31 de maio de 2014

Que...

Hoje é dia do Espirito Santo
Que pombas brancas de paz voem sobre nós
Que o frescor e poder de transformação do barro nos tome
Que os bons espíritos nos guiem
Que o Divino nos dê leveza e fortaleza
Faça fluir o que é beleza
Espante o mal e a tristeza
Amém!

30 de maio de 2014

Concurso fotográfico

Maridão em ação
Vi por ai e trouxe para cá, o concurso Wiki Loves Earth Brasil - Patrimônio Natural, que é um concurso fotográfico mundial que incentiva fotógrafos e entusiastas a contribuírem com imagens dos principais patrimônios naturais do mundo, para serem incorporadas aos artigos da Wikipédia. O concurso é organizado em vários países ao redor do mundo sendo dividido em duas etapas, uma nacional, com envio de fotos entre os dias 1 e 31 de maio, amanhã é o último dia, em cima da hora como muita gente deixa para fazer as coisas, então, a hora é agora.
O anúncio dos vencedores será nos dia 15 de junho e tem ainda uma etapa Internacional, com envio de fotos a partir do dia 15 de junho para os viajantes e mais programáticos de plantão. Maiores informações aqui. Uma sexta feira de benção, fotos, vivências, sorte, saúde e paz. Gratidão pelas bem aventuranças e lições dos perrengues de maio e que venha junho em ritmo de arrastapé.

29 de maio de 2014

Na mesma tecla

Acho válido bater na mesma tecla quando se trata de determinados assuntos, pois nesse meio aqui onde escrevo, muitos passam um dia e não passam no outro, muitos prestam atenção em um dia e não no outro, comentam ou não e também porque as vezes o cesto é tão cheio que temos que esvaziar mais de uma vez. Falei aqui dias desses sobre um assunto que na mídia e na prática muito tem se discutido: a alteração dos textos de Machado de Assis, que se estende aos clássicos de uma maneira geral. Essa proposta, tosca ao meu ver, de reimprimir as obras objetivando um vocabulário simplório, ao nível do público menos letrado e ao alcance de cifras, é surreal!
A escritora Nélida Piñon resumiu bem quando disse que hoje se publica o que vende e não mais o que fica. E qual a literatura consumida no Brasil? Os tais sádicos tons cinzentos, vampiros, ficções medievais, caricatos romances melodramáticos, desconstrução de clássicos sem muita criatividade, substância ou com relevantes maus exemplos.
Para mim além da proposta, é chocante a complacência de pessoas cultas, sejam as que me cercam, sejam figuras ilustres e críticos com essa subliteratura e o apoio a simplificação e atualização da literatura.
Tantos escritores bons sem leitores na proporção ideal e tantos escritores de conteúdo e ritmo industrial, que não se importam com estética e se importam demais com fama! Oh Lord!, como diz uma amiga minha. Acho que toda literatura é válida, com públicos e usos bem específicos em certos casos,  mas as que deveriam ganhar visibilidade não deveria ser as que os editores definem como comerciais ou que o autor seja corporativo cumpridor de metas de vendas e antenado com as necessidades do mercado.
Vibrei em laranja quando o livro de Leminski ficou no topo dos mais vendidos e suspirei da cor da capa ao verde esperança, mas, analisando friamente, os autores e obras que as editoras inserem e sustentam na mídia, ruins ou bons são negociados e sustentados por interesses diversos, seja no alcance de sua popularidade seja no tempo de permanência nas prateleiras e noticiários.
E nessa geração de leitores de massa, do bobo ao tosco, Machado de Assis precisa, pensando pequeno, ser reescrito para vender e fazer pareja com os novos clássicos pobres e vulgares da literatura em resenhas, programas de entrevistas, blogs, cadernos culturais e afins. Triste fim de Policarpo Quaresma! Triste fim de seu criador Lima Barreto, de Machado, de Monteiro, de Pessoa, das pessoas. Triste fim da literatura de qualidade. Que os bons a tenham!
Policarpo como bem sabe quem leu e para os que não leram (vai que no resumo e atualização mudam isso), tem muito de Dom Quixote, ambos com uma visão do sublime que a realidade em volta não comporta. Assim como sou com meus muitos ideais românticos e recebo críticas na lata ou veladamente e venho percebendo que a zombaria esconde muitas vezes as limitações e distorções dos outros. Sou fã de Policarpo e seu idealismo e carão de não ter se deixado levar pelo mundo enlatado e limitado da alta sociedade carioca do século XIX. E tenho dito!

