30 de dezembro de 2016

Ai
Hoje
Última sexta do ano
É dia de ir no Bonfim
De branco
Fazer um balanço
E agradecer
Na primeira sexta do ano novo
É dia de pedidos
De fitas novas
3 nós
Uma crença
Em 2017
A primeira sexta cai no dia de Reis
Muito auspicioso
Para saudar a tradição
A fitinha de alguém que quero bem partiu as vésperas do ano partir 
Assim
Na sintonia
Pequenas grandes alegrias
Porque tudo depende da importância que a gente dá
"E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá"
E que "toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas"
#quevenha2017
#porbonsfins

19 de dezembro de 2016

Brinde

Um brinde de Fanta Uva
Que meu marido acha, faço parte de um diminuto grupo, que gosta
Assim como uva passa
E memórias com traça
Falar e lembrar de quem já se foi
Querer viver o agora além do porvir

Enfim
E sem fins de mim
Que me senti brindada nas palavras de um poeta amigo
E trouxe para compartilhar
Brindar
Com quem em partes ou totalmente se identificar
Me identifiquei muito e quem me conhece me reconhecerá
Donos do mundo, é o nome do poetar

Para quem for o total oposto
Maiorias quiçá
Um brinde de...sei lá

"aos que soltam pipas
aos que chutam latas
aos que pedem fanta uva
aos que tomam chuva;

aos que abraçam (e beijam) árvores
aos que imitam desenho animado
aos que criam bichos
aos que separam o lixo;

aos que jogam paciência
aos que têm muita miopia
aos que vivem de brisa
aos que tiram a camisa;

aos que chupam pirulitos
aos que fazem algodão-doce
aos que compram pipoca e praliné
aos que esperam o sol nascer;

aos que caminham a esmo
aos que alimentam os pombos
aos que catam migalhas
aos que perdem as sandálias;

aos que falam sem pensar
aos que pensam sem dizer
aos que imitam passarinho
aos que falam sozinhos
aos que riem muito alto
aos que se fantasiam
aos que dão vexame e gorjetas
aos que não trancam gavetas;

aos que esquecem as chaves
aos que perdem a hora e a carteira
aos que fazem a festa surpresa
aos que sobem na mesa;

aos que jogam bola, bola de gude
aos que jogam jogo de botão
aos que jogam o jogo da verdade
aos que nunca jogam verde;

aos que olham nos olhos
aos que fazem letra e música
aos que vestem laranja
aos que tocam uma canja;

as que levam balas nos bolsos
aos que dão bom dia a estranhos
aos que gargalham no filme do carlito
aos que acham esquisito bonito;

aos que erram na conta
aos que fazem castelos na praia
aos que estouram o espumante
aos que não se desenganam antes.
aos que não ligam pra blusa furada
aos que costuram meias
aos que ainda usam chapéus
aos que tiraram os véus;

aos que atiram pétalas, pérolas
aos que abrem a casa, tomam um porre
aos que desligam o celular
aos que ligam, mesmo a cobrar;

aos crédulos, livres de espírito
aos meio crianças ainda
aos de alma de orgulho desprendida
aos que tentam o mais leve da vida
levem, pois este mundo lhes pertence."

Marcílio Godoi

29 de novembro de 2016

Além das telhas 
Nuvens
Estrelas
Em telhados mundo a fora
Bolas
Pq futebol é mais que um jogo
E eu que amo
E também amo telhados
Sensação de não ter teto
Com a bola furada
Chocada
Dormi feliz com o jogo do meu Vitória
Acordei triste com a tragédia da Chapecó
#somostodoschape

18 de outubro de 2016

Oi!

Passando para tirar o pó do blog, que já teve um post por dia. O que houve? Vou contar...
Minha alegria e constância de postar foram sendo minadas pelas muitas partidas e poucas chegadas de leitores. Pela preferência coletiva gradativa por outras redes sociais., tal e coisas, coisas e tal.
Um diário, um ensaio, um querer, poder, ser ou vir a ser escritora, um descobrir e me descobrir na poesia, a necessidade e o gostar de me expressar, conversar, trocar idéias, opiniões. Um contar  da vida em crônicas, em fotos, em fatos e fantasias. Cotidiano, passado, presente, futuro. Assim para mim era e ainda é esse espaço.
Uma caixinha,  as vezes quintal, de descobertas, alinhamentos, desalinhos, amizades, terapia, filosofias, futilidades, temas sérios e amenidades. O que não gosto. O amar por conhecer, o amar exatamente por não conhecer (pessoas, lugares, coisas).
Estou aqui, a garimpar o que já postei, tenho pensado apostar no  idealizado e tão sugerido livro, talvez. Tirando coisas das gavetas, guardando no sótão, me desfazendo de algumas, inventando outras. Porque a vida é assim, muitos era uma vez, é a vez, serão as vezes, com páginas sempre a serem escritas.

1 de outubro de 2016

Eu noveleira e escritora

Ai, quando eu soube não tinha ainda um fim gravado para a novela Velho Chico que dentre as tragédias ambientais e humanas contadas teve uma real, me ocorreu um final, uma homenagem ao moço palhaço e poético, um olhar para rio com o desafio de desassociar essa perda e mostrar as tantas que ele, o rio, foi submetido.
Post para quem assiste novela, por gosto ou companhia, por ter assunto com a mãe, vó, tias, rodas de amigos.
Dos meus personagens dessa novela que assisti por ser tão sertão, as melhores atuações para mim, foram as de Bento dos Anjos (nasceu pra ser ator o cabra) e de Seu Zé Pirangueiro (me ganhou desde o nome). Pensei então, em um papo dos dois com uma carranca feita por Dona Ceci, sendo os três tão envolvidos com as crenças, a cultura, a natureza, os três puros, alegres e tristes como um palhaço, próximos ao personagem e a pessoa de Domingos Montagner.
Esse papo, seria tipo um contar de história para o neto de Santo, um recitar de cordel, uma adaptação de uma adaptação, dos muitos poemas de Manoel de Barros, que foi homem de rio e que tão lindamente foi traduzido em: A língua das coisas, curta da Caraminhola Filmes, selecionado pelo Programa Curta criança, do Ministério da Cultura em parceria com a TV Brasil. Na história, uma criança que cresceu ouvindo os contos de seu avô, homem que o criou e que sempre tentava fazer com que ele aprendesse as coisas da natureza, da vida, a língua do rio, dos bichos, das plantas, a pescar palavras. Que na novela e na vida faltou a todos.
O menino, cansado da rotina da roça, inventou de ir para a cidade aprender a “língua de gente” e um dia, a mãe de Lucas lhe dá a notícia que o avô faleceu e o jovem volta ao sítio onde foi criado, abalado por ter perdido o Avô, ele vai direto pro rio, cenário de diversos aprendizados, em busca de conforto ao seu coração. Sem se dar conta, dezenas de palavras são trazidas até ele pela correnteza, mostrando que as histórias contadas pelo seu avô continuam vivas em sua memória e sempre estarão lá e para finalizar um vídeo do moço se banhando no rio com a frase de Guimarães Rosa: " Saudade é ser, depois de ter".
Não sei você, mas eu acho que ia ser legal e se quiser ver o curta clica aqui.

