5 de novembro de 2013

Sobre ser tão sertão

Tem expressões que nos representam
E frases, textos, histórias, imagens
Por nossa escolha ou por ser assim que somos vistos
Referências recheadas de sentidos e sentimentos
A expressão: "Ser tão sertão"
E as expressãos através de ilustrações
Me representam
E fui representada nessa junção
Pelo poeta e ilustrador Alexandre Reis
Uma honra, um presente
Assim como tenho com honra e como presente
Seja no sotaque, no que gosto, valorizo, creio
Como cobertura e recheio
O ser nordestina, sertaneja porque não
Comedora de farinha, retada, corajosa, destemida
E como um cordel encantado
Ou prece em forma de toada
Segue explicado em forma de poesia
No todo e nas entrelinhas
Um pouco de mim
De todo sertanejo e de ser tão sertão
Nas palavras e sentimentos da encantadora escritora Lígia Guerra
"Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio
Porque enxergo sol em dias de chuva
Porque amo até mesmo o desamor
Porque acolho cada gesto com os braços do coração
Porque perfumo o caminho das estrelas
Porque componho alegria na poesia da tristeza
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé"
Doçura em nossas almas, olhares, gestos
Numa correlação com rapadura
Tenhamos cuidado 
Pois o mundo é doce e duro
E nós temos que ser delicados
Sem deixarmos de ser fortes e guerreiros
Equlibristas, manobristas, garimpeiros
E que ao inspirar sintamos cheiro de terra molhada
De mar, de chuva, de alvorada
Café coando, pão assando
Balanço e abraço de rede
Que nos visitem passaradas
E entre secas e brotares 
Sigamos com fé nossas caminhadas

4 de novembro de 2013

Para se lambuzar

"Não coma a vida de garfo e faca
Lambuze-se"
Quintana
Os alimentos tem o papel de alimentar, dar prazer e ao mesmo tempo são um canal com lugares e pessoas. Almoço em família, receitas de vó, de mãe, pratos de botecos ou de grandes restaurantes, típicos de nosso lugar ou dos muitos lugares mundo afora, histórias e sentimentos sempre são associadas aos alimentos.
Cadernos e livros de receita são ferramentas de trabalho, manuais, objetos de colecionar para muitos, herança para alguns, uma incógnita para os que nem fritam um ovo mas vêem nos ingredientes e ilustrações, páginas encantadas, recheadas de mistérios, curiosidades, possibilidades, aromas, sabores.
Associei a frase de Quintana a fruta da imagem no quesito lambuzar-se e em reverência a vida pulsante em nós dos que nos cercam e nutrem, com alimentos para o corpo e para alma, estejam essas pessoas ao nosso lado ou já em outro plano. Essa mistura de sentimentos, sentidos, pessoas e alimentos veio parar aqui por recentemente eu ter ganhado um livro de receitas muito especial.
Culinária com jeito de poesia é uma definição resumida do livro da Editora Sagui, de nome: "Comer com os olhos e lamber com o Coração", um apanhado maravilhoso da culinária mineira, recheado de palavras, imagens e entrelinhas cheias de cores com tons poéticos.
A história do livro em resumo é assim: o escritor Marcílio Godoi convocou duas sobrinhas e de mãos familiares enfarinhas, colheres em punho, sumos de fotos, ingredientes diversos, histórias, versos, prosas e memórias se deu a preparação e publicação das receitas da matriarca da família, Dona Etelvina.
Um livro que não só imortaliza a amada figura familiar que ela foi e sempre será, como também registra para admiração e reprodução as suas receitas, que são de lamber os dedos, beiços, vasilhas, pratos, são um pouco da vida de cada membro da família e serão assim perpetuadas e espalhadas para os membros vindouros e para membros de outras tantas famílias.
Nas fotos o sorriso de Dona Etelvina, sua habilidade e intimidade com a arte de cozinhar, transparentes em imagens estáticas, os utensílios, as palavras de seu filho, tudo junto e separado confirma que não é preciso receita para saborear a simplicidade e o amor, temperos de uso irrestrito, harmônicos e indispensáveis para tudo na vida.

1 de novembro de 2013

Poesia para todos os dias

"Não sou perfeito
Estou ainda sendo feito
E por ter muito defeito
Vivo em constante construção

Sou raro efeito
Não sou causa e a respeito
Da raiz que me fez fruto
Desfruto a divina condição

Em noites de céu apagado
Desenho as estrelas no chão
Em noites de céu estrelado
Eu pego as estrelas com a mão
E quando agonia cruza a estrada
Eu peço pra Deus me dar sua mão"

Palavras de Pe. Fábio de Melo
Estrelas em plena luz do dia
Por uma sexta-feira peneirada de luz e alegrias
Poesia para todos os dias
Oração para um novembro de bençãos
Mãos dadas e paz no coração

