado de demissões em massa e de precarização das relações de trabalho, tanto na TV quanto nas rádios, com estrangulamento da equipe de jornalismo e radialismo; enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis.
O mais recente ataque à estrutura da TV foi a retirada do seu sinal das antenas parabólicas, excluindo 30 milhões de pessoas de acesso ao canal!
Meu Viva a Cultura, a Cultura Viva e uma maior valorização de nosso país, partindo de nós e cobrando a manutenção e reconhecimento do que é nacional, de qualidade, do que é tradição,representação de nosso povo, hábitos, costumes, da memória da TV, do rádio e com elas nossas memórias afetivas, nossa história e cultura, nossas raiz e asas além de modinhas e foco no capital. Pequena, mas eis minha colaboração, além de assinar e divulgar em outros canais essa tentativa de salvar a emissora, que quisá floresça em outros movimentos pela causa. Que nos cause espanto, indignação e provoque adesão e ação esse e outros tantos descabimentos. E tenho dito!

12 de agosto de 2015

De Marias, marés e manias

O título dessa postagem é umas das minhas muitas idéias para publicação de um livro, esse seria o nome, pela rima, três palavras com m e com muito a ver, por simbologias próprias das três, ao meu ver. Enfim! No livro explico, risos (papo de escritora rarara) ou um dia por aqui. Hoje eu tô é num dia de Maria enrolada sem nada programado pra postar, maré de muitas atividades e mal acostumada com a mania de querer dar conta de tudo. Enfim, bom dia pra quem for de dia, boa noite pra quem é de boa noite. Inté amanhã!

11 de agosto de 2015

Click de Chica
Céu do Rio Grande do Sul Tchê
“Aquele que pintou o céu 
Azul tinta guache
Com certeza usou cotonete
Porque pra onde a gente olha
Há resquícios de algodão.”
Poema de FelipeAndrade
Descrição que amei
#dapoesiadascoisas

10 de agosto de 2015

Menos que é mais

As pessoas parecem tão felizes e bem resolvidas, qual nada, por trás do sorriso, do look, das amizades das fotos, está a solidão contemporânea, um desfile de máscaras e uma carência que se escolhe ter.
Nunca se tirou tantos retratos, nuca se soube "tanto" e tão pouco do outro e se viu tão pouco o outro pessoalmente. sem alardes, sem motivo aparente, sem interesses.
Vai em São Paulo? Vou! fazer o que? Ver uma amiga! Só? Tem um congesso acontecendo lá, tem feira disso, tem um bar imperdível? Não! Vou só ver uma amiga. comer bolinho de chuva, dar feliz aniversário. Um abraço. Pode ser? Não fossem tão caras as passagens aéreas, era isso que hoje eu ia fazer.

7 de agosto de 2015

Dos inícios, fins e meios

Li lá no blog da amiga Mi e trouxe para aqui, porque rima, assim escrevi e porque amei e ela não tem mimimis, veio parar aqui. Segue, com encanto.
Ela leu por ai e eu li lá, que conta-se que um ano antes de sua morte, Franz Kafka, passeando pelo parque de Steglitz, na cidade de Berlim, encontrou uma menina chorando desconsolada por haver perdido sua boneca.  Ele então se ofereceu a ajudá-la a encontrar a boneca e combinou de encontrar-se com a menina no dia seguinte, no mesmo lugar. Como não conseguiu encontrar a boneca, redigiu uma carta escrita "pela própria boneca" e a leu quando se reencontraram: "Por favor, não chores. Viajei para conhecer o mundo. Vou te escrever sobre minhas aventuras..." 
E esse  foi o início de várias cartas que, segundo relatos, Kafka escrevia com a mesma dedicação com que escreveu suas obras e toda vez que ele e a menina se encontravam, ele lia todas as aventuras imaginárias da querida boneca e certo dia, num encontro que seria programado como último, o autor lhe deu de presente uma boneca. Ela, obviamente, era diferente da boneca original e uma carta que acompanhava o presente explicava: "Minhas viagens me transformaram..."
Muitos anos mais tarde, a garota já crescida, encontrou uma carta enfiada em uma abertura despercebida dentro da boneca. Em resumo, dizia: "Tudo o que você ama, eventualmente perderá, mas no final, o amor retornará de uma forma diferente".
Comenta-se, fato ou lenda, sintonia é certo que é, que esta história serviu de inspiração para o fabuloso filme: O fabuloso mundo de Amélie Poulain. Sem mais e cheia de reticências, fica aqui minha postagem de sexta, com desejo de um final de semana de encontros, achados, de metamorfoses e poesia.