23 de setembro de 2016

Sobre asas por dentro

Feito de varinhas de madeira e folhas de papel seda
Graças as aulas de artes
Que muito além de habilidades e técnicas que podem ser úteis para um pintor ou um Doutor
Convidam e desenvolvem a sensibilidade
E foi também graças a geometria essa obra de arte
Sabe de onde vem e quem inventou, quem fez e quem vê, graças as aulas de história
Ou aos livros de literatura
Como voou as de física
Foi usado em uma apresentação teatral
Dessas que tem dança
Trabalho em grupo
Essas coisas que se aprende nas aulas de Educação física
Enfim
Cortes nas asas do educar essa reforma da educação
Que é e sempre será interdisciplinar
Além do que ensina para variados usos cada matéria, que parece não importar aos 14, 15, 16
Ensina a ouvir sem gostar
A buscar a nota para passar
Porque ter que aprender...se não vou usar em...
Porque conhecimento nunca é demais
Porque com base múltipla, múltiplos são os caminhos
Tarja branca para o ensino
Filosofia, poesia
Tarja preta para essa involução
Eu cá só observando
Lamentando
E agradecendo ter crescido nos anos 80
Além de uma raivinha de ter que aplaudir a Argentina
Inseriu essa semana mesmo, cinema ao currículo escolar 
Perdemos de goleada
O ato de ver não é coisa natural disse Rubem Alves
Precisa ser aprendido
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem
#doquevejopensosinto

21 de setembro de 2016

#adoro

Ai, hoje, em dos programas matinais globais
O estranho ser, uma criança gostar de hélices
O brincar construindo coisas, causar espanto
Necessitar reflexão
Qual nada
Não resisti resenhar
Ele gostava de brincar com o velotro de cabeça pra baixo
Dizia estava fazendo pipoca
Na varanda eu ligava o espremedor de laranjas e ele espremia a peça abelha giga do lego 
Era suco de abelha
Além da seção de cócegas na palma da mão
Brincou também com furadeira
Sem ligar tá
Chaves de fendas, martelo
Com escova de dentes limpava o ralador de queijo para ajudar o avô
E nas latinhas de refri vazias, com toda uma harmonia sqn a gente fazia o sambão do limadão
De me arrepiar aquele raspar mas superava porque ele amava
E se alguém achava estranho
Nem prestamos atenção
Lembro da pró de alfabetização dizendo com espanto que ele desenhou o sol na parte de baixo do papel
Ao que ele respondeu, que o sol dele estava se pondo
E eu pondo ela no lugar, arrrematei:
A senhora deixa?
Então
Enenzinho rolou
E sei lá quenzinhos
Que brincaram com as coisas "certas" não sei
Sei que ele
De 45 questões
Acertou 44
#diferenteébomdiferenteélindo
#diferentemudaomundo
#diferenteseiguais

15 de setembro de 2016

Das partidas repentinas

Sempre gostei de barcos 
Tenho por referência meu pai
Gosto das histórias
Dos caricatos piratas
Das lendas das águas
Com a novela global atual, conheci o Gaiola, o tal do Encantado
E me encantei mais uma vez com o moço, personagem principal
Que em outra, itambém ia e vinha em um barco
Além de fazer parte da Novela Cordel que amei
Ai
Para completar meu gostar
Era do Circo
Era
Triste saber
Se foi o moço, nas águas do Velho Chico
Quem viveu sob as lonas
Deve ter intimidade com estrelas
Num mergulho
O fim do espetáculo de um Palhaço
Minha singela homenagem
Pena não é só de alegrias que se vive a vida

7 de setembro de 2016

Haviam vigias no parquinho
E eu, subversiva, queria balançar
Mas adulto não pode
E não adiantava eu explicar que sou criança
Nem mostrar que eu não ia estragar o brinquedo
Ia só brincar
Impossível para mim, não lembrar de Rubem Alves, que muitas vezes falou de balanços em seus escritos, recomendou como terapia, sugeriu que as prefeituras criassem balanços em praças públicas para os adultos
O prazer inocente e inspirador de um balanço
O indepente da idade
Pq hj é 7 de setembro
Balanço amarelo 
Fresta de sol para alumiar
O desejar crianças nas Paradas
E menos crianças paradas
Mais adolescentes e adultos balançando a roseira do Brasil
E também porque hoje começam os jogos paralímpicos
E se a gente não puder voar, vale correr, andar
Seja de bengala, cadeira de rodas
Só não vale se deter
Não vale não sonhar
Não querer
#domeuamarbalanços
#dotantoquepensamosedesejamosnasidasevindasdecadadia

31 de agosto de 2016

Pingo de nanquim em mim

Não lembro de histórias minhas com carimbos. Acho que não me davam pois eu certamente tingiria as pontas de todos os meus dedos, barra dos vestidos, carimbaria papéis, tecidos, paredes, móveis.
Não lembro de histórias minhas com carimbos. Acho que não me davam pois eu certamente tingiria as pontas de todos os meus dedos, barra dos vestidos, carimbaria papéis, tecidos, paredes, móveis.Lembro sim das aulas de artes de um tal de Nanquim. E trabalhos de tinta tipo a de carimbos pingadas em pingos d´água sob o papel, formas diferentes. O cheiro me veio ao escrever e a cor azul marinho, me fez ir até o papel carbono, que eu adorava
Enfim e sem fins de mim. Lembrei que já tive vontade de ter um carimbo para marcar meus livros, algo tipo: Biblioteca particular de Tina. Ahhh!!! Lembrei também de mais, lembrei que meu filho usava o carimbo com nome e cpf do pai por entre os desenhos que fazia e que no fundo de papéis de carta, uns tipo notinhas, que ainda tenho, tem carimbado o nome da padaria de meus pais 
Adorei demais achar que não tinha histórias com carimbos e lembrar de tantas, cutucada dia desses pela amiga que tirou esse retrato meu, que ilustra o post,  um dos registros de nosso encontro na Bienal de SP, a colorir, tipo rabiscado e carimbando no passaporte imaginário mais um dia juntas que rendem memórias e histórias que se espalham tipo pingo de nanquim.

