30 de novembro de 2013

Natal tropical

Essa imagem estava aqui na minha pasta de ilustrações e sempre que batia o olho nela a via como uma perfeita representação do Natal aqui na Bahia. Um calor de mil graus e no Shopping´s, vitrines e decorações caseiras e escolares: neve e casacos de lã. Oh God!
Quem é seguidor e passante aqui sabe que eu sou fã de tradições de todo tipo, lugares, culturas, mas acho também que sempre cabe uma intervençãozinha, um toque local, popular, pessoal, criativo, que hoje com tantas opções de materiais e trocas virtuais e reais de ideias, sair do pinheiro com algodão e bolas é o mínimo.
Na minha casa as árvores natalinas são cada ano de um jeito, já teve uma toda de bichinhos de pelúcia, outra com brinquedinhos de minha infância e da de meu filho, uma com cartões e mensagens, outra fotos, uma só de laços bem coloridos. Assim como todo ano tem presépio e cada ano com um cenário e personagens secundários diferentes, além dos enfeitinhos da estante, da cozinha, do jantar.
Quero viver para ver em um shopping grande, na tv ou em visitas a casa de amigos e parentes uma árvore cacto, ou um ipê no lugar de um pinheiro Papai noel de bermudão e camiseta, com barba feita e boné, de prancha, bonecos de neve serem sorvetes e picolés, ou aos pés do clássico pinheiro areia e barquinhos e por todo ele conchas e fios amarelos solares.
Aproveitando o tema decoração natalina, me contem do clima ho-ho-ho da cidade de vocês. Por aqui está tudo muito morno, poucas janelas, varandas, sacadas, tanto de empresas como residenciais, poucas recepções, caixas, casas com luzinhas e enfeites de Natal, pouco sorrisos e desejos Boas festas nos atendimentos, ruas, pouca programação de corais, presépios gigantes ou vivos, filmes em cartaz, peças. Sinto que o Natal está mais longe do que de fato está, que comprar os presentes é a única coisa para se resolver, que o carnaval é a próxima festa mais esperada, que famílias, casais, empresas, estão combinando viagens e não ceias coletivas e amigos secretos, que só se fala da virada de ano e o Natal tem um que de fora de moda. Será uma perda coletiva da magia? Da tão valiosa religiosidade? Terá aderido o espirito natalino as redes sociais e não me avisou?

28 de novembro de 2013

Palavras de nossas moradas

Sabiam que a palavra casa em Latim não era usada para nomear moradas em geral? As moradas maiores e melhores eram chamadas de domus. Daí derivou-se a palavrinha: domicílio e algumas outras. A palavra mansão, por sua vez, vem do Latim mansio, de mansus, particípio passado de manere, “ficar,permanecer”. Tal palavra acabou designando uma casa de grandes dimensões e de muito boa apresentação, onde permanecer não é nenhum esforço.
Telha também veio do latim: tegere, “cobrir”. Em Biologia, tegumento é o nome dado à pele que cobre um animal, tudo a ver. Pátio - como seria bom que todas as moradas tivessem um pátio e um quintal para a criançada brincar e os adultos flanarem. A palavra pátio vem de patere, “aberto, amplo, visível”.
Corredor é do latino currere, “correr”. Parte da casa que interliga os comodos e normalmente se mantém desimpedida, de modo que dá até para correr ao longo dela, imagino seja esse o sentido.
Li por ai que nos palácios franceses os arquitetos ainda não tinham incorporado a ideia do corredor, de modo que passava-se de um quarto pelo outro para se chegar até onde se queria e essa é uma das razões para as camas antigas terem aquelas colunas nos cantos e dosséis de tecido que ocultam o seu interior. Achei essa informação "inútil" o máximo, como li num blog amigo esses dias: "O supérfluo é coisa muito necessária" Voltaire
Quarto vem do Latim quatuor, cuja significação é “a quarta parte da casa”, não necessariamente em área, mas em função. Cozinha é do Latim coquere, “cozinhar”. Banheiro de balneum, “banho privado”.
A palavra “privado” é porque, na antiga Roma, era costume se tomar banho em estabelecimentos públicos, onde eram feitos encontros entre amigos e se discutiam as fofocas mais recentes.
Sótão, muito legal ter um sotão, a palavra vem do Latim subtulum, de subtus, “o que está debaixo”. Subentende-se: debaixo do telhado, da cobertura da casa. Hoje são poucas as casas que têm um espaço utilizável entre o telhado e o forro. Na casa de minha mãe tem e eu já subi lá e achei uma aventura. A existência dele está esquecida, tendo inclusive muita tralha por lá,  coisas que jamais vão ser usadas ou são necessárias tipo dois dias depois que se criou coragem para se livrar delas, sabem como é? Só de curiosidade, no clima da descontração, a expressão “ter macaquinhos no sótão” já foi muito usada para designar uma pessoa que tinha caraminholas na cabeça.
Porão, lá na casa de minha mãe também tem um que só se agaixando com juntas treinadas na yôga para entrar e se movimentar e vestimenta tipo uniforme da Nasa, pois deve ter de tudo por lá. A palavra latina de origem desse local pouco comum nas casa é planus, “liso, chato, plano”. Em náutica, nos navios, designa-se como porão o espaço entre o convés mais baixo e o fundo do casco.
Forro, também tem lá e esta palavra, ao contrário das outras, não tem origem latina. Vem do Francês antigofeurre, “guarnição interna” e em construções designa a separação horizontal entre o telhado e os aposentos. Acho muito chique esse termo, um dia ainda vou residir em uma casa enorme e dizer para alguém: - Vou para os meus aposentos!
Indo do luxo a realidade que muito vivi de baldes espalhados pelo chão, panos, puxa-puxa de coisas de lá para cá, barulhos de pinga-pinga. Quem vive ou já viveu numa casa de telhas, sabe dessas e outras histórias de goteiras e essa palavrinha gotejante veio do latim gutta, “gota”. Chega né! Cansei, tipo tivesse faxinado uma mansão.

