Não sei se já contei essa história por aqui, se sim, conto de novo, afinal tem histórias que vale contar e recontar, ler e ouvir infinitas vezes.
No meu primeiro apartamento de casada, no primeiro andar, ia a janela um passarinho que parecia querer falar algo, conversar, nos visitar.
Agora no nosso mais novo endereço de morada, no 16º andar eis que um passarinho está sempre a espreitas pela caixa do ar-condicionado, dando passinhos e pulinhos pelo peitoril da janela e da varanda, dando pius, cantarolando e retorcendo o pescocinho para espiar.
Contento-me e alegro-me apenas em observar ele, seu biquinho, olhinho, seu mexe e remexe, arrepiar de penas. Pensei em dar-lhe abrigo em dias de chuva, umas sementinhas para ver aquele peito estufado e farto, água fresquinha para beber, mas ele sumiu quando pus as ofertas na janela, como quem diz: - Venho sem nada pedir moça!, ou: - Não aceito pagamento!. Acreditem, tirei tudo e ele voltou.
Já ia me esquecendo de dizer que ele tem nome, Possível é o nome dele. A origem do nome é a seguinte: eu disse para meu marido que esse passarinho estava sempre por aqui, contei que ele entrou pela janela do meu quarto e andou pelo móvel, que parecia me chamar as vezes e brincando disse que podia ser o do primeiro ap que nos reencontrou. Em dia de pensamentos filosóficos e infantis, perguntei se era possível esse passarinho ser o mesmo sempre, eis que meu marido e filho batizaram ele.
Se é possível que seja o mesmo pássaro, se ele vem na minha e em outras mil janelas, não importa, o que importa é que ele me faz feliz, como nenhum outro passarinho garboso e de espécie rara, faria dentro de uma gaiola.
Ontem final da tarde ele me espreitava enquanto eu estava no computador e pensei: nunca tenho uma máquina de foto quando ele aparece e eis que ali ao alcance das mãos estava a máquina, porém a janela do quarto estava fechada e arrisquei até um click, mas não ficou legal. Dia desses tiro um outro retrato, pois não é possível que não vou estar um outro dia com a máquina ao alcance e possível fazendo poses, sem vidros e com céu azul ao fundo.