28 de agosto de 2016

Sampa e eu

Cidade de Concreto
De mato
E de abstratos
Niemeyer colorido a contemplar
E eu a ouvir ele para mim sussurrar
"A gente tem que sonhar
Senão as coisas não acontecem"
#domeuamarapaulista
#niemeyereeu

21 de agosto de 2016

Para viver, ver, ser

Acabando
E eu já esperando a continuação
Tirei essa foto em Porto Seguro
Porque adoro ver espaço reservado e acessos para cadeirantes
Nunca precisei
Não convivo com quem precisa
Até conheço e pena mora longe de mim quem tem uma cadeira como companheira
Um amigo de nada menos que da cidade Olímpica e agora Paralímpica
Pelo próximo, de perto ou longe, que precisa as vezes apenas de um olhar linear
Do ser igual
Acho que as competições dos paratletas tinham que acontecer junto com a dos atletas, atletas que são
Não há porquê não e muitos porquêse sim
O meu bem querer por quem não se vitima, não se limita apesar de suas limitações e das do mundo
Penso que esse evento na essência esportivo, oferece grandes oportunidades para a aprendizagem e discussão de questões diversas, além da política
Pessoas de todo mundo, juntas e misturadas
A história de vida dos atletas
As regras de cada modalidade
Um emaranhado de Educação física, Sociologia, Geografia, Psicologia, Filosofia, Línguas, Matemática, Poesia...

14 de agosto de 2016

Eles e eu


Sem fins de mim
Minha dupla olímpica
Tentei futsal, judô
Nada
O negócio dele foi nadar
O mesmo que o pai
Meu pai entre ferramentas, sucatas
Entre farinha, massas
 Histórias
Muitas histórias
Amo muito
Sou fã vezes 3

11 de agosto de 2016

Do amar além aqui estar

Descobri recentemente
Que tenho poucas fotos com meu padrinho
E com meu pai
Painho nessa
E ainda possível eu resolver isso
E hoje aqui
Porque, como eu
Amava meu padrinho
A foto é de um aniversário meu
Hoje seria o dele
Que me queria sempre alegre e sorrindo
Batendo nos meninos
Falando palavrões
Falando o que penso
E penso eu, que o amor por quem se vai assume outra forma
A gente não pode ver o outro, abraçar, ouvir a voz
Ai a lembrança passa a ser a presença
A vida acaba, o amor não
Dia dele
Dia de Santa Clara
Luz de velas
De paz e bem
Meu carinho
Alegrias
Tristeza
Ternura
Axé
Amém
#saudadecomafetoeconfeito

4 de agosto de 2016

Hein!

Minha agenda de 92
Óculos de papelão pra ver 3D
#idosa
Aqui me perguntando se a vinda de Mac Fly ano passado bagunçou o espaço tempo continuo
Pokémon uma febre
Tubarão no cinema
Guns N'Roses origens em turnê
#tápuxado

1 de agosto de 2016

Por um agosto olímpico

Para navegar por agosto
Por experimentar e aprender coisas novas
A gosto
Com gosto
Porque até celular tem que se atualizar
Pelo baiano Isaquias no caiaque nas Olimpíadas
Por fazer as crianças a nossa volta e a nossa interior viverem a magia desse evento
Além da política, dos absurdos
Histórias individuais e coletivas
Que ensinam, somam
Agosto começou
Que os jogos comecem
Que Apolo goste do som 
Afrodite do pôr do sol
Poseidon curta Copacabana
E seja o que Zeus quiser

26 de julho de 2016

Dos avós em nós

Não sei onde voinho achou essa cor morena
Camisa polo com bolso claro
Certeza tinha um lenço, um documento e dinheiro
Voinha de azul
Tão eu
Lembro perfeitamente desse vestido
Eu look e carinha de anjo que nunca fui
Das memórias com vida própria
Que não ficam quietas dentro de uma caixa
Estão muito além dos retratos
São como pássaros em voo
Vão para onde querem
Moram em nós, mas não nos pertencem
Mix de Rubem Alves e eu
Dona Maria e eu
Seu Luis e eu
Porque hoje é dia de Santana
Dia dos avós
De raízes e asas

23 de julho de 2016

Amar é ter um pássaro pousado no dedo
E quem tem um pássaro pousado no dedo 
Sabe que, a qualquer momento
Ele pode voar
Quem me ensinou foi Rubem Alves
Na foto uma viuvinha
Que marido achou na garagem e trouxe para mim
Elas me alegram
Desde menina
Pousam e se vão
Post por Cuca
Uma ser humaninha canina
Que nunca pousei minhas mãos em suas madeixas cor de ouro
E que voou hoje para o céu dos cachorros
Meu carinho Chica amada
E o sentimento
De que, o que importa
É o que nos importa
#dasefemeridadeseeternidades

20 de julho de 2016

Pronto! Falei!

Eu, que desde sempre fui empoderada, acho que um dos poderes maiores de mulheres e homens, minorias e maiorias, desde sempre, é a palavra. Por uma palavra dita, ouvida, lida tudo pode se transformar. Palavras de ordem, de informação, de diversão, de encantamento. "A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo", disse Maiakóvski, poeta russo, a Escola também não.
A filosofia, a sociologia, a literatura e a história, são mais que disciplinas, cada uma tem muitos papéis, como apresentar diferenças, conflitos, medos, sonhos, expectativas, rivalidades, semelhanças e diferenças de gerações, de culturas, diversidade de sentimentos, de crenças e tudo isso deve ser apresentado e estar presente no ensino de todas as faixas etárias, para oferecerem uma visão atemporal e diversa do mundo que vivemos e para nos oferecer opções de lidar com ele.
Dar opinião em tempos de redes sociais carece de podas é fato, de garimpo, valendo eu acho criminalizar excessos. E acho também, que professores tem direito a ter perfis e ter opinião, partido, religião, porque não? Como não?
São sim formadores de opinião, como autores, atores, cantores etc. São humanos, referências positivas e negativas a serem ou não seguidas, depende da criação dos ainda sem opinião, de terem senso crítico ou não, de entender que somos coletivos, múltiplos, partidários, com ou sem fé, crenças e invariavelmente doutrinados, palavra que como muitas está sendo folclorizada. 
Em casa, na escola, nos meios de convivência diversos que frequentamos, através do que assistimos, lemos, ouvimos, em todas as idades há explícito e ou implícito o compartilhamento de valores, crenças, opiniões, ideais, tidos como princípios entre os membros de um grupo, comunidade, tribo, seguidores, nos mais diversos campos. Isso é doutrinamento. 
Assim sendo, não há como desvincular a educação da religião, da política, das diferenças, das comparações. Não há porque haver mimimi em comparar Chê com São Francisco, Frida, Capitu, Lula, Temer, Oxalá, Buda, com seja lá quem for, com respeito, argumentação, referenciais teóricos, históricos, comportamentais.
A literatura, por exemplo, não é apenas linguagem e veículo de sensibilidade. Livros numa conotação poética, são como árvores, tem história, além da contada. Livros de fantasia embora fictícios tem história, filosofia, moda, psicologia, conhecimento, tomada de consciência do mundo. Jorge Amado não pode ser desvinculado do Candomblé, do coronelismo, da Bahia e seus costumes, culinária. Machado e Castro Alves sem discussão política, não dá e sem dar e receber opiniões, não se faz discussões.
Não me ocorreu nenhuma figura evangélica para comparar ou citar, me ocorreu, católica que sou, foi perguntar ao Papa Francisco fonte da polêmica que é o santo e a comparação ao sanitarista revolucionário, a sua opinião.
A revolução, só que não, das crianças doutrinadas sem glúten, lactose, cheias de ses, de proteção, adolescentes que se prefere alienar não vai dar em bom lugar. Só acho! Como assim julgar Monteiro Lobato, editar e vetar seus livros, personagens ?
"Aprender é muito mais que reproduzir ou decorar. É perguntar, duvidar, questionar, discordar, querer viajar, teimar em atravessar fronteiras" disse ele, que através do Sítio do Pica Pau amarelo em minha infância e na de muitos brasileiros, ainda hoje resistindo a 3D´s, criou personagens e aventuras que ilustram, exaltam e divulgam a cultura brasileira, cheiros, gostos, costumes, valores, lendas e vai além quando exalta e mistura as nossas histórias e folclore a literatura universal, como a mitologia grega, quadrinhos, cinema.
Sobre a polêmica em torno do racismo na obra de Lobato, o preconceitos com a Tia Nastácia, tema infelizmente recorrente que vale para lembrar quanto é antigo esse mal, assim como o mal hábito afanador do Saci que tantos políticos fazem as claras e não são presos em garrafas até devolverem o que roubam.
Nessa caça aos bruxos, com referência histórica, política e religiosa, tem ainda o mau exemplo do pinguçu Muçum dos Trapalhões, a má influência linguística de Chico Bento e eu poderia escrever aqui um tratado didático e partidário a cerca do quanto acho isso tudo uma perda de tempo e um culto as paranóias, a censura, a alienação, mas para fechar, vou parafrasear Charles Bukowski, poeta americano nascido na Alemanha, que não sei se foi bom ou mau, de qual partido ou doutrinas. “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”.