27 de maio de 2014

Slow culinarices

Eu sempre falo de culinarices por aqui, não dou receitas e se já dei não me lembro, mas sabores, aromas, lembranças da infância, desejos meus, sabores nordestinos e provocação de desejos tem lugar no menu de minhas postagens.
Já indiquei leiturinhas de receitices com histórias de família e de amor como ingredientes e confeitos e tenho o hábito de fazer uso dos muitos canais da minha tv por assinatura para sair das notícias ruins e programações enfadonhas. Dentre os meus canais favoritos, que já indiquei aqui programas, vejo muito o GNT e por lá curto o múltiplo e mágico Jaime Olivier e suas habilidades, viagens, destreza, simpatia, bem como a finess de Olivier Anquier, as descomplicações e dicas de Rita Lobo e recentemente a cozinha saudável, visitas e baianidade de Flora Gil.
Dia desses recebi uma revista pelo correio que falava desse comer com os olhos e fazer com o coração, enviada por uma amiga leitora que lembrou de mim quando viu a matéria de capa. Amei e entrou na minha lista de desejos, mais livros do tema. 
Um livro é a prova de que os homens são capazes de fazer magia, li em algum lugar e receitas também são poções mágicas que nos remetem a lugares, pessoas, que provocam criatividade, promovem aprendizados de matemática, química, física, biologia e também proza e poesia. E por esse sentimento e percepção, trouxe hoje uma novidade para mim, que vi na janela de uma casa vizinha, um movimento chamado: Slow food, proposto por Carlo Petrini em 1986, cuja sede é na apetitosa e tradicional Itália e já se tornou uma associação internacional sem fins lucrativos, cujo princípio básico é o prazer da alimentação, desde as possibilidades e práticas de cultivos caseiros, escolha dos ingredientes e utensílios, preparo, até a degustação e a qualidade nutricional dos comes e bebes, opondo-se à tendência de rapidez, praticidade e padronização do alimento e dos processos de preparo fast food.
Com uma associação da arte de cozinhar a de aprender a dar o devido tempo as coisas, saber e valorizar o fato de alimentos serem culturais, locais, sazonais, explorar a imensa diversidade de temperos, ingredientes, possibilidades, modos de fazer, de servir e com propostas e desdobramentos políticos e sociais, o Slow food conjuga o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, ganhando adornos de crônicas e poesias, difundindo a educação do gosto, o curtir fazer, provar interagir através da culinária.
Boa e apetitosa terça, com bons momentos na feira, padaria, cozinha, barraquinhas, bares ou restaurantes :)

26 de maio de 2014

Do esperar sem conversar

Nas filas do mercado, banco, em salas de espera de consultas, exames, cursos e afins, não tenho ouvido e visto muitos bate papos, trocas de receitinhas e crendices de curas caseiras, dicas, histórias alheias nem entre as pessoas que vão juntas, muito menos entre vizinhos da cadeira, da turma em pé, vejo é entre atendentes que impossibilitados de usar redes sociais nos seus monitores e aparelhos de telefone, aproveitam para botar o papo em dia enquanto uma legião cheia de compromisso e muitas vezes incapaz de reclamar sem grosseria, espera.
Isso sem falar nos almoços e outras "socializações" entre amigos e até a dois, que um não foca no outro ali presente, não interage. Reflexões que já viraram mudança de comportamento por aqui após uma ida a baiana do acarajé acompanhada e na ida e durante o pedido e o comer e o pagar fui sozinha pois minha companhia estava no celular e sem fazer bico ou pensar duas vezes pediu desculpas e como que por encanto não fez mais isso. Também de uma espera dia deses em que observei a minha volta as pessoas  caladas, o silêncio me incomodou e anotei num papel para cronicalizar.
Resolvi trazer em plena segunda-feira essa #focanobatepapo, como observação, cutucada e desejo de uma semana interativa e comunicativa. De arremate, a lembrança do sorrisão tipo o da foca da ilustração, com minha saudação a Jair Rodrigues, para que se deixe de lado smarts, anti-socialidades e que as pessoas se olhem, se falem, digam bobagens, se conectem na real, que não precisa de wi-fi e limites não tem, na espera ninguém tá fazendo nada, você também! 

