Da mesma autora li outro dia um texto no qual ela revela que não consegue associar o cheiro de verde ao asfalto, usando outra analogia similar a que ela usou. Como nasci contestadora, eu declaro a quem interessar possa, que eu acho que a graça da coisa é justamente essa, ser urbano e sentir-se rural ou ser rural e ter desejos de cidade grande. Eu por exemplo, adoro cheiro de mato, de terra molhada, passarinhos, galinhas e pintinhos ciscando, leite de vaca fresquinho, mas estaria em um lugar assim por vezes pensando no letreiro da Mac-Donald´s. Assim como receberia um sedex e sentaria na grama para folhear um livro recém lançado, vindos de além mar de coisas que por ali eu certamente não iria encontrar, sem deprimir ou me enraivar. Bem como entre prédios, barulheira de buzinas, obras, gente de lá pra cá, televisão e parafernalhas eletrônicas, passarinhos cantando para mim é som que combina, como salvação, sinal de vida, de leveza.
Comentei com uma amiga, nos
bastidores aqui do blog, que também leu o texto e disse ter se lembrado de mim, que para mim, vale a canção: "Quem não gosta de
samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé" e eu não nasci
no samba, nem no samba me criei, filha de espanhóis, na terra do axé, o samba
para mim é canção que contagia, batucada na mesa, em balde virado de
ponta-cabeça ou caixa de fósforo, em pandeiro ou tamborim, som de cuica, chocalho,
letras que são verdadeiras poesias, o traje branco do malandro, todo cheio de
elegância, a saia rodada das meninas, o prazer de sambar, rodar e cantarolar é
sem igual, bate por dentro. Tem um quê africano, brasileiro, brejeiro, que para quem dança, toca
e canta, parece que os males espanta.
Na mesma leva, sempre achei que
quem não gosta de criança tem algo errado, bem como tem em quem gatos e
passarinhos não gostam de se aproximar, essa é aprendizado da cultura popular.
Como diz um amigo meu, nesse mundo vamos morrer e não ver de tudo, tem quem não
gosta de passarinho e não um não gostar traumático ou velado, tímido e explicável por alguma situação, coisa narrada com requintes, que se estende a estampas e objetos com os voadores e tentativa de explicação e perdão, essa parte do achar que precisa de perdão,
bem pode ser um sinal salvação.
Enfim, como diziam os antigos, o que é de gosto é regalo da vida, que assim seja, mas eu cá comigo acho que não gostar de moscas, cobras ou crocodilos tem melhor expliqueza. A propósito no fio da mesma meada, li uma matéria (aqui) sobre pessoas em Sampa incomodadas com a cantoria dos sabiás laranjeiras, essa espécie das imagens de perfil e refrescância lá em cima. "Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto de um sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz." Será que vale para adultos por fora que tem uma criança por dentro?
Enfim, como diziam os antigos, o que é de gosto é regalo da vida, que assim seja, mas eu cá comigo acho que não gostar de moscas, cobras ou crocodilos tem melhor expliqueza. A propósito no fio da mesma meada, li uma matéria (aqui) sobre pessoas em Sampa incomodadas com a cantoria dos sabiás laranjeiras, essa espécie das imagens de perfil e refrescância lá em cima. "Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto de um sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz." Será que vale para adultos por fora que tem uma criança por dentro?


Bom dia!!!
ResponderExcluirBom, algumas pessoas não iriam gostar de onde moro, lá tem sabias aos bandos, bem te vis, cigarras, grilos, sapos e tudo quanto é bichinho barulhento, sem contar os galos que de madrigada, faça chva ou sol dão o sinal da graça...
Me sinto feliz e privilegiada.
Adorei sua explanação...
Vc é original em suas palavras.
Bom demais!
bjs
Ritinha
Tina, não consigo entender quem reclame do "BARULHO" dos sabiás que acordam nossos dias alegres e deixam mais cor... Há quem não goste de barulhos assim e no entanto ficam com sus ouvidos quase estourando, tão alto é, de sons pra mim, horrorosos. Então, pra não criar úlceras e nos incomodar com tudo, deixemos que cada um se regale ao seu modo, porém não precisamos concordar com os gostos. Eu adoraria estar no mar, mas num lugar quieto, sem muita gente, com jeitinho de vila. mas ficamos mais velhos ,assumimos certas criaturinhas,rs e temos que ir em frente na cidade como ela é. E assim vamos, sem ranzinzar, nos deleitamos quando ela nos oferece coisas lindas! beijos,chica e lindo dia!
