28 de dezembro de 2012

Reflexão além mar

"Oxalá pudéssemos meter o espírito de Natal em jarros
 E abrir um em cada mês do ano"
Disse Harlan Miller
Adorei isso
Metamos em nossa cabeça
Em nosso coração
Façamos um estoque natalino e usemos aos poucos
Que tal?
Cada mês, cada dia
Luzes por fora e por dentro
Fraternidade, espiritualidade, tolerância, afeto
E na virada do ano
Pular ondas e pular maus pensamentos, rancores
Receber e jogar no mar jarros cheios de bons desejos e esperança
Para que as ondas levem e tragam
Algas, conchas, cheirinho de maresia e reflexões
Peço licença a Bethânia
Que como Caetano e toda família
Deve estar muito sentida com a partida da rainha Canô
Eu estou sentida, achava ela linda, plena, encantadora
Trechos de beira-mar para ela, para o mar
Para o ano que se finda e o que vai se iniciar
Para cantarolar, rezar, refletir

"Dentro do mar tem rio
Dentro de mim tem o quê?
Vento, raio, trovão
As águas do meu querer

Dentro do raio trovão
E o raio logo se vê
Depois da dor se acende
Tua ausência na canção

Um mar de sim e de não
Dentro do mar tem rio
É calmaria e trovão
Dentro de mim tem o quê?

Dentro da dor a canção
Dentro do guerreiro flor
Dama de espada na mão"

26 de dezembro de 2012

Mensagem de final de ano

Final do ano é sinônimo de reflexão, planos para o ano seguinte, busca de símbolos, sentidos, amuletos, lista de desejos, preparação para o momento da virada, cores, deuses, santos, orixás, animais do horóscopo oriental, que irão reger o ano novinho que temos pela frente. Tom e som de: "Como será o amanhã? Responda quem puder".
E o ano de 2013 se iniciará em uma terça-feira dia da semana devotado a Santo Antonio, símbolo de desejos e práticas de paz e bem, pão para quem tem fome, cultura popular, menino Jesus nos braços. Dia da semana de Ogum, orixá da guerra (vale pontuar que guerras podem e devem ser travadas para o bem, sejam dentro de nós e/ou contra o que for ruim, sem armas ou violência), Ogum do progresso tecnológico (que também não significa alienação e sim ferramenta de apoio), orixá que representa a busca pelo sucesso, por mudar o que precisa ser mudado e que hajam então boas mudanças profissionais, pessoais, sociais.
2013 na astrologia chinesa será o ano da serpente, um ano dado à  reflexão, planejamento, busca de respostas. A dica é de ver onde se pisa e ser mais cauteloso (dica para toda vida e todos os dias creio eu). Uma ano como li nas pesquisas que fiz, para colocarmos cerca, nos protegermos.
Penso que cada ano independente de crença ou simbologias é invariavelmente feito de nossas escolhas lá atrás e do que os que estão a nossa volta escolheram e do que escolheremos aqui e ali adiante, nas muitas situações que se apresentarão. Anos são feitos de chegadas e partidas, despedidas, até logos, choros, sorrisos, abraços, puxar papos, sentir, provar, curtir, comentar, compartilhar sensações, sentimentos.
Anos são feitos de dias, de horas e em cada uma delas muitos minutos e muitas histórias, buscas, desleixos, trabalho, descanso, descobertas, confirmações, perdas, ganhos, conquistas, fé, medo, coragem e vida, a cada minuto mais um minuto de vida.
Que façamos bom uso de estar vivos nesses últimos dias do ano que se encerra e nos próximos 365 do ano novinho que nos aguarda, que 2013 seja azul.

22 de dezembro de 2012

Mensagem de Natal

Feche os olhos
Ou fique com eles abertos
E imagine um bando de pássaros voando
Se imagine um pássaro
Um anjo
Acredito em anjos
E acredito que eles voam, pousam
E andam por todos os lugarares
Deseje que anjos, fé, alegria e ternura
Asas e vôos, pés e terra firme
Céu azul, ensolarado, estrelado ou nublado
Estejam sempre eu seu cenário
Que o Natal faça morada em nossos corações
Nesses dias que antecedem o Natal
Na noite do dia 24 e sempre
"Embora haja quem diga que o Natal passou a existir por influência da festa judaica de Hanuká (Festa das Luzes), parece consensual a versão de que o Natal, propriamente o dia 25 de dezembro, origina-se de Roma, mais especificamente da festa pagã do “dies solis invicti natalis” (“o nascimento do Sol invicto”), em que se homenageavam o “deus Sol”, quando esse começava a se dirigir para o norte. 
Nessa data, era comum as casas serem decoradas com árvores, os amigos trocarem presentes, as pessoas realizarem procissões etc. 
Por se tratar de uma data relevante para aquele povo, e pelo fato de ser praticamente impossível apagá-la de suas mentes, a Igreja Católica decidiu transformar tal cerimônia pagã numa festa cristã.
A figura do Papai Noel foi inspirada no bispo católico Nicolau, que viveu por volta de 350 a.C., o qual tinha o hábito de distribuir presentes para as crianças pobres. 
Após ser canonizado (“santificado”), São Nicolau (Santa Klauss) ganhou fama, transformando-se no “bondoso velhinho” de barbas brancas.
A árvore de Natal, segundo estudiosos, provém de costumes dos povos indo-europeus, os quais muito antes de Cristo, adoravam ao que denominavam de “deusa da fertilidade”, ou seja, a árvore. 
Foi somente a partir do século XVI que o grande vegetal ganhou toda essa simbologia atual, com enfeites coloridos, velas, frutas etc.
Já o presépio tem sua origem no ano de 1223 da Era Cristã, por mãos de São Francisco de Assis, o qual tinha por objetivo comemorar o Natal de um modo mais autêntico."
Autoria: Jaime Nunes Mendes

