12 de agosto de 2014

Das descobertas

Em uma doceria para comprar palmier, o atendente fez uma cara de não saber o que era e me perguntou se era um folhado em forma de coração. E do gostar da comparação, fui direto para a questão de nunca ter associado o doce ao formato, tão no formato que é. Daí me veio a máxima de que sempre há o que se descobrir.
As tais descobertas nossas de cada dia, das pequenas as grandes , tão importantes!

11 de agosto de 2014

Das emendas as costuras

Não sou costuradeira, nem bordadeira, embora tenha feito, sozinha uma mochila de retalhos, com forro de espuma e tudo mais, na máquina de costura, nos idos de minha adolescência e me achar o máximo por isso, foi uma obra única.
A memória veio com essa ilustração, que assim que bati os olhos, me senti numa máquina do tempo, tirando do classificador da escola um dos muitos papéis com o desenho da roupa para o São João ou festa folclórica, um retalinho do pano para ser comprado e a indicação da loja, geralmente uma que não sei se era ou é nacional, chamada: Feira dos tecidos (quantos panos de roupas e para lençóis, fronhas e utilidades gerais compramos lá).
Muito legal isso de todo mundo fazer a roupa igual sem um botão a mais ou a menos, de o retalho vir ao lado grampeado, de isso ter sem eu nem imaginar na época, me marcado. Era comprar o tecido e seguir o modelo. Costurar, mães, tias, avós, vizinhas que soubessem ou passar para uma costureira a seu gosto e gasto e todas no dia da apresentação vestidinhas iguais.

10 de agosto de 2014

Pulo e emendas

Não é a toa que poesia rima com magia
Com terapia, sabedoria
Poemas são borboletas encantadas
Sem origem, pouso, porto
Presentes tanto em jardins quanto em estradas
Acompanham as primaveras
Verões, outonos e invernos
Todas as flores, todas as eras
Há poesia no olhar de quem se ama
De quem se espera
De quem nem conhecemos e em quem vemos quimeras
Na chegada, na partida, no centro, num canto
Todo dia ou vez enquanto
Nascem em casulos e voam como borboletas
Não chegam, nem se vão
Estão em nós, a dois, a sós e no meio da multidão

Pulei a sexta! Sem tempo, muitas atividades, nada programado e com uma data especial no domingo, resolvi postar nesse dia, que a maioria está de bobeira, flanando, tricotando e vim tricotar e emendar o blá blá blá na segunda, para já pegar no tranco. 
Especial é a data de hoje pois nasceu nela um escritor amado e uma amiga amada. Falando em emenda, alguns dias seguintes a minha ida sonhada a Bienal de Sampa, em que vou conhecer pessoalmente essa amiga, vou participar de um Colóquio de Literatura Brasileira que vai acontecer aqui em Salvador na sua quarta edição e que até me inscrever não sabia o que significava Colóquio (quem não sabe, como respondi outro dia a uma amiga, a internet tem dicionário além de face, perdãozinho pelo desaforo). 
A partir da participação como ouvinte farei o que muitos fazemos, irei pela primeira vez a dois lugares que sempre penso e ir e nunca vou, que tenho vontade, mas tá ali, sabe como é? Muito feio isso! 
Um esteve ali, ao lado (ao lado mesmo) da escola onde estudei da alfabetização ao 3º ano do ensino médio e não entrei lá, achava lindo o casarão, nada aconteceu lá que eu tivesse tido a oportunidade ou conhecimento para ir, por curiosidade, nem que fosse no jardim da frente, foi ficando pra depois. O lugar é a Academia de Letras da Bahia. O outro lugar é nada menos que a Fundação Casa de Jorge Amado, casario azul e infante no Pelourinho, por onde eu já passei muitas vezes e nunca entrei. E muita coisa acontece lá, mas nunca vou. Ansiosa!
Pois bem, para Jorge meu salve, para minha amiga Ana meu aceno de lenço laranja. Para ambos a poesia abaixo da ilustração, tirada da minha pastinha de escritos ainda não divididos, como quem tira um papel de carta da coleção e escreve para alguém querido.

