19 de março de 2015

Do amar

Vi marido e eu nessa pintura
Nos idos da adolescência
Tão para trás e tão presente entre a gente
A pintura não tem assinatura e não achei a fonte segura
Flores nos caminhos
A dor de espinhos
Luz na escuridão
Brisa boa no calor
Socorro no sufoco
Mão estendidas
Dadas
Abraço acolhedor
Ombro amigo
Colo
Afago
Amor
Na data de hoje, a Igreja Católica comemora o dia de São José, esposo de Maria, que acompanhou  o nascimento do menino Jesus e o criou na infância. Na narrativa de Mateus e de Lucas, José é descrito como um homem trabalhador, responsável e justo. Dizem que era um ótimo carpinteiro, dizem também que qualquer marido a gente pede a Toinho e marido bom a gente pede a São José, não pedi, mas já que ganhei um, casei nesse dia.
Por casais e famílias felizes, que como carpinteiros, construam e reformem seus lares e vidas como a casinha do mais esperto dos três porquinhos. Que sejam celebradas as datas românticas e o cotidiano. Por mais fé, sabedoria, relações saudáveis, correlações nossas com as histórias e vivências de infância, bíblicas, fantasia e realidade. Por vida, doçura e esperança nossa.

16 de março de 2015

É o que temos para hoje

Dia desses recebi a indicação por zap de uma amiga, "Papo de homem", estranhei um pouco, mas lá fui eu ler e me identificar de cara. Aos que me leem e conhecem, o assunto não era futebol, nem concertar coisas ou ser brava, era alimentação, uma real e divertida (seria mais cômico se não fosse tão real) crítica a nova geração dos mimmis para comer, mulher eu acho tem um certo charme e tal (com limites e nem sempre, eu por exemplo sou de comer podrão, em barraca de feira e finesas em restaurantes gourmets, vale agradecer que o corpo ajuda na não dieta #xôolhogordo (muitos risos). Mas homem com mimimi não dá,  sou desse tempo e do tempo de tantas outras coisas chamadas de demodês que clamo voltem a tona.
Seja nos almoços de família, entre amigos ou de trabalho, tem o que não gosta de suco de laranja, o que nunca comeu beterraba, o que não come nenhum tipo de frutas, os carne ou carboidratos ou proteínas nem pensar, os tipo água com limão e gelo, com uma rodela de laranja, os não bebo comendo e uma infinidade de peculiaridades.
É sério que há crianças e adolescentes que nunca comeram coisas mega comuns, porque os pais não comem, porque intolerâncias além de patológicas estão na moda. Isto tudo, a meu ver deveria ser diagnosticado e tratado como doença.
Na casa de um tio meu onde eu passava férias, tudo que ia para mesa todo mundo tinha que comer, nem que fosse uma colherzinha de cada coisa e só era permitido levantar quando todo mundo terminasse. Deixar comida no prato, nem pensar, isso condicionava a só servia o tanto que iria comer. Deixar no prato em dias de mau humor ou rompantes, o tal prato ia para o forno esperar a próxima refeição. Radicalismos a parte, na minha casa o suco era de limão e pronto, não tinha a pergunta que suco você quer e você e você. Ao meu filho quando pequeno e até hoje, de minha parte, com mimos de mãe para o que ele gosta, nos dias de não gosta ou chatices, a minha frase é a mesma: Hoje você come sem gostar.
Não é necessária a ditadura do comer tudo ou abandono das preferências, mas esse refino exagerado, frescura para dar o nome mais apropriado, o não provar, o não valorizar por muitas vezes o custo e o trabalho em fazer os alimentos. Esse extremo de não tem tal marca, não vou comer, não vou beber , só com tal coisa em tal lugar, está estragando o paladar e a personalidade de muita gente. Vale o não gosto mas como, nunca comi e provo, não gosto mas sei que faz bem, a pessoa fez com todo carinho, é falta de educação recusar, o só tem isso é isso e pronto. Não gosta? coma menos como diz a sabedoria popular.
Sou do tempo de tomar chá para curar de um tudo e quando dizia que não gostava, minha mãe mandava tampar o nariz e mandar para dentro. Tempo de ir de galera para fila do mercado comprar leite importado sabe-se Paes Mendonça de onde e não ter essa de não gostar do sabor ou esmiuçar o rótulo. 

14 de março de 2015

Por poesia todo dia

Uma menina na janela
A água que ferve na panela
O passarinho que pousa na varanda
A chuva que o céu nos manda
O garoto que joga futebol
O peixe que escapa do anzol
Todo dia e a toda hora
Ao nosso lado e pelo mundo afora
Onde estamos
E aonde nem sequer imaginamos
Há poesia até no ar
Basta olhar, sentir, reparar
Hoje é dia nacional da poesia, data escolhida por conta do poeta que escolhi para fazer a minha monografia, na mão dele aqui em Salvador, numa praça que leva seu nome, como diz um poema canção, o sol se levanta e a lua se deita.
Não é uma data importada, é nacional, brasileira, não é um feriado, nada enorme, porque a poesia não é coisa de grandezas, é coisa de miudezas, de raiz, de referências afetivas, culturais. 
Salve Castro Alves, Manoel de Barros, Leminski, Alexandre Reis! Salve os poetas ilustres e novos poetas, os que assim não se intitulam ou sabem e são por essência, gente simples, gente que é pura poesia.
Salve a poesia das coisas, a poesia que há nos dias, na natureza, nos sentimentos, nos outros e em nós, basta reparar e vale externar em palavras, desenhos, fotos, gestos, silenciar para ouvir, sentir, processar, despertar a sensibilidade, a rima, o choro, o riso.

6 de março de 2015

Para mirar

 
 Foto da escada de gradil antigo
Beleza do vermelho e azul
Do piso de tábuas
Arte e cultura além das exposições e oficinas
na Caixa Cultural Salvador

 Fotos de telas da Exposição A magia de Miró

Rabiscos de Miró

Um dos mais renomados artistas da história da arte moderna, o espanhol Joan Miró (1893-1983), elegeu a liberdade como modo de viver e de pintar, desconsiderando fronteiras entre pintura e poesia. Utilizou inúmeras possibilidades de formas, cores, materiais, compondo com estilo próprio, traços característicos, inovações, detalhes, desenhos e telas que exprimiam e desencadeiam interpretações, fantasia, tendências, ou simplesmente incompreensão e contemplação. A possibilidade de conhecer de perto esse universo é a proposta da exposição: A Magia de Miró, que passou aqui por Salvador e conferi lá na Caixa Cultural, uma mostra que reúne desenhos e gravuras do pintor, uma lindeza, para mirar e se encantar.

4 de março de 2015

De cabeça

Eu sei de cabeça, como se dizia, ou de cor e salteado, como já não se sabe nem mesmo o telefone de casa, os números de telefones fixos e celulares de uma porção de gente, sei os números de meus documentos e os de marido, sei datas de aniversário e preciso confessar com pesar e poesia que nunca sabia ao certo a data de aniversário de meu Dindo, ficava entre o o dia 11 e 13 de agosto e esse ano por desgosto vai ser vista lá do céu, minha imprecisão, com a precisa, carinhosa e eterna lembrança e bem-querer. Confundo também os dias dos aniversários de meu avô e minha avó, um 9, outro 16 de março. De cabeça, por treino, de coração, sem precisar de agenda, avisos sonoros no celular, Face para avisar, coisas das antigas que precisam voltar. E tenho dito!