21 de dezembro de 2012

A vida de cada um de nós é como um fio, como um curioso fio de um macarrão chinês que "conheci" outro dia, não pessoalmente, mas em uma matéria na televisão. Na China, esse macarrão de um gigante e único fio é servido em aniversários e representa o desejo de que o aniversariante tenha uma vida longa.
Ao receber o prato a tradição sugere que o fio seja puxado até onde a pessoa aguentar e só ai se parta com uma mordida ou apertando os lábios, seguido da degustação com toda excitação possível. Como o  assoprar das velas de um bolo. E pedidos são feitos,  soam-se palmas ou curte-se o momento mais sossegadamente.
Desejo que não sejam os prelúdios de final de ano ou anúncios de final de mundo, eminencia de acontecimentos extraordinários ou a falta de acontecimentos que o senso comum julga como extraordinários, pontos de partida, nem de chegada,  que não sejam necessárias desculpas ou motivos para percebermos como nossa vida é um fio, que pode ser longo ou curto, forte ou frágil e também como podemos e devemos tecer, unindo-nos aos fios alheios.
Sejamos fios firmes, com todos os altos ou baixos, esticadas e nós que estiverem acontecendo ou por vir.
Já posso ouvir os guizos das renas e visualizo papai Noel de bermudão, barba feita e boné, os reis magos a caminho da manjedoura, sinto o cheirinho do peru saindo do forno e o gostinho bom de ter uma casa, uma ceia e uma família.
Uma sexta-feira natalícia, branca e santa, sol, verão, brisas, ventos e banhos de mangueira, de tanque, de piscina, de mar, de folha, água geladinha para beber, água benta para benzer a mim e a vocês.

20 de dezembro de 2012

Voltei!

Desde a última postagem foram alguns dias sem computador, sem postagens, sem visitas. Algo errado vinha acontecendo aqui com o computador, era no HD e o resultado final foi ter que trocá-lo por outro.
Estou com idéias, reflexões, letras de músicas, poemas, crônicas, imagens, tudo acumulado e aos poucos vou colocar a casa em dia.Vim só dizer um oi, vou fazer visitinhas, leituras e comentários por ai e quero agradecer a presença na minha ausência, a preocupação e aproveito para dar adeus a primavera e desejar que flores, cores e perfumes permaneçam em nossas almas e vidas, independente de qual estação seja. Que venha o verão e que como girassóis nos voltemos para a luz, para a claridade das palavras, das ações, dos sentidos e sentimentos, da fé. Sejamos ensolarados por fora e por dentro.

14 de dezembro de 2012

Casas e vidas

"Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida depende de como é construída.
Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger. Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas. 
Tenho um amigo que não sabe dizer não...vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei: Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você? Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.
São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga. Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei: Agora você pode comprar um apartamento para morar. Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!
Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí.
Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa. O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar! E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida."
Esses são trechos de um depoimento de Walcyr Carrasco que eu trouxe para dividir com vocês, com a dica e o desejo de que cada um   pare para olhar a casa que construiu, coloque ordem no que estiver bagunçado, arregace as mangas para o que precisa ser feito ou melhorado, se alegre com o que está bom e que tenhamos todos uma boa morada por fora e por dentro.

13 de dezembro de 2012

Esse é meu filho quando pequeno e arteiro
Luz em nossas vidas
E essa foto cai muito bem no dia de hoje
Pelo chapéu de cangaceiro
E por ser um dia de luz
Dia de Santa Luzia
E aniversário de Luiz Gonzaga
Amei ouvir ele dizer
"Nasci no dia de Santa Luzia
Por isso é que sou Luiz
E no mês que Cristo nasceu
Por isso é que sou feliz"
Foi feliz e fez muita gente feliz
Através de suas música, letras e melodias
Do som inconfundível do baião
Tinha empatia popular
Tenho uma afeição especial por Luizes
Meu avó querido se chamava Luis
E pela visão dele rezei para Santa Luzia
Já pedi também pela retirada de ciscos do olho
E ainda rezo, com a oração cantarolada
Com palavras de graça e fé
"Santa Luzia passa por aqui
Tira esse cisco daqui"
Salve Luiz!
Salve Santa Luzia!
O baião, o sertão, o rubacão
E tudo que nesse mundão há de bão!

12 de dezembro de 2012

Do campo ao Nobel

O escritor chinês Mo Yan, cresceu numa região recôndita da China e  viveu um conto literário na noite dessa segunda-feira com o recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, ele disse: “Parece um conto de fadas, que aconteceu mesmo”.
Guan Moye é o nome dele, mais conhecido pelo seu pseudônimo: Mo Yan, que significa "Não fale”, que se refere ao período revolucionário da década de 50, quando seus pais o instruíam a não falar tudo o que pensava em público.
“Sei que a literatura tem uma importância mínima nas disputas políticas e nas crises econômicas no mundo, mas a sua importância para os seres humanos é ancestral. Quando a literatura existe, talvez não notemos como ela é importante, mas quando ela não existe, as nossas vidas tornam-se embrutecidas e cruéis. Por esta razão, tenho orgulho na minha profissão e estou consciente da sua importância.” Palavras de Mo Yan que assino embaixo.

11 de dezembro de 2012

Sabe aquela velha brincadeira com a cantoria: "Lá vai a bola girar, na roda passar a diante, sem demora, pois se, ao fim, dessa canção, você estiver com a bola na mão, depressa, pule, fora"? Pois é bem assim a nossa vida não é?
Como em um jogo que não podemos parar de jogar e onde há regras e onde nem sempre ganhamos, nem sempre perdemos, como diz a canção, mas a cada dia que vivemos temos que aprender a jogar melhor, entender o processo, participar mais ativamente da dinâmica é a regra principal.
A bola vai girando e passa por nossas mãos para que passemos aos outros e se ficarmos com ela na mão, parados, estáticos, depressa caímos fora do jogo.
Que passemos então a bola da amizade, do carinho, do incentivo, do apoio, da delegação de tarefas quando estiverem demais para gente, da alegrias, do conhecimento, da boa energia, para que tudo siga fluindo e a bola siga girando.
Que completando ou não nossa cartela do bingo, com peças ou feijõezinhos, estejamos sempre participando, acompanhando o sorteio, vibrando com as nossas vitórias e também com as dos outros.

