31 de março de 2014

Por mais leveza

Quando crianças brincamos
E entre os saltitamentos, desafios, risos, emprestar e dar a vez
Ocorrem umas rusgas, discórdias, desequilíbrios
Mas logo as brigas dão lugar a brincadeira
Pois para uma criança vale mais a felicidade que o orgulho
Que bom seria os adultos imitarem!
 Para que tanta tensão? ambição?
"Não há tempo para tudo
Não poderei escutar todas as músicas que desejo
Não poderei ler todos os livros que desejo
É necessário aprender a arte de abrir mão
A fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial"
Reflexão de Rubem Alves
Para abrirmos mão
Para abrimos o coração nesse fechamento de março
E chegada do mês de abril
Para internalizar
Praticar e seguir mais leves
Mais dedicados e gratos ao que temos

30 de março de 2014

Que tal?



Fotos da semeadura de sempre-vivas
Que mandei sementinhas para meu amigo Pedrinho
Já deu flor e eu estou esperando para ver as fotos viu Dona Vó Amara

Vez ou outra, não todo dia, que tem dias que a gente não tá a fim de nada
E isso não é nenhum sinal patológico, acontece
Por causa da lua, do calor, de uma falta, uma sobra
Mas nos dias que estamos inspirados e que na balança tem que ser mais
Vale fazer coisas inusitadas e simples
Como comprar sementes e semear
Ou enviar via correio para alguém
Vale comprar um papel de presente e forrar uma caixa, uma lata
Fazer qualquer trabalho manual vale, de colagem a costura
Quem já faz, vale algo diferente
Que tal lavar e lustrar o carro do maridão ou distribuir flores no portão?
Homens que não chegam nem perto de uma cafeteira podem fazer um macarrão
Ou comprar pão e coisas para botar dentro e dizer fui eu que fiz
Vale coisas mais miúdas como sujar de sorvete a ponta do nariz de alguém
Misturar sabão na água, entortar um arame e soltar bolhas de sabão
Comprar uma caixa de traques de massa e jogar da sua janela no São João
Qualquer distração, que sai da rotina
Que te faça de novo ou mais ainda menino e menina
Que de traga uma nova sensação, seja uma nova experiência
Uma história para contar, fotografar, lembrar

27 de março de 2014

Sempre em obra

Cheguei a conclusão que a construção da nossa felicidade é contínua
Assentar um tijolo por dia é indispensável
E também rejuntar e fazer acabamentos
Não cabe acumular serviço
Nem achar que já tá morando na felicidade e pode deixar como está
Temos que construir e sempre reformar nossa felicidade
Sabendo sermos responsáveis também pela construção da felicidade de outras pessoas
E nas empreitadas nossas e alheias temos que ser multifuncionais
Mestres de obras, pedreiros, ajudantes de pedreiros
Responsáveis pelo cafezinho, pela limpeza
Atuantes, críticos e contemplativos
Um pouco de cada coisa e inteiros em tudo

26 de março de 2014

Sins, nãos e talvezes

Sem regra ou medida
Tipo decidir do nada sentar na calçada
Segundo post do dia
Por bons sentimentos e práticas
Pianos para crianças
Papel metro no chão, tintas e meleira
Fazer e receber bilhetinhos carinhosos
Escritos em guardanapo ou qualquer pedaço de papel
Conversa no portão
Por dançar conforme a música
Por cuidarmos de nossa aparência e conforto
Além do cenário, da moda, dos rótulos
Por mais ou menos sons ou silêncio
Sins, nãos e talvezes

25 de março de 2014

Dos esconderijos da felicidade

"Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho
Não se importando demais com coisa nenhuma
Felicidade se acha é só em horinhas de descuido"
Guimarães Rosa
Um terça descuidada e atenta para as pequenas felicidades
Inté amanhã!

