29 de novembro de 2014

Um dia em Paris

Não que um dia baste, pois desejo ver a torre não só de longe, nem só de perto, sentar e tomar café com doçuras de onde possa ficar contemplando e quem sabe me ocorra uma poesia. Parentese para que, comer faz parte de muitos dos meus planos mundo a fora, os doces e pratos famosinhos e prosaicos, muitos itens que um dia só, nem comendo de três em três horas eu conseguiria em muitos lugares. Na Itália e em Portugal por exemplo eu teria que passar um mês...risos.
Quero além do momento Torre Eiffel, andar por lá de noite e de dia, andar de bicicleta, ir nos pontos turísticos e nos locais que andam os locais, andarilhar, fotografar. Conhecer e consumir o glam e o cult do lugar. 
Tenho dito em momentos de crise e nuvens negras uma frase que li por ai e adorei: Ainda vou rir disso tudo em Paris. E eis que na programação da tv aberta, nos idos de uma madrugada sem sono e sem companhia, o filme da vez foi: Meia noite em Paris.
Amei é o que posso dizer em uma palavra e sorri daqui como se lá estivesse. O ator principal, ser o mesmo de Marley e Eu ajudou, sou fã dele e quando gosto de um ator ele pode até fazer papel de malvadão que acho o máximo. Na mesma linha, quando não gosto, pode ser um príncipe que não rola sentimento.
Recomendo o filme e inclui a meus desejos num só dia que pise na Cidade luz ou em muitos que venha a passar por lá: na chuva caminhar. Me identifiquei com o papel de escritor e com a certeza de não ser dessa época, década, de estar no filme ou no livro errado, mas: é onde estou, é o que temos para hoje, ce est la vie.

28 de novembro de 2014

Parabéns atrasado

Imagem da web

Atrasada não como o coelho de Alice, para nada, atrasada mesmo e avisada ontem em tempo, mas sem tempo, pela amiga Ana Paula, que era o aniversário de uma amiga em comum entre nós duas e  entre muitas das pessoas que seguem meu blog e muitas pessoas blogosfera afora e adentro. Até aqui em casa ela é conhecida, chamada pelo nome, íntima.
Vou pegar as palavras cheias de sentimentos e sentidos de Ana Jácomo, que seguem entre aspas, para dizer o tipo de pessoa que a aniversariante de ontem é, dessas raras, que “ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.”
Lugar comum na idade avançada, que não é o meu caso (cof cof) nem o da aniversariante, datas de aniversários e de compromissos passarem não por desleixo ou desamor, mas por diversos desalinhos. A tal da agenda de papel ainda é  usada por mim, mas sem anotar os aniversários sei lá por que (na verdade sei, preguiça de anotar tudo igual todo ano, se o fizesse de tanto passar a limpo já teria memorizado). Os aniversários de amigos e familiares (muitos sei de cabeça) e outros não e juntos estavam aos dos muitos amigos blogueiros que entraram para o clube,  em uma tabelinha que fiz no Word. E eis que o arquivo tomou a pouco tempo chá de sumiço. Agora é mandar mensagem, olhar em homenagens aqui e ali, perguntar a um e outro e refazer a lista de novo, que esse ano vai para agenda (primeira promessa para 2015) que preciso começar a procurar (amo o momento escolha da nova agenda, sempre com desejo que tenha uma capa linda, elástico, saquinho e uma página por dia, para muitas colagens e rabiscos). E não, não tenho Facebook para me avisar das datas de aniversários, além do que Tia tal, amigo tal e muitas tals pessoas que faço questão saber a data de aniversário também não tem.
Depois de todo esse blá blá blá, sendo esse o segundo post do dia, uma vez que o outro estava na programação, o parabéns atrasado vai para Chica. Sempre presente aqui, geralmente a primeira a comentar, presença no meu e-mail, na minha caixa de correio e em tudo que vejo que tenha joaninhas. Além, de ser pura inspiração seus poetares e as histórias e fotos em família, que faço questão de acompanhar e tenho especial carinho pela Oma, pelo Neno, o Gui e a Cuca, além do participativo e modelo fotográfico Seu Kiko.
Uma pessoinha miúda em tamanho e enorme em carinho, atenção, simpatia, interatividade e multitarefas. Quando crescer quero ser igual a ela. E para ela é essa pequena homenagem. Um dia em Poa ou por cá, espero a gente ainda vai se abraçar e vou postar, resenhar e me alegrar tridemais, porque ela, tenho certeza, ao vivo é tuuuuuuuudo de bom como é virtualmente.

