7 de março de 2014

Sobre chover, render e bem querer

"Hoje ela quis ser chamada por seus adjetivos
Fina, constante, gelada
Impôs sua presença absoluta
Sem deixar espaço para um pedaço sequer de azul
Ou mesmo abrir uma fresta 
Para que um raio somente 
De alaranjado se mostrasse
Protagonista cinza atuou o dia inteiro, calma, segura de si
Ousei pensar que perderia as forças no fim da tarde
A verdade é que passou a tarde a se preparar 
Para intrépido espetáculo
E no limiar entre o entardecer e o anoitecer fez sua aparição
Volumosa, intensa, vestindo o negro do céu
Mostrava-se garbosa a frente dos faróis dos carros
Usando-os como holofotes para a peca que encenava
Antes de ir, porém reservou-nos uma surpresa:
Uniu-se aos estrondos, permitiu um coro de vozes em trovejar
Permitiu que seu negro vestido fosse riscado por raios
Assim parte
Teve aqui seu palco
Absoluta, necessária, incômoda
Voltará breve
Ou não"
Por Ana Paula Amaral
Quando estou sem guarda-chuva ou sombrinha (sempre, pois não gosto de carregar esse grandioso e desengonçado acessório para cima e para baixo e  vale pontuar que quando era obrigada nos tempos de escola a levar, era costumeiro por avoamento deixar por lá). Costumo dizer para me justificar de ficar igual a uma pata molhada que é água abençoada, afinal cai do céu. Já mandei também um memorando para São Pedro, pedindo para Deus rever isso de chover frio, quando não gelado, mas nem mesmo com o aquecimento global o setor de chuvas faz chover morninho. Uma pena! Sem falar do barulho e espetáculo luminoso causado pelo choque das nuvens carregadas, que tenho horror, como já contei aqui, aqui, aqui e por outras postagens, comentários e lamentos por ai.
Voltando para chuva para eu relaxar, ela está aqui hoje (não aqui em Salvador, aqui no blog), além de pelas águas de março que fecham o verão, por amizade e admiração. É que esse cronicalizar poético acima é parte do livro Crônicas gris, de Ana Paula Amaral, uma seleção de crônicas escritas por ela a mão, passadas para o computador, passando por todo processo de busca e entendimento com uma editora. Palavras que alegram e aquecem o coração e como amiga dela que sou, aqui estou para fazer divulgação.
Desde quando comprei o meu exemplar, já li, reli, fiz anotações, transformei em poesias e crônicas inspirada pelo que há nas linhas e entrelinhas de tom branco paz e tons mais escuros, de sensações de frio e calor, de sermos e do outro ser casulo e borboleta, histórias para criarmos asas por fora e por dentro.
Chover é o título dessa página que trouxe para degustação e recomendação de compra do livro, que é uma porta com portinholas como a da imagem, uma janela para você abrir uma fresta e escancarar, um arco-iris para dias de chuva e sol. A venda é direto com autora, pelo e-mail: paula.amaralanis@hotmail.com.
Põe sua capa ou abre os braços e deixa chover, deixa ser sexta-feira já que hoje é sexta-feira e deixa ser também sexta nas segundas ou terças. Deixa molhar e toma banho quentinho depois, chá de maçã, café com leite, chocolate quente, escuta os sons, sente o cheiro da grama molhada, para  e observa as nuvens se abrindo, o céu clareando, porque o tempo muda o tempo todo no mundo e há tanta vida lá fora e dentro da gente, sempre.

6 de março de 2014

Cartões de visita a primeira vista

Tem muito isso de as pessoas comprarem, exibirem, usarem roupas, acessórios, carros, casas e discursos como cartão de visita. Não os que gostam de moda, de carros, decoração, leituras, vinhos, culinária ou o que seja. Falo de quem escolhe o modelo do carro para impressionar ou contrata alguém para montar um ap todo equipado de coisas que nem usa, coisas que não tem histórias pessoais, móveis com nomes, sobrenomes, livros que sejam da cor do sofá, do assunto da moda ou de autores clássicos, nunca sequer foliados pelo morador que lhe representa.
Tem ainda os cartões academia ostentados por ser verão, vida saudável e ativa que por trás tem comida industrializada, preguiça de andar até a padaria e sofrimento por não comer uma fatia de pizza, mas tomar cerveja é super natural e no geral o motivo da necessidade de tanta malhação.
Cartões de visita a primeira vista para impressionar, abrir portas, seduzir, ser atalho, na medida, tudo bem, mas como carro chefe, estrada, me perdoem os figurões de plantão, é um papelão.