6 de agosto de 2015

Convite a civilidade e bondade

Ilustração via Amanda Cass
Vê se faz
Com rima e pela imagem
A gente ser mais amor
Um coisa jogada ali, um ser desleal ali, querer entrar no carro ou transporte coletivo, antes das pessoas que estão para sair, saírem. Um envelope da empresa levado pra casa, o inadmissível parar em vaga para deficiente, o sorrateiro dar uma furada de fila acolá. Foram essas e tantas outras más condutas, e pequenos roubos e corrupções cotidianas. que motivaram e moveram um engenheiro, chamado Michel Friedhofer, a criar a página Um Convite à Civilidade lá nas bandas do Facebook.
Li por ai, tava nos rascunhos para publicar e achei hoje na arrumação de gavetas virtual e resolvi compartilhar, fazer quem é das bandas visitar, se inspirar. “Uma vez eu ouvi um ditado que me marcou muito. Dizia o seguinte: “Integridade é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando”. Eu acredito muito nisso”, diz a matéria ser o texto de apresentação da página.
Tá sim, mesmo e muito, cheio de gente nem ai, de maus modos, mas conheço pessoalmente pessoas que fazem as coisas certas. A gente sempre conhece e pouco enaltece, os telejornais e programas de auditório, filmes, livros, jornais e tudo mais, falam mais dos males, penso que isso não agrega, que o bem e o bom é que mais deveriam ter cartaz. E no passo e energia da rima, creio que os gestos de amizade, de cidadania, bons comportamentos. servem de alento e podem ser multiplicadores e imitados se levados a balia tipo trabalho de formiguinha.
Pequenas mudanças de atitude no modo privado, mudar o pensar, o olhar, se der tempo, e sempre dá, gestos de caridade, não tipo com cartaz ou dos que batem a nossa porta. Vale e dá para por exemplo levar um pão a um mendigo que tá sempre no mesmo lugar, uma caixa de chocolates também vale, porque não. Um suco geladinho, um café quentinho.
Compre e dê de presente sem data um livro que tenha algo que possa ajudar um amigo, ou dê um dos seus, tipo terminei de ler e lembrei  de você.  Compre clips coloridos para sua mesa de trabalho para enfeitar sua mesa, para enfeitar os papéis da empresa, par colorir seu dia numa passada de olhar que você de para eles e deixe de levar os clips da empresa pra casa.
Dê a vez, dê o lugar, dê bom dia, boa tarde, boa noite. Diga por favor, obrigada. Guarda na bolsa ou no bolso o papel que pensar jogar na rua, lata, garrafa, canudo na praia nem pensar. E ai, dá pra ser? Dá! Certeza que dá!

5 de agosto de 2015

Mais ou menos ?

Sabe mais que não é mais, tipo hoje se lê mais dizem as estatísticas, mais de muita coisa solta, mais de tudo e menos de cada coisa, menos os clássicos, menos com atenção, menos se processa o que se lê, menos se tem opinião crítica e não tipo imediata e polêmica. Menos se internaliza e mais se publica, compartilha. Fragmentos, diversidades que não somam ou se ligam sem liga, muito que sobra, conteúdos pesados, ou leves não do tipo poéticos, mas leves tipo isopor.
O ranking dos mais lidos, cujo pódio é hoje ocupado pelos livros de colorir para adultos, já foi liderado por Harry Potter, por alarde também foi brevemente por “Toda poesia” de Leminski, por tons cinzentos, vampirices e afins e as obras sobre temas "cabeça" estão lá, tão, tão distantes do topo da lista há muito tempo. Talvez desde o tempo que era obrigado ler na escola. Aqui cabe meu opinar, de que obrigar também é educar, o que vai breve virar transgredir de tanto que tudo é solto e livre. Que mal há em dizer hoje esse é o suco, o almoço, tem que tomar? Opressão! Ditadura! Ou amor, ensinamento de valores diversos em um gesto que parece ser de ordem e é.
Qual o impacto do tudo escolhido e moído pra descer fácil, do vale livros qualquer que sejam? Os jovens gostam do que  prende, do tenso, do que comunique com o que eles querem, as leituras mais densas exigem do leitor um engajamento intelectual e um pensamento criativo, que  não atraia, que vende, que não se propõe enfeitando o pavão ou por obrigação a serem lidas, uma vez que desenvolvem maior capacidade de análise, de busca e aquisição de conhecimento, de senso crítica e até inteligência emocional e social
Super acho válido livros de ficção, de fantasia, haja visto só como parâmetro que a geração nascida entre o fim dos anos 70 e o fim dos 90 se tornaram leitores após os livros do pop bruxo  Harry, que tomaram gosto pelo hábito da leitura e passaram a ler outros livros. Assim como os livros para colorir sem palavras, levam leitores para as livrarias e de lá livros cheias delas saem a tira colo.
Livros são fontes de conhecimentos, registros históricos, sociais, são fonte de ludicidade, de entretenimento, da reprodução e construção de histórias, despertam emoções e daí cabe a reflexão que existe uma tendência de tornar tudo muito fluído, de fácil acesso, como se dificultar, cutucar, sacudir a roseira dos interesses enlatados dos leitores fosse tarefa inglória e sendo vale pelo resultado que promove em cada um como indivíduo e assim seno na sociedade, pelo menos é o que eu acho, não que ninguém tenha me perguntado. De alguma forma eu venho observando que o leitor jovem e adulto vem sendo enlatado, infantilizado no sentido negativo da palavra, vem sendo tirado por baixo, sem capacidade de compreender, de absorver o que não é midiático, sem necessidade de variedade de estilos.

