28 de setembro de 2013

Sobre chaves, portas e janelas

Isso de ganhar quando se dá é mais que espiritual, é matemático. Eu, por exemplo, quando abri a porta para o Projeto lenços que curam, ganhei várias chaves.
Venho recebendo mais que lenços e mais do que imaginei ganhar, que era a alegria nem que fosse por um minuto de quem vai receber cada um dos lenços e espero que a alegria dure mais, que se transforme, que faça brotar autoestima, esperança, coragem, curas.
Trouxe algumas histórias dos bastidores do projeto hoje, uma delas é a de um grupo de amigas que se reúnem para ler, conversar, refletir juntas e nesses encontros elas combinam de levar doações para serem dadas a quem precisa. Na última reunião todas levaram lenços para ajudar no projeto e eles estão vindo para Salvador com uma delas que vem a passeio para cá. Pessoas de quem nunca ouvi falar, não interagem aqui pelo blog comigo e que fazem algo espontâneo, leve e que enche de força o lado da corda de quem tem atitude.
E vai ter alguém que vai ganhar um lenço vindo do museu de Monet na França, com cores e aromas de carinho e desapego, esse veio com um bilhetinho contando a história da compra do lenço sem uso pretendido mas com destino parece que desenhado e assim muitas pessoas vão estar felizes pelo gesto de outras tantas que fizeram o bem, sem olhar a quem.
Trouxe para apresentar também, um contato, Ana Sanches que é psicóloga, voluntária na Ong Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Ubatuba, a Sapo Uba, desde 2006. Seguem palavras dela:
"Aprendi com as minhas "meninas", como carinhosamente chamo as bravas pacientes, que amar as pequenas coisas da vida é muito mais valioso do que imaginamos e que estar vivo todos os dias, é um grande presente de Deus! A Joaninha, assistente social aposentada e ex-paciente de câncer de mama, criou a Ong, anos atrás, e teve a ideia de montar um grupo de artes.
A Sapo distribui medicamentos e alimentação adequada a quem está em tratamento quimioterápico, apoio psicológico (óiii eu aqui), orientação durante todo o processo da doença...esclarecimentos sobre direitos do paciente. Ah! Tem ainda as visitas domiciliares aos pacientes em estado grave, onde nossos voluntários levam além de carinho, a tentativa de suprir algumas necessidades básicas destes pacientes.
Enfim...Ubatuba não tem atendimento oncológico, tudo é feito fora daqui... daí somos referência para essas pessoas numa hora tão dolorida."
Clica aqui para conhecer o grupo de artes que nasceu da Ong, chamado Doces mimos, para apoiar, divulgar, ajudar e quem sabe se inspirar a fazer algum trabalho social, voluntário, pequeno ou grande e de coração, eu garanto que você vai ganhar muito mais do que vai dar, ajudar é uma chave que abre muitas portas e janelas dentro e fora de nós.

24 de setembro de 2013

Eu Lieri Calcanhoto

"Hoje penso que entendia mais do que imaginava
Hoje imagino muito mais do que entendo"
"Saiba!
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão, também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba!
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu
Saiba!
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba!
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano"
Adriana Calcanhoto

Tem um tempinho que não publico essa tag : Eu alguém, ai como tinha tempo, me mixei em dobro...risos. Anne Lieri é uma amiga blogueira, poeta, faceira, meio criança, característica boa, que faz agente ser as vezes maior do que quem é só grande, como Adriana Calcanhoto, que tem voz mansa, bonita e suave e um quê de poesia. 
Os dois cds Partimplim, não poderiam ter nome melhor, são pozinho mágico e encantado para adultos voltarem a ser crianças, para cantarolar com a colher de pau ou controle da tv fazendo as vezes de microfone, para crianças serem crianças, decorarem as letras, assistirem ao dvd, representarem nas escolas, ser trabalhado como material didático e lúdico nas escolas em em casa. Obras destinadas para “crianças de qualquer idade”, como ela mesma define,
Soube que Adriana publicou um livro chamado: “Antologia ilustrada da poesia brasileira”, uma reunião ilustrada de poemas de Gonçalves Dias, Drummond, Vinicius de Moraes, Adélia Prado, Leminski, dentre outros nomes. Um dos mais novos itens da minha lista de comprinhas literárias.
Por hoje e para hoje e todos os dias: poesias, os outros em nós, nós nos outros, energia e alegria de criança, boas vivências, leituras, comprinhas e aventuranças.

