30 de outubro de 2015

Para brisar o que é certo

Ai, vi lá no Instagram, no para-brisas de um carro um bilhete, pedi até a foto a amiga da contação, tava no celular que quebrou ai resolvi trazer mesmo sem ela a história para cá. O bilhete da tal foto foi deixado por uma blogueira vizinha, fotógrafa e cidadã, no carro de uma dupla de novinhos que estacionaram o carro numa vaga para idosos (em um shopping se não me engano) sob o olhar atento e indignado de Paty, mas distante, ela até pensou em correr desbandeirada, mas teve a ideia do recadinho.
Cheguei a comentar na publicação dela, que na mesma semana, adolescentes na orla aqui de Salvador, passeando em grupo, pararam para papos e risos soltos e um deles largou no chão um pacote de biscoitos, assim, no meio do calçadão, a beira mar, sem nem disfarçar, sem nenhum que chamasse a atenção. Meu marido fez menção de falar com eles mas contabilizou a possível gritaria ou até mesmo algum tipo de agressão verbal e até física (um extremo que devemos considerar), foi o que eu disse a Paty, que tentou falar com a dupla mas não alcançou eles a tempo e optou pelo bilhete, que acho fez seu papel e quisá o papel fique ali pelo carro e seja visto vez ou outra dando seu recado e fazendo a atitude mudar, como abaixar e pegar o papel jogado pelo grupo era uma forma de dar o recado, de maneira sutil e elegante
Lembro que meu filho nas festinhas infantis ficava querendo catar e também que eu catasse, os papéis de docinhos e afins jogados no chão. Uma vez na fila do acarajé um adulto (para ele portanto  um portador de modos), largou o papel da iguaria no chão e o rebento não contou dois tempos, disse em alto e bom som, não se joga lixo no chão. Pois é! Não mesmo!
Por uma sexta de cestas cheias de bons modos, bilhetinhos para os maus, cestos de lixo com lixo dentro, tudo devidamente no seu lugar, todos devidamente domesticados, educados. Dado o recado, outro assunto é que sem ser amanhã, no outro sábado, dia 7, tem por aqui e por ai, postagem coletiva com o tema simplicidade. Última postagem coletiva (do ano ou da interação, ainda pensando) da série proposta por mim e pela Ana, para o primeiro sábado de cada mês. Em dezembro e janeiro, provavelmente nós duas entraremos de férias dos nosso blogs, para descansar, arejar, cuidar da casa, da vida, para simplificar em busca de mais com menos. Bom fim de mês prôcês! Inté novembro!

29 de outubro de 2015

Não precisa de pilha
Nem de energia
Nem de wifi
"O verdadeiro analfabeto
É aquele que sabe ler e não lê"
Concordo plenamente com Quintana
Hoje dia nacional do livro
De livros encham-se as casas
Bolsas
Escritórios
Livros nacionais
Livros que agreguem valores
Olhares, sentires
Cheiro de papel
De alfazema
Ou outra flor guardada entre as páginas
Que nem a do clássico Planeta lilás
Que já representei no teatro
Por mais clássicos do jeitinho que foram escritos
Contos
Encantos
Literatura
Cultura
Receitas
O livro da foto, é da amiga Cláudia Obenaus
Que recomendo e adoro
E a revista, é a da Livraria Cultura
Gratuita e sempre rechedada de boas matérias e dicas de leituras
Para ilustrar o postar
E saudar os escritores amigos
Os queridos
E o livro, mais que objeto, que amo
E creio, os bons, abertos em asas
São como asas por dentro
E fechados, a cada leitura, são como raízes

28 de outubro de 2015

Do render sem renda

Bem, foi assim que esse post veio parar aqui: Na calada noite de ontem o entrevistado na tv para quem faço bico foi citado já por mais de uma vez por meu amado, como coitado, tipo você não quer mais saber do pobre só por causa do programa que ele assumiu, antes você tinha olhos solares para ele. O pobre é o Pedro Bial, o Programa é o tal BBB e o ponto que marido tem e eu não me recordo como bem querer pelo cabra é um texto popular de nome Filtro solar.
Ai eu, que invoco mesmo por um fiapo e faço um tear, assumo que sou dessas, tenho também um observar de memórias inventadas que tecem a nosso respeito e nós a respeito dos outros e invoquei que não lembro de nada desse texto além, do nome e eu tenho memória para textos que gosto, poemas sei de cor, enfim. Encafifei! O cabra não era repórter? E eu gostava dele? Nem a jornal ou Fantástico eu assitia, hoje em dia vejo mais, para estar informada, mas encantamento não tenho. Como compartilhei esse texto com ele? Copiei? Vimos juntos e elogiei, pode ter sido isso. Deve ter isso isso!
Ainda que com essa opção como muito pertinente, ainda reticente, resolvi procurar o ano de publicação do tal texto, passar o olho na mensagem, palavras, frases, pra ver se algo me vinha na memória e eis que descubro que foi em 2003 ao ar no Fantástico a narrativa dele do tal escrito. Eu com meu filho com 3 anos, capaz tenha ouvido e gostado, natural, fora meu esquecimento habitual não me lembrar, filhos de três anos demandam muita atenção e são um emaranhado de informações. Então tá! gostei! falei bem e hoje falo mesmo mesmo, desculpa Seu Pedro.
Contextualização feita para a minha descoberta e partilha de que o tal texto não foi escrito pelo tal. Ele traduziu, gravou cd, declarou que não ganhou um centavo por isso, ganhou apenas a fama. Como se ter afama de ter algo atribuído a si fosse positivo, eu que tive humildes textos publicados como sendo de uma plagiadora no Face por um ano, sei de minha indignação, sem as proporções da fama do apoderamento da tal texto do Bial.
Foi no tempo do e-mail que se "deu" a autoria a ele e mais difundida é ela que a não autoria. E assim caminha a humanidade, esse é um caso de mil. Foi no último Fantástico de 2003, antes do anúncio do vídeo produzido e narrado por Bial e Renata Ceribelli mencionou que o mesmo era de autoria de uma cronista americana, detalhe ignorado e com um detalhe que não me desceu. Basta essa menção a ser de uma autora americana em programa de tal dimensão? Para mim no Instagram em legenda, uma mínima frase deve ter o nome do autor citado, além  das aspas (que muitos nem usam), seja o nome de Drummond ou meu.  Ao meu ver não foi completo de lisura, não citar o nome, ou qualquer outra referência da autora do texto. De uma hora pra outra, o texto da sem nome virou mania nacional e até hoje, a grande maioria das pessoas não tem ideia de que o texto não é original, que não foi escrito pelo jornalista que, aliás, tem talento reconhecido no meio, apesar das minhas reticências 9quem sou eu na fila do pão).
Mary Schmich é o nome da autora que vale registrar, no livro Filtro Solar, da Editora Sextante, ele dá o devido crédito, com pouco espaço, alcance e reconhecimento. Eu depois do uso deslavado de meus escritos, divulgados, comentados e elogiados pelo Face que denunciaram anonimante e agradeço a cada vez que me recordo do fato e penso que lá sei quantas pessoas leram e reproduziram e ainda reproduzem como sendo da sem noção ou até como seus, dei uma murchada nos escritos longos, uma cismada com tudo já publicado, senti necessidade de registar os textos, organizar e publicar um livro. Talvez uma pausa nas férias de final de ano por aqui, dezembro e hjaneiro, para garimpar os textos, organizar, levar mais coisaspara o Pensador uol, fazer buscas de possíveis plágios e as devidas denúncias. Um sentimento de cansaço, de entendimento de quem eu busco mais textos e não há, não há cotatos, passou a escrever no modo analógico ou faz disso um ganho, com renda e devidos registros. Dá trabalho manter um blog ativo, textos, atenção aos comentários, a variedade de assuntos, se expor, expor opiniões, levar ânimo, inspiração e embora o retorno não seja o que me move, dá uma travad nas rodas essa engrenagem torta e tortuoso do mundo digital, do mundo de leituras rápidas, de cópias, de pouco recheio e muitas coberturas e enfeites.

