A imagem acima é da torre da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora no bairro de Nazaré, onde nasci e cresci e onde os sinos batem as seis da matina, ao meio dia e as dezoito horas, quando meu filho bem pequeno, nos fazia correr para praça, todos os dias, religiosamente para ver. A foto foi tirada na volta pra casa no dia da entrega dos lenços, que não foi em nenhum dos dias que idealizei, após arrecadar os muitos lenços
enviados de todo o canto do mundo via correio na Campanha que nomeei de Lenços
que curam.
Doei toda a arrecadação ao
NACCI uma casa de apoio a pacientes com
câncer e suas famílias, pessoas que enfrentam a doença sem ter condições
financeiras e emocionais, vindas na grande maioria dos interiores da Bahia. Um lugar onde encontram além do apoio de moradia e afetivo, encaminhamento para
o tratamento em hospitais públicos parceiros, remédios, esperança de cura e amor dado por voluntários que
trabalham pelo bem comum. Tudo a base de doações que as vezes são muitas, as vezes
poucas, de notas fiscais, alimentos, material de limpeza e higiene em menor escala,
roupas, mas eles também precisam de dinheiro e arrecadações mão a mão, por empresas, pequenas e grandes, por campanhas e por esforços individuais para que o dinheiro entre e pague as contas de luz, água, telefone, manutenção, infraestrutura, transporte dos pacientes
e todos os gastos que uma casa comum e uma desse tipo tem.



Uma casa de apoio, apoiada e acompanhada pelas janelas por torres, como a da
Igreja de Nossa Senhora da Divina providência, total sintonia e comandada regiamente pelo presidente e
fundador, Clayton Oliveira, antigo morador de um prédio vizinho ao meu nos idos
da infância e da adolescência lá no bairro de Nazaré, seu irmão era uma pessoa atenciosa e benta e hoje
é padre, sua mãe parceira e apoiadora de seu projeto, vi numa foto parede de uma das salas com o papa João Paulo II, do lado de quem hoje ela está. Uma família sem dúvida divina. O lugar não tem luxo, mas tem de sobra organização, higiene, receptividade
e essas vistas abençoadas retratadas a cima.
O bairro onde a antiga construção está
localizada, se chama Saúde (Amém!), velhinha por fora, cuidada e conservada
por dentro a muito custo. A casa fica em uma rua
pobrezinha, com problemas de violência a tráfico, mas Deus toma conta e Nossa
Senhora do Rosário dos Pretos também vigia dali de pertinho, do Pelourinho além de outras santas, anjos e orixás, que creio dão proteção ao lugar e a quem por ali está e passar.
A falta de receptividade foi um dos motivos das entregas não terem sido
feitas em outros lugares, nos mais pops ou em alguns que me indicaram e que não
tiveram desde boa vontade e horário disponível a julgamentos sobre a importância e serventia dos
lenços para os pacientes. Lugares onde foi sugerido deixar os lenços na
portaria ou recepção, que segundo depoimentos agendam as doações para que providenciem
a organização e limpeza do local, lugares que atendem pessoas carentes e
pessoas que podem financeiramente arcar com o tratamento e comprar lenços e foi as que podem que
direcionaram as doações. Lugares que se interessaram pela campanha, mantiveram
contato, cortaram e realizaram projetos de incentivo ao uso e doação de lenços individualmente. Fui ainda questionada quanto a minha religião, se os lenços eram novos ou
usados, se eu tinha o diagnóstico da doença e sendo que não o porquê de doar,
caras, bocas e um desdém velado: Lenços?

Sim! Lenços! Muitos e de muitas estampas, tecidos, todos lindos e enviados com carinho, esforço e que fazem
diferença, enfeitam, acalentam, levantam o astral e eu estava decidida a
entregar nos corredores do hospitais os lenços sem marcar ou pedir autorização
das partes competentes e incompetentes, ai na sintonia das boas energias e
crenças em comum das coisas simples que podem ser coisas grandes, de que qualquer
hora é hora para receber quem quer ajudar, qualquer boa intenção, religião
vale, fui juntamente com minha mãe recebida pelo NACCI, seu fundador, pacientes
e funcionários como que sendo da família e fizemos uma farra de bate-papo, escolhas e amarrações
dos lenços, sem pesares ou frescuras, tiramos fotos, rimos, confraternizamos.
Mães ganharam lenços mesmo não estando doentes, para os filhos se animarem, se verem nelas,
para o lenço não ser uma marca e sim um charme. Guardei um e amarrei na cabeça de minha
vozinha quando cheguei na casa de minha mãe, cheia das boas energias que colhi
e ela se achou a bonita. Dei alguns a outras pessoas contando que os frutos serão
colhidos pela casa de apoio ou por alguém próximo, seja pelo exemplo, pelas fotos que serão tiradas ou pelo uso de lenços sendo desmistificado e popularizado.

Um menino com cabelinho já
crescendo me disse que queria raspar para ficar igual aos outros. A menina que
está o site e no panfleto da Campanha de pedido de doações, Silvany o nome
dela, puro charme e simpatia, está já com as madeixas grandes (ela é a segunda da esquerda
para direita na foto, com um lenço vermelho no ombro). Gabriel, o garotinho na
foto abaixo, ao meu lado e do moço que carregou as sacolas de cima para baixo, foi o fotógrafo. Um menino com nome de anjo que foi um anjo de menino.

Obrigada a todos e registro do santo do dia dessa publicação da doação: dia de São Graciano, graças então e de brinde
clica
aqui, para ver uma Campanha de final de ano, que vi
nos blogs de duas amigas que desenharia como anjas e colaria na parede de meu
quarto se fosse adolescente, quem sabe um dia eu tenha um ateliê de arteirices e elas e tantas ouras pessoas queridas estarão lá em escritos, desenhos,
cores, na imagem de uma joaninha, no azul gris, em trilhos de trem, notas
musicais, em coisas simples, lenços, livros, listas, detalhes que inspiram,
agregam, iluminam por dentro.