13 de julho de 2016

Das dores e esperas

Eu disse na escola que tinha alergia a Merthiolate, acharam era medo e em minutos eu toda empolada lá estava. Quem tem pouco (ou muito) mais de 30, sabe a relação direta entre o medicamento e a dor, não só pelas causas para o uso, mas também pelo ardor causado pelo danado liquido avermelhado. Eu, piveta que era, vivia ralando os joelhos, cotovelos, rancando os tampos dos dedos e um primo do Merthiolate me salvava com sopro cheio de bactérias curativas depois. 
Ai, com o tempo criou-se uma fórmula que não arde e como muitos remédios a cura é a duras penas. Santa Água Maravilha! E esse post além das reminiscências, é uma ferida, que resolvi cutucar nessa prosa. Nessa onda do tudo sem açúcar, sal, lactose, glúten, sem dor, geração estranha que canta e exibe o sofrer como estilo de vida, gente exibida, estressada, desapegada, despachada além do senso do ridículo e do coletivo, reza a manada que gente antenada não sente nada, nem de ruim, nem de bom, suave na nave. 
Babys, kids, teens anestesiados, que não sabem o que é ardor, fome, sede, espera em fila, paciência, tempo de preparo, época de tal fruta. Todos cercados de aparelhos, apetrechos, apps anti mimimis, pitis, ses, sempre a mão. Água, com gás, aroma, vitaminas, da torneira nem passa na cabeça, pela guela então!  Bolachas e iogurtes sem gosto, smartphones inseparáveis, tablet, carregadores, analgésicos, contatos sem chance são decorados. Tudo assim misturado, insosso.
Filhos, maridos, esposas, amigos não podem esperar, nem meia hora, nem uma. Nem minutos para uma resposta nas redes sociais. Ou envios ficam no limbo, sem ser vistos ou vistos e não respondidos. Filas? Não! Restaurantes sem espaço específico para crianças não! Sem Wi-Fi não mesmo!
O viver as dores e esperas e o tanto que ensinam, a urgência por paciência em série para todos, resistência ao calor, ao frio, as mazelas, porque tem muita coisa que continua ardendo, doendo, demorando ainda que a moda seja camuflar e cultuar a falsa sensação de que nada mais é difícil, doído, doido, de que tudo é imediato, aceitável, que o prático vale mais que o rebuscado, que todo mundo é valente, contente, perfeito, adaptável, saudável e politicamente correto. E tenho dito!

7 de julho de 2016

De por aqui por ai

Porque somos aventureiros
Rumo ao infinito
Entre saltos
Mergulhos
O só contemplar
E nas muitas estradas da vida
Viajamos sempre em nosso lindo Balão azul
#superfantástico
Mais das minhas férias por ai
Aqui
Com dicas, histórias, poesia
Aos poucos trago
Por hora
Esse registro
Olhar 
Ser
Estar

20 de junho de 2016

Oi e tchau

Agarradinho no outono o inverno
As folhas das Palmeiras
Dos populares adereços juninos
Por se manterem sempre verdes, tem o simbolismo da imortalidade
Mortal que é
Mortais que somos
E imortais também
Cada uma das estações do ano
Penso ser uma parábola de nós mesmos
“Ser como crianças para não esquecermos o valor do vento no rosto
E ser como velhos para que nunca tenhamos pressa"
Ser frio e calor
Fruto e flor
E enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
O abacateiro sabe ao que estou me referindo
Gil também
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também
#axéamém

13 de junho de 2016

Fé, festa e puxadinho

Trio nordestino
Os mininos
Tonho
João
E Peu
Assim com intimidade
Pelo carinho
E ser tão sertão
Ser tão cultura popular
Quanto fé
Ser festa, artesanato
Culinária, decoração
Ideia para festejar
E para Toinho saudar
Simbora a semana encarar?
Com doçura, crenças, arte e candura 
Que é pra chance de ser porreta aumentar
Esse post é um puxadinho
Trouxe do meu perfil comercial
Div
@div.divulgaeproduz
Lá nas bandas do Instagram
Cris Couto no tar Facebook
Posso dizer inté dizer que é puxadinho daqui
Essa Div divulgações e produções de conteúdos
Que faz sob encomenda slogan, legendas
 Avulsos
Pacotes
Poemas sob encomenda
Texto para discurso
Descritivo de seu negócio
Homenagem
Para as redes sociais
Eventos sociais
Ou familiares
Íntimos
Valores e mais detalhes pelo email
divdivulgaeptoduz@gmail.com
Direct no Instagram
Bate papo do Face
Será um prazer atender, escrever, descrever
Traduzir fotos e fatos em palavras
Viva Santo Antônio
Partilhas
Poesias
Artesanias
O fazer por onde
Fazer acontecer
Ser
A cultura popular
O se expressar
O agradecer

12 de junho de 2016

Nós 6

Eu Pedrita, ele Bambam
Eu Margarida, ele Donald
Eu de Áries, ele de Escorpião
Ele me pedium namoro em 1990
Primeiro dia dos namorados em 1991
Noves fora
Nós 6
Eu e ele
Ele e eu
E nós dois
Tempo de dá colo
Tempo de decolar
O que há
O que é 
E o que será
Teatro Mágico traduz cantando
E vamos que vamos
#eleeeu