27 de outubro de 2015

Mais do mesmo

Então, mencionei aqui semana passada uma releitura de um clássico infantil, moda que é as chamadas releituras, não sei se para descontruir e assim se dizer e achar moderno,  se é falta de talento mesmo para criar novos clássicos, sei é que seja no cinema ou na literatura, os clássicos estão sendo descaracterizads, sem a menor cerimônia hoje em dia e essa da Branca de Neve e Bela Adormecida se beijarem, com adornos de sexo e liberdade bem podia deixar cada personagem no seu papel e falar de sua netas, filhas, que tal? Editora com fama que para permanecer famosa e estar antenada entra nessas talvez, ou por de fato achar memorável a adaptação, e nessa se faz toda uma apresentação e defesa, que bilha aos olhos de geral e poucos dizem não.
Também não concordo, vou aproveitar a prosa e estréia no cinema próxima semana, defensora da causa do não ao preconceito de cor e credos que sou, com um 007 negro. Porque não? Porque não houve nenhum até hoje e é um clássico serem tipos loiros de olhos azuis, vale para personagens tradicionalmente interpretados por negros serem feitos do nada por brancos. Criar novos personagens, ter e manter identidades, diferenças que distingam sem extinguir, mas que sejam parte de como somos, do que se foi, do que se passou a ser, tudo junto e não misturado (acho que vou lançar essa nova proposta).
O natural, sem pressão, sem intenções políticas, religiosas, apelativas é o ideal e o que funciona e o que deve acontecer mais no dia-a-dia, que no cinema ou na tv. De que adianta fazer alarde, pontuar e se espantar ou indignar por exemplo, que desde 2011 não há nenhum negro indicado nas principais categorias no Óscar, hashtags nas redes socais #OscarSoWhite (Oscar tão branco) e #WhiteOscars (Oscars brancos) chamando atenção para o fato e fato ser que a caixa confere a bolsa no mercado comprada por um negro como se ele levasse algo escondido dentro e não confere a de um branco, que entrar numa escola pública de maioria negros sendo branca para pedir uma informação é quase que entrar numa jaula de leão. Isso é discriminação! Indicação a premiações, com negros, sem negros, asiáticos podem se indignar também, ou não?, cotas para homossexuais terão que figurar  entre os indicados daqui a pouco e o talento, merecimento, eventualidade não. Para! Menos cada dia mais é mais! Só acho!

26 de outubro de 2015

Ororô que embolou

Então, ontem niver do marido, hoje niver do sobrinho, amanhã niver da Dinda emprestada. Ai, casa com bagunçadas, eu só na farra e hoje post noturno.
Foto dos meus joelhos e de Zaion esfolados para arrematar e representar a ausência, sem muitos argumentos.

25 de outubro de 2015

Ele e eu

Das muitas fotos juntos
Mesmo que ele não goste muito dessa
"Mesmo que não venha mais ninguém
Ficamos só eu e você
Fazemos a festa
Somos do mundo
Sempre fomos bons de conversar
Eu só espero que não venha mais ninguém
Aí eu tenho você só pra mim"
Ai a pessoa sem zap, porque o celular tá na assistência, não vai ter como mandar fotos antigas para o marido aniversariante, que faz hoje 4.1 e ela conheceu com 1.4, para ele guardar no celular dele, para relembrar os tantos aniversários juntos, mandar junto emoticons e mensagens como as muitas em muitos cartões, cartas e bilhetes que já dei e ainda dou, fotos com escritos no verso. Porque somos passado, presente e futuro.
Vai para o Instagram, mas ele não tem Instagram e nenhum de nós dois tem Face, nada pessoal Senhor Zuckerberg, na verdade de minha parte é pessoal sim (risos), enfim. Eis-me aqui postando fotos, com música de homenagem, tipo trilha sonora que comecei ontem, porque somos do tempo de parar as fitas K7 para copiar letras de música, porque romantismo nunca sai de moda e ele curte cafonices do tipo simples, divertidas. Post de parabéns, verdadeiro, real, cheio de amor. É isso! Rá! Ti! Bum! Paulo! Paulo! Paulo!

24 de outubro de 2015

Eu e ele

"Era manhã
Três da tarde
Quando ele chegou
Foi ela que subiu
Eu disse: "Oi! Fica à vontade"
Eu é que disse "Oi", mas ela não ouviu

E foi assim que eu vi que a vida colocou ele/ela pra mim
Ali naquela Terça-Feira/Quinta-Feira de Setembro/Dezembro
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro

A festa foi muito animada
Oito ou nove gatos pingados no salão
Eu adorei a feijoada
Era presunto enrolado no melão

E foi assim que eu vi que a vida colocou ele/ela pra mim
Ali naquela Terça-Feira/Quinta-Feira de Setembro/Dezembro
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro
Que eu me lembro

Ela me achou muito engraçado
Ele falou, falou e eu fingi que ri
A blusa dela tava do lado errado
Ele adorou o jeito que eu me vesti

E foi assim que eu vi que a vida colocou ele/ela pra mim
Ali naquela Terça-Feira/Quinta-Feira de Setembro/Dezembro
Por isso eu sei de cada luz de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro"

Eu me lembro é o nome dessa canção de Clarice Falcão
Com rima e confusão 
Que segue minha pessoal interpretação com correlação
É que amanhã é o dia do aniversário de alguém que eu me lembro
Conheci em dezembro
Ele me conheceu antes, só ele pra dizer o mês
Tipo como na música contamos coisas iguais diferente
E iguais igualzinho
Que eu lembro e ele também
Era manhã três da tarde é parte do apaixonar-se da música e nosso
Que nos descola do tempo e espaço
Coisas, dias, momentos, lugares pessoas
Por vezes vistos e sentidos de perspectivas diferentes
Com detalhes diferentes
Eu vi nele, ele em mim
Vimos um no outro
Vimos e vemos os outros
Como espelhos de nós mesmo
A anos
Amanhã mais de nós
De ser mais de um em cada um
Felicitações e emoções
Fazendo nesse final de semana desse meu espaço
Meu
Nosso
Posso?