10 de dezembro de 2012

Muitos vivas aos palhaços



Eu acho palhaços o máximo, gosto das trapalhadas, piadas, da maquiagem, do nariz vermelho, das roupas, cores e também gosto do lado triste e meio filosófico que nos faz refletir sobre a alegria que sempre se deve ter e transmitir independente da tristeza que todo mundo tem, até palhaços. 
Alegrias e tristezas são próprias do ser humano e saber lidar com as duas e com outros sentimentos adjacentes é como equilibrar pratos, todos girando, sem deixar nenhum cair, habilidade genuinamente circense.
Gosto também da imagem do palhaço limpando a maquiagem, como uma alegoria de tirar o personagem e olhar no espelho a pessoa que se é, que por vezes não tem nada de palhaço, por outras, ainda sem maquiagem é o personagem de cara limpa.
Como Selton Mello no filme "O palhaço", que descobre que os gatos bebem leite, ratos comem queijo e ele é palhaço ou como um palhaço muito simpático que tive o prazer de conhecer e que com ou sem maquiagem era um palhaço convicto e pelo seu tamanho, um tanto quanto reduzido, foi batizado de Palhaço Economia, é ele nas fotos desse post.
Engraçado e maravilhoso o nome, ainda que o dono não economizasse nem nas palhaçadas, nem no amor a profissão, nem em gentilezas, sorrisos e lições de vida.
Preciso citar também um dos aprendizes que Economia não economizou em ensinar, o talentoso Lucas, que me deu um autógrafo ainda pequeno e hoje já é um rapaz, fez vários curtas com meu irmão e sua trupe e tem alma de palhaço.
Clica aqui e aqui para ver, ler, viajar um pouco no mundo da profissão palhaço e conhecer Lucas e toda trupe do palhaço Economia, que trocou as estrelas da lona pelas do céu e deve estar se sentindo em casa por lá e feliz hoje em seu dia, por tudo que fez, pelos aprendizes, amigos, historias, risos e palmas que ainda damos a ele e hoje dedico a todos os palhaços.

Praças, passeios de infância e eu

Quando eu era pequena lembro-me de alguns passeios clássicos como ir a Ribeira, beira mar onde há barquinhos atracados e uma famosa sorveteira que sempre foi de um mesmo dono, um espanhol, mas hoje já não é mais. Íamos também ao Jardim da Piedade, onde tem uma Igreja de Nossa Senhora da Piedade e era a casa de meus tios e padrinho e embaixo a Padaria Piedade, onde hoje é um Shopping. A padaria ainda existe e meu padrinho tá lá, estão também os pães de leite e de milho, os biscoitinhos jesuítas e paciência, sonhos que são um sonho.
Nessa praça da Piedade que me fez viajar até a padaria, algumas coisinhas mudaram, por exemplo os camaleões que haviam por lá, não estão mais lá, em compensação há um lindo gradil novo em volta e a fonte, ainda está lá, adoro fontes.
Outros jardins também eram parte de meu roteiro, como o Campo da pólvora, que se transformou completamente, ficando apenas na memória e o Campo Grande, onde fica o famoso teatro Castro Alves, aonde há muitos pombos e uma imponente fonte, perto de onde caí de joelhos em cima de uma tampinha de metal de refrigerante virada pra cima.  Será que a teoria do infortúnio do biscoito  que teima em cair com a manteiga para baixo, vale para caídas em tampinhas viradas para cima?
Todas essas lembranças vieram se súbito ao passar essa semana que passou pelo Jardim de Alah, que não é um jardim, é orla, antigamente local preferido para piqueniques, hoje ponto de caminhadas, pedaladas, futebol e vôlei de areia e de massagens. Lugar que sempre fui quando pequena e hoje é o ponto de partida das pedaladas de bike minhas e de meu marido aos domingos e nunca me perguntei, por que jardim? Que Alah é esse?
A praia em questão é exibe um lindo coqueiral, grama, areia e marzão. Um retrato de cartão postal e  a história que achei foi que morava em uma cabana nesse coqueiral, que fazia parte de uma fazenda, um muçulmano que cumpria assiduamente suas obrigações religiosas em louvor a Alah (Deus), daí o batismo. Fui atrás dessa história, afinal muita gente sabe que Itapuã (praia famosa aqui) significa “pedra que ronca” e Itaparica (ilha mais popular daqui) significa “cercada de pedra”, nomes de origem tupi-guarani, mas poucos devem saber a origem do nome da praia Jardim de Alah.
Chega de praças e passeios que hoje é segunda-feira. Vamos arregaçar as mangas! Boa semana!

7 de dezembro de 2012

Ganhei essa imagem de Sheilinha
Amiga passarinha
Uma lindeza não acham?
Eu amei!
“Nós nascemos curiosos, nascemos filósofos. E, quando crescemos, todos aprendemos a fazer perguntas. Nisso os adultos têm muito o que aprender com a mente curiosa dos jovens. Os adultos acabam se acostumando com o mundo e ficam acomodados.” Jostein Gaarder disse e eu assino embaixo e essa é minha reflexão e pedido para hoje: não nos acostumemos, nem acomodemos.
Que eu, que nós não nos acostumemos, não deixemos de nos chocar com o que é impróprio, inadequado.
Sejamos questionadores, curiosos, empreendedores e detentores de valores que ninguém, tendências, modinhas ou pressões religiosos, políticas ou sociais nos tome, nos persuada. Façamos perguntas, busquemos respostas, sem pressa, mas com sabedoria.
“Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.” Trechos de um texto de Marina Colasanti.
Hoje é sexta-feira, final de semana a vista, descanso para um uns, badalações para outros, pensei hoje cedo como está próxima a última sexta do ano, imaginei a Colina Sagrada lotada, muito branco, água de cheiro, agradecimentos pelo ano que se encerra, eu tenho muito a agradecer. A propósito: Obrigada! Pelas visitas, comentários, carinho.

6 de dezembro de 2012

"A vida é um sopro"

A frase é de Niemeyer que também disse: “Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história, assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida.”
Meu filho quando pequeno inventou de gostar de Niemeyer, não lembro se ao ver ele na televisão, alguma matéria no jornal, numa revista, por alguma obra arquitetônica que tenha chamado sua atenção ou simplesmente por puxar a mãe, que tem simpatia latente por idosos. 
Pode também ter sido pelo nome, como eu, ele gosta de nomes, se encanta, acha engraçado ou bonito. Nomes de pessoas, coisas, lugares, sem saber de quem são ou a que se referem. Tem até histórias de criação de palavras por parte dele, não inseridas no dicionário do Word, mas eternizadas nas memórias de sua infância. Tchunco era uma delas, dita só para eu responder, quantas vezes fosse, com cara e tom de espanto: Tchunco? Tchunco não existe!
Rolinho patá-pôtô foi o nome de batismo de um rolo de macarrão sem os cabos laterais que ele fazia descer escada abaixo e nós levamos para ele fazer de novo a mesma coisa. Penso que esse nome se deve ao barulho que o rolo de madeira fazia nos degraus de cimento.
Depois de conversar sobre a vida, volto a Niemeyer para dizer que sou fã das suas construções, da sua lucidez e trabalho na atividade na qual foi mestre até a idade avançada, das suas opiniões sempre coerentes, coletivas, educativas. Um homem que se vai, mas fica, muito além da arquitetura.