4 de março de 2014

Sobre máscaras e alegorias

“A magia da máscara reside no fato de que ela parece ter vida própria. A pessoa sente-se protegida e deixa-se guiar pelos instintos e impulsos característicos do personagem”. Reflexão que em se tratando das máscaras de fantasias é uma válvula de escape, de revelação de talentos, de representação, diversão, voo.
Já as máscaras usadas no dia-a-dia e em ocasiões específicas, podem ser nocivas ou pontos de desequilíbrio, que escondem, disfarçam ou revelam nossa necessidade de proteção e alegorias interiores. Filosofia carnavalesca para uma vida de cara limpa e maquiada as vezes, de coração aberto mas esperto, alma leve, com asas e pés firmes no chão.

3 de março de 2014

Doçuras e histórias

Sabem aquele momento diante da geladeira aberta, quando sabemos só haver o ensopado de meio dia, mas temos esperança de aparecer uma pizza, um pudim, uma torta búlgara? Pois é! Estava eu refrescante diante da porta de minha geladeira aberta e além de doce de leite, goiabada, bananada e cerejas em calda que já sai da regra do pouco ou nada para escolher, havia o tal querer do que não se tem, sem soberba, apenas comichões de gente grande pequena.
Já falei de doçurinhas aqui e aqui e em outras postagens devo ter contando outras histórias, recordado, aguado por doçuras e deixado muita gente de água na boca, mas, voltando para a geladeira e eu dia desses por aqui, além das doçuras citadas enfileiradas na prateleira de cima, estava na porta a minha escolha: geleia de mocotó, doce que adoro, bem geladinho, consumido desde a infância e por toda infância e ainda agora na adolescência por meu filho (e por mim de carona). E eis que sorrio boba e me achando a sabida pensei como foi criativa a ideia de quem deu nome a essa geleia.
Explicação: fiz uma associação fantasiosa e lúdica, de quem nunca se perguntou de que era feita tal geleia, como se fosse um doce sabor tuti-fruit e morango com status de ser de mocotó, pela força do tutano, para se achar que está consumindo algo forte, como espinafre de Popeye.
Meu olhos então pararam no sabor da caixinha que estava na minha mão: Natural. Pensei: Como assim natural? E Fui olhar no rótulo a composição da doçura. Letras minimas, muitas informações, nada direto e lá fui eu prozear com o amigo Google. Estarrecida fiquei e estou até agora de saber que mocotó não é nome fantasia, a geleia é mesmo de mocotó, tem receitas caseiras e tudo.
Conclusão: sou forte como um touro não é a toa e descobri que quem come geleia de mocotó além do sabor consome esperteza. Lição: não há mesmo quem não tenha nada novo, importante ou bobo para aprender ou ensinar.

2 de março de 2014

Pé de populices

Foto de por ai
Domingo, dia de flanar
Trouxe para compartilhar os frutos de um passeio
Uma bordejada que fiz dia desses em minhas postagens já floradas
E em meio ao muito que vi, fiz uma listinha de algo que adoro
E faz um tempinho que não posto sobre:
Significado de palavrinhas e expressões populescas
Dessa vez sem historinhas dos porquês
Presentes aqui nas entrelinhas em um combo de postagens passadas
Pés carregadinhos de expressões para ver e colher
Clica aqui, aqui e aqui para colher 
 Seguem alguns frutos de recente colheita:
Engambelar os coiós - enganar os tolos
Candinha - más línguas, fofoqueiras
Na pindaíba - na miséria
Café com leite - quem participa sem competir (os menores, os mais fracos)
A vera - sério, valendo
Cair nos braços de Morfeu: adormecer (Morfeu era o deus do sono)
Pirralhos - crianças
Fazer um bicho de sete cabeças - complicar algo não tão complicado
Sangria desatada - agitação
Alguém canguinha ou sovina - alguém mesquinho
Sem tugir (tem quem fale tossir) nem mugir - sem reclama
Nem que a vaca tussa - de maneira nenhuma
Nem que vaca tussa e galinha crie dente - nem em sonho
Não entender patavina - não entender coisa alguma
Pôr as barbas de molho - esperar pacientemente
Pé-rapado (que falamos tudo junto e com rr) – pobretão
Perder as estribeiras - perder a calma
Não dar um prego numa barra de sabão - Não fazer nada