25 de maio de 2014

De copa, cozinha e rua vizinha

Já que estamos em plena copa e hoje é domingo dia desse assunto rolar solto além do normal e como já pontuei aqui, não sendo alienada, mas não perdendo o encantamento e o valor de extrair o que há de bom nas coisas, não é esse um post de protesto, nem sobre nossa seleção ou jogadores. É que ouvi no noticiário, por conta das ruas que serão interditadas nos dias de jogos, o nome de uma rua, ladeira na verdade que fica ao lado da escola onde estudei por vida e por repetidas vezes disse seu nome, sem nunca ter me perguntado que eu me lembre o porque dele. 
A ruela, tão sem pretensões é uma rua de passagem, com lateral de prédios, da escola, casarões antigos, chão de pedras e uma já a muito fechada barraquinha mal acabada, que está em meus registros, onde trabalhava um sapateiro. Por falar nisso, reivindico sapateiros e engraxates pelas ruas.
Nos registros de meu marido, está descer e subir a tal rua para ir jogar bola ao lado de onde hoje é a Arena Fonte nova, que era simplesmente a Fonte nova e que apresentei aqui
Ao lado ele ia, pois tinha um mini-estádio de esportes, chamado Balbininho que era muito frequentado, para lazer e prática continua de esportes. Fui algumas vezes nesse estádio descendo por essa ladeira, mas não presenciei bolas caídas de jogos alheios e furtadas e amigos correndo a contento outros não, nem bati bola na ladeira com o estádio ali esperando espaçoso, nem a definição pelo caminho de quem era de qual time, quem ia jogar com e quem, quem ia jogar com e sem camisa e tantas outras resenhas, além do perigo ignorado de poder ser assaltado ou algo assim pelo pouco movimento e nenhuma segurança do local, que era tido como perigoso, do tipo mil vezes das duzentas mil que fui para escola, ouvi: - Cuidado quando passar pela...!
Nesse tal apelidado Balbininho, cujo nome era, pois foi demolido: Antonio Balbino, nessas épocas de agora havia muito arrastapé, lá acontecia o famoso Arraiá do galinho, um concurso de quadrilhas, televisionado e lotado, com quadrilhas que ensaiavam o ano inteiro e vinham de todo canto do nordeste. Era um céu de bandeirolas, ralar de fivelas, chinelos de couro, caravanas de escolas para assistir, desfile de chitas, tranças, bater de triângulos, zabumbas, chorar de sanfonas e comer compulsivo de amendoim e milho cozido que inté me deu fome e vontade de forrozá. 
Sem querer, até que os quitutes caíram bem na história e eu bem podia citar outras delícias típicas, para fazer jus a parte cozinha do título que era só para fazer relação com a copa, sem ser a do futebol, a das casas antigas e rimar com rua vizinha, mas vou poupar a saliva alheia e a minha também.
Voltando para a rua, que não disse ainda o nome, pois resolvi pesquisar sua história, para arrematar a contação, depois de falar do que eu lembrava dela e provocar quem é daqui ou foi a saber. Cova da onça é seu nome e na busca da origem não achei nada além da lenda urbana pouco criativa e possível de no local ter sido enterrada uma onça e a descoberta de outro local de mesmo nome, o povoado de São sebastião, aqui na Bahia, que também é conhecido como Cova da onça e onde teria sido aberto no século XVII, um duto subterrâneo que lembra uma cova e onde, segundo a crença popular, jesuítas, refugiando-se dos índios, teriam deixado uma imagem de São Sebastião. E onde entra a onça? Não achei nenhuma explicação ou relação.
Sei é que dessa história toda achei muitas histórias legais de nomes de ladeiras, becos e ruas de Salvador, que foi assunto saudoso e prazeroso de conversa esses dias entre mim, meu marido e minha sogra e juntos entre matutação, ligações para minha mãe e meu pai e pesquisa no Google, lembramos do nome de uma padaria que ficava embaixo de uma das casas que ela morou na sua infância. Volto com mais contações, nomes pitorescos e honrosos de ruas, avenidas, praças, becos, histórias, memórias minhas e vizinhas.

