Desejo: “vontade de possuir”,
segundo o dicionário. Na prática o sentimento ou instinto é misturado
inadvertidamente com avareza, gula e todos os 7 pecados capitais. Muitas
pessoas infelizmente não conseguem perceber a linha tênue que existe entre vontade,
necessidade, capricho e limites.
Desejar é saudável, mas com
moderação. A listinha de desejos tem que ter desde coisas compráveis a prazeres
inegociáveis. As pessoas querem coisas e querem tudo de vez e para ontem, as vezes nem sabem o que querem e geralmente essa busca desenfreada por
experiências, experimentos, objetos de desejo, são o retrato de carências, fugas, busca em realizar-se com felicidades que são passageiras.
As pessoas passam horas de seus dias assistindo televisão:
novela, futebol, séries ou "conversando" e "interagindo"
nas redes sociais e reclamam de filas que demoram 5 minutos e não tem tempo
para ler e não tem tempo para fazer a tarefa com o filho, para colocar e tirar
a mesa pra tomar café, almoçar, jantar. E é nessas pequenas vivências que mora satisfações, emoções, a família, o casal na mesa, a disputa e aperto no sofá, disputa por um lençol, nada de um para cada para não ter briga, dividir é legal, esperar, ceder, dar a vez.
Quantas matérias você vê, ou
quantas pessoas você ouve conversando e comentando sobre peças de teatro,
leitura, receitinhas caseiras? Poucos. Porque? Porque são poucas as pessoas que
se dão ao trabalho de cozinhar, por a mão na massa mesmo, com prazer, poucos tem o hábito de ir
ao teatro como tem de ir ao cinema, exceto para peças famosos e super populares, reclamando do preço do ingresso como não
reclama do preço dos shows e contas de barzinho de toda semana e que custam o dobro.
Ler livros, também não é hábitos de muitos, pelos menos dos que conheço, ou se leem todos leem ou leram o mesmo livro e não ler te coloca completamente fora de moda e te deixa sem assunto,
pois até assuntos tem que ser o da moda, variar não rende papo.
Em plena era e efervescência
digital, quantas pessoas se dão ao trabalho de pesquisar algo de útil? O Face chegou
às massas, porque essa é a moda, todo mundo tem, do flanelinha ao empresário,
mas a busca se resume a conhecidos, rivais, fofocas, a busca de conhecimento, cultura, movimentação social, são um uso lamentavelmente pequeno.
Desejo que as pessoas sejam mais curiosas, se instruam, busquem conhecimentos diversos, fúteis, inúteis e agregadores. Ouço frases e expressões como: Carpe diem e tantas outras, ditas e repetidas, sem noção do que realmente querem dizer, apenas repete-se por achar bonito, por achar que quer dizer pegar geral, tomar todas, aproveitar a vida loucamente. Oh God!
Lembrei da recente e ainda atual moda Moustache como é
chamada, todo mundo usando e querendo e nem a vendedora da loja, nem meia dúzia
de pessoas a quem perguntei sabia o que significava. Será que só eu sou curiosa?
O tal bigode é um símbolo na luta contra o câncer de próstata masculino, a marca foi lançada
na França, é como o nosso espiral, símbolo da luta contra o câncer de mama.
Só para constar "Carpe diem"
é uma frase em latim de um poema escrito por Horácio, que segue, em latim e traduzido.
Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint
Leuconoe, nec Babylonios temptaris numeros
Ut melius, quidquid erit, pati
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat
pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces. dum
loquimur, fugerit invida
Colha o dia, confia o mínimo no amanhã
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você
Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque
É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas
rochas da praia com as ondas do mar
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas
esperanças
Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós