21 de janeiro de 2014

Equilibro nosso de cada dia

Fernando Sabino, sabido, bem definiu e descreveu
"Tem de ser equilibrista até o final
Suando muito
Apertando o cabo da sombrinha aberta com medo de cair
Olhando a distância do arame ainda a percorrer 
E sempre exibindo para o público um falso sorriso de serenidade
Tem de fazer isso todos os dias
Para os outros, como se na vida você não tivesse feito outra coisa
Para você, como se fosse a primeira vez e a mais perigosa"

20 de janeiro de 2014

Para todos os dias

Foto de Marcos Bautista
Projeto alegria
Que já teve esse ano nariz na garrafa 
Lançada ao mar para alegrar Netuno e Iemanjá
E outras criações virão
Para que haja sempre no mundo fé, circo e pão
Trouxe como novo post do dia
Para trazer e levar alegria
Proteção, alimento, benção

A grama ao lado

Eu certa vez cheguei a conclusão e contei aqui que eu não ia ser feliz sendo ascensorista, ia me dar uma aflição ver tanta história entrando e saindo pela metade. Deus me livre! Dia desses descobri uma outra ocupação na qual eu não teria sucesso, na verdade, para ser mais precisa, eu não teria lucro.
Passando diante de um conjunto de casas vi que um rapaz aparou a grama da frente de uma delas, um espaço de uns 2 metros apenas, ele já estava guardando o compacto cortador, um cheirinho de grama que adoro exalava no ar e eu pensei no mesmo instante: Não! Eu não ia me sair bem nessa função, não ia levar até ali aquela maquininha maravilhosamente prática, aparadora e melhoradora do visual de casas e ruas e ainda exaladora de cheiro de grama e simplesmente cortaria apenas um pequeno espaço para o qual teria sido paga.
Algo que ia desconsiderar a razão e o tino comercial, algo voluntário iria me mover rumo a poda das gramas das casas vizinhas, rapidinho, sem ninguém me pedir ou pagar, por gosto, por estar tão ao meu alcance.
Sei que tem quem não sabe do que estou falando, muitas pessoas na verdade, mas sou assim. Nos muitos lugares onde trabalhei me davam algo para ser feito para aquele dia e outras coisinhas para os dias seguintes, mês seguinte as vezes e ao terminar de fazer uma coisa a outra já estava pronta, nunca soube ficar com algo necessário a me olhar e seu meu serviço acabasse o da colega era adiantado, quando assim permitido, porque tem gente que gosta de ficar maturando serviço e que não dá um prego numa barra de sabão se não for parte de sua função. além dos que tem gosto por protelar e ter do que reclamar.
A solicitação de um histórico acadêmico por exemplo, com prazo para 8 dias, o definido pela secretaria da Faculdade de Medicina onde trabalhei, chegando as minhas mãos era solicitação recebida, impressa e encaminhada para assinatura da direção na mesma hora ou assim que o que estava na fila saísse. Quase nunca havia nada na fila.
Xícaras de café das mesas vizinhas, iam de carona na ida a copa para levar a minha, que sempre levei, assim como levo a bandeja ou descartáveis no shopping até a lixeira. O inusitado é que algumas colegas se incomodavam e o funcionário da copa que já havia passado umas 12 vezes pela xícara também. No caso das praças de alimentação dos Shoppings, tem quem deixa tudo nas mesas dizendo estar ajudando a manter o emprego do pessoal da limpeza. Ai! Ai!
Enfim, dentre outras coisas, como render crônicas, essas minhas reflexões estão me deixando preocupada de quanto o mercado de trabalho já curto se encurta ainda mais com meus mas. Bom trabalho, boa semana, boa segunda a todos do meu gramado e das gramas de todos os lados.

