1 de abril de 2015

Para abrir abril

No primeiro dia de meu mês, trouxe essa ilustração
Me vi nesse desenho de Krys Kirkpatrick
De laço azul na cabeça
Flores azuis no vestido
Cercada de passarinhos
Caladinha e sem sorrir como quando em vez
Pensativa
Para falar de amor, do de dentro para fora
"A boca fala
Do que o coração está cheio"
Matheus 12:34
Palavras bíblicas e sábias
Que valem para o que falamos
E para o que ouvimos
Cada um só dá o que tem é uma grande verdade
As vezes tentamos ensinar
Mas a terra não é fértil, não a semente que brote
Esperamos
Por muitas vezes merecemos
E não brota, não floresce, não dá frutos nossa semeadura
E como reza o dito popular
Um campeão também se mostra nas derrotas
Nas faltas
Do que não temos, do que perdemos
Que tudo que nos falta sirva para valorizar o que temos
Minha felicidade, esperança, vida
“Minha fé em Deus
Não passa pela necessidade de milagres
E acontecimentos grandiosos
A beleza das coisas criadas me basta”
Palavras de Padre Fábio entre as aspas que faço minhas
Que nossa fé, nossos valores
De família, de amizade, de coleguismo
De cidadania
Não passem pela necessidade de reconhecimento
Que mantenhamos os rituais das datas festivas
Perpetuemos as tradições
Que a Semana santa seja mais que um feriado
Mais que chocolates
Que seja um momento de reflexão
Para todas as religiões
De união
De menos traição e cobiça
De mais gratidão
De dividir o pão
De celebrar a vida

28 de março de 2015

Do conter e estar contido

Concordo com a máxima de que o pior analfabeto é o que sabe lê, mas não lê. E sempre fui de achar válido ler desde livros a placas de trânsito ou bulas de remédio. Ressalvas ao teor dos escritos  que se não somam de alguma maneira (informação, distração, aprendizado, descontração,...) vide efeitos colaterais.
Esse papo introdutório é para dizer que acho legal, inteligente e interessante o cada dia mais popular hábito de leitura de rótulos, por algum problema de saúde ou cuidados com a saúde, além da validade e do que tem na composição das coisas, sendo que em alguns casos já se sabe o que tem contém e lê-se o rótulo para confirmar,cadastrar ou sei lá o que.
Mas, como diz o dito popular tudo de mais é sobra. Eu por exemplo, sempre comi passarinha, iguaria dos tabuleiros das baianas, de vista, sabendo ser calórico, mas não mudou nada o gostar e querer depois de eu saber que é o baço do boi. 
Não muda nada para mim também saber a composição da água maravilha que uso até hoje para pancadas, com efeito curativo satisfatório, gelo também vale, está contido no hábito, assim como beber água com açúcar para acalmar e de fato não saber se faz algum efeito, sem rótulo e calmante, me acalma tomar, ofereço, sem rótulo ou explicação.
Resenha com puxão de orelha as neuroses, aos aficionados em rótulos de plantão, ao rotular pessoas e lugares e tudo mais, com brinde de água com gás e amanhã tem mais.