5 de dezembro de 2012

Esperando na janela

Garanto que o uniforme de Noel está em dia
E os presentes e carvões também
As renas já estão ensaiando
O instrutor está conferindo os guizos
E seus preparativos?
Decoração da casa
Árvore, presépio, guirlanda
Correspondências, presentinhos
Definição da ceia, ingredientes
Tudo em dia?
Já está esperando na janela pelo Natal?
Com ela bem fechada por causa do frio?
Ou escancarada pois seu endereço não combina com neve ?
Esse é meu caso
Mais ainda passo o Natal onde tem neve
Ainda pego, arremesso, faço anjo
Boneco, bolo, bola
Visto figurino de Natal
Com direito aos Paulos com casaco igual

4 de dezembro de 2012

O mundo precisa de Carolinas

Nasceu no dia de hoje uma menina alegre, forte e amorosa como a cor vermelha de Santa Bárbara, iluminada com um feche de luz, um raio as vezes, outras só um clarão. Um doce de pessoa chamada Carolina, como os docinhos da imagem que tem esse nome e eu adoro. Meu carinho, minha amizade ainda que a distância e meu desejo de muitas realizações para ela.
O mundo precisa de pessoas simples assim
Que pensam e agem coletivamente
Que fundam bibliotecas em áreas carentes
Matéria sobre a ida ao cinema aqui
Boa gente, boa amiga, irmã, filha, sobrinha
O mundo precisa de pessoas que não desistem de seus sonhos
Que persistam até verem seu nome na lista de aprovados
Que colocam o carinho e o afeto acima da riqueza
Que são maiores que seus infortúnios
Que não perdem sua opinião e vontade numa multidão
Que são honestas nas coisas pequenas e nas grandes
Que são atenciosas e prestativas
O mundo precisa de pessoas como Carolina
De pequena, tenho lembrança de Santa Bárbara de um dos muitos dizeres de meu avô. Minha avó e eu, que sou toda tirada a valente, temos medo de trovões, eu sei de toda explicação técnica, metereológica, natural e sobrenatural do fenômeno, mas tenho medo. Ficar longe de espelhos, celulares e metais são as providencias depois de rezar e ai entra o dizer se S. Luis: "Sólo si recuerda de Santa Bárbara cuando truena". Pois é!
A medida que fui me aprofundando na minha religiosidade, lembrava do ditado e dos trovões e resolvi lembra dela mais vezes, para estreitar os laços.
Hoje e todo dia 4 de dezembro aqui na Bahia tem festa para Santa Bárbara, também conhecida como Iansã, orixá dos raios e tempestades. Dia de vermelho, amo a cor vermelha, roupas, flores a energia da cor, dia de sincretismo, orações e oferendas, missa e festa nos terreiros, procissão e caruru.
Que Santa Bárbara nos livre das tempestades e nos proteja dos raios e trovões da vida.

1 de dezembro de 2012

Inspirada em Nando Reis e Marisa Monte
Melodias e letras
Sentidos e sentimentos embalem dezembro
"Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência"
Para subir ou descer: Escada
Para o final de semana: Agito ou Descanso
Para varandas: Redes
Para os belisquetes de Natal: Nozes
Para presente: Afeto e doçura
"Para difíceis contas: Calculadora
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para embaixo da sombra: Guarda-sol
Para brincar na gangorra: Dois
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café"
Café para mim também por favor
Para dar e ganhar carinho: Abraço
Para enfeitar: Laço
"Para aumentar a vitrola: Sábado
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para a letra torta: Pauta
Para estourar pipoca: Barulho"
Para estourar caixa de achocolatado vazia: Pisão
"Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: diariamente"

30 de novembro de 2012

Natal e plural

Como eu já disse aqui várias vezes, adoro curiosidades linguísticas e dentre as que aprendi na faculdade o plural de Coca-Cola rende histórias até hoje, pois ensinei a um amigo que o certo são Cocas-Colas, uma vez que tanto a palavra Coca, quanto a palavra Cola são substantivos e palavras compostas de substantivos, quando pluralizadas, as duas vão para o plural. 
Moral da história ele passou a pedir assim e entre garçons e amigos em geral, meu marido achava e ainda acha que esse negócio de falar certo o que parece errado ou de ser errado o que eu já expliquei mil vezes que é o certo, pode acabar com a reputação do cara. 
Apesar de Coca-Cola ter a ver com Natal por causa das suas famosas propagandas natalinas, a ideia do post surgiu para pontuar dúvidas clássicas e muitos erros por ai por causa dos plurais de pisca-pisca, Papai Noel e árvore-de-natal. Momento escola, vamos lá!
Pisca-pisca, como todas as  palavras compostas de duas palavras iguais, para ser usada no plural  apenas o último termo deve ser pluralizado, então são pisca-piscas, assim como teco-tecos. O detalhe é que o ornamento natalino admite também, segundo alguns dicionários, a forma: piscas-piscas.
Papai Noel segue a linha das compostas por dois substantivos, as quais os dois termos vão para o plural, logo, mais de um Papai Noel são Papais Noéis, como mais de uma Coca-Cola, são Cocas-Colas.
Árvore-de-natal (que se escrevia desse jeito mesmo, com hífen e na nova ortografia é opcional o uso do hífen) é um substantivo composto ligado por preposição. Nessa situação, vai para o plural somente a primeira palavra. Uma árvore-de-natal, duas árvores-de-natal. De brinde, clica aqui para uma cartilha de palavras e uso do hífen (tarefinha de casa). Para nossa sexta-feira bênçãos e alegrias, muitos pisca-piscas, árvores-de-natal, Papais Noéis e tudo que for bom, de preferência no plural.

29 de novembro de 2012

"Meu Deus
Me dá cinco anos
Me dá um Natal e sua véspera
Me dá a mão
Me cura de ser grande"
São trechos de “Bagagem” de Adélia Prado
As vezes dá uma vontade de voltar a ser criança né?
Se agente soubesse como era bom será que aproveitaria mais?
Ou por não saber é feliz, não mede
Acordei filósofica hoje né?
Deixo então com vocês essa imagem qua achei linda
Um convite as lembranças da velha infância de cada um
Cartazes, letreiros, padarias, baleiros, pipoqueiros
Saias rodadas, de pregas, balonês
Sapatinhos laqueados
Laços de fita no cabelo
Quichutes e congas
Bola chuveirinho
Carrinho de rolimã
Cartinhas para o Papai Noel

27 de novembro de 2012

Festa em Poá

Chica, nome fácil de falar, sonoro, alegre
Presença constante aqui no blog e em tantos outros
Amiga comum do tipo incomum
Pessoa fofa, simples, doce, atenciosa
Afetuosa, criativa, engraçada
Poética, filosófica e prosáica
Hoje é aniversário dela
É dia de festa em Poá
E essa é minha homenagem
Registro de meu carinho e admiração
Eu pensei em fazer versos sobre joaninhas e jardins
Amizade, bondade, carinhos sem fim
Fiquei procurando palavras simples
E tentando iluminar elas, para parecem velas
Ai pensei melhor e resolvi fazer elas perecerem bandeirinhas
E pendurar aqui nessa janela
Onde sempre passa uma joaninha
Que janelas e portas
Céus, campos, estradas
Rios e mares
Estejam a seu alcance
Por muitos anos ainda
É Chica! É Chica! É Chica!
É Chica! É Chica! É Chica!

26 de novembro de 2012

O que cabe em uma semana?

O ato de medir é tão presente em nosso dia a dia
Medimos consciente e inconscientemente
Distâncias, tamanhos, volumes, espaços
O que você vai colocar dentro de seu dia hoje?
E na semana inteira?
As vezes na distância de um minuto a outro
Ou até em uma fração de segundos 
Podemos mudar nossas vidas
Clica aqui para ver um vídeo
Sobre o que cabe em um milimetro
"Somos infinitos números convivendo em um mesmo espaço"
Infinitas possibilidades nos cercam
Façamos bom uso de nossas escolhas
E entre limites e ilimitações
Sejamos felizes

24 de novembro de 2012

"A vida, às vezes, é tão intensa
Que nem precisa fazer sentido”
Ana Jácomo
Laçar estrelas?
Porque não?
Lacemos a lua, o sol, as nuvens
Lacemos nossos sonhos
Tenhamos um final de semana realizador

23 de novembro de 2012

Sexta-feira
Final de semana a vista
Em todos os cantos já é Natal
Bençãos para nosso dia
Cheirinho bom de maresia
Sensação de pés descalços na areia
E estrelas do mar
Para no clima de Natal agente entrar

21 de novembro de 2012

A procissão passa por dentro

Foto de meu filho com meu avó
Por dentro deles passava uma procissão
Meu avó, como eu já devo ter dito aqui, era doce como um caramelo e fofo como um algodão, como diz a canção: muita graça, muito riso, meu avô sabia brincar e era tão lindo seu sorriso e tão afetuoso seu jeito de amar e ele ainda tinha um maravilhoso senso de humor de onde saiam frases e ditados que se repetiam. Como uma frase muitas vezes dita e que sempre me lembro ao ascender a primeira lâmpada ao cair da tarde: "Boa noite Cinderela! Não há santa como ela!". Posso estar enganada, mas acho que foi ele que inventou isso e  não significa absolutamente nada, mas eu repito quase que automaticamente e ele está presente a cada primeiro click da noite, seria essa a intenção dele? Vale ressaltar que as frases tinham sotaquezinho espanhol.
Ele também dizia quando nos afligíamos com a novela ou algum programa de TV: "Fiquem tranquilas, está tudo combinado!". Amava os programas de Silvio Santos, Os trapalhões e uma propaganda da Gelol (pomada para machucados), que tinha queda para todo lado, dentre elas uma pessoa que vinha correndo e caia por cima de uma banca de frutas e lá se ia tudo para os ares e era o ápice da risada dele que ficava com as bochechas vermelhas e até lágrimas caiam dos olhos, passasse o comercial quantas vezes passasse. 
Lágrimas também e palavrões dos grandes quando eu prazerosamente fazia a sobrancelha dele Sim! Eu fazia e sim ele deixava, deixava a gente cortar a unha dele, fantasiar ele, quase um cabeça de batata em nossas mãos.
Citamos tantos escritores, tantas frases filosóficas ou banais de pessoas famosas ou até de anônimos e com certeza temos pérolas ouvidas na nossa infância, no nosso dia-a-dia que por vezes passam despercebidas, por vezes não, mas raramente usamos em cartões, cartas e publicações. Eis-me aqui para corrigir isso.
Esse ditado da procissão é ótimo, as vezes há muito floreiro por fora, declarações de fé, amor, devoção e por dentro pão bolorento. Que as procissões passem por dentro da gente.

19 de novembro de 2012

Coragem e gratidão

Para começar as semanas tento sempre escolher palavras, imagens, poemas, letras de música ou escrever algo, seja um desejo ou uma crônica inteira que me adoce e encoraje e adoce e encoraje a quem por aqui passar.
Desejo hoje que na nossa jornada diária queiramos e lutemos sempre pelo melhor, que busquemos nossos sonhos e realizações, mas ao mesmo tempo agradeçamos a vida que temos. Muito triste famílias inteiras na Espanha sendo retiradas de suas casas, sem ter para onde ir. Ações de despejo, desemprego, desespero. Agradeçamos por nossa casa, pela comida a nossa mesa, por ter um emprego ainda que não seja o ideal, por ainda que sem grana para supérfluos,  conseguirmos pagar as contas ou até mesmo parcelar elas.
Agradecimento, coragem, realização e oração pelos que passam por situações difíceis. Que a força de dentro seja maior que todos os ventos contrários.