4 de agosto de 2014

Balde de ideias simples

Eu resolvi trazer hoje um balde, uma ruma, uma porção de ideias sobre um assunto que foi tema da primeira campanha que fiz aqui no blog: Lenços que curam, uma proposta de arrecadar lenços para levar para pessoas idosas, abatidinhas e sem cabelo por conta da idade e para pessoas com câncer, gente para quem um adereço imaginei, é uma ferramenta de elevação da auto-estima.
Além da constatação do poder de um objeto e de gestos voluntários conjuntos, o gesto individual contagiante de levar lenços para pessoas em seus estados, comunidades, de dar a alguém próximo, a percepção de mudanças grandes que gestos pequenos podem fazer e uma porção de aprendizados adjacentes, me fizeram voltar com o assunto para contar o que aprendi essa semana e desatei a imaginar outras possibilidades. 
Descobri que a palavra balde sem a letra e, em inglês significa careca e que tem uma campanha muito legal, para ser aplaudida e compartilhada chamada Bald Cartoon. Clica no nome vai lá ver, se encantar, inspirar, compartilhar. Faz uma postagem em seu blog, compartilha via Face, Insta, manda para sua lista de contatos por e-mail o link da campanha.
Nessa descoberta como que enchendo um balde de possibilidades para prática e sugestão, pensei num outro tema que foi assunto aqui, que é a necessidade de cada criança, cada escola, ter um livro, na verdade vários livros e revistas em quadrinhos, filmes, bonecos(as), objetos de decoração com personagens de pele negra. Por um reconhecer da criança de pele negra na fantasia e no real, um reconhecer, das que não são negras, de seus coleguinhas. Com e por naturalidade! Sem bandeira de diferenças, como iguais, como são. Clica aqui para ler o que publiquei nesse tema aqui e os comentários sobre o assunto. Então! O que tem a ver uma coisa com a outra?
Tem a ver, algo que fiz muito, por gosto na minha infância, por peraltice também, e que pensei bem pode virar incentivo: cortar os cabelos das bonecas e bonecas de cabelos raspados. De fábrica ou com intervenções em dinâmicas de grupo, em momentos específicos com crianças que passam por esse processo ou não. Levar para o lúdico, além do divertimento e perfeição, as imperfeições da vida, a identidade para quem está doente. 
Tem ainda a ideia super criativa (olha eu me elogiando) que me ocorreu, de perucas de retalhos de tecido tipo o cabelinho da Emília, ou cabelos de croche ou de lã com modelinho igual para a criança e a(o) boneca(o) ou bichinho de pelúcia. Chapéus, gorros, algum capacete de herói, infinitas possibilidades. Vale nessa prática cobertor nas bonecas quando a criança estiver resfriada, caminha quando precisar ficar deitadinha, termômetro e por ai lá vai. Vale levar o cachorrinho de estimação para tosar quando a criança, o adolescente e até o adulto tiver que passar por isso, parece besteira, mas ajuda de muitas formas.
Muito está se falando e poetizando em torno de pessoas infectadas e o que passam, por do causa do romance: A culpa é das estrelas e além da validade de ler o livro e ver o filme, se emocionar, compartilhar frases nas redes sociais, ser fã dos atores, querer o livro da história real da menina em que se baseou a história fictícia, acho que vale fazer algo concreto, se envolver de alguma maneira, como escrever uma carta para alguém com câncer, proposta de muitos projetos divulgados via redes sociais, curtido, dado like, mas com pouca e efetiva participação. Clicar aqui para conhecer um deles e participar quem sabe! Achei também um projeto de cartas para idosos, que o site indicado está desativado, pode ter sido um evento único e portanto vale ser imitado (sempre vale imitar coisas assim), ver aqui. Lindo!
Muitas possibilidades, muito pouco que podemos dar e fazer e que para quem passa por um problema, quem tem alguma carência, uma gota d´água em um balde de bem olhando ou sem olhar a quem.

1 de agosto de 2014

Refazendo

"Todo tamarindo tem o seu agosto azedo"
Essa postagem de hoje é para como outras já passadas desmistificar, além de eu oralmente sempre pregar, que o mês de agosto não tem nada a ver com azar. Ver aqui uma das prozas. A imagem de picolés trouxe de uma postagem passada, numa de republicar. Clica aqui para ver, fui buscar ela pois ao ouvir ou falar a palavra tamarindo, lembro dos berros dos vendedores na praia ou ônibus: "Picolééé! Capeliiinha! Tem de milho, tapioca, tamarindo..."
Iniciei entre aspas com uma frase de Refazenda, poética e cadente canção de Gil, que adoro, para esse refazer do que o povo insiste em dizer, que tem seu valor cultural, mas não deve ser levado para prática, para justificar mal feitos, tipo achar, por procurar.
Penso que cada um põe ou tira o gosto de seus agostos. Além da popular associação de desgostos do mês com eventos infortuniosos das grandes navegações, talvez pela estação do ano e as marés, uma menos conhecida referência dos males do mês é a temida constelação de estrelas em forma de dragão, que para muitos era sinal ruim a despontar no céu no início do segundo semestre do ano. Thuban é um dos nomes dessa constelação. Os Egípcios a chamavam de Tawaret, a Deusa do céu norte. Eu, particularmente, gosto de dragões, por ser o animal de meu signo no horóscopo chinês, pela imagem imponente, destemida, mística, pelo colorido dos orientais e também pelos personagens de animações e histórias infantis.
Vou então repetir uma recomendação, já aqui feita para o mês de agosto, que é domarmos nossos dragão interior e os exteriores com a sabedoria da maturidade e malemolência da infância. 
Que entre bons ventos e tempestades, nos caminhos que passam por nós e pelos caminhos que passarmos, tenhamos constelações e céu todo azul, sol e chuva, bem-te-vis, gaivotas, dragões, pombas brancas, anjos de luz a nos guiar. Um agosto que começa numa sexta é para rimar e para entrar num bom decoro, de bom agoro. Que assim seja!