23 de maio de 2014

De P a G

Hoje foi o dia em que nasceu um certo serzinho que morou em mim por 9 meses e que a 14 anos atrás, já era preguiçoso, quando nasceu, para chorar, teve que ser sacudido. E na dele ficava no moisés com forro de cerejas, com móbile de papel que fiz e girava como um planetário e ele admirava. 
No berço ou na imensidão da varanda da casa dos avós, dentro de casa, na biblioteca que frequentava assiduamente, na pracinha, na espera pelas cobsultas do pediatra, almoços na rua, casa dos outros, ele se detinha com pequenas coisas, por longo espaço de tempo.
Nos prédios onde moramos os vizinhos se admiravam de ter uma criança morando ali, nada de gritos, berros, chutes de bola, gudes rolando pelo piso.
Montava tapetes de quebra-cabeças, numa ligeireza e destreza de nos espantar. Arrumava os carrinhos como se fossem peças de uma loja ou exposição, nada de explosões ou arremessos. E assim fazia com os bichinhos e bonecos. Adora brinquedos de encaixar e ficava irritado quando uma peça tinha mal encaixe, além da quantidade necessárias de peças para ele montar sem querer que nada do que montasse fosse desmontado.
Para dormir ainda bebezinho invariavelmente colocávamos o cd ou cantávamos as músicas de: Memórias, crônicas e declarações de amor, de Marisa Monte. Tudo a ver o nome do álbum com as nossas vivências, minhas, do pai, dos avós e tios com ele. Sempre inteligente, com tiradas e compreensões de uma casa velha, um pouco agridoce, ainda mais agora adolescente, teimoso e inflexível como esse período entre P e G se manifesta em todos nós.
Uma fonte de muitas memórias nossas que são dele, de crônicas, poemas, comédias, tratados de aprendizados e ensinamentos, ele vive no mundo da lua, vou ter que entregar. Ele até já disse no auge de sua disposição infantil que teria três empregos e um dele seria ser astronauta. Hoje, não há coragem nele nem para um emprego de 4 horas, nem mesmo, vale pontuar e desabafar, para tarefas mínimas diárias, mas creio (acreditar é preciso...risos) isso mude ou esteja na paradeira dele e habilidade com os jogos sua vocação.
Muitas moedas de cinquenta centavos e um real foram investidas em bolinhas pula pula, que saiam dos globos rolando e o destino nunca foi nas mãos dele, pularem por ai e ele sair atrás, serem perdidas por debaixo de lugares ou jogadas para o alto, infinito e além. Moravam num pote e estão aqui até hoje dentre as muitas coleções que ele fez e guardei para ele usar na decoração de seus quartos ou escritórios ou para ser herança para sues filhos e netos, com direito a anotações de histórias, frases célebres, embalagem da bolacha maisena da marca Pilar, que até hoje ele toma molhada no café, adorada, como salame e outras coisinhas que ele se orgulha em dizer que gosta igual e se furta de novos experimentares. Como uma fã e colecionadora por tabela, tenho guardadas roupinhas, objetos, incontáveis fotos com legendas, revistas, livros e todo um arsenal filhoamado.com
Meu registro polido, sem mimis para não desagradar a fera, mas sem poder deixar passar a data sem uma homenagem, uma declaraçãozinha de amor, uma benção de sexta-feira, com sinal da cruz de mãe na testa, além de festa, likes e compartilhamento de bons desejos de dimensões inter estrelares.