1 de junho de 2016

Eu junina

Todo Junho
Dias 13, 24, 29
Toinho, João
São Pedro
Toda chita, bandeirolas, fitas
O meu ser tão sertão
Milho assado e cozido
Canjica com bem canela
Pamonha
Amendoim, licor, quentão
Laranja de umbigo, descascada em espiral e cortada em duas bandas
Sanfona, triângulo, zabumba
Quadrilhas
Posso até não ir não para quermesses
Novenas, trezenas
Arrastapés
Mas tudim
Está em mim
Da cabeça aos pés
Junho seu lindo
Bem vindo

30 de maio de 2016

Do influenciar

Ai chega pelo correio, numa ponte entre mães e filhos, no modo arcaico, material didático, que bem podia ser fotografado eviado via apps ou pelo meio já em desuso e-mail, mas veio foi pelo clássico, palpável e aromático correio. Cheiro de escola os papéis, de São Paulo, aqui entre a papelada baiana, modos diferentes de estudar, de ser cobrado, modissos diferentes de produção e reprodução verbal.
É redação a tal matéria das trocas, que por áudios o adolescente cruzeirense paulistano me disse como são as aulas em seu Colégio, falei das aulas do daqui e ai dentre o muito que percebi de diferenças, a igual arte de se expressar por escrito, pelas regras impostas, arestas, pela valorização da técnica, da seleção, dos tais filtros, um capotraste nas cordas do livre, do criativo. Sim, fica limpo o som, o dito, fica padrão, mas não fica poético e a poesia pode não salvar o mundo, mas salva um minuto como diz a poeta portuguesa Matilde Campilho.
A propósito, para quem nunca viu, nem ouviu falar, meu caso até pouco tempo, capotraste, capodastro ou braçadeira, é esse acessório de alumínio da foto, um acessório do mundo de quem toca violão e guitarras, que segura as cordas no ponto onde é presa e assim permite transpor a tonalidade da música, sem mexer nos acordes, trazendo mais rapidez, facilidade e praticidade.
Na margem do estudo escolar, fruto da partilha das apostilas e modelos de folhas para fazer as temidas redações, interesses comuns de boas notas no vestibular batendo a porta, nas entrelinhas, a magia da coletividade, da disponibilidade em ajudar um desconhecido, o homem cordial, adolescentes cordiais a minha intenção de ajudar toda uma turma e uma reflexão na contra mão do não ser legal influenciar na profissão de filhos, irmãos e afins. Acho sim válido, legal, legítimo, não obrigar, pressionar, mas fazer ver e não deixar para que desperdiçadas energias, expectativas e despesas, de veja o que é a Faculdade que sabemos não funciona, não tem estrutura, ou não há estrutura logística e econômica para ser cursada, a profissão que não remunera, que no nosso estado ou país não tem mercado de trabalho, não tem reconhecimento, reciclagem. A profissão que remunera mas a prática não condiz com o conhecido por nós aprendiz. Dizer não, dar e ter liberdade não é soltar a linha e deixar ir, é que nem empinar pipa, fazer movimentos, dar e puxar a linha de acordo ao céu, ao vento, as condições do objeto em vôo ou ainda em mãos que temos.
Se professores, completos estranhos, permitimos e independente de nossa permissão, influências são e uso de suas opiniões pessoais e profissionais, o fazem, influenciam, capacitados sim, parte do processo sim, mas não mais que mãe e pai. Se filmes, colegas, tios, tudo que cerca um adolescente tem voz e vez, porque. reprimir e julgar a condução de quem os viu crescer.
Não dá para exatas a humana demais menina! Capaz demais para ser só professor o gênio da turma! Depois de graduação maior talvez e também lecionar. Quer ser cantora, surfista, músico? Dá pra conciliar o estudo com outra graduação que dê renda e segunda opção de profissão. Porque não? Quer ser doutor e não tem notas, nem perfil, para que deixar anos perdidos em vão se passarem? Há incentivos que desestimulam e permissividades que apequenam.
Influenciar, guiar, ensinar a equilibrar quereres e poderes, razão e emoção, necessidades, aspirações, custos, benefícios, ócios dos ofícios numa equação que o resultado da escolha define carreira, vida pessoal, coerência, passagem da adolescência para a vida adulta. Porque há que se crescer, ser, fluir. 
A palavra Influencia tem origem no latim Influentia que por sua vez tem origem em Influere cujo sufixo Latim: in,  significa “movimento para dentro” a palavra: fluere, significa correr, manar, provir, fluir.
Prover, provir, opinar, se meter no porvir. Porque sim! E para fechar, vou chamar Nietzsche para falar sobre o dito e o livro que pelo título e conteúdo, usei para posar na foto para toda essa resenha.“Mais antigo é o prazer pelo rebanho do que o prazer pelo eu; e, enquanto a boa consciência se chama rebanho, somente a má consciência diz: Eu.”

27 de maio de 2016

Chamada na chincha

Ser adolescente não é fácil! Opiniões sobre tudo e nada, vontade de tudo e nada, achar que a mãe tem que saber coisas desde tecnológicas a ecologia, HQ e sei lá mais o ques. Um sem fim de incoerências e parte do processo de formação da personalidade, transição entre a criança que não é mais e o adulto que ainda não é. Ai, eis que acho, só acho tá, que estamos vivendo um adoleSer congênito. Crianças sendo como adolescentes e adultos, cheios de problemas, pesos, ses, compromissos e adultos e idosos sendo como crianças e adolescentes, não nos detalhes, no lado jovial, mas na falta de limites, de deveres, saberes.
Grosserias e falta de educação com o nome de sinceridade, um ter opinião para dar de tudo, generalizando, agressivando. Um senso exagerado de urgência, muitos outros exasperos, modinhas e paixão acima da razão, ponderação zero. E nessa, vão sites, repórteres, músicas, alimentação, um furacão desgovernado e nocivo. 
Lembro de ser prática conferir tudo antes de ir ao ar, aos impressos. Atualmente, há uma negligência sem limites, desde nas publicações pessoais e pequenas, a comercias, públicas, de grandes empresas e instituições. Um exemplo recente, para referenciar meu resenhar, foi o caso do moço na cadeira de rodas com uma tocha olímpica, que era falso, se era ou não de fato cadeirante. Era e com moderada deficiência. E ele, que tem que andar de cadeiras de rodas e quem por ocasião ou condição já andou ou um dia necessitar assim andar, sabe e saberá (se muito não se mudar) que é complicado. E o que muda a intensidade da deficiência? Estava representando uma condição, um grupo, faria uma performance que não deu certo e virou dúvida, julgamentos, piadas.
Não devia haver espaço para isso de se ser menos ou mais deficiente, cadeirante, meio cego, meio surdo, de julgamentos, de se achar estranho o par de um deficiente ser uma pessoa "normal", de ser normal se dizer e pensar coisas como essas, mesquinhas, de se fazer cavalos de batalhas, misturando política, preconceitos, confundindo liberdade de expressão com libertinagem, molecagem, falta de respeito. Só acho! Tá chato!
Crescer e aparecer, crescer para ser referência e não reticências do adolescer, é isso o que o mundo espera de você senhores adultos e idosos e das crianças serem crianças. Não dá criança peralta ser taxada de hiperativa e quieta de depressiva, a mãe do malhar e ser intolerante e a criança não comer isso é aquilo é malhar ao invés de girar até ficarem tontos, pular feito pipocas e nem saberem nem o que é uma academia, nem glúten, nem lactose. Crianças que a mãe do diz em momentos de manha ou mais humor estarem de TPM ou estressadas. Para! Já para o castigo papais e mamães sem noção.
A propósito, sobre o enunciado, Xinxa ou Chincha ( forma correta ) é um pequeno barco usado para pesca com arrastão (rede de pescar), portanto chamar na chincha seria chamar pra dentro do barco um peixe sem deixar ele escapar, arrastar alguém pra dentro de uma conversa definitiva e também é uma cinta usada em conjunto com o travessão da selaria do cavalo, para ajudar a apertar o peão.