18 de novembro de 2012

"O universo parece-me mais com uma grande ideia 
Do que com um grande máquina"
Disse James Jeans e eu assino embaixo
Boas ideias em nosso domingo
Para nossa semana
Em nosso infinito particular
E no universo ao nosso redor

12 de novembro de 2012

Passando rapidinho
Para desejar uma semana de cantos e encantos
Leve como uma brisa
Ou forte como uma ventania
Que o tom seja de cantoria
Que bons ventos soprem a nosso favor
"Os tristes acham que o vento geme
Os alegres acham que ele canta"
Luiz Fernando Veríssimo

9 de novembro de 2012

"Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia
E vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida
Já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido
Vira o ponto de visão"
Lenine

7 de novembro de 2012

Amo essa foto de meu filho
Essas e todas...rsrs
Lembrei dela quando li um post
Sobre o livro "A elegância do ouriço"
De Muriel Barbery
Clica aqui para ver o post
A autora do livro aborda diversos temas contemporâneos
Através de ironias delicadas e reflexões filosóficas
Tempo e eternidade
Beleza e Envelhecimento
Justiça, Ética e Psicologia
Uma zeladora de um prédio chique 
Que tem mais finesse e conteúdo
 Dos que as pessoas sofisticadas que ali residem
Muitas pessoas são como ouriços
Por fora espinhos, por dentro delicadeza
Outras são belas e fascinantes como água-vivas
Mas queimam
“Além do que se aparenta
Há o joio, mas também o trigo”
Há que se prestar atenção
Nas coisas, nas pessoas, na vida
Além das aparências ruins ou convidativas demais

6 de novembro de 2012

"O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e a esquerda
E de vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança
Se ao nascer reparasse que nasceras deveras"
Alberto Caeeiro

5 de novembro de 2012

Td dia é dia de cultura

Hoje é comemorado o Dia da Cultura Brasileira em homenagem a Ruy Barbosa, nascido em 5 de novembro de 1849. Dia de cultura é todo dia e valorizar, viver, ensinar, alimentar a cultura é papel de todos nós, a cultura está no povo e o que deve ser cobrado e vigiado são as condições necessárias, para sua preservação e manutenção.
É nosso o papel da valorização pessoal e disseminação da nossa cultura, seja entre nossa família, sucessores, amigos ou além fronteiras, bem como deve ser nosso o interesse e reconhecimento do valor e significados das culturas de outros povos, países e civilizações do presente e do passado.
A cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a nossa demografia. Somos um pais miscigenado, dinâmico, criativo, produtivo e nossa cultura é portanto peculiar, múltipla e rica.

1 de novembro de 2012

Rumo a SP

“Somos seres enraizados. Moramos a vida inteira na mesma cidade, mantendo um endereço fixo. Nossa movimentação é restrita: da casa para o trabalho, do trabalho para o bar, do bar para a casa, com pequenas variações de itinerário. Essa rotina vai se firmando gradualmente, e um belo dia nos damos conta de que estamos vendo sempre as mesmas pessoas e conversando sobre os mesmos assuntos", boa reflexão, das muitas de Martha Medeiros.
Há segredos, aprendizados, horizontes que se revelam quando nos pomos em movimento. Estou indo me por em movimento, na movimentada Sampa, mas volto segunda, com muitas histórias para contar. Até!
Olá novembro!
Seja bem vindo e que seja bem vivido
Que as folhas secas o vento leve
Que nossas esperanças sejam renovadas
E tenhamos os corações abertos
Que venham as decorações dos Shopping
Anunciando a chegada do Natal
Os enfeites
Os preparativos
O som dos guizos
O sentimento fraterno entre as pessoas
O inicio dos balanços do ano que se passou
E planos para um ano novinho que virá
Que seja um doce novembro
E que os próximos sejam sempre mais doces

31 de outubro de 2012

Salve Drummond!

"Os homens são como as moedas
Devemos tomá-los pelo seu valor
Seja qual for o seu cunho"
Carlos Drummond de Andrade
Hoje completaria 110 anos um mago da literatura, da poesia, das crônicas, em um dia que tem até nome: Dia D. Dia de Drummond, um homem de valor.
2012 marca os 25 anos de falecimento do escritor que disse que as coisas findas e eu digo que as as pessoas também, muito mais que lindas, ímpares, ficarão e ele ficou e ficará para eternidade.

30 de outubro de 2012

Foco é importante
Não queira abraçar o mundo
Abrace o que está ao seu lado
Ao seu alcance
Curta o que você tem
"Quem muito abraça
Pouco aperta"
Ditado popular

29 de outubro de 2012

Crônicas ambulantes

Esse mundo é mesmo sem porteiras e se agente se dispuser e treinar em alguns instantes não olhar para o relógio, fazer contas, reclamar, a fazer tudo com pressa e automaticamente, pode observar uma pipa presa num fio, um passarinho saltitante ali ao seu lado no meio da rua barulhenta, uma criança, uma folha ou dar atenção ao flanelinha na sinaleira, descobrimos, aprendemos, expandimos nosso olhar, nosso sentir, nosso ser.
Dia desses vindo para casa com meu marido avistamos o flanelinha personagem de uma crônica que publiquei aqui e ao invés de fugir das investidas de limpeza dos vidros do carro, fizemos questão de parar só para dar um agrado a ele, que educado e bem humorado, como sempre, perguntou ao meu marido onde ficava um tal lugar onde tira carteira de identidade e ai disse que havia perdido um dia todo sem sucesso para tirar novos documentos e a atendente, onde ele esteve, perguntou se ele queria um atestado para apresentar no trabalho por ele ter perdido a tarde lá e ele então ficou se perguntando e nos perguntou: "Atestado para dar a quem?"
Seja uma história inventada, uma piada ou um acontecimento verdadeiro, as tiradas dele o tornam diferenciado, um comunicador nato e para mim um inspirador de crônicas. Sem instrução, sem blog, sem livro, um vendedor ambulante que o produto é a limpeza do seu carro e de brinde você leva um sorriso, uma história, uma distração, com direito a reflexões se você se permitir.
Eu ia escrever sobre essa história a alguns dias mas acabei me esquecendo e lembrei a partir da leitura de uma crônica sobre vendedores ambulantes e da descoberta de uma nova palavra. “Tenho licença poética pra usar a palavra Cronicalize, concedida pelo Word. Basta "Adicionar ao dicionário" e ele concede a licença", diz o criador em seu blog.
Crie ou apenas observe as crônicas do dia-a-dia, as estáticas e as ambulantes. Boa semana!

