31 de julho de 2015

Dos encontros que são sol e mar





Eu já disse por aqui e digo por todo canto, escrito e falado que para mim vale ouro encontrar um limpador de para-brisas, educado, sorridente, simpático e criativo nas sinaleiras da vida (ver um aqui), ou uma senhora que colhe o algodão, faz fio e faz artesanatos, como encontrei na Chapada Diamantina quando lá fui. Vale mais que se eu encontrasse um ídolo qualquer da música ou do cinema, por exemplo. Ontem encontrei com amigos de blog, tipo abraços reais, olhos nos olhos, cheiros, sabores, histórias sem limites de cliques, sem formatações.
E não sei dizer o que mais amei, se todos no portão a minha espera, se as bandeirolas artesanais feitas pelos guris que amam fazer artesanato só que não, se a recepção e delícias do café da manhã, dos donos da Pousada, que para aumentar a poesia da coisa se chama: Jasmin dos Poetas. E assim foi, e mesmo estando chuviscando a maior parte do dia, ter sido puro sol cada passo, histórias ao som e aroma do mar e do amar que vou bordar e contar aqui aos poucos. Hoje algumas fotos e o fato cada dia mais comprovado por mim de que amizade não tem idade, não ter cor, não tem credo, não tem distância, que bem querer é um tipo um pé de qualquer coisa que dá as vezes sem querer e que para fazer crescer e valer é só regar com afeto.

30 de julho de 2015

Fitas, fatos, fé

Fita de Santana 
Avó de Jesus, mãe de Maria 
Que amarrei no dia dos avós 
No bracinho de minha vó Maria 
Junto da do Bonfim 
Que amarrei ano passado 
Cheia de amarrados no braço
Que nem o neto circense
Que nem eu as vezes 

A neta mais velha havia feito curativo nela
Ela disse:
A das medicações estava aqui agora 
Foi! E eu sou a do que?  Perguntei 
Ela respondeu na lata 
A da bagunça

Parece que não mas está lúcida 

29 de julho de 2015

Eu Fiona

Sabem aqueles copos de processadores pequenos, que vem diversos, com diversas tampas, tipo copo de liquidificador tamanho miniatura, pois bem, eu tenho feitos suco de polpa neles que são do tamanho de duas porções (um copo para mim outra para o maridão). Copo pequeno para lavar, mais rápido, gasta menos água e sabão e porque sempre tive apreço por ter um copo de liquidificador para sopas e coisas salgadas e outro para coisas doces. Acho que o copo pega o cheiro e gosto, frescura ou não, tenho essa sensação.
Pois bem, meu lado ogra está se manifestando no sorvete de creme, batido com Nescafé, um pouco de leite de caixa e um pouco de leite condensado, tudo batidinho no mini copinho e geladinho bebido diretamente dele, sem passar para um copo ou caneca. Para beber direto do copo grande do liquidificador é um pulo.
Ninguém via ou sabia, mas depois de eu me entregar e para emendar, isso de ninguém tá vendo me lembra uma história que ouvi muito na minha infância e que repito quando cabe (tipo para pais preocupados demais com os mimimis dos filhos ou crianças que fazem show de dengo). O garoto diz para o amigo na escola: Ontem cai e me machuquei todo!  O outro diz: Poxa! Foi mesmo? E você chorou muito? O menino responde: Não! Não tinha ninguém em casa.

27 de julho de 2015

Leitura e liberdade

Começar a semana lendo as notícias locais e do mundo, vendo na TV e na Internet, tão comum e infelizmente, muitas noticias ruins também é comum, valendo sempre se cercar e regar os olhos e o coração com as boas, ler, ouvir, falar de coisas boas, positivas, transformadoras. 
Eis que vi por ai uma notícia que resolvi compartilhar, pelo meu gostar. Tema denso e detalhe fluido, dessas ideias que parecem simples, mas são inusitadas e mudam o mundo. A notícia é sobre um projeto que reduz a pena de detentos leitores. A proposta é de serem reduzidos quatro dias da pena para cada livro lido, podendo se chegar ao máximo de 48 dias de redução por ano.
Poeticamente super a ver com a ideia de asas dos livros abertos, da liberdade de imaginar e sonhar que as leituras informativas ou lúdicas proporcionam e promovem. Do ponto de vista didático, educacional, psicológico e social é uma ferramenta educacional, transformadora, uma veículo que pode ser utilizado após a pena.
Vi por ai também outro dia, um outro projeto modelo, em algum país além fronteiras verdes e amarelas, que visava a humanização das pessoas presas, uma tentaticva de cura, de descoberta do amor e do cuidado, através do contato e convívio delas com cachorros de rua. Os vira latas não consultei e nem era mencionado na matéria, creio que apoiam a iniciativa, afinal, troca de carinho e atenção, assim como o conhecimento e a magia da leitura são ferramentas de transformações e libertação. #etenhodito

