Esses dias fiz um post ("A oportunidade"), com um texto sobre um acontecimento em família. Acontecem coisas conosco o tempo todo. Vemos coisas o tempo todo, passamos por situações, vemos situações se passarem com os outros no trabalho, na rua, no ponto de ônibus, no mercado, numa festa etc. A vida, os dias, todos os dias, a toda hora, estamos cercados de acontecimentos que são textos da vida.
Ouvi no sábado passado a história de um acontecimento presenciado por quem narrava (a incrível professora da UFBA, Zoraia Marques), em resumo: o local foi um supermercado, personagens: um casal de idosos, ele com sequelas de um derrame, ela se dividindo entre as compras e uma atenção devotada, carinhosa e companheira a ele, ele achando que estava ajudando quando só atrapalhava.
Acho que já escrevi aqui sobre a história de um casal em que o homem amava os cantos do pão e desde que se casou os dava para sua mulher, como símbolo de seu amor, ela por sua vez, preferia o meio do pão, mas por trinta anos comeu os cantos como símbolo de gratidão.
Que observemos, vivenciemos, produzamos ainda que só mentalmente muitos textos da vida. Eu seguirei, a partir do prazer, satisfação e resultado do texto da pipa, produzindo muitos e muitos textos da minha vida e das vidas e coisas que vi e verei e dividindo sempre com vocês.
Momento confissão:
Quando fiz o Blog, tinha dentre outras intenções a de transformá-lo em um livro, para o qual já havia feito textos que se perderam com uma pane no computador, já havia idealizado um título (O caderno) e detalhes, inspirada numa música que me fez chorar inúmeras vezes nas escola de meu filho.
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer
Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer
O Caderno - Toquinho
É isso, já fiz o filho, depois ou antes de escrever o livro tenho que plantar uma árvore e o dever estará cumprido :)