23 de março de 2015

Dos lugares que me encantam

Vários são os lugares que me encantam, dos que fui, ando, nunca pisei, porque sou de encantamentos bobos. Tipo vejo arco-íris a nada menos que 39 anos vai fazer agora em abril e sempre que vejo um me encanto.
Mas o lugar de hoje, que já veio para cá em uma das minhas idas a Sampa e na minha ida recente a Chapada, é a feira. Fui em fevereiro em umas das mais populares daqui de Salvador que passou por longa reforma e que tá todo mundo elogiando e adorando, mas eu não gostei. Vou explicar!
É que nem circo, acho o máximo o Circo de Soleil mas é um teatro para mim, um espetáculo tipo show. Circo com sensações e vivências para mim tem que ter o picadeiro, varal de lâmpadas do lado de fora, lona listrada com estrelas,  remendos, tipo mambembe, de família, com malabares e palhaços bem clichês, Kombi ou trailer que viajou muito, cheio de tralhas e histórias. Então, fazendo esse paralelo, a tal feira virou shopping, tudo muito arrumado e padronizado, sem os cestos de vime, gritos de: É época de serigueeela freguesa! Com fila para pagar o estacionamento na saída, por um valor que dava antes para algo mais, restaurantes frozôs e não barracas com mesas plásticas. Uma feira sem identidade local, característica desses espaços para mim e penso que para turistas também.
Até quem andava por lá parecia ter sido escolhido, gente simples, com sacolas de feira daquelas listras de náilon, de lona ou de tecido, feitas de remendos das calças jeans dos meninos que crescem e a calça vira bermuda porque fica pescando ou das saias das meninas que crescem e as saias ainda cabem, mas diminuem não automaticamente, mas por gosto. Nada de moços com cara de pescadores que foram levar o peixe para banca de pescados, floristas de chinelo e camiseta suja de terra.
Enfim e continuando, vou ter que quando quiser além das coisas de feira (que agora vale pontuar parecem ter mais e estarem mais organizadas) ir na outra grande feira daqui para ver o movimento e os traços populares típicos de feira rua. Sem seções, padrões e normas como um mercado ou loja. Gosto de feira com papo, de poder mexer aqui e ali, de valores e quantidades negociáveis, com unidades e recipientes de medida que variam de lata de óleo a pá, bacia, saco, quilo, dúzia, penca, pacote.
Gosto da boa e velha prova sem lavar, que se não mata engorda, tem quem diga até tempera. Do chamar de mexerica o que outro chama de pocã, o outro de tangerina e todo mundo se entende ou não. Em feira que se preze, dentro de meus padrões, tem caqui machucado com preço convidativo e a teoria de que estômago não é prateleira, tem o caldo de cana que já vem com chorinho ou que você dá o último gole e o moço despeja o resto de dentro de uma jarra plástica que parece ter sido herdado da bisavó no seu copo com um sorriso que diz lembre disso e volte. Tem os cheiros e a sensação de que ali é lugar de comida de verdade, sem códigos de barras, de memórias afetivas de lanches, pratos, pessoas, com planos de fazer uma nova receita ou aquela velha que nunca mais fizemos e lá vamos nós atrás dos ingredientes sem marca, sem data de validade, uns que só tem naquela barraquinha.
Para mim cesta de vime e feira são coisas inseparáveis e para alguns hoje em dia ir a feira é uma realidade tão distante quanto ir a Marte, em tempos de supermercados gigantes e 24 horas, compras entregues em casa, soa tão antigo, arcaico.
Gosto porque gente abastada não ganha, perde se fizer pose em feiras de rua, carro não tem prioridade quando é dia de feira e se nos mercados tem padrões, portões e prateleiras, na feira popular tem jornal no chão, fruta direto do caixote, isopor remendado de fita crepe, improviso, criatividade. Tem um certo desconforto é fato, uma faltinha de higiene aqui e outra ali que assusta as pessoas a vácuo e ar condicionadas e é ai, além da poesia e do popular que a feira tem um que de educar, de humanizar, de senso de coletividade, cooperação e um detalhe muito importante que adoro, respeito e valor da individualidade. Se você é frequentador te chamam pelo seu nome e você chama o pessoal pelo nome, se não é alguém vai te perguntar seu nome, e sendo freguês te perguntam da gripe da semana passada, reparam se você pinta ou corta o cabelo, sabem até o que você gosta, reservam sem você nem ter pedido, sem ter seu zap para te perguntar se você quer ou vai lá. Em feira popular a gente não é o consumidor, não é genérico, não entra e sai sem ganhar um (geralmente vários) bom dia, volte sempre, vá com Deus. Simples, saudável e agregador.