17 de janeiro de 2014

Receitices



Recebi dia desses pelo correio um jornal
Colorido, cheio de crianças, cartazes, atividades
Foi o jornal da Escola onde estuda um amigo meu
Com fotos dele e sua cobertura de um Projeto de Receitas
Para mim teve sabor de cobertura de chantili com nozes
Tinha enviado, por sintonia, para casa desse mesmo amigo
Para ele e sua irmã, cortadores feitos por meu pai
De lata, com destreza e beleza ímpares
Para fazer biscoitos, cortar massa de comer ou de artesanato
Marcar a terra como que carimbando ou o que der na telha
E as doces imagens do post são das mãos deles e dos cortadores
Retratos de uma das histórias da amizade a distância
Entre mim e essas duas doces crianças
Agora vou contar um segredo:
Tenho guardado rascunhos para um livro
Que imagino com cara de livro de receitas
Com mini colher de pau amarradinha com fitas na capa
E um elástico para amarrar quando ele ficar estufado 
Das receitas contidas e adicionadas
Guardadas soltas, coladas, presas com clipes ou grampo
Com seções de entradas, pratos principais e sobremesas
E ingredientes de sentimentos e comportamentos
Receitinhas de bem viver
Para pessoas doces, apetitosas, decoradas
E também para as tipo cocadinhas de sal
Segue uma das receitinhas de minha autoria
Ideal para sextas-feiras
Para não empelotar o final de semana
Não grudar no fundo do poço, do sofá, da cama
E não entrar numa de querer comer sopa de garfo
Complicar as coisas em bom português
Registro, antes da receitinha, de meu sorriso de orelha a orelha
Feliz como lamber massa de bolo
Pelo projeto do meu amigo Bernardo, as doçuras de Júlia
E todo o apoio logístico e afetuoso da mamãe Ana Paula

Receita para espantar tristeza

Ingredientes:
Uma porção de Sorrisos
100 gramas de caretas
1 pacote de músicas animadas
2, 3 ou mais janelas escancaradas
Sol e chuva a gosto
Braços e coração abertos e muito afeto

Modo de fazer:
 Sorria ou faça careta na frente do espelho
Despeje de frente para alguém o seu melhor sorriso
Ou um tímido que seja, só para decorar
Ouça e cantarole uma música bem animada ou várias
Vale também dançar se a massa estiver firme
Abra as janelas, todas, bem abertas
Se estiver chovendo, como açúcar de peneira
Coloque as mãos ou o braço todo para o lado de fora
Se for chuva grosa que nem pingos de glacê
Vá para o meio da rua tomar chuva da cabeça aos pés
E depois tome banho quentinho, tipo banho Maria
Para rechear plante bananeira ou faça qualquer besteira
Abra as mãos e estique como se pudesse pegar uma estrela
Estenda os braços para uma amiga, um amigo, um parente, seu amor
Não precisa dizer nada ou diz para ficar com mais sabor
Sirva de adoçante com quem cruzar adiante
Tenha sempre afeto para dar e vender
E o mais satisfeito sempre será você

15 de janeiro de 2014

Pequenas grandes memórias

Taboca (ver aqui)
Marido comprou para mim na sinaleira
E do lugar de onde saímos, após essa parada
Antes de chegar no que fomos
Dei um pulinho em minha infância

“Então digo à minha avó: Avó, vou dar por aí uma volta. Ela diz: Vai, vai! Mas não me recomenda que tenha cuidado, nesse tempo os adultos tinham mais confiança nos pequenos a quem educavam.
Não tenho muito por onde escolher: ou o rio, e a quase inextricável vegetação que lhe cobre e protege as margens, ou os olivais e os duros restolhos do trigo já ceifado, ou a densa mata de tramagueiras, faias, freixos e choupos que ladeia o Tejo para jusante, depois do ponto de confluência com o Almonda, ou, enfim, na direcção do norte, a uns cinco ou seis quilómetros da aldeia, o Paul do Boquilobo, um lago, um pântano, uma alverca que o criador das paisagens se tinha esquecido de levar para o paraíso.
Não havia muito por onde escolher, é certo, mas, para a criança melancólica, para o adolescente contemplativo e não raro triste, estas eram as quatro partes em que o universo se dividia, se não foi cada uma delas o universo inteiro.” José Saramago em "As Pequenas Memórias"