31 de julho de 2013

Ses

Se tá cheio, dilua
Se está no meio, conclua
Se quebrou, concerte
Se aborrecer, delete
Se desmoronou, reconstrua
Se é presente, viva
Se é passado, evolua
Se tiver aborrecido, se distraia
Se estiver doente, se cuide
Se ganhar, distribua
Se está feliz, assobie
Ses emprestados da canção Que me continua de Arnaldo Antunes

25 de julho de 2013

Pelo dia do escritor

Dia 25 de julho comemora-se o dia do escritor, data promulgada após a realização do primeiro Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores, da qual Jorge Amado era vice-presidente. 
Registro minha homenagem a todos os escritores(as) citados e recomendados por mim, aos que nunca citei mas gosto, uma homenagem especial aos que escrevem poesias, aos que publicaram o primeiro livro esse ano, aos que fazem publicações em seus blogs e também aos que escrevem em cadernos e folhas de papel que as vezes ninguém lê.
Falando em escritores que nunca falei aqui, resolvi trazer um que nunca falei porque é uma recente descoberta: Moacyr Scliar é o nome dele, nascido em Porto Alegre, lugar que me lembra Chica, escritora e amiga (olha ele ganhando simpatia extra de mim). Era médico, além de escritor, duas lindas profissões.
Vou confessar que me empolguei e escrevi a beça. Como dizia na abertura de um programa da TV Cultura que eu assistia com meu filho quando ele era miudinho: "Senta que lá vem história".
Sciliar é autor de mais de 80 livros de vários gêneros, sendo as crônicas seu carro chefe. Em uma seleção de crônicas dele, reunidas em um livro chamado: A poesia das coisas simples, da Companhia das letras, organizado e prefaciado por Regina Zilberman, descobri que ele leu e gostou muito, como eu, do livro: O livreiro de Cabul, bom livro para ser indicado no dia de hoje, que embora eu já tenha lido está na lista dos que vou comprar um dia para minha coleção.
Como bem diagnosticou o médico escritor Scliar: "As pessoas que amam o livro, amam-no não só por seu conteúdo, pelas histórias que conta ou pelas ideias que expõe; as pessoas que amam o livro, amam-no também como objeto."
Não podia deixar de pontuar que comprei "A poesia das coisas simples" pelo nome e pela capa, embora acredite e valha para livros e pessoas, não se fazer julgamento pela capa, costumo comprar livros sem ler a descrição ou a orelha como geralmente se faz. A tal capa a propósito, é azul celeste e há passarinhos voando por ela. Recortei trechos de uma das crônicas dele, publicada por Moacyr Scliar em 1977 para trazer, segue:
"As perguntas feitas aos escritores são interessantes. Refletem a concepção de que a literatura se gera no escritório como resultante de uma conjuntura peculiar, de certas manobras, de determinados ritos...alguns escritores escrevem de pé (como Hemingway) e outros, deitados (como Proust)...Pergunta-se aos escritores como e por que começaram a escrever. Como, não é difícil de descobrir, mas o porquê, ah, o porquê."
São tantos porquês e "para ques", pessoais, coletivos, vocacionais, sensoriais. Palavras reunidas, garimpadas, enfileiradas, rabiscadas, digitadas, impressas, registradas, advindas de vivências, filosofias, fantasias, reflexões, relatos, sentimentos, sensações.
Scliar foi colunista dos jornais Zero Hora e Folha de São Paulo, escreveu e contribuiu com suas ideais e pensamentos para vários órgãos da imprensa e tem textos seus adaptados para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior. Em 2003, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e em 2011 foi escrever no infinito azul celeste.
Para fechar, vou divulgar e divagar sobre o Plano Municipal do Livro e da Leitura de Salvador, do qual faz parte da construção uma amiga minha, Adriana Gonçalves Reis, para quem mandei algumas sugestões e hoje está havendo uma conferência, na qual novos passos serão dados. A quem morar aqui e se interessar pelo tema está feito o convite a participar do evento, que será na Biblioteca Thales de Azevedo, às 14 horas.
O mundo precisa de muitos e bons escritores e de acesso e incentivo a produção literária. As pessoas precisam de boas leituras, pois, na minha opinião somos o que comemos, lemos, ouvimos, assistimos e o mundo precisa de gente sadia, esperta, gente bem resolvida, com acesso a informação, com opões de interação e intervenções fora do virtual, de pessoas com opiniões a dar, com esperança em mudanças.
Minhas contribuições não são do tamanho da necessidade de acesso e incentivo a leitura que a minha cidade precisa, mas foram feitas no tamanho exato de minha crença de que se cada um colaborar dá para melhorar.