24 de março de 2014

Sobre devoluções

Há pessoas que nos roubam
E pessoas que nos devolvem
Padre Fábio disse isso dia desses
E ficou na minha cabeça essa sentença
Essa certeza
E sendo hoje o dia em que a alguns anos
Para não dizer muitos e ele deprimir
Chegou em casa meu irmão que mandei minha mãe devolver
Achei adequado trazer essa reflexão
Porque ter um irmão é ter sua infância em outra infância
Devolvida a cada lembrança em comum
A cada retrato, objeto
Meu irmão é sem dúvida uma pessoa que me devolve
Em lembranças e em novos momentos
Sintonias e alegrias
Um bem querer que foi sacramentado depois do pedido de devolução
Ele que não se deixa roubar, comprar, parar
Que siga assim
Pois ele não só me devolve a mim
Mas a si e afirmo sem medo de errar
As nossas duas irmãs igualmente fãs
Aos sobrinhos e amigos que o cercam
Os que ele semeia e os que brotam nas beiradas
De perto e de longe
A seu modo e a seu tempo
Que espero seja longo e sobre mais (olha o recado)
Parabéns irmão!
Vida longa, larga e profunda

23 de março de 2014

Por luz e cores

"Os seres são vazios 
Se não são como janelas 
Ou claraboias abertas para Deus"
Saint-Exupêry
Sejamos abertos para Deus
Para um ou vários
Para a luz do divino, do espiritual
Para o bem que vence o mal
Para a força da oração
Do coração
Das cores da natureza e do que o homem cria
Do que traz e leva alegria, energia, poesia

22 de março de 2014

Quantas pessoas?

"Para um cão,você não precisa de carrões
De grandes casas ou roupas de marca
Símbolos de status não significavam nada para ele
Um graveto já está ótimo
Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre
Inteligente ou idiota, esperto ou burro
Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe
Mas por quem são por dentro
Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele
É realmente muito simples
Mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados
Sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não
De quantas pessoas você pode falar isso?
Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial?
Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?"
Do filme Marley e eu

21 de março de 2014

Para abrir potes e baús de histórias

Recomendo para quem quiser testar suas habilidades de abrir potes o doce de leite da marca Aviação, a da antiga manteiga em lata. Eu aqui em casa sou famosa pela força desmedida para fechar roscas de tampas de refrigerantes e afins melhor que as fábricas. Já ocorreu de eu mesma não conseguir abrir e cortar a pet ao meio com uma faca. Do mesmo jeito que fecho, abro tudo, meu marido está livre dos papéis de abridor e carregador de pesos, esses são mimimis que não me representam.
Voltando ao doce de leite, que vem num pote de vidro com tampa de metal, sem a bolinha que destaca-se do meio e a tampa respira e gira, sem trava e que já entrou aqui na geladeira duas vezes e até ser aberto foram muitas tentativas, técnicas, desistências, vontade de tacar ele no chão, declaração não cumprida de nunca mais comprar dele e a lembrança de meu avó, que após passar os potes que tentava abrir e não conseguia para quem abriria dizia: - Também! Depois que eu o cansei!
Uma sexta feira de jeitos e força externa e interna, abertura de potes, portas, janelas, cancelas, memórias e novas histórias. De braços abertos, abraços apertados, laços. De aprender e ensinar a conviver uns com os outros nas diferenças além de nas igualdades, de guardar e perpetuar o que for bom e deixar para trás o que bem não faz. Paz e bem e que os anjos digam amém!

20 de março de 2014

Por outonices

"Cresci brincando no chão
Uma infância livre e sem comparamentos
Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação
Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina
Migalhas de um cesto de palavras, vivências"
Passarinhices de Manoel de Barros
Por um outono de pés no chão
Poças, praças, pássaros
Por folhas e cabelos ao vento
Fruta no pé
Feira e mesa fartas
Frutos, feixes de luz, de sombra
Sabores e aromas

Por mais ócio

A importância do ócio é defendida por um italiano que é escritor, educador e sociólogo, chamado Domenico de Masi e por muitos que não se dão ao trabalho de explicar para quem não quer entender. Fazer tudo, muito, sem qualidade, consciência, consistência, sem propósitos diretos ou adjacentes, não é nada para se orgulhar, para bater no peito e dizer que é total-flex, que aproveita o dia desde seu raiar até a lua boiar no céu. A prática desregrada do é pra frente que se anda e na velocidade total não me representa, para mim vale andar para frente, pra trás, para os lados. Vale ir rápido e devagar, um cadinho de cada. Para Domenico, o ócio, longe de ser negativo, sendo consciente é um fator que estimula a criatividade e o desenvolvimento pessoal, profissional, social e entendido e praticado como tal, se aperfeiçoa com o tempo. 
Penso que o retrato de uma boa vida é um mix de trabalho, estudo (contínuo, seja do que for), lazer, descanso, relações humanas, vínculos afetivos, bobagens, cada parte com seus prazeres, saberes, quereres, com suas colaborações distintas e complementares. E nesse cenário novas ou velhas idealizações são sempre importantes e motivadoras, colocar os ideias em prática é um desafio e uma necessidade, bem como são necessários os entremeios, as pausas, o que ilustra e brota do ócio, do silêncio, da contemplação. Então é isso, mãos as obras e remansos para os descansos.

