30 de maio de 2016

Do influenciar

Ai chega pelo correio, numa ponte entre mães e filhos, no modo arcaico, material didático, que bem podia ser fotografado eviado via apps ou pelo meio já em desuso e-mail, mas veio foi pelo clássico, palpável e aromático correio. Cheiro de escola os papéis, de São Paulo, aqui entre a papelada baiana, modos diferentes de estudar, de ser cobrado, modissos diferentes de produção e reprodução verbal.
É redação a tal matéria das trocas, que por áudios o adolescente cruzeirense paulistano me disse como são as aulas em seu Colégio, falei das aulas do daqui e ai dentre o muito que percebi de diferenças, a igual arte de se expressar por escrito, pelas regras impostas, arestas, pela valorização da técnica, da seleção, dos tais filtros, um capotraste nas cordas do livre, do criativo. Sim, fica limpo o som, o dito, fica padrão, mas não fica poético e a poesia pode não salvar o mundo, mas salva um minuto como diz a poeta portuguesa Matilde Campilho.
A propósito, para quem nunca viu, nem ouviu falar, meu caso até pouco tempo, capotraste, capodastro ou braçadeira, é esse acessório de alumínio da foto, um acessório do mundo de quem toca violão e guitarras, que segura as cordas no ponto onde é presa e assim permite transpor a tonalidade da música, sem mexer nos acordes, trazendo mais rapidez, facilidade e praticidade.
Na margem do estudo escolar, fruto da partilha das apostilas e modelos de folhas para fazer as temidas redações, interesses comuns de boas notas no vestibular batendo a porta, nas entrelinhas, a magia da coletividade, da disponibilidade em ajudar um desconhecido, o homem cordial, adolescentes cordiais a minha intenção de ajudar toda uma turma e uma reflexão na contra mão do não ser legal influenciar na profissão de filhos, irmãos e afins. Acho sim válido, legal, legítimo, não obrigar, pressionar, mas fazer ver e não deixar para que desperdiçadas energias, expectativas e despesas, de veja o que é a Faculdade que sabemos não funciona, não tem estrutura, ou não há estrutura logística e econômica para ser cursada, a profissão que não remunera, que no nosso estado ou país não tem mercado de trabalho, não tem reconhecimento, reciclagem. A profissão que remunera mas a prática não condiz com o conhecido por nós aprendiz. Dizer não, dar e ter liberdade não é soltar a linha e deixar ir, é que nem empinar pipa, fazer movimentos, dar e puxar a linha de acordo ao céu, ao vento, as condições do objeto em vôo ou ainda em mãos que temos.
Se professores, completos estranhos, permitimos e independente de nossa permissão, influências são e uso de suas opiniões pessoais e profissionais, o fazem, influenciam, capacitados sim, parte do processo sim, mas não mais que mãe e pai. Se filmes, colegas, tios, tudo que cerca um adolescente tem voz e vez, porque. reprimir e julgar a condução de quem os viu crescer.
Não dá para exatas a humana demais menina! Capaz demais para ser só professor o gênio da turma! Depois de graduação maior talvez e também lecionar. Quer ser cantora, surfista, músico? Dá pra conciliar o estudo com outra graduação que dê renda e segunda opção de profissão. Porque não? Quer ser doutor e não tem notas, nem perfil, para que deixar anos perdidos em vão se passarem? Há incentivos que desestimulam e permissividades que apequenam.
Influenciar, guiar, ensinar a equilibrar quereres e poderes, razão e emoção, necessidades, aspirações, custos, benefícios, ócios dos ofícios numa equação que o resultado da escolha define carreira, vida pessoal, coerência, passagem da adolescência para a vida adulta. Porque há que se crescer, ser, fluir. 
A palavra Influencia tem origem no latim Influentia que por sua vez tem origem em Influere cujo sufixo Latim: in,  significa “movimento para dentro” a palavra: fluere, significa correr, manar, provir, fluir.
Prover, provir, opinar, se meter no porvir. Porque sim! E para fechar, vou chamar Nietzsche para falar sobre o dito e o livro que pelo título e conteúdo, usei para posar na foto para toda essa resenha.“Mais antigo é o prazer pelo rebanho do que o prazer pelo eu; e, enquanto a boa consciência se chama rebanho, somente a má consciência diz: Eu.”

6 comentários:

  1. Essa troca é bem legal, sentir o papel o cheiro. Aqui quase não uso pois cada vez mais complicado achar uma correio bom de chegar. Esse aparelho conhecia apenas por braçadeira.Gostei do nome. E quanto ao tema das redações, cada vez mais importante eles saberem se expressar.

    Hoje ainda Neno perdeu o professor de produção textual, pois uma proposta de mais $$ o levou embora do colégio.Pena. Ainda bem que ele lê muito e sabe se expressar bem. E quanto às influências? É fogo! Temos que orientar, fazer ver , esclarecer e muitas vezes já acham que estamos querendo influenciar...
    Adorei te ler! Li antes, mas a corrida por aqui ainda não tinha acabado, só agora pude ver! bjs, linda semana,pra ti e pra quem imagino tenha mandado o pacorte,rs

    chica

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    1. Pena sua falta de Correios :(

      Adoro seus comentários papos ;)

      Dúvida;
      Os bjs são para o Bernardo ou Ana?
      Rsrsrs

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  2. Poupou-me uma ida ao dicionário, que aproveito a oportunidade para revelar, o meu foi feito por Ruth Rocha, e talvez por isso eu acho um divertimento ir a ele!

    Trocas sempre acrescentam em todos os sentidos.
    Aprendam a técnica da redação nossos meninos pela exigência que lhes é feita e depois possam voltar livres a uma escrita poética e sonhadora.

    Estamos nessa fase agora, vestibulares, enem, faculdades, sonhos, possibilidades e acho sempre necessário as conversas, diálogos, olhares abrangentes sem determinismo.

    E antes de aqui chegar, eu estava a ler Agualusa no jornal O Globo. De hoje, simplesmente imperdível - A árvore mais velha do mundo.
    Beijo!

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    1. Vou ler
      O nome me levou a Saramago e seu livro infantil
      A maior flor do mundo
      Obg pela dica, pelas trocas, pela presença por aqui em tempos de posts sem muitas visitas e comentários

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  3. Oi Tina

    As crianças hoje em dia não tem muito habito de escrever e nem ler. Mas isso nós pais temos que incentivar.
    Nas escolas vejo celulares e tabletes fazendo o papel da boa e antiga apostila.
    Papeis vem sido substituídos pela tecnologia.
    Eu ainda prefiro o papel, pois posso levar para onde quiser, grifar e fazer anotações.
    Importante é ter gosto pela escrita e leitura, para que a gente não entre em uma cultura de alienados.

    bjokas =)

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    1. Bem por ai Belzinha

      Sempre presente e querida aqui e pelo Insta
      #adoro

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