30 de julho de 2014

Momento style and friendship

Finalzinho do mês, um mês de modelitos além dos habituais por conta do inverno que é quase uma piada em Salvador, mas sentimos frio tá e também precisamos tirar casacos e roupas mais quentes do armário para nem que seja darem uma volta. Resolvi hoje falar de estilo, com indicação direta e afetiva ao blog de uma amiga fashion, do chique ao básico que mora em meu coração com status de griffe, ela é style desde o sobrenome e muito simpática, doce e do bem, Nanda Pezzi, essa da foto que estou publicando sem autorização prévia para fazer surprise. Clica aqui para se inspirar e conhecer ela, que fez aniversário na semana passada e a amiga aqui só se deu conta nos 45 do segundo tempo.
"Estilo não é uma questão de estar certo ou errado é uma questão de ser quem se é", definiu a autoridade em moda masculina Bruce Boye. Eu concordo plenamente, acho que tem gente que combina com um certo estilo e tem gente que não combina, seja pelo tipo físico, pelos traços, mas principalmente pela atitude, pelo conjunto de coisas que para mim estão associados ao que se veste, que compõe o visual, como gostos musicais, locais frequentado etc.
E sendo sintônica a composição, cai bem, seja estiloso ou cafona, o que seja a identidade de cada um, valendo é claro experimentar algo que não tem a ver com a gente, para brincar, testar, seja do nada, por um estalo ou em fases pontuais de mudança: de idade, de cidade, de país, de estilo de vida.
Acho que vale ter nem que seja um referencial, que os outros e nós identifiquemos em nossas roupas e acessórios, seja a preferência de uma cor, de uma peça, de um tecido. Você, diz ai, o que acha? Gosta de moda? De acessórios, acha que a roupa é parte da identidade da pessoa? Qual sua cor preferida?

29 de julho de 2014

Sem conexões, pode ser?

Essa ilustração pescada na net, tem uma assinatura
Paúho é o que leio
Procurei e não achei nada sobre
Quem souber ou achar, trás pra cá
Como homenagem, dessas tipo sem motivo especial
E sem dizer o nome
Vi nela uma amiga, que gosta da cor laranja
Ela vai saber e quem souber pode dizer
Interessante observar e refletir como criança separa tudo, as percepções, os processamentos de sentidos e sentimentos, tudo divididinho. Não lhes ocorre simultaneidades, já os adultos tem a tendência e atualmente a agravância, de colocar tudo em uma vala comum, uma síndrome coletiva de simultaneidade, correlações, quase que uma mania de conspiração. Como diz uma nova personagem de uma das novelas globais: "- Aff com 3 f".
Vale pensar como criança, separadinho e sem muito questionar ou correlacionar. O bicho não vem! Vale olhar para trás, para frente, vale até olhar sem agonia para os dois lados, o que não vale, não tá certo, é querer olhar, ouvir, interagir com tudo a nossa volta. Olhar 360 é coisa de coruja, cada ave e cada macaco no seu galho, cada coisa a seu tempo, no seu lugar, nem sempre tudo conectado. E tenho dito! Barquinhos a navegar em rios ou alto mar, sem muitas voltas dar.

25 de julho de 2014

Ode ao adeus

Pintura de Joan Miró
"A vida é um sopro", bem definiu o poeta arquiteto Oscar Niemeyer. E num sopro se foi na sexta passada, o mestre letrado e simpático João Ubaldo Ribeiro. No dia seguinte para o infinito e além, além do infinito que em vida foi, se foi o mestre Rubem Alves. Fiquei vazia de palavras, assim como o mundo literário ficou e dei um tempo de uma sexta a outra. Entre esse suspiro, e homenagem escrita e agendada, anteontem, Ariano Suassuna, estrela da terra e lonas dos circos foi para o firmamento.
Sexta-feira dia de todos os santos aqui na Bahia, de toda roupa ser branca, todo canto, conta, toda renda, como diz a canção e reza a tradição. Branca é para mim a cor do luto, cor da paz, que emana luz e todas as cores. Durante a semana, relembrei, reli, pesquisei os ditos e escritos dos três. Do que escrevi e transcrevi nas tantas postagens aqui, com citações, reverência, essência e adorno de Rubem Alves, separei algumas publicações, para quem já leu reler, quem não leu, ler, comentar, compartilhar, é só clicar aquiaquiaquiaqui e aqui.
Dar adeus a pessoas queridas, as de perto e as de longe, mas de dentro, varia no que tange as reações, sentimentos, processamento, de acordo a quem seja, a como estejamos e a tantos outros fatores que estão diretamente ligados a como lidamos com a morte. Publiquei no dia da partida dele em meu instagram e recortei para trazer para cá, o que segue: "Os mágicos conhecem o segredo, só porque não vemos uma coisa não significa que não está lá" e assim é com os que se vão  Não creio que morrer é não ser mais visto. Creio que enquanto formos lembrados, seja nosso nome, causos, seja quando alguém vê uma flor, um pássaro, uma cor, um doce que gostamos, estaremos vivos.
O doutor, professor, filosofo recheado de poesia, com cheirinho de passarinho molhado pousado em uma carregada jabuticabeira, vizinha a um ipê amarelo dourado em flor, disse o que segue e que encerra essa ode ao adeus, essa homenagem, esse sopro que ele foi e deixou e nunca vai se apagar: "A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festas de aniversário."