4 de agosto de 2015

Por mais de humano em nós

Eu falo, falo, falo e sou a chata do sai do celular, sai do computador, me dá atenção, meu zap é mudo  ele não me chama, consulto ele e nada de áudios (salvo exceções) pra lá e pra cá, quer falar: liga. E nada de usar palavras dos outros o tempo todo, quero mensagens pessoais, quero receber ligação no dia de meu aniversário, se não der para o abraço real e caloroso, vale para o Natal, ano novo. Filme no cinema sim, sim, sim, na semana de lançamento de preferência, esperar chegar na tv não é igual.
Tenho necessidade de que a pessoa olhe para mim e eu olhar pra pessoa quando eu tô falando. Mania isso? É o que dizem, chatice, traço de sei lá o que, que tem até nome psico-comportamental agora (ou sempre teve e eu e geral desconhecia com muito prazer) para esse hábito rotulado como perfil de personalidade de precisar olhar e tocar o outro nas conversas presenciais, que cada dia menos tem de presença. Eu sigo achando de bom tom, o olho no olho, a troca de emoções e atenção. E não aceito a desculpinha masculina de que o sexo oposto não presta atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo, que se dispersam diante da tv ou em pensamentos mil, nem que adolescente é assim mesmo, que isso e aquilo. Dar atenção, escutar de verdade é amar e assim sendo, cada um que se vire com sua dispersão.
Lembrei  ontem de um livro que peguei a muito tempo atrás emprestado de um amigo e li por alto, chamado “Inteligência emocional” e fiquei com vontade de ler todinho depois que vi uma matéria sobre uma pesquisa que dizia que a metade do século 20 foi regida pela Inteligência racional,  na qual os saberes diversos determinavam as possibilidades e capacidades das pessoas, nos anos 90 a tal da Inteligência emocional imperou como via de acesso a melhores condições profissionais e pessoais de vida, já no século 21, dominado pelas mídias digitais e aparelhos móveis, a Inteligência digital tem ditado as regras e causado deficiências sociais. Interagir, ser sociável, afetuoso, reconhecer sentimentos, saber se comunicar no gogó, nas atitudes, se desenvolver em sociedade e promover o desenvolvimento social e tudo isso que aprendíamos naturalmente, está sob o nocivo efeito frio das tecnologias, redes sociais, comércio digital, diversão digital, tudo impessoal, sem emoção, sem envolvimento.
A necessidade de recuperar essa interação não é papo saudosista anos 80, ou romantismo em tempos de web, nem nada da minha cabeça, maneira de ver, viver ou desejo que assim seja. Cientistas mundo a fora em diversos estudos e publicações indicam que empatia e reconhecimento de emoções precisam passar a ser ensinados nas escolas. A que ponto chegamos hein! Viver em sociedade é o que faz do homem o animal mais desenvolvido está nos livros (ou estava) e na prática faz crescer, se desenvolver emocionalmente, do ponto de vista patológico, comportamental, espiritual, comercial, profissional, afinal networking presencial, postura, gestual, o saber lidar bem com pessoas, além de impressionar, é crucial para obter resultados, para fazer acontecer.
E nessa, de ser mais prático puxar papo, render, dar de parabéns a pêsames, fazer pazes, romper relacionamentos, fazer convites, vendas e tudo mais pelos aplicativos e redes sociais, por ser mais fácil dizer o que se quer sem ter que lidar com a expressão do outro, com os artifícios de poder fazer uma preparação do que vai dizer, do fazer uso indiscriminado de cópias, por esse meio de se comunicar dar espaço ao uso máscaras, perde-se muito da naturalidade, da autenticidade.
E assim, tem se driblado e anulado o produtivo enfrentamento das situações positivas e das adversas, os sentimentos e riquezas dos contatos diretos. É o chamado, pelos estudiosos comportamentais, de analfabetismo emocional, devido ao qual, está sendo necessário ensinar empatia para crianças, jovens e adultos, com o objetivo de resgatar o valor e a necessidade de desenvolvimento das habilidades humanas, de interagir, sentir, se expressar com gestos, resolver conflitos, ser mais que um contato, ser colega, amigo, casal, ser filho, neto, sobrinho, multiplicar, dividir, construir significados, contemplar detalhes, sons, sabores, desconectar, fazer nada, ouvir o silencio, olhar no olho, tocar, ser tocado, sentir aromas, sentir a dor do outro mesmo sem compreender, concordar, ler emoções, desapegar de teorias, largar de tantos ses, mimos e mimimis, ser mais que benefícios financeiros ou status oferecidos e almejados, estatísticas, provas, minorias que se unem em defesas pessoais e politicas, ser diferente não em correntes, ter identidade, personalidade, ter sentimentos, sentir, se alegrar, entristecer, demostrar, ser mais, melhor, ser menos público e mais privado. Estar em público, em praças, praias, casa de mãe, vó, irmãos, amigos, presentes e sorridentes ou chorosos, com braços, abraços, falta de espaço para tanta gente junta, espaço de sobra para momentos a dois, espaço de sobra para as crianças correrem, para sermos crianças sempre, para os adolescentes saírem dos casulos, para circular calor humano e mais de humano em nós.

3 de agosto de 2015

De outro barro

Iluminura de Maja Lindberg
"Não gosto das palavras fatigadas de informar
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões
Prezo a velocidade das tartarugas 
Mais que a dos mísseis
Tenho em mim um atraso de nascença"
Que pena pessoas como Manoel de Barros não serem eternas, pessoas que parecem ser feitas de outro barro, talvez até seu sobrenome tenha a ver com isso. Eu aqui sem postagens programadas, sem rascunhos, com atrasos de nascença e nos afazeres da vida, resolvi trazer palavrices dele, sentimentos comuns, com o desejo solto que nem balão no ar, de uma semana com sotaque de águas, aroma de alfazema, sabor a gosto e muito amar.