22 de setembro de 2013

Boas vindas a primavera

Cecília Meireles definiu:
"A primavera chegará
Mesmo que ninguém mais saiba seu nome
Nem acredite no calendário
Nem possua jardim para recebê-la"
Que vejamos ainda muitas primaveras chegarem
Sabendo o dia exato
Repetindo seu nome
Se admirando com suas flores, cores, aromas
Acreditando nos cuidados do homem com a natureza
Acreditando no calendário
Possuindo jardins, praças
Canteiros, vasos
Terra, água
E todos os sentidos para recebê-la
Com suas flores e frutos

21 de setembro de 2013

Tias e árvores

Tinha contado aqui que no dia 21 de setembro é comemorado o dia das tias, então hoje vim parabenizar todas as tias, as de verdade e as de mentirinha. Tia é tudo de bom! Hoje também é o dia oficial e comemorativo das árvores, que são de todo dia, que fazem fotossíntese, renovam o ar que respiramos, fazem qualquer cenário mais bonito, fazem poses, balançam ao vento, dão flores e frutos, ensinam sobre viver com suas raízes e folhas em asas. Dica: abrace uma tia e uma árvore e cuidemos uns dos outros. Amanhã tem um post especial para primavera que traz flores, cores, encantos, simbologias e poesias.

Não a perfeição crônica

Ilustração de Gustavo Aimar
O nome da pintura é Autoboicot
E achei sintonicamente na busca por uma imagem para o texto que segue
Não existe ser humano perfeito, nem vida perfeita, sem erros, sem dores. Entrar nessa exigência do mundo atual de estar sempre sorrindo, de não ser aceito um dia estarmos para baixo, ou mais de um dia, por motivos aparentes ou por estarmos mais sentimentais, saudosos ou seja lá o que for.
Alguém está doente, de repouso, se recuperando física e mentalmente e há quem fica como formigas em doce querendo arrancar a pessoa de casa, como se o mundo fosse acabar por ela estar em pausa. E isso é um exemplo ameno, tem que não deixa o amigo ou familiar viver o luto, quer que a pessoa aceite e mude de humor e de sintonia como quem muda a estação no rádio. Tem quem não dorme, por contas, calor, barriga cheia ou tudo junto, um ou dois dias seguidos e antes de cogitar identificar os motivos, toma remédio para dormir.
Tem quem vê um amigo passando por problemas com bebida, com drogas, com comportamentos impróprios e ao começar a se tratar, tomar remédios, desacelerar, estranha e incentiva que ele volte ao "normal", com uma definição de normal completamente distorcida e nessa euforia desenfreada leva a pessoa para lugares onde o que lhe faz mal é o prato principal, tudo em nome do sorriso fácil e a qualquer preço.
Há felicidade no silêncio, debaixo do cobertor, em salas de cinema nas sextas a noite, além da bebida, além da gargalhada e da dança. Há palavras e riqueza no silêncio que muito pouco se faz, na falta de pressa, de compromissos. Cada uma em seu ritmo, a seu tempo, sem padronização ou perfeição como bandeiras de salvação.
"Na vida, estamos constantemente descobrindo o que nos faz buscar nossa inteireza. A metáfora é interessante e pode nos ajudar a compreender melhor: o mosaico é feito de partes; essas partes se conjugam e compõem uma única peça. São inúmeros e pequenos significados que constroem a trama do mosaico. A pequena peça é fundamental para a construção do todo, e por isso não pode ser negada, separada. Assim somos nós." Palavras de Padre Fábio de Melo, que fala muito nesse assunto no livro: Quem me roubou de mim, onde são abordados os roubos pelos outros e as vezes por nós mesmos dos pedaços de nosso mosaico, dos pedaços bons e ruins que compõe o nosso todo, o sentido de ficar triste, chorar, errar, o valor que há no que é ruim, o que os erros nos ensinam, como as perdas e dores fazem dimensionarmos o que temos de bom, o que almejamos, tudo parte do que somos e do que podemos ou não vir a ser, depende de como lidamos com cada pecinha.
As dores, a saudade, a insatisfação são partes da vida e esses sentimentos não devem ser maquiados, medicados, desconsiderados por um viver por fora crocante e por dentro bolorento. Que cultivemos mais de humano em nós e a nossa volta. Bom final de semana!