Não saiba a sua mão direita o que
fez a esquerda diz a sabedoria popular e é um refinamento praticar, por isso resolvi não contar na ocasião (dia das crianças) da ação que
fiz junto com meu marido, colegas de trabalho e amigos nossos, fonte de fotos que não coloquei para ilustrar o post, por não ter pedido licença as pessoas fotografadas, que não é porque estão na rua que podem ser exibidas por ai, como não podem e não devem as com endereço fixo, anônimas ou populares. Respeitar e zelar pelo direito da imagem dos outros e nossas, da palavra e da privacidade anda meio em falta no mercado.
O que fez nossas mãos veio para cá por causa de um projeto sobre a invisibilidade dos moradores de rua que vi na tv (clica aqui para ver) e daí resolvi dividir
alguns sentimentos e histórias dessa vivência de distribuição de brinquedos arrecadados e comprados por nós e outras histórias minhas e de
pessoas que vi e vejo na rua. Não para exibir, para contagiar.
Uma moça grávida de uma das fotos, que pousou sorridente, esperou paciente, cheia de modos, simpatia e educação pela doação em meio a uma muvuca, uma outra com uma criança no colo em outro local, antes de me passar ela, que pedi para carregar para tirar uma foto, me avisou: Ele fez xixi nesse short, tá seco, mas tá de xixi! Pensei que ela podia não ter dito nada, que ao carregar e colocar no colo muitas delas eu sabia e percebia não estarem limpas, mas isso fazia parte quando pensei em ir dar aquelas coisas e me propus e propus ao grupo de antemão distribuirmos além dos objetos, sorrisos, gestos de carinho, papos e assim foi e quando estendi os braços e disse que não tinha problema, o sorriso dela foi largo. um olhar de gratidão mais pelo gesto que pelo brinquedo, recompensador.
Muitos moradores de rua atendi no
portão na casa de meus pais e não levava comida só, tagarela que sempre fui e ainda sou, sempre conversei, dei apelidos
a alguns na coxia, tipo identidade para falar deles, porque eles faziam parte do nosso dia a dia. Muitos ainda andarilham por lá e me cumprimentam nas ruas e acho isso o máximo. Lembro de vários, tinha um que gritava e batia palmas ao invés de tocar, tinha uma que colocava o dedo na campainha e só tirava quando alguém aparecia, uns que não falavam nada com nada, os que não falavam e não falávamos e rolava comunicação. Tinha um senhorzinho miúdo e franzino que
dormia num papelão embaixo do muro de um dos hospitais que ficam na rua que
meus pais moram. De dia ele dobrava o papelão, ajeitava num canto caprichosamente, se penteava, mudava de roupa quando em vez, camisa arrumada para dentro da calça ou bermuda, cinto, sapatos. Todos os dias ele varria a calçada, cumprimentava as pessoas, passava lá pra tomar seu café,
simpático e sorridente. Algumas vezes levei o café in loco, ia para o mercado
ou na barraca e pensava que nada me
custava tão miúda gentileza. Ele lia noticias nos jornais que largavam por ai e
as vezes davam a ele e conversava sobre assuntos diversos. O que fazia ali na
rua não perguntei nunca, fosse hoje eu perguntava. Sumiu um dia e nunca mais o
vimos. E assim tratei todos os pedintes do portão, exceto os abusados e
violentos, coloca eles em seus lugares, ou seja longe dali, com toda minha
brabeza diretamente proporcional a minha doçura.