31 de outubro de 2013

Sacis, bruxas, doçuras e travessuras

Ilustração de um "Saci Pererê" japa, do jornalista Dilai Aguiar

O dia 31 de Outubro é mundialmente conhecido como o dia das Bruxas ou Halloween, festa típica que acontece nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos. Aqui no Brasil comemora-se na mesma data o dia do Saci, símbolo do folclore e personagem presente em muitas histórias populares, além das que protagoniza. Clica aqui e aqui para ver posts passados onde "falei" do danado.
A festa do dia das bruxas como tantas outras tradições americanas, é um das que gosto, fiz algumas para meu filho em sua infância e curti como uma criança. Na minha infância não tinha essas comemorações. De bruxas, como filha de espanhóis, tradição é a frase extraída do livro Dom Quixote de Miguel de Cervantes: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay".
O evento pop tem origem em celebrações e rituais de povos antigos e a palavra Halloween tem muitas histórias de origem, uma é de que no século V DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro e hallowinas era o nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).
Outra é que originou-se de uma versão encurtada da All Hallows' Even, a Noite de Todos os Santos, uma data do calendário católico de onde advém a brincadeira dos "doces ou travessuras" originária de um costume europeu pelo 2 de novembro, o Dia de todas as almas, chamado aqui no brasil de Finados, no qual os cristãos iam de vila em vila pedindo os chamados bolos de alma (quadradinhos de pão com groselha). Para cada bolo que ganhasse, cada um devia fazer uma oração por um parente morto de quem desse. Acreditava-se que as almas permaneciam no limbo por um certo tempo após sua morte e que as orações ajudavam que fossem para o céu.
Na Espanha, por exemplo, o dia 31 de outubro coincide com a colheita de castanhas e das famosas, apetitosas e assustadoras abóboras e acontece por lá uma festa além do Halloeen, a “Castanhada”. E lá, assim como no Brasil, ainda se mantém antigas tradições no Dia dos finados, das almas, ou das pessoas santas como se chama em alguns lugares,  como a reverência aos mortos, indo aos cemitérios para limpar os jazigos, "conversar" com as almas, rezar, levar flores.
O poder do marketing americano cuida de universalizar esta festa para proporcionar benefícios econômicos em vários setores, como em parques temáticos, livros, cinema e até na gastronomia e tanto aqui como na Espanha e em diversos lugares do mundo,  as festas de aniversário, escolas de idiomas, escolas de todas as faixas etárias e o comércio em geral enfeitam-se com as cores e os símbolos clássicos da data.
Curiosidades coloridas e uma sacizice para fechar a postagem: Laranja é a cor da vitalidade e da energia que gera força e os druidas acreditavam que nesta noite, passagem para o Ano novo Celta, espíritos de outros planos transmitiam boas energias através da cor. O preto é uma cor tida como gótica e cor sacerdotal das vestes de muitos magos, bruxas, feiticeiras. O roxo e o lilás são cores tidas como espirituais, cor da magia ritualística. Uma pena a pouca popularização e uso da imagem e da história do Saci, além do dia do Folclore, a reverência e presença dele em seu dia que é hoje, as escolas, no comércio. Ele não se faz de rogado de ficar ao lado de bruxas e abóboras. O uso de cachimbo e maus exemplos como justificativa não vou nem enumerar como prerrogativa. Valorização da cultura nacional, raízes, com direito a misturas. Globalizar não é adotar o que vem de fora empacotado, é associar, misturar, chupar cana e assoviar, ter uma perna só e mil braços para abraçar o que for bom de se agregar. Cores, doces, culturas e travessuras para hoje e para todos os dias!

30 de outubro de 2013

A partir dessa definição do poeta ilustrador passaversista, aparentado com Guimarães e Manoel, Alexandre Reis, concluo que inventar vocabulário, seria: inventabulário e cavucar e compartilhar criações alheias: cavucalhamento. Quem assina e aprova?
Já que coloquei Manoel na roda, não posso deixar de falar como cantiga que diga o tanto que tenho de bom a dizer sobre. Além de um palavrista, poeta e inventor de imagens que comungam sonho e realidade, com cheiros e sons de natureza, esse senhorzinho menino desafia a lógica e a imaginação dos seus leitores, é um cavucalhador de mentes e corações.
Orquestrando as palavras que todos conhecemos com outras paridas e algumas entrelaçadas em um cavucabulário invencionático compartilhado com quem tem asas, ele aproxima seus leitores do poder inerente a todos, o da criação e faz intima e produtiva a relação pessoal e coletiva com os ruídos e silêncios da natureza e das coisas.
Flora e fauna passam a ser para quem o lê, percursionistas e entre os cheiros das cores e gosto do vento, tampas de panelas, parafusos, portas e pratos ganham novos significados. Palavras, iluminuras e sentidos que que se unem em poesia, que cantam os valores que não estão nas coisas, estão em nós.