22 de março de 2015

Momento túnel do tempo

Dia de tv para mim era domingo lá nos idos da infância e adolescência. Assistia os programas de Silvio Santos , os Trapalhões, o Fantástico (com filtro e com medo, lembro que tinha pavor das notícias horrorosas, ainda tenho e evito no nível não me alienar).
Era dia da Zebrinha dos resultados da loteria esportiva. que eu poderia jurar que dava o resultado dos jogos de futebol. Lembrei dela dia desses ao ouvir a expressão coluna do meio, em um contexto completamente casual.
E do baú de memórias não consultadas ou catalogadas com intenção e saber, está a voz, o tom, a imagem da zebra e na minha cabeça que achava que ela falava de futebol (eu e o futebol), a coluna do meio imaginei seria quando o jogo dava empate. Marido me explicou (disso não lembrava nem de longe), que a referência que tenho do quadro com o futebol é porque a loteria era vinculada ao placar dos jogos, como é um dos tipos de jogos de hoje.
Já que viajei no túnel do tempo e adoro fazer isso, sem medo de atestar minha velhice, sou do tempo de tomar Calcigenol para os ossos ficarem fortes, de pular elástico, jogar baleado, virar o lado das havaianas para serem coloridas pois paleta ade cores estava na sola e era limitada, tempo de fazer mecha no cabelo com papel crepon diluído em água, de colocar anticoncepcional no shampoo para o cabelo crescer (quem será que inventou isso?).
Aterrizando em 2015, a escassez e o mau uso da água, notícias no Fantástico e em todos os telejornais, sentida desde sempre pelo sertão e agora pelas grandes capitais, é tragédia anunciada a muito. Em 1992 a data de hoje, 22 de março, foi definida pela ONU como o Dia mundial da água, uma dia para refletir e valorizar esse bem natural e importante em qualquer tempo, civilização.
Águas das nossas memórias afetivas: banhos de balde, de mangueira, de lagoa; da nossa sobrevivência para plantio e cultivo, consumo, higiene. Vital para homens, animais, plantas. Então, água benta, fé, lembranças, racionalidade, esperança, atitudes, comportamentos e escolhas conscientes, porque quem somos e o que fazemos reflete nos outros e no mundo #fato.

21 de março de 2015

Da eficiência na deficiência

Ilustração de Marina Terauds
O depoimento que segue é de Dona Eleide e Seu João, pais de Aline. Ela nasceu com Síndrome de Down e está aqui hoje pelo dia internacional da síndrome e para indicação de leitura do livro escrito por Seu João: A eficiência, na deficiência, que é um regador de olhar o mundo, os outros, nossas deficiências e as dos outros, o quanto podemos ser eficientes. Para fazer refletir o quanto o mundo está carente de simplicidade e o quanto o simples tem valor.
“Todos sabemos dos mais diversos acontecimentos existentes ao redor do mundo. A globalização deixou o mundo pequeno. As boas e as más informações chegam ao nosso conhecimento bem mais rápidas do que nosso pensamento.
As pessoas ditas “normais” correm atrás de riquezas materiais, de prestígio, de figurarem nas estatísticas dos bem sucedidos, dos milionários, dos mandatários, dos artistas e por aí afora. Mal sabem estes que existe um outro mundo dentro desta galáxia que poucos sabem avaliar. Nós sabemos e explicamos porquê. Há quase trinta anos convivemos e vivemos na companhia de uma jovem que nasceu com a síndrome de down. Logo nos primeiros dias da vida, concluímos que não deveríamos esperar que ela entendesse o mundo em que vivemos. As características da síndrome nos fizeram entender isso. E mais, aprendemos que deveríamos ser nós a conhecer o mundo deles. Aprendemos muito. Estamos a aprender e sabemos que ainda nos falta conhecer muitas coisas. Mas fiquemos com o que já conhecemos. Trata-se de um outro mundo; sem guerras, sem maldades, sem ambições desmedidas, sem orgulho, sem vaidades e mais, sem pensamentos voltados para o mal. Entre tantos exemplos, citamos alguns: A nossa filha Aline, bailarina clássica, tem nos levado aos mais diferentes e sofisticados ambientes. Temos ido também a locais humildes, para que todos conheçam o potencial das pessoas consideradas “diferentes”. A Aline apresenta- se para mil pessoas, ou para uma só, com o mesmo entusiasmo; para ela, a primeira ou a última dama de uma sociedade merecem a mesma admiração. Em algumas ocasiões falamos, assim, com ela: - Filha, você vai se apresentar num local importante e muitas pessoas assistirão você. E mais, vai ganhar um bom dinheiro. O que você deseja comprar? Eis a resposta: - Quero comer um salgadinho depois do espetáculo.”