"Hoje ela quis ser chamada por seus adjetivos
Fina, constante, gelada
Impôs sua presença absoluta
Sem deixar espaço para um pedaço sequer de azul
Ou mesmo abrir uma fresta
Para que um raio somente
De alaranjado se mostrasse
Protagonista cinza atuou o dia inteiro, calma, segura de si
Ousei pensar que perderia as forças no fim da tarde
A verdade é que passou a tarde a se preparar
Para intrépido espetáculo
E no limiar entre o entardecer e o anoitecer fez sua aparição
Volumosa, intensa, vestindo o negro do céu
Mostrava-se garbosa a frente dos faróis dos carros
Usando-os como holofotes para a peca que encenava
Antes de ir, porém reservou-nos uma surpresa:
Uniu-se aos estrondos, permitiu um coro de vozes em trovejar
Permitiu que seu negro vestido fosse riscado por raios
Assim parte
Teve aqui seu palco
Absoluta, necessária, incômoda
Voltará breve
Ou não"
Por Ana Paula Amaral
Quando estou sem guarda-chuva ou sombrinha (sempre, pois não gosto de carregar esse grandioso e desengonçado acessório para cima e para baixo e vale pontuar que quando era obrigada nos tempos de escola a levar, era costumeiro por avoamento deixar por lá). Costumo dizer para me justificar de ficar igual a uma pata molhada que é água abençoada, afinal cai do céu. Já mandei também um memorando para São Pedro, pedindo para Deus rever isso de chover frio, quando não gelado, mas nem mesmo com o aquecimento global o setor de chuvas faz chover morninho. Uma pena! Sem falar do barulho e espetáculo luminoso causado pelo choque das nuvens carregadas, que tenho horror, como já contei
aqui,
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aqui e por outras postagens, comentários e lamentos por ai.
Voltando para chuva para eu relaxar, ela está aqui hoje (não aqui em Salvador, aqui no blog), além de pelas águas de março que fecham o verão, por amizade e admiração. É que esse cronicalizar poético acima é parte do livro
Crônicas gris, de Ana Paula Amaral, uma seleção de crônicas escritas por ela a mão, passadas para o computador, passando por todo processo de busca e entendimento com uma editora. Palavras que alegram e aquecem o coração e como amiga dela que sou, aqui estou para fazer divulgação.
Desde quando comprei o meu exemplar, já li, reli, fiz anotações, transformei em poesias e crônicas inspirada pelo que há nas linhas e entrelinhas de tom branco paz e tons mais escuros, de sensações de frio e calor, de sermos e do outro ser casulo e borboleta, histórias para criarmos asas por fora e por dentro.
Chover é o título dessa página que trouxe para degustação e recomendação de compra do livro, que é uma porta com portinholas como a da imagem, uma janela para você abrir uma fresta e escancarar, um arco-iris para dias de chuva e sol. A venda é direto com autora, pelo e-mail: paula.amaralanis@hotmail.com.
Põe sua capa ou abre os braços e deixa chover, deixa ser sexta-feira já que hoje é sexta-feira e deixa ser também sexta nas segundas ou terças. Deixa molhar e toma banho quentinho depois, chá de maçã, café com leite, chocolate quente, escuta os sons, sente o cheiro da grama molhada, para e observa as nuvens se abrindo, o céu clareando, porque o tempo muda o tempo todo no mundo e há tanta vida lá fora e dentro da gente, sempre.