23 de outubro de 2015

"Em mim eu vejo o outro e outro e outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas
O outro que há em mim
É você, você e você
Assim como eu estou em você
Eu estou nele
Em nós
E só quando estamos em nós estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós"
Paulo Leminski
Por uma sexta de paz, intensidade e amor

22 de outubro de 2015

Pronto falei!

Lá vou eu me meter em polêmicas, afinal não sou só dos obas e olás. Sem citar diretamente autores e obras, tá meio que me irritando livrinhos vendidos a rodo, histeria nas livrarias e todo um universo fanático e fantástico de muito do mesmo. Temáticas iguais e muitas delas com entrelinhas de feminismo, machismo, morte aos clássicos, modernidade goela abaixo. Princesa independente, que danem-se os príncipes, nada de vestidos rodados, tops e gargantilhas ou nada feito. Títulos com nomes de contos de fadas, referências de contos de fadas e uma mistura de fadas com bruxas, mocinhos com vilões, lições (bem poucas) e desvios de condutas (muitos). Puxado e nocivo sendo que uma geração inteira está lendo sem a devida atenção dos pais, sendo que muitos leem junto e não questionam nada.
Sei lá, eu sou do cada coisa em seu lugar sabe. Quem vai a um show de pop star vai pra ouvir e dar gritos, quem vai a uma livraria ou a uma feira literária é de se esperar outro tipo de comportamentos. Um senhor de idade, uma criança, eu (risos) indo comprar um livro, procurar, sentar para ler equanto espera o horário do cinema, não somos obrigados a ver pessoas desmaiando, gritos, corre-corre porque uma escritora está dando autógrafos. Modos minha gente! Menos minha gente!
Tem quem nem leia meeeesmo os tais livros, são objetos, são dos memes e ter o livro parte da vibe. Tem muitos livros que não dizem nada, são mal escritos, tem os bem escritos também que dizem o que se quer ouvir na adolescência, mas não é o que se deve ouvir, para continuarem lendo, ouvindo, falando e fazendo tudo errado. Faixa etária vale pontuar parece saiu de moda, meninas pequenas lendo histórias de gente grande, categorizada como para gente média.  Princesas em treinamento, em crise, a qualquer preço, idade, viciada e antenada na Netflix e eletrônicos ao invés de sapatos e bolsas que são femininos demais (qual o problema Channel, diz alguma coisa daí por favor). Branca de neve beijando e despertando a Bela Adormecida (pela Editora Rocco, com muitos elogios). E nessa, uma ode a meninas não brincarem mais de boneca e casinha, príncipes no pano de fundo, quando no fundo cada dia mais se vive em disparada atrás de um, disfarçando como se ninguém percebesse. Mensagens de autorrealização, de individualismo, segue uma frase de uma descrição da tal série (pela própria autora) que recortei de por ai e que  inspirou esse post (sempre quis dizer isso) para não parecer que é interpretação minha da obra, é intenção mesmo: “Supera a utopia do felizes para sempre”.
Cartilhas, em pele de romances, provocadores e condutores de condutas em pele de livros,  para jovens, que já bem confusos e contestadores de tudo que são, vão na onda. Eu dou carona e estio a bandeira contra a nova literatura pop. Pronto falei! E para fazer coro, trouxe a voz de quem falou muito do que penso, em entrevista sobre o tema na FLICA que aconteceu aqui em Cachoeira na Bahia, que eu podia ir no último dia, mas desisti, pela muvuca que ia tá lá por conta de ser o dia de escritoras pop star.
"A maioria dos livros que você vê nas livrarias somente te distraem, não te fazem mover um centímetro. Lá no fundo da livraria, há os livros das pessoas atormentadas, a literatura de verdade, que me fazem questionar quem sou, meu papel na sociedade, os valores, tudo.”
"A inutilidade da arte é o que tem de mais maravilhoso. As pessoas me odeiam por dizer isso. Mas, por causa dessa inutilidade, nós conseguimos expandir nossa compreensão da existência nesse planeta. Quero acreditar que o que faço é inútil. Ninguém está me pedindo para escrever um romance, nem estou pedindo para ninguém ler. Escrevo meus livros porque preciso ler um livro que não existe."
Palavras do escritor João Paulo Cuenca, que emendo com as de Manoel de Barros, que não tem fama pop, não teve gritos, feliz por ele e como ele desejo mais meninas, meninos, crianças e adultos com menos certezas, empáfias, menos “autonomias” e mais empatia, que sejamos mais alegres e tristes, livres mais por dentro que por fora. “O ideal seria uma menina boba: que gostasse de ver folha cair de tarde. Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra e ficasse assustada quando ao cair da noite um homem lhe dissesse palavras misteriosas. O ideal seria uma criança sem dono, que aparecesse como nuvem. Que não tivesse destino, nem nome, senão que um sorriso triste e que nesse sorriso estivessem encerrados toda a timidez e todo o espanto das crianças que não têm rumo.” (Manoel de Barros)

21 de outubro de 2015

Do passado, presente e futuro

Fui ali de volta num passado nem tão distante registrado nessa foto, para espiar vê se aparece um portal no céu e dele sai o carro com Michael J. Fox dentro. 
Não resisti de participar do coletivo e registrar o dia de hoje, 21 de outubro de 2015, que lá dos idos dos anos oitenta, foi a data que Marty McFly desembarcou no futuro. E registrar também, que aqui estamos, sem skates que voam, a não ser no topo da mega rampa, sem roupas futuristas, com sandálias gladiadoras (dos tempos gregos) na moda, escrevendo (via zap e outros apps mais) como forma preferida de comunicação, uma profusão de tipos como o Biff Tannen. Enfim, esse é o ser humano Mc Fly, vai e vem, vem e vão décadas.
Tenho anotados na agenda os nomes dos filmes da saga, desde o primeirão, tipo eu vi, filmes do momento, sensação. Com atestado de velhice e carteirinha de atual, eis-me aqui participando da brincadeira comemorativa, que vai ter exibição na tv, nos  cinemas, tá cheio de memes e posts na internet, enfim, sou presente, passado e futuro. O céu é o limite, o cinema e os livros são pontes, amo os dois e vou nessa, viajando, com asas por dentro. “Estradas? Para onde vamos não precisamos de estradas”, Doutor Emmet disse, tá dito. Espetacular o Christopher Lloyd nopapel do cientista maluco a quem o parceiro de trilogia em entrevista a Folha de São Paulo se referiu como gênio e disse: "Quando você tem 17 anos, muita coisa parece impossível. O Doc mostrava ao Marty que as coisas eram possíveis."

