9 de julho de 2014

Sem reclamação

Por mais leveza, para relaxar, por cada vez menos reclamar
Por um dia inteirinho
Uma semana num estágio mais avançado
Tipo fase de jogo
Vi a proposta em um blog amigo
Que viu em um outro
E essa corrente do deixar quieto
Deixar barato, deixar passar
Engolir seco 
Colocar açúcar mexer e engolir
Ou tampar o nariz antes de engolir
Diluir, despressurizar
Faz bem a quem praticar
E descarrega um pouco o mundo e os ouvidos alheios
De tanta reclamação
Não reclamar e pronto
Isso tá assim mas vai passar
Aquilo tá assado mas vai mudar ou vai ficar assado mesmo
As pessoas sem noção que continuem sem noção ou não
Tá frio esquenta
Tá calor abana
Tá cansado senta
Tá chato levanta e anda, corre, dança
E vamos que vamos
Não julgar é uma outra boa aposta
Mas não é para ler, curtir e não tentar
É para aceitar tipo proposta
Uma manhã sem reclamar
Um dia, dois e vamos lá!

8 de julho de 2014

Sobre rabiscos e leituras


Imagem pelos super poderes da escrita
E da leitura
E dos desenhos
Temos asas por dentro
E escrever, ler, desenhar
Pintar
Soltar a nossa imaginação
Nos dá asas por fora

"Na escola, atualmente
Dá-se ênfase à escrita
Muito mais do que à leitura
Por isso deixo uma crítica
A escrita é importante
Mas quem da leitura é amante
Mais inteligente fica

Para quem vai escrever
Só é capaz de fazê-lo
Se souber ler o que escreve
Este é o grande segredo
Pra você ser escritor
Tem que ser um bom leitor
E escrever sem ter medo

Com relação à semântica
Ou ao significado
Das palavras de um texto
Use o dicionário
Faça a criança aprender
Perguntar e entender
No texto, o enunciado

A leitura em voz alta
Deve ser com emoção
Do dialeto da criança
Pro dialeto-padrão
Cuidado com o preconceito
Ensine a leitura com jeito
Dentro da norma-padrão

De acordo com o texto
A leitura vai variar
Ensine suas crianças
Como o texto encarar
Como ler questionários
Provas, jornais, formulários
Sem medo e sem errar

A leitura não pode ser
Algo vil, sem importância
Como hoje nas escolas
Tem que haver uma mudança
Leitura é para ser viva
Diária e efetiva
Da escola, maior herança

Precisamos praticar
A leitura e a escrita
Para que nossa escola
Seja mais bela e mais rica
Leia para estudar
Se divertir, pesquisar
E quem sabe, ser um artista"

Trechos de um cordel
De Carlinhos Cordel, cordelista de Pernambuco

Segue de arremate interrogações e exclamações que já ouvi iguais ou parecidas e me pergunto quantos pais, avós, tios, educadores tem ouvido e quantos tem refletido e respondido com palavras e ações a tais pérolas: - Tia eu não gosto de Português! - Pai quero estudar num colégio com tablet para não ter que escrever, só digitar. - Pró não sei porquê se tudo que lemos na internet e nos livros tem letra de forma, temos que escrever com uma letra cursiva e ainda ser cobrado que seja bonita. - Mãe eu não gosto de redação pois tem muitas regrinhas. - Pró, é sério que eu tenho que preencher todas as linhas com minha resposta?  (n.º de linhas 3 ou 4)
Escreve bem quem lê bastante, é regra antiga e para toda vida. E quem quer saber de "perder tempo" lendo? Quem quer saber de fábulas, com tanta modernidade? E escrever então, para que, desenhar nem pensar, só os primeiros riscos. Bora parar com isso?