19 de julho de 2013

Pequenas memórias

Pequenas memórias é o nome de um dos livros de Saramago no qual ele conta histórias de sua infância.

Moleskine é o nome de uma marca famosa, quase um sinônimo de cadernos de notas fechados por um elástico por fora, onde se anota geralmente  pequenas memórias.

A cadernetinha elegante é símbolo de status e referência no meio literário e artístico, grandes pensadores, escritores, artistas famosos, como Van Gogh, Picasso, Ernest Hemingway, dentre outros, rabiscaram em uma Moleskine.
A bem pouco tempo eu nem imaginava que essa marca existia, eis que Ana Paula (amiga, blogueira, escritora), publicou uma crônica em seu blog (ver aqui) sobre a tal, que é produzida por uma empresa italiana.

Exatamente no mesmo dia em que fui apresentada ao objeto pop, ao ir fazer meu cadastro na Livraria Cultura, estava lá, uma estante de cadernetas e sorri por dentro com a casualidade. Não resisti em conferir de perto e logo constatei o preço a altura da fama das belas originais  ai selecionei algumas curiosidades cinematográficas que pesquei após a minha intimidade com a cadernetinha.

No filme “O Diabo Veste Prada”, por exemplo, a personagem de Anne Hathaway anota tudo o que sua chefe pede ou diz em uma e em um dos filmes de Indiana Jones seu pai mantém as anotações de pesquisa em uma também.
O mais interessante para mim foi observar que até antes de saber que as tais Moleskines existiam e tinham histórias para contar, mesmo não tenho anotações nenhuma nelas, elas passariam despercebidas por mim naquela estante da Cultura ou em qualquer outro lugar.
Gostei de aprender algo novo e futilmente interessante e confesso que desde então desejo ter uma para chamar de minha, para quem sabe atrair fama e carreira ou para fazer anotações que virem histórias para contar, ainda que guardanapos, blocos, folhas de papel avulsas ou até o saco de papel do pão me rendam boas e produtivas anotações.

Eis então, que meu irmão me trouxe de Portugal, nada menos que da Fundação José Saramago, uma Moleskine, vermelha, a cor clássica da marca. O que dizer? Sem palavras e sem nem saber se de tanto zelo e encantamento a riscarei um dia.
Pequenas e grandes memórias, anotações e histórias a todos nós e uma sexta-feira inspiradora.

18 de julho de 2013

Saramandices



Pratrasmente, na Faculdade, eu tinha especial admiração por uma matéria chamada: Linguística. Nela estudávamos as variações de linguagem, pronúncias e expressões, de uma localidade geográfica para outra, os sotaques (que acho o máximo), as gírias, os muitos nomes de uma mesma coisa devido a cultura popular, as influências diversas e a riqueza que é a língua portuguesa.
Chegando ao shopping ontem, me deparei com invencionices da série global Saramandaia, sobre a qual eu já estava rascunhado cronicalizar. Lá estavam asas enormes representando o anjo da história; um espelho que refletia uma imagem redonda de quem se coloca-se diante dele; a imagem de São Dias, padroeiro de Bole-bole, uma homenagem ao criador da trama original, Dias Gomes e a todos os dramaturgos brasileiros.
A imagem do santo tem o rosto dele, nas mãos ele segura uma pena e um caderno. No manto: letras, máscaras de riso e choro símbolos das artes cênicas e multicores representam o lúdico e a criatividade. Uma outra criação exposta, era da cadeira cheia de raízes, onde fica sentado o personagem com raízes também, representado pelo grande Tarcísio Meira. Quando o sono não me vence assisto a mini-série e além de adorar o palavrês, gosto muito do folclorês, adoro por exemplo as galinhas imaginárias da personagem de Fernanda Montenegro
Pera! Tive de súbito uma revelação! Milagrices do tal São Dias? Ou terá sido o saramandês bolibolense que corre em minha veias a pedir reconhecimento? Dizem que crianças absorvem deverasmente como esponja o que ouvem, entendendo ou não, desde o ventre das mães. Dai uma elo de minha epifania sobre a minha mania e gosto por inventar palavras e adotar palavras inventadas pelos outros. Mas de fato apassarinhei-me, desfiz-me em entendimento como dente de leão ao vento foi na tal exposição. Lá, vi que a novela que originou a série passou em 1976, ano em que nasci e deduzi que a tv devia ficar ligada e eu ligada nela.

