21 de abril de 2016

Das ressonâncias

Em plena era digital, soa anacrônico, além de improvável, imaginar que o sino de uma capela pos­sa anunciar algo e que alguém preste atenção. Mas era assim nos idos de alguns muitos anos atrás.
Dessa época, é o escritor anglicano John Donne, parente de São Thomas More, santo católico decapitado pelo rei Henrique VIII, padroeiro dos políticos. Descoberta minha sem querer nesse momento tudo a ver.
O tal padroeiro, era tio-avô de Elizabeth Heywood, mãe de Donne, que escreveu a famosa frase: “Nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Daí, "Por quem os sinos dobram",  virou livro, que fala de política e história, virou filme e também música de Raul Seixas, leitor de Hemingway e de tantos outros escritores e filósofos.
Ai, em pleno século 21, sem muito espaço para leitores de Donne e Hemingway, que os interpretem de forma profunda, assim como quem ouça com especial atenção Raulzito, os sinos continuam dobrando para cada um, seja no som de aviso de mensagem do Zap, do Face, seja por meio da música do plantão de notícias Global ou de qualquer outro canal, pelo “trending topic” do Twitter.
Os sinos não tocam e não tocavam pela pessoa que morre, nasce, aniversaria, pelo evento em si, tocam para provocar o coletivo, pelo sermos ressontes. E atualmente, num processo de involução, quase ninguém se dá conta de que suas palavras ou silêncio, tem ressonância coletiva.
Publiquei esse texto agorinha no Face em meu perfil comercial por lá, ai trouxe para resoar aqui e em silêncio desejo faça eco.

11 comentários:

  1. Oi Tina
    Gosto do badalar dos sinos, mas não gosto do som do Zap e nem do celular tocando rs...

    bjokas =)

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  2. Gosto dos sons que melodiam, que tocam a alma, que fluem em música e inundam a mente d epaz

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  3. Adoro o som do0s sinos e sou do tempo em que eles marcavam mortes ou alegrias de casamentos e batizados. Com certeza teu texto dará ressonâncias! bs, chica

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  4. Acho que temos sido descuidados com o nosso ressoar através do virtual. Nossas palavras podem e devem ser sinos para atuar no coletivo, seja emanando carinho, esperança, trazendo reflexões. Será que realmente ouvimos os sinos que nos chegam e os que nós repicamos?
    A propósito, que o Padroeiro dos políticos ajude a colocar mais sustância naquelas cabecinhas!
    E conte se os sinos repicaram positivamente lá nas bandas do face. E que tenho minhas ressalvas com aquela terra...
    Beijo!

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  5. Parabéns, Tina. pelo excelente texto. Muito bom ler por aqui esses importantes nomes da cultura universal.
    Um bom domingo.
    Abraços,
    Pedro.

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  6. Boa tarde aniversariante do mês...
    Impossível não resoar Tina, sempre admirei o barulho dos sinos, parece que sou transportada para um outro tempo, uma outra época... faz tanto tempo que não ouço um sino tocar... talvez por fazer tanto tempo que não fico off, exatamente como vc descreveu...

    Um beijooooo no seu coração

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    1. Dez beijos na sua barriguinha amada Nandinha
      Que seu pequeno ouça sinos e seja sininho de alegrias e boas anunciações em sua vida e na de meu compadre rsrs

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