22 de maio de 2014

Reflexão, canção, oração

Aqui estou na missão de trazer
Uma mensagem que possa ser
Com palavras, rimas, imagem
Uma luz ou um mantra
Para adultos e crianças
Para mim
Com a certeza de que as coisas mudam sempre
E que tudo está ligado
Inteiro ou quebrado
Feito elos ou mosaicos
Para a aceitação de que a vida não é só como esperamos
Que há falhas nossas e nos pisos
Mas é certo que colhemos o que plantamos
Que somos nós que a nossa vida e caminhos pintamos
Trilhamos, adornamos
Que existe um dom natural que todos temos
E que nossas escolhas vão dizer pra onde iremos

- Uma adaptação em forma de oração de uma canção do Charlie Brown Jr -

20 de maio de 2014

Junto e além

Clicks de Chica

Para mim lugares, pessoas, objetos, palavras
Tem cheiros, gostos, texturas
Temperatura, sensações
É só respirar fundo, olhar com atenção, tatear
Não passar singular seja em meio ao verde, sob o azul do céu
Sob sol ou chuva
Num areal, de frente para o mar, num estádio, numa praça
Inspirar e sentir os cheiros
Ouvir os sons, perceber os tons, as cores
Correlacionar sabores, lembranças, sonhos
Passarinhos, passantes
Não com agonia de antenas ligadas e agitadas
Com calmaria
Treinando os sentidos
Participando dos processos
Pulsando junto e além

8 de maio de 2014

Adulta criança, pode ser?

"A vida pode ser mais leve, mais lúdica
Se eu não brincasse, enlouqueceria
Não posso, nem sei
Ser essa imagem que tanta gente congelou a respeito do que é ser adulto
Passo longe desse freezer
Quero o calor da vida
Quero o sonho e a realidade melhor que ele puder gerar
Quero alguma inocência que não seja maculada
Quero descobrir coisas que não suspeito existirem
E que para minha surpresa, têm significado para o meu coração
Adulta, quero caminhar de mãos dadas vida afora com a criança que me habita
Curiosa, arteira, espontânea"
Ana Jácomo e eu
E você?

6 de maio de 2014

Serendemplice

Fonte da imagem e história: aqui
Serendipity ou happy accidents, em bom (e complicado ainda assim) português: serendipidade, é a aptidão para descobrir coisas agradáveis por acaso. Aprendi essa palavrinha com a amiga Ana Paula e descobri sem querer uma história bem legal, que vou contar começando com uma pergunta: O que fazer quando seu sentimento de gratidão por algo é tão grande que você precisar compartilhá-lo? 
Um brasileiro chamado Lucas Jatobá, morando em Sydney, na Austrália, resolveu dar 30 presentes para 30 desconhecidos que encontrasse na rua. O resultado? Reações de surpresa, carinho, presentes além dos pacotes, na vida das pessoas que ganharam os embrulhos e na das muitas que passaram em volta, um acorda Alice, um que de humano, uma onda de afeto gratuito, amizades nascidas ali, admiração, contagiação.
Ele ganhou sorrisos, abraços, bons desejos, presentes que não se embrulham e que se desembrulham nele todo dia. Imitar é uma dica, não precisam ser no dia de seu aniversário, pode ser no dia das crianças, no Natal. Não precisam ser muitos presentes, pode ser um presente só, alguma coisa fútil ou útil. É só dar a alguém na rua dizendo ou não o porquê, colhendo de uma forma ou de outra a recompensa, agradecendo por ter recebido de presente da vida essa e outras tantas oportunidades ao acaso e conscientes de expressar e semear sensibilidade.