16 de julho de 2013

De cinza a laranja

Falei por aqui, por ai, ali e acolá, piei aos quatro ventos sobre não ter lido nem me interessado e lamentar pelos livros da famosa série cinzenta terem tantos leitores e vendas. Eis que passado o burburinho de tais tons, azulei com a publicação e leitura das Crônicas Gris, primeiro livro de uma amiga e escritora de mãos, alma e coração cheios: Ana Paula Amaral.
Já me sentindo mais beje, branca, branda e sem acompanhar os mais lidos e vendidos das livrarias, surpreendo-me, fico laranja e com bigodes ao saber que um livro de poesias bate recordes de vendas. Livro que comprei por indicação de meu irmão e seria para dar a ele, mas não será mais, engordarei a lista de vendas da Companhia das letras, pois o que está aqui é meu.
Estou multicor, é um fenômeno em nosso país um livro nacional e de poesia está na lista do mais vendidos. Leminski, o responsável por tal feito, nasceu em Curitiba, em 24 de agosto de 1944 e em 7 de julho de 1989 foi escrever poesia nas nuvens. Um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro que penso eu, teve por parte tanto da editora, quanto das livrarias, no lançamento e na visibilidade dada ao livro Toda poesia, o mesmo tratamento dado aos best seller´s de carteirinha, sem distinção por ser de um autor nacional e de um gênero pouco lido. Apostaram e confiaram na potência do autor e dos seus escritos e devem estar comemorando.
O resultado aproxima os leitores de bons autores, escritores e da poesia e quem sabe abra portas, janelas, estantes, para os escritores brasileiros, de longa estrada e novos, que alargue visões, poetize o mercado editorial e as boas escolhas de leitura das pessoas. Oxalá que assim seja!

15 de julho de 2013

A semente e os frutos

Em um papel ofício dobrado e amassadinho vindo lá das terras portuguesas, mais precisamente da Fundação José Saramago, pelas mãos de meu irmão amado (para puxar o saco e não perder a rima), palavras de José e sobre ele, entregues na exposição permanente que há lá Fundação, chamada: A semente e os frutos.
Lembrei dos tempos de Faculdade, fiz o curso de Letras Vernáculas e havia uma matéria chamada Metodologia científica, que deveria ensinar sobre métodos de estudo e pesquisa, mas o professor dava umas viajadas além do conteúdo curricular. Lembro que em um de seus dias de inspiração ele discursou sobre sermos o que semeamos, sobre uma semente de macieira gerar invariavelmente maçãs. Simples e filosófico assim! Para se pensar e praticar.
Voltando a Saramago, das primeiras linhas do tal papel, que vou espremer como laranja cheia de sumo, separei um trechinho para trazer para cá:
"Vivemos ao lado de tudo que é negativo como se não tivesse importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isso continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica". Palavras dele uma entrevista em 20 de fevereiro de 1994. A 19 anos atrás e tão atual, lamentável.
Tanto nós como o mundo em que vivemos é o que plantamos. E depois de pesquisar sobre a Fundação e andarilhar pelas terras, plantações, sementes e frutos desse autor que adoro, descobrir um ingrediente a mais no meu gostar dele. Amo azeitonas e Saramago amava oliveiras. Descobri que ele plantou em sua casa uma oliveira levada entre suas pernas no avião de sua terra natal. Aterrizou na ilha de Lanzarote sã e salva a viajante e ele cuidou para que ela se adaptasse vento forte e ao solo rochoso do lugar.
Numa cerimônia no primeiro ano de sua morte foi plantada uma oliveira centenária transplantada de lá de Azinhaga (sua terra natal) e ali foram colocadas suas cinzas. No local diante da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, há um banco de jardim e uma pedra mármore que faz as vezes de lápide, com uma frase do seu livro Memorial do Convento: “Mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia". 
A relação entre ele e a árvore foi eternizada e esse ano poeticamente reforçada com a plantação de uma oliveira de aço de cinco metros de altura em homenagem a ele, no mesmo local. As iniciais do seu nome compõe a escultura, um J no tronco e muitos S em suas copa.
Semeada a minha vontade de ir lá ver de perto, histórias Saramaguianas contadas, o recado de plantar para colher dado, deixo para finalizar meu desejo de uma frutífera semana a todos.