7 de julho de 2014

Deslimites, do barro e das formas

 Escultura de Fanny Ferre

"O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro, o que ninguém lhe ensinara. Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio
Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro
Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando
Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores
Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo.
Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos."
Trechos de escritos de Clarice Lispector, publicado em 1960, na revista Nordeste. A ilustração, conforme a legenda, é uma escultura da artista Fanny Ferre, que segundo li por ai, começou suas estátuas de barro com grande hesitação e fala de seus belíssimos trabalhos sem vaidade, nem mistérios. “Tudo que você tem a fazer é apenas acreditar”.
Vale a pesquisa e encantamento com as muitas esculturas dela. Clicando aqui, histórias de barro, caxixis, bonecos, artistas e moradores de um município baiano.
Formas concretas e abstratas, fontes de inspiração, conhecimentos novos e compartilhamento do que descobrimos, sabemos, temos, sejam dicas, histórias, imagens, palavras, lugares, pessoas, curiosidades . E mãos na massa, seja de barro, pão ou metaforicamente, para o bem da mente e do coração da gente, amém!

4 de julho de 2014

Enlatados

Eu gosto de verduras, frutas, naturebices e afins, mas não posso negar que sou roxinha por um hambúrguer, coxinhas e enlatados que vão de salsichas viena, a azeitonas, atum, sardinha. Amo sardinhas em lata e dia desses comprei uma das grandes do tipo antigo de abrir com o abridor de latas e a medida que abria, com gosto e destreza, pensei de quantas criaturas médias e pequenas ao verem um abridor desses não imaginam a utilidade do gancho e ao abrirem o armário e se depararem com a lata sem o trocinho de suspender e destacar a tampa, não imaginam como fazê-lo. E do jeito que são, a maioria, sem iniciativa ou criatividade, colocam a lata de volta e comem biscoitos, eu nem que fosse explodir ela e perder as sardinhas não desistiria até abrir, ia da chave de fenda com martelas em cima uma ao lado da outra a ideias que não me ocorrem agora, mas me ocorreriam na hora.
Meu filho tem total falta de destreza par abertura de pacotes e embalagens e um pai e geral que abre as coisas para ele. Eu digo calma como quem tomasse suco de maracujá na veia: Tente até conseguir! E ele sempre diz sem nem tentar ou tentar de mentira: - Mas não consigo! E eu sempre digo, tanto que ele já diz antes de mim: Faça de conta que você é a última pessoa no mundo e esse é o último alimento que você tem para comer ou o último cd para ouvir, jogo para jogar.
As sardinhas como com tomates cortados em finas rodelas e cebolas em tirinhas regadas a azeite doce e vinagre, dentro de pão de sal estalando, também fora do pão com o garfo e o pão roído aos tacos e molhado no caldinho. Outra especialidade da casa, desde que minha mãe me deixou usar o fogão, até hoje quando as vezes estou cansada dele, cozinho batatas e ovos com duas pitadas de sal e devidamente cozidos são amassados com um garfo, adicionadas as sardinhas, amassadinhas e tudo é generosamente regado com azeite e devorado em segundos. Outro uso da sardinhas é empanada das de liquidificador, com milho e ervilhas enlatados.
Na ilustração a feirinha de mentirinha é uma foto que tirei numa loja de sabonetes e aromatizantes, além da criatividade e do cheiro maravilhoso, parei na balança antiga. Esse papo me deu uma fome e hoje sendo sexta-feira cabe um belisquete diferente, uma pizza, cachorro quente. Hum? Que tal?  Bom final de semana, com os cuidados alimentares necessários, lazer, prazer, bençãos, paz e bem.

3 de julho de 2014

Por + Platão - Prozac

Mais Platão, menos Prozac, de Lou Marinoff, é um livro com máximas de filósofos de todos os tempos reunidas com o intuito de oferecer uma ajuda auxiliar ao uso de medicações para males da mente e da alma. Um reconhecimento e incentivo ao valor terapêutico da filosofia e suas aplicações no cotidiano, sem nenhum desmerecimento, muito pelo contrário, a psicologia e psiquiatria. Cada caso é um caso e portanto há que se estudar as soluções.
A propósito não li o livro, se alguém que leu tiver considerações a fazer, sinta-se a vontade. Gostei da proposta e do nome e pelo que li por ai o livro traz a desmitificação de alguns problemas que não são doenças e propõe que trabalhemos a nossa perspectiva sobre nossos conflitos e os do mundo, buscando respostas, segurança e bons resultados. Em resumo é um convite a filosofar, remexer na capacidade humana de tecer perguntas, repostas, buscar curas, soluções, de se auto-motivar e assumir o controle da mente, pensamentos, visão, ações e sentimentos.