20 de outubro de 2015

Do dia que é todo dia

Iluminura de um poeta amigo sobre um querido
"Medicina, lei, negócios e engenharia
São ocupações nobres para manter a vida
Mas poesia, beleza, romance e amor 
São razões para ficar vivo"
Frase do filme Sociedade dos poetas mortos
Dos meus prediletos
Li por ai, sem assunto para postar aqui, que hoje é o Dia nacional do poeta e ainda que dia de poeta seja todo dia, assim como dia da poesia, vale compartilhar, reverenciar, comemorar, parabenizar, elevar o ver, sentir, ser, escrever.Não há um decreto que oficialize o dia 20 de Outubro como Dia do Poeta, a data foi escolhida por em 1976, ano em que nasci, em Sampa, ter surgido o Movimento Poético Nacional, na casa de Menotti Del Picchia. O dia 14 de Março também é tido como o dia da classe dos que descrevem borboletas como cores que voam, pois se comemora oficialmente o Dia Nacional da Poesia, em homenagem a Castro Alves, que nasceu nesse dia.
Antigamente, a poesia era cantada e acompanhada pela lira, por isso pertence nos registros e ensinamentos das aulas de Literatura ao gênero lírico e seja lírica, clássica, contemporânea, romântica, realista, surrealista, de cordel, rimada ou não, são palavras com sentimentos mais que com sentidos, com entrelinhas, margens, silêncios, ecos diversos e muitas vezes bem distintos, com licença para inventar, criar, desconstruir, inventar.
Viva os poetas, sem muitos seguidores, tachados de mil formas, desde marginalizados a elitizados, os os reverenciados, os anônimos, os que amo em especial. Aos que viraram estrela a muito tempo e recentemente, fazendo o céu ser ainda mais poesia.

19 de outubro de 2015

Por menos leituras tipo atacado

Bookternet é o nome importado para a cultura dos jovens na internet, um tema atual e portanto um tema a ser pensado e não ignorado, atey mesmo por quem acha que não tem nada a ver com isso ou quem nem sabe do que se trata e não quer saber.
Muitos leitores, especialmente os adolescentes, estão construindo suas identidades na Web, eles fazem parte de comunidades de leitura e escrita, dentre outras tantas e nesses espaços famosinhos ou particulares, o jovem leitor encontra muito do mesmo, tipo escolhas coletivas conduzidas, cujos elementos constitutivos são contra os clássicos e a cultura muitas vezes, fazem pouco caso e até desfazem da leitura e escrita formais, taxadas de conservadoras, estáticas, ultrapassadas. 
Parte dessas comunidades, só pra registrar, nasceram de empreendedores independentes e muitas foram adquiridas por multinacionais com interesses comerciais fortes, com editoras por trás, livrarias e interessados que financiam, conduzem, monetarizam likes e fama.
E os tão antenados jovens e adultos na vibe do ser moderno não questionam o marketing, o comercial, o empacotado dessas comunidades, de muitos livros vazios, muitos tão iguais. Apresentar algo novo, por exemplo e acompanhamento nos bastidores, num meio desses, levar para o vídeo um livro que ganhou de uma amiga escritora ou desconhecida, que pode dar likes mas pode não dar, seja por não ser do momento o tema, não ter capa trabalhada no designer, pela Editora não ser conhecida, não tem perfil nas redes, apelo comercial e por ai vão, Marias e Joãos vão com os outros não partilham na dúvida ou certeza que não vai bombar.
Penso, idealista, romântica talvez que Clubes de compras, de leituras e escritos valem quando multiplicam e dividem, não likes e seguidores, mas variedades, satisfações distintas, usos e leituras perpendiculares e não lineares. Só acho!

16 de outubro de 2015

Do ser com prazer secundário(a)

Isso de todo mundo ter papel de destaque não dá, tanto em histórias de livros, telenovelas, filmes, peças, quanto na vida real. Valendo a teoria e prática, de que é bom ser coadjuvante, passageiro e muitas vezes, o sendo, sem pretensões, ser o centro, o principal.
Importante sem se importar ou gabar, como eu flor do livro Planeta lilás numa das minhas atuações teatrais na infância, sem saber que eu era mais que só uma flor no meio do livro. As histórias inventadas e reais, antigas e novas, contadas e vividas, mostram as significâncias e relevância dos personagens secundários, como por exemplo na famosa, clássica e antiga obra de Homero: A Ilíada, em que Ulisses é o personagem principal, mas a ira de Aquiles tem destaque.
Simples, indiscutível e pouco explorado que Pinóquio não tem sentido e vida sem Jepeto, a história não tem os sentidos e sentimentos despertados sem a fada azul, o Grilo falante e sem a baleia.
O rastro de migalhas de Maria e João ou o caminho de ladrilhos amarelos de Doroty, são mais que caminhos, rotas, são símbolos, cenários, secundários, mas principais. Personagens principais sem secundários, histórias sem cenários, não existe o todo sem as partes. Para refletir, expandir e internalizar o olhar, abrir e fechar portas e janelas, sejamos principais ou secundário, pequenos ou grandes, importantes sempre.

15 de outubro de 2015

O tempo muda o espaço?

Andei muito de bicicleta de lá para cá nesse corredor
E nos blocos
Joguei baleado (adorava), futebol
Brinquei de garrafão, de pisa pé, de Mamãe posso ir
Skate, patins, bambolê, elástico
Lá no fundo a Arena Fonte nova
Em cima da quina do muro amarelo
No primeiro andar, onde por muitos anos morei
Respondendo a pergunta título dessa publicação, penso que as vezes sim, as vezes não, as vezes muito, as vezes pouco e na emenda, as pessoas também mudam, o sentir o olhar e as vezes não. Estar no mesmo lugar ainda que não seja exatamente mais o mesmo, perceber o que mudou, fazer paralelos do que era com o que nossos olhos estão vendo é uma vivência interessante, que pode ser divertida, reveladora, terapêutica.
Dia desses passando a pé (passo muito de carro e ônibus) pela entrada do prédio onde morei na minha infância e juventude, entrei para fotografar, pois poucas fotos eu tenho na área externa do prédio e queria entrar, sentir, respirar o ar ali, além de fotografar, pois foi lá que brinquei muito, foi lá que conheci meu primeiro namorado e marido e se não contei isso aqui já, inclusive que pessoas entraram depois de mim e fecharam o protão e não tinham a chave, emoções diversas), se já trouxe para cá uma das fotos ou foi só lá no Instagram que publiquei, agora já não sei e o tempo curto não me deixa pesquisar antes de postar para lincar. Resolvi uma das fotos colocar, afinal figurinha repetida não completa álbum, mas enfeita a porta de guarda-roupa, o caderno, cartinhas, blogs porque não! E o contar se foi repetido, amigos tem isso, contam e tem que ouvir as vezes as mesmas histórias.
E nesse fiar dessa história dessa foto que ilustra o post com o papo da introdução e prática minha de revisitar lugares, sempre que posso, que me dá na telha ou quando rola sem querer aproveito e recomendo, resolvi fazer ponte com uma dessas matérias, posts, histórias que descobrimos ou nos são apresentadas por alguém via web. Chronica Mobilis, descobri dia desses, é um projeto, uma performance interativa, um jogo com dinâmicas que acontecem simultaneamente dentro de um espaço de exposição e nas ruas, onde o público pode atuar como jogador ou apenas assistir à apresentação no espaço de exibição. A temática, eis a relação com a introdução e a minha pessoal contação, é o tempo e as diferentes maneiras através das quais percebemos e vivemos os lugares em diferentes momentos de nossas vidas. A dinâmica com as pessoas nesse projeto, que imaginei como deve ser, mas confesso não consegui visualizar exatamente, (clica aqui para saber mais) é através de situações vividas na infância, juventude e idade adulta, cada fase representada por memórias do passado a serem descobertas em diferentes lugares.
Essa experiência, jogo, projeto, fruto de um intercâmbio entre brasileiros e espanhóis (olha eu me identificando ainda mais), foi desenvolvido primeiro remotamente e depois presencialmente pela primeira vez entre outubro e novembro do ano passado e vem acontecendo por ai, aconteceu aqui em Salvador esse ano (perdi), vale acompanhar se se interessar, fazer contato.
Passadas algumas informações, feitas as devidas ponderações, que façamos reflexões, oportunizações individuais e em grupos, com intenções ou sem pretensões, com dinâmicas ou não, em família e até sozinhos. Vai lá dia desses no Colégio que estudou na infância, adolescência, rever o lugar, lembrar dos professores, que aproveito para pelo dia hoje, homenagear. Vai naquela mesma praça, naquele mesmo banco, naquele mesmo jardim e se cronicalizar ou poetizar, conta pra mim.