18 de março de 2014

Para calar e acordar

"Quando estiver na dúvida
Fique em silêncio"
Dica do Chapeleiro Maluco
Que de maluca não tem nada
Bem certa e sensata
E se estiver numa de Alice
Acorda!

11 de março de 2014

Criatividade a alma do negócio

Pois é! esse nome dessa lanchonete da foto que não resisti em não registrar na caminhada para levar minha oferenda a Iemanjá no dia 2 de fevereiro, diz tudo sobre o título da postagem.
Tirei o retrato especialmente para trazer para cá. Abençoadas sejam as pessoas criativas e se a criatividade é a alma do negócio o coração é o bom atendimento e a qualidade do produto ou serviço prestado. Pena não entregam em meu bairro para quando iPhome bater ou só para cadastrar na agenda do celular e passar por esse nome na busca de outros, com a certeza garantia de um sorriso.

10 de março de 2014

Sobre memórias, audição e atenção

Essa é a varanda da casa de meus pais, chão onde eu adorava jogar água e alvejante nas escadas para esbranquiçá-las, por onde fui e vim para escola, para faculdade, para o primeiro emprego. Onde vi meu filho dar os primeiros passinhos, de paredes com buraquinhos que ele dizia terem donos, jardineira feitas por meu pai, mangueira para mentir para as plantas que está chovendo, portãozinho extra colocado recentemente para uma certa cadelinha chamada Balu não assustar as pessoas no portão, se fazendo de feroz além de circense e doce e também para as pessoas pouco apessoadas não fazerem mal a ela.
Além da vista registrada na foto, lá na frente está a caixa do correio feita de alumínio por meu pai, com nome digitado e impresso por mim: Correio, a muito colado com papel contact e intacto até hoje sob sol e chuva. Milagre eu diria. Fora do portão, orelhão e barraquinhas de lanches e papos e uma maternidade pública.
Por dentro, num corredor vindo da entrada, sob um teto que haja escada para trocar uma lâmpada, uma sala, 3 quartos e outra sala. Onde a foto foi tirada é uma copa, ao lado um lavabo e o banheiro com basculante para o quintal que é margeado pela cozinha, o fabrico dos pães (sustento da casa e da família durante toda vida), um quarto da bagunças e no fundo a oficina de meu pai que foi minha primeira casa, de material comprado a miúdo e carregado num Fiat Uno velho e valente.
E lá do fundo eu ouvia o assobio de meu marido, o chamado do carteiro, do homem do gás e as vezes para chamar alguém que estivesse na outra ponta, ir a metade do caminho já bastava. Hoje num apartamento que é quase do tamanho de uma das salas dessa casa, chamar ou falar algo tem que ser aos berros ou olho no olho, porque ou se está de portas fechadas com o barulho do ar a soprar ou sons diversos, catatônicos com a tv, na longa distância da distração, do hábito de atenção e interação seletiva.
Já falei aqui que adoro a Mafalda e a minha tirinha preferida dela é uma que sua mãe sai para ir ao supermercado e lhe diz para não abrir a porta para ninguém, ela pensa e antes da mãe bater a porta ela pergunta: - E se for a felicidade? Pois é, e se for uma boa notícia, se for a felicidade que dizem as vezes bate baixinho a nossa porta. Temos que estar atentos não é mesmo. Cotonetes nos ouvidos, menos barulho e todo mundo mais junto, junto ou longe, no volume e sintonia do coração e da atenção que devemos dispensar a quem amamos.

9 de março de 2014

Maria! Maria!

"Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria"
 Minha vó se chama Maria Francisca
E hoje menos arejada, ativa, forte e valente do que sempre foi
Ainda que em suas limitações segue de janelas, portas e coração abertos
Marcando presença e completando mais um verão
Porque ela nunca foi mulher de primaveras, flores e romanticices
Ela sempre foi verão, calor, agitação, ação
Cercada de gatos, galinhas, afazeres
Senhora de ir e vir, de resolver tudo sozinha
Pretinha por uma coca-cola
Alva e autiva como uma autêntica espanhola
Usava o cabelo com permanente e muito laquê
Trazia chouriços da Espanha por entre as roupas
Fazia cozido, panquecas e sardinhas ao escabeche como ninguém
A ela minha gratidão, carinho e afeto eternos, ventilados e rendados

