24 de julho de 2015

Das lousas verdes as digitais

Eu adorei o comentário inicial do documentário, Quando sinto que já sei (clica no nome para ver). Não entender nada de menino é a especialidade de muitas diretoras, coordenadoras e professoras Brasil afora. Eu já vi de perto vários casos de discurso errado a práticas ainda mais erradas. Como mãe, como professora e ouvinte indignada de casos diversos de descasos, de má gestão, de falta de dom para a profissão que se assume por falta de opção, por falta de exigências, que se segue no automático porque achou que era uma coisa e na prática é outra, além da intervenção negativa das famílias com arbitrariedades, exigências. falta de limites por conta da relação comercial equivocada que delimita e distorce a relação alunos, família e escola.
O documentário reúne depoimentos de educadores e profissionais de diversas áreas, alunos e pais, sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escolar, para um aproveitamento melhor do conhecimento, hoje mais acessível, com maior velocidade.
Para fazer melhor uso dos recursos e do maior volume de informações e questionamentos a disposição, inclusive os levados pelos alunos para escola. E nesse movimento é necessária e urgente a necessidade uma mudança nos currículos.
Atrelado a tudo isso, tem o emocional que é parte da educação e tem que estar ligada s tudo que deve ser adaptado, extinto e resgato. A presença do lúdico, o prazer em aprender, o respeito, admiração e valorização da figura dos professores. A volta de uma flor no copo nas mesas das prós, uma maçã, festa surpresa de aniversário, com fotos na lousa eletrônica, combinados e compartilhamentos nos grupos no zap, contatos virtuais e presenciais, tudo junto e misturado.
E como hoje é sexta-feira e virou parte do calendário incluir os sábados na vida escolar, que acho particularmente ruim, fica a queixa, porque crianças e adolescentes precisam de tempo livre, para fazer mil coisas, para não fazer nada, para quando estiverem passando dos limites, como li por ai esses dias, a gente mandar eles para rua, lembrando do tempo (meu tempo) que quando passávamos dos limites éramos mandados para o quarto.

23 de julho de 2015

Momento reler é bom

Reler é um bom hábito, eu acho e digo sempre por aqui e por ai. Tem livros que valem a releitura pelo gostar, para fazer anotações, para ver detalhes que passaram despercebidos, por que a cada leitura somos novos. E nessa de comprar para ter e um dia reler livros que já lemos de alheios, ainda vou comprar para chamar de meu, por exemplo: O catador de conchas, O livreiro de Cabul e outros mais. 
Sou do tempo da Coleção infanto-juvenil Vaga-lume, com temas variados. aventuras, fantasia, mistérios e histórias diversas que conquistavam e nomes de alguns dos títulos que hoje causariam polêmicas. Os livros eram geralmente, na minha época. pedidos pela Escola, um melhor que o outro e a vontade de ter além dos pedidos nas listas era uma constante.
E eis que li por ai, que em homenagem aos seus 50 anosde existência , a Editora Ática vai relançar 10 livros dessa coleção pop, com capas novas, que brilham no escuro. A listinha dos dez escolhidos é: Os Bascos de Papel, A Aldeia Sagrada, Tonico, O Feijão e o Sonho, Spharion, A Ilha Perdida, O Escaravelho do Diabo, A Turma da Rua Quinze, Deu a Louca no Tempo, Açúcar Amargo. Curttiu? Já leu algum desses?  Deu vontade de reler? 

20 de julho de 2015

Oh Oz!