Tratei e trato as pessoas de rua
com suas diferenças e até gostos. Porque quem precisa também tem gostos que as
vezes não custa serem atendidos. Tinha um senhor que não queria pão nunca, era
só café, nem adiantava insistir e as vezes ele pedia mais açúcar e lá ia eu pegar, já que ajoelhei, rezava. Sou também da idéia e prática de dar um pacote
de bolachas recheadas, chocolate e supérfluos a mendigos, porque não? Novidade
para eles, doçura para vida amarga que levam. Até os que não são pedintes
gostam e cabe darmos uma doçura um dia ou muitos. Tem uma senhorinha franzina e
bem pobrinha que vende prendedores de cabelo sentada em um banquinho debaixo do
sol a anos, perto do ponto de um ponto de ônibus, a quem
levei outro dia um iogurte bem geladinho, sem discurso, explicação ou
perguntação, dei, sorri e ela retribui o sorriso e disse o que diz sempre que
compro prendedores por precisão ou não: Deus lhe pague. Ele paga eu creio, pois creio na máxima de que quem dá aos pobres empresta a Deus, creio que gestos assim mudam o
mundo e se não mudarem mudam o dia de uma pessoa.
Dar quando batem a nossa porta é
opcional, água, aprendi que não dar é pecado e ir dar algo a quem está na rua é diferente, aprendi nas aulas de religião do colégio, com professor
Josemar. Você costuma doar? Cumprimentar as pessoas que moram na rua, por quem você passa as vezes diariamente, com um olhar que seja?
Lindo teu post e lindas tuas ações e comportamentos.Vi tuas fotos no Insta com elas. Vale o sorriso ,carinha feliz! E sempre procuro ajudar quando e como posso.E oportunidades não faltam. Só não as podemos alardear! Senão perdem o sentido! E podes ver que quando pessoas normais como tu, eu e outras tantas fazem, não alardeiam. Mas quando ricaços fazem algo, todo mundo precisa ficar sabendo. essa exibição me enoja! bjs, lindo dia! chiuca
ResponderExcluirBom dia Tina, um bom dia especial, diante dum ato tão especial e tão raro, e principalmente pela sua simplicidade e desprovimento ao relatar.
ResponderExcluirNa minha vida tbm tenho feito algumas coisitas, mas sempre na "sombra", pq aqui a terra é pequena, e ninguém precisa saber mais do que o necessário. Mas o q faço é quase nada, migalha apenas.
Em relação aos cumprimentos, de há uns anos para cá adotei e cada vez mais os alargo, e confesso que aprendi com minha caçula, que é super popular entre todos, sem exceção. E há cerca de um ano, num dia de chuva, dessa que vem sem aviso, quem lhe valeu foi um desses "amigos" que a abrigou no seu velho guarda-chuva.
Quer coisa mais bonita?
bj amg
oi Tina
ResponderExcluiracho importante a gente se importar com as outras pessoas, fazer pequenas coisas em prol aos outros. O que é pequeno para gente é grande para os outros.
Linda ação!!
bjokas =)
Deus ama ao que doa com alegria. Aqi ensino a Alice a doar, roupas que perdem, semi novas, umas que não gosta , outras que ama , mas que vão perdendo. é o desapego, tbm doamos comida se pedem, e o fazer bem trás a nós recompensas. Linda ação. passa no poesia para ver a novidade. bjs
ResponderExcluirLindo cara Tina, suas ações, por que de nada vale orar sem não colocar esta oração em ação.
ResponderExcluirLindo! Emoção pura, bjs no coração.
Ajudar é sempre muito importante, seja com algo material, ou com um gesto de carinho, um sorriso...
ResponderExcluirUm abraço,
Élys.
Eles também tem gosto...
ResponderExcluirAlém do sorriso que você distribui, certamente essa postagem contagia!
Beijo!
É amiga, somos todos irmãos, filhos de um mesmo pai, estamos por vezes em situações diferentes materialmente falando, mas espiritualmente muitos destes "moradores de rua" estão bem na nossa frente...
ResponderExcluirBjs de admiração.
Linda postagem Tina, acho que cada um tem que fazer um pouco.
ResponderExcluirNo prédio onde o Pedrinho mora o síndico coloca caixotes para os moradores fazer suas doações, até as crianças ajudam com doações de brinquedos. bjs
Amara
bjs
Amara