26 de maio de 2016

Fé, festejos, feriado

É feriado todo mundo sabe
De que ?
E o que é esse tal de Corpus Christi?
Sabem alguns poucos
Enfim e em resumo
Dia de celebrar a Eucaristia
Tradição e rito da religião católica
E mais que o sacramento, a cerimônia,
O curso para ela, as lembranças do meu dia
O dia hoje para mim
Dia de tapetes de folhas, flores e cascalho
Lá na cidade de meu pai
Conforme já contei aqui 
E recortei para republicar parte do postar
Festa do meu lugar, ele sempre anunciou e comemorou daqui
Lá em Ponteareas, na Espanha 
Desenhos que falam sobre a cultura local, sobre fé
Parte da história dele e portanto da minha
Que um dia verei de perto
Me ajoelharei numa calçada do vilarejo
Quisá por onde ele andou quando era criança
E entre as emoções e emotions 
Que usarei ou não para compartilhar as fotos que certamente vou tirar
Por hora fica o contar, saudar
A composição de histórias e informações
Por um feriado de papos variados
Via digital e presencial, que tem seu que de especial
Porque um abraço de verdade
Um sorriso partilhado
O cheiro, textura e beleza das Alfombras
Que é como se chama os tapetes mosaicos
Fazem carinhas se estamparem nas faces
E por dentro um infinito de emoções personalizadas e comunhões

23 de maio de 2016

Ele eu

O triângulo do forró
Aprendi numa matéria sobre pega de boi contar
Que os três cantos
Além de som entoar
Representam o trio
Homem, cavalo, boi
Ai para mim
De um tempo que a muito se foi, mas ficou em mim, uma canção do Colégio
As meninas com peneiras cheias de franjas nas mãos
Os meninos vestidos de Lampião
Meu irmão caracterizado
E depois o mesmo chapéu em meu filho
Triângulo
Passado, presente, futuro
O ser tão sertão
Ser o cabra do retrato arredio desde menino
Eu amar essa foto
Hoje ele dezesseis
Ô pisa o mio
Peneira xereém
Dias bons que foram
Os de agora
E os que vem

17 de maio de 2016

Do estarmos onde estivemos

Dos cenários que fiz parte 
De muitas das partes
O ponto de ônibus
De um lado e do outro
A boutique do sol
Camelô para os íntimos
A Estação da Lapa
Livrarias
Revelação de fotos
E uma revelação hoje que me deixou triste
Debaixo dessas telhas antigas fiz faculdade
Letrada no Convento da Lapa
E lá estava e está
O portão onde Joana D'arc foi e é um mito
Resistente
Retada
Eu cada vez que pelo portão passava dela lembrava
E me sentia honrada de por lá circular
Foto da casa de meu primo
E depois, passando pela entrada
A notícia da simbólica construção
Para mim e para história, está abandonada
Vazia
Sem estudantes
Professores
Passantes
Tão cheia de tanto e vazia

16 de maio de 2016

Antes de haver o azul

Iluminura de Amanda Cass
"A natureza é avara em azuis 
São muito poucos os frutos azuis. 
Muito poucos os alimentos azuis”
Título da postagem e frase de Eduardo Agualusa em sua coluna no Jornal O Globo e tudo mais que segue, na íntegra, inteiro de mim, sinônimos que somos, eu e o azul, a cor, o mar, o céu, o amar. Agualusa tá na lista de livros por ler, por hora lendo a coluna, em par muitas vezes com uma amiga Gris, anis e colorê.
“Há poucos dias descobri na minha biblioteca um livro cuja existência desconhecia. Acontece muito. Vou à procura de um determinado título. Sei exatamente onde deveria estar, mas não o encontro. No lugar dele descubro um outro. Neste caso foi um grosso volume, em francês: “Couleurs, Pigments et teintures dans les mains des peuples”, de Anne Varichon. Trata-se de um ensaio sobre as cores e o seu significado ao longo da História.
A páginas tantas, Varichon recorda que para os antigos gregos o mar era verde, marrom ou cor de vinho. Não havia uma palavra para designar o azul celeste. Também o céu não era azul. Poetas descreviam-no como rosado, ao amanhecer; incendiado, ao crepúsculo; leitoso, nas melancólicas manhãs de inverno. Teofrasto, que escreveu sobre quase tudo, e também assinou um estudo sobre cores, corantes e essências tintóreas, nunca se referiu à cor azul. No Antigo Testamento não existe menção a essa cor. Na pintura ocidental o mar só começou a ser representado a azul no século XV. Até então era representado por diferentes tons de verde. Os maoris, ainda segundo Anne Varichon, classificavam o céu em função das nuvens que o atravessavam. Um céu sem nuvens não era azul. Era “um dia bom”.
Finalmente surgiu, em diversas línguas, a palavra azul, e logo o mar ganhou essa cor e o céu também. Poderíamos deduzir a partir deste detalhe histórico que são os nomes a dar existência às coisas. Tal tese está, aliás, em consonância com o que afirma a Bíblia: “No princípio era a palavra e a palavra estava com Deus e a palavra era Deus.”
Vale a pena lembrar que a poesia surgiu ligada a rituais de magia, na forma de canções e evocações. Os magos convocavam espíritos e objetos através da palavra. Temos aqui, mais uma vez, o verbo na origem do mundo.
Agrada-me a ideia. Imagino uma sociedade secreta de poderosos demiurgos. Ei-los que chegam a um vale magnífico, bradam a palavra secreta, e logo o céu se tinge de um azul luminoso e inequívoco. Murmuram uma outra e surge o primeiro arco-íris do mundo; falam de novo, numa imperiosa gargalhada de luz, e brota, presa ao tronco rugoso de uma laranjeira, a orquídea original. Vejo-os atravessando os demorados séculos, confundindo-se com as multidões, na sua fantástica missão. Dizem pizza e sai do forno a primeira margarita. Dizem gravata e logo um funcionário triste, num triste escritório de um subúrbio triste, leva as mãos suadas ao pescoço para aliviar o nó da inútil peça de vestuário.
Aqui e ali, talvez os meus imaginários demiurgos tenham tropeçado numa palavra um pouco mais complicada e feito emergir do nada um prolongado erro. Por exemplo, o ornitorrinco. O ornitorrinco que me perdoe, mas suponho-o obra de um demiurgo gago, nervoso ou um pouco inexperiente. Ao ver o ornitorrinco, o Demiurgo Chefe chama o Demiurgo Amador:
“E isto?” — pergunta, apontando o espantoso estropício.
“Isto, che-che-chefe, é um oto-oto-otorrino...”
Pluff! Logo ali se materializa o primeiro otorrinolaringologista da História. O homem olha perplexo para os dois demiurgos. Olha ainda mais assustado para o ornitorrinco, este olha para ele, num susto idêntico, e ambos correm a ocupar o respectivo lugar no curso dos acontecimentos.
A natureza é avara em azuis. São muito poucos os frutos azuis. Muito poucos os alimentos azuis. A natureza é pródiga em substâncias a partir das quais é possível extrair pigmentos amarelos, negros, vermelhos, mas são muito raras aquelas que permitem obter tintas azuis. O Ocidente importou o azul do Oriente. Os pintores afegãos terão sido os primeiros a moer o raro lápis-lazúli, por volta do século V, de forma a obterem um pigmento de um azul intenso e luminoso, ao qual os pintores venezianos deram o nome de azul ultramarino. Foi, durante séculos, considerado a cor mais bela - era também a mais cara.
O lápis-lazúli é uma rocha composta por vários minerais. Lápis, em latim, significa rocha. Lazúli chegou ao latim vindo do árabe; já o termo árabe veio do persa e este do sânscrito. A palavra azul vem, naturalmente, de lazúli. Na maior parte das línguas europeias, o vocábulo azul parece provir do alemão antigo, blenda, que designava um mineral brilhante:bleu (francês), blau (alemão), blu(albanês), blue (inglês, basco e esloveno), etc..Em qualquer dos casos tratam-se de palavras relativamente novas, o que parece comprovar a curiosa tese de Varichon. Verdade ou não, é uma bela tese. Fico pensando nas cores que se escondem entre nós, esperando apenas pela palavra certa para então se abrirem ou deflagrarem.”