14 de outubro de 2015

Me entregando na real

Assim! Sou sempre a do comer de tudo, do discurso: Sem frescuras minha gente! Seja comida de rua, de feira ou de grife, com higiene básica tá valendo. Mas tenho (já tive mais) frescurices e vou me entregar de bandeja. Fritando bananas da terra e lambuzando elas de açúcar com canela, olhei para as bonitas e ausência fatiada das bolinhas do meio, do caminho central das bonitas me levaram para a da Escola Baiana de Medicina e Saúde pública. 
Calma! Não vou declarar nada cientifico, nem veio de lá nenhuma informação para serem banidos os miolos das bananas. Necessário pontuar, que miolo de bana é uma definição bem minha cara. Entenda-se miolo, aqueles pontinhos pretos, que vale a aula de biologia, não são sementes, são óvulos não fecundados, uma vez que a banana se desenvolve sem que haja fecundação, portanto, não possui sementes.
Uma colega de trabalho achava graça, outra meio que tinha ciúmes, eu trabalhava no CPD (atestado de minha idade o nome desse setor, o tal Centro de processamento de dados, sala de informática, setor hoje fora de moda pois todos os escritórios até o cafezinho já é informatizado). O especial era a banana de dentro ser sem miolo, porque eu disse que gostava assim. 
Dizia também bom dia, boa tarde, a senhora tá bonita hoje, que cara é essa e outras coisinhas doces que me deram a chamada moral. E para arrematar o contar, bananas reais me levam também para escola, tempo em que eu vendia na hora do lanche e sonhos e pãezinhos também, dava a parte de meus pais para eles e o meu eu gastava com adesivos, papéis de carta, lanches, fru-frus e frescuras. Detalhe: Zero chance da turminha da zuação me dizer qualquer coisa, piada, brincadeira de bom ou mal gosto, sabiam de doce eu amargava e quando eu sou boa sou ótima, mas quando não, voam panelas.

13 de outubro de 2015

Momento quiprocó

Quiprocó é uma palavra popular muito usada, seu significado em bom português é confusão. Nos tempos antigos, descobri outro dia, lá nos idos da palavra Farmácia escrita com Ph e não com F, quando o freguês procurava algum remédio que não estava disponível, o farmacêutico recorria a um livro grosso de possíveis substitutos, algo como "este está para aquele" e advinha qual o nome do tal livro? Era em latim tá, bem da época e se chamava: Quid Pro Quo e o processo de busca nele era demorado, confuso e daí o nome do livro passou a significar qualquer coisa que de simples se vire confusão. Assim como meio confuso foi para mim programar e providenciar bonitinhas e assíduas as postagens no final de semana, feriado e ainda estiquei o quiprocó para hoje. Vou tentar amanhã colocar os pingos nos is, tudo em dia, vou tentar.

9 de outubro de 2015

Do por amar, educar

Embora Immanuel Kant seja bastante conhecido e citado, não é suficientemente conhecido, lido e citado em minha opinião e dentro dessa falta de popularidade estão suas ponderações e colaborações pedagógicas. Tantas escolas usando o mesmo referencial teórico e prático e Kant num canto, para não perde o trocadilho.
Muito influenciado por Rousseau, criaram juntos teorias baseadas nos deveres morais dos indivíduos em confronto com a sua liberdade, que nunca devem ser dissociados e dessa concepção a proposta da interiorização das leis morais, que não devem ser determinadas e nem impostas por alguma força externa às pessoas, inclusive pela fé.
"Não dê atenção aos gritos das crianças e não se condescenda com elas, quando querem obter alguma coisa por esse procedimento; mas, se pedem cordialmente, deve-se dar a elas o que é útil" (Kant). Conhecer o bem e o mal, sentir as razões dos deveres do homem não é da alçada de uma criança. A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de ser homens. Se quisermos perturbara essa ordem, produziremos frutos precoces, que não terão maturação nem sabor e não tardarão em corromper-se; teremos jovens doutores e crianças velhas (Rousseau).
Educar implica em civilizar e progredir pessoalmente e assim sendo o coletivo. Pela filosofia de Kant, o cuidado é o primeiro estágio da educação, o segundo estágio o é a disciplina ou treinamento, o terceiro a cultura. A prudência é o quarto estágio da educação, consistindo na faculdade de uma pessoa utilizar-se de suas habilidades de um modo socialmente aceito para alcançar seus objetivos. Por fim, o autor trata da moralização, inerente a todas as etapas e que implica direta e substancialmente na formação do caráter de cada indivíduo.
"Os homens que não se pospuseram certas regras não podem inspirar confiança; não se sabe como se comportar com eles". Entretanto, para que o homem tenha essa inclinação para agir corretamente, é necessário que desde a infância ser incentivado a obedecer regras, leis, ter e cumprir horários, rotinas.
Por uma sexta-feira de bagunça e ordem. De alegrias e do ter que lidar com as tristezas. De escolher um brinquedo levar para escola e para o play, praça e também um para doar para quem desde pequeno necessidades passa.