11 de julho de 2013

Impermanência e Coerência

Aceitar a impermanência nos permite tirar proveito dos altos e baixos, compreendendo a mutabilidade das coisas, dos sentimentos, das sensações, da natureza. Essa reflexão ficou fazendo eco em mim, bem como o nome de São Miguel arcanjo, por conta de um entrevista que vi com Miguel Falabella semana passada. E entre essa entrevista e uma outra no mesmo programa, pesquisas que fiz, lampejos de luzes e inspirações de anjos e arcanjos, descobri e reuni uma porção de curiosidades e historinhas.
A tradução literal para o nome Miguel é “Aquele como Deus”, fica a dica para repartimos os pedidos e orações entre o arcanjo e o imediato que por vezes deve ficar atolado de pedidos. Nos ensinamentos católicos o arcanjo é guerreiro espiritual contra o mal, entre os homens e internamente.
Os arcanjos Miguel (anjo dos anjos), Gabriel (o mensageiro) e Rafael (arcanjo da cura, da dedicação e protetor dos viajantes) são os mais venerados na Igreja Católica. Há outros e diversas histórias sobre esses três em outras religiões e no próprio catolicismo, que fica a dica, vale a pena conhecer.
Entre anjos, arcanjos a santos, fiquei me perguntando qual o sentido, onde está a coerência em se erguer e cultuar um templo ostentador dedicado a São Francisco? Simbolo de votos de pobreza, vida e obras de simplicidade e desapego. Estou me referindo a Igreja de São Francisco, uma das mais famosas igrejas aqui de Salvador (bem como devem haver outras por ai), conhecida como a igreja de ouro, linda por fora e por dentro que em seu belíssimo estilo Barroco destoa em coerência com o santo que representa, sendo internamente toda talhada em ouro. Calcula-se que foi usada uma tonelada de ouro nos douramentos. O santo não deve estar de acordo lá do alto e nem se sentir bem lá.
Ai fiquei pensando no pedido do papa para as delegações dos países gastarem o que gastariam indo ver sua pose, com os pobres, com os problemas de suas nações. Senti vergonha do tamanho da delegação e do gasto de D. Dilma. Não me senti representada por ela.
O pedido do papa e as mudanças de hábitos e posturas em seu pontifício é uma aula de coerência, é discurso e com exemplo, e isso dá liga. Falando em liga, liguei essa reflexão ao filme sobre Mandela que indiquei semana passada aqui: Invictus, que além da história de vida dele, é uma fonte de inspiração e motivação, com lições de perdão, superação, bom uso da impermanência, de união e civilidade é um guia sobre coerência, sobre começar por si e em casa o que queremos ver do lado de fora de nossas janelas.
Para finalizar vou dividir com vocês uma reflexão muito legal e coerente sobre as vezes na vida em que nós corremos atrás de algo que desejamos e parece que quanto mais pedimos aos anjos e santos, quanto mais querermos e quanto mais nos movemos, a coisa se afasta de nós. Nessa circunstância a técnica de parar pode ser a melhor forma de alcançar o que se quer, como quem corre atrás de um balão de ar e a corrida faz criar um vaco entre a pessoa e o balão e parar faz a atmosfera se acalmar e o balão vir. Ouvi de Falabella essa metáfora e ela entrou no meu manual.
Que aprendamos a viver na impermanência, que tenhamos fé, seja no que for, que sejamos coerentes e que saibamos distinguir as bolas de couro que ao avançar alcançamos e os balões de ar que ao pararmos vem a nós.