1 de agosto de 2015


Ai, na programação, tem Blogagem coletiva marcada para hoje, primeiro dia do mês de agosto, tema: Receita, a gosto, com ou sem frescuras. E por sintonia, recebo esses dias o pedido por parte da Editora Grafset, de cessão de um de meus textos publicados aqui, que segue abaixo, servido como receita de entrada, para fazer parte de um livro didático da Rede pública de ensino, de João Pessoa, a circular entre as mãos dos alunos do Ensino médio no ano que vem. A pessoa aqui, é claro que adorou, de se lambuzar.
Receita de bem-viver

Ingredientes:
Muita Calma
Um pouco de coragem
Uma pitada de fé, de qualquer marca
3 momentos de alimentação (sadia de preferência)
1 momento de descanso
1/2  falar e 1/2 ouvir
100 gramas de grama, céu, rio, mar ou um passarinho avistado ao longe
Sorrisos e gargalhadas a gosto
Afeto com gosto

Modo de fazer:
Calma na hora de levantar, pensar, falar, agir
Sempre mesclando com coragem e fé, para render
Se alimentar é o recheio, porque saco vazio não fica em pé
Descansar como massa de pão é indispensável
Falar e ouvir sem exagerar para não desandar
Contatos com a natureza são a glace
Sorrisos e gargalhadas dão cor e vida
E afeto dá a liga

Como prato principal, vou servir a banana da terra com açúcar demerara e canela, a da foto que ilustra o post, preparada e servida com carinho na Pousada Jasmins do Poetas, lá em Imbassai, preparada com esmero por seu Carlito, dono do Local e Dona Rosa, flor de pessoa. adorei, comi de me fartar e nas bordas, acompanhei o cortar de um das minhas porto alegrenses e alegres companhias, das fatias da banana em uniformes quadradinho minis, talvez para render, talvez para descer arrumado, vai saber (risos), sei que rimos e rendeu o tal picotar da banana, observado com graça pelo vô Kiko que é uma pedrinha a mais na minha cartela vai ser bingo ir na Itália, pois se metade das pessoas lá forem fofas como ele, além do sotaque e meu desejo particular tipo lindo deve ser tudo lá, os lugares históricos a visitar e muitos desejos gastronômicos.
Na casa de mãe e de vó, sempre ataquei as bananas da terra em fatias mais finas que essas da imagem, fritas em pouco óleo numa frigideira e ainda quentes e salpicadas generosamente com a deliciosa misturinha de açúcar com cabela, quentinhas e crocantes, minha preferência sempre pelas mais torradinhas. Não saboreio a tempo as danadas de boas, pois confesso tem coisas que a gente sabe fazer mais só come na rua pela trabalheira ou meleira que faz,pela poesia ou por embora fazer igual não sair igual feito pela gente.
Clica aqui e aqui para ver  alguns dos meus muitos posts com referências a receitices, a meu ver sendo o comer e fazer, histórias como ingredientes, sempre fonte de nutritiva poesia. Para fechar, tipo o café ou sobremesa, deixo uma dica de leitura, que está na minha lista, indicação de minha irmã: Doces lembranças é o nome do livro, da escritora Margareth Abrão.  Um livro, conforme diz na sua descrição nos sites das grandes livrarias, “d e doces lembranças, em que as receitas se misturam aos sentimentos, as palavras se aqueçam no afeto e o coração é o ingrediente principal. Cada receita deste livro é um retrato de família, uma página de nossas vida, conserva o calor, o sabor e o afeto.”
Para próxima Blogagem coletiva, em parceria com a amiga escritora e blogueira Ana Paula Paula, convido a todos os sempre presentes, os quando em vez e os passantes. O tema é: Foto da infãncia. Abre os álbuns, caixas, envelopes, baús, viaja no tempo e põe na nuvem no primeiro sábado de setembro, cheio de primavera a se anunciar.