1 de outubro de 2016

Eu noveleira e escritora

Ai, quando eu soube não tinha ainda um fim gravado para a novela Velho Chico que dentre as tragédias ambientais e humanas contadas teve uma real, me ocorreu um final, uma homenagem ao moço palhaço e poético, um olhar para rio com o desafio de desassociar essa perda e mostrar as tantas que ele, o rio, foi submetido.
Post para quem assiste novela, por gosto ou companhia, por ter assunto com a mãe, vó, tias, rodas de amigos.
Dos meus personagens dessa novela que assisti por ser tão sertão, as melhores atuações para mim, foram as de Bento dos Anjos (nasceu pra ser ator o cabra) e de Seu Zé Pirangueiro (me ganhou desde o nome). Pensei então, em um papo dos dois com uma carranca feita por Dona Ceci, sendo os três tão envolvidos com as crenças, a cultura, a natureza, os três puros, alegres e tristes como um palhaço, próximos ao personagem e a pessoa de Domingos Montagner.
Esse papo, seria tipo um contar de história para o neto de Santo, um recitar de cordel, uma adaptação de uma adaptação, dos muitos poemas de Manoel de Barros, que foi homem de rio e que tão lindamente foi traduzido em: A língua das coisas, curta da Caraminhola Filmes, selecionado pelo Programa Curta criança, do Ministério da Cultura em parceria com a TV Brasil. Na história, uma criança que cresceu ouvindo os contos de seu avô, homem que o criou e que sempre tentava fazer com que ele aprendesse as coisas da natureza, da vida, a língua do rio, dos bichos, das plantas, a pescar palavras. Que na novela e na vida faltou a todos.
O menino, cansado da rotina da roça, inventou de ir para a cidade aprender a “língua de gente” e um dia, a mãe de Lucas lhe dá a notícia que o avô faleceu e o jovem volta ao sítio onde foi criado, abalado por ter perdido o Avô, ele vai direto pro rio, cenário de diversos aprendizados, em busca de conforto ao seu coração. Sem se dar conta, dezenas de palavras são trazidas até ele pela correnteza, mostrando que as histórias contadas pelo seu avô continuam vivas em sua memória e sempre estarão lá e para finalizar um vídeo do moço se banhando no rio com a frase de Guimarães Rosa: " Saudade é ser, depois de ter".
Não sei você, mas eu acho que ia ser legal e se quiser ver o curta clica aqui.

4 comentários:

  1. Tina, eu não assisti à novela, realmente não sei do que se tratava. Claro que via cenas de chamadas, as belas imagens do rio.
    Impossível não se comover com a tragédia acontecida ali com o ator Domingos Montagner.
    Enquanto lia a tua postagem, lembrei-me de algum programa onde foi divulgado uma mensagem de um índio, ou de uma tribo para ele.
    Encontrei na web:

    "Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo, hoje, se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido, porque esse rio não pode morrer". A novela contou mistérios do rio e esse é foi mais um desses. Mas ele se tornou um ser de luz, pois a água não tira a vida, dá a vida e fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio, se despediu do corpo e da alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia, os brancos irão entender isso, então temos que fazer um ritual para que os brancos entendam, que ele está bem, que ele, agora, é um protetor do rio São Francisco"

    Trouxe a mensagem porque, depois da notícia da morte, ouvi muitos praguejarem, xingarem o rio.
    E o vídeo que você nos sugere é de uma ternura que nos preenche!
    Beijo!

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  2. Um rio, manancial de tantas histórias, de tantas vidas e como tais, nem sempre com finais felizes, mas reais, mesmo que sejam doídos. Não é o rio o responsável por perdas, ele apenas segue seu curso, sua vida, seus segredos...ser vivo.
    Vc fotografou este rio, lindamente me tuas palavras, Tina.

    Bjo,
    Calu

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  3. Bom dia Tina!
    No começo do ano em nossa viagem para a Serra da Canastra, ficamos pertinho da Casca'Danta, que é a nascente do Rio São Francisco. E na época busquei informações sobre o rio. Ainda não imaginava que haveria uma novela.
    Seu texto nos faz ver com outros olhos, pensar... não vi a novela, mas vi nas mídias o acontecido com o ator.
    Beijos Tina Flor e ótima semana!
    CamomilaRosa

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  4. Uma linda história a do rio, tanta cultura, poesia, arte, lembrei mesmo muito de Manoel de Barros, vou ver sua dica. Hoje é niver da Alice passa no Poesia

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