11 de novembro de 2015

Das misturas

No Brasil, em sua imensidão e em especial no nordeste, crenças, cultura, imaginação, ciência e tecnologia, se confundem e se fundem. O pensamento brasileiro é sincrético, as tradições, os ritmos, a culinária, até a religião. Sagrado e profano, tragédia e comédia. Coceitos que se misturam a preceitos, prática a teoria, teses a poesia, sonhos a realidade.
Ignorar ou desconhecer essa característica quisa sorte, bondade de Deus, intermediação de Padinho Padre Cícero, Cosme e Damião, Iemanjá, Alá é no mínimo alienação.
"Tem certas coisas no mundo, que eu olho e fico surpreso: Uma nuvem carregada se sustentar com seu peso e dentro de um bolo d’água sair um corisco aceso", paralelo poético rimado do repentista pop Manoel Chudu para desejar me surpreender com menos racismo, preconceitos e faltas de respeito.

8 de novembro de 2015

Circo mundo



Ai
Fui na Banca eufórica hoje
Como antigamente se ia para ver ou não o nome na lista dos aprovados no vestibular
E meu nome não estava lá, mas estava
Na Revista Muito
No Jornal A tarde que saiu de manhã cedinho
Clica aqui para ler
Muito amor, orgulho, alegria
No detalhe
Meu sobrenome e o nome de meu irmão 
Os pés com asas de Jonas
De All star
Estrelas das lonas
Estrela por dentro
Rumo a Amsterdã
Para começar a semana
Com inspiração e alegria
Vai ficar aqui hoje e amanhã a publicação

7 de novembro de 2015

Do ser ou não ser simples

Complicado! Essa é uma palavra e exclamação que costumo usar para o muito de complicado que vejo e ouço e que resolvi usar para iniciat esse post sobre simplicidade, tema da blogagem coletiva do primeiro sábado de cada mês. Em dezembro, a propósito, pausa na blogagem coletiva, em 2016, talvez.
Sobre ela, a simples simplicidade, tenho ouvido e lido discursos (tipo rasos e tipo profundos), visto nome de livros, práticas que de simples não tem nada, pessoas, instituições, grupos, que pregam, descrevem, cantam, receitam a simplicidade produzida e entendida cada um a seu modo, conveniência e com uma listinha de intolerâncias. O simples na prateleira, colhido sem licença e com total descaracterização das pequenezas genuínas de Manoel de Barros, vestidas com a roupagem do tá na moda.
E com base na frase de Chorão "Quem é de verdade sabe quem é de mentira", eternizada em sua canção, é no todo que vemos os pedaços, uma fala ali, um gesto acolá, um outro escrito do mesmo autor, uma outra legenda da mesma pessoa,  um comentárioem, o silêncio, um suspiro amargo, entrelinhas onde a simplicidade que não é in natura, dá bolor.
O simples não se vende, divulga, ensina, é perecível penso eu, coisa que se é ou não é, sendo possível aprender e praticar sim, buscar, mas que não anda de mãos dadas com o posar, usar como cartaz. De críticas a Bela Gil, pelos seus churrascos de frutas e batata doce na lancheira da Escola da filha, passando pela sem pareja sugestão de quem se incomoda com passarinhos de que se abra a janela e deixe disso de se queixar por  bobagens, e como em tantos exemplos, onde a simplicidade é posta a prova, se choca com incoerências, inconsistências, simples assim de notar e sentir.
Textos e fotos publicados com legendas de puro amor e reconhecimento para os pais no dia dos pais, com os irmãos no dia dos irmãos, namorados, amigos e no dia dia a ligação fica lá perdida e não se retorna, para pegar um copo d´água para o outro muitas reticências. Exclamações aos montes, de amo, adoro, relatos de faço e aconteço, tudo dito e muito pouco praticado.
“Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”, disse a complicada e amada Clarice Lispector. E querer muitas coisas simples, não será ser exigente e portanto complicado? E o que é simples para você é simples para mim?
“A felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não perceber a sua simplicidade”, disse Quintana e é também pessoal penso eu, não há receita de bolo. Para mim por exemplo, é simples manusear um Smartphone, para tantos Seu João não. Para muitos Seu João  é simples plantar e colher feijão, para mim não.
Simples é uma palavra cheia de usos e significados, além da definição do dicionário, como poesia e filosofia, as palavras e práticas. Algo que ninguém ache digno de nota, de observância, pode representar, inspirar, desencadear ideias, sentidos simples, poéticos e filosóficos. Ser simples, creio eu, não significa evitar o complexo, o incomum, negar a profundidade, contentar-se com o trivial, comprar e vender a simplicidade como produto bem aceito no mercado.
Leonardo da Vinci disse que "a simplicidade é o último grau da sofisticação", e o primeiro da humildade eu diria e não objeto do anseio coletivo diante de um mundo cada vez mais complicado, em que o simples é atrativo e falso. A simplicidade é uma arte, sutil e difícil, por mais louco que isso possa parecer. Simples e complicado assim!

4 de novembro de 2015

Sem urgência nem unguentos

"Escrevemos com a urgência e a inevitabilidade com que uma nuvem derrama a sua chuva." Agualusa disse sobre ele e Mia, me representa e a Ana Paula, Calu e outras poucas sem fama, blogueiras, amigas, escritoras vizinhas.
Não preciso de um motivo, as vezes muitos para escrever, não preciso de álcool, café ou outra coisa qualquer, para me manter acesa, alegre, nem para me inspirar e desatinar a escrita. Rima, entendo, não é pertencente a tarefa escolar, cordel ou rap, rimar e coçar é só começar.
Tão carente de evolução quem acha que poesia é coisa de burguesia, falta do que fazer, viagem. Poucos likes no geral, dá poetar, lições de moral, esperto é quem vai a festa paga sem pagar e escritores polêmicos e de escritos sobre encomenda rimam com renda. Fatos fatídicos!
Vou parar de resenhar e dar a voz a Mia Couto, que tá na minha lista de livros e além do bem querer pelo escrever e por seu sobrenome, ganhou bônus comigopelo conteúdo de onde tirei a frase que iniciei o post, uma matéria de José Angualusa, publicada no jornal O globo. Segue escrito de Mia dos de minha concordância, de grande relevância, para arrematar com poesia, crítica, reflexão e elegância.
"Me entristece o quanto fomos deixando de escutar. Deixamos de escutar as vozes que são diferentes, os silêncios que são diversos. E deixámos de escutar não porque nos rodeasse o silêncio. Ficámos surdos pelo excesso de palavras, ficámos autistas pelo excesso de informação. A natureza converteu-se em retórica, num emblema, num anúncio de televisão. Falamos dela, não a vivemos. A natureza, ela própria, tem que voltar a nascer. E quando voltar a nascer teremos que aceitar que a nossa natureza humana é não ter natureza nenhuma. Ou que, se calhar, fomos feitos para ter todas as naturezas."

2 de novembro de 2015

Dos sem fim

E ai numa curva qualquer
Ao sabor do vento
Nuvem que passa
Pessoas que se foram
De quem lembramos ao olhar para o céu
E para a terra
Não subiram para as estrelas
A terra pertenciam
Frase do finado e por mim amado Saramago em Memorial do Convento
Aos meus amados já finados que por amados serem são imortais
Que aqui permanecem no que amavam
Nos que amam
Nas coisas, lugares memórias
Com vento que abranda a saudade
Com saudade
Presentes sempre
#pqnemsempreacabaquandotermina