ResponderExcluirAH! Por aqui, tenho uma grande dúvida: não sei se sou eu quem acorda os sabiás, tão cedo já ando antenada...
Dia desses ouvi uma conversinha entre seus pios: AH! Essa velha não sabe que dormir é bom? Sempre nos acordando com o tec,tec, tec do seu teclado ou maquininha?rs beijos
oi Tina
ResponderExcluirMelhor ser acordada com o canto dos pássaros do que com buzinas e britadeiras.
bjokas =)
Pássaros fantasiam o dia e isso é muito belo. Lembrei de Martha Medeiros, que cronicalizou sobre os pássaros. Mas, ao contrário de nós, ela não parece apreciar a cantoria dos bichinhos.
ResponderExcluirAos finais de semana é mais fácil ouvir algum pássaro na janela, a movimentação diminui.
Eu sou um amante do campo e da cidade, acho que precisamos de ambos, na medida certa.
Boa terça :)
Somos acordados todos os dias pelo "Sabiá Laranjeira", aqui em nosso quintal tem vários ninhos e eles nos encantam sempre...super mágico.
ResponderExcluirBeijos no coração querida amiga Tina.
Como pode alguém não gostar de canto de pássaro? Canto livre, não engaiolado porque vira canto triste! Os barulhos da cidade? Se não me interessam, nem ouço! :) Beijos e ótima terça, com sambinha no pé!
ResponderExcluirOlá Tina
ResponderExcluirOs pássaros são maravilhosos, ótima reflexão. Gostei do seu blog. Bjs querida.
Tina, hj o dia ta bem corrido... por isso vim bem rapidinho só para te desejar uma ótima tarde!!
ResponderExcluirBeijos
Nanda
Se eu não soubesse que você, geograficamente, está aí na Bahia, poderia afirmar que estava em solo paulistano. Ontem não se falou noutra coisa. Começou no jornal impresso, falado e eclodiu nas redes sociais. O que tanto falavam? Só reclamação sobre a majestade o sabiá.
ResponderExcluirNão queria concluir isso, mas acho que paulistamos gostam mesmo é de passar de seis a oito horas na Imigrantes, descida da serra para ver o mar para tirar o stress dos passarinhos.
incompreensível...
Mas fico com a delicadeza das lendas indígenas. Beijo!
Dando uma voltinha, no seu
ResponderExcluircantinho, pra te desejar uma ótima tarde,
o canto dos passaros é melodia para meus ouvidos.
bjs
http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/
Querida que maravilhosa reflexão.
ResponderExcluirBeijos Luci
Ai Tina,fiquei revoltada tb com essa matéria contra o canto dos sabiás!Nós é que ocupamos o espaço deles,nós é que temos que sair.Eu adorei o seu texto,como sempre escreve super bem,expressa as coisas que sentimos e não sabemos falar.Parabéns!bjs,
ResponderExcluirTina, adoro acordar com o bem-te-vi cantando no telhado do meu vizinho.
ResponderExcluirComo alguém pode não gostar do canto dos passarinhos!
Belíssimo texto!
Bjs
Amara
Não, definitivamente...quem não gosta de passarinho...bom sujeito não é! hehe
ResponderExcluirComo pode alguém se incomodar com a cantoria dos sabiás?
Dizem que somos aquilo que amamos...amo sabiás...sou um pouco essa cantoria também.
Beijos,melodias e flores para você...amiga passarinha! :)
Não tenho nada contra os passarinhos (e você é testemunha disto) mas no local onde morei durante anos tinha uma árvore que era abrigo de pardais. E a música Ave Maria do Morro narra o que acontece:
ResponderExcluirTem alvorada, tem passarada,
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o amanhecer.
e assim, ao primeiro raio do sol, a cantoria começava. Todos os dias. E às 17 horas eles retornavam. Impossível dormir até mais tarde!
Melhor quer acordar com tiros, funk ou som eletrônico nas alturas, goteira, barulho de obras no vizinho ou na rua, despertador histérico...
ExcluirPara a preguiça, vale o ditado:
"Deus ajuda, a quem cedo madruga"
:)