26 de janeiro de 2015

Sobre muros e pontes

Tantas histórias na história e no cotidiano
De pessoas que aos invés de se deter
De construir murros
Constroem pontes
Pessoas que usam as asas que tem por dentro
Que enxergam além do que vêem
"Se os seus olhos falassem, o que diriam?"
Uma das frases de um dos personagens de uma linda história
Um homem com coração de acordeão 
Uma mulher tempestade que tem um arco íris escondido 
Uma menina que amava livros 
Um garoto com cabelos cor de limão 
Um rapaz encantado 
Uma história humana e poética
De vidas cruzadas, de esperança, amizade e amor
Cercada e recheada de drama, guerra, intolerância
Narrada por ninguém menos que a morte 
Aplaudo desde que vi a primeira vez e a mais duas
Tanto a história, quanto as atuações
Talento e sensibilidade na criação dos personagens e do enredo
Com registros históricos, poesia, filosofia 
A última vez que vi
Após ter recomendado a marido que achou ser pesado pelo trailer
Foi por escolha dele que assistimos
Quem nunca assistiu a filmes fora do estilo desejado
Para acompanhar o ser amado
Pois então, assisto quase tudo
E tiro o que as vezes é subterrâneo no que não gosto
Mas empaco com tiroteios, mortes e afins tarde da noite
Com ressalvas para se assim for
Depois rolar desenho animado antes de dormir
E lá estava, algo marcado na tv como reservado
E marido nada de dizer o que era e eu nada de clicar para ver
Ele então disse que era um filme com muitas mortes e guerra
Eu murchei e dei um riso de canto de boca, mediante sorriso largo dele
Quando o nome apareceu sorri largo também
Esse pode foi a tradução do meu sorriso e o saber do dele
Não me apaixonei só por Liesel e me identifiquei pelo amor por livros 
Amei o amigo do porão e irmão de coração
Que fez do livro nocivo, páginas que pediam:
Escreva
Que nas conversas com a menina
Sempre escolhia as palavras com simplicidade
E com sabedoria, doçura e paixão
O menino Rudy
Cheio de energia e amor, é apaixonante
Pai e mãe da menina, diferentes e igualmente guerreiros
Doces e unidos, ele por inteiro, ela no recheio 
Até da morte gostei, do seu narrar, ver além da vida, ver assim:
"O ser humano não tem um coração como o meu
O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo
Tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa
A conseqüência disso
É que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor
E de pior
Vejo sua feiura e sua beleza
E me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas"
Amei a parede no sótão cheia de palavras e a neve levada até lá
O dia lá fora descrito pela menina para seu amigo, pintor, poeta
"As palavras sempre ficam
Lembre-se sempre do poder das palavras 
Quem escreve constrói um castelo
E quem lê passa a habitá-lo”

16 de janeiro de 2015

Sobre a parcimônia

Ilustração de Penelope and Pip
Parcimônia, que parece um mix de: par, paciência e cerimônia, é uma palavra pouco usada e de muita serventia seu significado, que tem como sinônimos: medida, temperança, moderação, frugalidade, prudência. Na psicologia é de muito uso, pelos benefícios comportamentais das tais cautela, calma e paciência, recomendadas para todos os casos, qualquer idade ou situação.
Fica a dica, a auto-dica, porque também me escrevo e leio e sou normal tá, na verdade acredito que nem meu conterrâneo Caetano, que de perto ninguém é. Uma sexta na medida e um final de semana também. Paz e bem! Axé! Amém!

15 de janeiro de 2015

Por mais comunhão que comparação

Ilustração sem assinatura
Cheia de ternura
Que estava nos meus guardados
"Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação." Manoel de Barros, de escritos, poemas, do céu, das estrelas, caramujos, borboletas, passarinhos, crianceirices, fantasia, realidade, finitos e infinitudes.

14 de janeiro de 2015

Sobre tacos e assuários

Apois, foi palavrinha que muito nos inícios, meios e fim de contações enquanto estive pelas bandas da Chapada Diamantina. Traduzindo seria genericamente Pois então. Duas outras trouxe no bolso para cá pois saíram do passado para me visitar. Tacos eram o piso da casa de meus pais, de tantas outras pessoas a minha volta, alguns sempre soltos onde tropeçávamos, onde o restinho do lixo que a pá teima e não pegar e vassoura fazendo de juntar espalha, iam para lá. Junto com eles aterrisou as enceradeiras, tão majestosas, barulhentas e modernas. Uma fascinação para o olhar e o brincar da infância. 
Assuário eu li num anúncio, placa, nem me lembro ao certo, anotei conforme estava escrito e pensei que falei muito e podia jurar que era assoalho a palavra. E é. Me achei a sabida e assim é o piso de parte da casa de minha mãe, Quarto onde eu dormia, corredor por onde ir e vir é uma sinfonia de rangidos e o piso sala da frente como chamamos, pois fica na entrada da casa, que é a frente pois no fundo, cozinha e quintal é onde passasse a a maior parte do tempo e no fundo do quintal, numa casinha tipo puxadinho, morei muito tempo. Enfim, lá tem 3 salas, eu não dou conta de limpar e decorar uma e lá tem três. Essa principal de estar, onde quase nunca está ninguém atualmente, a sala principal e a copa, que é uma sala de jantar por assim dizer.
Palavrices compartilhadas e histórias contadas, como petizou Eduardo Galeano, os cientistas dizem, que somos feitos de átomos, mas na verdade somos feitos é de histórias. E na história da minha ida a Mucugê, uma casa que avistei do ônibus assim que chequei por lá, cansada da viagem longa e que alumiou meus olhos o P&C na plaquinha, letras do meu nome e do de marido, tipo boas vindas, que na primeira saída de celular em punho fotografei e ai está a fotografia. A casa laranja ao lado pode ser para você Ana, na nossa imaginária estadia um dia. Com mesinhas na calçada pra proziar, falar muitos apois e já que é imaginação, Chica na outra casa ao lado, Carol, Alê, Ivani, Beatriz, Nanda e quem quiser se achegar.