Ilustração de Lorena Alvarez Gómez
"Espantalho: 
Eu não tenho um cérebro
Só tenho palha 
Dorothy:  
Como você pode falar
Se você não tem um cérebro? 
Espantalho:
Eu não sei
Mas algumas pessoas sem cérebro
Falam de monte, não é?"
É caro Espantalho!
Além dos contos de fadas
Por uma segunda-feira e todos os dia
De pensar antes de falar
De tomar conta do que vai dizer
E de não dar ouvidos
A fogos de palha, ruídos e desafetos 

17 de julho de 2015

Soprando no vento

Iluminura de Valeria Docampo
Perguntação de Bob Dylan

Quantas estradas um homem deve percorrer
Pra poder ser chamado de homem?
Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar
Pra poder dormir na areia?
Quantas vezes as balas de canhão devem voar
Antes de serem banidas pra sempre?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

E por quantos anos uma montanha pode existir
Antes de ser lavada pelos oceanos?
Por quantos anos algumas pessoas devem existir
Antes de poderem ser livres?
E quantas vezes um homem pode virar a cabeça
Fingir que ele não vê
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

Quantas vezes um homem deve olhar pra cima
Antes de conseguir ver o céu?
Quantos ouvidos um homem deve ter
Pra poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?
Quantas mortes serão necessárias até ele saber
Que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento

Tradução da canção
Blowin' In The Wind
Que estou a cantarolar
Soprando no vento a assobiar 
Mesmo depois de a novela que tinha ela como música da abertura acabar
Eu e as novelas globais das seis
Suas aberturas e trilhas sonoras
Personagens, reflexões, histórias
Cultura nas bordas ou recheio

Sete vidas não temos que nem gato
Mas as respostas
Das mais valiosas, por vezes
Muitas vezes, não estão nos livros
Teses, teoremas
Estão numa caixa de presentes
Num carrocel
No céu 
Numa caixinha de música
De valor sentimental mais que financeiro
Numa ida ao parque de diversão com os irmãos
Depois de crescidos
Sem nunca ter ido um dia por falta de dinheiro
De parques, de tempo
Está num abraço
Num olhar, nem gesto
No vento

Vento bom para hoje em nossos lares e mares
E para o final de semana
Que por aqui vai ficar com essa postagem
De boa
Brisando