10 de julho de 2013

Comunicação. Eis a questão!

Sinto uma mania viral de quando falo (ou outras pessoas falam umas com as outras) e o ouvinte pensa, julga, faz correlações, numa velocidade incompatível, numa ruidosa dessintonia. 
Estou ensaiando comprar um livro que vi na revista de anúncios da Livraria Cultura chamado: Palavras que funcionam. Não é o que você diz, é o que as pessoas ouvem. É um livro voltado para a comunicação empresarial, que bem podemos aplicar os conceitos e práticas em nossas vidas e relações, afinal nas empresas e nas famílias ou ciclos sociais, há em comum a existência de regrinhas, leituras, entrelinhas e entremeios que envolvem pessoas, metas, objetivos e busca pelo sucesso.
Tenho chegado a conclusão de que as pessoas ouvem o que querem e também ouvem, vêem e enxergam o que são, o que tem como valores, verdades, vivências. Há portanto que se perceber o limite do outro, o universo, a linguagem, para como diz o dito popular não pregarmos no deserto.
O tempo todo da hora que acordamos a hora que vamos dormir, de bebês a idosos necessitamos nos comunicar e somos os beneficiados ou vítimas da qualidade dessa comunicação, estejamos conscientes ou não. 
Escolher as palavras, ouvir atentamente, sem rótulos, elimina ruídos, promove entendimento, engrandece a comunicação e com isso as relações.

9 de julho de 2013

Rachi o quê?

A utilização do símbolo # (hashtag) vem se expandindo e marcando presença. Antes ele era usado esporadicamente para confirmação de procedimentos via telefone e em alguns aparelhos fixos a tecla com esse símbolo tinha (tem) a função redial (que redisca automaticamente para o último número chamado).
Falando em discar que agora se chama digitar, lembrei dos telefones de disco, que com o dedo dentro da vaga do número se ia até o fim de linha e voltava. Quem não usou ou mexeu em um deve estar sem entendimento sensorial do que estou dizendo.
O hashtag também chamado de lasanha, jogo da velha e outros nomes pitorescos é agora muito usado como ferramenta de comunicação nas redes sociais e como peça-chave de campanhas publicitárias. Com quatro riscos dá-se uma nova roupagem, um upgrade em expressões, marcas e tudo acompanhado por ele assume uma visualização e identidade descolada e jovem.
Na rede do passarinho azul, quando o usuário clica em uma # ele obtém acesso imediato a todos os outros # (lá chamados de tweets), sobre aquele assunto.
Existe uma disputa por ser top#. Entre os britânicos, #stayonyourfeet está entre as favoritas do ano, a frase, que quer dizer "fique em pé" em tradução livre, foi usada por um comentarista de futebol inglês durante um jogo da Liga dos Campeões entre o time espanhol Real Madrid e o inglês Tottenham Hotspure virou mania, uma nova mania de criar gírias e jargões.
Alem de moda o danado do # economicamente falando, assumiu valor agregado, uma vez que é uma ferramenta de custo zero, empresas e marcas não pagam para criar uma hashtag, o que a torna acessível a qualquer anunciante.

8 de julho de 2013

Lógica e poesia

Quando comecei a estudar pela primeira vez lógica, para concurso público, descobri que não há muita lógica na lógica e isso me deixou encafifada. Os exercícios, raciocínios, perguntas e respostas subliminares dão um ar interpretativo as questões e a interpretação geralmente não leva a resposta certa. Um professor explicou em uma das vídeo-aulas que assisti, o conceito dele sobre lógica e achei uma pérola poética, vale para se ver com poesia, para ver coisas onde aparamente não há, como sugere o personagem escritor de Morgan Freeman no filme: O reencontro, que super-recomendo. Ando recomendando muitos filmes por aqui e semana passada falei inclusive de um com esse mesmo ator, parta mim uma sumidade.
Voltando ao professor e sua definição, ele disse que lógica é procurar por um chapéu preto em uma sala escura sabendo que ele não está lá.
Poesia então é lógica pura, histórias, sonhos, tudo muito lógico, matemático, garantia de multiplicações, divisões, somas e algumas subtrações que fazem parte da vida, que dimensionam o valor do que temos.