25 de julho de 2015

Dos escritos




Hoje é o dia do escritor. Mas para ser escritor precisa de faculdade? De diploma? De ter livros publicados? Fazer resenhas vale? Escrever poemas em guardanapos vale? Escrever em blog vale? É um bom escritor quem escreve uma linha que fala mil palavras? E quem escreve divinamente mil palavras que lemos tão rápido e leve como se fossem duas? Escrever quem sabe escrever pode, deve, mas para ser considerado um escritor, precisa do que? Será que só de leitores? Para ser poeta então, que total falta de definição!
Todas essas minhas (talvez coletivas) indagações, com uma exclamação de arremate, são em homenagem a essa, não sei se chamo de profissão, na verdade eu chamaria e remuneraria como que a um jogador de futebol, nas proporções do talento, como é a prática, mas na prática dizer ser escritor vai do ser desocupado ao ser pop, de hobby a ofício extra. Tantos escritores foram e são advogados e escritores, funcionários, empresários, doutores e escritores. Como ouvi numa palestra de Mário Sérgio Cortella com relação a ser Filósofo, as pessoas perguntam a você, na sua ausência ou mentalmente, você escreve mais faz o que? Ganha a vida como? A pergunta embora pareça preconceituosa, e é, retrata a realidade desse profissional, a má remuneração desse dom e dos frutos que dá, das demandas que atende em todas as áreas, para todas as profissões.
Muito para as editoras, muito de comercializável e modinha nas prateleiras, muitas barreiras e âncoras fazem ser escritor ser ofício ou laser mais por prazer que por outra coisa qualquer, nas determinadas proporções, vale essa afirmação para os reconhecidamente grandes escritores, nenhum virá aqui ratificar o que digo, mas quem sabe um pouco que seja sobre o mercado editorial e a remuneração dos escritos para os escritores, sabe do que estou falando. Lamentável, para dizer o mínimo. Lamento feito, contextualização real e concreta da data e do personagem, vou falar da beleza e poesia do dia.
De algumas poucas palavras cheias de tudo, iluminuras, vazios cheios de nada, esticadores de horizontes são os escritos Manoel de Barros e Alexandre Reis, dois escritores por quem tenho especial admiração, já declamada, resenhada e referenciada aqui diversas vezes. O Alexandre para quem conhece e quem não, buscar por seu nome é bem grão. Para achar os brotos, árvores, flores e frutos de sua poesia: Escrevendo e semeando é o caminho. E um caminho em comum entre os dois queridos e entrelaçados poetas tem tem o alcance fácil, rápido e compreensão elástica, o pouco que é muito. Falo de pequenas considerações, frases, descrições. 
Muito presente é hoje em dia nas redes sociais, em produtos diversos, nas prateleiras das livrarias esse formato de escrita e leitura. Para quem teve, conhece ou já ouviu falar e para quem não, procurar (adoro cutucar o bichinho alheio da curiosidade), me remete um pouco, com um pouco só de palavras a mais a um livrinho chamado: Minutos de sabedoria. Para ser aberto uma vez ou mais no dia, em momentos de necessidade de palavras, de conselhos, de poesia, filosofia, sabedorias. Ganhei de uma professora na época da escola um para chamar de meu e cá está com dedicatória, contra capa amarelada e algumas roídas de traças. A pró era na época responsável pelo Serviço de Orientação Educacional, salinha para quem aprontava e muito lá eu estava ou por ter aprontado ou por me meter nos aprontes alheios, sempre com algo a dizer.
Eu, como dito, desde muito, sempre de muitas palavras e após muitas postagens por aqui, vou criar uma nova guia aqui no Blog. Uma janela a mais e talvez um perfil no Instagram para publicação de poucas palavras, frases, haicais, poesias, notas, legendas aqui publicadas. Colocando esse feijão de porvir no algodão, logo brota e quisá que nem o pé de João, alcance o céu, tenha som de harpa, poder de transformações, magia. Pelo variar e ir além.
Parabéns a todos os escritores amigos, aos que partiram e que as obras são eternas, pelos que seguem escrevendo e semeando, pelos que tem o dom, pelo que é bom ou não, escrito ser documento, ser história, memórias, registros. Por escritos terem imagens em si, cheiros, sons, sentimentos e sentidos diversos, pela magia que há nisso.