13 de janeiro de 2015

Que cada um pense o que quiser

Uma chave que abre várias fechaduras é uma chave mestra
Se ainda não tem uma, providencie e abra a porta do f...
Lugar comum hoje em dia as pessoas tirarem selfies, tirarem fotos porque precisam publicar, anotar uma coisa ou outra, acompanhar notícias, modinhas, filmes que estão no cinema para comentar em seu blog ou site e lugar comum também é isso incomodar algumas pessoas, do tipo que se incomoda com o bater de asas das borboletas.
Para os críticos (vale pontuar que qualquer um hoje em dia se acha habilitado a opinar sobre tudo), há muita diferença em escrever para um blog ou ter um blog e escrever para um site ou ter um. Tão possível e raso ou fundo as duas opções, que nem perco meu tempo discutindo, mas resolvi despressurizar. Para os sem noção de plantão, Blog é coisa de desocupado, de pouco público. Santa limitação Batman! Tenho mais visitas diárias e comentários em meu blog que muitos sites e muita gente que se acha popular tem em seu face e instagram, ou sites de produtos e olha que meu site nem é estourado como diz a gíria do momento. Mas tenho muitas visitas, likes, comentários e não me gabo por isso, não é isso que me faz escrever, compartilhar coisas, é porque me dá prazer, me agrega, faço por pessoas que sei vão gostar de determinada coisa, por muitos que me acompanham assiduamente e que em seus blogs falam de meu blog e de mim como parte de suas vidas, como responsável por mudanças de atitudes, por frescores e cores, enfim. Nessa de que quem tem sua boca fala o que quer, sou da ideia de que minha responsabilidade é pelo que digo, escrevo, penso, sinto. O que os outros entendem já não é mais comigo. Pronto, falei.

7 de janeiro de 2015

Das ausências

Sensibilidade virou sinônimo de frescura. Tempos modernos! Se importar ou sequer saber cor preferida é bobagem. Cheiros, sabores não despertam sensações e sentimentos além dos pessoais. Todos e tudo raso, prático, independente. Infelizmente!
Para mim a loção de barba Bozano tem cheiro de abraço de meu avô. Chocolates Prestígio e Chokito tem gosto dele chegando da rua. Ovos de Páscoa, biscoitos paciência, sonhos, pão de açúcar e pão doce tem gosto de meu padrinho.
Ser elogiada até pelos meus defeitos, abraços sorridentes e largos são ausências sentidas por mim deles dois, a cada queda, solidão, em dias comuns, em datas festivas. Ausências que são presença, como a ausência de quem ainda não se foi, dos que estão perto mas longe de serem quem já foram.
Ando ausente pelas minhas ausências, por falta de inspiração e motivação. Agradeço as visitas, comentários, e-mails, amizades, carinho, volto com histórias, fotos, fatos, poemas, crônicas. Por hoje para encerrar, segue encerramento de um dos escritos de um poético e genial escritor dentre os muitos queridos meus que se foram no ano de 2014. Ano morno, quando não gelado, do qual guardarei para sempre o aquecido, doce e ímpar encontro com amigas de blog, ida a Bienal de Sampa, sabores e magia da Liberdade, fantasia da realidade diária de tantos que foi andar de metrô. Metros e milímetros de pequenas coisas, grandiosas de sentimentos bons.
"Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso. É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos. Claro que são para crianças. Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão" (De: As mais belas histórias de Rubem Alves. Lisboa, Edições Asa, 2003).

5 de janeiro de 2015

Para fazer de conta e acontecer

Segue mensagem que recebi na virada do ano
Com amor e carinho pertencentes e transbordantes em que me mandou
Trouxe para cá para dividir e multiplicar
Para fazer sonhar e realizar
Porque de faz de contas fazemos lastro e criamos asas
"Faz de conta que o céu tá bonito
Que a saudade é pequena e que a fé é muita
Faz de conta que a dor foi-se embora
Faz de conta que ama e que é amada
Faz de conta que nada mais sangra
Que o sonho, não acabou e que o riso é constante
Faz de conta que num piscar de olhos a gente constrói o que a gente quiser
Faz de conta que o amor é tanto que corre das veias e chega sobrar
Faz de conta que a inocência ainda existe e tá pertinho da gente
Faz de conta que as  pessoas que a gente gosta aparecem em sonho
Faz de conta que o fio da vida é longo e que nele cabe a eternidade
Faz de conta que as cantigas ocupam o lugar do choro
Faz de conta que a gente consegue desatar os nós de marinheiro que a vida dá
Faz de conta que não é preciso inventar"
Cris Carvalho

2 de janeiro de 2015

Primeirices

Primeira sexta do ano 
Primeira publicação do Blog
Primeiros bons desejos 
Comentários 
Que o que é bom seja farto
Que 2015 não seja raso em alegrias 
Benfeitorias 
Primeirices e continuidades