7 de março de 2014

Sobre chover, render e bem querer

"Hoje ela quis ser chamada por seus adjetivos
Fina, constante, gelada
Impôs sua presença absoluta
Sem deixar espaço para um pedaço sequer de azul
Ou mesmo abrir uma fresta 
Para que um raio somente 
De alaranjado se mostrasse
Protagonista cinza atuou o dia inteiro, calma, segura de si
Ousei pensar que perderia as forças no fim da tarde
A verdade é que passou a tarde a se preparar 
Para intrépido espetáculo
E no limiar entre o entardecer e o anoitecer fez sua aparição
Volumosa, intensa, vestindo o negro do céu
Mostrava-se garbosa a frente dos faróis dos carros
Usando-os como holofotes para a peca que encenava
Antes de ir, porém reservou-nos uma surpresa:
Uniu-se aos estrondos, permitiu um coro de vozes em trovejar
Permitiu que seu negro vestido fosse riscado por raios
Assim parte
Teve aqui seu palco
Absoluta, necessária, incômoda
Voltará breve
Ou não"
Por Ana Paula Amaral
Quando estou sem guarda-chuva ou sombrinha (sempre, pois não gosto de carregar esse grandioso e desengonçado acessório para cima e para baixo e  vale pontuar que quando era obrigada nos tempos de escola a levar, era costumeiro por avoamento deixar por lá). Costumo dizer para me justificar de ficar igual a uma pata molhada que é água abençoada, afinal cai do céu. Já mandei também um memorando para São Pedro, pedindo para Deus rever isso de chover frio, quando não gelado, mas nem mesmo com o aquecimento global o setor de chuvas faz chover morninho. Uma pena! Sem falar do barulho e espetáculo luminoso causado pelo choque das nuvens carregadas, que tenho horror, como já contei aqui, aquiaqui e por outras postagens, comentários e lamentos por ai.
Voltando para chuva para eu relaxar, ela está aqui hoje (não aqui em Salvador, aqui no blog), além de pelas águas de março que fecham o verão, por amizade e admiração. É que esse cronicalizar poético acima é parte do livro Crônicas gris, de Ana Paula Amaral, uma seleção de crônicas escritas por ela a mão, passadas para o computador, passando por todo processo de busca e entendimento com uma editora. Palavras que alegram e aquecem o coração e como amiga dela que sou, aqui estou para fazer divulgação.
Desde quando comprei o meu exemplar, já li, reli, fiz anotações, transformei em poesias e crônicas inspirada pelo que há nas linhas e entrelinhas de tom branco paz e tons mais escuros, de sensações de frio e calor, de sermos e do outro ser casulo e borboleta, histórias para criarmos asas por fora e por dentro.
Chover é o título dessa página que trouxe para degustação e recomendação de compra do livro, que é uma porta com portinholas como a da imagem, uma janela para você abrir uma fresta e escancarar, um arco-iris para dias de chuva e sol. A venda é direto com autora, pelo e-mail: paula.amaralanis@hotmail.com.
Põe sua capa ou abre os braços e deixa chover, deixa ser sexta-feira já que hoje é sexta-feira e deixa ser também sexta nas segundas ou terças. Deixa molhar e toma banho quentinho depois, chá de maçã, café com leite, chocolate quente, escuta os sons, sente o cheiro da grama molhada, para  e observa as nuvens se abrindo, o céu clareando, porque o tempo muda o tempo todo no mundo e há tanta vida lá fora e dentro da gente, sempre.

6 de março de 2014

Cartões de visita a primeira vista

Tem muito isso de as pessoas comprarem, exibirem, usarem roupas, acessórios, carros, casas e discursos como cartão de visita. Não os que gostam de moda, de carros, decoração, leituras, vinhos, culinária ou o que seja. Falo de quem escolhe o modelo do carro para impressionar ou contrata alguém para montar um ap todo equipado de coisas que nem usa, coisas que não tem histórias pessoais, móveis com nomes, sobrenomes, livros que sejam da cor do sofá, do assunto da moda ou de autores clássicos, nunca sequer foliados pelo morador que lhe representa.
Tem ainda os cartões academia ostentados por ser verão, vida saudável e ativa que por trás tem comida industrializada, preguiça de andar até a padaria e sofrimento por não comer uma fatia de pizza, mas tomar cerveja é super natural e no geral o motivo da necessidade de tanta malhação.
Cartões de visita a primeira vista para impressionar, abrir portas, seduzir, ser atalho, na medida, tudo bem, mas como carro chefe, estrada, me perdoem os figurões de plantão, é um papelão.