13 de maio de 2016

Diversos e afins

Esse é o pézinho cheio de areia 
De um menino barqueiro 
Que eu acho já postei aqui a foto
Aparecendo meus pés areados também
Hoje reparei no short verde e amarelo dele em especial
Além do azul do barco
E o banco branco
Cores
Que bom podermos vê-las
Verde, amarelo, azul e eu branca
As cores brasileiras
Postar Pátria amada idolatrada 
Salve
Salve
E pela data de hoje em si
Aprendi, 13 de maio ser o dia da Abolição
Achava o máximo
Marcante
Importante
Atualmente não é uma data muito querida
Polêmica
Os Minions, que o nome significa escravos em inglês
E os personagens assim são, queridinhos
Vá entender gente
Dia da consciência negra em Salvador não é feriado
Sexta treze ainda é superstição
Complicado
Simplifiquemos pois
Abolindo o que não soma
Pisando descalços em areia, terra, poças
Tomando banho de rio e mar
Para o corpo energizar
A natureza nos abençoar
E azar de quem não sabe
Que somos todos arco iris
#dasdatasditoshistoriascredos

12 de maio de 2016

#tápuxadosocializar

Precisamos ganhar dinheiro, pagar as contas, saber de tudo, não ter nenhum preconceito, nem conceitos ou ter vários, sermos sociáveis, não nos apegarmos, ser ranqueados, cobrados, vigiados, relaxar e não deixar de aproveitar nada (se alguém souber me explicar como fazer isso vou amar) além de uma lista enorme de condutas politicamente corretas, modernas e malucas.
Temos que nos relacionar com esse mundo acelerado, tarefa diária, que não é opcional. Me pergunto, como vivem os idosos lúcidos e que não querem ser descolados, antenados. Mundo de melhorias e vantagens, verdade seja dita, mas, cheio de excessos e carências pelas bordas e no miolo. 
Pena! Não vai voltar o mundo a ser tipo os anos 80 (60, 50) nem desejando com vontade e não tem muita cara de estabilizar. Insatisfeita é o que eu diria ao Face,  face a pergunta de como estou me sentindo. A sociedade atual tem uma idolatria pela exibição, por trabalhar feito loucos, desperdiçar dinheiro, ocupar cada minuto do dia dentre outras idolatrias. Não sou obrigada e isso parece pecado, eita que falar pecado é polêmico!
Enfim! Não vejo graça ser motivo de orgulho responder a pergunta: "Como estão as coisas?", com: "Na correria" ou "Ralando bastante!" ou o nada educado e muitas vezes falso: "Nao da pra falar agora, estou muito ocupado". Sei! 
E achar que cabe no dia do aniversário no pacote do parabéns perguntar: "Tá trabalhando?" é muito para mim. Que nem, qualquer dia e tantas vezes ter que responder a pergunta clássica: "O que tem feito", que penso mil vezes em respostas variando entre: " Tá com tempo?" a: "Tanta coisa!" ou "Nada" (quando tudo que faço sei é nada para quem perguntou). Gosto quando perguntam por meu filho, marido, irmãos, melhor ver chamar pelos nomes, citar lugares, gostos, histórias que digam sobre mim, que deem identidade a relação. Mas não se pergunta mais pelos outros, as perguntas são genéricas, impessoais e as respostas devem seguir o mesmo modelo. Não dá para mim!
Eu gosto de dormir até tarde, de dormir tarde, não curto academia, não faço dieta (se for preciso faço sem colocar na legenda de minhas fotos #zero lactose #semgluten...), gosto de ler livros impressos, leio a respeito de diversos assuntos, incluindo "cultura inutil". Gosto de papear sem resumir,  gosto de fazer nada, de ficar de maresia morcegando ou sendo improdutiva. Falando nisso, cansei desse papo, vou aqui fazer nada.

11 de maio de 2016

Limpar as calhas
Varrer as folhas
Que caem sem alarde
Afazeres
Chuva e sol
Telhas
Teto
Céu
Tanto
#doveralém

10 de maio de 2016

Ode ao campo

Igreja de Nossa Senhora da Glória
Saúde o nome do bairro
Por Glórias, saúde, coragem
E gratidão ao que vem do solo
Dia mundial do campo hoje 
Obrigado aos homem e mulheres da lida
A natureza, beleza, milagre 
Dos alimentos que brotam do chão
Arroz e feijão
Legumes, verduras, frutas
Ervas do sertão
Salve aos trabalhadores
De Norte a Sul
Ao Sertanejo da pele queimada
Pelo sol que brilha no céu azul
Que preserva com gosto e zelo 
As raízes da cultura, da fé
Dos costumes e valores do nosso país