5 de maio de 2014

Sobre diminutas grandezas

Marcílio Godoi de quem já falei aqui algumas vezes, além de poeta e palavrista é arquiteto e jornalista com textos na Coluna "O português é uma figura", da Revista Língua Portuguesa dentre outras escrivinhanças. Estou com um rascunho de uma resenha sobre seu livro: Ingrid uma história de exílios, que não ato nem desato e eis que ganho de presente de aniversário mês passado, da amiga Ana Paula, o livrinho: A Inacreditável História do Diminuto Senhor Minúsculo, obra ganhadora do Prêmio Barco a vapor de 2012, que a categoria é infantil, mas para mim tem cheirinho de vapor de leite fervendo, recomendado para todas as idades. Livros para crianças também são para adultos eu creio e eu que sou uma criança grande então, me perco e me encontro.
O teclado, segundo Sr. Minúsculo é palavra em pó, amei essa frase e definição e toda a imaginativa criação e aprontação desse diminuto ser que vive dentro de uma velha máquina de escrever e dá vida, graça e garbo às palavras datilografadas pelo seu criador. 
Personagem, histórias, detalhes, recadinhos, parênteses, resignificâncias. Uma leitura ímpar! As ilustrações são um capítulo a parte, além de nas entrelinhas haver um aceno a já tão tecnológica e hoje poética máquina de escrever, o alcance da simplicidade, a comunicação como essência e não os meios.
O tal senhorzinho palavresco e arteiro não se deu bem com as novas tecnologias e decidiu ser vintage e depois de conhecer ele, que defino como um mix de Visconde de Sabugosa com o Saci, desconfio ser o dito parente bem próximo de algum Sr. ou Sra. que vive no tal errador de palavras que tem no meu celular. Ah se eu pego essa criaturinha!
Divagações e recomendação de leitura feitas, meus aplausos ao escritor e desejo de que crianças, adultos e idosos nunca fiquem sem saber o que foi um máquina de datilografar, eu fiz até curso (entregando minha idade avançada). Que não deixem de usar lápis, papel, giz de cera, cola, lantejoulas, glitter, clips, grampos. Que vivam, aprendam, ensinem, além telas. Computador segundo minha sogra em sua simplicidade e sabedoria que não imagina ter, faz mal, tv demais atrofia o cérebro digo a meu filho desde pequeno, que hoje adolescente e conectado não me ouve e nem por isso deixo de dizer, deixo de lhe dar livros, papel, lápis, canetas, folhas secas e pedrinhas que cato no chão.

2 de maio de 2014

Sabores, memórias e histórias

Leite derramado já é uma expressão que não comunica em sentido e visualização para a nova geração. Quem ainda ferve leite levante o dedo! E quem ferve, que criança ou adolescente está perto nessa hora ou presta atenção ao mundo em pose ininterrupta do celular.
Em minha casa consumimos leite em p, eu literalmente desde os 4 hoje 44), como, não nego e recomendo  além de usar para o café e eu, mais uma vez infantil, para regar bananas amassadas com chuvinha de açúcar por cima ou para para bater no liquidificador com abacate e botar o creminho para gelar, para beber puro uso os de caixa, bebo geladinho sem açúcar.
Lembro como se fosse hoje de ir ao mercado e na geladeira onde ficam manteiga e iogurtes, embaixo, estarem lá uns sobre os outros, sacos de leite. Em época de racionamento tinha que se chegar cedo e ir de galera para cada um ir para fila com um. O leite era fervido assim que chegava em casa, levado com cuidado para não estourar  o saco cheio de leite e de ar, no meio do caminho e não era uma boa demorar papeando com ele dentro ao sol para não talhar. 
Para ferver, a regra era não ficar olhando para não demorar e não tirar o olho para não entornar. A nata aprendi na casa de uma tia, a colocar em cima do biscoito cream cracker, prima pobre do requeijão.
Leite com Nescau ou Ovomaltine, batido no liquidificador com pedrinhas de gelo também é de meu gosto e nos tempos de escola ia na garrafa plástica na lancheira ou térmica o leite com achocolatado batido a mão mesmo e sem açúcar de preferência. Em casa na hora do lanche, pão fatia com queijo dentro e chocolate quente era o paraíso das delícias. O tal chocolate era mexido sem parar no fogo: leite, achocolatado e uma colher de maisena para engrossar, sem a tensão do ponto do brigadeiro e sem a doçura para mim exagerada do leite condensado. Para o preparo geral usava o famoso chocolate da caixa dos padres, com receitas no verso recortadas e guardadas até hoje por minha mãe, assim como as do papel do leite condensado. Fazer, ela não faz nem 10% do que recorta e guarda, mas colecionar é com ela mesma (risos). 
Aprendi com ela a fazer mingau com leite, uma gema de ovo e uma colher de maisena, espalhado no prato e salpicado de canela em pó. Adoro! E também adoro leite com sucrilhos, com granola e nessa minha viagem pasteurizada, descobri que tomei toda vida e sirvo, leite batizado. É que sempre se misturou na casa de minha avó e mãe e sigo misturando o leite em pó com um tantinho de água antes de adicionar o café, confesso que quando pequena fazia a mistura e comia, sem adicionar café nenhum e chamava de creminho. Tinha uma xícara azul plástica pequena, tipo para cafezinho que era a habitual para meus creminhos das cinco. Esse leite usado para acompanhar o café, quando misturado com água é o que os franceses chamam de leite “cristão”, pois  foi batizado com água. Cada coisa!  Vou aqui beber um copo de leite e limpar devidamente o bigode. Boa, benta e saudável sexta!