4 de março de 2014

Sobre máscaras e alegorias

“A magia da máscara reside no fato de que ela parece ter vida própria. A pessoa sente-se protegida e deixa-se guiar pelos instintos e impulsos característicos do personagem”. Reflexão que em se tratando das máscaras de fantasias é uma válvula de escape, de revelação de talentos, de representação, diversão, voo.
Já as máscaras usadas no dia-a-dia e em ocasiões específicas, podem ser nocivas ou pontos de desequilíbrio, que escondem, disfarçam ou revelam nossa necessidade de proteção e alegorias interiores. Filosofia carnavalesca para uma vida de cara limpa e maquiada as vezes, de coração aberto mas esperto, alma leve, com asas e pés firmes no chão.

3 de março de 2014

Doçuras e histórias

Sabem aquele momento diante da geladeira aberta, quando sabemos só haver o ensopado de meio dia, mas temos esperança de aparecer uma pizza, um pudim, uma torta búlgara? Pois é! Estava eu refrescante diante da porta de minha geladeira aberta e além de doce de leite, goiabada, bananada e cerejas em calda que já sai da regra do pouco ou nada para escolher, havia o tal querer do que não se tem, sem soberba, apenas comichões de gente grande pequena.
Já falei de doçurinhas aqui e aqui e em outras postagens devo ter contando outras histórias, recordado, aguado por doçuras e deixado muita gente de água na boca, mas, voltando para a geladeira e eu dia desses por aqui, além das doçuras citadas enfileiradas na prateleira de cima, estava na porta a minha escolha: geleia de mocotó, doce que adoro, bem geladinho, consumido desde a infância e por toda infância e ainda agora na adolescência por meu filho (e por mim de carona). E eis que sorrio boba e me achando a sabida pensei como foi criativa a ideia de quem deu nome a essa geleia.
Explicação: fiz uma associação fantasiosa e lúdica, de quem nunca se perguntou de que era feita tal geleia, como se fosse um doce sabor tuti-fruit e morango com status de ser de mocotó, pela força do tutano, para se achar que está consumindo algo forte, como espinafre de Popeye.
Meu olhos então pararam no sabor da caixinha que estava na minha mão: Natural. Pensei: Como assim natural? E Fui olhar no rótulo a composição da doçura. Letras minimas, muitas informações, nada direto e lá fui eu prozear com o amigo Google. Estarrecida fiquei e estou até agora de saber que mocotó não é nome fantasia, a geleia é mesmo de mocotó, tem receitas caseiras e tudo.
Conclusão: sou forte como um touro não é a toa e descobri que quem come geleia de mocotó além do sabor consome esperteza. Lição: não há mesmo quem não tenha nada novo, importante ou bobo para aprender ou ensinar.

2 de março de 2014

Pé de populices

Foto de por ai
Domingo, dia de flanar
Trouxe para compartilhar os frutos de um passeio
Uma bordejada que fiz dia desses em minhas postagens já floradas
E em meio ao muito que vi, fiz uma listinha de algo que adoro
E faz um tempinho que não posto sobre:
Significado de palavrinhas e expressões populescas
Dessa vez sem historinhas dos porquês
Presentes aqui nas entrelinhas em um combo de postagens passadas
Pés carregadinhos de expressões para ver e colher
Clica aqui, aquiaqui para colher 
 Seguem alguns frutos de recente colheita:
Engambelar os coiós - enganar os tolos
Candinha - más línguas, fofoqueiras
Na pindaíba - na miséria
Café com leite - quem participa sem competir (os menores, os mais fracos)
A vera - sério, valendo
Cair nos braços de Morfeu: adormecer (Morfeu era o deus do sono)
Pirralhos - crianças
Fazer um bicho de sete cabeças - complicar algo não tão complicado
Sangria desatada - agitação
Alguém canguinha ou sovina - alguém mesquinho
Sem tugir (tem quem fale tossir) nem mugir - sem reclama
Nem que a vaca tussa - de maneira nenhuma
Nem que vaca tussa e galinha crie dente - nem em sonho
Não entender patavina - não entender coisa alguma
Pôr as barbas de molho - esperar pacientemente
Pé-rapado (que falamos tudo junto e com rr) – pobretão
Perder as estribeiras - perder a calma
Não dar um prego numa barra de sabão - Não fazer nada