3 de maio de 2016

Das ondas digitais pras reais

Passo por essa Praça quase todo dia
E esse fotografar a dias fiquei a programar
Por medo de sacar o celular
Onde vamos parar?
Com o zap fora do ar desde ontem
Me perdoe quem usa pra trabalhar e namorar
Mas não pude evitar
Segue para o retrato acompanhar
Pedido tipo poetar
Que pare toda a tecnologia
Nenhum aviso de mensagem
Áudio, vídeo, imagem, texto, nada
Nenhum app novo seja criado ou baixado
Alguns dias por favor sem Jornal
Na tv, nem impressos
Que abaixem os valores de ingressos 
Para futebol, teatro, cinema
O viver anda morto, morno, marolado
Que se curta mais as ondas do mar
Das praças
De fotos antigas, lembranças, traças
Que ouça-se menos avisos sonoros de smartphones
Alarmes de carros, buzinas
Lacres de latinhas de cerveja
Emudeçam por favor músicas que a letra é um horror
Mais melodias instrumentais
Estrofes que nos falem mais
Ondas, sinos a soar
O vento nas folhas, passarinhos a arrevoar
Que aviões sobrevoando o céu sejam vistos
Os passantes pelas janelas das casas
Os finais de tarde
A paisagem por quem dirige
Quem está no carona
E atrás pelo retrovisor
Não estando vidrados pobres e abastados 
Nas telas na palma mão, dedos, colo
Ao alcance imediato
E longe do coração
Que andar a pé, de coletiv o ou bike
Não seja para se pensar
Se alguém vai te roubar, machucar, matar
Que tomar banho de sol e lua
E ir pra rua
Não sejam só por protestos ou badalação
Ondas de concreto
Concreto viver, ser, estar, ir e vir
Com cheiros, gostos, desgostos, sorrisos e emoções
Não de emojis, tipo miojo
De verdade, banho Maria, esperas
Marés, mares, mais que digital
Concreto

28 de abril de 2016

Ser tão

Porque hoje é dia da Caatinga
Bioma nosso
Sertão
Nordeste
Lindo
Foto de meu irmão tão tão
Pura poesia
Terra laranja
Mandacaru que fulora
É sinal que evem chuva
#sertãocaatinga

21 de abril de 2016

Das ressonâncias

Em plena era digital, soa anacrônico, além de improvável, imaginar que o sino de uma capela pos­sa anunciar algo e que alguém preste atenção. Mas era assim nos idos de alguns muitos anos atrás.
Dessa época, é o escritor anglicano John Donne, parente de São Thomas More, santo católico decapitado pelo rei Henrique VIII, padroeiro dos políticos. Descoberta minha sem querer nesse momento tudo a ver.
O tal padroeiro, era tio-avô de Elizabeth Heywood, mãe de Donne, que escreveu a famosa frase: “Nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Daí, "Por quem os sinos dobram",  virou livro, que fala de política e história, virou filme e também música de Raul Seixas, leitor de Hemingway e de tantos outros escritores e filósofos.
Ai, em pleno século 21, sem muito espaço para leitores de Donne e Hemingway, que os interpretem de forma profunda, assim como quem ouça com especial atenção Raulzito, os sinos continuam dobrando para cada um, seja no som de aviso de mensagem do Zap, do Face, seja por meio da música do plantão de notícias Global ou de qualquer outro canal, pelo “trending topic” do Twitter.
Os sinos não tocam e não tocavam pela pessoa que morre, nasce, aniversaria, pelo evento em si, tocam para provocar o coletivo, pelo sermos ressontes. E atualmente, num processo de involução, quase ninguém se dá conta de que suas palavras ou silêncio, tem ressonância coletiva.
Publiquei esse texto agorinha no Face em meu perfil comercial por lá, ai trouxe para resoar aqui e em silêncio desejo faça eco.

19 de abril de 2016

1, 2, 3, 4

Não é sobre quando
Ou porque
Não começa aos 40 a vida
Nem quando a gente nasce 
Antes, já estamos vivos nos planos, sonhos, amor de quem nos espera
Não é o número de velas
Não é ter ou não ter vela
Ou bolo, festa
Não é o tamanho do cabelo
Da saia
Do biquíni
Do salto
Não é o que dizem ou pensam sobre nós
Não acho que seja
Não sou dessas
Nada me define, limita
Para fechar o discurso
Pós vela soprada
Uma história alumiada contada por Eduardo Galeano
Um homem, de uma aldeia no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus e quando voltou, disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. Na visão dele, somos um mar de fogueirinhas. 
O mundo é isso, revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
"Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. 
Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. 
Alguns fogos bobos, não alumiam nem queimam, mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.”

13 de abril de 2016



Pelo Dia do beijo
Porque todo dia é dia de beijar
Beijos no rosto
Na testa
De bênção nas mãos
Beijos soltos no ar
Lançados com as mãos
Beijos de coração
Sem mais
E cheios de reticências

11 de abril de 2016

Simples assim

Ai minha sobrinha ariana destemida, que foi ao shopping comigo comer um doce e comprar material escolar, resolveu entrar sozinha num túnel do terror, trem fantasma, alienígena ou algo que valha. Sozinha apenas da compra do bilhete a escolha da aventura a ser vivida no breu.
Ali, do nada, sem dizerem seus nomes, saberem o time, partido, religião, idade, uma dos outros, na simplicidade que rege as crianças, nasceu essa crônica e um sorriso em mim e no Tio. Ela deu a mão as outras crianças, a que foi sua dupla chamou ela de Ninha, abraçou. Essa parte, o retrato do sermos nordestinas, meninas baianas, de xamegos e intimidades na claridade da qualidade maior das relações afetivas, oriunda da tal relação matemática de somar e multiplicar, sem complicar.

6 de abril de 2016

#velhinha

Aqui tentando entender e explicar essa mania do tempo passar
Hoje dia 6
6 anos diz a velinha
E o calendário que daqui a 13 dias eu fico de novo mais velhinha
Lembro perfeitamente desse macaquinho rosa
Do apartamento
Da mesa
Dessas bases de madeira para bolo
Não pode ter passado tanto tempo
#comoassim
#derepente40

5 de abril de 2016

G de ...

Eu já  desintonizando do assunto Gincana
Com G de gostar e de gasta
Recebo essa declaração
E outras
Com G de gratidão
Tem como não amar?
E de novo ano que vem ajudar?
Quando me disse se chamar Bernardo
O abençoado do recado
Eu de cara já amei
E ele já passou a compor meu amanhecer
Lhe apresentei poema do Manoel com seu nome
Ganhamos todos
Mais que melhores fantasias
Mais que a caça ao tesouro
Mais que a Gincana 2016
Ganhamos tudo vivido, dividido, somado
Multiplicado
Eu é que digo com G no recheio
Obrigada!

4 de abril de 2016

Me dei de presente de aniversário
Chegou semana passada
Passados dias e produção
Eis minha publicação
Ganhei linda dedicatória
Mais uma
Mais um livro do menino das goiabas
Marcilio Godói
Esse de poemas
Mais que catar conchas no breu
Procurar uma cartola num quarto escuro
Sabendo que não está lá
E encontrar
Fotografei entre pássaros
Casinha poleiro
Verde
Vida e poesia
Vou ler
Mas já indico
E agradeço