8 de outubro de 2015

Das raízes

Raízes, não das plantas e árvores, nem nossas, o assunto é raízes do tipo de onde vem: palavras, idéias. Emocionar, para começar, vem do latim emovere, que mexe, que provoca espanto, sensibiliza, tira as pessoas do automático, fato é que cada dia mais o mundo está automatizado e as pessoas também, e com isso se pensa estar mais livre e cada dia se está mais preso, com tudo mais prático, se tem cada dia menos tempo e menos paciência e menos prazer em estar, fazer, ser, estar.
As pessoas se isolam (isola em italiano é ilha) cada dia mais, se expõem cada dia mais e aceitam cada dia menos opiniões diferentes, programas e propostas que não sejam exatamente dentro de seus objetivos, dentro da caixinha delas, da ilha e ai não conseguem dar passos além do seu mundo, do que  vantajoso, confortável, nem sempre correto e adequado, mas que se dane quem não for de obas e tamo juntos.
A repetição é um mecanismo de automação poderoso, persuasivo e hoje muito utilizado sob a forma de hastagas, de se propor e se dispor a imitar tal coisa nas redes. A repetição e seus efeitos na memória e nas emoções é utilizada na publicidade como técnica de fixação (do latim: fixus - preso, imóvel). Então bora repetir coisas boas, compartilhar, se emocionar e emocionar quem entra numa de se isolar e uma quinta de primeira passar.

7 de outubro de 2015

Na rede

Ai
A gente mostra fotos da infância as visitas
Posta nas redes sociais
Sem a menor cerimônia
E os tais aborrecentes
Dentre os que curtem fotos
Publicam pelo dia das crianças alguma sua 
Meticulosamente escolhida 
Meninos 0,01%
Das fotos atuais
Normalmente, tiram 40, excluem 20
Editam 10 e só publicam uma
E se pai, mãe, tios publicam 
É mico bizarro, tosco, tipo nada a ver 
Ou amam 
Ou ignoram
Sem saber qual das opções será 
Resolvi ele na rede literalmente publicar 
Dos gols que fiz 
Da criança que dia desses estava por aqui

6 de outubro de 2015

Por um mundo melhor

Estudos revelam que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios, economia de carinho, falta de valorização e elogio as qualidades do outro, um tal de um não gostar de abraço, outro de beijo, de se responder tudo as turras e se alguém questionar ou chamar a atenção as justificativas vão desde desaforos sem cerimônia, respeito e limites a desculpas do tipo estou estressado(a) por causa do calor, do trânsito, do meu dia cheio, da alta do dólar.
Tempo e cabeça para críticas e lamurias, já é mais comum, ai todo mundo se aquece e esquece o dia cheio, e ai é um não poder ligar o rádio na hora de comer, um tal de escolher a música no carro, porque o passageiro de trás ou ao lado não ouve aquilo (tipo se ouvir parece que vai morrer) e nesse quesito lá se vão para os ouvidos, os tais fones e ai não se ouve o papo durante o percurso, na mesa não se ouve o jornal (que apesar dos pesares há que se ver para não se alienar), nem o: Por favor passa o sal! Para comer então, haja chatice, um come só se for assim, o corte das batatas tem que ser tal, o outro só come se for assado. Na tv cada um quer um canal e ninguém vê o que o outro vê. E nessa, as pessoas estão cada vez mais intolerantes, ranzinzas, frias.
Raro ver maridos elogiando(em público) suas esposas e vice-versa, chefes sem interesses e estratégias elogiando o trabalho de um funcionário, filhos elogiando os pais, amigos que falam uns dos outros com afeto e são amigos por afeição e não por segundas e milésimas intenções. Não contando os elogios superficiais, tipo: linda, lindo, curti, adoro e outros comentários pops e prontos, muitas vezes (nem sempre) vazios de verdade e sentimentos.
Dentro dessa questão, dos elogios, o que mais há por ai são elogiosos seguidores e copiadores comportamentais de artistas, cantores ou as vezes de um zé qualquer do canal de vídeos ou da rede social fotos ou qualquer outra, sem eira nem beira, sem referências, histórico, história, que por sua vez, cada vez mais usam (e são usadas) suas popularidades e imagens para lucrar e por consequência, são sempre essas pessoas, personagens montados no visual, com hábitos de consumo e vida voltados (muitas vezes velados), para o consumo e para inflar o tal ego alimentado por likes.
A falta de diálogo real, de opiniões opostas sem gerar violência, de olho no olho, o excesso de orgulho, de vaidades, as travas que se maquiam no ser bem resolvido só que não (do tipo se algo incomoda, nada de refletir, remédio para dormir e encher a cara "resolve"), são alguns fatores que impedem as pessoas de dizerem o que sentem, de reconhecerem seus erros e daí elas ou levam essa carência e deficiência para dentro dos consultórios, ou guardam dentro de si e pegam carona nos vícios e/ou tornam-se cada dia mais, pessoas de convívio difícil e nocivo.
Valorizar as famílias, amigos, chefes, professores, alunos, subordinados, agradecer, ser menos exibidos e gananciosos, ser mais cooperativos. Elogiar o bom profissional, as boas práticas, reconhecer quem nos é auxilio (ou foi), quem nos dá atenção e afeto genuíno, observar o que as pessoas gostam, seja alguém próximo ou longe de nós, fazer coisas que não custa nada fazer e se custar, pagar o preço, gastasse tanto com tanta porcaria. Pronto! Falei!

5 de outubro de 2015

Dos exemplos que valem ouro

Escutei uma história das muitas contadas e comentadas por Mario Sergio Cortella, que resolvi trazer para cá, para compartilhar. “Em uma corrida de cross-country, o queniano Abel Mutai, medalha de ouro nos três mil metros com obstáculos em Londres, estava a pouca distância da linha de chegada e, confuso com a sinalização, parou para posar para fotos pensando que já havia cumprido a prova. Logo atrás vinha outro corredor, o espanhol Iván Fernández Anaya. E o que fez ele? Começou a gritar para que o queniano ficasse atento, mas este não entendia que não havia ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, então, o empurrou em direção à vitória. Bom, afora o ato incrível de fair play, há uma coisa maravilhosa que aconteceu depois. Com a imprensa inteira ali presente, um jornalista, aproximando o microfone do corredor espanhol, perguntou: “Por que o senhor fez isso?”. O espanhol replicou: “Isso o quê?”. Ele não havia entendido a pergunta (e o meu sonho – o nosso caro Cortella - é que um dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida), pois não pensou que houvesse outra coisa a ser feita que não aquilo que ele fez. O jornalista insistiu: “Mas por que o senhor fez isso? Por que o senhor deixou o queniano ganhar?”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista continuou: “Mas o senhor podia ter ganho! Estava na regra, ele não notou...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória, qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele perdesse?”.
Para arrematar o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant: “Tudo que não puder contar como fez, não faça”, as razões para não contar, são as razões para não fazer, fecha Cortella e fica a dica.