27 de novembro de 2013

Devagar

"Viva cada segundo com respeito
Quando se movimenta rápido demais
Você perde o ponto de encontro entre a mente e a matéria 
E torna-se como a lebre
Que era mais ligeira, mas perdeu a corrida" 
Reflexão de Dadi Janki em Pérolas de Sabedoria
Nem lebre nem tartaruga para ilustrar
Escolhi essa ovelinha muito charmosa e simpática
Solicita, gentil e que mesmo com o peso da bolsa no pescoço
E o volume de balões
Parece bem equilibrada
Não contemos com leveza e falta de pesos
Barreiras, atividades
Para desacelerarmos
Para sermos gentis e nos equilibrarmos
Vou dar a voz a Monalisa Macêdo:
"Não importa o quão pesado sejam os dias e as horas que passam
A gente só precisa, mesmo, é de um pouco de leveza na alma
E todas essas coisas que transbordam no coração
A gente não precisar estar vazio para estar leve"

25 de novembro de 2013

Com sequências

Padre Fábio disse dia desses, em seu programa na tv, que passa no canal Canção Nova, que as ausências ocupam espaço e resolvi trazer essa reflexão para cá, pois acho que entender isso e aceitar é como arejar esses espaços e ter nosso interior arrumado, é como ter girassóis em nós.
Quando chega a época de Natal muitas pessoas sentem ausências, seja de pessoas, lugares, fases e até ausências do que nunca se teve. Eu lembro sempre de meu avô, por exemplo,  da presença dele nessa data e diariamente e não é com tristeza, pesar, com melancolia, não com uma não aceitação da perda, mas sim com aproveitamento sadio e agregador do espaço ocupado por sua ausência.
E esse aproveitamento das nossas ausências tem que valer para as grandes e as pequenas, as constantes e as pontuais, pela distância física por diversos motivos das pessoas que queremos bem ou pela falta de coisas não mais possíveis.
As vivências nossas do dia-a-dia são tesouros se assim arrumamos elas em nós. Eu, por exemplo, amo cortar unhas, se meu marido corta as dele sozinho para mim é como ir a uma festa e não me levar...muitos risos. Meu filho não me dá esse prazer prosaico pois roe todas. Meu avô era meu cliente assíduo, cortei muito suas unhas e também arranquei muitos fios grossos e dispersos de suas sobrancelhas. No quesito unhas ele era um bom garoto, mas em algumas puxadas de fios ele soltava palavrões bem feinhos.
Penso, que tudo marcante que vivemos, pessoas, lugares, sabores, acontecimentos, tudo tem espaço reservado em nós e as consequências e sequencias dos sentimentos e sensações devem ser de contemplação, como janela aberta e de movimentos positivos, como girassóis que miram a luz. Que assim seja!

23 de novembro de 2013

Nós maiores

Penso que somos muitos por estarmos nos outros e provocarmos sentimentos e movimentos por conta dessa nossa presença e assim sendo, há muitas pessoas em nós. Com o mundo, não é diferente, no que tange a natureza, as coisas materiais e espirituais, seja qual for nossa crença, temos o dever de sermos muitos, responsáveis, empreendedores, multiplicadores, zeladores do bem coletivo.
Não adianta que nosso mundinho esteja em perfeita harmonia, como li outro dia para descontrair, uma grande verdade é que amigos e parentes felizes, não enchem o saco, então os outros a nossa volta em pequena e grande escala, em harmonia são um ingrediente importante para o crescimento do "Bolo da felicidade".
Em uma linguagem mais literária e filosófica: "O fato de o mar estar calmo na superfície, não significa que algo não esteja acontecendo nas profundezas". E eis que na ilha da minha caixa de mensagens recebi por e-mail, de Ana Paula, a indicação de uma produção, ver trailer aqui. 
"Agente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não pronto e vai se fazendo", frase ímpar de Mário Sergio Cortella que colabora para essa produção, um filme filosófico, poético, provocador de uma busca de perguntas, de respostas, de autoconhecimento e entendimento do mundo e do que pode ser, em diferentes formas e dimensões a tão sonhada Felicidade.
"Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo." Bem definiu Leonardo Boff em um de seus discursos, de onde recortei cuidadosamente esse pedacinho e cuidado é algo que devemos ter para com quem amamos, para conosco, com as coisas, com o mundo em que vivemos. Cuidar de quem não conhecemos também é tarefa nossa. Querer tal coisa, achar tal coisa legal por exemplo, porque atende a muitas pessoas, gostos e interesses e não só aos nossos.
Quanto melhor podemos ser? Não mais, melhor, mais corretos, agregadores, mais leves. Quanto menos podemos ser? Menos julgadores, amargos, rancorosos, interesseiros, mascarados, inertes.
O que você conhece do mundo, dos fenômenos naturais, de ciência, geografia, física? O que você sabe da história da humanidade, do pais onde você nasceu, da sua cidade, da sua religião, de seus pais, seus filhos, sua esposa, namorado, avô...? "A vida é uma eterna mochila, pegue a tua e vai!" simplificou a cineastra Laís Bodanzky no final do trailler cujo link vale super a pena conferir, bem como a postagem em conjunto comigo, para ter mais força, multiplicar e somar, que Ana fez, clica aqui para ler e comentar. O filme estará em cartaz a partir desse mês e também disponível para venda e outras propostas: aqui.