24 de julho de 2014

Hemisférios rei e palhaço

Foto de Ricardo Sena

"A alma humana divide-se no hemisfério rei e no hemisfério palhaço
O que há de trágico é ligado ao primeiro
E o que há de cômico, ao segundo
O hemisfério rei se complementa com o hemisfério profeta
O hemisfério poeta, com o palhaço
No meu entender
O ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência
O sonho e o riso"
Salve o nordeste!
As xilogravuras
Salve o cangaço tão mal visto!
Salve os circos mambembes!
A Cultura popular
Salve Ariano!
Caetana, como é chamada a morte nas bandas de Suassuna levou ele, mardita e prevista para algum dia a danada. Mas o levou sem sofrer, sem o acamar, sem o deixar perder a alumiada lucidez. Ele passou aqui por Salvador esses dias agora, deu uma de suas aulas teatro no maior teatro daqui e nada de chamados, avisos, matérias na tv local, nem em jornais, nem em programas voltados para divulgações do que acontece de bom na cidade, nada de chamados de hora em hora, como para show´s, bares e apresentações teatrais "pops". Está tendo aqui uma Exposição na Caixa Cultural sobre a obra dele e também nenhum chamado ou aviso. Talvez agora que ele se foi e por conta disso eu soube, se faça a devida divulgação. Como ele questionou tantas vezes sobre muitos artistas americanos em suas polêmicas declarações: Serão lembrados daqui a décadas, ou daqui a cem anos? Não! Ainda bem! Ele será! Imortal, como decretado na honrosa e merecida cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, na literatura, na história, na cultura popular. Os dois hemisférios ficaram ontem mais pobres, tendo ele os deixado tão mais ricos.

18 de julho de 2014

Morrer é ?

Comecei o dia falando de vida
E a primeira notícia que li ao entrar na internet
Foi de morte
Ditosa morte
No primeiro momento e por um bom tempo
Fica o lamento
Como hoje por exemplo
A indagação de porque com tanta gente que não presta circulando por aqui
Era João Ubaldo que tinha que ir?
Creio que os bons vão primeiro
E bem fizeram os mortais em o fazê-lo imortal em vida
Que é o que seguirá sendo
Baiano, nascido na Ilha de Itaparica
Estudou em um Colégio público de Salvador muito conhecido
O Colégio Central, onde dei aula como estagiária
Onde um dos seus  colegas de classe foi ninguém menos que Glauber Rocha
Quisá sentei numa cadeira onde eles um dia sentaram
Que besteira? Não, que honra!
De lá o mundo
Formado em Direito sem nunca advogar
Ganhou prêmios e reconhecimento
E o céu hoje se encheu de letras, de cultura
No sol de hoje há uma pontinha do sorriso dele
No canto dos passarinhos aplausos
No silêncio a tristeza
Aqui, minha singela homenagem
Que seus livros sejam lidos
Que muitos Joões e Marias brotem do fértil solo nordestino
E floresçam em versos, prozas, crônicas, narrativas, romances
Recebi por e-mail esses dias um texto famoso dele falando sobre política
Que assino embaixo
A muito tempo atrás, li "A casa dos Budas ditosos"
Emprestado por meu irmão
Pedi emprestado a uma amiga o "Viva o provo brasileiro"
Mas não chegou a pousar em minha mãos
Nunca comprei por esperar um momento de poder ler com a atenção necessária
Com a concentração devida
Recomendei o  livro para esse amigo que me mandou o e-mail
Falei do livro ainda não lido e tão rico para meu marido
Vou comprar como quem bebe e joga um pouco da pinga no chão
Uma descrição que por certo ele deve ter feito em seus escritos
A ele!

Viver é ?