3 de outubro de 2015

O novo e o velho

A proposta tema de hoje: Algo velho e algo novo, semelhanças e diferenças, me levou dos coadores de pano aos de papel, água que ferve na panela e cafeteiras, de máquina de calcular com fita de papel e das comuns a tudo no celular, esse tudo inclui assumo-me digital, o relógio. Saiu com o único retrô troca pulseiras que tenho e só combina em cores com a roupa ou acessórios, porque a hora olho mesmo é no celular. O tal hábito.
Hábito também e ruim é o do objeto que escolhi hoje: negativos. Adolescentes queridos e pessoas já abduzidas pelos novos tempos sabem do que estou falando? Não botei foto para a xarada ser desvendada a miúde (mentira, não me organizei para uma foto produzida com capricho como desejava, um negativo, fileiras deles, em plástico contínuo, em modelos e tamanhos diversos, enrolados e tantos detalhes mais dos muitos que tenho, ao lado do meu celular e ou do computador, que são os negativos da atualidade e por as imagens serem claras e sem necessidade de revelação, revela-se o não imprimir e não guardar em outras mídias como prática da maioria e com a ela a possível perda dos registros fotográficos e o não mexer, nomear, fazer álbuns, tão viagem no tempo e gostoso que é. 
Pois é! É dos negativos de fotografias que vos falo, para quem ainda a ficha não tinha caído. falando em fichas, bem procurei no meu museu uma, que ao lado de cartões telefônicos que tenho e foto de orelhão, fariam pose ao lado de quem, de quem, de quem, do multifacetado celular.
Eu até fiz pesquisa, tipo trabalho escolar, conversei com um fotógrafo antigo e amigo sobre como os tais negativos viravam manualmente fotos reveladas e achei mágico, fantástico. Quem ficou curioso procura no Google ou no YouTube (tarefa para casa). E nessa de pesquisar descobri que dá para digitalizar os negativos (mais uma tarefa que inventei para mim (vale pesquisar também como fazer, mas, resolvi ser boazinha e lincar um vídeo explicativo, clica aqui). Existem várias histórias sobre a criação da fotografia, alguns estudiosos apontam Louis Daguerre como o pai da queridinha, enquanto outros afirmam que Joseph Nicephore Niepce foi o seu grande inventor.
E quem ai sabe o que é um Daguerreótipo ? Eu até essa publicação não conhecia a tal caixa mágica, mais precisamente o primeiro equipamento fotográfico fabricado em escala comercial da história. Criado em 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre e fabricado por Alphonse Giroux, apresentado publicamente em 1839, na França. O aparelho fixava a imagem capturada em uma placa rígida e espelhada, que precisava ser guardada com cuidado. Uma das fotos mais famosas da história este método é a de Edgar Allan Poe, preservada até hoje, com riqueza de detalhes e aparência tridimensional próprias da antiga técnica.
Depois de Louis Daguerre, inventor do equipamento de nome difícil,  muitos outros inventores buscaram aperfeiçoar a captura de imagens. Alguns grandes nomes são: Frederick Scott Archer, avanços na resolução das imagens usando emulsão de colódio úmida que barateou o custo de produção de cada fotografia;
Félix Nada, primeiro a capturar imagens aéreas e um dos primeiros donos de estúdio de retratos;
James Clerk-Maxwell, foi quem apresentou, em 1861, o primeiro método de fotografia colorida. Obtida através do uso de três negativos;
Richard Leach Maddox, inventor do método de fixação das imagens usando uma suspensão gelatinosa, que substitui a emulsão de colódio úmida, criando as primeiras chapas secas, que tornaram o processo de revelação mais simples.
Depois da criação de Maddox, a comercialização de negativos e a revelação de fotografias tornaram-se muito mais acessíveis, o que foi pontual para o crescimento do mercado e a expansão dessa forma de arte de forma comercial e pessoal pelo mundo.
Depois dele, destaque para George Eastman, empresário, fundador da Kodak (destaque foi para rimar com Kodak, decidi revelar).
De igual desde os tempos dos draguerreótipos, máquinas com pano preto por trás do retratista, câmeras Polaroide e tantas outras até as dos Smartfones, registro de momentos, de pessoas, de lugares, de coisas. De diferente, a armazenagem, a relação com o objeto foto, os usos, a quantidade. Filme de 12, 24, 36 era top e ali cabiam viagens, quando muito dois filmes. E chega, tenho coisas antigas e novas para fazer, ver, fotografar. Que seja positivo o final de semana e o saldo de aprendizados, diversão e interação dessa Blogagem. Para o primeiro sábado de novembro o tema é: Simplicidade.

2 de outubro de 2015

1, 2, 3...

Ai amanhã é dia da Blogagem  coletiva proposta por mim e Ana, um tema cada primeiro sábado de cada mês. Para o primeiro sábado de outubro, como eu disse no post do primeiro sábado de setembro, o tema bem poderia ser infância, mas ai seria muito óbvio e adultos, não crianças, são óbvios. Então, o tema é: um objeto antigo e um novo, algo em comum entre eles e algo bem diferente. Uma proposta mais elaborada e desafiadora. Posta e avisa!
Hoje no clima interação das sextas-feiras eu trouxe do blog de Ana, que levou lá pro blog dela do blog de Fernandinha, que viu no blog de Lolla, que ainda não visitei e, portanto, com quem ainda não troquei  três, quem sabe futuras trezentas palavrinhas (minha tagarela e eu).
Então, esse leva e trás todo é de um questionário tipo de época de escola (da minha época lá dos idos dos anos 80), até já falei aqui. Várias perguntinhas, cada um responde e todo mundo se conhece mais, uns aos outros e a si mesmo, todo mundo se diverte, anos depois vê e ri das respostas, muitas mudam, outras não. Chega de blá blá, seguem as tais perguntas e minhas respectivas respostas.

3 coisas que mal posso esperar:
Meu filho fazer dezoito anos (mães de adolescentes desejam isso nem que seja uma vez por semana)
Me encaixar novamente no mercado de trabalho
Ver, tocar, sentir a neve pela primeira vez

3 coisas que me dão medo: 
Raios e trovões
Violência urbana, multidões
Mar aberto porque não sei nadar, mas medo leve, tipo com marido ao lado e boais fico trank

3 coisas que me dão preguiça:
Acordar muito cedo
Gente chata
Atividades sequencias repetitivas (passar pilhas de roupa por exemplo)

3 coisas que eu gosto:
Conversar
Gatos e passarinhos
Ler

3 cheiros que eu gosto:
Café
Terra molhada, chuva no telhado
De praia (mar, protetor solar)

3 cheiros que eu não gosto:
Cigarro
Perfumes fortes ou fracos mais que eu não goste (dor de cabeça certa)
Brócolis cozinhando

3 comidas Gimme More (segundo Fê: aquelas comidas que comemos e sempre queremos comer):
Acarajé
Pizza, cachorro-quente, bolo (sim sou comilona e magra, uhuuuu, quase melhor que ser rica kkkkk)
Comida oriental

3 comidas prefiro a fome:
Carnes gordurosas
Peixes cheio de espinhas e Arraia
Vou usar a terceira opção para o ditado que tempero de comida é fome e preferir a fome é feio

3 redes sociais favoritas:
Blogs
Instagram 
Whats (com restrições a grupos e excessos)

3 redes sociais desgracentas (repetindo o nominho over, mas achei over rsrsrs):
Facebook (sentimento de que, de terra prometida, virou terra de ninguém)
Qualquer um de paquera
Qualquer um de baixaria

3 bebidas favoritas:
Suco de laranja
Suco de maracujá docinho e geladinho
Cerveja Preta e vinho tinto docinho (ah escolhi quatro, sou dessas rarara)

3 bebidas Urgh:
Whisky
Cerveja barata e quente (kkkkk, piada interna isso, é que eu só gosto das cervejas tipo especiais, de marca, leves e beeeem geladas, não sou obrigada a tomar cerveja quente kkkkk)
Água (um hábito que não tenho é beber a tal da água, por isso tenho pedras nos rins tenho pedras nos rins, só bebo tipo sede no deserto). Lembrei com essa contação toda (olha a tagarela) que adorava ir na casa de uma vizinha no prédio que morávamos na infância e adolescência, que fazia quitutes e tinha um Superzon, eu sempre pedia água lá, achava deliciosa.

3 coisas que eu quero fazer:
Viajar mais 
Voltar a fazer Yoga
Publicar um livro (vários para ser bem sincera)

3 coisas que eu deveria fazer:
Falar menos algumas vezes
Ser menos ansiosa
Dirigir (tentei, travei, tenho bloqueios, medos, sei lá, desisti, mas sei é ganhar asas ter carro e saber dirigir)

3 coisas que eu sei fazer:
Arrumações (isso de sei é tão autopromoção, consigo mais falar mal que bem de mim) rararara
Desenhar
Trabalhinhos manuais

3 coisas que eu não sei fazer:
Nadar
Fazer a sem opinião
Passar delineador (alguém pfv me ajude)

3 coisas que estão na minha cabeça:
Planos profissionais e familiares
Ganhar na mega-sena
E mil e uma coisas grandes, médias e pequenas, coisas na cabeça são bem eu

3 coisas que eu falo bastante:
Oxi
Não sou obrigada (é da vez), de sempre: painho, mainha, Marquinhos e outros inhos (me empolguei)
Pera

3 assuntos que eu falo bastante:
Comportamentos
Leituras
Desejos, planos 

3 coisas que eu quero:
Mais dias e notícias de paz e bem (resposta de miss)
Verba para comprar o tanto de livros que entram na minha lista a cada ida a livraria, indicação etc
Tempo sobrando para ler os livros e não fazer nada sem acumular coisas por fazer

3 coisas que me acalmam:
O mar
Meu marido (quando não me irrita)
Café

3 coisas que me estressam:
Gente sem noção (de coletividade, de modos, de respeito...)
A má vontade das pessoas, o tudo por interesse e a falta de interesses sem cifras
Celular de marido cair na  caixa ou chamar e não atender 

3 coisas que eu vou fazer essa semana (que vem):
Seção de acupuntura
Ir para apresentação de um Projeto de Redação na escola do filhão
Ir no correio postar coisas e carinho para amigas blogueiras

3 coisas que eu fiz na semana passada (essa semana corrente, olha eu customizando o questionário dos outros, bem eu):
Revi meu irmão viajante recém chegado de viagem
Fiz uma cartola de papel
Escrevi vários posts para revisar, finalizar e programar

As respostas foram em parceria com marido gente, pense na pessoa perguntando sobre si mesma a outra pessoa, eu. E as respostas na lata! Quem gostou da brincadeira reponde no seu blog e me avisa pra eu ir ver e claro, comentar. Para fechar, na sincronicidade do falar pelos cotovelos, matraca solta e filosofias, vou dar a voz a Emília: "As grandes gratidões são mudas". Grata pelo brincar que além de fazer por respostas, mais de mim conhecerem, a mim me fez rir, pensar, daqui a anos ver as respostas de agora, as de sempre e as que mudarão. Pois a vida é um rosado de piscadas, bem poetizou a boneca de pano por mim amada.

1 de outubro de 2015

Do não ter idade

Ai o post de boas vindas a outubro que publiquei mais cedo, ficou mais de romance e felicitação ao aniversariante de fim do mês, que de ode aos idosos e o não ter idade ser criança ou adolescente. Do privado para o público eis-me aqui para recontar a história que vi no programa pop da tv aberta matutino. Sem muitas delongas, nem voltas, Dona Augusta, 85 anos em encontros de auto-estima, resolveu ensinar uma colega, Dona Severina, 77 anos a ler e escrever. 
Dona severina sempre assinava a lista de presença no final, com o polegar e não tinha vergonha disso, tinha mesmo era vontade de saber escrever, achava bonito, tento ir par escola já com idade avançada após o dia todo na lida na roça, janta posta em casa e cozinha arrumada, mas para as tarefas não tinha tempo de fazer e o cansaço fazia par com o querer.
Não tem idade a amizade, a empatia, o fazer o bem, o querer, o saber, ler, escrever, ser, estar e fazer valer o mais que humano em nós. Então tá tudo dito e como na canção entoada por minha conterrânea cheia de boas energias e energia, eu acredito num claro futuro, de música, ternura. aventuras, bem aventuranças pessoais e alheias, com esperança e menos gente em cima de muros.

Dos para sempres

"Há em cada adolescente 
Um mundo encoberto
Um almirante e um sol de outubro"
Frase de Machado de Assis
Pelo meu aniversariante do mês
Eterno e terno adolescente para mim
E porque hoje é o Dia dos idosos
Que ainda não é o caso do meu amado
Mas será e ao seu lado quero estar
A foto é do corredor do prédio
Onde fomos adolescentes
E onde nos conhecemos e tudo começou 
“O problema não é crescer, mas esquecer”, diz a garotinha para o senhorzinho aviador da animação que conta a história do Pequeno Príncipe e que encantada ao lado de meu marido namorado vi no cinema dia desses. Crescer é inevitável, esquecer é opcional. E caso não seja, pela idade avançada ou pela malvada doença que é estreitada com o esquecimento, tá valendo. Não vale e chega a ser desperdício, quiçá pecado, por avaria, falta de tempo ou desatento esquecer-se pois cresceu, do menino ou menina que fomos, de quem conosco brincou, cresceu, vive e viveu.
E mesmo quando parece de que nada se lembra as criaturas com a tal doença ainda sem cura, lá ficam, como vi num filme, já ouvi profissionais falando e li, músicas no sótão bagunçado, além de nomes de pessoas muito queridas ou detestáveis. Porque o que nos marca faz marcas.
Não tendo doença, nem o tempo, nem a distância, nada tira de nós o que sentimos, vimos e o que é bom vale mais que sentir, vale lembrar, reviver, dividir, multiplicar, somar, saborear, ver, pegar e assim diminuir a distância entre a criança e adolescentes que fomos e sempre podemos ser.