1 de maio de 2014

Comer, ler, escrever...

Foto de Dinah Fried, do livro: Fictitious Dishes
Tenho visto, de um tempo para cá, muitos livros e crônicas que falam de comidas associadas a sentimentos, vivências, memórias. Eu mesmo publiquei algumas coisas aqui, escritas por mim, que ganharam tempero especial após eu ganhar o livro de receitas de Dona Etelvina, ver aqui. E ai, mais um tipo de literatura pela qual tenho me interessado e que tenho colocado títulos em minha lista de desejos. Para desejar junto, seguem breves resenhas, uma é do livro: Fictitious Dishes: An Album of Literature’s Most Memorable Meals (em tradução livre: Pratos ficcionais: um álbum das refeições mais memoráveis da literatura), a outra do livro: Comidinhas de Rua, que pelo diminutivo comidinhas já me ganhou, pois adoro falar diminutivos e comidinhas em particular me lembra fazer comidas com folhas, pedrinhas e água nas panelinhas de minha infância.
O estrangeiro é da designer e diretora de arte Dinah Fried, que produziu e fotografou pratos citados em livros como Alice no País das Maravilhas (retrato que ilustra o post) e O Apanhador no Campo de Centeio, a obra foi publicada pela Harper Collins. Mais no site da autora.
O das comidinhas, além do diminutivinho me pegou de jeito por ser de belisquetes de rua, sou do pastel ao acarajé, passando por churrasquinhos com farofa, milho e amendoim cozido, caldo de cana com abacaxi e tudo que é popular. Adoro! E o que não conheço faço questão de provar. Tenho um certo parâmetro de limpeza e asseio para comida e quem vende, mas sem neuroses, acho até que pretume de assadeira, tacho, panela velha, vento da rua, papel de embrulho de má qualidade (daqueles com cheiro de padaria das antigas), faca que corta a cebola e depois a cocada, dão um toque de gourmet aos pratos. O livro é de autoria de Tom Kime, pela Publifolha. O mesmo autor publicou outro chamado: Comidinhas orientais e eu outro dia confessei via Instagram que sou uma baiana com dendê e pimenta, filha de espanhóis, louca por italianices e doçurinhas portuguesas e com apetite oriental insaciável. E sou mesmo! Tem quem pergunta ou só pensa para onde vai essa comida toda. Acho que para língua e para os dedos pois falo feito a nega do leite. Falando em leite, amanhã tem leite aqui, é que tô nessa de culinarices, leituras e escritas sobre o assunto, causar desejos (nos outros e em mim) e provocar papos e reflexões poético alimentares. Um brinde a maio! Saboreemos cada dia, muita leitura, candura, carinho e cantos de passarinhos.