28 de junho de 2014





“Junho...mês de milho, festivo sonoro, inesquecível, da humilde pipoca ao bolo artístico. Junho, no Império dos Incas, era a ‘Páscoa do Sol’, Inti-Raymi, colheita do milho dominador" Luís da Câmara Cascudo, em "História da Alimentação no Brasil". 
Essa estrela das festas junina é um queridinho meu, cozido, assado, biscoitinhos, sorvete, bolo, pão. canjica, mingau, lêlê, pamonha. O milho está presente desde as cantorias juninas à culinária e decoração. Conhecida como curau, além nordeste onde o que chamamos de mugunzá é a canjica, a canjica, como é chamada aqui no nordeste é feita de milho verde, leite, leite de coco e açúcar. Em ponto de comer de colher ou para cortar em fatias, #amo.
As laranjas também, descascadas em espiral e cortadas ao meio para serem chupadas, em bolos, suco, licor. E o bom e irresistível amendoim cozido, que abrimos e comemos em quantidade e ligeireza de esquilos. Outra estrela alumiante a dançante da festa é a presença colorida das bandeirolas e balões e das emblemáticas, imponentes e quentinhas fogueiras. Imagens, descrições e junices compartilhadas, reparto meu carinho com os amigos passantes, saudação a geral e desejação de um bão sabadão

27 de junho de 2014

Pinhão, cogumelos e elos

Alimentos tem gostos, cores, formas e também memórias e histórias. Muitos, nem imaginamos existir ou um dia provar. Uma amiga com nome e família de flor me perguntou se eu queria pinhão, mandado via correio, de Amparo. Ai, me veio a constatação de não fazer a menor ideia do que era esse tal pinhão, de consumo típico no inverno, segundo ela. Então, como experimentação e com sinceridade e curiosidade que são comigo mesma, disse a ela não saber o que era, nem o gosto que tinha, mas que queria sim. E lá fui eu de antemão pesquisar e descobri que é dos gostos e comilanças das temperaturas baixas, como chocolate quente, fondue e sopas fumegantes.
Descobri também que o dito são as sementes de araucária que embelezam e dão sabor ao outono, bem que o livro da irmã dessa minha amiga, chamado cores de outono, tem cheiros e sensações encarnados nas páginas, ora, ela comeu a vida toda pinhão, pensei cá com meu calor e cores de verão da Bahia.
Mas qual é o melhor jeito de comer pinhão? Varia o costume de lugar para lugar e entre as famílias, foi o que assuntei, enquanto aguei a espera do prometido. Vale pinhão na chapa do fogão a lenha, pinhão cozido e uma tal de sapecada de pinhão, que como já sou bem sapeca, não arrisquei ver a receita. Cozido com uma folha de louro na panela de pressão, tipo castanha portuguesa foi minha opção.
Com a valorização da cultura e consumo da semente, muitas festas regionais têm acontecido e com elas novas receitas elaboradas e mais gente provando e aprovando o pinhão. Quem ai conhecia, viu, comeu ou ouviu falar do tal? Vou trazer fotos dos meus outro dia para pegar pelo estômago quem ler esse post e quem perder.
E quem leu até aqui deve estar se perguntando o que os cogumelos tem a ver com pinhão, eu explico. Junto com o prometido pinhão, vieram folhas de outono, raminho de alfazema deliciosamente perfumado, folhas para chá e costurices, dentre elas, uma bolsinha de tecidos azuis com o bordado de um cogumelo que descobri lendo lá no blog da costureira fada e amiga Camomila Rosa, serem parte de sua imaginação quando criança. Clica aqui para ver e saber.
E eis que passeando na minha pausa junina, avistei esses cogumelos e fotografei para o post e para ela, como sintonia, com gratidão, carinho e desejo de sabores e amor em nossas panelas, flores nas janelas, amizade, chazinho de canela, pipoca na tigela e uma sexta feira divertida, benta e bela.

26 de junho de 2014

Dos refinos

Mosaico que fotografei na Costa do Sauípe
Complexo hoteleiro aqui em Salvador
E que marido tirou uma foto minha no miolinho da grande flor
(Foi sem querer que rimou)
“Não é bastante não ser cego, para ver as árvores e as flores”, concordo com Alberto Caeiro. E dentro dessa percepção, para mim não é bastante publicar um livro, seja o único ou primeiro de muitos, tenha muitas ou poucas vendas, resenhas, críticas ou elogios. Isso tudo é muito importante, motivante, uma realização, mas tem detalhinhos do tipo ter a cara que imagino, com refinos que vão do tipo do papel, cores, possibilidade de aroma talvez e o nome da Editora.
Não o nome como ter nome de peso, mas o nome mesmo. Já fiz bico pelo nome nada simpático ou apático de algumas editoras que pensei em orçar a publicação, assim como sorri e pisquei o olho ao ver o nome de outras e imaginar meu livro publicado por elas, através da relação do nome comigo, meus bem-quereres, minhas crônicas, que transita sintonia ou um que de incrível, de poesia impressa desde a capa, ciente de que essa relação por certo não será percebida por muitos. 
Quero algo como esse livrinho caixinha de fósforos que divulguei aqui ontem, um mix de livro e objeto, adornado de muita criatividade. Uma grande sacada! E eis que uma amiga já publicadora de sua primeira obra, me manda uma crônica do grande Ruy Castro, que vale clicar aqui para ler e comentar e que completa meu sentir e explicar.