27 de outubro de 2012

O mundo precisa de pessoas que tenham calma
Que tenham palavra
Que tenham suas próprias opiniões
Que dividam suas vontades com a do próximo
Pessoas honestas 
Nas coisas grandes e nas pequenas
Que não queiram só levar vantagens
Que saibam dizer e escutar um não
E que deem valor a cada sim que ouvirem
Um final de semana bom
Entre boas pessoas
E sendo boas pessoas
Até segunda!

Desatando nós

Hoje eu trouxe para compartilhar com vocês uma história da amiga que foi comigo a Flica, Rosiane Xavier é o nome dela. Eu já havia ouvido essa história que é sobre o inexplicável, o recado que as vezes há nele, sobre a fé e sobre fechar ciclos e pedi a ela para escrever para eu publicar aqui no Blog. Fiquei maravilhada ao receber por e-mail. por como ela escreveu tudo tão cheio de sentimento e de detalhes, bem escrito, duas páginas no Word. Pela experiência que tenho de que post´s grandes não rendem muitas leituras, uma vez que o corre-corre as vezes só permite visitinhas rápidas, dei uma editada no que ela escreveu, sem perder a essência da história, que ela chamou de: "Desatando nós".
Tentei achar uma imagem para o post, mas deixei cada um escolher uma ou várias imagens através do que vão ler.
"Acordo num sábado lindo, sou uma pessoa solar, gosto do dia, do calor do sol e da luminosidade que ele exerce no meu dia, então quando abri a cortina do quarto e me deparei com aquele mar lindo, todo azul me chamando, não pensei duas vezes e sai para caminhar e após a caminhada tomar meu banho de mar, como de costume. Quando estou no inicio da minha trajetória, veio no sentido oposto um garoto, percebi no ato o olhar malicioso dele e ao nos cruzarmos, com uma habilidade invejável e uma mão mais leve que uma pluma, ele arrancou a corrente de ouro com um pingentinho de estrela, que eu trazia comigo há 11 anos, e que tinha sido presente de meu penúltimo trabalho, na festa de despedida, onde a inscrição no cartão era que eu estava ganhando aquela corrente com uma estrela, para que minha estrela nunca parasse de brilhar.
Recuperada do susto continuei minha caminhada, e depois de uma hora e meia, fui dar meu mergulho e fiquei lá na água salgada e energizante do mar, me conectando com a força divina das coisas e deixando a maré levar o fato já consumado.
Chegando em casa, de cara, encontro minha fiel escudeira, diarista que esta comigo há mais de 20 anos e conto que perdi a corrente e tudo o que aconteceu. Quando me viro para sair da cozinha ela vê a corrente entranhada em meus cabelos, o pingente não estava lá, então fui buscar outro, o de um sol foi o escolhido e ela me disse com sua simples, amiga e valiosa sabedoria: Foi melhor assim! O tempo de estrela já passou, agora será um novo tempo em sua vida, regido pelo sol, e com muita luz. E eu já estava iniciando um novo circulo em minha vida, porem sem a menor consciência.
Fui a joalheria, pois a tal corrente estava quebrada e mandei consertar, porem depois que o ourives fez a solda, a moça que me atendeu, falou que antes de colocar novamente em meu pescoço ira desmanchar os nós, e coloca a corrente numa pedra preta, e com duas pinças começa a desatar os nós que a corrente tinha, eu fiquei meio que hipnotizada por aquela “operação”, parecendo que ela estava desatando não apenas os nós físicos da corrente, mais outros nós que talvez estivessem travando minha vida. Não sei bem explicar!  Saio do transe, ela bota a corrente no meu pescoço, e eu saio dali já protegida pelo sol, começando uma nova era na minha vida, porem ainda sem essa consciência.
Com o passar das horas e especificamente no dia seguinte, percebi que aquela corrente não era a minha corrente, era muito mais comprida e pesada, verifiquei nas fotos, não estava enganada e daí comecei a fazer uma retrospectiva da hora em que fui caminhar ate chegar em casa e vi que era impossível a corrente ter se emaranhado em meus cabelos, pois eu estava com os cabelos presos e dentro do chapéu, portanto, meu pescoço totalmente livre e sem pelos para que qualquer objeto pudesse ter se encaixado, olhei as fotos antigas e a corrente que estava em meu pescoço, não era em hipótese algum a que ficou por 11 anos me protegendo.
Aceitei o presente como sendo de Iemanjá, do mar, o sol, a renovação, nova proteção com a leveza advinda daquele ritual da mulher desatando os nós na joalheria e as coisas começaram a tomar formas mais intensas com relação ao que eu queria para minha vida, no campo profissional, onde andava muito insatisfeita e em outros campos.
Mudei de trabalho, estou muito mais feliz, fiz uma reforma em minha casa, que esta simplesmente luminosa, com paredes e pisos brancos e moveis coloridos, onde o sol tem muito mais espaço para reinar, onde todos os dias acordo vendo ele e acompanho o movimento das marés a noite quando me deito a lua, sempre lembrando que neste circulo, o sol agora é o meu guia e reinará com toda luz e intensidade em minha vida."
Obrigada amiga Rose pelo seu depoimento aqui para o blog!
Desejo que o sol reine em sua vida e que nos momentos de menor intensidade ou escuridão você tenha serenidade e a certeza de que ele está lá e que nasce todas as manhãs.

26 de outubro de 2012

Difícil, simples e feliz

“No fundo é simples ser feliz
Difícil é ser tão simples”
Bem definiu a turma do Teatro mágico
Que sejamos felizes
Descompliquemos
Tiremos da nossa frente os obstáculos
As amarras, nós, âncoras
Pessoas, posturas, comportamentos
Tudo que é complicado
Que complica
Façamos o difícil e sejamos simples

24 de outubro de 2012

Baianês na Flica

Pois é, eu sou uma baiana nata. Para cada post, me policio e faço correções quanto ao uso de expressões locais. Falo gíria, falo cantando, falo palavras que só baiano fala e que de tanto falar acham que são universais.
Lembro dos paulistas tirando sarro na excursão que fizemos a Disney, lembro de um pedido de referência de um local quando estive em Maceió. É longe?, perguntei. O grupo de garotos disse: É uma lapada e eu traduzi no ato como uma boa baiana, entendedora e praticante de palavras regionais: É uma paleta! Ou seja, era longe.
Além de palavras inventadas analisei e assinei embaixo da listagem muito bem feita sobre hábitos linguísticos de diminutivos, aumentativos, subtração de letras, adição de acentos e repetições de uma mesma palavra com dom de dengo ou voz de comando do  meu amado idioma baianês. O escritor do dicionário, Nivaldo Lariú, que não é baiano, ou é, pois escolheu ser, tornou-se, contaminou-se a ponto de jamais se curar. 
Ouve ainda a participação teatral e cômica de um ator, em um personagem pitoresco que de 10 palavras, 8 eram em baianês. Ele interrompeu o evento questionando e reclamando, pois aquela não era mesa anunciada pela programação. Uma figura! Já ouvi dizer por ai que baiano quando não está em cena ou em festa, tá ensaiando. Pois é!
Abaixo algumas pérolas nossas de cada dia extraídas do dicionário.