Guimarães Rosa disse, tá dito
"Qual o caminho da gente?
Nem para frente nem para trás
Só para cima
Ou parar curto quieto
Feito os bichos fazem
Viver é etcétera!"
Sexta é bem dia de etc
Boa e benta sexta a todos
Com muitas exclamações
Deixemos as interrogações para a segunda

17 de julho de 2014

Suspiramentos nossos de cada dia

Eu gosto de suspiros, não o doce de puro açúcar, esses eu amo. Gosto de suspirar, mas não é suspirar de sonhar, de encantamento, que também gosto e pratico, é do suspiro solto, frouxo e com queixa ou contentamento, após puxar forte o ar, que vim falar, os suspiramentos acompanhados de: Ai meu Deus! Coragem! Ai! Ai! ou um ronronar qualquer, uma sobra de ar preso com sentimentos, que presumo teem a necessidade de sair da gente. E nessa de explicar e falar desse tipo de suspiro, percebi quantos tipos tem.
De mim, faz parte, já involuntariamente, suspirar (do tipo respirar fundo), me faz despressurizar, reenergizar, organizar o meu ar e os meus pensamentos. Para confeitar essa suspirância toda, vou contar que tenho outra mania, que é a de falar de alguma coisa de comer, ver na novela, num filme, em uma revista ou lembrar e ficar como formiguinha doceira roendo o estômago e o pensamento, até comer. Nada obsessivo ou nocivo, corda dada ao dia-a-dia, que pulo com gosto e as vezes suspiros de que não deu, acompanhado de um suspiro de gratidão por ter todo dia comida na mesa, por tudo que já tive, tenho, provei, vivi, por tudo que com o choro aprendi e por tudo que me fez, faz e fará sorrir.

14 de julho de 2014

Apertando o pause

Eu estava conversando outro dia com umas amigas e falávamos de que a um tempo atrás quando apareceram os primeiros casos e informações sobre a aids a doença era considerada o mal do século e hoje com mais cuidados e com os avanços da medicina, há menos casos e sobrevida para os infectados, em contrapartida o alastramento do câncer é assustador, muitos casos, variações, muitas causas morte por causa desse mal. Há ainda um outro grande mal, alastrador, o consumo de drogas, que leva em vida e para o além muita gente, principalmente e lastimavelmente muitos jovens. 
Um assunto meio sombrio para começar a semana eu concordo, mais o mundo não é cor de rosa e o mal que creio seja o do século de fato e que leva as drogas e que para alguns estudiosos leva a doenças como o câncer, a depressão e outros distúrbios é a ansiedade. Tem gente, por exemplo, que nem curte o final de semana planejando e sofrendo com os problemas e afazeres da semana,
Por coincidência (ou não), eu estava ensaiando escrever sobre o assunto e flanando pela livraria, vi um livro de auto-ajuda de um autor que já li alguns livros em momentos de necessidade de ajuda e vale dizer: foram muito úteis. Augusto Cury é o nome do autor e o nome do livro: "Ansiedade, como enfrentar o mal do século".
A ansiedade parece ser muitas vezes uma bandeira, que não se sabe, pesa carregar e sendo reconhecida como nociva é mais fácil lidar com ela. Vale também pontuar nos outros, mesmo sendo passível de critica ou mesmo que seja ignorado nosso alerta. Não é sadio estar em junho há pensando no carnaval, em plena segunda pensando na sexta-feira. Vale fazer planos, ter sonhos, ser animado, mas não confundir e desmedir tais sentimentos. Agitações mental, corporal e verbal exageradas e constantes, elucubrações de detalhes, sofrimento por antecipação, fazem tudo ficar mais pesado, complicado, com menos sabor, faz  dormir e acordar cansado, dá dor de cabeça, de estômago, diminui o nível de tolerância e aumenta a expectativa nos outros, aumenta os defeitos dos outros e das coisas, distorce a realidade, impossibilita uma visão fontana das situações e uma curtição ou aprendizado das vivências.
Precisamos aprender a lidar com filas enormes, pessoas lentas, barulhos, precisamos aprender a lembrar das coisas sem anotações, a ficar sem eletro eletrônicos, sem informações constantes, precisamos fazer faxinas mentais para sobrar espaço para não pensar em nada, não fazer nada. Precisamos pausar de vez enquanto e também olhar para trás, reviver e valorizar coisas da infância, apertar o rew como nos tempos das fitas cassetes. Isso faz bem, redimensiona o que temos, faz com tudo não seja tão fugaz, com que não esqueçamos as coisas com facilidade
Considerada pelo psiquiatra Augusto Cury como o novo mal do século, a tal da ansiedade acomete grande parte da população mundial e no livro ele dá uma explicação básica de como funciona a mente humana e propõe práticas para desacelerarmos nossos pensamentos, gerirmos nossas emoções e usufruirmos dos benefícios de uma vida com pausas e desaceleração. Vale para quem se reconhece muito ansioso(a), para dar de presente a jovens, adultos e até idosos que estão numa de tudo ou nada.
Sejamos como Rita Apoena que disse viver tão intensamente o momento presente, que quase chega atrasada ao momento seguinte. Meu desejo de uma semana de intensidade, moderação, pausa, paz e bem.

9 de julho de 2014

Sem reclamação

Por mais leveza, para relaxar, por cada vez menos reclamar
Por um dia inteirinho
Uma semana num estágio mais avançado
Tipo fase de jogo
Vi a proposta em um blog amigo
Que viu em um outro
E essa corrente do deixar quieto
Deixar barato, deixar passar
Engolir seco 
Colocar açúcar mexer e engolir
Ou tampar o nariz antes de engolir
Diluir, despressurizar
Faz bem a quem praticar
E descarrega um pouco o mundo e os ouvidos alheios
De tanta reclamação
Não reclamar e pronto
Isso tá assim mas vai passar
Aquilo tá assado mas vai mudar ou vai ficar assado mesmo
As pessoas sem noção que continuem sem noção ou não
Tá frio esquenta
Tá calor abana
Tá cansado senta
Tá chato levanta e anda, corre, dança
E vamos que vamos
Não julgar é uma outra boa aposta
Mas não é para ler, curtir e não tentar
É para aceitar tipo proposta
Uma manhã sem reclamar
Um dia, dois e vamos lá!

8 de julho de 2014

Sobre rabiscos e leituras


Imagem pelos super poderes da escrita
E da leitura
E dos desenhos
Temos asas por dentro
E escrever, ler, desenhar
Pintar
Soltar a nossa imaginação
Nos dá asas por fora

"Na escola, atualmente
Dá-se ênfase à escrita
Muito mais do que à leitura
Por isso deixo uma crítica
A escrita é importante
Mas quem da leitura é amante
Mais inteligente fica

Para quem vai escrever
Só é capaz de fazê-lo
Se souber ler o que escreve
Este é o grande segredo
Pra você ser escritor
Tem que ser um bom leitor
E escrever sem ter medo

Com relação à semântica
Ou ao significado
Das palavras de um texto
Use o dicionário
Faça a criança aprender
Perguntar e entender
No texto, o enunciado

A leitura em voz alta
Deve ser com emoção
Do dialeto da criança
Pro dialeto-padrão
Cuidado com o preconceito
Ensine a leitura com jeito
Dentro da norma-padrão

De acordo com o texto
A leitura vai variar
Ensine suas crianças
Como o texto encarar
Como ler questionários
Provas, jornais, formulários
Sem medo e sem errar

A leitura não pode ser
Algo vil, sem importância
Como hoje nas escolas
Tem que haver uma mudança
Leitura é para ser viva
Diária e efetiva
Da escola, maior herança

Precisamos praticar
A leitura e a escrita
Para que nossa escola
Seja mais bela e mais rica
Leia para estudar
Se divertir, pesquisar
E quem sabe, ser um artista"

Trechos de um cordel
De Carlinhos Cordel, cordelista de Pernambuco

Segue de arremate interrogações e exclamações que já ouvi iguais ou parecidas e me pergunto quantos pais, avós, tios, educadores tem ouvido e quantos tem refletido e respondido com palavras e ações a tais pérolas: - Tia eu não gosto de Português! - Pai quero estudar num colégio com tablet para não ter que escrever, só digitar. - Pró não sei porquê se tudo que lemos na internet e nos livros tem letra de forma, temos que escrever com uma letra cursiva e ainda ser cobrado que seja bonita. - Mãe eu não gosto de redação pois tem muitas regrinhas. - Pró, é sério que eu tenho que preencher todas as linhas com minha resposta?  (n.º de linhas 3 ou 4)
Escreve bem quem lê bastante, é regra antiga e para toda vida. E quem quer saber de "perder tempo" lendo? Quem quer saber de fábulas, com tanta modernidade? E escrever então, para que, desenhar nem pensar, só os primeiros riscos. Bora parar com isso?