23 de junho de 2014

Dia e noite
Sol e lua
Calor e frio
Branco e preto
Meninos e meninas
A oposição dos contrários é instigante
Remete a indagação do que seria de um sem o outro
E a constatação da completude que os opostos significam
Para dar as caras
Entre postar e não postar
Se conectar e desconectar-se
E dos dias cotidianos aos passeios
Do de sempre e novidades
De bandeirolas e bandeira verde amarela
Trarei cronicalices e poetices
Para hoje post´s passado sobre Jão
Aqui, aqui, e aqui
Para ler, reler, comentar, remendar comentários
Compartilhar, brindar com licor
Uma mão de traques de massa jogados de uma só vez no asfalto
Cores, estampas e tradições juninas
Luz de fogueira e de gente

9 de junho de 2014

Iluminices

Que as luzes que nos guiam
Seja mais fortes que as dificuldades que nos cercam
Vou da prece para descontração e relatos da vida nossa de cada dia. Do tempo em que as lâmpadas eram do tipo bujudinhas como balões de ponta cabeça enroscados aos bocais do teto ou fios de lâmpadas em festas juninas e dessa meada resolvi trazer esse objeto já tão moderno com nome robótico de luz dicroica, propriedades, modelos e durações além vida ao ouvir a notícia num telejornal de que sairão de circulação as lâmpadas de 60 whatts.
Na minha memória de iluminação está um fio com uma lâmpada comum em uma das pontas, entre as coisas de meu pai, nome da engenhoca para momentos de concertos de carro e outros concertos e necessidades de iluminação em locais escuros e sem tomadas: gambiarra. Tinha tambem umas coloridas, pequenas e pontudas usadas no presépio no natal, as de dentro da geladeira que queimavam e ele me dava enrolada em jornal para eu comprar uma nova em lojas de material de construção, onde fui muitas vezes comprar pregos, parafusos, lixas e mil e uma utilidades e inutilidades
O tempo de vida das lâmpadas eram menores e os preços também e confesso que até hoje vou comprar lâmpadas com a referência das de 60 serem mais fortes e as de 40 as mais fraquinhas e fico perdida nas novas descrições e mil e um modelos que podem caber ou não dentro do plafon, luminária, lustre. E apesar de as lâmpadas terem mudado muito em formatos, duração, consumo e preços, há algo que creio ser uma conexão entre os objetos elétricos e eletrônicos, que não muda.
Sejam antigas ou novas, as lâmpadas e eletrodomésticos e eletrônicos em geral ou partes mecânicas e elétricas de carros, parecem ter uma ligação entre si. Algo acontece, que nem ciência, nem Freud explicam, que quando uma coisa pifa, outras pifam junto, uma atrás da outra feito dominó enfileirado. Sério isso! Uma lâmpada, depois outra, ai o ventilador, a torradeira.
No caso específico das lâmpadas quem ai confessa que quando aperta o interruptor e a luz não ascende entra numa de ligar e desligar trocentas vezes antes de entender que queimou e tem que trocar? E quem ai tem lâmpadas reservas, resistências de chuveiro reservas? Vou fazer que nem criança exibida: - Eu tenho! E também tenho sempre velas numa caixinha, que servem além de para faltas de luz, para decorar, exalar cheirinho de cera que eu adoro, para espantar os maus espíritos, fazer pedidos, prece, oração, para as imagens dos nosso altares se sentirem aquecidas e queridas.
Chega de papo, vamos que vamos e que tenhamos uma semana iluminada, com bençãos, energia, paz e bem, por dentro, por fora e além. Amém!