7 de julho de 2013

P qd td ficar p&b

Amanhã é segundona e segundas-feiras, dias  atípicos, situações tensas, angustiantes, momentos em que estamos sem paciência, assoberbados, cansados, da vontade total de dizer: Parem o mundo que eu quero descer! Não é? 
Não! Não é o meu caso hoje, tô só ponderando para quando eu estiver assim, me auto-aconselhar e quem sabe dar um sacode em alguém que esteja.
Quando bater o desânimo, seja pela segunda ou por qualquer outro motivo, podemos parar o mundo que gira freneticamente em nossa cabeça e se der para parar o movimento ao redor, melhor ainda.
É indispensável parar, pausar, combater o que nos põe para baixo, desacelerar, diminuir a marcha, o ritmo e seguir em frente, porque o mundo e o tempo, como dizia Cazuza, não para. Colorido domingo a todos!

3 de julho de 2013

Barcos, ilhas e nós

"Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas, se tal me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse. Chegar sempre se chega”. Frase de um conto sobre a busca de uma ilha que não consta em nenhum mapa, em um livrinho pequenino e cheio de lições, chamado: O conto da ilha desconhecida, de Saramago. Eu ainda não tenho ele em minha coleção mas já o li mais de uma vez e sempre recomendo por ser uma leitura breve, uma história de paralelos com as histórias e vidas de todo ser humano, suas buscas, pensamentos, encontros.
Um homem buscava um barco e após tê-lo a sua disposição procurou por marinheiros, que não quiseram ajudá-lo na busca pela tal ilha que não existi no mapa. Eles não queriam sair de suas vidas tranquilas e sair à procura do “impossível”. É preciso coragem, esperança, obstinação, paixão para sair em busca de algo que não se vê e não há garantias de sucesso. E como em muitas histórias de vida, o homem encontra uma parceira, a mulher da limpeza do palácio do rei que lhe cedeu o barco e que sai pela porta das decisões para acompanhá-lo. Adoro esse nome dado a porta por onde ela sai, por onde nós saímos e entramos tantas vezes. "Cada escolha uma renúncia", ter isso em mente faz toda diferença e nos faz abrir as portas com mais consciência e mais envolvimento e as portas deixadas para trás ficam lá, fechadas.
E no conto, um completou o outro e as mãos dadas rumo ao desconhecido é a compreensão das verdades e dúvidas escondidas na alma (como uma ilha) que ainda que sem mapa, como é cada alma, pessoa e coração, é real, possível e habitável.
Sonhos que se sonham juntos, sonhar além do que se vê e se entende, do que possa ser só sonho, navegações para além mar, além razão, facilidade e com resistência para as adversidades em prol do porto seguro. Eles nomearam o barco de “Ilha Desconhecida” e como ocorre na vida e nos nossos barcos se lançaram ao mar, a procura e ao encontro de ilhas conhecidas,  desconhecidas e deles mesmos.

1 de julho de 2013

Justo em julho

Justo em julho começa o segundo semestre do ano
Acho justo e propício fazermos um balanço
Jurar em julho fazer melhor ou igual ao que já fizemos
Juntar tudo que sobra, que é luxo e dividir
Roupas, sapatos, livros, objetos entulhados
Nas gavetas, nos armários
E de coração transformar em doação
Jogar fora tudo que é lixo
Reciclar o que der para reaproveitar
E incinerar o que for poluente e nocivo
Isso vale para coisas concretas e abstratas
Justo em julho sejamos mais justos
Busquemos ficar juntos dos bons e justos
Juntando todo o meio ano que já passou
E mais um meio ano novinho em folha que temos pela frente
Acreditemos, busquemos, sejamos com as lagartas
Que justo quando parecem que vão morrer viram borboletas