11 de julho de 2015

Uma palavra

Resolvemos lançar em parceria, a Emilly de um blog vizinho que estava em busca de parceria e eu, um desafio de publicação coletiva de uma palavra cada um, com porquês, histórias e ou imagens.
Após ser definida a proposta de interação que faríamos, ao me ver diante da tela em branco, eis que me deu azul. Eu tenho isso sempre, invento coisas que eu não consigo lhe dar depois, que psra mim são difíceis, no rompante ou na empolgação para fazer algo que funcione no coletivo que na margem, após a água se acalmar vejo, não funciona para mim. Tipo isso de escolher uma palavra ou uma comida que fosse, uma cor. Um ou uma para mim é sempre pouco e com essa sentença alumiou minha escolha.
A minha palavra não de vida ou talvez sim, como a uma palavra escolhida no livro e filme: Comer, rezar, amar; como a palavra para participar dessa interação, é: Amizade.
Das amizades através do blog tenho especiais e valiosos retornos, valendo pontuar sem intenção de diminuir ninguém, ao passo que valorizo o valor da palavra que como todas traz em si sentidos e sentimentos, que não são todas as pessoas com quem troco figurinhas e cá estão e ou por ai estou que considero amigas e as que considero o sao, ainda que falte o presencial que seria o ideal, são amizades que extrapolam o virtual.
Das amizades de vida, as de infância, escola, faculdade e trabalhos, sem meias palavras, as minhas, muitas delas ficaram pelo caminho. Tenho contatos com colegas, pessoas queridas, mas ninguém que me ligue sempre, que esteja nos meus álbuns de fotos constantemente, que me conte seus problemas e suas conquistas e planos e eu as minhas e meus. Os amigos de marido e adjacentes de sempre, sempre estão por perto, sendo nossa relação de longa data, se adicionam e também subtraiem, amigos dos amigos, além de nossas famílias, todos muito a miúdo. Explicar porque, me perguntar porque, inúmeras respostas, nenhuma talvez. Minha intensidade, e sinceridade que incomodam e me incomoda usar máscaras é um traço de personalidade que contam contra, assim como meu romantismo, minhas limitações tipo não gostar de me embebedar (ponto de "amizades" "forte"), não gostar e não ir a qualquer lugar, não dirigir. E assim tenho amizades, dessas de alegrias e tristezas, que conto nos dedos de uma mão. 
E já que escolhi essa palavra, vou puxar papo pra desabafar e resenhar, sobre eu ter observado como as pessoas sabem pouco umas das outras. Não perguntam, não prestam atenção, não se interessam por detalhes, curiosidades, opiniões, histórias e memórias afetivas do outro. Por vezes e a cada dia mais arbitrariamente e automaticamente, somos incluídos em tal lado de tal questão sem nunca termos dado nenhuma opinião sobre o assunto. Por displicência, conveniência, por falta talvez de nos momentos apropriados e diversos para conversar e se conhecer melhor, se falar o de sempre, a vida dos outros, geralmente, ou sobre novelas, polêmicas, política, futebol, compras, ou não se falar, ficar cada um no seu mundo virtual ou só falar por códigos e gestos porque o som tá alto demais, porque se passa tempo demais sem se ver e ai quando se dá o encontro há um acúmulo de assuntos.
Essa tal da invenção que mencionei de passagem é comum, a pessoa não sabe nem nunca te perguntou, mas acha que você gosta de tal leitura, que você é de tal tribo, alguém inventa e a informação vira oficial que você não curte, não vai, não usa, não come tal coisa.
Fato é que a velha (ultrapassada) troca de ideias ao se fazer novas amizades, a falta (desinteresse ou falta de percepção) das velhas amizades de saber o que  você gosta, vivências suas além das que cada um viveu com você, além do amigo em comum, além do casal que você é parte é limitante e pouco fértil para o florescer e dar frutos de uma amizade.
Muitas vezes baseando-se em rótulos, tipo o cara é surfista, é estabelecido que ele gosta de ouvir determinado tipo de música por exemplo, que é naturalista, alternativo. Julgamos, desconhecendo a individualidade das pessoas, as afinidades que temos com elas, as diferenças que somam. Eu, as vezes tenho vontade de fazer um questionário tipo recebi e passei alguns na adolescência na escola, perguntando cor, comida, atriz predileta, filme  e livro preferido da pessoa. Na real, presto atenção nas pistas, gosto de atiçar a tagarela alheia, de puxar esse tipo de conversa, gosto também de contar minhas história, meus gostos, mas há poucos que queiram ouvir, ainda que aqui, através do blog eu dê relatórios. Muitos próximos a mim leem coisa ou outra, a convite e pouco voluntariamente. Eu leria tivessem blogs com histórias de amigos. Mas sou um ponto fora da curva, tracinha de ler, catadora de histórias. Tenho isso em mim, talvez por isso busque nos outros: contares, encantares, dores, detalhes, saber e gravar que a pessoa gosta de manga, de dançar, da cor laranja, que o pai foi barbeiro, que o cachorro era cadela, que a cadela foi fazer uma cirurgia, que nasceu uma neta, que a pessoa nasceu em tal lugar e ai se eu vir algo, ouvir, vou lembrando das histórias.
Me faz feliz e adiciono na minha lista de amigos, no coração, coisas como me mandar um poema de um autor que gosto, uma oração, o saber que gosto de pão, café, milho, galinha, passarinhos, arco íris tantas outras coisas mais. Amizade com delicadezas, com conhecer, reconhecer, com gentilezas pra mim é o que vale, que agrega, que fica, o olho no olho, olhos que brilham em nossa companhia e nossos olhos brilham de volta, nosso ser quem somos, nosso melhor e o pior levado para terapia, para um abraço, um banho de mar, um sorvete, um gesto qualquer de carinho, tipo personalizado, não por atacado.