5 de junho de 2014

Coisas de junho

Anavantu! Anarriê! Para quem não sabe, querem dizer esses palavrês juninos: ir pra frente e voltar para trás; Francesa a origem desses clássicos comandos de quadrilhas juninas, que esse mês eu já dancei mais meu par, com direito aos cavalheiros cumprimentarem as damas, paquera, túnel, trenzinho em circulo, olha a chuva e olha a cobra. Foi num espaço que não dava nem para dar 5 passos: uns 5 casais, um cantor sanfoneiro, improvisação e diversão num encontro de amigos. 
Comecei junho dizendo por aqui do meu apreço pelos festejos juninos, seus aromas, sabores, sons e tradições, sobre os quais em junhos passados eu já devo também ter proseado e falado de João, muito de Toinho, de comidinhas e de histórias minhas, tudo ao alcance de cliques nos posts antigos, na barra lateral do blog. Sintam-se a vontade! Amigos repetem histórias nas muitas resenhas e vivências das datas comemorativas, causo eu me repetir nas prosas, já tá explicado.
Já comecei a conferir aqui no armário se tem canela em pó, em pau e cravo, procurei caixinha de canjiquinha São Braz no mercado e venho espiando nas vitrines das padarias se já tem canjica de milho verde. Na combinação de amigos para ver o primeiro jogo da copa, para mim nenhuma precisão de churrasco ou bebidas, tendo amendoim para mim já tá de bom tamanho.
Correntes de papel, fiz muitas no colégio, no prédio onde eu morava, em casa e casas alheias com papeis estampados como esses, lisos, com jornal, páginas de revistinhas ou revistas de propaganda de supermercado. Tirinhas cortadas do mesmo tamanho e largura, aros feitos e fechados uns presos aos outros com cola ou grampos. Bandeirolas também já fiz muitas, com os mesmos materiais e também com plástico de forrar livro de escola para locais abertos expostos a chuva e a mais: cordão para fazer o perfilado dos retângulos com um lado triangular para dentro ou para fora.
Fiz na escola para os arraias, laranjinhas com carinha de meninas, pintas, trancinhas, chapéu com babados nas beiradas e laços de fita e milhos com carinhas de meninos, bigode, costeleta e chapéu de palha desfiado. Fiz fogueiras desenhadas e de palitos de picolé, usando celofane vermelho e amarelo para a chama. Os barulhos de bombas e traques são música para meus ouvidos e o cheirinho também, a não ser quando bate o sono ou mau humor, que cabe e faz bem xingar: Esses...que não param de soltar bomba! Gente que queima dinheiro! Que não tem o que fazer!...rarara
Simborá junho, muita chita nas toalhas e nas meninas, babados, tranças, laços, forró, bolos e mingaus de fubá, aipim, carimã, mugunzá, quentão, licor, santos de cada dia, casaquinhos, frio e muito amor. Carimã ou puba para quem não sabe é um produto da mandioca, obtido a partir da fermentação da raiz.

4 de junho de 2014

Por leveza, voos e pousos

Essa ave com leves asas eu fotografei na minha ida a Disney
"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade
São as borboletas e as bolhas de sabão
Eu aprendi a andar
Desde então
Passei por mim a correr
Eu aprendi a voar
Desde então
Não quero que me empurrem para mudar de lugar"
Disse Nietszche 
Eu, amo bolhas de sabão, borboletas e aves
Todos livres, leves, dançantes
Que voam e pousam
Dia desses ensinei aqui
Como fazer para que as bolhas de sabão sejam mais resistentes
Colocar um tantinho de mel é o segredo
E além de leveza doçura é outro ingrediente indispensável para felicidade
Dias assim, coração assim: leve e doce
Alma assim para sermos mais felizes

3 de junho de 2014

Do poder da palavra

A palavra, a mais antiga e extraordinária invenção da humanidade, como disse o general romano Catão, é dom de todos. Usá-la com sabedoria, é para poucos infelizmente. Penso que quem escreve é via de libertação de palavras, um garimpador e enfilerador delas e os teclados como disse o Sr. Minúsculo, são língua em pó. Que assim sejam e sejam canais de semeadura, pontes para os livros impressos, para audição e leituras de boas histórias, para a contação, admiração, percepção e descrição das artes plásticas, dança, música, culinária e todas as fonte de beleza, inspiração, cultura, saberes e sentires, que alargam horizontes por fora e por dentro.
Como sementes as palavras que dizemos e ouvimos lavram, levam, livram e também podem aprisionar, minar. As palavras são muito poderosas e por vezes não percebemos tal poder, na verdade percebemos mais ao ouvir do que ao dizer. Tem um provérbio que diz que palavras são como abelha, tem mel e ferrão, acho até que já publiquei ele por aqui.
Uma palavra que seja, ou muitas, assentam nas terras das mentes e corações férteis brotinhos de bons sentimentos ou como fel envenenam. Que escrevamos, leiamos, digamos e ouçamos palavras positivas, de afeto, palavras de perdão, de compreensão, de amor, de alegria, que o dom da palavra seja usado para o bem. Amém!

1 de junho de 2014

Junices

Junices by Esther Leeuwrik
Quando ouço o nome junho, ou vejo no calendário, um cheiro de canjica, amendoim cozido, milho assado na brasa, um sonzinho de triângulo e zabumba, um vestir de vestidinhos floridos, babados, tranças no cabelo, arrastar de chinelo, tomam conta de mim.
Para o mês de junho começá e alegrá, essa ilustração que eu tinha cá numa pasta de iluminuras, com carneirinhos de colocar a gente para dormir, carneirinhas arianas, bandeirolas, cantoria, estalar, quenturinha e lumiar de fogueira. Simbóra minha gente!