7 de julho de 2014

Deslimites, do barro e das formas

 Escultura de Fanny Ferre

"O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro, o que ninguém lhe ensinara. Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio
Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro
Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando
Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores
Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo.
Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos."
Trechos de escritos de Clarice Lispector, publicado em 1960, na revista Nordeste. A ilustração, conforme a legenda, é uma escultura da artista Fanny Ferre, que segundo li por ai, começou suas estátuas de barro com grande hesitação e fala de seus belíssimos trabalhos sem vaidade, nem mistérios. “Tudo que você tem a fazer é apenas acreditar”.
Vale a pesquisa e encantamento com as muitas esculturas dela. Clicando aqui, histórias de barro, caxixis, bonecos, artistas e moradores de um município baiano.
Formas concretas e abstratas, fontes de inspiração, conhecimentos novos e compartilhamento do que descobrimos, sabemos, temos, sejam dicas, histórias, imagens, palavras, lugares, pessoas, curiosidades . E mãos na massa, seja de barro, pão ou metaforicamente, para o bem da mente e do coração da gente, amém!

4 de julho de 2014

Enlatados

Eu gosto de verduras, frutas, naturebices e afins, mas não posso negar que sou roxinha por um hambúrguer, coxinhas e enlatados que vão de salsichas viena, a azeitonas, atum, sardinha. Amo sardinhas em lata e dia desses comprei uma das grandes do tipo antigo de abrir com o abridor de latas e a medida que abria, com gosto e destreza, pensei de quantas criaturas médias e pequenas ao verem um abridor desses não imaginam a utilidade do gancho e ao abrirem o armário e se depararem com a lata sem o trocinho de suspender e destacar a tampa, não imaginam como fazê-lo. E do jeito que são, a maioria, sem iniciativa ou criatividade, colocam a lata de volta e comem biscoitos, eu nem que fosse explodir ela e perder as sardinhas não desistiria até abrir, ia da chave de fenda com martelas em cima uma ao lado da outra a ideias que não me ocorrem agora, mas me ocorreriam na hora.
Meu filho tem total falta de destreza par abertura de pacotes e embalagens e um pai e geral que abre as coisas para ele. Eu digo calma como quem tomasse suco de maracujá na veia: Tente até conseguir! E ele sempre diz sem nem tentar ou tentar de mentira: - Mas não consigo! E eu sempre digo, tanto que ele já diz antes de mim: Faça de conta que você é a última pessoa no mundo e esse é o último alimento que você tem para comer ou o último cd para ouvir, jogo para jogar.
As sardinhas como com tomates cortados em finas rodelas e cebolas em tirinhas regadas a azeite doce e vinagre, dentro de pão de sal estalando, também fora do pão com o garfo e o pão roído aos tacos e molhado no caldinho. Outra especialidade da casa, desde que minha mãe me deixou usar o fogão, até hoje quando as vezes estou cansada dele, cozinho batatas e ovos com duas pitadas de sal e devidamente cozidos são amassados com um garfo, adicionadas as sardinhas, amassadinhas e tudo é generosamente regado com azeite e devorado em segundos. Outro uso da sardinhas é empanada das de liquidificador, com milho e ervilhas enlatados.
Na ilustração a feirinha de mentirinha é uma foto que tirei numa loja de sabonetes e aromatizantes, além da criatividade e do cheiro maravilhoso, parei na balança antiga. Esse papo me deu uma fome e hoje sendo sexta-feira cabe um belisquete diferente, uma pizza, cachorro quente. Hum? Que tal?  Bom final de semana, com os cuidados alimentares necessários, lazer, prazer, bençãos, paz e bem.

3 de julho de 2014

Por + Platão - Prozac

Mais Platão, menos Prozac, de Lou Marinoff, é um livro com máximas de filósofos de todos os tempos reunidas com o intuito de oferecer uma ajuda auxiliar ao uso de medicações para males da mente e da alma. Um reconhecimento e incentivo ao valor terapêutico da filosofia e suas aplicações no cotidiano, sem nenhum desmerecimento, muito pelo contrário, a psicologia e psiquiatria. Cada caso é um caso e portanto há que se estudar as soluções.
A propósito não li o livro, se alguém que leu tiver considerações a fazer, sinta-se a vontade. Gostei da proposta e do nome e pelo que li por ai o livro traz a desmitificação de alguns problemas que não são doenças e propõe que trabalhemos a nossa perspectiva sobre nossos conflitos e os do mundo, buscando respostas, segurança e bons resultados. Em resumo é um convite a filosofar, remexer na capacidade humana de tecer perguntas, repostas, buscar curas, soluções, de se auto-motivar e assumir o controle da mente, pensamentos, visão, ações e sentimentos.