Cardápio com tradutor por favor

Momento desejo de macarrons

No cardápio de muitos restaurantes, plaquinhas e declamação dos garçons, ando precisando de tradução. Não! Não estou viajando por fora do Brasil e não estou indo em restaurantes estrangeiros. É que andam por aqui (e por todo canto imagino) falando outra língua, na verdade é um tal de dialeto com as palavras: proteína, carboidrato, oleoginosas e toda uma nova nomenclatura dada a carnes, massas e comestíveis em geral. Entendo que calça boca de sino já foi pantalona e hoje é flare, que modinhas são isso mesmo, mas é precisos se falar todas as línguas, afinal vivemos num mundo globalizado. Põe lá proteína e para quem não é da modinha, dos regimes, academias e afins, para crianças, idosos e para mim, põe o nome tradicional da tal.
A parte porém, de última dessa nova mania é a mania que as pessoas tem de se meter na vida do alheio e também a de fixar num assunto tipo chiclete. Sair para almoçar em grupo hoje é ter que ouvir recitas, recomendações, descrições sobre o que  se pôs no prato e sobre o que pomos. Eu que como de tudo, adoro uma caloria, sou tolerante e amante de glúten e nunca me interessei por exemplo em saber o que era a carninha torrada e suculenta que vende no tabuleiro da baiana, chamada: passarinha, me reservo ao direito de comer sem querer saber. Fui informada ainda assim que a tal passarinha é o baço do boi, com uma cara pausada após a informação, que imaginava eu não riria mais consumir a iguaria. Só que não né! Em nada mudou minha vida saber essa informação. 
Gosto de curiosidades, acho importante comermos coisas saudáveis, creio que somos o que comemos e que muita gente tem uma relação complicada com a comida. Eu gosto de folhas, saladas, grãos, pão, leite, carnes, verduras, enlatados. Gosto de experimentar sabores, gosto das memórias e prazeres de coisas que gosto e posso, graças aos Deuses da saúde e do meu cuidado com ela, sem excessos e não tendo quilinhos a mais. Me benzendo após essa declaração, como recomendação amiga, de uma criatura que por vezes sai comigo para escolha de figurinos e que disse certa vez: - Não abre o bocão e diz que veste 36 ou precisa de uma peça PP, dá raiva nas pessoas, boas e más, pensa que você precisa tá bem protegida contra as pragas. Passei a dizer baixinho....risos.

27 de novembro de 2014

Das afirmações

Temos que ouvir cada coisa, sempre digo essa expressão e exclamei ela ao ouvir uma personalidade que admiro, sempre leio suas colocações, textos, já vi vídeos de explanações suas sobre temas sociais e humanos, dizer que nunca o passado é melhor que o presente. Esse nunca matou tudo, eu na hora cochichei comigo mesma. Bem podia ela dizer isso se antecedesse a premissa do eu acho, eu penso, eu defendo, ou trocasse o nunca por geralmente, enfim! Eu acho que o passado pode ser melhor que o presente, que saudosismo, nostalgia, reminiscências são saudáveis quando são aceitas como raízes, como que porque não ser o melhor que tivemos e que viremos a ter, ou algo sem igual.
Se rebobinar faz bem para alguém, vale rebobinar, passear no passado, se alimentar dele, acho que não vale é ficar preso, viver totalmente fora do tempo presente. Penso é que tem que ter um pouco de tudo, tem que ter olhos no futuro, olhadelas no passado, pés e asas no presente, ser à moda antiga e das modernices. Nada com medida ou receita igual para todos mundo, porque cada cabeça é um mundo e coração é terra que ninguém passeia reza o dito. Cada um a seu modo, na sua velocidade, com seus gostos, dentro de suas necessidades.
Afirmações genéricas, rótulos, verdades incontestáveis é de última, proferir sendo um formador de opinião, educador, estudioso ou profissional dos comportamentos, sintomas e patologias humanas é irresponsável, arbitrário. E tenho dito! E tenhamos nossas opiniões formadas e quiçá reformuladas.

24 de novembro de 2014


São quatro pares de sapatos que moram nessa caixa. Minha mãe guarda um de cada filho, dos tempos dos primeiros passos. Eu, provavelmente gosto de sapatos vermelhos por continuidade ou não.
Os dois sapatinhos de ponta cabeça nessa foto, que dizem não pode, tipo faz mal, que nem bolsa no chão, segundo várias recomendações, por vários motivos descabidos, são de meus e de meu irmão. Revirei eles pois estávamos no quarto de nossa mãe num momento remexer nas coisas e reparei nos solados.
Os dos meus, sujinhos gastos, com a região do dedão mais gasta que o restante desde os primeiros passos até hoje e os dele branquinhos, limpos, quase sem uso tipo pneu novo. Pensei no ato: coitado do pobre, carregado o tempo todo, ninguém pousava ele no chão. Tudo na vida tem uma explicação e eu cá com meus botões pensei não queria ser ele pássaro preso, não gosta dos tais mimos, por isso hoje não para quieto, não tem pouso certo.
Olhinho de canto para o piso da casa de minha mãe, de madeira, que denuncia ao rangir qualquer ir ou vir. Imagens e histórias por mais valorização, memórias, narrativas. Por passos, caminhos e também colinhos.