A Migué - À vontade, de forma esculhambada
A Pulso - À força
À Toa - Parado
Abrir o Gás - Se mandar, ir embora
Abusar - Perturbar, encher o saco
Afff! - Puxa vida!
Arerê - Confusão, agito
Armengue - Improviso, gambiarra
Arraia - Pipa
Badogue - Estilingue
Banca - Aula particular ("Joãozinho faz banca de português")
Banda - Pedaço, parte
Banho-de-Cuia - Lençol no futebol
Boca-de-lobo - Bueiro
Bolacha - Biscoito
Bora? - Vamos? ("Bora sair?")
Botar pilha - Botar fogo, instigar
Brau (Brown) - Cafona, de mau gosto
Buzu - Ônibus

Reparem (olha a gíria) que eu só fiz uma pequena seleção das letras A e B.
Depois venho contar da última mesa que participei na Flica e algumas historinhas mais.

23 de outubro de 2012

Recebei hoje de Carol por e-mail uma imagem, que não consegui baixar com qualidade para publicar. Convido vocês a treinarem a capacidade de imaginar mediante uma descrição. 
É uma fila de pessoas, onde todas estão lendo. Passando por cima delas uma borboleta e apenas uma das pessoas que estava na fila, tem o olhar voltado para ela, na capa do que a pessoa está lendo, está escrito: poesias.
Me pegou em momento de análise de que ser muito poética, romântica e ainda ariana, leia-se idealista, não combina muito com o mundo real, traz sintomas e consequências em dias de tpm, não dá lucro e não é assunto comum em rodas de amigos. Estou inclinada a dar espaço a meu olhar de águia em meio aos saltinhos de sabiá laranjeira. Fixar o olhar no prático, funcional e deixar passarem algumas borboletas.

22 de outubro de 2012

Eu fui na FLICA



No sábado eu fui na Festa Literária Internacional de Cachoeira. Muitas histórias e fotos com todo incentivo e apoio moral, logístico e patrocínio de meu marido e na companhia de uma amiga querida, Rosiane Xavier. 
Participamos de três mesas: uma sobre Jorge Amado, outra sobre o dicionário de baianês e outra sobre Nelson Rodrigues. Distribuímos muitos marcadores de página lindos do blog, feitos por outra amiga querida, Calíope, que tem um blog de designer, o Lili Up.
Vou aos poucos trazendo para compartilhar com vocês o que vi e ouvi por lá. Boa segunda e bom feriado para quem é comerciário.

17 de outubro de 2012

Notícias da Flip

A 11ª Festa Literária Internacional de Paraty já tem data marcada e vai acontecer entres os dias 3 e 7 de julho de 2013. O autor homenageado, como já se havia cogitado, será Graciliano Ramos, alagoano, escritor e jornalista muito influente no Rio, além de político, o que influencia e marca sua obra com forte conteúdo social. Uma de suas obras mais importantes e conhecidas é Vidas Secas, retrato de indignação e agruras dos retirantes nordestinos castigados e humilhados pela seca.
Mauro Munhoz, que dirige a festa, contou que a homenagem se estenderá por todo o ano: "Os alunos das escolas de Paraty vão estudar a vida e a obra do autor desde janeiro do ano que vem e serão realizadas ações permanentes para que moradores e visitantes de Paraty possam ter uma proximidade ainda maior com esse importante escritor”,
O curador será novamente o jornalista Miguel Conde e o Flip Encontro está se tornando cada vez mais real.

Frutos das virtudes que plantamos

As virtudes do Espírito Santo enumeradas por São Paulo, são: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança.
Penso que toda pessoa deve buscar crescer interiormente, buscar uma vida baseada nesses valores. Se tivermos vida interior equilibrada, trabalhada, sadia, seremos uma árvore que dá flores e bons frutos, dos quais nos alimentaremos e alimentaremos quem nos cerca. Frutos de prudência, maturidade, amor esperança, caridade,  fortaleza,  equilíbrio e inúmeras virtudes que giram em torno dessas.
Nossas vidas pessoal, familiar, matrimonial, maternal (paternal), profissional, exigem esforço constante para se obter bons resultados.
Um bom presente para um bom futuro, um bom convívio com as pessoas que nos cercam, sem influenciar e se deixar influenciar por hábitos, modismos e condutas das escolhas que são de cada um.
Não somos o que nos acontece ou o que acontece a nossa volta, somos o que escolhemos ser, somos frutos das virtudes que plantamos.

16 de outubro de 2012

Cartas na mesa

Estava aqui pensando no livro O dia do coringa de Jostein Gaarder, mesmo autor de O mudo de Sofia, que desejo ler e ter já a algum tempo e me ocorreu a seguinte reflexão que me lembrou jogatinas de baralho no play do prédio vizinho onde eu morava, mas isso é assunto para outra reflexão.
Na vida, como numa distribuição de cartas para um jogo de baralho, cada jogador recebe uma mão de cartas, uns recebem vários duques, ases ou coringas, é sempre assim, por mais que o baralho tenha sido embaralhado e há os que pegam um mão péssima, nada com nada. No decorrer da partida, nossas vida, nossos caminhos e escolhas são as partidas, podemos descartar, comprar, ter parcerias,  jogar o jogo. Sempre tem os que trapaceiam, mas tem aqueles que focam nas regras, se concentram, são espertos e fazem bom uso do senso de oportunidade. O amadurecimento permite ao jogador ser menos afobado e saber que não se vence sempre, como diz a canção, "nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar".